Fraqueza do ISP: instituições ainda visam mais fins privados do que públicos
23/09/07 - Uma das fraquezas a ser enfrentada pelo setor do investimento social privado é o corporativismo institucional, definido por Margareth Dicker Goldenberg, coordenadora da Cátedra Unesco/Instituto Ayrton Senna de Educação e Desenvolvimento Humano, como “uma tendência em se seguir mais os interesses privados da empresa do que os fins públicos, para o bem do país, aos quais as instituições deveriam servir”. Segundo ela, “beneficiários de programas sociais ainda não conhecem seus direitos”.
Para Goldenberg, há uma dicotomia a ser enfrentada pelos investidores sociais: enquanto o setor público tem capacidade de fazer ações em larga escala, mas nem sempre as faz com qualidade, o Terceiro Setor tende a fazer ações com mais qualidade, mas ainda em pequena escala. Ela citou como exemplo a educação pública no Brasil. “Temos 97% das crianças em nossas escolas, mas a qualidade é ruim”, disse Goldenberg durante o primeiro dia do “Fórum de Lideranças – O Futuro do Investimento Social privado na América Latina”.
Uma das razões que explicam a falta de qualidade é a falta de conhecimento sobre os direitos humanos, concordaram vários participantes. “Beneficiários de programas sociais ainda não conhecem seus direitos”, disse Goldenberg. “Falta pressão social para serviços públicos de qualidade”, afirmou.
Se por um lado a população mais carente não conhece seus direitos, falta aos indivíduos mais abastados o conceito de responsabilidade social individual, disse acreditar o procurador de justiça do Ministério Público do Distrito Federal e territórios, José Eduardo Sabo Paes. “Não estamos sabendo usar as oportunidades para engajar a sociedade civil como um todo na participação da transformação social. Além disso, faltam incentivos legais para o investimento social privado”, afirmou.
O colombiano Guillermo Carvajalino Sánchez acrescentou também a importância dos indivíduos contribuírem com recursos próprios e deixarem um legado para o investimento social, como em testamentos, por exemplo. “Temos que pensar em como reproduzir o investimento social privado em nível do indivíduo”, concluiu.
O “Fórum de Lideranças: O Futuro do Investimento Social na América Latina é uma realização do IDIS e da CAF, com a co-realização do Grupo de Instituições e Empresas (GIFE), Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e o Centro Mexicano para la Filantropía (Cemefi). O evento, que termina no dia 25 de setembro, conta com a participação de mais de 60 especialistas da América Latina, Europa, Austrália e dos Estados Unidos. O evento recebeu apoio da Fundação Vale do Rio Doce, da Fundação Banco do Brasil, da Gerdau, do Instituto Camargo Correa e da Fundación Loma Negra.
As discussões serão sistematizadas em uma publicação que será lançada no inicio de 2008.
Você pode acompanhar a cobertura diária do evento aqui.

