Criada há 6 anos, Redin-BH tem 35 creches parceiras
15/9/2009 – A Rede pela Educação Infantil de Belo Horizonte (Redin-BH) chega ao sexto ano com 35 creches participantes. Apenas em 2008, doze novas unidades passaram a fazer parte do grupo de desenvolvimento comunitário, cujo foco é a garantia do acesso da criança à Educação Infantil de qualidade.
Há creches representantes de 7 das 9 regiões da capital mineira – além de duas da cidade de Ibirité, que fica na Região Metropolitana de BH. A maior concentração está na Regional Oeste, com 23 creches integradas à rede. A estimativa é de que 4,1 mil crianças de 0 a 6 anos sejam beneficiadas indiretamente pelas ações desenvolvidas pela Rede.
Ainda há espaço para ampliar o trabalho. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, em julho de 2009, Belo Horizonte possuía 38.439 crianças educadas em 60 unidades de Educação Infantil e mais 21.457 educadas em 193 creches.
A Redin-BH surgiu em fevereiro de 2003. A rede foi fomentada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e financiada pelo Instituto C&A e Fundação Belgo Mineira, atual Fundação ArcelorMittal. Após diagnóstico situacional, o grupo de trabalho (GT) decidiu que a atuação começaria pela Regional Oeste, considerada a mais vulnerável. Formado por 22 representantes dos três setores (poder público, empresas e organizações sociais), o GT direcionou seus esforços para 28 creches dessa regional. Atualmente, fazem parte da Redin BH 64 integrantes, entre representantes dos três setores, creches e atores sociais.
“A rede une ativos materiais, financeiros e humanos para capacitar profissionais e conscientizar a sociedade e as famílias sobre a importância de uma Educação Infantil de qualidade para todas as crianças. Além da capacitação de gestores, a Redin BH atua, simultaneamente e de maneira integrada, na adequação dos espaços físicos e recursos materiais, habilitação de educadores e coordenadores pedagógicos, e assessoria pedagógica e administrativa”, afirma a secretária-executiva da Redin-BH, Gabriela Meira Maia. “Nosso papel não substitui as ações governamentais”, acrescenta. A Prefeitura de Belo Horizonte, representada pela Secretaria Municipal de Educação, integra a iniciativa e tem colaborado nos projetos e atividades desenvolvidos.
Processo
Em 2002, o IDIS realizou em levantamento socioeconômico em Belo Horizonte e contatou que, apesar do alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH de 0,91), havia muita desigualdade social no município. O diagnóstico apontou, por exemplo, que a média de tempo de estudos da população com mais de 4 anos era de 7,35 anos. Porém, os estudantes de famílias consideradas de classe média têm, em média, 11 anos ou mais de estudo, enquanto os mais pobres mal completam o 4º ano do Ensino Fundamental.
Esse quadro, agregado a questões como violências urbana e doméstica, miséria e trabalho infantil levou à escolha da Educação Infantil como tema prioritário de atuação, como estratégia para colaborar na formação da Primeira Infância e no enfrentamento da violência. Essa fase, que compreende dos 0 aos 6 anos, é considerada de extrema importância para o desenvolvimento cognitivo, emocional e psíquico da criança, o que auxilia na formação de cidadãos éticos e conscientes.
Após a definição do foco temático – e com base na experiência já adquirida no Programa DOAR – foram realizados eventos no município para mobilizar pessoas e instituições dos três setores que atuavam na Educação Infantil. Daí, surgiu o Grupo de Trabalho, composto por 30 representantes, que se responsabilizaram por formar a Redin-BH. Durante dois anos, entre 2003 e 2005, o GT se reuniu quinzenalmente e passou por capacitações do IDIS, para que se tornassem protagonistas do processo de formação e sustentabilidade da rede.
