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Zurich abre edital nacional para apoiar projetos sociais via leis de incentivo fiscal

Inscrições gratuitas vão de 21 de setembro a 19 de outubro e contemplam projetos ligados a educação, inclusão produtiva e resiliência comunitária

A Zurich Seguros abre, em 21 de setembro, as inscrições para o Edital de Seleção de Projetos via Incentivo Fiscal 2026, voltado a organizações da sociedade civil sem fins lucrativos de todo o Brasil. Com apoio técnico do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), o processo busca selecionar projetos sociais aprovados e aptos à captação por meio de leis federais de incentivo fiscal.

Nesta edição, serão aceitos projetos enquadrados na Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet; Lei de Incentivo ao Esporte; Fundo da Pessoa Idosa; e Fundo da Infância e Adolescência (FIA). As inscrições são gratuitas e permanecem abertas até 19 de outubro, às 23h59, horário de Brasília. Cada proposta deverá ser inscrita separadamente, e uma mesma organização poderá apresentar mais de um projeto.

O edital de 2026 foi estruturado com base nas diretrizes atuais de investimento social privado da Zurich, estruturada em três programas. Educação e Desenvolvimento Social reúne projetos que utilizem educação, esporte, cultura ou cidadania para apoiar o desenvolvimento integral. Formação e Inclusão Produtiva contempla propostas ligadas à capacitação, trabalho, empreendedorismo e geração de renda. Já Comunidades e Resiliência abarcam ações voltadas a territórios e organizações locais expostos a vulnerabilidades sociais, econômicas ou climáticas.

“Queremos que a seleção de projetos esteja diretamente conectada às prioridades do nosso investimento social privado. Buscamos propostas consistentes, com capacidade de execução e indicadores que permitam acompanhar os resultados, ao mesmo tempo em que direcionamos os recursos para temas e públicos que fazem parte da nossa estratégia de Responsabilidade Social Corporativa”, afirma Nathalia Abreu, superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich Seguros.

Recursos e critérios de seleção

O regulamento estabelece parâmetros de referência para análise das propostas, que variam de acordo com o mecanismo de incentivo fiscal utilizado. A eventual destinação de recursos estará sujeita ao processo de seleção, à disponibilidade orçamentária e às aprovações aplicáveis. O edital contempla projetos enquadrados na Lei Rouanet, Lei de Incentivo ao Esporte, Fundo da Pessoa Idosa e Fundo da Infância e Adolescência (FIA).

A análise será dividida em etapas eliminatória e classificatória. Na primeira, serão verificados pontos como aprovação e aptidão do projeto para captação, documentação, regularidade cadastral, fiscal e trabalhista, requisitos de integridade e atendimento direto a pessoas em situação de vulnerabilidade. Os projetos também deverão prever ao menos uma possibilidade de atividade de voluntariado corporativo para colaboradores da Zurich.

Na fase classificatória, entram na avaliação a qualidade técnica, a aderência ao programa social escolhido, a capacidade de mensurar resultados, a estrutura da organização e o potencial de participação dos colaboradores da seguradora. Os critérios variam conforme a frente do projeto e incluem aspectos como trajetória educacional, empregabilidade, geração de renda e fortalecimento de comunidades.

“Realizar a gestão deste edital da Zurich pelo segundo ano consecutivo é motivo de orgulho para nós. Contribuir para que os incentivos fiscais sejam direcionados a organizações comprometidas e alinhadas às causas prioritárias da empresa é um trabalho de grande responsabilidade, que exige cuidado e atenção em todas as etapas do processo”, afirma Henrique Baretto, gerente de projetos do IDIS.

Os projetos selecionados terão execução prevista para 2027, preferencialmente por até 12 meses. O resultado será divulgado em 2 de dezembro de 2026. Durante a execução, as organizações apoiadas deverão acompanhar indicadores e prestar informações sobre o desenvolvimento e os resultados dos projetos.

A Zurich realiza seleções abertas para destinação de recursos incentivados anualmente. Na edição de 2025, desenvolvida também com apoio do IDIS, a chamada recebeu 845 inscrições de organizações interessadas.

“Receber 845 inscrições no ciclo anterior mostrou a procura por uma chamada aberta e nacional. Em 2026, queremos manter a transparência do processo e aprofundar a análise da qualidade técnica, da capacidade de execução e dos resultados que cada projeto se propõe a alcançar. Nosso objetivo é selecionar propostas consistentes e conectadas às prioridades sociais da Zurich”, conclui a superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich Seguros.

As organizações interessadas podem consultar o regulamento completo e realizar a inscrição neste link. Em caso de dúvidas, o contato indicado no edital é editaldeincentivadoszurich@idis.org.br.

Além do financiamento: estudo global revela demandas das ONGs para ampliar sua resiliência

Dados do Brasil destacam a busca por recursos mais flexíveis e de longo prazo, o fortalecimento da mensuração de impacto e a demanda por apoio estratégico, desenvolvimento de lideranças e oportunidades de aprendizagem.

Em um cenário de aumento da demanda por serviços e pressão sobre a capacidade de atuação das organizações da sociedade civil, fortalecer sua resiliência se torna cada vez mais necessário. É o que revela o World Giving Report 2026: Panorama das ONGs, estudo da Charities Aid Foundation (CAF) que ouviu mais de 5 mil lideranças de organizações em 33 países. No Brasil, a pesquisa foi realizada em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e contou com 195 participantes.

No Brasil, 66% das organizações respondentes afirmam ter registrado aumento na demanda por seus serviços, enquanto 78% esperam que ela continue crescendo. Os resultados reforçam a importância de olhar para as condições que permitem às organizações não apenas responder às necessidades imediatas, mas também planejar, adaptar-se e manter sua capacidade de atuação no longo prazo.

 

 

Qualidade dos recursos também importa

O levantamento mostra que a resiliência financeira passa não apenas pela diversificação das fontes, mas também pela qualidade dos recursos disponíveis. No Brasil, empresas e população em geral aparecem entre as fontes de financiamento mais presentes, mencionadas por 70% e 68% das organizações respondentes, respectivamente. Em média, as organizações brasileiras participantes recebem recursos de 3,5 fontes diferentes.

A flexibilidade, no entanto, permanece como questão relevante: 72% dos recursos recebidos pelas organizações brasileiras respondentes são restritos a finalidades específicas. Globalmente, o relatório mostra que, à medida que aumenta a proporção de financiamento restrito, cresce também a dificuldade das organizações para alcançar seus objetivos. Além disso, 60% das respondentes brasileiras afirmam que, caso deixassem de receber novos recursos, conseguiriam manter suas atividades por menos de um ano utilizando apenas reservas, investimentos ou receitas próprias.

Nesse contexto, mecanismos de financiamento de longo prazo, como fundos patrimoniais filantrópicos (endowments), legados e testamentos solidários, apresentam potencial para contribuir para a resiliência das organizações. No Brasil, 13% das respondentes recebem recursos dessas fontes. No recorte global, as organizações que contam com esse tipo de financiamento são as que mais se sentem financeira e operacionalmente preparadas para o futuro: 50%, ante 37% entre o conjunto das organizações pesquisadas.

 

Mensurar impacto para fortalecer confiança

Outro destaque é a relação entre confiança, transparência e capacidade de demonstrar e comunicar impacto. O estudo identifica uma possível distância entre aquilo que as organizações percebem como seus principais desafios e o que os doadores consideram importante: globalmente, 19% das organizações mencionam mensuração e demonstração de impacto entre seus principais desafios e apenas 6% citam a necessidade de persuadir as pessoas de que são confiáveis. Entre os doadores, porém, 63% apontam transparência ou comunicação de impacto entre as formas pelas quais as organizações poderiam incentivá-los a doar.

No Brasil, o desafio da mensuração é particularmente evidente. Apenas 31% das organizações consideram que capturam seu impacto de maneira efetiva e 29% utilizam uma estrutura formal para fazê-lo. Ao mesmo tempo, 59% afirmam estar desenvolvendo uma estrutura, indicando um movimento importante de fortalecimento dessa capacidade. Apenas 17% das respondentes brasileiras afirmam ter recebido de financiadores apoio considerado útil para mensurar seu impacto.

Os achados dialogam com a Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo IDIS, que também aponta confiança e clareza sobre a atuação das organizações como elementos relevantes para fortalecer a relação com quem doa. Em conjunto, os estudos reforçam a importância de produzir evidências sobre os resultados alcançados e comunicá-las de maneira clara e transparente.

 

Desenvolvimento institucional está entre as demandas aos financiadores

O Panorama das ONGs mostra ainda que as organizações esperam dos financiadores apoio que vá além do repasse de recursos. No Brasil, 77% gostariam que financiadores facilitassem oportunidades de conexão e aprendizagem com organizações relevantes; 59% demandam aconselhamento ou apoio estratégico; e 54%, desenvolvimento e formação de lideranças.

Essa demanda ganha relevância quando observada a rotina das próprias lideranças: no Brasil, elas dedicam, em média, 68% de seu tempo às atividades operacionais e 32% ao trabalho estratégico de longo prazo. No cenário global, a pesquisa mostra que a maioria das lideranças gostaria de dedicar mais tempo a questões estratégicas, especialmente planejamento para o futuro e mobilização de recursos.

Segundo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento no IDIS:  “Os dados reforçam que a resiliência das organizações não depende apenas de quanto recurso conseguem mobilizar, mas também de como esse financiamento acontece e das capacidades que conseguem desenvolver. Recursos mais flexíveis e de longo prazo, aliados ao investimento em estratégia, governança, pessoas, redes e mensuração de impacto, dão às organizações melhores condições para planejar, aprender e responder às transformações e às demandas da sociedade.”

 

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O futuro é uma escolha, não um destino

Por Letícia Santos, analista de projetos do IDIS 

Construir o futuro é um ato de escolha e escolher exige nomear o que se quer mudar, ter coragem de assumir compromissos publicamente e disposição para enfrentar conversas difíceis. Foi em torno dessas questões que Nicholas Tedesco, presidente e CEO do National Center for Family Philanthropy, Rodrigo Pipponzi, membro do comitê de impacto social da RD Saúde e cofundador do Compromisso 1%, e Michael França, coordenador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, debateram na mesa de encerramento do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, promovido pelo IDIS, com mediação de Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Nicholas Tedesco, Presidente e CEO do National Center for Family Philanthropy (NCFP)

Para Nicholas, representante da filantropia familiar, a coragem começa por interrogar a motivação do legado filantrópico, a partir de sua vivência em contextos em que a cultura de doação já está consolidada, Nicholas afirma que as famílias doam, mas nem sempre se perguntam o porquê, com qual propósito, e o que querem que permaneça.  

Reimaginar a filantropia familiar passa por abrir esse espaço de questionamento acerca do que deve ser preservado e o que precisa mudar. Nicholas afirma que estamos em uma temporada de transformação, em que o propósito deve caminhar ao lado das necessidades atuais e antecipar necessidades futuras, construindo uma governança que sustente as escolhas ao longo do tempo e criando condições para que gerações diferentes se encontrem em torno de uma agenda comum.  

Nos Estados Unidos, Nicholas compartilhou que muitas famílias têm inclinado apoio à democracia e aos enfrentamentos em torno das crises climáticas, mas reforça que esse processo exige conversas sobre poder e privilégio que o campo ainda evita.  

No Brasil, o desafio é anterior, uma vez que o envolvimento das famílias ricas com a filantropia ainda é incipiente e pouco documentado, como aponta o relatório Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil, produzido pelo IDIS. De acordo com os dados do Censo GIFE, em 2024, as fundações e institutos familiares investiram R$ 395 milhões, o equivalente a cerca de 7% do total mapeado pelo censo. 

Olhando para o papel social das empresas, Rodrigo Pipponzi centrou sua fala na coragem de assumir compromissos públicos e de sustentá-los ao longo do tempo. A RD Saúde optou por não criar um instituto separado, de modo que a missão do negócio e o compromisso social são tratados como a mesma coisa, expressos, por exemplo, na destinação de um percentual do lucro líquido para investimento social, como signatária do Compromisso 1%, iniciativa colaborativa entre o IDIS e o Instituto MOL que busca fomentar a doação de empresas para organizações da sociedade civil.  

Outras formas que a empresa encontrou de tornar coerente a relação entre negócio e papel na sociedade passam pela vinculação do bônus dos executivos a metas ESG e pela participação da alta liderança no Comitê de Impacto Social. Por fim, Rodrigo ainda destacou que a filantropia corporativa cumpre um papel catalisador, de modo que o papel de mobilização é, hoje, uma das fortalezas da RD Saúde, por exemplo, com a iniciativa do Troco Solidário, que todo ano arrecada entre R$ 4 e 5 milhões, revertidos para organizações da sociedade civil.

Paula Fabiani, CEO do IDIS

Provocado por Paula Fabiani a discutir como a desigualdade afeta a sociedade brasileira e o papel da filantropia nesse cenário, Michael França, representando a academia, colocou na mesa questões que o campo raramente enfrenta com profundidade. Referenciando seu livro recém-lançado Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas, escrito com Daniel Duque e publicado pela Editora Jandaíra, Michael argumentou que em uma sociedade entre as mais desiguais do mundo, as externalidades produzidas pela desigualdade nem sempre são pautadas, dificultando a quebra de ciclos e comprimindo o futuro possível.  

Reinventar a filantropia, nesse sentido, passa também por reconhecer o que ela ainda não olha. Michael falou sobre a escolha que fez de não deixar esse conhecimento restrito aos círculos acadêmicos, levando dados e evidências para o debate público e para o diálogo com governos. Para a filantropia, destaca que a educação não resolve tudo, e que reformar a sociedade brasileira deverá passar para além dos muros da escola. 

A conversa que se seguiu com a plateia aprofundou pontos críticos do debate atual, revelando que as questões levantadas pelos três palestrantes ressoaram além do palco. A primeira pergunta, sobre o papel da filantropia frente ao negacionismo, trouxe respostas complementares de Michael França e Nicholas Tedesco. Michael apontou uma assimetria estrutural na filantropia como indutora da produção de conhecimento, em que o financiamento internacional deposita maior confiança no pesquisador e oferece apoio institucional de longo prazo, enquanto, no Brasil, o financiamento tende a ser mais restrito, orientado a confirmar hipóteses e responder perguntas fechadas. Nicholas acrescentou, a partir de sua vivência nos Estados Unidos, que as universidades são vistas como centros de referência para a disseminação de boas práticas filantrópicas e para a formação de lideranças, um papel que ainda está por ser consolidado no Brasil. 

A segunda pergunta abriu o debate sobre colaboração entre fundações, entidades e negócios menores. Nicholas afirmou que não existe receita mágica, mas que nos Estados Unidos há um movimento crescente de reconhecimento da necessidade de colaborar, ainda que persista um receio em relação a isso. Para ele, atacar a raiz dos problemas só é possível por meio de mudanças sistêmicas, e mudanças sistêmicas exigem colaboração. Pipponzi reforçou esse argumento com o olhar das empresas, destacando que é preciso que elas consigam renunciar a poder e de determinadas convicções para trabalhar junto com comunidades e com outros atores, criando estímulos para colaborar.

Rodrigo Pipponzi, Membro do Comitê de Impacto Social da RD Saúde

Nas considerações finais, cada um deixou uma síntese que atravessa o tema da mesa. Pipponzi reforçou que construir o futuro que queremos exige a coragem de fazer escolhas e de sustentá-las ao longo do tempo. Michael propôs pensar o legado como forma de reduzir distâncias sociais, mantendo integridade entre o papel filantrópico e o dos negócios. Nicholas encerrou com um convite à continuidade de espaços como o Fórum, para que conversas como essa permaneçam abertas.

 

Assista a gravação do painel:

Filantropia familiar: Raízes no propósito, olhar para o futuro 

Por Carina Santana, analista de projetos do IDIS 

Como famílias e instituições podem transformar seus valores em mudanças duradouras, atravessando gerações e, ao mesmo tempo, acolhendo novas realidades?  

Belisa Maggi, ligada à Fundação AMAGGI e presidente do Instituto Signativo

Essa foi uma das questões discutidas durante a 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, em uma mesa que reuniu Belisa Maggi (ligada à Fundação AMAGGI e presidente do Instituto Signativo), Cristiano Franco (fundador do ITEC – Instituto de Tecnologia e Computação), Thamile Accioly (Diretora Executiva da Fundação Maria Emília) e Daniella Leite (CEO da FBN Brasil), responsável pela moderação. 

As experiências compartilhadas por institutos e fundações familiares se encontram em um ponto comum: todas partem de um propósito. Em organizações mais consolidadas, esse propósito costuma estar associado a um legado construído ao longo do tempo. Já em iniciativas mais jovens, ele pode nascer de um processo de autoconhecimento, escuta e identificação do papel que cada pessoa ou família deseja exercer na sociedade. 

