“Fundação familiar pode investir em áreas diferentes das quais a empresa investe”, diz investidor social brasileiro
18/10/2007 - “Não vejo diferença entre uma fundação familiar e uma empresarial”, diz Beatriz Bier Johannpeter, membro do conselho do Instituto Gerdau. “A família empreendedora tem uma visão que transmite ao instituto e também à empresa”, completa. Johannpeter participou da mesa de debates sobre a família como investidora social, promovida pelo IDIS e pela CAF (Charities Aid Foundation), no fim de setembro de 2007, durante o Fórum de Liderança – O Futuro do Investimento Social Privado na América Latina.Johannpeter participou da mesa de debates sobre a familia como investidora social, promovida pelo IDIS e pela CAF (Charities Aid Foundation), no fim de setembro de 2007, durante o Fórum de Liderança – O Futuro do Investimento Social Privado na América Latina.
Conforme definição do IDIS, investimento social familiar é a alocação voluntária e estratégica de recursos de família para o benefício público. No processo de estruturação desse investimento, a família tem a oportunidade de estreitar as relações entre seus membros, fortalecer e preservar seus valores, além de desenvolver e deixar um legado familiar de responsabilidade social advindo do planejamento de ações sociais de maior impacto transformador.
Para o colombiano Manuel José Carvajal, presidente do conselho administrativo da Fundación Carvajal, há vantagens quando as fundações têm origem familiar. “Há mais identidade com os valores da família e os objetivos são traçados para o longo prazo”, diz. Carvajal afirma que enquanto a empresa deve ajudar a solucionar os problemas nas cidades onde atua, a fundação fica encarregada das causas sociais. A Fundación Carvajal recebe fundos da empresa e também busca recursos de fora. A fundação é dirigida por profissionais e nunca um membro da família foi diretor da fundação. Isso, no entanto, não impede que os valores familiares tenham sido sempre os alicerces de sua atuação. “Quando a fundação se preocupa em ter um impacto de transformação social mais do que caritativo, ela envolve mais a família”, afirma.
Dario Ferreira Guarita Neto, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, concorda com Carvajal: “enquanto que a empresa está diretamente ligada à responsabilidade empresarial, uma fundação familiar pode investir em coisas diferentes das que a empresa está investindo”.
A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, por exemplo, é uma fundação familiar, que tem seus rendimentos independentes dos rendimentos da empresa. Desde 2003, a terceira geração da família tem se envolvido mais diretamente com a fundação. “Com esse envolvimento, aumentamos o foco de atuação da fundação que era somente na saúde por meio da formatação de um estatuto mais abrangente, que visa o desenvolvimento sustentável da sociedade”, diz Neto. Para garantir a sustentabilidade da fundação, foi criado um fundo patrimonial e uma nova estrutura de governança.
O desafio que surge de uma fundação familiar, no entanto, é garantir o envolvimento das gerações futuras, diz acreditar Neto. Por isso, segundo ele, é importante permitir que todos estejam envolvidos com o programa de investimento social. Isso pode acontecer não de forma a forçar os membros da família, mas promovendo desde a infância o envolvimento dos familiares com a comunidade e com as causas apoiadas pela fundação familiar.

