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Pesquisa sul-africana mostra que 93% dos cidadãos do país doam. No Brasil, 50% contribuem com OSCs e 30% doam diretamente a pessoas de baixa renda

A cultura da doação está fortemente disseminada entre os cidadãos sul-africanos. De acordo com a pesquisa “Estado da Doação Social” (www.ukzn.ac.za/ccs/files/SOG_Report.pdf), elaborada julho de 2005, pelo Centro para a Sociedade Civil da Universidade de KwaZulu-Natal, em parceria com a Agência Nacional de Desenvolvimento e a Associação de Doadores Sul-africanos, 93% da população faz algum tipo de doação. 48% das pessoas optam por dar recursos para entidades filantrópicas e organizações sociais; 45% preferem doar diretamente a pessoas de baixa renda.

Realizada a partir de entrevistas com 3 mil pessoas com mais de 18 anos, de todas as regiões do país, o levantamento, foi realizado em três anos. Mostrou que o sul-africano faz doações de tipos variados: desde recursos financeiros, bens, materiais, e até comida nos faróis. E que 54% dos entrevistados doam dinheiro; 31%, comida ou bens; e 17%, horas de trabalho voluntário.

Em média, são doados R$ 15,00 por mês, por pessoa. Estendendo-se essa média para a população total do país, chegou-se à estimativa de que o sul-africano doa, mensalmente, cerca de R$ 310 milhões mensais, ou o equivalente a 2,2% da renda mensal da população em idade economicamente ativa.

No Brasil, de acordo com a pesquisa “Doações e Trabalho Voluntário no Brasil: uma Pesquisa”, de Leilah Landim e Maria Celi Scalon (2000), realizada com pessoas maiores de 18 anos que vivem em cidades com mais de 10 mil habitantes, 50% doam para instituições não-governamentais. 30% dos brasileiros preferem doar diretamente a pessoas de baixa renda. E 22,6% das pessoas afirmam desenvolver atividades voluntárias.

Um outro estudo, “Organizações sem fins lucrativos no Brasil: ocupações, despesas e recursos”, realizado por Leilah Ladim e Neide Beres (que faz parte do Projeto Comparativo Internacional sobre o setor sem fins lucrativos, elaborado pela The Johns Hopkins University em 22 países) aponta que 29% da população doam recursos materiais a organizações sem fins econômicos, mas 21% pretendem contribuir com recursos financeiros, destinando uma média anual per capita de R$ 158,00 (dado de 1999). 81% das doações privadas para ONGs são provenientes de indivíduos, totalizando R$ 1,7 bilhão.


Sem preconceitos

A doação sul-africana está disseminada por toda a população, independente de raça, gênero ou classe social. Segundo a pesquisa, os líderes da filantropia são os indianos. 96% deles doam dinheiro, bens ou tempo. Em seguida, vêm os negros, mestiços e brancos, com 94%, 90% e 89%, respectivamente. Em geral, os brancos contribuem com mais dinheiro para organizações; os negros, com mais tempo dedicado a atividades voluntárias.

Quanto à classe social, é interessante notar que as províncias mais ricas doam menos do que as mais pobres. Gauteng, a região mais rica da África do Sul cede menos recursos do que Cabo Oeste, uma das províncias mais pobres. Já no quesito gênero, o que se observa é que os homens doam mais recursos, enquanto as mulheres doam mais tempo.

A média de tempo de trabalho voluntário na África do Sul é constante entre jovens e adultos: sempre entre 10 e 11 horas. E cresce uma hora quando se analisam apenas as pessoas com mais de 60 anos. 23% dos pobres afirmam desenvolver atividades voluntárias; 17% dos ricos se dizem voluntários. Do lado de cá do Atlântico, conforme aponta o trabalho de Landim e Scalon, são doadas mensalmente 6 horas de trabalho.

As causas mais apoiadas entre os doadores entrevistados na África do Sul são: crianças e juventude (22%), HIV/Aids (21%) e pobreza (20%), seguidas de pessoas com deficiência (8%) e idosos (5%). Mas é interessante notar que os sul-africanos estão motivados para doar para causas locais, e nem tanto para questões internacionais. Apenas 8% deles disseram já ter doado para causas ou catástrofes mundiais. Por outro lado, um terço afirmou que doa para pessoas que têm necessidades imediatas, e um quinto disse que tanto as ações de caridade quanto as voltadas para o desenvolvimento merecem recursos de doações.

A solidariedade é o que mais move os sul-africanos para a doação. 68% dizem que doam por essa razão. Para 10% da população, no entanto, a filantropia é uma decisão que envolve a religiosidade: 3% dos entrevistados dizem que doam porque Deus pede; 6% porque, doando, serão abençoados.


O IDIS é o responsável pela atuação da CAF na América Latina e faz parte de sua rede mundial. Na primeira quinzena de setembro de 2006, o IDIS visitou a África do Sul, com o objetivo de compartilhar metodologias e conhecimento em Investimento Social. Saiba Mais.

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