Belisa Maggi destacou a importância do autoconhecimento para compreender esse propósito. Para ela, ambientes mais horizontais, que favorecem o diálogo entre diferentes gerações, ampliam as possibilidades de inovação. Quando há abertura para escuta e troca, novas gerações podem encontrar espaço para contribuir e imprimir sua própria forma de atuação no mundo. “Novas gerações não tem como seguir ou fazer algo diferente se não tem o autoconhecimento. O autoconhecimento é essencial para imprimir nossa forma de ser no mundo”, disse durante a sessão. 

A manutenção dos valores e a presença de uma governança fortalecida ajudam a preservar a conexão com o propósito institucional. No entanto, manter um legado não significa permanecer imóvel. Pelo contrário: a capacidade de inovar dentro de uma missão clara é o que permite que organizações sigam relevantes diante de novos desafios sociais. Esse movimento pode acontecer por meio de parcerias, da escuta ativa dos territórios e do diálogo entre gerações. 

Thamile Accioly compartilhou a trajetória da Fundação Maria Emília, que atua fortalecendo iniciativas já existentes. Segundo ela, apoiar quem já atua nos territórios ajuda a organização a manter seu legado. “Deixamos de fazer uma atuação local para fazer uma ação nacional. O que não mudou nesse período foi a essência do fundador, o desejo de educação e saúde, e os valores. O restante é preciso acompanhar: os cenários, os desafios e as oportunidades mudam, e a gente vem evoluindo com isso”, afirmou. 

Thamile Accioly, Diretora Executiva da Fundação Maria Emília

A conexão com o território também foi apontada como elemento central para a continuidade do propósito e para a geração de impacto. É por meio dessa relação de proximidade que se constroem confiança e legitimidade para pilotar projetos e, em alguns casos, incidir sobre políticas públicas locais. O monitoramento de indicadores e a avaliação de resultados, por sua vez, permitem compreender com mais precisão as demandas do território e verificar se as ações apoiadas estão, de fato, contribuindo para enfrentar esses desafios. O ponto foi abordado por Cristiano Franco em sua fala: “Como terceiro setor, podemos nos permitir testar hipóteses e ter liberdade de execução, e levar isso para o poder público. Fazemos uma “curadoria” do que pode trazer impacto”, comentou. 

A conversa reforçou que a filantropia familiar se fortalece quando reconhece suas raízes, mas permanece aberta ao futuro. Preservar valores e honrar legados não significa repetir caminhos, mas sim construir novas formas de atuação. Unindo propósito, diálogo entre gerações e compromisso com resultados, institutos e fundações familiares podem ampliar sua contribuição para transformações sociais mais duradouras. 

 

Confira a gravação do painel:

Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum

Por Carla Irrazabal, analista de projetos do IDIS

A identidade latino-americana parece estar cada vez mais em evidência. E isso não se deve somente ao sucesso das músicas latinas no Spotify e no mundo. Existe algo que nos conecta e que nos define, e que não pode ser ignorado. Talvez a incerteza de um mundo em conflitos e a necessidade de afirmar identidades tenham contribuído para trazer essas características comuns para o centro da conversa. 

Painel “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum”

Temos muito em comum, tanto em características que podem se tornar tendências e pontos fortes a serem valorizados, quanto nas coisas que sentimos que precisamos mudar. Ao mesmo tempo em que somos uma das regiões mais desiguais do mundo, vemos a generosidade presente em muitas ações cotidianas que constituem os nossos povos. 

Nossa herança histórica, marcada pela colonização, pelos povos originários e pela influência da diáspora africana trazida à força para a região pela escravidão no período colonial, influencia muitas dessas características. Da Terra do Fogo a Monterrey, compartilhamos histórias, desafios, formas de solidariedade e uma diversidade que não pode ser deixada de lado quando falamos em América Latina. 

Trazendo essa perspectiva para a filantropia, a mesa “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum”, realizada no Fórum Brasileiro de Filantropia 2026, nos convidou a refletir sobre o que nos une, o que há de comum entre os países latino-americanos e quais características da nossa região podem contribuir para construir um campo filantrópico mais forte, autônomo e conectado. 

O moderador, Guillermo Correa, Diretor Executivo da Red Argentina para la Cooperación Internacional, abriu a conversa justamente provocando os participantes a pensar sobre como fortalecer a filantropia latino-americana sem simplesmente importar modelos externos. A pergunta atravessou toda a mesa: como ampliar a colaboração entre os países, fortalecer nossas próprias capacidades e, ao mesmo tempo, preservar a diversidade e a essência que caracterizam nossas formas de gerar impacto social e ambiental? 

Cassio França, Secretário-Geral do GIFE, trouxe a experiência brasileira como ponto de partida para pensar também características mais amplas da região. Falou sobre o peso da filantropia empresarial: entre os associados do GIFE, 60% são empresas e 20% são famílias.  

Essa lógica é invertida no campo filantrópico estadunidense, lá há uma predominância da filantropia familiar. Ele fez uma provocação sobre qual é o papel da filantropia familiar na América Latina. Na sua visão, ela pode trazer algo diferente para o campo e abrir espaço para temas e causas que talvez não estejam tão presentes na filantropia empresarial. A ideia não é escolher entre uma forma ou outra, mas reconhecer a contribuição de diferentes atores para a construção de um ecossistema mais diverso. 

Sua fala também trouxe um ponto importante sobre o ambiente necessário para esse campo se fortalecer: a necessidade de um marco legal mais favorável à doação. Em uma região marcada pela concentração de recursos e por profundas desigualdades, fortalecer a cultura de doação também passa por discutir os instrumentos e as políticas que incentivam ou dificultam que recursos privados sejam direcionados para o bem público. 

João Paulo Vergueiro (JP), Diretor do Hub da GivingTuesday para a América Latina e Caribe, trouxe para a conversa uma reflexão sobre os diferentes sentidos da filantropia. Não apenas seu significado literal de “amor à humanidade”, relacionado à generosidade, mas também a filantropia entendida como doação e como um campo da sociedade civil. A partir de sua experiência na GivingTuesday, JP destacou que a generosidade já está presente no cotidiano dos países latino-americanos. A solidariedade e a disposição para fazer o bem ao próximo não são algo que precisamos necessariamente criar. O desafio está em reconhecer, estruturar e fortalecer essas práticas para que elas possam contribuir de maneira mais consistente para o campo filantrópico. 

Mas, para isso, ainda conhecemos pouco sobre o próprio campo. Uma pergunta aparentemente simples “quantas organizações da sociedade civil existem no país?” já evidencia a ausência de dados e pesquisas em muitos lugares da região. Para JP, conhecer melhor o campo é fundamental para que seja possível tomar decisões mais estratégicas e fortalecer a sociedade civil. 

A falta de dados também se conecta a uma questão trazida por Carolina Suárez, CEO da Latimpacto: a necessidade de construir mais confiança no campo social latino-americano. Ela reforçou a importância das evidências, mas chamou atenção para o equilíbrio necessário. Muitas organizações não têm as mesmas condições de produzir relatórios, indicadores e prestações de contas nos formatos demandados por financiadores. Sem considerar essa realidade, o excesso de exigências pode afastar recursos justamente de quem está mais próximo dos territórios. 

Carolina Suárez, CEO da Latimpacto

Para Carolina, pensar um modelo próprio para a América Latina é fundamental. Os exemplos e soluções não estão necessariamente nos modelos importados dos Estados Unidos ou de outros contextos. Muitos deles já existem aqui, nas práticas locais, nas redes da sociedade civil, nas formas de solidariedade comunitária e na capacidade de articulação dos territórios. 

Carolina trouxe também a importância de construir uma identidade latina. Comentou que pessoas de países africanos quando chegam em conferências internacionais falam “sou africano” e não de seu país de origem, precisamos pegar esse exemplo e afirmar com orgulho que somos latino-americanos.  

Numa segunda rodada de perguntas, mais objetivas e mais direcionadas para a prática, Guillermo direcionou perguntas diretas de como fazer e de quais são esses exemplos.  

Cássio retomou o tema do marco legal e reforçou a importância de instrumentos capazes de incentivar a cultura de doação e fortalecer a mobilização de recursos internos. Uma das referências citadas foi a experiência da Índia, onde a legislação de responsabilidade social corporativa prevê que empresas enquadradas em determinados critérios financeiros destinem pelo menos 2% do lucro líquido médio dos três anos anteriores a ações de responsabilidade social corporativa. 

JP sintetizou parte da conversa em três palavras: narrativa, dados e estrutura. A narrativa para contar a história do que o terceiro setor já faz e vem fazendo na América Latina. Os dados para trazer os insumos necessários para o conhecimento do campo de forma estratégica. E a estrutura seria o fortalecimento das redes que existem no Brasil e México e está se iniciando na Colômbia, em grupos como o GIFE. 

Carolina encerrou reforçando aquilo que talvez seja uma das maiores fortalezas latino-americanas: o capital humano. A capacidade de construir vínculos, mobilizar pessoas, atuar em rede e produzir soluções enraizadas nos territórios é parte da potência da região. Para que essa potência ganhe escala, será preciso ampliar integração, confiança e orgulho de pertencimento. 

Essa conversa nos mostrou que a filantropia latino-americana não precisa “inventar a roda” ou buscar respostas em modelos prontos vindos do Norte Global. A nossa fortaleza está justamente no que já existe aqui e que é profundamente latino: a generosidade, a solidariedade, a diversidade cultural e a força e o protagonismo dos nossos territórios.

João Paulo Vergueiro (JP), Diretor do Hub da GivingTuesday para a América Latina e Caribe

A diversidade do continente, com suas diferentes histórias, culturas, formas de organização e maneiras de responder aos desafios locais, não deve ser uma barreira para a construção de uma agenda comum, ao contrário, é um ativo para produzir soluções mais conectadas às nossas realidades.  

Em um contexto de policrise, em que desafios sociais, políticos, econômicos e climáticos se sobrepõem, fortalecer nossos vínculos como hermanos latino-americanos se torna ainda mais importante. Já existem modelos e experiências construídos aqui. O caminho pode estar justamente em conhecermos mais o que nossos vizinhos estão fazendo, compartilharmos aprendizados e fortalecermos essa rede regional, que ainda tem muito espaço para crescer.  

 

Assista a gravação do painel: 

Para além do relatório anual: O valor da evidência para fortalecer negócios e sociedade

Por Joana Noffs, analista de projetos do IDIS 

No universo dos projetos e programas sociais, é comum o momento de busca por dados ficar restrito à hora de prestar contas, sendo as evidências mobilizadas de modo apressado para compor as páginas coloridas dos relatórios anuais. Nessa rotina, os números cumprem um papel relevante para a transparência, mas pouco fértil: demostrar que o investimento foi realizado e que as metas de alcance foram atingidas. 

Ao deixar a informação para a última hora, se perde a chance de usar os dados para aprender ao longo do processo e demonstrar o valor gerado para dentro da própria organização no investimento social corporativo. A ausência de indicadores estratégicos mantém o recurso socioambiental mais vulnerável, com risco de ser visto pelo negócio como um custo a ser cortado em tempos de retração. Ainda, quando o diagnóstico de um território entra no jogo antes mesmo de a caneta ir ao papel, cruzando indicadores com a escuta local, a lógica se inverte: soluções de prateleira dão lugar a intervenções mais permeáveis a escuta, capazes de mapear gargalos, mitigar riscos e identificar oportunidades concretas de inovação e desenvolvimento na própria cadeia de valor. O dado passa a ser a linguagem que traduz a realidade do campo para a mesa de decisão, garantindo a sustentabilidade e a permanência desse investimento no orçamento corporativo. 

Essa foi a provocação central da mesa “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade“, realizada no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026. Sob a moderação de Dihego Pansini, Diretor Executivo do Instituto Alcoa, o painel provocou o setor a se posicionar no terreno de transição proposto no tema do evento: “entre a essência e a reinvenção”.  

Painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”

Se a essência do investimento social está no compromisso de gerar transformação real na vida das pessoas, a sua reinvenção exige superar as práticas historicamente verticalizadas da filantropia, fazendo do diagnóstico e da avaliação canais permanentes para incorporar as vozes de quem vive nos territórios e atua ao longo de toda a cadeia de valor. 

“Negócio bom tem que ser bom para todo mundo”. O mote aprendido com pai na infância ilustrou a fala de Claudia Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge. Sua percepção é de que o tempo mudou e as coisas ficaram mais urgentes. A própria agenda ESG ganhou urgência. Já os recursos, ficaram mais escassos. Essa conjuntura exige que o investimento social corporativo trabalhe junto com a cadeia de valor e fortalecendo políticas públicas. Na Fundação Bunge, a revisão da estratégia levou o foco para a inclusão produtiva e para a economia de baixo carbono, e a virada de chave foi ter dados e indicadores que mostrassem o valor gerado para dentro além de para fora, como conta Claudia.

Claudia Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge

“A nossa principal virada, com os indicadores, além de direcionar o investimento e se estamos no caminho certo, foi começar a lidar de igual para igual com o investidor. (…) É superimportante eu medir o que eu estou fazendo do ponto de vista do projeto, mas é superimportante também que por meios dos indicadores da minha entrega para o negócio, o negócio consiga me ver como um investimento, e não como um custo”. 

Um exemplo claro dessa via de mão dupla: para cumprir a meta de que parte do biocombustível venha da agricultura familiar, a Bunge investiu na qualificação e organização das famílias do semiárido nordestino em cooperativas, ao invés de recorrer aos produtores do Sul do país, que já estavam estruturados de modo a atender a demanda. O resultado entregou o que o negócio precisava para participar de leilões, em consonância com a política pública do Selo Social do Biocombustível, e gerou transformação em sua região de atuação. 

O uso efetivo das evidências pode exigir ir além dos dados de alcance. Andressa Vasconcelos, Especialista em Monitoramento e Avaliação de Impacto na Fundação Sicredi, explicou que no Sicredi o investimento social precisa prestar contas aos 10 milhões de associados que deliberam sobre os R$ 400 milhões investidos anualmente:

“O cooperativismo é sempre essa união a partir do entendimento do que está faltando no território e como a gente pode se organizar, enquanto sociedade, para atingir esse objetivo comum. (…) Então é uma tremenda responsabilidade a gente ter iniciativas que efetivamente gerem transformação.” 

No Programa A União Faz a Vida, a instituição realizou em 2020 uma avaliação de Retorno Social do Investimento (SROI) com o IDIS, que indicou um retorno de R$ 4 para cada R$ 1 investido e revelou que aspectos secundários da Teoria da Mudança geravam impactos com maior peso do que o objetivo central. Com esses aprendizados, revisitaram a metodologia e partiram para uma avaliação causal focada no aspecto pedagógico, comprovando avanços diretos de estudantes participantes na iniciativa em variáveis associadas ao cooperativismo, como autonomia, pensamento crítico e colaboração. Sobretudo, a relevância dos processos avaliativos foram os aprendizados gerados, que foram incorporados e permitiram aprimorar a iniciativa e gerar o impacto intencionado. 

“Então, a avaliação de impacto, para a gente, vem como uma ferramenta também de prestação de contas para o nosso associado. Mas principalmente para a gente aprender. Aprender e evoluir.”  

Além disso, as evidências também auxiliam refinar o mapa que traçava os rumos da geração de valor para a sociedade, a Teoria de Mudança da Fundação, que aponta para a prosperidade como objetivo de longo prazo a ser atingido. Ao realizar uma pesquisa nacional para entender o que o brasileiro considera como “prosperidade”, o Sicredi percebeu que o conceito vai além do dinheiro, orientando a criação de soluções não financeiras para os territórios.

 

Plateia painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”

A leitura de evidências também é o que permite atuar em frentes urgentes com pragmatismo. Catarina relatou que a Fundação ArcelorMittal recorreu a dados e escuta qualificada para incorporar a economia circular em sua estratégia.

“Tivemos um trabalho anterior de evidências, fatos e dados para que pudéssemos incorporar uma nova frente de trabalho, a economia circular”, conta. “O que tornou essa agenda possível foi nós percebemos uma oportunidade única de conectar duas pontas em uma mesma cadeia de transformação. (…) Nós percebemos uma oportunidade de gerarmos um valor compartilhado para o negócio, assim como para a comunidade, a nossa sociedade. Mas para que a gente escolhesse essa frente de trabalho da economia circular como uma estratégia da Fundação ArcelorMittal, nós partimos dessa escuta, uma escuta qualificada.”