Em 2003, nasceu a Redin-BH com o objetivo de articular as organizações sociais, as empresas e o governo para garantir o acesso à educação infantil de qualidade no município de Belo Horizonte. No mês de outubro, daquele mesmo ano, uma empresa de comunicação, por meio de trabalho voluntário, criou a identidade visual da rede. Nas reuniões, o GT priorizou a Regional Oeste da capital mineira para iniciar seus trabalhos, pois era o local com os maiores níveis de desigualdade municipal. Então, definiu cinco áreas prioritárias de atuação:
• Adequação dos espaços físicos e ampliação dos recursos materiais
• Habilitação dos professores e coordenadores pedagógicos
• Capacitação de gestores
• Assessoria pedagógica e administrativa
• Comunicação para influenciar e mobilizar socialmente
Foram elaborados projetos prioritários para 28 creches e pré-escolas comunitárias da Regional Oeste, público escolhido pelo GT como foco das suas intervenções. Aos poucos, metas foram alcançadas: vagas em curso de inclusão digital para profissionais da Educação Infantil, recursos para realizar eventos nas creches e pré-escolas e passeios culturais, criação de informativo online, entre outros.
A partir de 2004, o GT passou a se chamar de Grupo de Facilitadores (GF), uma vez que os integrantes capacitados pelo programa assumiram seu papel de facilitador e disseminador para o crescimento e desenvolvimento da Redin-BH. Nasceu, então, um novo desafio: envolver, mobilizar e incentivar a participação de novos integrantes, em especial das creches e pré-escolas comunitárias da Regional Oeste. Para isso, as estratégias escolhidas foram de aprimorar a comunicação, criar grupos de ação e abrir mais espaço para a participação dos novos integrantes.
De dois em dois meses foram promovidas reuniões e trabalhou-se o fortalecimento do vínculo na rede, a comunicação interna, a captação de recursos para sustentabilidade e o desenvolvimento das ações colaborativas. Começou, assim, o diálogo sobre a importância da inserção das famílias no processo, como forma de melhorar ainda mais a qualidade na Educação Infantil para além dos muros das instituições. Em 2006, foi a vez de criar a Secretaria Executiva, como forma de ser um ponto focal para a rede, tornando-se responsável pela mobilização e comunicação com os integrantes. A estrutura conta, ainda hoje, com sede própria, recursos materiais – continuamente buscados –, profissional contratado e materiais de comunicação.
Passado e futuro
Entre 2007 e 2008, em parceria com o Instituto C&A, ocorreu o projeto “Espaço de ler, direito de todos”, em que dez creches ganharam bibliotecas infantis para trabalhar o estímulo da leitura. Gestores foram capacitados e repassaram o conhecimento adquirido para os educadores e as famílias das crianças atendidas.
Em 2008, a Rede participou da formação “Encontros com quem gosta de formar” desenvolvida pela organização social Escola de Educadores e promovida pelo IDIS por meio do programa Redes pela Educação Infantil (REDINs). Quarenta coordenadores pedagógicos receberam capacitação com foco na sua função e na sua atuação profissional. O Programa REDINs, do IDIS, teve seu nome inspirado na experiência da Redin-BH. No mesmo ano, também em parceria com o IDIS, ocorreu o projeto "Múltiplas Linguagens da Criança na Educação Infantil: Corporeidade, Movimento, Cultura e Conhecimento". Seu objetivo foi de contribuir para o aprimoramento do trabalho de cuidar e de educar as crianças atendidas. Participaram 70 educadores e coordenadores pedagógicos de creches e de unidades de Educação Infantil de Belo Horizonte. A iniciativa foi concluída no primeiro semestre de 2009.
A comunicação foi um dos eixos mais aprimorados e que fortaleceu a relação entre os integrantes da rede. O site da Redin-BH, a newsletter mensal, enviada a 300 endereços eletrônicos cadastrados e os blogs do projeto “Espaço de ler, direito de todos” e da própria Rede têm servido como ferramentas de comunicação e interação com a sociedade.
Os planos não param. Agora, os integrantes estão elaborando novos projetos para manter a sustentabilidade da iniciativa. Isso porque a rede é um organismo vivo, cuja dependência principal é o ânimo das pessoas envolvidas. E, em Belo Horizonte, ao que tudo indica, ele não faltará.