Wings identifica 1,5 mil fundações comunitárias no mundo
11/11/2008 – A Worldwide Initiatives for Grantmaker Support (Wings) lançou a quinta edição do Community Foundation Global Status Report (GRS). A pesquisa, que rastreia o movimento de fundações comunitárias no mundo, é baseada em informações coletadas com organizações que promovem e apóiam o desenvolvimento de fundações comunitárias em diversos países. Realizado no primeiro semestre de 2008, o GRS identificou 1.441 organizações desta natureza espalhadas por 51 países.
Nove anos depois da primeira edição do documento, a especialista Eleanor W. Sacks, responsável pela pesquisa, identificou que o conceito de fundações comunitárias se espalhou rapidamente a partir da América do Norte e do Reino Unido. O número de organizações de investimento social definido por áreas geográficas e que operam como catalizadoras de processos locais aumentou 21% desde 2005.
Além disso, o relatório confirma a crença de que não existem duas fundações comunitárias iguais no mundo. Por serem condicionadas pelas tradições de doação e recursos disponíveis em suas comunidades, estas organizações apresentam variações de estrutura e desenvolvimento. Em um nível global, as maiores diferenças são apresentadas nos tipos de suporte financeiro que atraem (especialmente nos tipos e combinação de doadores) e no impacto de suas intervenções nas comunidades.
Nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria do suporte provém de doadores individuais das classes média e alta. Já nos países onde estas iniciativas são mais recentes e onde os recursos privados são mais limitados, empresas e fundações nacionais e internacionais oferecem grande parte do suporte. As várias esferas dos governos locais também financiam as organizações em muitas regiões.
As variações ainda podem ser identificadas em elementos como a existência de fundos patrimoniais ou a composição do conselho. Mas, de acordo com o GRS, desde que as fundações comunitárias mantenham políticas e práticas transparentes e se reportem à comunidade local, é possível admitir a flexibilização do conceito. Isso porque o fator mais importante destas organizações é a confiança em relação à sua independência e ao cumprimento de seus propósitos.
Casos brasileiros
O 2008 Community Foundation Global Status Report identificou três fundações comunitárias no Brasil: duas já formadas e uma em desenvolvimento. Fundado em 2000 com o apoio do Instituto Synergos, e das fundações Avina, Ford e Interamericana, o Instituto Rio foi a primeiro com esta natureza no país. Depois de cinco anos de crescimento lento, o instituto consolidou sua posição de apoiador de projetos e construtor de capacidades na zona oeste do Rio de Janeiro.
Já o Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom) é a segunda fundação comunitária identificada no Brasil. Fundado em 2005, o ICom tem como missão mobilizar e coordenar investimentos sociais na Grande Florianópolis, formada por nove cidades de Santa Catarina. Em dois anos de atuação pública, o instituto já realizou um mapa das organizações da sociedade civil da região (o guia Mapeamento de ongs), estabeleceu parcerias com outras organizações da comunidade, criou o primeiro Fundo Comunitário para Investimento Social e ofereceu capacitação para líderes comunitários locais.
A terceira organização está sendo desenvolvida pela Fundação Kellogg e pelo Formação – Centro de Apoio à Educação Básica, no Maranhão.
Modelo paralelo
Como organização promotora do investimento social comunitário no Brasil, o IDIS foi consultado pela Wings sobre o conceito de Organizações de Filantropia e Investimento Social Comunitário (Ofiscs). O modelo se diferencia do conceito tradicional de fundações comunitárias ao propor instituições que não recolhem ou distribuem fundos, mas que atuam como mobilizadoras e facilitadoras locais.
Leia o relatório na íntegra, em inglês.