Um diagnóstico participativo com lideranças, poder público e comunidades mostrou que a gestão de resíduos era uma prioridade local. Cruzando isso com a realidade de 800 mil catadores no Brasil, muitos dos quais em situação de vulnerabilidade social, segundo estudo feito pela AgoSocial em parceria com a ArcelorMittal, e com as metas da empresa de melhorar o acesso à sucata e reduzir emissões, a fundação conectou a cadeia do aço ao fortalecimento desses trabalhadores. A estratégia busca levar cidadania, dignidade e visibilidade aos catadores, responsáveis por mais de 90% da reciclagem no país, mostrando que “quando a gente fala de economia circular, a gente precisa também falar de justiça social”, como reforça Catarina. 

A conversa desenhou três movimentos para o uso dos dados no investimento social feito pelo setor privado: orientar a escolha das agendas, gerar aprendizado contínuo sobre a transformação produzida e conectar pessoas e territórios à estratégia corporativa. Como ressaltou Dihego Pansini na síntese do painel, o Monitoramento e Avaliação cumpre um papel claro de transparência, mas o passo adiante está em usar esse aprendizado para alimentar o processo decisório das organizações. Esse avanço exige que os dados sirvam também para escutar e incorporar diferentes vozes e demandas na construção das próprias agendas.  

Dihego Pansini, Diretor Executivo do Instituto Alcoa

Quando a informação deixa de ser apenas um registro no relatório e entra na rotina da gestão, o acompanhamento vira um processo vivo, permitindo ajustar caminhos para aumentar o impacto, aproximando a empresa das comunidades e trazendo a inteligência necessária para fortalecer e dar longevidade ao próprio negócio. 

Confira a gravação do painel:

Em conversa com… Denise Aguiar

Por Yone Moreno, coordenadora de projetos do IDIS 

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 centralizou suas discussões no tema “Filantropia: entre a essência e a reinvenção”. Na seção “Em conversa com”, a convidada deste ano, Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco, compartilhou suas impressões pessoais sobre as muitas décadas de dedicação da instituição à educação no Brasil e, principalmente, sobre o que significa sustentar um legado ao longo do tempo sem perder a capacidade de se transformar. 

Paula Fabiani, CEO do IDIS

Para quem não conhece essa história, uma recapitulação rápida: a Fundação Bradesco foi criada há quase 70 anos por Amador Aguiar, também fundador do Banco Bradesco, a partir de uma crença profunda no poder transformador da educação. O fundador tomou uma decisão pouco usual para a época: destinou suas próprias ações para criar e garantir a sustentabilidade da Fundação. Ao longo dessas décadas, a instituição construiu uma rede de 40 escolas, presentes em todos os estados brasileiros, atendendo cerca de 42 mil estudantes da Educação Básica. Hoje, investe aproximadamente R$ 1,6 bilhão por ano em educação. 

Mas, na conversa com Denise, ficou claro que assumir esse legado familiar foi apenas uma parte da história. Em um determinado momento da sua vida, o trabalho da Fundação também se transformou em uma missão pessoal. 

Denise contou que sempre se interessou pela forma como as crianças pensam e que essa curiosidade a levou a uma jornada de aproximação com as escolas e com o cotidiano dos estudantes. Foi nesse contato que ela passou a compreender a escola não apenas como um espaço de ensino e aprendizagem, mas como uma arquitetura que comunica relações, produz pertencimento e fomenta confiança. Mais do que transmitir conhecimento, aquele espaço parecia dizer a cada aluno que ele pertencia aquele lugar e que era capaz de construir seu próprio caminho. 

E talvez esse seja um dos elementos mais interessantes da história contada por Denise: a educação, para a Fundação Bradesco, parece acontecer tanto no currículo quanto na experiência de estar na escola. Existe uma dimensão concreta do ensino, da formação e estrutura, mas também uma dimensão simbólica, relacionada a confiança e a possibilidade de cada estudante se enxergar como alguém capaz de ocupar diferentes lugares no mundo. 

Mas o que mais me chamou atenção foi o tom sério de toda a conversa. 

A filantropia do Banco, implementada por meio da Fundação Bradesco, nunca foi encarada como assistencialismo, e sim como a expressão de uma crença absoluta de que a educação é um vetor de transformação social. E, justamente por acreditar nisso, a instituição assume a responsabilidade de fazer esse trabalho de maneira consistente, estruturada e de longo prazo. 

Essa seriedade ficou evidente na forma como Denise falou sobre a Fundação. Havia quase uma espécie de convicção silenciosa de que o propósito da instituição não precisa ser reinventado porque continua fazendo sentido. Ele se fortalece a cada geração de estudantes formada, a cada trajetória transformada e a cada história que confirma a aposta original de Amador Aguiar.  

Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco

Nessa conversa, a essência roubou a cena da reinvenção.  

Em muitos momentos, Denise reforçou que os alunos que ingressam nas escolas da Fundação podem ser o que quiserem. Essa autoconfiança é trabalhada ao longo de toda a formação e parece ser um dos resultados mais importantes do projeto educacional. Não se trata apenas de preparar estudantes para uma profissão ou para uma próxima etapa acadêmica, mas de ampliar sua percepção sobre aquilo que podem ser e fazer. 

Os exemplos concretos de ex-alunos que seguiram trajetórias diversas e bem-sucedidas reforçam essa percepção. E é justamente aí que encontro uma resposta interessante para o tema que orientou todo o Fórum: talvez a essência não seja aquilo que permanece igual, mas aquilo que continua orientando as escolhas mesmo quando o contexto muda. 

E para mim, essa é justamente a força de um legado: não simplesmente permanecer, mas continuar fazendo sentido para quem vem depois.

Confira a gravação do painel:

Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes

Maria Clara Futuro, analista de projetos do IDIS

Como enfrentar desigualdades persistentes sem reduzir problemas complexos a respostas únicas? Essa foi a pergunta que orientou a sessão “Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes”, realizada durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.

Painel ‘Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes’

Com moderação de Ana Maria Cardoso, Coordenadora de Estudos e Pesquisas Aplicadas na Fundação Itaú, a conversa reuniu Rayanne França, Chefe do Escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Manaus; Raisa Martins, Gerente do Instituto Lojas Renner; e Nina da Hora, Fundadora do Instituto Da Hora. A partir de diferentes trajetórias, a discussão convergiu na mensagem central de que reinventar estratégias de equidade exige olhar para as causas estruturais das desigualdades, reconhecer as especificidades dos territórios e construir soluções com participação ativa das pessoas diretamente afetadas. 

Para iniciar a discussão, Rayanne França explicou que, para reinventar abordagens, é necessário considerar as múltiplas existências e desigualdades que se expressam a partir do território, bem como as condições de acesso e as privações presentes em cada localidade. Ao abordar a diversidade de infâncias na Amazônia, destacou um contexto em que a pobreza é multidimensional e diferentes barreiras de acesso se combinam. Não é possível, portanto, pensar em infâncias e adolescências de forma homogênea. Para compreender as privações que atravessam as infâncias amazônicas, é preciso realizar diagnósticos particulares em cada território, observando as especificidades dos diversos contextos. 

A ideia é que não há como pensar em mudanças sistêmicas, ou em transformações que alcancem as populações dessas diversas “Amazônias”, sem a participação direta e o fortalecimento institucional de organizações e atores locais. “A população amazônica também tem o direito de ocupar espaços […] nos quais podem falar por si mesmos e pensar conjuntamente”, afirmou Rayanne.

Em meio a uma conjuntura de constante inovação e surgimento de novas tecnologias, às vezes é preciso voltar ao básico: reinventar também significa exercitar a escuta e fortalecer quem já está no território. 

Raisa Martins, Gerente do Instituto Lojas Renner

Partindo para uma perspectiva de reinvenção das estratégias de equidade de gênero, Raisa Martins trouxe a experiência do Instituto Lojas Renner na reestruturação de sua atuação em inclusão socioprodutiva de mulheres. O papel do investidor social, apesar da relevância da escala e dos resultados numéricos, deve estar orientado principalmente ao impacto. Raisa apontou a necessidade de uma “virada de chave” na mentalidade do investidor: escala e indicadores são importantes, mas não podem substituir a pergunta sobre impacto real. Projetos voltados ao protagonismo feminino precisam considerar não apenas a entrada no mercado de trabalho ou o número de capacitações realizadas, mas também as condições que garantem a perenidade da autonomia conquistada — é preciso pensar se essas mulheres possuem redes de apoio e bases comunitárias que fortalecem e asseguram seu protagonismo. 

Assim, reinventar soluções para desigualdades demanda também um processo de revisão interna do próprio investidor. Em alguns casos, buscar impacto com maior profundidade pode significar rever o tamanho, o ritmo ou o desenho de um projeto. O desafio para investidores sociais é compreender dados como instrumentos de gestão e aprendizagem, e não como finalidade em si mesmos. 

Ao trazer a conversa para o campo da tecnologia, Nina da Hora pontuou que tecnologias emergentes precisam ser direcionadas à transformação social por meio de diálogos e debates qualificados, para que sejam colocadas a serviço da justiça social. A construção de pontes entre o campo da tecnologia e o campo social é um caminho para que a inovação possa ampliar o acesso a direitos, com intencionalidade e compromisso com a redução de desigualdades. É preciso refletirmos também sobre o papel de quem já ocupa espaços de acesso e decisão: criar essas pontes é uma responsabilidade compartilhada. Nesse processo, a sociedade civil não deve ser vista apenas como usuária de soluções tecnológicas, mas também como produtora de conhecimento, metodologias e tecnologias orientadas ao impacto socioambiental positivo.  

“O que você enquanto filantropia consegue investir e reinvestir para repensar esses caminhos [do desenvolvimento tecnológico]?”, provocou Nina. 

Nina da Hora, Fundadora do Instituto Da Hora

Mais do que financiar projetos pontuais, a filantropia e o Investimento Social Privado (ISP) podem fortalecer capacidades locais, redes de proteção, políticas públicas e cadeias produtivas conectadas à atuação dos próprios investidores. Essa perspectiva exige compreender que o valor gerado por uma iniciativa não se limita ao público diretamente beneficiado. Quando um projeto fortalece lideranças locais, qualifica dados, amplia a participação social ou implementa novas tecnologias, o investidor social atua menos como protagonista isolado e mais como catalisador de capacidades coletivas. 

Para enfrentar problemas complexos e multidimensionais, é preciso compreender por que determinadas desigualdades permanecem. Reinventar a equidade não significa buscar respostas rápidas ou universais, mas construir estratégias em rede, capazes de articular diferentes atores, saberes e responsabilidades. Isso vale para a atuação nos territórios amazônicos, para a promoção da autonomia econômica de mulheres e para a produção de tecnologias mais inclusivas. A inovação social também exige renovar o olhar sobre populações em situação de vulnerabilidade, evitando representações simplificadas ou estereotipadas. Para isso, é preciso escuta, participação e compromisso com mudanças estruturais. São esses elementos que ajudam a montar o quebra-cabeça entre inovação e justiça social, permitindo que a equidade deixe de ser apenas um horizonte desejado e passe a orientar práticas concretas de transformação. 

 

Confira a gravação do painel: 

Capital em reinvenção: financiar é redistribuir poder

Por Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos no IDIS 

Como financiar desafios que são cada vez mais complexos, territoriais e interdependentes? A resposta parece passar menos pela criação de instrumentos inteiramente novos e mais pela reinvenção das formas de articular recursos, redes, conhecimento e poder de decisão. Essa foi a discussão que atravessou a mesa “Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental”, que colocou em diálogo experiências em justiça econômica, preservação do patrimônio cultural e Investimento Social Privado (ISP) corporativo. 

Painel ‘Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental’

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, a tensão entre essência e reinvenção ganhou contornos concretos. A conversa reuniu Bruna Helena Barros, executiva de relações institucionais, governamentais e parcerias no Fundo Agbara; Padre Luciano da Silva Roberto, assessor do Setor Cultura e do Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e Mariana Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale. A moderação foi de Renato Nahas, presidente do Conselho da FEAC. 

A reflexão feita por Conceição Evaristo na abertura do Fórum, de que a filantropia precisa ser compreendida também como um mecanismo de redistribuição, ofereceu uma chave potente para a mesa. Redistribuir, nesse sentido, não é apenas deslocar dinheiro de um lugar para outro. É redistribuir acesso, confiança, tempo, conhecimento, redes e poder de decisão. 

Foi a partir dessa lente que Bruna Helena Barros apresentou a experiência do Fundo Agbara, criado para ampliar o acesso de mulheres negras a capital, formação e redes. Ao trazer a interseccionalidade para o centro da conversa, sua fala evidenciou que a desigualdade de acesso ao capital filantrópico não é um efeito colateral: ela expressa estruturas históricas que definem quem é considerado apto a receber recursos, quem precisa comprovar mais, quem tem menos flexibilidade e quem permanece distante das redes onde decisões são tomadas. 

Nesse caso, a reinvenção não está apenas em criar um fundo para uma população historicamente subfinanciada. Está em mudar a pergunta que orienta a alocação de recursos. Em vez de perguntar apenas “qual projeto merece apoio?”, o financiamento passa a perguntar “quais barreiras impedem que soluções já existentes acessem capital, formação e redes?”. A mudança parece sutil, mas desloca o centro da decisão: do financiador que escolhe a causa para uma arquitetura que reconhece desigualdades históricas e busca corrigir o acesso a recursos, oportunidades e vínculos.

Padre Luciano da Silva Roberto, assessor do Setor Cultura e do Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Na fala de Padre Luciano, a discussão se deslocou para a preservação do patrimônio histórico e cultural. A Igreja Católica detém parte expressiva do patrimônio histórico brasileiro, e o desafio colocado foi como garantir uma estratégia permanente de financiamento para uma agenda que, muitas vezes, só recebe atenção quando a deterioração já se tornou emergência. 

A criação de um fundo patrimonial filantrópico para o patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil aponta para uma mudança de lógica: sair do financiamento pontual, reativo e fragmentado para uma estratégia de legado. Fundos patrimoniais preservam o principal e usam seus rendimentos para sustentar causas e organizações no longo prazo. No caso do patrimônio cultural, isso significa reconhecer que acervos, bens materiais e imateriais não pertencem apenas a uma instituição, são parte de uma memória coletiva e, portanto, de interesse público. 

Mas a perenidade financeira, sozinha, não resolve a complexidade. Como foi destacado na mesa, a governança precisa ser capaz de dialogar com um patrimônio amplo, diverso e distribuído territorialmente. A gestão descentralizada pode ampliar não apenas o acesso ao fundo, mas também a outros recursos, saberes técnicos e articulações locais. Em outras palavras: o instrumento importa, mas a arquitetura de governança é o que define se ele será um mecanismo de preservação viva ou apenas mais uma estrutura financeira. 

Já Mariana Luz trouxe a perspectiva do Investimento Social Privado (ISP) corporativo, a partir da experiência da Vale e da Fundação Vale. A empresa vem combinando recursos próprios, incentivos fiscais, participação de fornecedores, fundos filantrópicos e parcerias com outros atores em torno de desafios sociais complexos, como o enfrentamento à pobreza e o fortalecimento de políticas territoriais. 

A resposta passa pela própria natureza dos problemas enfrentados. Pobreza, saúde, desigualdade territorial e vulnerabilidades socioambientais não cabem em soluções lineares. São desafios multidimensionais, que exigem diagnóstico próximo das famílias, articulação com políticas públicas, engajamento de fornecedores, parceria com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e conexão com redes nacionais e internacionais. Como apareceu na conversa, problemas complexos não se resolvem sozinhos. 

Essa constatação parece simples, mas ainda é profundamente transformadora para o campo filantrópico. Ela desloca o capital de uma posição de repasse para uma posição de articulação. O recurso financeiro continua essencial, mas deixa de ser o único ativo em jogo. Tempo institucional, conhecimento técnico, capilaridade territorial, capacidade de convocação, reputação, dados e redes passam a compor a arquitetura de financiamento. 

A mesa também trouxe um alerta importante: em um ambiente complexo, a governança precisa ser simples sem ser simplista. Simplificar não é reduzir o problema; é construir processos claros o suficiente para permitir colaboração, adaptação e tomada de decisão. Quando a governança se torna excessivamente burocrática, ela afasta justamente quem deveria estar mais perto: as comunidades, as organizações locais e as pessoas que vivem os desafios no cotidiano. 

A conclusão que fica é provocativa. Talvez a filantropia não precise, sempre, inventar novos mecanismos. Muitas vezes, precisa reinventar a forma como usa os mecanismos que já existem. Fundos temáticos, fundos patrimoniais, coinvestimento, leis de incentivo e parcerias público-privadas podem reproduzir assimetrias se mantiverem decisões concentradas, horizontes curtos e pouca escuta. Mas podem se tornar transformadores quando são contextualizados no território, aproximam as pessoas apoiadas das decisões e reconhecem que soluções já existem nas comunidades. 

