GIFE lança 3º censo de seus associados e dá ênfase para investimento feito em educação
07/12/06 - Quando o assunto é investimento social, educação é foco prioritário. De acordo com um levantamento apresentado no dia 5 de dezembro pelo Grupo de Institutos e Fundações Empresariais (GIFE), das 68 instituições associadas que responderam ao Censo GIFE 2005/2006, 81% afirmaram que executam ou financiam projetos e programas de educação. Outras áreas nas quais os investidores sociais apostam são cultura e arte e geração de trabalho e renda. Comunicações e esportes, no entanto, estão entre as últimas preocupações dos investidores.
Alinhado à estratégia prioritária do governo federal, que sobretudo na gestão de Fernando Henrique Cardoso concentrou seus esforços na universalização do Ensino Fundamental, a faixa etária que mais recebe apoio dos investidores sociais é a que atende crianças e jovens entre 7 e 14 anos (52), seguida da de 15 a 17 (46). Seria de se esperar que os associados do GIFE tivessem uma área mais forte na área do Ensino Técnico, já que são empresários que precisam de técnicos capacitados. Mas, dos 68 respondentes, apenas 12 desenvolvem ações nesse sentido.
De acordo com o censo, a atenção prioritária dos investidores para a Educação Fundamental é acertada, já que a primeira experiência de educação formal da criança deve ser apoiada. No entanto, conforme pontuou Fernando Rossetti, do GIFE, durante o evento de apresentação do documento, observando-se os índices atuais de evasão escolar - que estão claramente concentrados na faixa de 13 a 14 anos -, talvez fosse prudente repensar a efetividade desse investimento. Será que a educação, tal como é desenvolvida hoje pelo setor público e por iniciativas privadas, atende às expectativas desses jovens? Por que a evasão nessa faixa é tão alta?
A maior parte dos investidores que responderam ao censo atua na capacitação de professores (41), na elaboração de oficinas de arte-educação (30) e de reforço escolar (28). Construção, reforma e manutenção das escolas recebem menos investidores (8), pois se tem a impressão de que a falta de qualidade na educação se resolve com a capacitação dos docentes. Pesquisas no campo da educação, bem como investimentos em estudantes universitários e de pós-graduação não são prioritários. Na outra ponta, a pré-escolas recebem apoio de apenas 24 investidores e creches de 17.
A avaliação do impacto dos projetos é apontada como uma deficiência dos investidores sociais analisados. Embora a maioria dos projetos adote mecanismos de monitoramento e avaliação interna, poucos sabem mensurar o real impacto de suas ações e poucos recorrem a avaliadores externos, independentes, o que pode enviesar os resultados.
Como ponderou Vera Masagão, da Ação Educativa, também há pouca transparência em relação aos recursos investidos. Se os institutos, fundações e empresas cobram tanto das organizações apoiadas a prestação de contas, eles mesmos deveriam dar o exemplo. Mas o que acontece é que muitos divulgam relatórios de atividades e não seus balanços contábeis, por isso o GIFE não identificou o valor real investido em educação, mas estima que cerca de 250 milhões de reais tenham sido aplicados em 2005. Por outro lado, Vera destacou que os institutos e fundações deveriam ter uma atuação política e de controle do poder público mais efetiva. Para ela, a fragmentação dos recursos privados em todas as modalidades e níveis de ensino é boa porque dá um caráter sistêmico à educação. Mas considera que é preciso dar mais atenção à Educação Infantil e ao Ensino Técnico.
Vanda Engels, superintendente do Instituto Unibanco, destacou que o desafio principal é estabelecer parcerias público/privado, que podem dar escala à iniciativas do terceiro setor. E articular a atuação macro (política) dos institutos e fundações com a micro (dos projetos em si). Fernando Abrúcio, da FGV, por sua vez, lembrou que, se por um lado os investidores sociais consideram a educação um foco prioritário, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), encomendada pelo movimento “Todos pela Educação” e divulgada em meados de 2006, para os brasileiros, a educação é apenas a sétima questão mais problemática do país, após as áreas da saúde, emprego, fome e miséria, segurança, corrupção e drogas.