Profissionalização do investimento social depende também de formação acadêmica
22/11/2007 - Assim como em outros continentes, o investimento social na Ásia está evoluindo, de uma filantropia tradicional para uma mais estratégica e transformadora. A opinião é de Michael Liffman, diretor-fundador do Centro da Ásia-Pacífico para a Filantropia e para o Investimento Social, da Universidade Swinburne, em Melbourne, na Austrália.
Liffman diz acreditar que é mais difícil generalizar a análise na Ásia do que na América Latina, devido às diferenças culturais dos países da região. Ele ressalta, entretanto, que é necessário treinar mais profissionais para lidar com o setor.
Para Liffman, o objetivo fundamental do investimento social deve ser apoiar resultados e não intenções. Ele compara o investimento social privado com o setor financeiro, mas faz uma ressalva: “no mundo do investimento social privado ao invés de investir um dólar para fazer outro dólar, investimos um dólar para fazer um mundo melhor.” Segundo ele, esse é um dos motivos que justificam o desenvolvimento da educação voltada para o investimento social nas universidades. “Esse tema tem de ser matéria presente, tanto nas escolas de negócios como nas de economia”, diz.
Além da formação profissional, Liffman afirma que a dicotomia entre os setores com e sem fins lucrativos é outro desafio para o investimento social privado. “Existe uma falsa idéia de que o setor sem fins lucrativos faz um bom trabalho, enquanto o com fins lucrativos é visto como o vilão da história”, diz. “Isso não é verdade. Na Austrália, por exemplo, temos médicos e outros profissionais que são pagos para prestar serviços sociais, mas que, por isso, suas atividades são vistas como comerciais”, afirma.
A pergunta que Liffman levanta é a seguinte: “esses profissionais estão interessados em sua função social ou eles querem prestar serviços de qualidade com responsabilidade?”. A resposta está na ponta da língua: “falar que alguma atividade é sem fins lucrativos é um maneira enganosa de ver as coisas. A questão que tem de ser colocada é a prestação de serviços sustentáveis. Quando uma atividade não é lucrativa, ela não irá sobreviver”, finaliza.
Liffman foi um dos palestrantes do Fórum de Lideranças – O Futuro do Investimento Social Privado na América Latina, realizado em setembro de 2007 pelo IDIS, em parceria com a CAF (Charities Aid Foundation).

