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Cresce 11,3% o número de milionários no Brasil

19/10/2006 - Com mais de 109 mil milionários e ocupando o segundo lugar na lista dos países mais desiguais do mundo, o Brasil tem potencial para fazer investimento social familiar. Muitas famílias já destinam recursos para ações sociais, mas de maneira assistencialista e aleatória. O que falta, portanto, é investir de forma estratégica para aumentar o impacto e provocar a transformação social.


Cerca de 8,7 milhões de pessoas no mundo têm um patrimônio superior a US$ 1 milhão em investimentos financeiros. Segundo o relatório sobre a Riqueza Mundial, divulgado pelas empresas Capgemini e Merrill Lynch em junho de 2006, a maioria está concentrada na América do Norte, na Europa e na Ásia (2,9 milhões, 2,8 milhões e 2,4 milhões, respectivamente). Empatados estão a América Latina e Oriente Médio, com 300 mil pessoas cada. A África reúne cerca de 100 mil milionários.

Entre 2004 e 2005, o Brasil foi um dos países que mais aumentou seu número de milionários. Apresentou um acréscimo de 11,3% (de 98 mil para 109 mil), ficando atrás apenas da Coréia do Sul - com crescimento de 21,3% -, Índia (19,3%), Rússia (17,4%), África do Sul (15,9%), Indonésia (14,7%), Hong Kong (14,4%), Arábia Saudita (13,5%), Cingapura (13,4%) e Emirados Árabes Unidos (11,8%). A média mundial de crescimento nesse ano, foi da ordem de 6,5%.

É interessante notar que, embora o número de milionários no Oriente Médio e na América Latina seja semelhante, o volume de recursos nessas regiões é bastante diferente. US$ 4,2 trilhões estão concentrados nas mãos dos milionários latino-americanos, enquanto US$ 1,2 milhão está no Oriente Médio. Os milionários da América Latina são, portanto, 3,5 vezes mais ricos que os do Oriente Médio. Mas a América do Norte ainda é líder em volume de recursos, com US$ 10,2 trilhões, seguida da Europa (US$ 9,4 trilhões) e da Ásia (US$ 7,6 milhões). 

Contrapor os dados desse relatório com os da pesquisa Radar Social 2005, realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), no qual se observa que o 1% da população mais rica no Brasil (cerca de 1,7 milhão de pessoas) concentra 13% da renda nacional e que os 10% mais ricos concentram 46% da renda, dá uma dimensão da desigualdade social presente no país. Não é à toa que, utilizando o índice de GINI - um indicador internacional que mede a desigualdade e a distribuição de renda em 130 países -, o Brasil ocupa o vergonhoso 2º lugar em desigualdade, atrás apenas de Serra Leoa.

Diante desse cenário, fica a pergunta: há espaço na sociedade brasileira para que os mais afortunados, de maneira voluntária e estratégica, usem parte desses recursos para atender às necessidades da maioria da população empobrecida? Felizmente, de acordo com a experiência do IDIS, a resposta é sim.

A maioria das famílias ricas tem interesse em destinar parte de seu patrimônio para ações sociais. O problema é que, muitas vezes, fazem isso de maneira aleatória e assistencialista, sem pensar estrategicamente, para que esse investimento transforme realmente a qualidade de vida dos beneficiados.

A publicação do IDIS "Investimento Social Familiar - Elementos para uma Ação Estratégica" discute os principais desafios da filantropia familiar no Brasil.

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