Cinco razões para as empresas doarem

1 de outubro de 2021

Cultura de doação em 2020 não pode ser passageira; veja cinco razões para empresas continuarem doando

Um ano e meio após a chegada da Covid-19 ao Brasil, sabemos que ela transformou para sempre nossa realidade e trouxe muito sofrimento, mas também provocou uma onda inédita de solidariedade.

O Monitor das Doações, desenvolvido pela ABCR (Associação Brasileira dos Captadores de Recursos), registra R$ 7,2 bilhões em doações para o combate à pandemia, sendo que 85% desse montante foi aportado por empresas.

Contudo, os recursos não vieram de forma uniforme ao longo do tempo. No final de 2020, o totalizador já indicava R$ 6,5 bilhões.

Ou seja, faltando um trimestre para terminar o ano, foram reportadas doações de apenas 10% do volume do ano passado, mesmo com as condições da pandemia no Brasil voltando a piorar de forma drástica, o auxílio emergencial do governo federal reduzido a um quarto do valor inicial e organizações reportando queda na arrecadação.

A cultura de doação praticada em 2020 não pode ser passageira. Por isso, trago cinco razões para que as empresas continuem doando como naquele ano, agora e nos próximos anos.

 

1. Visão positiva pelos consumidores 

O primeiro fato é que consumidores querem comprar de empresas engajadas. E olham positivamente para empresas que doam para organizações sociais.

Sete em cada dez brasileiros (71%) afirmam que estariam mais inclinados a comprar produtos ou serviços de empresas que doam a causas sociais ou que apoiam sua comunidade. As mulheres são mais propensas a levar isso em consideração na hora da compra (77%, contra 65% dos homens), segundo a Charities Aid Foundation e o Idis divulgaram no Brazil Giving Report de 2020.

 

2. Fortalece laços da empresa

Segundo ponto: as pessoas querem trabalhar em empresas engajadas. Em tempos de isolamento social e home office, é ainda mais importante fortalecer o vínculo entre empresa e seus colaboradores.

Mostrar preocupação com problemas sociais do país e envolver os profissionais em iniciativas de doação podem ser excelentes formas de atrair e reter talentos. O trabalho com propósito, principalmente diante do momento único que estamos vivendo, é uma demanda.

Uma pesquisa global focada em trabalhadores, do Institute for Business Value, mostrou que quase a metade dos entrevistados (48%) aceitaria um salário mais baixo para trabalhar em empresas ambiental e socialmente responsáveis.

 

3. A população quer ser mais solidária

Terceiro fator a ser levado em conta: a população quer ser mais solidária, mas não consegue colocar isso em prática.

Como doar, para quem, onde? Quase a totalidade dos brasileiros (96%) tem o desejo de ser mais solidária, mas pouco mais de um quarto (27%) concretiza essa vontade, especialmente porque não conhece formas e oportunidades.

Empresas têm a chance de ajudar a canalizar essa imensa solidariedade doando para organizações sociais e criando caminhos para que consumidores e colaboradores também possam doar.

Comuniquem as doações realizadas. É preciso dar o exemplo a outras empresas e para indivíduos.

 

4. ESG em foco!

Em quarto lugar, destaco que cada vez mais as empresas são avaliadas de acordo com parâmetros ESG (sigla para práticas ambientais, sociais e de governança). Doar reforça o “S”.

Inevitavelmente, o mercado brasileiro vai seguir a tendência de adotar critérios ESG para orientar os investidores. Fazer doações para projetos sociais e ambientais reafirma o posicionamento da empresa e também contribui para seu desempenho.

Pesquisas indicam que empresas com melhores práticas em ESG colhem mais lucro no longo prazo, além do aumento de seu valor de mercado.

 

5. Mais liberdade, mais negócios!

E fecho reforçando que o livre mercado depende da democracia e a democracia depende de uma sociedade civil forte.

Ao apoiar organizações da sociedade civil, defensoras da democracia, da livre expressão e dos direitos civis, empresas podem ter um ambiente saudável para negócios. Elas trabalham por uma sociedade mais forte e equilibrada, ou seja, uma estrutura melhor dentro da qual as empresas podem operar e prosperar.

Essas são apenas cinco de muitas razões pelas quais convocamos empresas a readequarem definitivamente o padrão de investimento social que costumam praticar e assumir compromisso com a solução dos crescentes problemas socioambientais que enfrentamos.

Subam a régua. Doem mais e melhor. Se não for pelo legítimo desejo de construir um Brasil mais justo e acolhedor para todos, que seja pela certeza de que todo real doado voltará para a empresa na forma de admiração, valorização e resultados.

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS 

Este artigo foi publicado originalmente pela Folha de S. Paulo.