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O debate sobre a filantropia nas universidades

11/05/2011 – O setor de filantropia está crescendo no Brasil com o aumento de organizações da sociedade civil e da participação de empresas e famílias nas doações. Mas, mesmo com o cenário favorável e em expansão, a oferta de cursos que abordem o tema nas universidades ainda é pequena e, na maioria dos casos, restrita a discussões realizadas em algumas faculdades como administração de empresas, economia, contabilidade e serviço social.

“Existe uma necessidade de ter um conhecimento maior do terceiro setor. A área está em desenvolvimento, mas ainda temos poucos programas de pós-graduação e também poucos pesquisadores e especialistas”, afirmou José Renato de Campos Araújo, professor e ex-coordenador do curso de Gestão de Políticas Públicas da Each - USP.

Uma pesquisa realizada nas bibliotecas virtuais da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade de Campinas) e PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) mostrou que apenas 150 teses universitárias, de programas de pós-gradução, mestrado e doutorado, tiveram como tema principal a filantropia, o terceiro setor ou o investimento social.

De acordo com Araújo, a maioria das teses da USP é feita por estudantes de administração, direito, sociologia, ciência política e contabilidade, e os temas mais abordados são governança, financiamento de projetos e gestão das organizações.

Não existe uma grade curricular ou um plano de estudo nos cursos universitários para profissionais que queiram se especializar no setor. “Isso depende muito do curso que o aluno estiver fazendo. Se for o de administração ou economia há uma tendência para que este assunto se apresente mais superficialmente. Já para cursos na área de serviço social e contabilidade esses assuntos são abordados com maiores detalhes, pois já existem conteúdos específicos que precisam ser apresentados para os futuros profissionais”, ressaltou João Bonomo, professor de empreendedorismo do Ibmec.

A profissionalização, um dos pontos críticos para o desenvolvimento do setor no Brasil, também poderia obter avanços com o aumento de cursos focados em filantropia. “A maioria dos envolvidos não possui uma formação e se envolve no terceiro setor para colaborar ou ajudar e acaba procurando conhecimento para se especializar”, disse Araújo. Segundo ele, cerca de 20% a 30% dos alunos do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP fazem parte desse grupo.

Para os professores, as teses são instrumentos que podem ajudar no desenvolvimento da filantropia ao promover uma discussões sobre o tema. “A medida que outras teses e perguntas surgissem mais seria comentado e, ao que tudo indica, seria um tema mais recorrente na agenda de políticos, empresários e da sociedade civil de uma forma geral”, pontuou Bonomo.

Araújo afirmou que apesar de o número de teses ainda ser pequeno, elas podem ajudar a desenvolver o setor. “Elas fazem uma análise da realidade e também da gestão das organizações mostrando o que precisa melhorar. A universidade pode ajudar, mesmo ainda não tendo esse foco”.

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