Especialistas discutem gerenciamento de fundos patrimoniais
26/8/2008 - O potencial de crescimento do investimento social privado em países emergentes, em especial daqueles pertencentes ao BRIC, atrai representantes de atividades que podem se relacionar com este universo. Os serviços financeiros, como o gerenciamento de fundos patrimoniais ou a criação de carteiras específicas de investimento, são exemplos desta relação.
Três representantes da divisão de Private Wealth Management (PWM) do banco de investimentos Morgan Stanley, patrocinador no primeiro módulo do curso Foundation School, estiveram presentes no encontro que aconteceu em São Paulo, no último dia 22. A PWM oferece consultoria financeira e soluções de investimento para indivíduos, famílias e fundações com carteiras superiores a 20 milhões de dólares.
Beach Seakins, vice-presidente, Nandu Patel, diretor de gerenciamento, e Itche Vasserman, responsável pelas operações da PWM no Brasil, participaram do curso para aprofundar seus conhecimentos sobre o movimento de filantropia estratégica no país e para estabelecer contato com organizações brasileiras que tenham interesse em utilizar serviços da instituição.
“Eu não sou um especialista no Brasil, mas certamente espero me tornar um”, afirma Seakins, que tem experiência em investimento de recursos de milionários e fundações na Rússia. Segundo dados do banco, a PWM gerencia 120 bilhões de libras no mundo. Destes, 24 bilhões são administrados a partir do escritório de Londres.
Olhar para o passado para planejar o futuro
Para os representantes do Morgan Stanley, os serviços financeiros desempenham uma função com importância crescente no terceiro setor. Isto porque desenvolver estratégias para assegurar atuação de longo prazo desperta cada vez mais o interesse das organizações da sociedade civil.
Neste sentido, muitas organizações recorrem – nos Estados Unidos e na Europa o movimento já está bem estabelecido – à criação de fundos patrimoniais ou endowments e geram demanda por serviços de consultoria. “Nós não nos envolvemos no processo de estruturação do investimento social. Isto é especialidade de instituições como a CAF e o IDIS”, afirma Patel. “Nosso foco principal é ajudar as organizações a preservar o seu capital e, se possível, a gerar mais dinheiro para atingir sua missão.”
Beach lança mão da história para completar o argumento de Patel. Ele lembra da experiência de John Rockefeller Jr, que perdeu 600 milhões de dólares com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. A redução do patrimônio do magnata gerou efeitos nas ações filantrópicas da família. ”Nosso trabalho é proteger indivíduos e organizações deste tipo de risco”, afirma.
Investimento ético
Segundo eles, há diferenças entre os tipos de investidores: aqueles que possuem rentabilidade a partir de outras fontes além do investimento no mercado financeiro e os que concentram a arrecadação no fundo patrimonial. “Procurando proteger seu capital, estas organizações se tornam muito mais conservadoras na hora de investir”, afirma Patel.
Outra característica marcante do gerenciamento de carteiras de instituições do terceiro setor é o debate em relação à natureza dos investimentos escolhidos. Enquanto algumas organizações acreditam que devem gerar retorno a partir de padrões comerciais para assegurar sua sustentabilidade, outras estabelecem critérios de escolha baseadas no princípio de investimento ético. “Nós temos um cliente envolvido em pesquisa médica que exclui investimentos na indústria do tabaco”, exemplifica Beach.
Os especialistas londrinos acreditam que o desenvolvimento de iniciativas em investimento social privado em países emergentes como o Brasil e a Rússia trará mudanças significativas nos modelos de gerenciamento de fundos patrimoniais. “Houve muita inovação no passado e haverá muita inovação agora”, aponta Patel. Isto porque é possível aprender a partir de sucessos e fracassos de nações mais maduras neste movimento, porém, a filosofia de investimento deve ser adaptada a cada país.

