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Instituto da Infância promove infância rural do nordeste

3/11/2008 – Uma organização internacional, uma organização da sociedade civil brasileira e sete governos municipais do estado do Ceará lutam para qualificar o desenvolvimento de crianças e adolescentes da região nordeste. Em parceria com a Fundação Bernard van Leer, o Instituto da Infância (IFAN) promove, desde 1999, tecnologias sociais e políticas públicas voltadas para a promoção da infância no norte do Nordeste. Em outubro, um dos projetos do instituto, o Estação do Brincar, venceu o Prêmio Criança 2008, da Fundação Abrinq.

Programa Infância Rural do Nordeste1Ele é parte do Programa da Infância Rural do Nordeste (PIRN). Realizada desde 2004 em sete municípios do Maciço do Baturité (CE), a iniciativa está comprometida com o desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos com foco na participação, na transição escolar e na aprendizagem,  por meio da abordagem lúdica.

Segundo Luzia Torres, superintendente do IFAN, os meninos e meninas que vivem na zona rural do nordeste possuem necessidades e potencialidades diferentes daqueles que crescem em áreas urbanas e metropolitanas. “O grande problema da infância rural é a exclusão”, afirma. Ainda com acesso às informações e sem viver na miséria (mesmo pobres, suas famílias vivem de economia de subsistência e programas de auxilio do governo federal), elas vivem à margem de políticas públicas educacionais, culturais e sociais.

O mesmo acontece com os adolescentes, que não se identificam com o ciclo de vida de seus pais e avós. “Eles têm aspirações do jovem de  classe média urbana, mas não conseguem concorrer em nível de igualdade no mercado de trabalho ou no ensino superior”, aponta Luzia.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (PNAD 2007), o nível de escolaridade dos jovens das zonas rurais é 30% inferior ao de zonas urbanas. “Além disso, é comum ver exemplos de analfabetismo funcional no grupo”, aponta a superintendente. Para ela, uma das  soluções para a vulnerabilidade é o investimento para a formação de um perfil profissional específico para o jovem rural, dentro do mercado da própria ruralidade.

Programa Infância Rural do Nordeste2Brincadeira é coisa séria 

A experiência do Ifan no interior nordestino aponta que as crianças sofrem com o isolamento e falta de diversidade de estímulos. “O repertório social ou mesmo de conhecimentos  das crianças é  restrito e esta ausência de elementos dificulta a reorganização intelectual para novas experiências, comprometendo um desenvolvimento integral e completo”, defende Luzia.

A falha é grave. Isso porque estudos apontam que a primeira infância é a base de todas as aprendizagens humanas. Se o período incluir suporte para o crescimento cognitivo, de linguagem e habilidades adaptativas, ele grante boa parte do desenvolvimento de adultos melhor preparados. Quando direcionado a famílias vulneráveis e em situação de pobreza, o cuidado ganha mais ainda o caráter de política pública.

Mas a superintendente aponta que essas intervenções devem lidar com as particularidades dos grupos aos quais se dirigem. “Elas devem ir ao encontro das potencialidades de cada infância: a rural, a urbana, a quilombolas, cigana, etc”, aponta a superintendente. Esta é a função do PIRN, que desenvolve intervenções específicas para a infância rural.

O PIRN baseia-se nos paradigmas da Sociologia da Infância e teorias do Desenvolvimento Infantil. A tática é promover utlizar jogos e brincadeiras para dar suporte a uma edcação não-formal. Atendendo um total direto de 2.227 crianças, as cidades participantes desenvolvem até três tipos de iniciativas:

Programa Parques Infantis – presente em 6 comunidades pólo e 25 comunidades adjacentes de cinco municípios cearenses. Os Programa Infância Rural do Nordeste 3parques infantis são espaços físicos de até mil metros quadrados localizados na zona rural que atendem crianças de 0 a seis anos. Ali também são desenvolvidas atividades  para adolescentes, adultos e idosos.

As crianças de localidades distantes do parque ou de difícil acesso são atendidas por meio do projeto Carroça Lúdica. Puxado por um cavalo, o veículo adaptado leva a metodologia para as escolas distantes das comunidades pólo

Programa Hora do Jogo – atuante em 18 comunidades de 6 municípios cearenses. O programa atende crianças de 7 a 10 anos durante o contra-turno escolar, em sistema de educação integral complementar. São desenvolvidas atividades durante os intervalos de espera para entrar na sala de aula ou aguardando a chegada do transporte escolar. As crianças participam de jogos que trabalham habilidades relacionadas com a linguagem, o raciocínio lógico-matemático, o desenvolvimento artístico e a cidadania.

Projeto Estação do Brincar -  realizado nas comunidades de Barra Nova e Brenhas, do município de Redenção (CE). O projeto-piloto atua na área de transição escolar e atende meninos e meninas de 2 a 6 anos. O Estação do Brincar foi desenvolvido a partir da constataçao feita por uma pesquisa do próprio IFAN, de que a educação infantil municipal destas comunidades não atendia  a demanda total de crianças existentes. Além da falta de vagas, os serviços ofertados eram de baixa qualidade. A ação experimental propôs um currículo não-formal que fomentasse o desenvolvimento integral da criança, explorando os indicadores da criatividade, socialização, auto-estima e autonomia. Além de atender as crianças já matriculadas nestas escolas, o projeto estendeu o atendimento àquelas que ainda  não freqüentam nenhuma instituição de ensino.

Potencialidades e sustentabilidade

Todos os programas são desenvolvidos em parceria com os governos municipais. A escolha é baseada no potencial local para iniciar Programa Estação do Brincar 1e manter o projeto após a implantação pelo IFAN. São analisados princípios como:

Acessibilidade – as ações devem ser democratizadas e de longo prazo

Renovação – as propostas devem estar em constante avaliação (interna e externa) e modificação

Simplicidade – as soluções devem conteúdo complexo, mas aplicação simples

Adaptabilidade – os programas são aplicados de acordo com as especificidades de cada localidade

Governança – capacitação contínua e transparência das decisões de gestão 

Atuação conjunta – existência de outras ações voltadas para a primeira infância que possam se somar ao PIRN 

Além disso, o instituto também estuda a disponibilidade de recursos do governo. Nos primeiros 18 meses, pelo menos 30% do orçamento do projeto é bancado pelo município. A contrapartida é complementada com a cessão de espaços físicos para o desenvolvimento das iniciativas, a contratação de profissionais para passarem por treinamento e a formulação de leis, planos políticos e orçamentários voltados para a garantia de direitos infanto-juvenis.

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