Mariana Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale

A essência da filantropia permanece no compromisso com o bem público, na visão de longo prazo, na disposição de assumir riscos e na busca por transformação estrutural. A reinvenção está em fazer isso com menos centralidade, mais colaboração e maior capacidade de reconhecer a complexidade do mundo atual. 

A pergunta, portanto, não é apenas “qual arquitetura de financiamento devemos criar?”. A pergunta mais difícil é: que poder estamos dispostos a redistribuir para que o capital gere transformação real? 

Um capital que não escuta pode ser generoso, mas dificilmente será transformador. Um capital que se articula, reconhece saberes existentes, compartilha decisões e fortalece redes chega mais perto daquilo que a filantropia tem de mais essencial: contribuir para que recursos privados sirvam, de fato, à construção de futuros mais justos, plurais e sustentáveis.

 

Confira a gravação do painel:

A essência da filantropia se ancora nos territórios

Por Isadora Pagy, coordenadora de projetos no IDIS 

Na sessão “A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção”, realizada durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, o território foi apresentado não apenas como contexto da ação social, mas como bússola para orientar sua essência. Diante de inúmeras mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, a conversa mostrou que a reinvenção da filantropia não precisa partir de soluções externas ou modelos prontos. Ela pode, e deve, nascer da escuta, dos vínculos, dos saberes e das capacidades já existentes nas comunidades.

Painel ‘A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção’

Mediado por Emanuelle Marques de Moraes, Gerente de Cidadania e Sustentabilidade do Centro Cooperativo Sicoob, o painel reuniu Andrelissa Ruiz, Coordenadora da Prática Local e estratégia territorial da Fundação Tide Setubal; Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré; e Felipe Amaral, Diretor de Educação do Instituto Caldeira.

A conversa partiu da ideia central de que o território não é apenas um espaço geográfico. É lugar de vínculos, memórias, relações, saberes, desafios e soluções. Na abertura, Emanuelle destacou a importância de olhar para os territórios a partir do que eles possuem, e não apenas do que lhes falta. Essa mudança de perspectiva desloca a atuação social de uma lógica de intervenção externa para uma prática construída com as pessoas que vivem e transformam esses espaços todos os dias. 

Ao longo do debate, uma mensagem se repetiu em diferentes experiências: é preciso fazer menos para o território e mais com o território. Isso exige escuta, presença, confiança e reconhecimento dos ativos locais. Também exige compreender que nenhum território é vazio ou estático. Ao contrário, comunidades se adaptam, criam respostas e reinventam caminhos diante de desafios complexos.

Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré

A partir da experiência da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva trouxe a produção de conhecimento como parte do enfrentamento das desigualdades. Para ela, conhecer profundamente o território é condição para qualquer ação social consistente. Na Maré, a construção de evidências sobre violações de direitos, segurança pública, acesso à justiça e negligências do poder público contribui para embasar políticas públicas, fortalecer reivindicações e disputar narrativas sobre a favela. 

Sua fala também reforçou que projetos não podem ser um fim em si mesmos. A atuação territorial precisa estar vinculada a uma leitura crítica sobre as estruturas que produzem desigualdades e violências. No caso da Maré, isso inclui reconhecer a segurança pública como direito básico e como dimensão inseparável de qualquer agenda de desenvolvimento. A produção de conhecimento, nesse sentido, deve circular para fora do território, influenciando políticas e decisões, mas também permanecer na comunidade, fortalecendo autonomia e protagonismo local. 

Felipe Amaral, do Instituto Caldeira, levou ao debate a relação entre território, educação e inovação. A partir da experiência de um hub de inovação na região metropolitana de Porto Alegre, destacou a importância de construir pontes entre jovens de escolas públicas e o mundo da tecnologia. Em sua perspectiva, falar de futuro com as juventudes exige sensibilização, repertório e oportunidades concretas de inserção. 

A experiência apresentada por Felipe mostrou que inovação não deve ser tratada como fim, mas como meio para ampliar possibilidades. Para isso, universidades, empresas, organizações da sociedade civil e poder público precisam atuar de forma articulada. A conexão entre esses atores pode fortalecer ecossistemas locais e abrir caminhos para reduzir desigualdades, especialmente quando cada jovem é reconhecido em sua trajetória, potência e contexto. 

Já Andrelissa Ruiz apresentou a experiência da Fundação Tide Setubal no Jardim Lapena, em São Miguel Paulista, e o processo de construção de uma Teoria da Mudança (TdM) orientada pelo território. A iniciativa parte da compreensão de que não é uma única organização que resolverá, sozinha, problemas complexos. Por isso, o papel de uma fundação financiadora passa também por conectar e fortalecer organizações locais, apoiar redes, produzir metodologias e contribuir para o debate público sobre desigualdades urbanas. 

Em sua fala, Andrelissa ressaltou que territórios não são estáticos. Eles mudam, reagem e produzem novas demandas. Por isso, monitoramento, avaliação e indicadores precisam ser instrumentos de aprendizagem e adaptação, não mecanismos que reduzam a complexidade da vida local. A reinvenção, nesse caso, está em apoiar sem capturar, estruturar sem engessar e medir sem perder de vista as dimensões humanas, políticas e comunitárias envolvidas. 

Outro fio transversal da sessão foi a capacidade de ler o território para adaptar estratégias. Na Redes da Maré, isso passa pela sistematização de evidências sobre violações de direitos, segurança pública e acesso à justiça, fortalecendo a reivindicação de políticas públicas e a autonomia comunitária. Na Fundação Tide Setubal, aparece na construção da Teoria da Mudança orientada por escuta, monitoramento e aprendizagem contínua. No Instituto Caldeira, a adaptação nasce diante das transformações tecnológicas e da necessidade de aproximar jovens de escolas públicas de novas perspectivas de futuro.  

Felipe Amaral, Diretor de Educação do Instituto Caldeira

Para além de registrar experiências, o painel convidou o ecossistema da filantropia e do Investimento Social Privado (ISP) a refletir sobre sua forma de atuação. Reconhecer a força dos territórios implica rever posições, compartilhar poder e assumir que soluções duradouras nascem da combinação entre recursos, escuta qualificada, conhecimento local e ação coletiva. 

Entre essência e reinvenção, a sessão apontou um caminho: preservar o compromisso ético com a transformação social, mas reinventar as formas de construir essa transformação. Quando o território deixa de ser visto como destinatário e passa a ser reconhecido como sujeito, a filantropia se aproxima de sua essência mais potente: fortalecer pessoas, redes e comunidades para que sejam protagonistas dos futuros que desejam construir.

 

Assista a gravação do painel: 

Reinventar a filantropia também é repartir poder

Por Beatriz Santos, analista de projetos do IDIS 

Em um contexto de mudanças aceleradas, reinventar-se parece ter se tornado uma obrigação para qualquer organização que queira continuar relevante. Na filantropia, essa discussão costuma estar associada a novas tecnologias, mecanismos financeiros ou estratégias. Tudo isso importa. Mas o painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”, realizado no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, trouxe uma reflexão anterior: não existe reinvenção relevante sem clareza sobre o que precisa permanecer. 

Painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”

A discussão começou ainda na fala inaugural de Conceição Evaristo. Ao lembrar que a filantropia precisa buscar a justiça social, a escritora propôs compreendê-la não apenas como doação, mas como repartição. Se filantropia significa amor à humanidade, sua essência precisa estar no compromisso com as pessoas, com a justiça social e com a transformação de realidades, ou seja, a essência não deve mudar; o que precisa se transformar são os caminhos utilizados para colocá-la em prática. 

 

A essência orienta a reinvenção

No evento, essa relação atravessou as experiências apresentadas por Valcléia dos Santos, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS); Vitor Hugo Neia, da Fundação Grupo Volkswagen; e Somachi Chris-Asoluka, da Tony Elumelu Foundation. 

Valcléia dos Santos, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS)

Ao falar sobre a atuação na Amazônia, Valcléia destacou os desafios de trabalhar em territórios remotos, marcados por dificuldades logísticas, ausência de serviços públicos e desigualdades históricas. Nesses contextos, transformar recursos em ação exige escutar as comunidades e reconhecer que as necessidades não podem ser definidas apenas pelo olhar de quem financia ou executa um projeto, entendendo que são as comunidades que conhecem seus territórios, suas prioridades e as soluções possíveis. Por isso, a escuta não pode ser apenas uma etapa de consulta, mas também de orientação de decisões para que as iniciativas sejam adaptadas conforme as mudanças de contexto. 

A experiência da Fundação Grupo Volkswagen mostrou outro lado desse processo, quando perceberam que sua atuação estava desconectada dos territórios e que os resultados já não correspondiam às transformações que buscavam promover. Dessa forma, foi necessário rever a estratégia, aproximar-se das realidades locais e fortalecer as capacidades das organizações e comunidades. Essa mudança, no entanto, também significou recuperar algo presente na própria história da Fundação: a atenção às trajetórias dos trabalhadores e à mobilidade social, ou seja, reinventar-se, nesse caso, não foi abandonar a essência, mas encontrar uma forma mais coerente de expressá-la no presente. 

Já a Tony Elumelu Foundation parte do entendimento de que o desenvolvimento da África deve ser liderado por empreendedores locais. Para isso, oferece capacitação, acesso a capital e redes de apoio, buscando adaptar suas estratégias às diferentes realidades econômicas, sociais e culturais. A tecnologia aparece como uma ferramenta importante e, principalmente, inclusiva, representando a reinvenção a partir do fortalecimento do propósito da organização e sem criar barreiras. 

 

Da participação à repartição 

As três experiências mostram que a essência da filantropia não está na preservação de projetos, modelos ou formas de atuação. Esses elementos podem (e devem!) mudar. Neste caso, o que permanece é o compromisso ético com as pessoas, a justiça social e a transformação de longo prazo. A reinvenção é justamente o que permite que esses entendimentos continuem fazendo sentido diante de novos contextos. Por isso, repartir não pode significar apenas transferir recursos, mas também a necessidade de compartilhar a capacidade de identificar problemas, definir prioridades e construir soluções. Em outras palavras, repartir poder. 

Painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”

Essa discussão está no centro de abordagens como a filantropia baseada em confiança, o financiamento flexível e o desenvolvimento liderado localmente. Uma análise da Dalberg sobre tendências da filantropia em 2026 aponta que 83% das grandes fundações norte-americanas pesquisadas relatam alguma participação de públicos interessados. No entanto, apenas 10% afirmam ter transferido efetivamente poder de decisão para organizações apoiadas ou comunidades, ou seja, a diferença mostra que criar espaços de participação não significa, necessariamente, compartilhar decisões. 

O próprio IDIS, ao abordar a filantropia baseada em confiança, destaca práticas como a escuta ativa, a flexibilização dos recursos, a simplificação de processos e a construção de relações mais próximas entre financiadores e organizações apoiadas, reafirmando que o conhecimento necessário para transformar uma realidade não está concentrado apenas em quem possui os recursos.  

Assim, essência, reinvenção e relevância, portanto, estão diretamente relacionadas. A essência indica por que a filantropia existe. A reinvenção define como ela responde às mudanças do presente e a relevância depende da capacidade de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Uma organização pode preservar suas formas de trabalhar e, ainda assim, se afastar de sua essência. Da mesma forma, pode incorporar tecnologias e modelos inovadores sem produzir transformações relevantes. 

Por outro lado, reinventar não é mudar por mudar. É reconhecer quando uma estratégia deixou de responder ao contexto e construir outros caminhos sem perder o propósito, até porque se a filantropia pretende continuar relevante, sua principal pergunta não deve ser apenas “o que devemos financiar?”, mas também “quem participa da decisão sobre o que precisa ser feito?”. 

Por fim, repartir recursos é importante. Mas repartir a capacidade de escolher os caminhos aproxima a filantropia de sua essência: promover justiça social e contribuir para que as pessoas sejam protagonistas das transformações que afetam suas próprias vidas. 

 

Confira a gravação do painel: 

Estudo revela como projeto de formação musical na Maré gera impacto social 4x maior do que o investimento

Avaliação de Retorno Social do Investimento (SROI), conduzida pelo IDIS, mostra que a cada R$ 1 investido na Orquestra Maré do Amanhã gera R$ 4,03 em benefício social.

Um estudo inédito conduzido pelo IDIS revela que a Orquestra Maré do Amanhã (OMA) gera um impacto social que vai muito além da formação musical. Pela metodologia internacional SROI (Social Return on Investment), o relatório aponta que, a cada R$ 1 investido na instituição foram gerados R$ 4,03 em valor social, o equivalente a um retorno líquido de quase R$ 29 milhões para a sociedade. Para mensurar, de forma monetizada, as mudanças provocadas na vida dos beneficiários, o levantamento combinou entrevistas em profundidade, grupos focais e questionários quantitativos aplicados a diferentes públicos atendidos pela entidade no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, desde crianças da musicalização infantil até jovens da Camerata Principal. Ao longo de seus 16 anos de atuação, a Orquestra Maré do Amanhã já beneficiou diretamente mais de 17 mil crianças e jovens.

Orquestra Maré do Amanhã em apresentação durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

“O expressivo resultado da avaliação SROI, em que o retorno social é quatro vezes o valor investido na iniciativa, é reflexo de um trabalho que alia rigor metodológico e paixão. Transformação social efetiva só é possível com a realização de um trabalho de desenvolvimento integral, com uma atuação de longo prazo na multidimensionalidade da vulnerabilidade”, comenta Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS. 

Fundada em agosto de 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, a Orquestra Maré do Amanhã nasceu em homenagem ao maestro Armando Prazeres, reconhecido internacionalmente pelo trabalho de difusão da música clássica. Sequestrado e assassinado em 1999, Armando teve o carro encontrado justamente na Maré, território escolhido pelo filho para transformar uma tragédia em legado. O que começou com 30 alunos em uma escola pública tornou-se uma instituição reconhecida nacional e internacionalmente, com sede própria, atuação em 24 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs), seis escolas municipais e o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

“Desde o início, a Orquestra Maré do Amanhã foi construída com muito compromisso, seriedade e transparência. Sempre acreditamos que a música era capaz de transformar vidas e acompanhamos essa mudança ao longo dos anos. O estudo do IDIS nos dá algo muito valioso: evidências. Ele organiza esse impacto em indicadores, mostra onde somos mais fortes, aponta oportunidades de evolução e nos ajuda a planejar os próximos passos. É uma ferramenta de gestão que fortalece a instituição internamente e também oferece ainda mais segurança aos parceiros que acreditam e investem na OMA”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.

Um dos pontos centrais do estudo é a descoberta de que o impacto social cresce à medida que aumenta o tempo de permanência do aluno na Orquestra. Embora a musicalização infantil responda pela maior parcela do retorno social total, em razão da escala do atendimento — hoje são cerca de 3.700 alunos nas pré-escolas da rede municipal —, é entre os jovens que permanecem por mais tempo no projeto que o valor social gerado por participante alcança os maiores patamares, superando R$ 200 mil ao longo da trajetória. O dado reforça que a transformação promovida pela instituição se aprofunda conforme crianças e adolescentes constroem um vínculo duradouro com a Orquestra.

Os irmãos Daniel e Thalia Carvalho, de 26 e 29 anos, ilustram esse percurso. Integrantes da OMA desde 2012, o violoncelista e a contrabaixista conquistaram muito mais do que domínio técnico de seus instrumentos. Filhos e netos de empregadas domésticas, tornaram-se a primeira geração da família a ingressar no ensino superior. Hoje, além de integrarem a Camerata Principal e terem atuado como monitores na formação de novos músicos da comunidade, estão concluindo os cursos de Farmácia e Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo também demonstra que os efeitos da Orquestra Maré do Amanhã extrapolam o aprendizado musical. Entre os principais resultados identificados estão o fortalecimento de competências socioemocionais, como resiliência, autoconfiança, autogestão e habilidades de relacionamento, além do desenvolvimento de capacidades cognitivas e motoras, incluindo percepção auditiva, coordenação motora fina e ampla, além de concentração. Tais aspectos foram apontados por educadores da rede municipal como especialmente relevantes para crianças de 4 a 6 anos.

A pesquisa qualitativa, conduzida pelo IDIS, também identificou uma mudança significativa na forma como a própria comunidade enxerga a Orquestra Maré do Amanhã. O que antes era visto principalmente como uma atividade de contraturno para manter crianças em um ambiente seguro passou a ser reconhecido pelas famílias como um investimento em educação, desenvolvimento humano e construção de futuro. Essa mudança ajuda, inclusive, a reduzir a pressão para que adolescentes abandonem os estudos em busca de renda imediata. Entre as recomendações do estudo estão a ampliação de recitais e concertos abertos ao território, o fortalecimento do relacionamento com pais e responsáveis, e o aperfeiçoamento contínuo dos sistemas de monitoramento da instituição.

