“Para um país ser forte, ele precisa tanto de uma sociedade civil como de um governo fortes”, diz especialista em ISP
24/09/07 - Que papel o investimento social tem desempenhado na América Latina? Para discutir esse tema, o “Fórum de Lideranças – O Futuro do Investimento Social Privado na América Latina”, organizado pelo IDIS em parceria com a CAF, convocou diretores de instituições de países da região com experiências e realidades distintas: Jorge Villalobos, diretor do Centro Mexicano para la Filantropia (Cemefi) e Carolina Langan, do Grupo de Fundaciones y Empresas (GDEF), da Argentina.
Jorge Villalobos fez uma retrospectiva sobre o caso do México, trazendo dados esclarecedores com relação também aos outros países latino-americanos, ressaltando que não existe uma tradição filantrópica na região, diferente do que ocorre na América do Norte onde há uma cultura da doação. Citou o paradoxo que encontramos na América Latina, onde uma verdadeira bonança econômica propiciada pelos bons ventos na economia mundial convive com a crescente falta de recursos: dos 600 milhões de habitantes do continente, metade vive em situação de pobreza. Para Villalobos, esse quadro poderia ser revertido se houvesse um trabalho de colaboração entre o Governo, as empresas e a sociedade civil. No México, ele acrescentou que o Governo não ajuda potenciais investidores sociais com incentivos fiscais, e que a maior parte dos recursos é de doações individuais.
Entretanto, a relação das organizações da sociedade civil com o governo não tem sido fácil. As ONGs tem se mostrado uma nova forma de expressão do conjunto social mas até o momento, segundo ele, sua participação no desenho, na execução e na avaliação das políticas públicas tem tido uma dimensão pouco relevante. “Isso se deve, provavelmente, ao fato do desconhecimento por parte do Governo do potencial que tem o setor não só para gerar serviços mas também em ações de desenvolvimento social e econômico”, disse Villalobos.
Uma nova realidade é o crescimento das chamadas Fundações Empresariais, que não existiam no México há 10 anos e que atualmente são as que mais investem recursos na área social. Segundo Villalobos, há no país 20 mil associações privadas não lucrativas..
Em busca de fins públicos
Carolina Langan, do GDFE, Argentina, apresentou os desafios para o investimento social privado no futuro. Ela ressaltou a importância da inovação social, de empresas que apóiem as organizações de causas e o desenvolvimento de novos investidores sociais como, por exemplo, os doadores particulares, as pequenas e médias empresas e as fundações comunitárias.
Para Langan, um grande desafio é a superação do que ela chama “mito setorial”. “As pessoas e organizações precisam compreender que os fins do investimento social privado são públicos e que impactam todo o conjunto da sociedade e não somente um setor restrito”, disse. Nesse cenário, Langan ressaltou a responsabilidade das empresas em estimular o trabalho voluntário dos funcionários, dando formação adequada e fomentando o vínculo com as organizações sociais e não somente apoiando intervenções pontuais como campanhas de ajuda e visita a instituições, por exemplo. “As empresas também podem apoiar com seu conhecimento a gestão das organizações da sociedade civil e não apenas investindo recursos em projetos sociais”, completou.
Sobre a avaliação que faz a sociedade sobre o papel das fundações empresariais, Carolina comentou que a população em seu país ainda desconfia desse tipo de instituição porque “acredita que as empresas ajudam porque visam receber incentivos fiscais”.
O “Fórum de Lideranças: O Futuro do Investimento Social na América Latina é uma realização do IDIS e da CAF, com a co-realização do Grupo de Instituições e Empresas (GIFE), Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e o Centro Mexicano para la Filantropía (Cemefi). O evento, que termina no dia 25 de setembro, conta com a participação de mais de 60 especialistas da América Latina, Europa, Austrália e dos Estados Unidos. O evento recebeu apoio da Fundação Vale do Rio Doce, da Fundação Banco do Brasil, da Gerdau, do Instituto Camargo Correa e da Fundación Loma Negra.
As discussões serão sistematizadas em uma publicação que será lançada no inicio de 2008.
Você pode acompanhar a cobertura diária do evento aqui.

