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Investimento privado em bonds de impacto social

14/08/2012 – Exemplo do Goldman Sachs reforça a visão daqueles que apostam em bonds de impacto social e buscam desenvolver um mercado para o investimento financeiro em programas sociais, informa Michael Belinsky, sócio-fundador da Instiglio Inc e professor assistente da Universidade de Harvard, em artigo publicado na Stanford Social Innovation Review.


No início de agosto, representantes do governo do Estados Unidos, empresários e acadêmicos que trabalham por uma política de inovação social anunciaram o desenvolvimento de dois títulos de impacto social (Social Impact Bonds/SIBs): um em Massachusetts e outro em Nova York.

Segundo informações do jornal Boston Globe, o  contrato de Massachusetts foi um passo à frente no processo de aquisição dos dois títulos de impacto social, que incluem uma cláusula de pagamento vinculada ao sucesso da iniciativa. Um contrato aborda a reincidência criminal entre jovens. O outro trata do problema crônico dos sem-teto na região de Boston. Na semana passada, o Estado convidou intermediários e prestadores de serviço para dar início às negociações dos termos desses contratos. O prazo final ainda não foi anunciado. 

De acordo com o New York Times, o contrato de Nova York foi o primeiro anúncio público sobre um bond de impacto social feito pela administração do prefeito Michael Bloomberg. O contrato aborda a reincidência criminal entre adolescentes do sexo masculino presos em Rikers Island. O SIB de Nova York marca uma virada no financiamento dos títulos de impacto social. Até agora, os SIBs têm recebido atenção e capital de entidades filantrópicas e de investidores de impacto, mas não tinham atraído grandes participantes do mercado de capitais tradicional.

Investimentos em um título de impacto social operacional, em Peterborough, no Reino Unido, foram limitados a fundações e a indivíduos de grande patrimônio. De acordo com o New York Times, no entanto, o Goldman Sachs concordou em investir US$ 9,6 milhões no SIB de Nova york. O investimento do Goldman é cercado de cuidados. A Fundação Michael Bloomberg concordou em emitir uma garantia de crédito de 75%, limitando o risco do Goldman a US$ 2,4 milhões.

O acordo com o Goldman é uma importante validação para os títulos de impacto social. O mecanismo financeiro dos SIBs transfere o risco de falha nos programas dos governos para os investidores. Este risco, muitas vezes, pode impedir que os funcionários do governo adotem programas de serviço social que tenham resultados incertos. O fracasso do programa pode danificar a força política dos governantes que autorizaram o negócio. E isso significaria que o governo teria comprado serviços que não conseguem atingir os resultados pretendidos.

Com os SIBs, as autoridades governamentais têm um incentivo maior para aprovar programas que oferecem abordagens experimentais para problemas sociais difíceis, especialmente quando elas estão ligadas à aprendizagem sistematizada e organizada sobre o que já funcionou. Assim, a transferência do risco para os investidores aumenta a inovação do governo na prestação de serviços sociais. Mas os investidores diferem em sua capacidade de gerenciar riscos. Organizações filantrópicas têm sido estabelecidas, por lei e na prática, para doar dinheiro sem expectativa de retorno financeiro. Fundações recebem isenção de impostos corporativos em troca do desembolso anual de pelo menos 5% de seus fundos patrimoniais. Sem incentivos para aumentar seu retorno financeiro, essas organizações não são suficientemente incentivadas a administrar o risco de um retorno abaixo do que esperam ou normalmente têm.

Mas algumas organizações filantrópicas inovadoras estão mudando suas práticas. Elas estão criando departamentos de análise de risco e contratando graduados com  MBA e experiência em Wall Street. Estão promovendo ocasionalmente a criação de instrumentos financeiros filantrópicos, tais como investimentos relacionados a programas. Embora essas organizações inovadoras estejam crescendo, elas continuam a ser uma pequena parcela do mercado financeiro. Investimentos relacionados a programas constituem uma pequena porção do total de doações filantrópicas. A atividade filantrópica está mais centrada na identificação e no financiamento de bons programas – não no gerenciamento de risco para maximização de retorno em um protfolio de investimentos.

O acordo Goldman muda essa equação. O Goldman Sachs, membro da elite financeira que recebeu reprovação pública por excessiva tomada de risco associado à crise financeira, continua a ser um líder global na gestão de risco financeiro. Seus mecanismos sofisticados de gestão de risco analisam os SIBs como negócios financeiros e como parte de uma carteira de ativos. O investimento do Goldman em bonds de impacto social  reforça a visão dos participantes desse mercado, que procuram desenvolver um espaço para o investimento financeiro em programas sociais.

Notícias da Austrália, dos EUA, e do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento deTítulos de Impacto Social no Reino Unido, que visa a adoção de SIBs em cenários de alta escassez de recursos, sugerem que participantes no mercado de bonds de investimento social  já estão trabalhando com consciência sobre novas perspectivas em torno desse tipo investimento. Ao mesmo tempo em que governos vão atrelando um maior número de intervenções sociais a novos SIBs, portanto gerando aprendizado sobre os mecanismos de risco e retorno desses instrumentos financeiros com fins sociais, mais governos irão sentir-se habilitados a emitir esses tipos de contratos.

Leia o artigo original no site da Stanford Social Innovation Review.

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