Publicação discute a contribuição das empresas para o desenvolvimento da América Latina
13/04/2007 - Com o objetivo de analisar a contribuição dos grupos empresariais socialmente responsáveis rumo ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) na América Latina, o Banco Interamericano de Desenvolvimento lançou a publicação “Contribución de las empresas al desarrollo en Latinoamérica”.
O livro propõe-se a mostrar como as empresas colaboram com a construção de modelos sociais melhores, e fazer recomendações para alinhar as operações empresariais aos ODM.
Para isso, coloca atenção sobre quatro conglomerados empresariais radicados na América Latina: um conglomerado industrial de Campana, na Argentina; um de calçados, no Vale do Rio dos Sinos e no Vale do Paranhana/Encosta da Serra, no Brasil; outro minerador, em Antofagasta, Chile; e outro têxtil, em El Savador. São conglomerados que apresentam diferentes graus de consolidação, mas nos quais é possível destacável a presença e a participação de algumas grandes empresas, responsáveis pelo crescimento econômico local e, em alguns casos, como no argentino e chileno, pelo desenvolvimento social da região.
Realizado com base em documentos existentes e em entrevistas de profundidade realizadas com personalidades e atores-chave dos conglomerados analisados, a publicação foi organizada em cinco capítulos. O primeiro apresenta a situação geral dos ODMs na América Latina e, especificamente, na Argentina, Brasil, Chile e El Salvador.
Traz também uma discussão sobre os ODM, a partir da perspectiva da iniciativa privada, destacando que, embora a principal responsabilidade para o cumprimento dos ODM seja dos governos, é bom que as empresas desenvolvam práticas e iniciativas pró-ODM, pois eles ajudam a: criar um entorno robusto e sólido, que permite às empresas fazerem seus negócios; gerir os custos e riscos inerentes à atividade empresarial; criar novas oportunidades de desenvolvimento empresarial.
De acordo com o documento, as empresas podem contribuir de três formas para isso: através de suas atividades essenciais e diárias (respeitando leis, gerenciando riscos, minimizando seus impactos sociais e ambientais negativos e maximizando as contribuições positivas no entorno); através de ações de investimento social (mobilizando as competências e recursos da empresa para apoiar as comunidades nas quais operam); e por meio de ações individuais ou junto a outras organizações, destinadas a influir e transformar o meio socioeconômico em que elas operam.
Casos práticos
O capítulo 2 traz uma descrição detalhada de cada conglomerado e uma resenha da estrutura econômica e social das regiões em que eles estão instalados. Na terceira seção, são apresentadas, de forma aprofundada, as diversas atividades e iniciativas que os conglomerados e empresas pertencentes a eles realizam, destacando a forma como contribuem para os ODM. Também são descritos os casos de quatro empresas, cada uma pertencente a um dos conglomerados estudados. No caso brasileiro, foi analisada a empresa Grings, fabricante das marcas Piccadilly e Cally.
O quarto capítulo traz um diagnóstico sobre as atividades analisadas no capítulo 3, apresentando a evolução de uma série de indicadores socioeconômicos quantitativos, relacionados com os ODM e faz uma avaliação qualitativa sobre a contribuição dessas atividades de investimento social aos ODM, ponderando elementos favoráveis e limitadores.
No caso do conglomerado de calçados brasileiros, verificou-se que é um agente relevante na economia local, com grande capacidade de influência na vida comunitária geral e nas decisões políticas locais. Nesse sentido, pondera que as empresas podem aproveitar essa influência tanto para mobilizar a população local com respeito à situação da região com relação às metas do milênio, como articular respostas conjuntas com organizações públicas ou privadas. Por outro lado, foram identificados elementos que reduzem a efetividade das ações desenvolvidas, como a inexistência de uma entidade de caráter horizontal, que trabalhe na consecução dos interesses do conglomerado como um todo, a falta de estudos e informes que tratem da situação da região com relação às metas do milênio - o que dificulta a definição e desenvolvimento de iniciativas públicas e privadas para atenuar as carências -, e a corrupção.
Recomendações
O último capítulo apresenta as conclusões do estudo, junto com um conjunto de recomendações gerais ao setor privado e às autoridades públicas locais, para superar as dificuldades identificadas e ampliar os efeitos positivos obtidos pelo cluster rumo aos ODM. Entre as recomendações estão a criação de um marco macroeconômico estável, que favoreça o crescimento econômico sustentável; a necessidade de integrar as empresas dentro do tecido não só produtivo, mas também da comunidade e na geração de futuros cenários sustentáveis; a disseminação dos ODM, pois ainda existe um desconhecimento sobre sua existência e sobre a importância do papel do setor privado em seu cumprimento; e a necessidade de se criar mecanismos de avaliação e monitoramento das ações, bem como relatórios que transmitam de forma transparente as atividades da empresa e permitam melhorar o desempenho do conjunto das empresas em benefício do desenvolvimento local.
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