Como desdobramento das evidências produzidas pelo estudo, a Orquestra, com apoio da mantenedora Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec), criou um núcleo de formação profissionalizante voltado a músicos acima de 25 anos com vocação, técnica avançada e interesse em seguir carreira na música clássica. Dos 12 integrantes da primeira turma do Grupo Formativo Galp, iniciada em 2025, dois já conquistaram vagas na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem e uma foi aprovada para o curso de Música da UFRJ. “O retorno de um investimento social não se mede apenas em indicadores, embora eles sejam importantes. Mede-se também quantas vidas são transformadas por meio da música. Quando jovens de uma comunidade vulnerável brasileira ampliam suas perspectivas de futuro, ingressam na universidade, constroem uma carreira na música e levam o nome da Maré para palcos no Brasil e no exterior, temos a certeza de que iniciativas sólidas e bem estruturadas são capazes de gerar valor para toda a sociedade”, destaca Paula Pereira da Silva, country manager Brasil da Petrogal Brasil.

 

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026: Entre a essência e a reinvenção

Aconteceu no dia 27 de agosto, em São Paulo, a 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS, o encontro reúne lideranças e especialistas para fortalecer a filantropia no país, promover conexões e estimular a construção de soluções para os desafios sociais.

Com o tema Entre a Essência e a Reinvenção, as sessões do Fórum abordaram questões como a força dos territórios, novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental, equidade e desigualdades persistentes, impacto e geração de valor compartilhado, além de diferentes perspectivas sobre a filantropia latino-americana e familiar. Ao longo do dia, estiveram presentes 314 convidados e a transmissão ao vivo alcançou quase 5 mil visualizações.

Foram 13 sessões em 10 horas de programação, com a participação de 56 palestrantes. Entre os nomes que estiveram presentes estão Conceição Evaristo (Casa Escrevivência Conceição Evaristo), Belisa Maggi (Fundação AMAGGI e Instituto Signativo), Claudia Calais (Fundação Bunge),  Eliana Sousa Silva (Redes da Maré) Michael França (Insper), Nick Tedesco (National Center for Family Philanthropy) Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Elumelu), Valcléia dos Santos (Fundação Amazônia Sustentável), Vitor Hugo Neia (Fundação Grupo Volkswagen) .

A programação teve início com uma apresentação da Orquestra Maré do Amanhã, que abriu o encontro trazendo ao palco a força e a potência dos territórios. Na sequência, Conceição Evaristo, escritora e fundadora da Casa Escrevivência Conceição Evaristo, conduziu a primeira reflexão do Fórum, na sessão “O que precisa permanecer quando tudo muda?”. Em uma fala marcada pela sensibilidade e pela profundidade, a escritora provocou o público a pensar sobre aquilo que deve ser preservado diante das transformações e sobre os valores que sustentam a construção de futuros mais justos e inclusivos.

A primeira plenária, “Reinvenção agora. Relevância sempre!”, trouxe uma reflexão sobre os caminhos para a filantropia se adaptar às transformações do mundo sem perder de vista seu propósito. A conversa destacou a importância de repensar práticas, estratégias e formas de atuação para que organizações e iniciativas filantrópicas mantenham sua relevância e ampliem sua capacidade de gerar impacto social.

Em seguida, a plenária “A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção” trouxe para o centro do debate a importância de reconhecer as particularidades, os saberes e as potências presentes em cada território. A conversa reforçou como a escuta e o protagonismo local podem orientar novas formas de atuação e fortalecer iniciativas capazes de promover transformações mais conectadas às realidades e necessidades das comunidades.

A sessão “Compromisso 1%: a jornada da adesão” destacou a trajetória de empresas que assumiram o compromisso de destinar pelo menos 1% do lucro líquido a iniciativas socioambientais. A conversa evidenciou como a adesão ao movimento, que conta com 30 signatárias, pode fortalecer o investimento social privado, aproximando a atuação empresarial de estratégias de impacto positivo e contribuindo para a construção de um setor privado cada vez mais engajado com os desafios da sociedade.

Em sessões paralelas, os participantes puderam aprofundar diferentes perspectivas sobre os desafios e as possibilidades de reinvenção no campo da filantropia. “Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental” discutiu novos caminhos para mobilizar e direcionar recursos, enquanto “Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes” trouxe reflexões sobre estratégias para enfrentar desigualdades históricas e construir respostas mais efetivas e inclusivas.

Encerrando a programação da manhã, o almoço temático proporcionou momentos de troca e aprofundamento. Em cada mesa, um anfitrião conduziu a conversa a partir de um dos 20 temas propostos, ampliando as reflexões sobre diferentes questões da filantropia e do investimento social.

A programação seguiu com uma Sessão Dinâmica, que trouxe novas perspectivas sobre o panorama da IA no terceiro setor e perspectivas de financiamento, uma das demandas de reinvenção da filantropia. O momento contou com reflexões de Célia Cruz, Visiting Fellow do Skoll Centre, e Pedro Barros, sócio-fundador da Sul – Inteligência para Impacto, que integram a Coalizão IA para Impacto.

Na tradicional entrevista “Em conversa com…” Paula Fabiani, CEO do IDIS, conversou com Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco, que compartilhou sua história de vida e visão  sobre os caminhos da filantropia, os desafios do presente e a importância de fortalecer uma atuação comprometida com transformações sociais duradouras.

No painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”, os participantes discutiram como o uso estratégico de dados pode contribuir para compreender resultados, orientar decisões e potencializar o impacto das iniciativas. A conversa destacou a importância de transformar informações em conhecimento para gerar valor tanto para os negócios quanto para a sociedade.

Em sessões paralelas, foi possível aprofundar o debate sobre o papel de diferentes atores da filantropia. “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum” promoveu uma reflexão sobre os desafios e oportunidades para fortalecer a atuação filantrópica na região, enquanto “Filantropia familiar: raízes locais, transformações duradouras” abordou o papel das famílias na construção de iniciativas conectadas aos territórios e capazes de gerar impactos de longo prazo.

A programação contou ainda com a participação dos vencedores de 2025 do Prêmio Empreendedor Social, que apresentaram suas iniciativas, trajetórias e propósitos de atuação.

Por fim, a plenária de encerramento, “O futuro é uma escolha, não um destino”, trouxe uma reflexão sobre o papel de nossas escolhas na construção do futuro que queremos. A conversa reforçou que os caminhos para uma sociedade mais justa e sustentável não estão definidos, mas são construídos a partir das decisões, compromissos e ações que tomamos hoje.

Conheça a programação completa.

“Reinventar não significa romper com tudo aquilo que veio antes. Às vezes, reinventar é justamente encontrar novas formas de honrar aquilo que sempre nos moveu: o compromisso com o bem comum, a redução das desigualdades, o fortalecimento da sociedade civil e a construção de um mundo mais justo e sustentável”, Paula Fabiani em seu discurso de encerramento.

Confira a gravação do evento na íntegra:

realização e apoio

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RD Saúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Review Brasil.

Impact Minds 2026: Nos conectando

Por Débora Isis Gama, gerente de prospecção e parcerias do IDIS

Como transformar conexões em uma agenda estratégica de impacto?

A participação do IDIS na Impact Minds 2026, conferência da Latimpacto realizada de 9 a 11 de setembro, em Manaus, trouxe perspectivas para responder a essa pergunta. Sob o tema “Connecting Us” (Nos conectando, em tradução literal), o encontro reuniu investidores sociais, filantropos e organizações para discutir como alinhar intenções, capital e ação.

Equipe IDIS na Impact Minds 2026

A programação, teve início no dia 9 de setembro, com uma agenda com diversas visitas de campo, com objetivo de aproximar os participantes da cultura local e de iniciativas conduzidas pelas comunidades. Diante da diversidade de atividades, nossa equipe se dividiu para vivenciar três experiências.

Eu escolhi conhecer o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, uma iniciativa liderada por especialistas dos povos Tukano, Desana e Tuyuka, originários do Alto Rio Negro. A visita nos aproximou de saberes ancestrais e de uma visão que conecta saúde, território, espiritualidade e vida comunitária. Os participantes conheceram o trabalho realizado pelo centro e tiveram a oportunidade de passar por uma consulta e fazer uso de rapé com os especialistas. Também puderam adquirir produtos da medicina tradicional e peças de artesanato produzidos pelos próprios indígenas.

Marcos Alexandre Manoel, diretor de Projetos do IDIS, participou da visita ao Viva Paricatuba, experiência de turismo de base comunitária que articula patrimônio histórico, cultura e natureza. Ao valorizar os conhecimentos e a atuação dos moradores, a iniciativa conecta a preservação da memória ao desenvolvimento local.

Já Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios, acompanhou a visita sobre financiamento indígena, organizada pela TNC Brasil com o Fundo Podáali e o Ateliê Derequine. Realizada no ateliê — iniciativa de mulheres do povo Witoto no Parque das Tribos —, a atividade apresentou mecanismos de financiamento liderados pelos próprios povos indígenas. Governança local, confiança e fortalecimento institucional apareceram como caminhos para ampliar a autonomia e apoiar soluções concebidas nos territórios.

Nos dias 10 e 11 de setembro, o evento seguiu com painéis e oficinas que reforçaram uma mensagem: recursos financeiros são fundamentais, mas não bastam. Paula Fabiani e Guilherme Sylos trouxeram contribuições do IDIS para essa reflexão, em diálogo com outros integrantes do ecossistema latino-americano.

 

Confiança, capacidades e colaboração

Ao moderar o painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, Paula Fabiani, CEO do IDIS, destacou três elementos: confiança, capacidades e colaboração. Os “três Cs” evidenciam que reunir organizações em torno de uma causa não garante, por si só, resultados coletivos. É preciso reconhecer as capacidades que faltam e criar condições para uma atuação complementar.

Painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, com a participação de Paula Fabiani

O debate também destacou a importância de compartilhar evidências para orientar decisões conjuntas. Outro ponto central foi reconhecer as comunidades, inclusive aquelas que permanecem fora do alcance das redes de apoio, como coprodutoras das soluções. Transformações sistêmicas exigem a humildade de admitir que ninguém as realizará sozinho e a paciência de sustentar processos cujos resultados não são imediatos.

No painel “Construindo alianças de impacto”, Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, abordou os desafios de colocar a colaboração em prática. Conhecer os parceiros e compreender suas expectativas é fundamental, assim como a disposição para ir além das agendas individuais. Como exemplos de iniciativas construídas segundo essa lógica, destacou o Juntos pela Saúde, programa do BNDES gerido pelo IDIS, e o Juntos Contra a Pobreza, iniciativa da Vale também gerida pelo IDIS.

Painel “Construindo alianças de impacto”, com participação de Guilherme Sylos

Essas experiências evidenciam que alianças não se sustentam apenas na soma de recursos ou na formalização de compromissos. A confiança precisa ser construída entre as organizações e com os territórios. Quando interesses particulares e disputas por protagonismo se sobrepõem ao propósito comum, o potencial de transformação se reduz. Colaborar implica colocar o resultado coletivo à frente do reconhecimento individual.

Paula também facilitou o workshop “Círculo de filantropia: fortalecendo as doações na América Latina”. Essa agenda se propunha conectar a mobilização de recursos à construção de vínculos, à confiança nas organizações e à aprendizagem entre pares, em favor de uma filantropia mais estratégica e colaborativa.

A equipe do Transformando Territórios (TT) também esteve no Latimpacto junto à comitiva da CIAF (Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje de la Filantropía Comunitaria), uma rede de colaboração IberoAmericana composta de sete países. Foi importante perceber o quanto as discussões desse dias dialogam com o caminho que está sendo construído na filantropia comunitário territorial.

Equipe do Transformando Territórios e CIAF

Confiança, colaboração, fortalecimento de capacidades e, principalmente, a necessidade de fazer com que os recursos cheguem aos territórios respeitando suas realidades apareceram em diferentes conversas. Isso reforça a importância de organizações locais capazes de conectar atores, recursos e conhecimento, reconhecendo as comunidades como parte ativa das decisões e nos leva a percepção de que temos experiências concretas para compartilhar e contribuir com esse debate na região.

Em outra ocasião também foi realizado um jantar pelo IDIS e pelo UNICEF Brasil, reunindo pessoas e organizações que, de diferentes formas, contribuem para o enfrentamento das desigualdades do nosso país.

Jantar realizado pelo IDIS e pelo UNICEF

 

Aprender com os territórios

As reflexões encontraram continuidade em outros painéis. Em “Finanças inovadoras para um mundo em transformação”, destacou-se a necessidade de aproximar o capital disponível das necessidades locais. Já “Construindo futuros” reforçou uma distinção: garantir a participação dos territórios não equivale a incluí-los nas decisões. Cocriar soluções exige reconhecer a capacidade das comunidades de definir prioridades e construir autonomia.

No painel “Desenvolvimento local: conectando atores para multiplicar o impacto do capital”, o convite foi olhar para as vocações dos territórios, não apenas para suas carências. Pensar o desenvolvimento significa considerar o que já existe e qual futuro a própria comunidade deseja construir.

Da Impact Minds 2026, fico com a reflexão que ampliar o impacto da filantropia exige fortalecer as relações que o tornam possível. Para o IDIS, isso significa seguir aproximando atores, compartilhando conhecimentos e construindo alianças, sem perder de vista quem deve estar no centro das decisões. Mais do que levar respostas aos territórios, precisamos aprender com eles e criar condições para que suas soluções prosperem no longo prazo.

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Minas Gerais

No mês de julho, o Fundo Jequi recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS que possibilitou o intercâmbio, uma experiência profundamente enriquecedora, marcada pela troca de conhecimentos e diferentes formas de construir transformação social a partir dos territórios. Ao longo dos dias de visitas, os desafios e os sonhos compartilhados aproximam as organizações, que apostam na potência e protagonismo das comunidades.

Entre os participantes, estiveram o Instituto Cacimba, representado por Willians, Diretor Presidente; o ICP – Instituto Comunitário Paraty, representada por Andreia Carvalho, Diretora Executiva, e Ana Carolina, Conselheira do Instituto; e Fundo Comunitário da Maré, representada por Kelly Marques, gestora de Captação de Recursos e Relacionamento Institucional, e Maurício Dutra, coordenador do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais.

Para representar o Fundo Jequi, instituto anfitrião, estiveram presentes Tião Rocha, Fundador do Fundo; Flávia e Marton, Presidente e Vice-Presidente do Fundo; Guilherme, Analista de Projetos; e Claudia, Articuladora Local. A viagem foi marcada por experiências que evidenciaram a potência da organização comunitária e a capacidade dos territórios de construírem soluções a partir de seus próprios saberes.

Projetos que transformam o território

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas. Começando pelo projeto Conexão Verde, na Serra do Elefante, mostrando como o turismo de base comunitária pode ser uma estratégia de desenvolvimento local, geração de renda e preservação ambiental. As FICs puderam conhecer diversos projetos, tornando a visita ainda mais imersiva, como o Projeto Ser Criança, Dedo de Gente, Projeto de Jiu-Jitsu, Projeto de Robótica Sustentável. Cada projeto com sua particularidade, mas com um objetivo em comum, fomentar espaços com liberdade, onde crianças e adolescentes, principalmente, experimentam a natureza, criam coletivamente e constroem relações permeadas pelo afeto e pela curiosidade.

A programação também proporcionou o contato com iniciativas que valorizam a cultura, os saberes tradicionais e a identidade do território. No Cinema de Araçuaí, na Turma da Mandioca, no Quintal da Neide e no Museu de Araçuaí, as FICs conheceram experiências que fortalecem memórias, conhecimentos locais e vínculos comunitários, além de promoverem o protagonismo de mulheres e diferentes gerações.

Entre tantos formatos, as experiências reforçaram uma ideia comum às FICs: os territórios são espaços de produção de conhecimento, onde saberes, histórias, relações e recursos locais podem ser mobilizados para construir caminhos próprios de desenvolvimento e transformação.

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Vaga para Estagiário em Projetos no Transformando Territórios

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade estudantes para uma vaga de estágio em projetos, no programa Transformando Territórios.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Estagiário de Projetos para o programa Transformando Territórios.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

  • Apoiar nas atividades do Programa Transformando Territórios, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade das entregas.
  • Apoiar a organização e atualização de planilhas, bases de dados, documentos e controles, incluindo o acompanhamento dos fluxos administrativos e financeiros.
  • Realizar pesquisas e levantamentos de informações que contribuam para as atividades e projetos do Programa.
  • Apoiar na preparação de eventos, viagens, reuniões, apresentações, registros e acompanhamento de encaminhamentos.
  • Apoiar a equipe técnica nas atividades de relacionamento e acompanhamento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs).

