Falta de credibilidade pode significar entrave para o desenvolvimento do Terceiro Setor
23/09/07 - Outros fatores como a instabilidade política dos governos na América Latina, a debilidade da administração pública, governos populistas e caráter assistencialista das ações sociais foram algumas das ameaças apontadas pelo grupo de especialistas que refletiu sobre o tema durante a tarde de hoje, na reunião preliminar do “Fórum de Liderancas – O Futuro do Investimento Social Privado na América Latina”.
O relator do grupo, Flavio Martín Flores Acevedo, coordenador de investimento social da Asociación Los Andes de Cajamarca, do Peru, disse que a “desconfiança é um dos fatores que diferencia os países entre os desenvolvidos e os não desenvolvidos”. Ele ressaltou que “a corrupção pela pobreza é muitas vezes um modo de vida para algumas organizações da sociedade civil e para alguns governos”.Ou seja, referindo a seu país, o Peru, Acevedo disse acreditar que algumas ONGs se aproveitam da pobreza e não praticam ações de empoderamento da população. Ao mesmo tempo, o governo também prefere reproduzir a pobreza e não promover a transformação social.
Fernando Rossetti, secretário-geral do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), lembrou o caso da Comissão Parlamentar de Inquéritos instalada no Brasil para investigar a atuação de algumas ONGs. Ele ressaltou também o corte de repasse de verbas do Ministério da Educação para as ONGs, que aconteceu há duas semanas. “Por falta de credibilidade, nem sempre é bom ser uma ONG no Brasil”, disse. Essas foram as principais ameaças ao investimento social privado apontadas pelo grupo. Outros grupos analisaram as oportunidades, os pontos fortes e as fraquezas do investimento social na América Latina.
O “Fórum de Lideranças: O Futuro do Investimento Social na América Latina é uma realização do IDIS e da CAF, com a co-realização do Grupo de Instituições e Empresas (GIFE), Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e o Centro Mexicano para la Filantropía (Cemefi). O evento, que termina no dia 25 de setembro, conta com a participação de mais de 60 especialistas da América Latina, Europa, Austrália e dos Estados Unidos. O evento recebeu apoio da Fundação Vale do Rio Doce, da Fundação Banco do Brasil, da Gerdau, do Instituto Camargo Correa e da Fundación Loma Negra.
As discussões serão sistematizadas em uma publicação que será lançada no inicio de 2008

