Financiamento inovador, integração a políticas públicas e tecnologia vão pautar a filantropia brasileira em 2026, aponta o IDIS

25 de fevereiro de 2026

Relatório destaca baixa atuação preventiva frente à crise climática e necessidade de estratégias mais estruturantes no Investimento Social Privado

A crise climática, a queda da confiança nas instituições e a necessidade de modelos financeiros mais sofisticados podem redefinir as prioridades da filantropia brasileira. É o que aponta o relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026, lançado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. O levantamento analisa tendências globais e nacionais que impactam o Investimento Social Privado (ISP) e defende que o setor está diante de um ponto de inflexão: ampliar recursos não é suficiente, é necessário fortalecer a legitimidade, incorporar o clima como critério estratégico transversal e avançar em mecanismos inovadores de financiamento.

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O estudo está estruturado a partir de oito perspectivas estratégicas que orientam a análise do cenário da filantropia no Brasil em 2026: confiança e legitimidade
institucional, financiamento inovador, participação das comunidades, integração
com políticas públicas, inteligência artificial, legado, ecossistema da filantropia
familiar e, transversal a tudo isso, o clima como critério estruturante para
decisões estratégicas.

Para Paula Fabiani, CEO do IDIS, “a crise climática é um tema incontornável para a filantropia e demanda a integração à atuação em variadas causas. Nesse sentido, a filantropia brasileira precisa reafirmar seu propósito e fortalecer uma visão de longo prazo, em diálogo com movimentos globais e com as crescentes demandas socioambientais. Esse caminho passa pela revisão contínua de práticas e prioridades, com disposição para aprender, corrigir rotas e se adaptar”.

 

Confiança como ativo estratégico

Dados do Edelman Trust Barometer 2026 indicam o avanço da chamada “mentalidade insular”: 7 em cada 10 pessoas hesitam em confiar em quem pensa diferente. No Brasil, a Pesquisa Doação Brasil 2024 revela que apenas 30% percebem as ONGs como confiáveis. Nesse contexto, o relatório destaca que transparência é condição necessária, mas não suficiente. Reforçar a governança, a comunicação responsável e vínculos com a sociedade torna-se essencial para reconstruir a legitimidade.

 

Financiamento inovador e ambiente regulatório

Instrumentos como blended finance, fundos híbridos e matchfunding ganham
relevância, mas ainda enfrentam entraves regulatórios e baixa previsibilidade
jurídica. A implementação gradual da reforma tributária a partir de 2026 pode
abrir espaço para alinhar incentivos ao papel público da filantropia e ampliar a
escala de modelos inovadores.

Essa perspectiva já se materializa em iniciativas como a do Juntos pela Saúde, do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gerida pelo
IDIS, que adota modelo de matchfunding, combinando capital público e recursos
privados não reembolsáveis para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) nas
regiões Norte e Nordeste.

Acesse o relatório completo e confira o detalhamento de todas as 8 perspectivas:

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