Base sólida para construir
8/5/2008 – “Nunca houve época melhor para investir nos jovens que vivem em países em desenvolvimento”. É com esta mensagem que Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial, apresenta o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2007: o desenvolvimento e a próxima geração. A 29ª edição da série analisa prioridades de ação em cinco esferas que marcam aprimoramento do capital humano dos jovens: estudar, trabalhar, desenvolver um estilo de vida saudável, formar família e exercer cidadania.
A oportunidade para investimento está condicionada às características da população de 1,3 bilhão de pessoas (a maior da história) com idade entre 12 e 24 anos. Segundo o Banco Mundial, os avanços de desenvolvimento de décadas anteriores garantiram que esta geração tenha mais saúde e mais educação quando comparada às que a precederam: mais jovens concluem o ensino básico e sobrevivem às doenças da infância.
Ao mesmo tempo, porém, os desafios que eles precisam enfrentar são mais complexos. Para ter sucesso atualmente, os jovens precisam dominar aptidões avançadas que vão além da mera alfabetização. Da mesma forma, para continuar saudáveis precisam enfrentar novos perigos, como as doenças sexualmente transmissíveis e a obesidade.
Investimentos no capital humano para garantir o desenvolvimento pleno dos jovens têm efeitos de longo prazo. Além disso, cada intervenção apresenta resultado cumulativo e em várias esferas. No Quênia, por exemplo, o estudo Economic growth, education, and Aids in Kenya Model: a long-run analysis aponta como o investimento em educação pode ajudar a combater a epidemia de Aids. Não bastasse o acréscimo em 7% na renda per capita da população, a intervenção em educação nos níveis médio e superior afeta diretamente a qualidade de saúde de jovens e adultos.
Os autores do estudo sugerem a criação de um programa de 30 anos que subsidie a educação de nível médio, com um custo inicial de 0,95% do PIB. Eles estimam que, mesmo com descontos consideráveis, o valor líquido dos benefícios trazidos pela ação seria de 2 a 3,5 vezes superior ao dos custos.
O papel dos doadores
Embora o relatório oriente principalmente ações governamentais, o capítulo "Movimentação e comunicação entre fronteiras" revela como doadores podem ajudar governos a expandir oportunidades, aprimorar habilidades e oferecer segundas chances para jovens. Além do emprego de recursos em financiamento de programas, o intercâmbio de experiências exitosas e de informações sobre efetividade de iniciativas são medidas que devem ser estimuladas.
A instituição identifica uma mudança de finalidade dos recursos direcionados para juventude. A partir do final dos anos noventa, as doações começam a caminhar do financiamento de programas de educação regular para áreas como a promoção de comportamentos saudáveis, subsistência, emprego, educação não-formal e ajuda à família e à comunidade.
A diversificação das frentes, porém, não soluciona o problema. Pouco se sabe sobre a eficiência de muitas iniciativas. Quais são os campos supervalorizados? Quais são falhas? Segundo o documento, os programas de capacitação profissional, por exemplo, precisam oferecer mais habilidades do que as requeridas para inserção imediata no mercado de trabalho.
O relatório também afirma que os doadores podem aderir e promover orientações internacionais, como as convenções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra trabalho infantil. Porém, o trabalho de advocacy deve ser complementado com campanhas e programas específicos.
Investidores sociais, organizações da sociedade civil, e organizações internacionais também devem investir em trocar conhecimento e desenvolver programas mais rigorosos de avaliação. Segundo a organização, há pouco conhecimento estabelecido e apenas algumas iniciativas foram estudadas quanto à sua efetividade, o que torna difícil saber o que funciona bem.
Leia aqui o resumo do documento, em português, ou o texto, na íntegra, em inglês.
Como funciona o relatório
Todos os anos o Banco Mundial elege, nos 180 países em que trabalha, um tema de análise. Para 2007, o tema escolhido foi a juventude. Os dados representativos do Brasil no relatório foram colhidos em Recife, em janeiro de 2006, com jovens em conflito com a lei, pertencentes a comunidades quilombolas, da zona rural e portadores de deficiência.