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Congresso GIFE apresenta tendências globais e novidades no setor de investimento social individual

10/4/2008 – As discussões que marcaram o quinto Congresso Gife sobre Investimento Social Privado apontam que pensar estrategicamente é o salto qualitativo necessário para o investimento social brasileiro. A tática é necessária tanto nas iniciativas das empresas, quanto nas individuais.

Os especialistas admitiram a evolução da prática e da teoria neste campo, bem como a existência de uma massa crítica de investidores sociais de qualidade, mas também apontaram, no campo quantitativo, a necessidade de superação da forte tradição assistencialista no país.

No âmbito das corporações, a pesquisa Ação Social das Empresas, lançada em 2006 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que menos de uma em cada cinco corporações (16%) possui avaliação documentada de suas ações sociais. Os principais entraves apontados por 80% das empresas para esse acompanhamento são: construir entendimento sobre os objetivos da avaliação, indicadores de processos, resultados e impactos, além de desenvolver modelos simples e de custos viáveis.

No campo do investimento social individual, o fato se repete. De acordo com a pesquisa Descobrindo o Investidor Social Local, lançada pelo IDIS, em março de 2008, 74% dos entrevistados dos municípios de Guarulhos, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste e São José dos Campos realizam algum tipo de ação filantrópica. O dado é confirmado pelo estudo Doações e Trabalho Voluntário no Brasil – uma pesquisa, realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) no final dos anos 90, que identifica que oito em cada dez brasileiros como doadores.

“Nota-se que a distribuição dos recursos provados é casuística, pouco estratégica e corresponde a demandas isoladas. É preciso estabelecer as prioridades comunitárias para conseguir um benefício social maior”, afirma Marcos Kisil, diretor presidente do IDIS e palestrante na primeira plenária do congresso.

Ao discutir as motivações e características do doador, Kisil apontou que apenas uma minoria na sociedade brasileira representa a categoria mais sofisticada de doador – a do investidor social: aqueles que “doam com um olho na causa social e outro no impacto que podem causar”.

Oportunidades e inovação

Os palestrantes destacaram, porém, que os dados não devem ser encarados como motivo de desânimo. Ao contrário, eles apontam para a existência de oportunidades a serem exploradas – tanto pelo movimento tradicional de doações individuais (no qual as destinações de recursos são numerosas e pouco estratégicas), quanto pelo campo das iniciativas inovadoras. Estas já despontam no Brasil e no mundo, sendo que muitas delas foram apresentadas no Congresso Gife 2008.

Um dos novos arranjos de investimento social individual é a proposta do Instituto Geração, que desenvolve cursos para a atuação de jovens financeiramente privilegiados na transformação da realidade social. Como resultado, pessoas entre 20 e 35 anos que passaram pelo programa estão criando círculos de filantropia no Brasil e realizando doações estratégicas em grupo. “A prática é comum em países de maior tradição em investimento social, como os EUA e a Inglaterra”, aponta Márcia Woods, diretora de Desenvolvimento Institucional do IDIS.

Também no Brasil a Sitawi oferece, além de serviços de consultoria e estruturação estratégica a projetos de investimento social, empréstimos a juros baixos para iniciativas sociais. É o que o brasileiro Leonardo Letelier, CEO da instituição, conceitua por “empréstimo social sustentável”. O objetivo da ação é oferecer aos negócios sociais os mesmos serviços financeiros que as empresas tradicionais dispõem em bancos comerciais e de investimento. Dessa forma, pretende-se tornar esses empreendimentos independentes de doações individuais e de fundos. Márcia explica que “a proposta é uma evolução da venture philanthropy e tem muita relação com o trabalho de venturesome (na tradução do inglês, filantropia de risco) que a Charities Aid Foundation (CAF) realiza no Reino Unido”.

Outra tendência apresentada é o crescimento das doações que cruzam fronteiras. Matthew Nelson, representante do Council on Foundations (COF) afirmou que as doações internacionais aumentaram em 30% nos Estados Unidos, no último ano. Segundo o especialista, as doações internacionais, ao lado de programas internacionais de voluntariado deverão crescer nos próximos anos.

A diáspora giving (recursos deslocados pelos emigrantes a seus países de origem, como fazem os brasileiros no Japão ou os mexicanos nos Estados Unidos) é outra prática que tem ganhado espaço na agenda global.

Segundo os especialistas, o panorama sobre as práticas internacionais de filantropia estratégica apresenta oportunidades para ações conjuntas em diversos países. “O próximo passo desta escala de desenvolvimento é a criação de instrumentos globais de atuação, além do desenvolvimento de práticas similares”, acredita Márcia Woods.

Ação do IDIS

Acompanhando esta tendência o IDIS se tornou, em 2005, um membro da CAF International Network, rede de organizações que atua na promoção e desenvolvimento do investimento social. São iniciativas e serviços prestados a clientes que são desenvolvido simultaneamente em diversos países. Nesta linha, o IDIS, em parceria com a CAF do Reino Unido e a CAF Rússia, e com o apoio da London Business School, está desenvolvendo um curso sobre investimento social familiar que vai acontecer simultaneamente nos três países.

Serão seis módulos divididos em quatro meses para famílias (que já fazem ou desejam começar a fazer investimento social) e executivos e fundações independentes que atuem neste meio. O corpo de professores e o roteiro de estudos estão sendo desenvolvidos em conjunto pelas quatro instituições.

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