Métodos de estudos 3ie podem ajudar organizações a orientar melhor suas decisões
10/07/2012 – Como saber se a intervenção promovida por uma instituição é efetiva? Qual o impacto das suas atividades? As pessoas certas foram afetadas? As mudanças desejadas foram promovidas com sucesso? As políticas públicas responderam às demandas ou se encaminham nessa direção? Uma tecnologia criada pela International Initiative for Impact Evaluation (3ie) ajuda a responder a essas perguntas.
Verificar o nível de impacto e sucesso de uma instituição filantrópica não é tão simples. Muitas perguntas nascem já na criação de um projeto. Outras vão aparecendo durante o desenvolvimento de suas atividades. Foi pensando nisso que a International Initiative for Impact Evaluation (3ie) desenvolveu métodos de aferição que podem ajudar as organizações a melhor situarem-se em seus próprios planos.
A tecnologia 3ie foi criada para preencher uma lacuna nos processos de avaliação e na falta de evidências sobre o que funciona e o que não funciona em projetos de desenvolvimento social diversos. Os modos de verificação desenvolvidos para suprir a carência de sistematização em projetos têm como base a medição do impacto das ações promovidas, as consequências factuais e as análises que se pode fazer a partir do que foi observado. Isso ajuda a visualizar com mais eficiência a cadeia causal dos problemas e as supostas soluções encontradas, visando entender por que uma intervenção funciona ou não – ou se ela só funciona para um determinado grupo de pessoas em lugares específicos.
Um dos exemplos de estudo aplicado ocorreu na África, onde a maior parte das crianças menores de 5 anos enfrenta graves dificuldades de aprendizado e desenvolvimento e há pouca evidência sobre o impacto das intervenções de aprendizagem no continente. Um ensaio clínico randomizado foi realizado para avaliar a eficácia do programa Save the Children’s Preschool, realizado na área rural de Moçambique. O estudo 3ie foi a primeira avaliação desse tipo e deu suporte à criação de um programa mais abrangente para a primeira infância na África. Com o estudo, foi constatado que:
• Crianças na pré-escola eram 24% mais propensas a matricular-se na escola primária e foram significativamente mais bem equipadas para aprender do que as não matriculadas;
• Crianças que frequentavam a pré-escola, em comparação àquelas não matriculadas, eram muito mais propensas a mostrar interesse por matemática e escrita, reconhecer formas, e mostrar respeito para com as outras crianças;
• A pré-escola tem um efeito-cascata positivo sobre a família de uma criança: os pais de crianças matriculadas eram 26% mais propensos a trabalhar, enquanto alguns irmãos mais velhos eram capazes de ir à escola por sua própria vontade.
Como resultado dessas constatações, o Ministério da Educação pretende agora estender as pré-escolas comunitárias para 600 comunidades moçambicanas e a educação infantil foi incluída no Plano Nacional de Educação para 2012-2016. O governo de Moçambique também criou uma Comissão Nacional de Desenvolvimento da Primeira Infância.
Para saber mais sobre esse trabalho e conhecer outros exemplos de estudos, acesse www.3ieimpact.org.