 

requisitos

  • Estar cursando, em 2026, o terceiro ano de faculdade, com conclusão prevista para a partir de dezembro de 2027.
  • Ter interesse no terceiro setor, nos temas de filantropia comunitária, desenvolvimento territorial, investimento social privado e áreas afins;
  • Domínio de Excel e PowerPoint;
  • Disponibilidade para atuação presencial no escritório do IDIS, em Pinheiros – São Paulo.

 

DESEJÁVEL

  • Conhecimento ou familiaridade com ferramentas como Power BI, Notion e inteligência artificial;
  • Ter no máximo 2 anos para se formar;
  • Será considerado uma vantagem: Conhecimento extracurricular; Projetos sociais, voluntariado; Projetos acadêmicos; Domínio intermediário de  inglês ou espanhol
  • Facilidade para trabalhar em equipe;
  • Organização e atenção aos detalhes.

 

BENEFÍCIOS

  • Bolsa auxílio de R$ 1.650,00
  • Credencial plena do Sesc
  • Vale-alimentação
  • Vale-transporte
  • Emenda de feriados
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 17 de setembro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Vaga para Gerente de Projetos de Consultoria

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em consultoria para impacto.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Gerente de Projetos de Consultoria.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

Gestão de Projetos:

  • Gerenciar a execução de projetos de consultoria e projetos de impacto do IDIS, zelando pela qualidade das entregas, cumprimento dos prazos acordados e uso eficiente dos recursos.
  • Gerenciar o relacionamento com os clientes, parceiros e doadores, realizando alinhamentos e prestação de contas sempre que necessário.
  • Acompanhar os resultados operacionais relacionados à consultoria, alertando para desvios ou riscos não previstos.
  • Gerenciar as despesas dos projetos e as metas orçamentárias da área de projetos.
  • Manter os conhecimentos e aprendizados oriundos dos projetos de forma organizada e acessível.
  • Conduzir a contratação de consultores externos necessários para execução dos projetos e gerenciar sua atuação, performance e entregas.
  • Gerenciar sua equipe de coordenadores, analistas e estagiários, delegando e acompanhando suas tarefas e oferecendo todo o suporte necessário.

 

Gestão de Propostas Técnicas e Comerciais:

  • Contribuir ativamente na prospecção de novos projetos e parcerias.
  • Elaborar propostas técnicas e comerciais para potenciais clientes, parceiros e doadores.
  • Participar de reuniões com potenciais clientes, parceiros e doadores sobre projetos potenciais.
  • Contribuir para a concepção de novas oportunidades de projetos de impacto.

 

Atuação Institucional:

  • Participar e liderar periodicamente de reuniões de equipe para alinhamento, planejamento e integração.
  • Promover o desenvolvimento, aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico na sua área de atuação e expertise, buscando constante desenvolvimento de sua equipe, com o intuito de prepará-los para enfrentar os desafios de sua atividade e de modo a aprimorar a performance individual e coletiva.
  • Assegurar o cumprimento dos processos e políticas internos da organização.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Fornecer informações e relatórios sobre os projetos para a pauta de reuniões do Conselho Deliberativo e participar das reuniões quando convidado.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Representar o IDIS em mídias sociais e entrevistas, sempre que necessário.
  • Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.
  • Promover a cultura organizacional do IDIS e os valores da organização.

 

requisitos

  • Formação superior completa complementada com cursos de pós-graduação ou MBA e experiência mínima de 3 anos liderando a gestão de projetos, principalmente em organizações com foco em Investimento Social Privado.
  • Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.
  • Análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Facilitação de grupos e condução de workshops e reuniões participativas.
  • Elaboração de apresentações e relatórios com boa apresentação visual e estruturação clara e objetiva do conteúdo.
  • Conceitos e técnicas de planejamento estratégico, gestão da governança, avaliação de impacto, estruturação de fundos patrimoniais e gestão de editais e outros veículos de doação.
  • Conhecimentos avançados de inglês na linguagem oral e escrita.

BENEFÍCIOS

  • TotalPass
  • Férias remuneradas e flexíveis
  • Emenda de feriados
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 17 de setembro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Websérie sobre o programa Transformando Territórios completa 1 ano do lançamento

Lançada em agosto de 2025, a Websérie Transformando Territórios completa um ano ampliando a visibilidade das iniciativas da filantropia comunitária no Brasil. Ao longo de vídeos publicados no YouTube e no Instagram, a produção apresentou 14 histórias reais de impacto local, representadas por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) de 10 regiões do país.

Realizada pelo coletivo das FICs e pelo Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), em parceria com a Mott Foundation e com apoio do Movimento Bem Maior, a Websérie buscou dar voz às organizações que atuam diretamente nos territórios, fortalecendo redes locais de solidariedade, desenvolvimento e transformação social.

Em cada história da Websérie há pessoas, vínculos e um profundo compromisso com o lugar onde vivem. Um ano depois, seguimos acreditando que dar voz e visibilidade a quem transforma os territórios é também fortalecer a filantropia comunitária de base territorial no Brasil. afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Um ano após o lançamento, a iniciativa alcançou resultados expressivos: foram mais de 90 mil visualizações nas redes sociais e no Youtube, além de mais de 5 mil novos seguidores nos perfis das organizações participantes. A série está disponível para acesso público no YouTube.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

 

Organizações que transformam territórios:

 

 

Novo estudo da Plataforma Conjunta analisa oportunidades de fortalecimento institucional para OSCs no Brasil

A Plataforma Conjunta lança o estudo Panorama Conjunta 2025–2026: Oportunidades de formação e captação de recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs no Brasil, publicação que reúne dados inéditos sobre o ecossistema de apoio às organizações da sociedade civil brasileiras.

Realizado a partir do mapeamento de oportunidades de formação e captação de recursos disponíveis ao longo de 2025, o estudo identificou 793 oportunidades, um crescimento de 129% em relação ao levantamento anterior. Entre os destaques, estão o aumento da oferta de formações, a ampliação da visibilidade de oportunidades de financiamento voltadas ao desenvolvimento institucional e a diversificação dos atores que compõem esse ecossistema.

Evento de lançamento do estudo, em São Paulo

Os resultados mostram que o acesso ao conhecimento segue sendo uma das principais portas de entrada para o fortalecimento das OSCs. Em 2025, foram mapeadas 560 oportunidades de formação e 233 oportunidades de captação de recursos voltadas ao desenvolvimento institucional.

A publicação também reúne artigos assinados por especialistas e lideranças do campo social, incluindo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, que aborda a relação entre desenvolvimento institucional, confiança e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Em seu artigo, Luisa destaca que fortalecer dimensões como governança, gestão, comunicação, tecnologia e cuidado com as equipes é fundamental para garantir a capacidade de atuação das organizações no longo prazo.

“Se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista”, escreve Luisa Lima.

A autora também relaciona o fortalecimento institucional à construção de confiança junto à sociedade. Ao longo do artigo, ela utiliza dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, para demonstrar que a confiança é um fator decisivo para a cultura de doação no país. Embora os brasileiros reconheçam a importância das organizações da sociedade civil, a confiança ainda representa um desafio para o setor, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos em transparência, governança e fortalecimento institucional.

A tecnologia é uma das dimensões que vêm ganhando relevância: foi o tema de formação com maior crescimento relativo entre 2024 e 2025, passando de 4,8% para 9,1%. Essa agenda também se traduz em iniciativas do IDIS como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, voltado à adoção consciente e estratégica da inteligência artificial por OSCs.

O desenvolvimento institucional é também uma agenda que atravessa diferentes frentes de atuação do IDIS, que trabalha para fortalecer organizações e ampliar seu impacto por meio da produção de conhecimento, do desenvolvimento de capacidades e do apoio a práticas mais estratégicas de gestão e investimento social.

Produzido pela Plataforma Conjunta, o estudo busca ampliar o debate sobre a sustentabilidade das OSCs e oferecer subsídios para financiadores, gestores e organizações comprometidos com o fortalecimento da sociedade civil brasileira.

 

Baixe a publicação aqui:

Prevenção e atuação territorial devem estar no centro da resposta aos riscos climáticos, destaca webinar do IDIS

Encontro reuniu especialistas para discutir justiça climática, financiamento, gestão de riscos e o papel das organizações sociais na construção de territórios mais resilientes

Como as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) podem se preparar para eventos climáticos extremos antes que eles aconteçam? E qual é o papel da filantropia e do investimento social privado na construção de territórios mais resilientes?

Essas foram algumas das questões que orientaram o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”, promovido pelo IDIS no dia 6 de agosto, como evento paralelo à São Paulo Climate Week. O encontro reuniu profissionais do terceiro setor e especialistas para discutir caminhos práticos para incorporar a gestão de riscos climáticos à atuação das organizações sociais.

Ao longo da conversa, um ponto atravessou diferentes momentos do debate: diante de eventos extremos cada vez mais frequentes, responder às emergências continua sendo necessário, mas já não é suficiente. É preciso investir também em prevenção, preparação e fortalecimento das capacidades locais antes que as crises aconteçam.

Mudanças climáticas também são uma questão de gestão

Na abertura do encontro, o IDIS apresentou reflexões da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, elaborada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, e Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos do IDIS.

Baixe agora e acesso o documento na íntegra!

A publicação parte do entendimento de que os riscos climáticos afetam também organizações que não têm o meio ambiente como causa principal. Enchentes, ondas de calor, secas e outros eventos extremos podem interromper atividades, elevar custos, afetar equipes e infraestruturas e, ao mesmo tempo, aumentar a demanda pelos serviços prestados às populações mais vulneráveis.

Durante o webinar, Yasmim apresentou conceitos e ferramentas para que OSCs e investidores sociais incorporem essa perspectiva ao planejamento institucional. A proposta é ampliar a capacidade das organizações de identificar vulnerabilidades, avaliar riscos e tomar decisões que contribuam para a continuidade de suas atividades e para a proteção das comunidades com as quais atuam.

A discussão reforçou ainda a dimensão da justiça climática. Os impactos das mudanças do clima não são distribuídos de maneira uniforme: territórios e populações que já convivem com desigualdades sociais e econômicas tendem a estar mais expostos e a contar com menos recursos para prevenção, adaptação e recuperação.

 

Recursos precisam chegar a quem está na ponta

Após a apresentação, uma mesa-redonda mediada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, reuniu Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Mariana de Assis, coordenadora de projetos do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM).

Entre os temas debatidos estiveram o financiamento climático, o fortalecimento da governança local e a importância de reconhecer OSCs e atores territoriais como parte essencial das estratégias de adaptação.

A experiência do iCS reforça que soluções para a adaptação climática já estão sendo desenvolvidas localmente e que um dos desafios é criar condições para fortalecê-las e ampliar seu alcance.

“Muitas das respostas para os desafios climáticos já existem e merecem ser reconhecidas, fortalecidas e conectadas”, afirma Tatiana Lobão.

A perspectiva dialoga diretamente com um dos pontos centrais do encontro: mais do que disponibilizar recursos para a agenda climática, é necessário criar condições para que eles sejam acessíveis às organizações que conhecem de perto os riscos, vulnerabilidades e potencialidades de cada território.

Nesse processo, organizações locais podem exercer um papel fundamental na articulação de diferentes atores, no mapeamento de riscos, na mobilização de recursos e na construção de respostas adaptadas às realidades das comunidades.

Essa abordagem também amplia a compreensão sobre o financiamento climático: recursos podem apoiar não apenas a reconstrução depois de uma emergência, mas também ações de preparação, desenvolvimento institucional, construção de redes, inteligência territorial e governança.

 

Fundos emergenciais preventivos: recursos disponíveis antes da crise

Um dos exemplos práticos apresentados no debate são os Fundos Emergenciais Preventivos (FEPs), mecanismo que vem sendo desenvolvido no âmbito do Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation.

Com metodologia e assessoria técnica do ICOM e parceria do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, seis Fundações e Institutos Comunitários de diferentes regiões do Brasil estão sendo apoiados para criar mecanismos permanentes de prevenção e preparação para emergências. Quatro já concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes iniciais de R$ 50 mil, enquanto outros dois estão em fase de implementação.

A lógica é simples, mas ainda pouco explorada no Brasil: organizar recursos e capacidades durante períodos de normalidade, e não apenas mobilizá-los quando uma emergência já está instalada.

A experiência acumulada pelo ICOM na resposta a eventos extremos também demonstra que a atuação territorial depende de articulação entre diferentes setores. Ao abordar o tema da prevenção climática, Mariana de Assis já destacou a necessidade de transformar essa preocupação em planejamento:

“É preciso que a resposta à crise climática, ações de prevenção [e] redução de riscos […] façam parte dos planos de governo”, defende Mariana.

No webinar, a experiência do ICOM ajudou a mostrar que essa preparação não se restringe à existência de recursos financeiros. Os fundos podem contribuir para fortalecer redes locais, produzir e organizar informações sobre riscos, definir protocolos, mobilizar organizações e comunidades e criar estruturas de governança capazes de agir de maneira mais rápida e coordenada diante de eventos extremos.

Dessa forma, o recurso financeiro é apenas uma das dimensões do mecanismo; igualmente importantes são as capacidades e relações construídas no território.

 

Assista à gravação

A gravação completa do webinar está disponível no canal do IDIS no YouTube:

Para se aprofundar no tema, acesse também a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, que apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar OSCs e investidores sociais na identificação, avaliação e gestão dos riscos relacionados ao clima.

GIFE e INCT Participa lançam Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, com apoio do IDIS

Plataforma colaborativa reúne dados, pesquisas e evidências para fortalecer o conhecimento sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil

Foi lançado o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, plataforma colaborativa liderada pelo GIFE e pelo INCT Participa, com o apoio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial do IDIS.

A iniciativa foi criada para reunir, sistematizar e disseminar informações, dados, pesquisas e evidências sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Ao ampliar o acesso a conhecimento qualificado sobre o setor, o Observatório pretende contribuir para o aprimoramento das práticas das organizações, apoiar processos de tomada de decisão e estimular a produção de novas pesquisas.

Membros do setor reunidos durante lançamento do Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado

Para o IDIS, a criação da plataforma representa um marco importante para o fortalecimento do campo filantrópico brasileiro. A geração e a disseminação de conhecimento constituem um dos pilares de atuação da organização, ao lado da consultoria e da execução de projetos de impacto.

“Dados e evidências são ferramentas fundamentais para gerar impacto social positivo. Quando compartilhados e explorados de maneira estratégica, podem orientar decisões, aprimorar práticas, fortalecer políticas públicas e contribuir para uma filantropia cada vez mais transformadora”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O apoio à iniciativa é realizado por meio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial criado pelo IDIS com o objetivo de fortalecer a filantropia estratégica no país e apoiar iniciativas capazes de ampliar a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade de atuação do setor.

O Observatório também se propõe a ser um espaço vivo e colaborativo, incentivando pesquisadores, organizações e demais atores do ecossistema filantrópico a utilizarem os materiais disponíveis e contribuírem para a expansão da base de conhecimento sobre o tema.

Conheça o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado.

Programa Transformando Territórios lança fundos emergenciais preventivos para enfrentar emergências territoriais

Iniciativa ainda pouco explorada no Brasil fortalece a capacidade de territórios brasileiros de prevenir, se preparar e responder a emergências climáticas por meio da filantropia comunitária. Quatro fundos já foram estruturados e dois estão em fase de implementação

Seis fundações e institutos comunitários de diferentes regiões do Brasil estão recebendo apoio técnico e financeiro para criar mecanismos territoriais permanentes de prevenção a emergências climáticas. A iniciativa, inédita no contexto brasileiro, integra o Programa Transformando Territórios, do IDIS, e conta com a metodologia e assessoria técnica do ICOM — Instituto Comunitário Grande Florianópolis, além de parceria com a Mott Foundation, o Movimento Bem Maior e a Fundação FEAC.

Na primeira etapa, quatro Fundações e Institutos Comunitários (FICs) concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes de R$ 50 mil cada para desenvolver estratégias voltadas à gestão de riscos, à prevenção e ao fortalecimento da resiliência em seus territórios: Instituto Cacimba, no distrito de São Miguel Paulista na capital paulista (SP), Associação Nossa Cidade, na Grande Belo Horizonte (MG), Instituto Comunitário Paraty, em Paraty (RJ) e Mundaú Mundo, em Maceió (AL). A Fundação Gerações, na Grande Porto Alegre (RS) e o Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, no distrito de M’Boi Mirim na cidade de São Paulo (SP) estão em fase de assessoria e devem concluir a estruturação em breve. A captação dos fundos segue aberta a indivíduos e organizações.

