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Sistema financeiro alinha propostas ao desenvolvimento sustentável

2/6/2008 – A edição 2008 da Conferência Internacional Ethos debateu o engajamento do setor financeiro para o desenvolvimento sustentável. John Elkington, co-fundador da SustainAbility, Antonio Matias, diretor executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Eric Leenson, diretor executivo do Progressive Asset Management Inc., e Ricardo Henriques, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apontaram a evolução e apresentaram iniciativas que confirmam o aumento da responsabilidade das instituições financeiras.

Mesmo com progresso aparente (Leenson revelou que o Progressive Asset possui 3 trilhões de dólares direcionados a fundos de investimentos sustentáveis), John Elkington acredita que ainda há um extenso caminho a ser percorrido. Segundo ele, as pressões para um posicionamento mais sustentável do setor só devem aumentar. “Faltam peças nesse jogo. A cidadania corporativa ainda é muito institucionalizada”, afirmou.

O representante do BNDES concorda. Para Henriques, é necessário ocorrer uma redefinição política e institucional do setor. Uma mudança que torne possível observar as questões social e ambiental  em grau de equivalência à econômica. Ele deu como exemplo o Programa BNDES Desenvolvimento Limpo, lançado em julho de 2007, que prevê a criação de dois fundos de private equity voltados para financiar projetos de empresas com potencial para gerar créditos de carbono nos moldes do Protocolo de Kyoto.

O peso do carbono

O primeiro, batizado como Fundo Brasil de Sustentabilidade (FBS), aguarda registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já o segundo, ainda sem nome, passa pela criação do regulamento interno e definição de gestor. Ambos estarão operando no início do próximo semestre.

A iniciativa do BNDES, inédita no Brasil, também pode ser encarada como liderança mundial. “Estes são os primeiros fundos de private equity voltados para o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) de um país não-anexo I do Protocolo de Kyoto [sem compromisso de geração de créditos] “, afirma Otávio Vianna, gerente do Departamento de Investimento em Fundos da área de Mercado de Capitais do BNDES.

A proposta do banco de investimentos acompanha o crescimento do mercado. Em 2005, o giro do mercado mundial era de 9 bilhões de euros. No ano seguinte, a cifra subiu para 22 bilhões. Além disso, as iniciativas ratificam a posição do Brasil como terceiro país em número de projetos registrados na Organização das Nações Unidas (ONU) e o terceiro em emissão de créditos de carbono – atrás apenas da China (1.134 projetos) e da Índia (934 projetos). Juntos, os dois primeiros acumulam 62% das propostas, contra 9% do Brasil.

“Isto não é uma Copa do Mundo. O Brasil não precisa ser o primeiro colocado”, alerta Vianna, que justifica o potencial de crédito dos dois asiáticos pelas matrizes energéticas extremamente poluidoras.

O FBS tem como foco a participação acionária direta em empresas do setor de siderurgia, pequenas centrais hidrelétricas, aterros sanitários e biodigestores. Para criá-lo, o BNDES investiu 100 milhões de reais e espera a adesão de investidores privados institucionais para chegar a um patrimônio de 400 milhões de reais. 

“Além da parte financeira, o fundo vai melhorar a gestão e a governança da empresa ao fornecer serviços de estruturação de projetos MDL dentro da ONU”, afirma Vianna.

Embora trabalhe com a receita tradicional - derivada da rentabilidade da atividade empresarial - a receita derivada da geração de crédito de carbono condiciona a taxa de performance do fundo. O gestor que conseguir uma rentabilidade acima da taxa de retorno presumida (IPCA mais 8% ao ano), tem direito a 20% do valor excedente. Se o fundo não apresentar rentabilidade em crédito de carbono, a taxa de performance cai para 15%.

O BNDES também oferece fundos de venture capital que apóiam pequenas e médias empresas com potencial para políticas sustentáveis. Além de uma linha de financiamento para investimento social corporativo. Saiba mais.

Investimento sustentável para desenvolvimento

A International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, oferece apoio ao setor privado de países em desenvolvimento nos moldes da linha para investimento social corporativo do BNDES.

Alinhada aos Princípios do Equador, a IFC assegura que o crescimento econômico – principal motor da redução da pobreza para a organização – ocorra por meio de processos sustentáveis. Para tanto, vincula e oferece apoio a iniciativas ambientais e sociais quando aprova o financiamento de um projeto econômico.

O diretor presidente do IDIS, Marcos Kisil, explica que o oferecimento deste  tipo de crédito é “reflexo do movimento dos grandes financiadores de prestigiar os investimentos social e ambiental, e não apenas o econômico”. Segundo ele, estas iniciativas cada vez mais fazem parte da carteira dos bancos de fomento. “O Banco Interamericano de Desenvolvimento também apresenta esforço neste sentido”, aponta.

Além disso, elas são resultado do interesse crescente das empresas de regiões emergentes de agirem a partir de processos sustentáveis. No último ano, a  IFC investiu 1,78 bilhão de dólares em 68 projetos na América Latina. Segundo o Relatório Regional para América Latina e Caribe 2007, os investimentos crescem especialmente no Peru, América Central e Caribe.

A instituição também oferece assistência técnica em desenvolvimento de projetos e aprofundamento em governança corporativa em questões sociais e ambientais. O programa de simplificação para legalização de empresas, por exemplo, ajudou a registrar 20 mil novas firmas em 35 cidades de oitos países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Honduras, México, Nicarágua e Peru).

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