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BNDES tem linha de financiamento para investimento social

31/1/2008 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece, desde maio de 2006, uma linha de financiamento para projetos sociais. O incentivo tem o propósito de estimular o desenvolvimento de iniciativas voltadas à agregação da variável social pelo setor corporativo.

A Linha de Investimentos Sociais de Empresas é uma evolução do antigo Programa de Apoio ao Investimento Social (PAIS). Angela Macedo, gerente do Departamento de Operações Sociais da Área de Inclusão Social do BNDES, explica que a mudança ocorreu para transformar o apoio em uma política permanente da instituição.

Segundo Marcos Kisil, presidente do IDIS, “o BNDES inova ao propor uma linha de crédito que abrange o social na própria definição do empréstimo. Isso implica que os capitais social e humano das comunidades onde serão feitos os investimentos econômicos passem a ser valorizados”.

Desde a criação da linha, R$ 265 milhões foram investidos em 122 operações em investimentos sociais. Os recursos foram aplicados em projetos e programas de qualificação social voltados tanto para o âmbito interno da empresa (iniciativas cujos públicos são funcionários, seus dependentes ou familiares; empregados de fornecedores de insumos; e clientes) quanto para a comunidade (associados a políticas públicas de diferentes níveis federativos).

Taxas específicas

As duas espécies de públicos-alvo condicionam duas vertentes da linha de financiamento, com condições distintas, embora ambos estabeleçam prazos de até 96 meses para pagamento, incluindo carência de 24 meses.

Para os projetos voltados para o âmbito interno, o BNDES oferece apoio com taxas de 7,25% ao ano (6,25% da Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) mais 1% da remuneração básica do BNDES). O nível de participação da instituição em projetos dessa natureza é de até 80%. Ou seja, a empresa deve investir, no mínimo, 20% do valor do investimento social pleiteado.

Já as ações que promovem o desenvolvimento de comunidades localizadas no entorno ou nas áreas de influência geográfica da empresa recebem melhores condições de financiamento. É cobrada apenas a TJLP, que deve ser paga ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Nesse caso, o banco abre mão de sua taxa de remuneração. Além disso, o nível de participação sobe para até 100%.

O maior incentivo é resultado da valorização da interação entre empresa, comunidade e poder público. “Acreditamos que, a partir do envolvimento do setor público, principalmente o municipal, e do apoio da comunidade, um projeto tem muito mais sustentabilidade”, afirma Angela.

Tamanho dos projetos

Em média, os empréstimos giram em torno de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões. Mas não há limite pré-estabelecido. O teto depende do próprio investidor, que apresenta o projeto e aguarda a avaliação dos técnicos.

Os dois maiores projetos sociais já financiados pelo banco foram um da Veracel Celulose, com investimento social de R$ 22,6 milhões (sendo R$ 19,7 financiados pelo banco), e outro da Cia. Brasileira de Distribuição, com financiamento total de R$ 15,5 milhões.

Embora possam ser pleiteados autonomamente, todos os projetos que fazem parte da carteira atual de investimento social do BNDES estão vinculados a iniciativas maiores de financiamento na linha econômica. “O pleito social é muitas vezes induzido pelo próprio BNDES, quando da análise do apoio financeiro ao projeto econômico”, ressalta Angela. O vínculo não é obrigatório, mas é estimulado, principalmente como forma de corrigir eventuais impactos negativos que possam ser decorrentes da implantação dos empreendimentos.

A principal restrição da linha está relacionada à obrigatoriedade de inovação. Segundo a gerente de Operações Sociais, o financiamento não tem por objetivo substituir recursos que as empresas já aplicam na área social.

Tendência

A criação de linhas de financiamento bancário específicas para investimento social acompanha o desenvolvimento da responsabilidade social no meio corporativo. Tanto a International Finance Corporation (IFC) do Banco Mundial, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento estão utilizando instrumentos similares ao do BNDES.

Além disso, “estamos progressivamente assistindo a entrada da rede bancária privada no intento de valorizar o investimento que incorpora as idéias do Triple Bottom Line para qualquer empréstimo empresarial”, conclui Kisil.

O BNDES pretende disseminar a iniciativa. Para 2008, está previsto um processo de sensibilização e capacitação dos próprios técnicos da instituição em matéria de responsabilidade social. “Esse é um dos temas que foi considerado no planejamento estratégico do banco em 2008. Nossa expectativa é que a utilização da linha cresça bastante a partir deste ano”, explica Angela Macedo.

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