 “Quem vive e atua nos territórios conhece de perto seus riscos, vulnerabilidades e potencialidades. Por isso, fortalecer organizações locais é fundamental para construir estratégias de prevenção e preparação junto às próprias comunidades, antes que as emergências aconteçam. As Fundações e Institutos Comunitários desempenham um papel estratégico nesse processo ao identificar riscos, mobilizar recursos, articular diferentes atores e fortalecer a capacidade dos territórios de prevenir, se preparar e responder a crises de forma coordenada e sustentável”, afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Os recursos apoiam iniciativas de caráter preventivo — fortalecendo a capacidade local de enfrentar eventos extremos antes que se transformem em crises de difícil gestão. A seleção dos territórios partiu de uma característica comum: todos já desenvolviam ações ou reflexões sobre situações de emergência e vulnerabilidade socioambiental, e demandavam instrumentos mais estruturados para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre os eventos que os fundos visam preparar os territórios para enfrentar e evitar enchentes, rompimento de barragens, descarte irregular de resíduos, chuvas extremas, ondas de calor e outros eventos climáticos monitorados por redes territoriais de correspondentes climáticos.

Para doar, basta entrar em contato com as FICS pelo site, as doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas.

 

Um modelo inovador inspirado em experiências internacionais

O modelo de Fundo Emergencial Preventivo (FEP) é considerado inovador no Brasil por utilizar a filantropia comunitária de base territorial como ponto de partida para a construção de fundos voltados à comunidades resilientes. A proposta foi inspirada em experiências desenvolvidas em países como Romênia e Chile, e em referências de organizações como Center for Disaster Philanthropy. No Brasil, a adaptação desse modelo parte também da experiência acumulada pelo ICOM na criação, gestão e governança de fundos comunitários e emergenciais, conectando mobilização de recursos, conhecimento territorial e fortalecimento de organizações locais.

Mais do que viabilizar respostas a emergências, a iniciativa busca fortalecer capacidades permanentes nos territórios para prevenir riscos, mobilizar recursos e agir de forma coordenada diante de crises cada vez mais frequentes e complexas.

“À primeira vista, um Fundo Emergencial Preventivo pode parecer apenas mais um mecanismo de repasse financeiro. Mas sua inovação está na forma como organiza capacidades antes da crise acontecer. O FEP fortalece os territórios em períodos de normalidade, investindo em governança, articulação, inteligência territorial e mobilização local. Para nós, é motivo de orgulho compartilhar a experiência acumulada pelo ICOM em fundos comunitários, fundos emergenciais e desenvolvimento territorial, contribuindo para que outras Fundações e Institutos Comunitários adaptem esse modelo às realidades de seus territórios”, afirma Mariana de Assis, Coordenadora de Projetos do ICOM

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

Programa de inteligência artificial para o Terceiro Setor reúne 30 organizações de 13 estados em hackathon

Entre os dias 22 e 24 de julho, 89 profissionais de 30 organizações da sociedade civil participaram, em São Paulo, de um encontro presencial em formato de hackathon voltado à criação de soluções de inteligência artificial para desafios concretos do Terceiro Setor. O encontro integra o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, programa de formação que apoia organizações sociais na incorporação consciente, ética e estratégica dessa tecnologia em suas atividades.

Turma 1 do IA.3 em encontro presencial em São Paulo

Durante os três dias, as equipes foram desafiadas a transformar os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro meses de capacitação realizados pelo programa em propostas aplicáveis às suas instituições. As soluções abrangem áreas estratégicas para o fortalecimento das organizações sociais:

Captação inteligente: aplicação da inteligência artificial à mobilização de recursos, ao relacionamento com potenciais apoiadores e à sustentabilidade financeira;

Inteligência, memória e conhecimento institucionais vivos: organização, preservação, recuperação e utilização estratégica de informações e conhecimentos produzidos pelas organizações;

Relacionamento, atendimento e jornada dos públicos: aprimoramento da comunicação e da interação com beneficiários, doadores, parceiros, voluntários e demais públicos;

Operação sem gargalos: automação de processos, integração de dados e aprimoramento dos fluxos de trabalho para ampliar a eficiência institucional;

Monitoramento, avaliação, prestação de contas, aprendizagem e relatórios: uso da inteligência artificial para acompanhar resultados, analisar informações, gerar aprendizados e comunicar impactos.

As organizações selecionadas atuam em 13 estados – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo -, contemplando as cinco regiões brasileiras.

 

Conheça as organizações que foram selecionadas

 

Participantes durante o Encontro Presencial em São Paulo.

A programação ainda contou com dinâmicas colaborativas e momentos de diagnóstico, ideação, desenvolvimento e validação das propostas, além do acompanhamento de especialistas. Ao final do encontro, cada grupo apresentou uma proposta de solução para os desafios identificados, com potencial de implementação e aperfeiçoamento nas organizações participantes.

“Este encontro marca uma transição importante na jornada das organizações: passamos do aprendizado e da experimentação para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios concretos de gestão e atuação. Queremos que as equipes ganhem autonomia para incorporar a inteligência artificial de maneira estratégica, ética e alinhada às suas missões. A diversidade de causas, experiências e territórios reunida no hackathon também favorece a colaboração e a criação de soluções que poderão gerar aprendizados para todo o Terceiro Setor”, afirma Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS responsável pelo IA.3.

Após o hackathon, as 30 organizações continuarão sendo acompanhadas durante seis meses por meio de mentorias individualizadas. O objetivo é apoiar a implementação das soluções desenvolvidas, realizar os ajustes necessários e contribuir para que o uso da inteligência artificial seja incorporado de forma sustentável às estratégias, às equipes e aos processos institucionais.

O IA.3 também inclui uma avaliação de impacto experimental, que comparará os resultados das organizações participantes da primeira turma com os das organizações que receberão a formação em 2027. Além de acompanhar resultados concretos, a avaliação dará origem a um estudo com dados quantitativos e qualitativos e exemplos práticos de aplicação da inteligência artificial no Terceiro Setor.

Equipes IDIS e Canal SabIAr no Encontro Presencial em São Paulo.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

 

Realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, o IA.3 busca fortalecer as capacidades institucionais das organizações da sociedade civil. Mais do que incentivar o uso pontual de ferramentas, o programa pretende apoiar a integração da inteligência artificial às estratégias, aos processos de gestão e às missões institucionais das organizações.

 

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

A iniciativa foi estruturada como uma jornada de formação em múltiplas etapas. Após um webinar introdutório e aberto ao público, 119 organizações iniciaram, em fevereiro de 2026, a primeira turma da capacitação intensiva. Foram 30 horas de formação ao longo de quatro meses, combinando aulas ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas.

 

As 30 organizações com melhor aproveitamento nessa etapa foram selecionadas para o encontro presencial, no qual poderão aprofundar os conhecimentos adquiridos, trocar experiências e desenvolver soluções institucionalmente relevantes.

 

Em fevereiro de 2027, uma nova turma de 114 organizações começa o mesmo processo.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil é uma iniciativa do IDIS e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos para o acompanhamento de endowments em atividade no Brasil.

Os dados são obtidos a partir de questionários respondidos por gestores destes fundos ou por meio da consulta pública em sites ou veículos de imprensa.

A atualização é constante. Para passar a integrar o levantamento ou modificar algum dado, gestores de fundos patrimoniais podem preencher o questionário oficial. Solicite o link escrevendo para comunicacao@idis.org.br

Acesse aqui os dados disponíveis sobre os fundos patrimoniais mapeados.

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil identificou 128 fundos patrimoniais ativos, cujo patrimônio total informado é de R$ 159.549.223.945 (em julho/26).

 

Acesse abaixo a planilha completa com informações sobre as causas dos fundos e também fonte da informação.

Monitor IDIS dE Fundos Patrimoniais no Brasil – levantamento completo

 

Nome 

Ano da criação

Patrimônio

Sede

Aldeias Infantis SOS 2024 R$ 11.481 SP
Amigos da Alef Peretz Organização Gestora do Fundo Patrimonial 2021 R$ 22.852.842 SP
Arcanjos Endowment 2026 Não informado DF
Associação Amigos da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) 2019 R$ 2.786.701 SP
Associação Amigos Direito UERJ 2017 R$ 349.948 RJ
ASA – Associação Santo Agostinho 2018 R$ 106.000.000 SP
Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog Da Silva (Instituto Devive)
2001 R$ 67.000.000 SP
Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração (ACTC)
2023 R$ 25.083.611 SP
Associação Endowment Direito GV 2011 R$ 7.747.393 SP
Associação Escola Panamericana de Porto Alegre 2022 R$ 15.000.000 RS
Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários (AFESU) 2018 R$ 595.984 SP
Associação Fundo Areguá 2016 R$ 15.472.774 SP
Associação Fundo Patrimonial Amigos da Poli (Escola Politécnica da USP) 2012 R$ 63.500.00 SP
Associação Fundo Patrimonial – AXUXÊ (Faculdade de Medicina da FMABC) 2023 R$ 79.804 SP
Associação Fundo Patrimonial Patronos (Unicamp – alunos) 2020 R$ 2.920.601 SP
Associação Gestora do Fundo Patrimonial em Apoio à Faculdade de Direito da UFRGS 2021 Não informado RS
Associação Gestora do Fundo Patrimonial Endowment Chronos (USP São Carlos – comunidade) 2024 R$ 1.663.728 SP
Associação Irmão Norberto Rauch (Endowment da PUC-RS) 2020 Não informado SP
Associação Rosa Penido 2024 R$ 106.000.000 SP
Associação São Joaquim 2006 R$ 2.131.296 SP
Associação Umane 2016 R$ 1.631.598.077 SP
Fundo Baobá 2016 R$ 142.621.536 SP
C de Cultura 2017 R$ 24.134.412 SP
Casa Pequeno Mundo – Não informado SP
Conecta EAUFBA (Escola de Administração da UFBA) 2022 R$ 80.000,00 BA
Endowment Alumni Direito Mackenzie 2022 R$ 10.000 SP
Endowment do CEAP 2018 R$ 1.095.606 SP
CIP – Congregação Israelita Paulista 2015 Não informado SP
Endowments do Brasil – Fundo Trans Casa Chama 2022 Não informado SP
Endowment IRM (Instituto Rodrigo Mendes) 2015 R$ 53.884.968 SP
Endowment PUC-Rio 2019 R$ 9.889.323 RJ
Endowment Sempre FEA (FEAUSP – alunos) 2020 R$ 10.200.000 SP
Fonte Endowment 2023 Não informado DF
Fundação Antonio e Helena Zerrenner INB 1936 R$ 42.312.922.810 SP
Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (Fundação do Câncer) 1991 R$ 78.568.709 RJ
Fundação Banco do Brasil 2008 R$ 282.761.966 DF
Fundação Bradesco 1956 R$ 97.000.000.000 SP
Fundação Darcy Chagas 2020  R$ 6.297.772 RJ
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá – FADEC-UEM 2024 R$ 4.576 PR
Fundação Dorina Nowill 2023 R$ 172.061.365 SP
Fundação Estudar 2018 R$ 63.165.154 SP
Fundação Fundo Brasil de Direitos Humanos 2007 R$ 52.510.576 SP
Fundação Fundo Patrimonial FEAUSP (gestores) 2015 R$ 1.796.600 SP
Fundação Gestora de Fundo Patrimonial da Universidade de São Paulo (USP) 2021 R$ 28.252.853 SP
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza 1996 R$ 37.400.960 PR
Fundação Itaú 1988 R$ 8.044.365.000 SP
Fundação José Luiz Setúbal 2016 R$ 365.440.002 SP
Fundação Lia Maria Aguiar – FLMA 2008 R$ 626.803.811 SP
Fundação Maria Emilia – Não informado BA
Fundação St. Pauls de Apoio à Educação 2021 R$ 29.380.000 SP
Fundação Tide Setubal 2010 R$ 135.377.667 SP
Fundação Uniselva 2002 R$ 1.158.490 MT
Fundo Amanhã (Administração UFRGS) 2022 R$ 2.728.185 RS
Fundo Apontar 2015 R$ 21.295.253 RJ
Fundo Betinho – Ação da Cidadania 2018 R$ 69.514.534 RJ
Fundo Catarina 2021 R$ 3.125.271 SC
Fundo Centenário (Escola de Engenharia da UFRGS) 2019 R$ 3.331.033 RS
Fundo Comunitário da Maré – FCDM 2021 R$ 22.309.977 RJ
Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Sociedade (FADS) 2025 R$ 12.000.000 MG
Fundo de Apoio ao Jornalismo Investigativo – F/ABRAJI  2016 Não informado SP
Fundo de Capital – Endowment – Fundação Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SP) 2006 R$ 73.488.093 SP
Fundo de Educação Social do Instituto Elos 2021 R$ 2.003.462 SP
Fundo de Endowment do Instituto Líderes do Amanhã 2019 R$ 4.200.000 ES
Fundo de Fomento à Filantropia – FFF (IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) 2024 R$ 10.600.000 SP
Fundo de Sustentabilidade Financeira (FAMAGGI – Fundação André e Lúcia Maggi) 2017 R$ 18.149.170 MT
Fundo FICA 2015 R$ 295.330 SP
Fundo Figueira 1964 Não informado SP
Fundo Eterno Bem 2021 R$ 530.640 RJ
Fundo FAS (Fundação Amazônia Sustentável) 2008 R$ 110.197.000 AM
Fundo Gerações 2008 R$ 3.377.456 RS
Fundo Helda Gerdau 2019 Não informado RS
Fundo iGMK – Instituto George Mark Klabin 1994 R$ 12.735.697 SP
Fundo Patrimonial Amigos da Univali 2019 R$ 135.590 SC
Fundo Patrimonial Amigos do Brasil Central 2019 R$ 62.500 GO
Fundo Patrimonial Associação Projeto Gauss – FPPG 2019 R$ 6.497.557 SP
Fundo Patrimonial Augere (FMUSP) 2015 R$ 234.440 SP
Fundo Patrimonial Aventura de Construir – Já, Devagar e Sempre 2023 R$ 749.251 SP
Fundo Patrimonial CBL de Valorização do Livro 2026 R$ 15.000.000 SP
Fundo Patrimonial da Brazil Startups 2022 R$ 10.000 DF
Fundo Patrimonial da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) – UFPel 2024 R$ 36.000 RS
Fundo Patrimonial da Fundação Grupo Volkswagen 2002 R$ 300.106.605 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal 1965 R$ 709.554.000 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Romi 1999 R$ 91.578.150 SP
Fundo Patrimonial da UFC 2024 Não informado CE
Fundo Patrimonial da UNICAMP – LUMINA (Reitoria) 2020 R$ 5.105.903 SP
Fundo Patrimonial do IMS 1995 R$ 2.224.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Acaia 2016 R$ 591.287.878 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Alana 2013 R$ 504.821.612 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Ayrton Senna 2017 Não informado SP
Fundo Patrimonial do Reciclar 2016 R$ 7.977.348 SP
Fundo Patrimonial Eliezer Max Não informado Não informado RJ
Fundo Patrimonial PROSPERA – Unesp 2022 R$ 1.000.000 SP
Fundo Perpetuidade SOS Mata Atlântica 2009 R$ 80.215.061 SP
Fundo Patrimonial UFV 2024 Não informado MG
Fundo Polifonia (Orquestra de Novo Hamburgo) 2025 Não informado RS
Fundo ReCivitas da Renda Básica 2020 R$ 108.000 SP
FUNSAI (Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga) 1943 R$ 154.000.000 SP
FUTURE – Fundo Territórios Unidos por Recursos para a Educação 2023 R$ 1.600.000 AM
Futurin – Funds for life (Hospital Pequeno Príncipe) 2024 R$ 3.786.977,03 PR
Gaia Legado 2024 R$ 82.145.000 SP
Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) 2024 R$ 11.372.653 SP
Gene – Fundo Patrimonial do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) 2024 R$ 316.665 SP
INSPER 2022 R$ 40.230.051 SP
Instituto Artigo 220 (Revista Piauí) 2018 R$ 440.151.294 RJ
Instituto Fundo Patrimonial Reditus (UFRJ – alunos) 2019 R$ 17.712.724 RJ
Instituto Ibirapitanga 2016 R$ 670.593.000 RJ
Instituto Jô Clemente – R$ 109.361.000 SP
Instituto Merula Steagall 2022 R$ 1.842.594 SP
Instituto Serrapilheira 2016 R$ 623.319.746 RJ
Instituto Sol 2017 R$ 1.656.368 SP
Instituto Unibanco 2009 Não informado SP
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas 2007 R$ 15.966.100 SP
ITA Endowment 2023 R$ 10.143.688 SP
Liga Solidária 2020 R$ 80.836.052 SP
MASP Endowment 2017 R$ 1.973.249 SP
Minerva Impacto 2024 R$ 54.452 RJ
Onçafari 2015 R$ 54.841.174 SP
Organização Gestora de Fundo Patrimonial da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês 2021 R$ 26.281.580 SP
PDR – Purpose Driven Resources 2023 R$ 77.703.811 SP
Primatera Fundo Patrimonial 2020 R$ 200.445 SP
Projeto Saúde e Alegria 2024 Não Informado PA
Rio Endowment 2022 R$ 439.180 RJ
Rogério Jonas Zylbersztajn (RJZ) 2019 R$ 235.300.000 RJ
Semear 2022 R$ 25.000 MG
Semente Oré 2021 R$ 40.000.000 SP
Sempre Sanfran (Faculdade de Direito USP – alunos) 2021 R$ 12.252.164 SP
Turim – Saúde Criança (Instituto Dara) 2008 R$ 20.780.052 RJ
WimBelemDowment – Organização Gestora de Fundo Patrimonial 2021 R$ 283.699 RS

Acesse e baixe a planilha completa com as causas dos fundos e fonte dos dados.

