Câmara Brasil Alemanha cria centro de responsabilidade social para o Mercosul
30/11/2006 - No dia 28 de novembro, durante o “1º Congresso Mercosul de Sustentabilidade”, a Câmara Brasil Alemanha apresentou o Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial . A organização tem por objetivo atuar como parceiro do setor privado na busca de soluções e caminhos para uma atuação competitiva em Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e ajudar a criar um ambiente favorável aos negócios sustentáveis, que respeitam não apenas a dimensão econômica, mas também a social e a ambiental.
Conforme pontuou Marcos Kisil, diretor-presidente do IDIS, durante o evento, a decisão de se criar um centro de RSE que congregue empresas e fundações privadas, além de organizações governamentais, de pesquisa e desenvolvimento nos países integrantes do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) representa um desafio significativo, já que esses países apresentam grande diversidade, não apenas entre eles, mas também internamente. São nações nas quais em algumas já existe uma comunidade empresarial preocupada com essa temática, outras não. Cada uma delas entende o papel do Estado, das empresas e da sociedade civil de forma diferente. Sem contar na enorme diversidade cultural, educativa e do próprio ambiente de negócios.
Embora o Mercosul não seja um grupo uniforme, o que há de semelhança entre esses países é a necessidade premente de se promover a inclusão social e distribuir renda. Nesse contexto, é preciso pensar o papel do ambiente corporativo na promoção da inclusão. Para o especialista, não basta que as empresas paguem impostos, cumpram as leis trabalhistas, ambientais e de defesa do consumidor. É preciso também que sejam responsáveis com os recursos naturais, com os direitos humanos, com as comunidades em que estão inseridas e com a sociedade em geral. E é por isso que os movimentos de responsabilidade social e sustentabilidade corporativa cresceram a partir dos anos 90.
De fato, como apontou João Gilberto dos Santos, do Instituto Ethos, há uma tendência de mobilização planetária das empresas. Cerca de 3 mil organizações, por exemplo, são signatárias do Pacto Global. No entanto, no universo total das empresas, isso ainda representa a pontinha de um iceberg.
Marcos Kisil disse que hoje existem três tipos de empresas envolvidas com a RSE: as convictas, que procuram atuar de forma responsável porque acreditam e cujos valores e princípios foram traduzidos em códigos de conduta ética junto a todos os públicos de interesse; as que entram nesse processo por conveniência, porque percebem que essa postura aumenta o prestígio da empresa; e as que o fazem por coerção, porque seus funcionários e colaboradores, fornecedores, clientes, e a comunidade em que ela está inserida as pressionam para atuar de maneira ética e responsável. Qualquer que seja a motivação, segundo o especialista, é importante trabalhar com esses atores para que a sustentabilidade seja um compromisso permanente.
Esse é o caso da empresa Henkel, que existe há 130 anos e que começou a se preocupar com questões ambientais em 1959, quando a comunidade internacional não estava simbolizada para a causa. Julio Muñoz Kampff, presidente da Henkel Mercosul, explicou que, nessa época, a empresa começou a fazer testes ecológicos e a definir seus fornecedores a partir de critérios de geração de menor impacto no meio ambiente. Em 1976, ela definiu alguns princípios em relação ao meio ambiente e, 1982, elaborou novos princípios de proteção ambiental e ao consumidor. Em 2000, criou seu Código de Conduta e Ética e, no ano passado, um Código de Sustentabilidade Corporativa, onde afirma que o sucesso econômico da empresa deve estar atrelado à sua dimensão social e ambiental. Ele também destacou que a sustentabilidade corporativa é um conceito que deve estar em contínua renovação e revisão, incorporando uma visão de longo prazo e de diálogo entre os diferentes setores da sociedade.
Djordjija Petkoski, do Banco Mundial, ponderou que, na América Latina, onde uma a cada quatro pessoas vive com menos de um dólar por dia, e onde a disparidade entre ricos e pobres é alarmante, o desenvolvimento sustentável não pode estar desconectado do ambiente corporativo. João Gilberto dos Santos, por sua vez, acrescentou que toda ameaça traz uma oportunidade. E que por isso é preciso que as empresas reflitam sobre como transformar o atual modelo de consumo e de produção em um modelo sustentável, criando novos negócios, como investimento em energia limpa, insumos biodegradáveis, mecanismos de recomposição e restauração ambiental, entre outros.
O Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial é resultado de uma parceria entre a Aliança das Câmaras Alemãs no Mercosul, que reúne as Câmaras binacionais alemãs da região, com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ) e a InWent (Formação de Aperfeiçoamento Profissional Internacional).

