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Com Estação do Conhecimento, Vale propõe projeto social mais eficiente e compartilhado

5/3/2009 – Até 2012, a Vale investirá 1,4 bilhão de dólares – cerca de 3,2 bilhões de reais – em projetos sociais nas regiões onde atua. Em entrevista, o diretor-superintendente da Fundação Vale, Silvio Vaz, fala sobre a mudança de filosofia da empresa, ao inserir a sustentabilidade em sua missão e posicionar-se como companhia que busca contribuir para o desenvolvimento local.

Para o investimento social ser mais eficiente e eficaz, a companhia passou a envolver-se com as comunidades locais integrando os atores sociais e desenvolvendo um processo conjunto de decisão. Depois de realizar diagnósticos e fazer planos de gestão integrada, o resultado foi a criação da Estação do Conhecimento, projeto direcionado ao desenvolvimento humano e econômico de cada região em que a empresa está inserida.

Divulgação - Silvio Vaz, diretor-presidente da Fundação ValeA Estação possui vocação socioeducativa destinada principalmente a crianças e jovens de 7 a 19 anos. Oferece programas nas áreas de esporte, cultura e educação profissional, além de colaborar para o desenvolvimento econômico local. O objetivo é deixar um legado para a comunidade, para que ela protagonize seu desenvolvimento e consiga a sustentabilidade, mesmo depois que a companhia não estiver mais no local.

A proposta da Estação é de desempenhar um papel de agente articulador de redes sociais para a criação de 31 núcleos. O formato será de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), com gestão compartilhada entre a Fundação Vale, poder público e sociedade civil. Em outubro de 2008, foi inaugurada a primeira Estação do Conhecimento, em Tucumã. Haverá também outros núcleos em outras cidades do Pará, Maranhão, Minas Gerais e Espírito Santo. Até 2010, a perspectiva é beneficiar 31 mil crianças e adolescentes.

Confira a seguir a entrevista completa.

Que balanço o senhor faz da atuação socioambiental e do investimento social privado da Vale nas comunidades onde está presente?
Silvio Vaz – A Vale passou por um processo de aprendizado concomitante ao da sociedade. O mundo vem percebendo o que é a sustentabilidade e o que importa para a sobrevivência do ser humano. O desenvolvimento da Fundação Vale nos últimos anos veio a partir do momento em que a empresa mudou sua missão, inserindo nela a sustentabilidade. A presidência decidiu colocar isso em prática, contratando profissionais qualificados. Foi uma mudança filosófica. O modelo do doador que não se envolve diretamente no projeto foi abandonado. Hoje, a Vale quer deixar um legado de sustentabilidade e de conhecimento nas comunidades onde atua. Aprendemos que, se não fizermos dessa forma, a comunidade se tornará dependente, culpando a empresa por sua ausência.

É aí que as alianças e parcerias se fazem necessárias?
SV –
Sim, porque você percebe que não está sozinho e pode contar com um parceiro para encontrar soluções. A Vale está no processo de integrar muito mais efetivamente os atores envolvidos nas comunidades [para as tomadas de decisão]. A Estação do Conhecimento que criamos será um modelo importante, deixando apenas de ser apenas um agente educador para se tornar um agente de desenvolvimento humano e econômico local. Ela será um pólo da organização de produção em escala, de apoio técnico, de qualificação profissional e de desenvolvimento humano, por meio do esporte e da cultura. Ao trazer a experiência alheia, a filosofia, a ética e o empreendedorismo, você produz um conhecimento relacionado à realidade e ao desenvolvimento local. A Estação do Conhecimento resulta do grande desafio de integrar os interesses dos setores da sociedade para atingir um objetivo comum na comunidade.

Divulgação - Atividades esportivas integram programa da FundaçãoComo ocorre essa integração?
SV –
Esse é um ponto importante, pois a Fundação Vale mostra para as comunidades que está disposta a construir projetos conjuntos e caminhos para a captação de recursos – por meio de incentivos fiscais, participação em licitações, entre outros. Ajudamos a fazer planejamentos orçamentários, projetos executivos, pesquisas e diagnósticos para identificar as dificuldades e necessidades de cada região, além de acompanhar a utilização do dinheiro público. É uma forma madura de fazer o investimento social privado.

Como foram realizados os diagnósticos locais e qual a participação de cada ator social envolvido?
SV –
O diagnóstico funciona como um procedimento médico, em que são necessários exames para identificar o problema do paciente, aplicar o medicamento adequado e acompanhar a evolução do quadro. Esse comprometimento é muito importante. Fazemos o diagnóstico e depois a devolutiva para todas as pessoas envolvidas das comunidades. A pesquisa baseia-se em informações colhidas in loco e em dados secundários de outros estudos. A partir daí, definem-se as ações.

Vocês fazem um raio-x local?
SV –
Exatamente. É por isso o diagnóstico bem feito nos dá segurança. Depois, fazemos um plano de gestão para integrar os investimentos. Todos querem atuar de alguma forma: o Estado, as empresas, as pessoas e os funcionários e voluntários da própria Vale. O plano integrado oferece condições para uma ação coordenada.

Então, sem as alianças intersetoriais seria mais difícil de colocar esse tipo de proposta em prática?
SV –
Para o trabalho em rede acontecer é necessário algo concreto em andamento. No momento em que há várias instituições envolvidas, você consegue produzir de forma organizada e em escala.

Quais os desafios da Fundação Vale em Tucumã (PA), região em que foi inaugurada a primeira Estação do Conhecimento?
SV –
Primeiro trabalharemos com o desenvolvimento humano por meio dos projetos ali existentes [atividades esportivas, profissionalizantes e de cultura]. Depois, partiremos para o desenvolvimento econômico, incentivando a produção daquilo que é potencialmente importante para a região. Estamos com o piloto da biojóia [marca comum para a produção de bijuterias com uso de riquezas locais, como sementes]. Assim, poderemos produzir em grande escala e exportar. Ensinaremos a colher as sementes na área preservada pela Vale – que é de 1,3 milhão de hectares de floresta amazônica –, processar a matéria-prima, montar a joia e vendê-la. Estaremos gerando renda e preservando a mata local.

Divulgação - Adolescentes participam das iniciativas em TucumãO modelo de investimento da Vale baseia-se no tripé do desenvolvimento humano, econômico e de infra-estrutura e segurança. O senhor poderia explicar melhor como atingir o item da segurança?
SV –
Na segurança, a Fundação Vale se direciona para ações que tenham mais resultados e sejam efetivas, como o combate à invasão urbana. Se eu limito a “favelização”, controlo o desenvolvimento urbano. Não adianta asfaltar, criar uma rede sanitária e fazer casas se a invasão urbana ocorre e o local volta àquilo que era anterior à ordenação da cidade. Tem de haver um limite legal também. A sociedade também deseja crescer de forma ordenada. E a invasão pode levar ao crescimento de todos os outros crimes.

Por que se envolver diretamente nessa questão?
SV –
Ainda que a Vale e sua fundação não sejam o Estado, pergunto-me como ume empresa socialmente responsável pode contribuir para o desenvolvimento da cidade onde estamos presentes. Em municípios mais novos ou outras regiões, ajudamos os fornecedores locais, demandamos mão-de-obra qualificada e infra-estrutura e geramos pressões demográficas. Por isso precisamos contribuir nas questões estruturais, como o crescimento ordenado.

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