Grupo Camargo Corrêa
Em 2007, o IDIS prestou apoio técnico ao Grupo Camargo Corrêa. O trabalho consistiu na sensibilização e capacitação de diretores e funcionários em relação a indicadores de sustentabilidade. A medida faz parte de um amplo processo de sustentabilidade corporativa, que inclui a criação e implementação de indicadores comuns a todas as unidades de negócio da companhia.
De acordo com Ciro Fleury, gerente de Sustentabilidade do Grupo, a adoção de critérios de avaliação da sustentabilidade comuns a todas as empresas é parte de um reposicionamento estratégico, pioneiro no Brasil. “É fundamental alinhar as diretrizes do Grupo às várias ações das empresas. Definir indicadores é essencial para permitir comparabilidade e análise de desempenho”, afirma.
O Grupo Camargo Corrêa é um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil. Atua nas áreas de cimento, calçados, engenharia e construção, siderurgia, indústria têxtil, gestão ambiental, concessões de serviços públicos em energia e transporte rodoviário.
Encontrar esses elementos comuns em negócios tão diversificados foi o principal desafio do projeto, pois a análise de indicadores como fidelização de clientes, utilização de recursos naturais, e produtos e serviços sustentáveis varia muito entre os ramos. “Apesar das diferenças de cada unidade de negócio, existe uma veia compartilhada de valores e diretrizes que guiam o Grupo. Foi a partir dessa afinidade que atuamos”, revela Helena Monteiro, Diretora de Conhecimento e Educação do IDIS.
Metodologia
O Projeto Corporativo de Sustentabilidade do Grupo teve início em 2006, com a “Carta de Sustentabilidade: o desafio da inovação”. O documento, firmado por acionistas e gestores de todas as unidades de negócios da companhia, foi o primeiro passo para a definição de um novo modelo de gestão.
Para tanto, o conselho de administração da companhia e os presidentes das unidades de negócio dividiram-se em três grupos de estudo com os temas: filosofia, metodologia e implementação. O primeiro deles, que culminou com a elaboração da Carta, analisou o posicionamento pretendido pela Camargo Corrêa perante a conjuntura mundial.
O grupo de metodologia examinou, dentre os instrumentos disponíveis – Balanço Social IBASE, Indicadores Ethos, Global Reporting Initiative (GRI) –, o que melhor se adaptava à proposta da empresa. Foram escolhidos 26 dos 177 indicadores sugeridos pelo modelo G2 do GRI. A legitimidade internacional dessa ferramenta foi determinante para a preferência. “Qualquer empresa que queira se expandir internacionalmente tem interesse em usar uma metodologia que pode ser reconhecida facilmente em qualquer localidade”, aponta Ciro.
Os indicadores escolhidos foram chamados de “genéricos”, e estão relacionados a 12 diretrizes estabelecidas pelo Grupo nos âmbitos econômico, social e ambiental. A assessoria técnica para a identificação dos indicadores e criação da ferramenta de coleta de dados ficou a cargo da PricewaterhouseCoopers.
Foi na fase de implementação que o IDIS prestou apoio ao Grupo Camargo Corrêa. Nessa etapa, foram definidas duas figuras: a dos “diretores-guardiões” - responsáveis por fazer a ponte entre as diretrizes da companhia e as de cada unidade de negócio; e a dos “multiplicadores” - funcionários que atuam como pivôs da implantação do projeto.
Segundo Helena Monteiro, o papel dos multiplicadores é crucial. “São os funcionários que, no dia-a-dia, sustentam a iniciativa. Portanto, é fundamental sensibilizá-los, motivá-los e capacitá-los para o tema da sustentabilidade”, avalia.
Nove unidades de negócios foram escolhidas para a implantação inicial dos indicadores. De março a novembro de 2007, o IDIS criou e implantou um programa de sensibilização e de capacitação em quatro módulos:
- Módulo 1: Introdução à sustentabilidade – com elementos conceituais e práticos e apresentação da ferramenta piloto de indicadores de sustentabilidade;
- Módulo 2: Indicadores de sustentabilidade – sensibilização em temas específicos, tais como diversidade e meio ambiente, e validação e adaptação da ferramenta de coleta de dados para os indicadores;
- Módulo 3: Planejamento – com base nos resultados dos indicadores, apoio à incorporação da sustentabilidade nos planos de ação 2008 de cada unidade de negócio;
- Módulo 4: Divulgação – compartilhamento entre as diferentes unidades de negócio dos seus planos de ação para 2008.
Proposta participativa
Os módulos de sensibilização e capacitação foram ministrados por profissionais e consultores do IDIS. O programa foi pautado pela metodologia participativa, que valoriza o conhecimento e a experiência dos funcionários e diretores. O IDIS adequou conteúdos e treinamentos para os vários públicos da empresa e para a diversidade das unidades de negócio. “Já tínhamos trabalhado com várias capacitações em sustentabilidade, responsabilidade social corporativa e em investimento social privado, mas nunca com um grupo tão diversificado e que buscasse indicadores comuns. Este foi o grande desafio”, conta Helena.
Ao todo, foram capacitados 97 multiplicadores e 11 diretores-guardiões. A intenção é aumentar gradativamente o número de empresas envolvidas no processo e o número de indicadores observados.
Além do sucesso da iniciativa, Ciro Fleury comemora outra conquista. “Pela primeira vez na história do Grupo, os planos operacionais e plurianuais, conduzidos entre setembro e dezembro, incorporaram a dimensão da sustentabilidade. Isso só foi possível por causa desse processo”, destaca.

