Cidades paulistas apresentam diagnóstico de situação da Educação Infantil
07/03/2007 - Entre outubro de 2006 e fevereiro de 2007, as cidades de Limeira, Santos, Penápolis e São José dos Campos trabalharam na elaboração de um diagnóstico da situação Educação Infantil local. O desafio fez parte do Programa REDINS – Redes pela Educação Infantil, desenvolvido pelo IDIS, com o financiamento da Fundação Bernard van Leer, cuja estratégia principal é a formação de redes sociais intersetoriais nesses municípios, - e também em Santa Bárbara d’Oeste/Americana -, que potencializarão o impacto e a abrangência das ações em prol da Educação Infantil.
Apresentados no dia 1º de março, na cidade de Limeira, alguns dos diagnósticos, que serão utilizados como elementos norteadores do planejamento estratégico das redes locais, surpreenderam por sua qualidade. Mas conforme pontua Tatiana Akabane, gerente de projetos do IDIS, cada rede tem um ritmo diferente e não há diagnósticos certos ou errados. “O importante é o processo de aprendizado ao se trabalhar na elaboração de um diagnóstico”, resume.
Crianças de 0 a 3 são as mais prejudicadas
A cidade de Limeira conseguiu mobilizar os três setores na realização de seu diagnóstico. Com uma população de 271.646, que cresce à proporção de 1,79% ao ano, a cidade conta com 22.164 crianças com idades entre 0 e 6 anos.
O diagnóstico permitiu identificar que seu maior problema são as crianças de até 3 anos, pois 80% delas não freqüentam escolas; enquanto apenas 10% da população de 4 a 6 estão nessa condição. Embora Limeira já tenha atingido as metas definidas no Plano Nacional de Educação para 2005, no que diz respeito ao atendimento de crianças de 4 a 6 anos, as metas traçadas para a população de até 3 anos (atendimento para 30% das crianças) não foram alcançadas.
Os responsáveis pelo diagnóstico de Limeira dividiram o município por região, e identificaram uma demanda de 2.440 vagas em creches, concentradas sobretudo nas áreas centrais e oeste da cidade. Também foi constatado que os profissionais da Educação Infantil estão bem-preparados. 72% deles têm especialização em nível superior; 16% nível superior completo; e apenas 11% têm nível normal (Ensino Médio). No entanto, quando se observa a formação dos monitores que também trabalham com crianças de 0-3 anos, 65% deles têm apenas o Ensino Médio.
O município de Santos deparou-se com um diagnóstico similar ao de Limeira. Se 94,74% das crianças de 4 a 6 anos estão matriculadas na pré-escola, há problemas junto à população de até 3 anos - ainda que, de 1997 a 2005, tenha havido um acréscimo de 273% de novas vagas para essa faixa etária (de 782 para 1798). Já Penápolis, cidade de 58.613 habitantes, conta com 3600 crianças de 0 a 6 anos, sendo que 3 mil delas freqüentam escolas de Educação Infantil. Quanto à formação dos professores, o diagnóstico identificou que apenas 8% deles não têm curso superior.
Aprendizados
Para Adriana Dibbern Capicotto da Secretaria Municipal de Educação de Limeira e facilitadora da REDIN-Limeira o diagnóstico situacional foi importante porque, até então, durante a realização de seu planejamento estratégico, a Secretaria sempre havia focou nos problemas e dificuldades. Com a realização do diagnóstico baseado em talentos e ativos, a Secretaria passou a encarar a comunidade de uma nova maneira. “O levantar de dados, recursos e talentos nos motivou. Nós não sabíamos que já tínhamos tudo isso e que podíamos contar com tantos recursos”, diz. Daqui para frente, as prioridades do município serão o oferecimento de 1600 novas vagas para crianças entre 0 e 3 anos e a capacitação dos monitores.
Eva Cristina Souza Mendes e Denise Albino, facilitadoras da REDIN-Santos, dizem que o diagnóstico permitiu identificar ativos que não estão sendo bem utilizados na comunidade, como algumas praças públicas, a praia, clubes recreativos e de servir, bem como empresas da região e universidade. Elas apontam que, para melhorar a Educação Infantil na cidade, será necessário envolver mais os empresários locais, conscientizar a comunidade da importância de se trabalhar em rede, além de ampliar o atendimento da Educação Infantil e mobilizar as pessoas para que compartilhem a responsabilidade da execução das tarefas da rede.
Ao contrário do que aconteceu nas outras cidades, Maria Inês Peters, facilitadora da REDIN-Penápolis conta que, na cidade, o contato com os empresários para a realização do diagnóstico foi relativamente fácil, o que possibilitou conhecer a leitura que as empresas fazem do trabalho social. A dificuldade foi apresentar a eles o conceito de investimento social.
Saiba Mais
- Facilitadores das REDINs discutem planejamento estratégico em rede
- Programa REDINs é lançado em seis cidades paulistas
- Publicação apresenta como formar redes sociais que contribuam para a transformação social
- Publicação Discute Metodologia do Desenvolvimento Comunitário Baseado em Talentos e Recursos Locais - ABCD
- Redes Sociais de Desenvolvimento Comunitário

