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Especialista avalia que Investimento social privado passa por mudança de paradigma

14/4/2008 – “Pense localmente e atue globalmente.” Segundo Fernando Rossetti, secretário-geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) e atual chairman da Worldwide Initiatives for Grantmakers Support (Wings), o mundo do investimento social privado passa por uma inversão de paradigmas. Há dez anos, o mantra repetido entre as organizações era “pense globalmente e atue localmente”. Hoje, a tendência é o alinhamento internacional de políticas locais.

Fernando Rossetti - DivulgaçãoRossetti justifica a afirmação analisando o movimento de grandes corporações como a Microsoft, a Odebrecht, a Telefônica e o Grupo Camargo Corrêa na padronização de ações de responsabilidade social e investimento social corporativo nos âmbitos nacional e internacional. “O pensamento de investimento social corporativo tende a se globalizar”, afirma o especialista. O tema foi abordado durante o último congresso GIFE, que reuniu mais de 700 participantes brasileiros e estrangeiros.

A grande presença de especialistas estrangeiros no congresso foi estimulada pela realização da primeira reunião de 2008 do Conselho da Wings. A reunião serve para discutir questões recorrentes à atuação das organizações que trabalham com investimento social, independentemente dos países aos quais elas pertencem. O tamanho do Estado, o papel das empresas e das organizações da sociedade civil (OSCs) na construção e no monitoramento de políticas públicas, a sustentabilidade e a infra-estrutura das OSCs são discutidos no mundo todo.

“Na Índia, na África do Sul, nas Filipinas ou na Europa, esbarramos constantemente nestes temas”, aponta Rossetti. Ele acrescenta que a diferença entre os países está na maneira de lidar com os assuntos. “Cada organização tem uma identidade cultural própria e, por isso, gera tecnologias e metodologias únicas”, avalia.

As soluções brasileiras para o investimento social, segundo o especialista, colocam o Brasil numa posição de liderança não só na América Latina, mas também no hemisfério Sul. “A Austrália tem organizações bastante fortes, mas vem de outra tradição. Na África e no mundo árabe, as organizações são nascentes. Apenas na Ásia há uma organização forte: a Asian Pacific Philanthropy Consortium (APPC)”.

A posição do país no setor é decorrente, sobretudo, do desempenho das empresas nacionais. Por isso, Rossetti acredita que o investimento social brasileiro caminha principalmente para o modelo corporativo. Dados preliminares do Censo GIFE 2007-2008 confirmam a rápida evolução do setor. Os 81 associados (27 fundações, 34 institutos e 19 empresas) realizaram, em 2007, um investimento de 1,15 bilhão de reais.

Segundo Rossetti, esses números refletem a substituição do conceito de filantropia clássico pelo de investimento social privado nas grandes corporações, ainda na década de 90. Esse movimento foi determinante para a criação de uma reflexão de qualidade e para o desenvolvimento de ações estratégicas.

As instituições representadas pelo GIFE são responsáveis por 20% do total de investimentos realizados no país. Os outros 80% dos investimentos estão espalhados entre 500 mil empresas nacionais. “A enorme maioria que tem ação social ainda possui abordagens assistencialistas, pouco sistematizadas e exploradas”, afirma Rossetti.

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