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O príncipe Charles quis visitar os índios

JORNAL DA TARDE - (07/03/2002)


A paixão pelo meio ambiente fez com que o príncipe Charles deixasse um pouco de lado a rigidez do protocolo e a extensiva preocupação com a segurança durante sua visita à fazenda Poderosa, anteontem, no Tocantins.

O herdeiro do trono inglês assistiu a uma apresentação de dança típica dos índios Carajá, passeou por um trecho da fazenda de 60 mil hectares e conversou com o cacique da aldeia Fontoura, Coxoni Carajá, sobre desenvolvimento de projetos de preservação ambiental.

Charles mostrou interesse no trabalho que os índios estão desenvolvendo para preservar o ecossistema da Ilha do Bananal, onde outras 11 aldeias indígenas estão localizadas. O cacique Coxoni aproveitou a visita inédita para pedir mais apoio do governo britânico aos projetos de preservação das matas e das terras indígenas no País. "Ele disse que poderia ampliar o apoio para projetos de preservação", contou o cacique.

Antes de ir a Palmas, o príncipe já havia mostrado interesse por temas sociais. Na terça-feira, ele visitou a Casa de Cultura de São João do Meriti, no Rio, onde conversou com jovens carentes e até arriscou passos de samba.

Charles participa de várias organizações sociais, como a ActionAid - que mantém a Casa da Cultura - e a European Development for Business in the Commmunity, entidade fundada há 20 anos na Inglaterra, dedicada a desenvolver o compromisso social nas empresas. Anteontem, em São Paulo, a entidade participou do II Seminário Internacional do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

"Orientamos e identificamos as necessidades da comunidade e procuramos adequá-las às das companhias. Para isto, desenvolvemos campanhas relacionadas à educação, ao meio ambiente, à população de rua, ao investimento comunitário e à regeneração e capacitação profissional de jovens", disse David Halley, principal executivo da ONG. Halley alertou que a falta de responsabilidade social não afeta só a imagem das empresas, mas suas vendas. Entre as 800 empresas afiliadas à ONG estão IBM, Ernst & Young, British Telecom e KPMG.

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