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Programa estimula nova geração economicamente privilegiada de brasileiros a atuar socialmente

20/04/2007 - Partindo do pressuposto de que os jovens economicamente privilegiados têm um papel importante no sentido de promover a mudança social, foi criado o Programa Nova Geração, que visa empoderar esses jovens, de forma a torná-los agentes da transformação social. Idealizado por Daniela Nascimento Fainberg, a iniciativa parte do desenvolvimento do indivíduo, promovendo a reflexão sobre as motivações da nova geração para intervir na área social; conhecimento do contexto social em que ela está inserida; possíveis formas de atuação social - entre elas o investimento social; e relação dessas pessoas com sua família e privilégios.


O programa tem o papel, portanto, de trabalhar os valores desses jovens para que atuem de forma mais consciente e responsável na sociedade, e também influenciem suas famílias, suas empresas e redes de relacionamentos a atuarem socialmente e fazerem investimentos sociais que gerem impactos positivos na sociedade. Trata-se de um espaço de discussão e intercâmbio de experiências específico para a nova geração, pois, como explica Daniela Nascimento, “entre pares, existe uma maior identificação de questões, e perspectivas de mundo, criando um espaço de maior abertura para todos se colocarem. Isso propicia a construção coletiva de conhecimento e aprendizagem”.

A idealizadora do Programa Nova Geração diz que o objetivo do programa é ampliar a compreensão desses jovens sobre a realidade social brasileira e as formas de intervenção social que promovem desenvolvimento. O Programa também os apóia na identificação de seus papéis na sociedade, como atores sociais e como doadores. Alguns projetos – tanto coletivos como individuais – foram criados já na primeira turma do programa, que contou com a participação de jovens de 20 a 35 anos.

Ao final do primeiro ano da iniciativa, o grupo optou por continuar junto e constituir um grupo de investimento social, que apoiará projetos sociais e vem se reunindo mensalmente para aprofundar o aprendizado nessa área. Ele também está apoiando financeiramente o segundo grupo do programa. Em termos individuais, o programa provocou a reflexão e mudanças na tese de mestrado de uma das participantes, que estuda o papel das elites e da filantropia na configuração social e na segregação urbana em São Paulo. Outro participante criou em sua empresa um comitê de investimento social com foco em educação, no qual um dos projetos hoje é apoiar escolas da rede pública de ensino médio. Um terceiro revisou sua prática social e está replicando um projeto de construção de casas, biblioteca comunitária e de melhoria da qualidade de vida de uma comunidade no bairro de Perus, na capital paulista. A experiência, depois do Programa, está sendo implementada na Vila Nova Esperança, na Brasilândia, também em São Paulo.


Envolvimento e inovação

A forma com que esses projetos foram desenvolvidos exemplifica uma das características apontadas por Daniela Nascimento presentes na nova geração economicamente privilegiada. “Quando a nova geração compreende a comunidade e as relações que se estabelecem nesse campo, ela quer se envolver mais, participando ativamente na iniciativa social. A transferência de recursos é só uma conseqüência, não o foco principal. É claro que a geração acima já faz também doações estratégicas, mas eu acredito que os jovens podem e estão fazendo isso de maneira mais inovadora, e que no futuro, com mais recursos, poderão provocar uma grande mudança social. A nova geração não se contenta somente com o apoio financeiro; tenta alinhar a doação com seus interesses, suas paixões, suas vocações e visão de mundo”, afirma. E completa: “Sinto que, no jovem, a questão de ter um projeto próprio é menor do que na geração anterior. Eles querem ver como potencializar projetos que já existem, querem saber o que tem dado certo. Tenho notado também uma maior propensão entre os jovens de atuarem no social de forma mais colaborativa, envolvendo diversas pessoas e organizações nas suas intervenções sociais”

Ela diz que, no Brasil, não existe nenhum programa semelhante ao Nova Geração. O que existe é, por exemplo, dentro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, um comitê de Responsabilidade Social Empresarial, composto por um grupo de jovens empreendedores que apóiam financeiramente alguns projetos sociais. Mas não é um programa de formação. Já no exterior - e sobretudo nos Estados Unidos – existem organizações que tem atividades similares, como o Resource Generation, o YES! com seu seminário Leveraging Privilege for Social Change, o Synergos Institute, com o programa Global Philanthropists Circle, e o Leverage Alliance, que serviram de inspiração para a criação do programa brasileiro. No hemisfério sul, no entanto, Daniela diz que ainda não identificou nenhum projeto similar.


Motivação

Daniela Nascimento Fainberg conta que tanto sua experiência pessoal quanto profissional ajudaram–na a desenvolver o programa. Conversando com amigos e familiares, ela percebeu que havia uma forte intenção das novas gerações economicamente privilegiadas atuarem socialmente, mas elas tinham pouco conhecimento sobre o assunto. Trabalhando com investimento social familiar, percebeu também que essa geração participava pouco das ações sociais da família. Então, decidiu criar um programa, no qual essas pessoas pudessem discutir o assunto coletivamente, trocar experiências e aprender uns com os outros.

Hoje, o Programa Nova Geração está iniciando uma nova turma, com mais vinte participantes, desta vez de 25-39 anos, vindos da cidade de São Paulo, interior de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Além do Nova Geração, uma organização sem fins lucrativos está sendo estruturada para dar continuidade ao Programa, e oferecer novas atividades também para este mesmo público.

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