Cerimônia de abertura de conferência do COF oferece panorama do setor
23/5/2008 – O Council on Foundations (COF) organizou, entre 4 a 7 de maio, a maior edição de sua conferência anual. O encontro Philanthropy’s Vision: A Leadership Summit reuniu representantes de todo o mundo para discutir ações em filantropia estratégica e o papel do terceiro setor na promoção de mudanças sociais.
A cerimônia de abertura marcou o tom do encontro. Maxwell King, ex-presidente do conselho do COF, defendeu que cabe ao terceiro setor propor e liderar as soluções dos problemas que afligem o mundo. Isto porque, justificou King, o setor filantrópico não precisa garantir lucros, resultados de curto prazo ou agir baseado na opinião pública – características próprias do mundo dos negócios e do governo. Sua única preocupação pode e deve ser ajudar a humanidade a evoluir e construir justiça social.
O jornalista Roger Rosenblatt concorda com King. No curta-metragem produzido para o encontro The Fifth Estate, a filantropia é colocada ao lado das três instâncias governamentais de poder e da imprensa livre. A posição decorre da magnitude das ações da área que, como o jornalista afirma no filme, “investe mais para fazer o bem do que os demais poderes juntos”.
Mesmo com muitas conquistas, o terceiro setor (que, segundo King, está ficando cada vez maior e mais forte) ainda opera à revelia da maioria da população mundial. Isso faz com que muitas pessoas confundam o investimento social com caridade. “Tratam a filantropia como fazem no Natal com o Exército da Salvação: depositam a moeda no cofre, desejam sorte e seguem em sua própria órbita”, afirma o jornalista.
Segundo Rosenblatt, as organizações filantrópicas contribuem para esta realidade ao não divulgarem suas ações e conquistas. A essa política de discrição do terceiro setor se soma aos discursos da mídia e dos governos sobre a dificuldade de solucionar os problemas do mundo e cria nas pessoas uma sensação de impotência.
Para inverter o quadro, a saída é estabelecer um contato mais próximo com o público e mostrar aquilo que o setor filantrópico sempre soube: que os problemas podem ser resolvidos.
Iniciativas do mundo todo
Especialistas e líderes do terceiro setor apresentaram o panorama do investimento social em suas regiões. O secretário-geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), Fernando Rossetti expôs o cenário latino-americano como profundamente vinculado ao setor corporativo.
Segundo ele, o conceito de filantropia (chamada de estratégica no México e investimento social no Brasil e na Argentina) chegou à região por intermédio das grandes multinacionais. O boom aconteceu nos anos 90 e atingiu com mais força os países industrializados como o Brasil, o México e o Chile. Leia aqui o discurso.
Já Rory Tolentino, do Asian Pacific Philanthropy Consortium (APPC), revelou o movimento de diaspora giving. Rory aponta que dois dos três países que mais recebem recursos de suas comunidades de expatriados estão no sudeste asiático: a Índia e a China receberam, cada uma, mais de 21 bilhões de dólares em 2005.
Ao mesmo tempo, as duas nações lideram, ao lado das Filipinas, a lista das três maiores que enviam cidadãos para outros países. São 37 milhões de chineses, 20 milhões de indianos e 7 milhões de filipinos que migraram.
Também representando países em desenvolvimento, Akwasi Aidoo, diretor executivo da Trust África, apontou a criação de 25 novas instituições filantrópicas na região nos últimos dez anos. Além disso, as cinco maiores fundações africanas possuem mais de 1 bilhão de dólares em recursos e ajudam a assegurar justiça social na região. Os dados fazem Aidoo acreditar que o espírito filantrópico está vivo. “A África costumava ser o elo mais fraco na corrente da filantropia mundial, mas não é mais. Nosso tempo chegou”, afirma.
Assista aqui os discursos de abertura da conferência.

