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Universidades descobrem o negócio das especializações

GAZETA MERCANTIL - (28/02/2002)


Os cursos nacionais de MBA ou especialização voltados para executivos estão ganhando a confiança do público. Se antes o ideal era estudar fora especialmente atraídos pela oferta, agora o melhor é aproveitar as chances oferecidas pelas escolas que se especializam em atender um público cada vez mais necessitado de atualização. Um bom exemplo da nova realidade é a Universidade Metodista. Para o primeiro semestre projeta um crescimento da ordem de 40% na procura pelos dez cursos de especialização oferecidos a executivos. A previsão para a segunda metade do ano é de um aumento de 25%.

A Metodista tem hoje 12 mil alunos na graduação e cerca de 700 na especialização. Segundo Luciano Sathler Rosa, coordenador do Centro de Educação Continuada e à Distância (Cead) o volume de alunos na pós-graduação representa 8% do faturamento da Universidade e pode chegar a 15%. ´Não há mais como parar de se atualizar. O que se aprende hoje pode já estar superado em 4 ou 5 anos.´ Para Sathler a busca de novos conhecimentos está diretamente ligada à necessidade das pessoas se manterem no mercado de trabalho.

Na Universidade São Marcos a realidade não é muito diferente. São 9.000 alunos na graduação e 900 na especialização. Os dez cursos oferecidos na especialização representam de 5% a 6% do faturamento da Universidade. Segundo Marcio de Paula, diretor administrativo e financeiro da universidade a especialização é cara para o aluno e para a instituição. ´É um segmento que exige qualificação do professor e o número de alunos proporcionalmente é muito pequeno.´ Na São Marcos, a procura pelos cursos de aperfeiçoamento tem aumentado em média 15% ao ano.

O Ibmec foi o primeiro a lançar um MBA no Brasil voltado a executivos. A escola possui hoje em torno de 250 alunos e oferece dois cursos específicos na área. A procura dos candidatos aumentou 70% em relação ao ano passado. Segundo Irineu Gianesi, coordenador do MBA executivo do Ibmec, a melhoria na qualidade dos cursos oferecidos é um diferencial que está conquistando o público. ´Podemos oferecer um leque de possibilidades com o mesmo padrão internacional.´

Na Pontifícia Universidade Católica (PUC) o número de alunos na pós-graduação é de 5 mil distribuídos em 41 cursos. Para Olívia Abujamra Ferreira, supervisora do setor de Gestão e Capacitação da Cogeae (Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão) a demanda do mercado por profissionais especializados é cada vez maior o que leva as universidades a se empenharem em oferecer mais e melhores opções. ´Estamos sendo chamados a atender a um público cada vez mais diversificado e exigente.´ A USP, através da Fundação Instituto de Administração (FIA), também oferece vários cursos na área de MBA para executivos. São 600 alunos distribuídos em 11 cursos. Diferente da graduação e da pós-graduação no resto da universidade os cursos da FIA são pagos. O mais procurado deles e também o mais antigo - executivo internacional - custa em torno de R$ 46 mil e tem duração de um ano. Mas a média dos preços fica em torno de R$ 30 mil com opção internacional em alguns casos. Isak Kruglianskas, secretário geral do USP/MBA, diz que os cursos são auto-sustentados e que de 20% a 30% do seu faturamento vai para a universidade. Para ele, a grande procura pelos cursos no Brasil está diretamente relacionado com a qualidade oferecida pelas escolas. ´Nossos cursos não perdem nada em qualidade. Estudar no País também pode aumentar a rede de contatos´.

Em parceria com a USP o Instituto para o Desenvolvimento Social (IDIS) criou um curso especializado para o terceiro setor. Com duração de dois anos, o curso recebe turmas de 25 alunos por semestre e custa R$ 2 mil. ´O mercado está super aquecido e busca profissionais com diferencial´, afirma Katia Reis, do núcleo de capacitação do IDIS. (Gazeta Grande São Paulo/Página 1) (Patrícia Braga)

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