Elaboração de Projetos é tema do último módulo do Programa LideraR-SE
16/11/2006 - Entre os dias 9 e 11 de novembro, profissionais do IDIS voltaram ao Instituto de Cidadania Empresarial - Maranhão (ICE-MA) para realizar o décimo e último módulo do eixo de capacitação do Programa LideraR-SE. O curso, de 16 horas, abordou o tema da Elaboração de Projetos em Responsabilidade Social Empresarial para Público Interno e Comunidade, descrevendo o processo de realização de um projeto social de impacto positivo.
A idéia do curso era fazer uma simulação de como se constrói um projeto de RSE e, ao mesmo tempo, ser uma espécie de passagem do primeiro eixo do LideraR-SE (no qual as empresas se capacitaram) para o segundo, que será desenvolvido em 2007, e prevê a utilização desse conhecimento na realização prática de projetos de RSE.
Conforme explica Renata Safon, gerente de projetos do IDIS e uma das palestrantes do curso, a elaboração de um projeto de RSE ou investimenot social passa sempre por quatro etapas: realização de um diagnóstico situacional, escritura propriamente dita do projeto, implementação e avaliação. Ela destaca que a etapa mais importante – e que muitas vezes é esquecida – é a do diagnóstico, uma ferramenta fundamental para se conhecer o contexto da comunidade em que se vai investir, identificar seus potenciais, problemas, causas desses problemas, público-alvo e foco de ação.
Passo a passo
Antes de sentar para escrever um projeto, portanto, é preciso fazer um diagnóstico – por meio de entrevistas, questionários e grupos focais -, pois ele a ajuda a definir que rumos serão tomados. “Para interferir na realidade de forma estratégica, é fundamental conhecer a fundo com quem e como se vai trabalhar. O diagnóstico ajuda o investidor social a identificar não apenas as conseqüências de um problema, mas suas causas e isso ajuda a solucioná-lo. Por outro lado, contribui para o investidor social construir um conhecimento sólido sobre a causa escolhida e, tendo em mente seu foco, recusar eventuais pedidos de financiamento que não se encaixem em suas metas”, afirma Renata Safon. Trata-se, portanto, de um processo demorado, mas que colobora na obtenção de bons resultados, atuar na causa do problema e estabelecer uma relação de confiança na comunidade.
Com esse levantamento em mãos, deve-se traçar uma “árvore de problemas” - na qual se expõem suas causas e efeitos - e uma “árvore de objetivos”, explicitando o objetivo geral, os específicos e as atividades que vão ajudar a concretizá-los e, então, partir para escrever um projeto. Esse documento deve contemplar um plano de ação, definição de responsáveis, prazos, metas, desenho de indicadores de resultados e de avaliação, e detalhamento o orçamento - com custos diretos e indiretos, recursos que serão demandados aos financiadores e quais serão oferecidos como contrapartida.
A terceira etapa é a implementação do projeto. Para isso, recomenda-se aplicar, desde o início, indicadores de processo, a fim de identificar a situação do ponto de partida, o chamado “marco zero”. Esses parâmetros servirão de referência durante o projeto e no momento de sua conclusão, permitindo mensurar os resultados obtidos. Ao mesmo tempo, é fundamental criar mecanismos de monitoramento, gerenciamento de risco e propor alterações para que o projeto atinja seus objetivos. O quarto estágio é a avaliação, quando se medem os resultados, a partir dos indicadores previamente definidos e utilizados em todo o processo.
Resultados
De acordo com Maria de Nazareth Garcez de Souza, gerente de suporte às filiais da Atlântica Serviços Gerais Ltda. e uma das participantes do curso, o módulo de elaboração de projetos do LideraR-SE ajudou-lhe a compreender a importância de se ter um olhar mais focado na estruturação da RSE de uma empresa. Ela conta que, a Atlântica já desenvolvia ações sociais há seis ou sete anos, mas sempre de forma pontual e benévola, sem foco determinado.
Hoje, ela vê que a RSE, quando assumida de forma profissional, traz resultados mais concretos e sustentáveis. E pondera que o grande avanço da Atlântica foi desenvolver, neste ano, uma política de RSE, que já será levada em consideração durante o planejamento estratégico para 2007. Na avaliação de Nazareth, o principal desafio será envolver mais as lideranças da empresa nas ações de responsabilidade social e colocar em prática um novo projeto.
Dos 24 participantes do Programa LideraR-SE, oito já apresentaram, durante o último módulo, propostas de projetos para serem implantados em 2007. De acordo com Luis Alfredo Lima, gerente técnico do ICE-MA e coordenador do Programa, os maiores ganhos da capacitação como um todo foram a ampliação do conceito de RSE entre as empresas maranhenses, já que muitas delas identificavam a Responsabilidade Social Empresarial apenas com o investimento social privado. Por outro lado, ele destaca que as empresas começaram, de fato, a estruturar sua RSE.

