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Desenvolvimento sustentável depende de revisão de valores e estabelecimento de parcerias

26/04/2007 - Rever valores e promover parcerias estratégicas rumo a uma sociedade sustentável. Esse foi o mote do painel “Um mundo e seus atores – governos, empresas, ONGs, academia e agentes públicos na construção de alianças pelo desenvolvimento sustentável”, apresentado no final da tarde do dia 25 de abril, durante o evento Sustentável 2007, em São Paulo.


Oded Grajew, presidente do conselho deliberativo do Instituto Ethos, lembrou que a sociedade está em risco e que, para superar o problema, é fundamental entender os processos que levaram a essa situação. Nesse sentido, afirmou ser urgente rever valores disseminados na sociedade, tais como o consumo indiscriminado, dimensão econômica reinando em todas as esferas da vida social, e competição em detrimento da cooperação.

De acordo com Grajew, esse processo será árduo, pois a as empresas são atores importantes nesse contexto e para os quais a competição por mercado e por consumo faz parte de sua lógica. “Vai ser difícil ver uma empresa falando: ‘o objetivo, de agora em diante, é reduzir as vendas”, afirmou. Mas esclareceu que, sem rever essa postura, vai ser difícil reverter o processo de degradação ambiental e social.

O estabelecimento de parcerias, cujos impactos e resultados sejam mensurados por meio de indicadores também foi pontuado pelo especialista como fundamental para o desenvolvimento sustentável. Um exemplo de prática que está gerando redução dos custos nos processos de restauração e regulação, criando ambientes de cooperação, abrindo novos mercados em  países mais exigentes, e gerando benefícios ambientais  (conservação de milhões de hectares de florestas em terras privadas), é o do município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.

Responsável por 1% de toda a produção brasileira de soja, essa é a primeira cidade brasileira 100% de acordo com o código florestal. Carlos Klink, integrante do Programa das Savanas Centrais da The Nature Conservancy, afirma que a conquista foi possível graças às parcerias estabelecidas entre a organização, o poder público e os empresários locais, que concordaram em pensar juntos a melhor estratégia de aproveitar o potencial da região para o agronegócio, de forma sustentável.

Bárbara Dubach, vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável da Holcim, apresentou como é possível estabelecer parcerias com outras empresas do setor (no caso, do setor de cimento), com organizações da sociedade civil, governos e universidades em prol da construção sustentável. E Gilberto Puig Maldonado, gerente de Relacionamento de Comunicação Institucional da Petrobras, falou a possibilidade do estabelecimento de dois modelos de parcerias envolvendo empresas: o tradicional e o focado na rede de relacionamentos da empresa.

No primeiro caso, a empresa fica no centro e mantém relações bilaterais com os demais públicos de interesse (fornecedores, consumidores, empregados, acionistas etc). No segundo, o foco é a construção de uma rede, no qual os públicos de relacionamento da empresa conversam com ela e também entre si. De acordo com o representante da Petrobras, as duas abordagens podem conviver. Isso porque a primeira é mais fácil de gerenciar e envolve menos riscos para a empresa, mas tende a ser sustentada apenas no curto prazo. Já a segunda envolve mais dificuldades e riscos de gestão, mas é sustentável no longo e médio prazos.

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