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Empresários mobilizam-se para que Guarulhos seja a décima melhor cidade do Estado de SP em qualidade de vida

27/10/2006 - Guarulhos, na grande São Paulo, tem 1,2 milhão de habitantes e é a 11ª maior cidade do país (atrás apenas de dez capitais). Sendo o principal pólo industrial do setor químico-farmacêutico e o terceiro pólo têxtil, ocupa o lugar de 7ª economia brasileira. Tinha tudo para ser uma das melhores cidades para se viver no Estado de São Paulo. No entanto, em 2001, ocupava a 191ª posição, no Estado (0,797), de acordo com o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), elaborado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). E é a quarta cidade em maior número de favelas, onde vivem 25% da população.


Mas, se depender de um grupo de empresários locais, até 2015, Guarulhos será a décima melhor cidade do Estado em qualidade de vida, com um IDH-M de 0,85. Essa é a meta do grupo de empreendedores que, em 2001, decidiu fundar a Viva Guarulhos, uma organização da sociedade civil (OSC), que tem por objetivo “articular o poder público, a iniciativa privada e o terceiro setor, promovendo ações convergentes que potencializem o desenvolvimento social em prol da qualidade de vida do município”.

Conforme conta Hugo Mesquita, vice-presidente da organização, o grupo de empresários passou a trabalhar junto dois anos antes disso, quando a cidade passava por uma grave crise política, decorrente de denúncias de propinas pagas a três vereadores e de enriquecimento ilícito do então prefeito, Nefi Tales. Durante o processo de prisão dos vereadores e de cassação do prefeito, os empresários levantaram um movimento pela ética na política. E, em seguida, em parceria com organizações da sociedade civil, montaram um projeto de diagnóstico das potencialidades e problemas da cidade, identificando que o IDH-M era baixo não por causa dos índices educacionais, para porque Guarulhos tinha índices de renda e de longevidade ruins.

O trabalho culminou com a decisão de se fundar a Viva Guarulhos, uma Organização de Filantropia e de Investimento Social Comunitário (OFISC), cuja missão é “catalisar os esforços dos setores público, privado e da sociedade civil, no sentido de promover a melhoria da qualidade de vida em Guarulhos, com atuação integrada e participativa”.


Pró Desenvolvimento Humano

Hoje, a organização identifica bons projetos executados por outras organizações e promove a articulação intersetorial para implementá-los ou fortalecê-los. Os projetos devem estar casados com os cinco pilares de desenvolvimento estratégico estabelecidos: habitação; trabalho e renda; saúde; meio ambiente; e investimento social.

Na área de habitação, pretende-se reduzir o déficit habitacional de Guarulhos, por meio da criação de um fórum permanente de habitação que promova o incremento da construção civil. Segundo Hugo Mesquita, o maior problema nessa área era a burocracia. Assim, arquitetos, engenheiros e empresários da construção civil organizaram-se, criaram um novo código de construção e de reforma administrativa, interferiram na elaboração de um novo Plano Diretor e agora estão discutindo a nova Lei de Zoneamento.

Com isso, foi possível reduzir o tempo de aprovação de um projeto habitacional na Prefeitura de Guarulhos de 1,5 ano para 40 dias. De 2003 a 2005, aumentou-se de 200 unidades habitacionais construídas anualmente para 5 mil unidades. A Caixa Econômica Federal também aumentou o investimento destinado para a habitação popular, financiando a compra de imóveis para cidadãos com renda inferior a seis salários mínimos.

Na área da saúde (pilar prioritário de 2006), o foco foi a promoção da saúde e a redução da mortalidade infantil. Para isso, foram criadas parcerias com o Unicef, a Pastoral da Criança, Instituto Criança Cidadã e a Prefeitura. Materiais educativos foram produzidos e agentes comunitários capacitados. Nesse contexto também foi criado o Programa Menina dos Olhos, que capacitou professores da rede pública de ensino para identificar problemas de acuidade visual nos estudantes. Após essa identificação, as crianças foram encaminhadas para um mutirão com oftalmologistas que diagnosticaram o déficit visual. Das 36 mil crianças testadas, 1.666 tinham problemas e por isso já receberam óculos.

Para ampliar a geração de renda, a Viva Guarulhos apóia dois projetos: o Movimento Degrau e o Programa Formare. Ambos os projetos estão preocupados com a qualificação profissional de jovens e sua inserção no mercado de trabalho. No entanto, no primeiro, os jovens recebem capacitação de organizações da sociedade civil e saem como auxiliares de administração. No Formare, a capacitação se dá nas próprias empresas, conforme suas demandas. Como após a formação, os jovens são contratados pelas empresas, o índice de inserção de jovens no mercado é maior. Os resultados do programa Formare foram tão interessantes que a Fundação Ioschpe (executora do programa), foi procurada pelo Ministério do Trabalho para montar um programa similar, chamado “Escola na Empresa”. Outras empresas engajaram-se na iniciativa.

Com relação ao incremento do investimento social privado, foram desenvolvidos dois projetos: o Programa 3ª Ação, de capacitação do terceiro setor, com cursos de gestão e captação de recursos para OSCs, que promovem a cooperação entre as organizações; e o Programa DOAR. Também foram realizadas ações pontuais, como a campanha de estímulo à doação para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Os empresários parceiros da Viva Guarulhos incentivaram os funcionários de suas empresas a doarem para o FUMCAD, o que fez com que, de 2001 a 2005, os recursos do Fundo aumentassem de R$ 140 mil para R$ 710 mil.

Ainda não foi implantado nenhum programa na área de meio ambiente, mas a idéia é criar uma rede de educação socioambiental e um movimento de gestão socioambiental empresarial em Guarulhos. Hugo Mesquita afirma que isso está sendo organizado porque a cidade possui muitas iniciativas isoladas de proteção ao meio ambiente, que devem ser articuladas em redes para que seu impacto seja potencializado.

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