 

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Fundo de Fomento à Filantropia amplia patrimônio e fortalece iniciativas estratégicas em 2025

O Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), iniciativa do IDIS voltada ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, encerrou 2025 com resultados expressivos. Em seu segundo ano de operação, o patrimônio do Fundo atingiu R$ 9,9 milhões, um crescimento de 39,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pelas contribuições de 146 doadores e pelo mecanismo de matching da doação realizada pela filantropa Mackenzie Scott ao IDIS.

Em 2025, o FFF destinou R$ 265 mil para iniciativas estruturantes organizadas em três frentes de atuação: advocacy, produção de conhecimento e articulação. Os recursos apoiaram ações voltadas ao fortalecimento do ambiente institucional da filantropia brasileira, à produção de evidências e à mobilização de atores do setor.

Entre as iniciativas apoiadas estiveram:

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

 

Um fundo perene para fortalecer a filantropia

O FFF foi concebido como um fundo patrimonial (endowment), garantindo sustentabilidade de longo prazo para investimentos em iniciativas que fortalecem o ecossistema da filantropia no Brasil. Por esse modelo, apenas os rendimentos reais – aqueles obtidos acima da inflação – podem ser utilizados, preservando permanentemente o patrimônio principal.

Em 2025, o Fundo registrou R$ 1,15 milhão em rendimento real, recursos que estarão disponíveis para investimentos ao longo de 2026, assegurando a continuidade das ações apoiadas e a expansão de seu impacto.

Outra novidade do ano foi a ampliação das formas de contribuição ao Fundo. O IDIS passou a oferecer a possibilidade de realizar doações vinculadas às inscrições em eventos institucionais, iniciativa que resultou em 121 novas doações ao longo de 2025.

 

Próximos passos

A campanha de captação do Fundo permanece ativa. A meta é alcançar R$ 15 milhões em patrimônio até o final de 2026 e chegar a R$ 25 milhões até 2029, ampliando a capacidade do FFF de apoiar iniciativas estruturantes para o desenvolvimento da filantropia e da cultura de doação no país.

Cada contribuição ajuda a consolidar um patrimônio duradouro, capaz de gerar recursos para iniciativas que impulsionam transformações sociais e contribuem para a redução das desigualdades no Brasil.

Saiba mais e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia!

 

Mais sobre fundos patrimoniais

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Webinar debate o papel das organizações sociais na prevenção e redução de riscos climáticos

Encontro promovido pelo IDIS abordará financiamento climático, gestão de riscos, governança local e estratégias para fortalecer a resiliência dos territórios

CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO EVENTO!

 

A crise climática já afeta diretamente comunidades e Organizações da Sociedade Civil, inclusive aquelas que não atuam especificamente com questões ambientais. Eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos podem interromper atividades, ampliar a demanda por serviços, comprometer recursos e aprofundar desigualdades já existentes nos territórios.

Nesse contexto, fortalecer a capacidade de prevenção, adaptação e resposta das organizações tornou-se urgente. Embora existam recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas, um dos principais desafios é garantir que eles cheguem de forma efetiva às organizações e comunidades que estão na ponta.

Para debater caminhos práticos e estratégias territoriais, o IDIS promove, no dia 6 de agosto, a partir das 9h30, o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”. O evento é paralelo à São Paulo Cimate Week, será online, gratuito e direcionado a profissionais do terceiro setor, investidores sociais e demais pessoas interessadas na agenda de adaptação climática.

Durante o encontro, serão discutidos temas como financiamento climático, gestão de riscos relacionados ao clima, fortalecimento da governança local e aplicação prática de fundos emergenciais preventivos nos territórios.

O conteúdo é um desdobramento da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, produzida pelo IDIS. A publicação apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar organizações sociais e investidores na identificação, avaliação e gestão de riscos climáticos.

A programação contará com uma apresentação da nota técnica realizada por Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS, além de uma mesa moderada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS. Participam do debate Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança no Instituto Clima e Sociedade — iCS, e Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

Confira a programação

9h30 | Abertura
Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

9h40 | Apresentação da nota técnica
Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS

9h55 | Mesa-redonda
Moderação de Marcelo Modesto, com a participação de:

  • Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade — iCS;
  • Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

11h30 | Encerramento

Faça sua inscrição e participe do debate!

 

Saiba mais sobre adaptação climática

Para se aprofundar no tema, acesse a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”.

 

Captcha obrigatório

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Paraty

Entre os dias 22 e 26 de junho, o ICP – Instituto Comunitário Paraty recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) que possibilitou o intercâmbio, que foi pura potência, profundidade e acolhida mútua. 

Entre as participantes, estiveram a Fundação Gerações que atua desde 2008 em todo estado do Rio Grande do Sul representada por Ana Lucia Suárez, Diretora de Programas e Karine Ruy, Diretora Executiva; a Associação Nossa Cidade que atua na região Metropolitana de Belo Horizonte/MG desde 2014, representada por Marlúcia Baesse, Líder Comunitária e Mariana Barros, membra da Associação; e a FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos que atua na cidade de Valinhos/SP desde 2013 e esteve representada por Eliane Macari, Presidente do Fórum.

Para representar o ICP, instituto anfitrião, estiveram presentes Andréia Carvalho e Ricardo Zuppi, Diretores Executivos; Maria Aparecida e Márcia Evangelista, Presidente e Vice-Presidente do Conselho Administrativo; Ana Carolina, Andréia Santos e Nena Gama, Conselheiras do Instituto; e Diana Seelaender, da equipe de Comunicação.

Representantes das FICs em conversa (Créditos: Diana Seelaender)

Foram dias com troca de conhecimentos, em que puderam aprofundar sobre os trabalhos de ação territorial e apoio para o fortalecimento comunitário, além de desafios compartilhados pelo mesmo modelo de organização, as chamadas FICs (Fundaçõs e Institutos Comunitários) dentro do terceiro setor. Alguns temas estiveram presentes como diagnóstico e escuta ativa, captação de recursos, fundos emergenciais e preventivos para mudanças climáticas, entre outros. Segundo o ICP, “um verdadeiro terreno fértil com muitas sinergias e a possibilidade de amplificação das ações realizadas pelo ICP”. 

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas com a Cooperativa dos Produtores Rurais do Pacová, com alunos da Escola da Barra Grande envolvidos com o Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas – uma parceria entre o ICP e o Departamento de Educação Ambiental da Sec. Municipal de educação), e uma incrível visita ao Saco do Mamanguá.

Visita em Cooperativa (Créditos: Diana Seelaender)

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Webinar do IA.3 destaca o desenvolvimento institucional como base para fortalecer organizações da sociedade civil

No dia 23 de junho, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social realizou o webinar “Desenvolvimento Institucional para OSCs: desafios e oportunidades”, encontro exclusivo para as organizações selecionadas para a segunda turma do IA.3, Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa realizada com o suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.

Com mediação de Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS, o webinar abordou os principais pilares do desenvolvimento institucional e sua importância para organizações de diferentes portes e áreas de atuação. O encontro também reforçou como o fortalecimento da gestão é um elemento essencial para potencializar o impacto social e preparar as OSCs para incorporar novas tecnologias, como a inteligência artificial, em suas estratégias.

A primeira convidada foi Erika Sanchez Saez, Diretora Executiva do Instituto ACP, que destacou que o desenvolvimento institucional depende de uma decisão estratégica das organizações.

“Desenvolvimento Institucional precisa de intencionalidade, precisa ser prioritário. Você precisa querer trabalhar DI, você precisa dizer para sua equipe que isso é importante, abrir espaço, tempo. Tem que estar no dia a dia da organização”, reforça Erika.

Na sequência, Fernando Nogueira, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, ressaltou a importância de construir uma cultura organizacional baseada no aprendizado permanente.

“É importante celebrar as vitórias grandes e pequenas, mas também é fundamental reconhecer e celebrar os erros. Conversar e aprender sobre eles é um potencial fundamental para a mudança”, para o Fernando, a capacidade de refletir sobre os desafios enfrentados e transformar experiências em aprendizado fortalece as organizações e amplia sua capacidade de adaptação em um cenário de constantes transformações.

Com início previsto para fevereiro de 2027, a nova turma reunirá organizações de diferentes regiões do país em uma jornada de aprendizado voltada à aplicação prática da inteligência artificial em seus desafios cotidianos, sempre aliando tecnologia ao fortalecimento institucional e à geração de impacto social.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.

Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.

Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 30 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Dr. Marcos Kisil: trajetória visionária para a filantropia brasileira

São Paulo, junho de 2026

Em 1999, Dr. Marcos Kisil idealizou e fundou o IDIS, guiado pela convicção central de que a filantropia, quando orientada por propósito, conhecimento, estratégia e compromisso público, pode ser uma força poderosa para reduzir desigualdades, fortalecer a sociedade civil e ampliar as possibilidades de transformação social no Brasil. Naquela época, também participou da criação de organizações como o GIFE e com isso teve papel determinante para o desenvolvimento deste ecossistema que vemos hoje, inspirando pessoas, instituições e lideranças a compreenderem a filantropia como parte essencial do desenvolvimento do país.

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, doutor em Administração pela George Washington University e ex-Diretor Regional para América Latina e Caribe da Fundação W.K. Kellogg, Marcos construiu sua trajetória na intersecção entre desenvolvimento social, gestão, filantropia e cidadania. Sua passagem pela Fundação W.K. Kellogg foi decisiva para consolidar sua compreensão da filantropia como agente de transformação das desigualdades sociais e econômicas. Foi nesse contexto que pôde conhecer e atuar de forma profunda nesse campo, experiência que mais tarde contribuiria para a criação do IDIS.

Ao longo dessa caminhada, Marcos formulou aprendizados que ajudaram a orientar a maturidade da organização que fundou: a busca pela excelência, o amor e a dedicação ao próximo e a fidelidade ao propósito. Essas ideias também expressam a própria marca de sua atuação.

Em 2014, ao deixar a liderança executiva do IDIS, Marcos abriu caminho para que Paula Fabiani assumisse a direção da organização, inaugurando um novo ciclo de continuidade e fortalecimento institucional. Mesmo após essa transição, permaneceu próximo, contribuindo de forma ativa como membro do conselho deliberativo e mantendo vivo o compromisso que inspirou a criação do Instituto.

1º edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Agora, ao encerrar sua atuação como membro do Conselho Deliberativo, Marcos inicia uma nova etapa em sua relação com o IDIS. Seguirá próximo à organização, na governança da instituição, em sua condição de fundador.

Seu legado, no entanto, vai muito além dos cargos que ocupou ou dos ciclos formais de contribuição institucional. Está na visão de futuro que ajudou a semear. Está na defesa de uma filantropia mais estratégica, colaborativa e comprometida com o bem público. Está na aposta em redes, no fortalecimento da cultura de doação, na valorização das parcerias e na crença de que o investimento social privado pode, e deve, contribuir para um Brasil mais justo, solidário e sustentável.

A presença de Marcos permanece também nas pessoas que inspirou, nas lideranças que formou, nos debates que ajudou a qualificar e nas instituições que apoiou ao longo de sua jornada. O IDIS foi uma escola para centenas de pessoas, que hoje atuam em diferentes áreas, mas que levam consigo os aprendizados e influenciam os locais onde estão.

Marcos escreveu que seu mestre, Dr. Mario Chaves, lhe ensinou que “o passado é o prólogo do futuro”. Em sua trajetória, essa frase ganha sentido concreto: o passado que Marcos ajudou a construir segue servindo de base para os futuros que o campo da filantropia brasileira ainda pode desenhar – mais criativos, mais inovadores, mais influentes e mais comprometidos com a transformação social.

E essa contribuição continua. Marcos segue ativo no setor, dedicando-se de forma significativa ao debate sobre o papel da filantropia no fortalecimento da ciência e ampliando, mais uma vez, as fronteiras de sua atuação.

Dr. Marcos durante I Seminário Internacional ‘Ciência encontra Filantropia’

Ao Dr. Marcos Kisil, nosso reconhecimento e nossa gratidão.

Seguimos em frente, carregando em nossa essência, a visão de quem acreditou em tudo o que a filantropia pode ser.

Equipe IDIS

Paula Fabiani representa o IDIS em encontro global da CAF na Bulgária

Paula Fabiani, CEO do IDIS, participou do encontro global da CAF International Network, realizado em Sofia, Bulgária. O evento reuniu representantes de organizações de diferentes países para discutir formas de fortalecer a filantropia e a cultura de doação em todo o mundo.

O IDIS integra a CAF International Network desde 2005, atuando como representante da Charities Aid Foundation no Brasil. A rede reúne organizações independentes que atuam localmente em diferentes países, conectadas por um propósito comum: promover a generosidade e ampliar o impacto da filantropia.

O programa também celebrou os 30 anos da BCause Foundation, organização búlgara que integra a rede, e marcou o lançamento do World Giving Report 2026, publicação da CAF que apresenta dados sobre generosidade em 105 países. O relatório mostra que 59% da população brasileira realizou algum tipo de doação, e que os respondentes destinaram 0,9% de sua renda a essas contribuições.

Baixe a publicação completa (disponível apenas em inglês):

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“As trocas promovidas pela rede global da CAF são essenciais para compreender os desafios da filantropia em diferentes contextos e identificar caminhos compartilhados para ampliar a generosidade. Os dados do World Giving Report mostram que ainda há um espaço significativo para fortalecer a cultura de doação no Brasil, e isso exige confiança, colaboração e ação coletiva”, afirma Paula Fabiani.

A participação do IDIS no encontro reforça seu compromisso com a produção de conhecimento, a cooperação internacional e o fortalecimento de um ambiente mais favorável ao investimento social privado e à filantropia no Brasil.

Ranking internacional reconhece novamente o IDIS como líder em consultoria para impacto social no Brasil

A entidade francesa Leaders League, especializada na elaboração de rankings e pesquisas de mercado, divulgou seu ranking de 2026 das principais consultorias brasileiras em responsabilidade social.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social foi novamente reconhecido como líder no ranking, conquistando o 1º lugar entre as melhores consultorias de impacto social do Brasil. O reconhecimento reforça o compromisso do IDIS em apoiar investidores sociais engajados na geração de impacto social positivo no país.

Em seu trabalho de consultoria, o IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas, institutos, fundações e organizações da sociedade civil que desejam iniciar ou fortalecer suas práticas de investimento social. A atuação é personalizada e participativa, apoiando clientes em áreas como planejamento estratégico e governança; agenda ESG; estruturação de fundos patrimoniais e estratégias de sustentabilidade financeira de longo prazo; desenho e implementação de projetos e fortalecimento institucional; desenvolvimento de editais e gestão de portfólios; além de monitoramento e avaliação.

 

“Ser reconhecido mais uma vez pela Leaders League reflete a consistência e a qualidade do trabalho desenvolvido pelo IDIS junto a investidores sociais em todo o Brasil. Nossa atuação em consultoria é guiada pelo rigor técnico, pela colaboração e por uma compreensão profunda do contexto de cada cliente, sempre com o objetivo de fortalecer estratégias capazes de gerar impacto social duradouro”, afirma Marcos Alexandre Manoel, Diretor de Projetos do IDIS.

 

 

O ranking da Leaders League é elaborado a partir de um processo de pesquisa que envolve coleta e análise de dados, combinando diferentes fontes de informação e critérios de avaliação. Na edição de 2026, o IDIS figura na categoria “Leader”, ao lado de outras organizações reconhecidas por sua atuação em responsabilidade social corporativa e consultoria para impacto social.

Conheça a agenda e inscreva-se para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

A 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais acontece no dia 27 de agosto, quinta-feira, e, para este ano, traz como tema central do evento a filantropia ‘Entre a Essência e a Reinvenção’. 

Assim como nas últimas edições, o evento acontecerá em formato híbrido. Presencial exclusivamente para convidados na Casa Melhoramentos, em São Paulo, e com transmissão ao vivo gratuita via YouTube ao longo do dia todo. 

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 vamos explorar a tensão dinâmica entre permanência e transformação na filantropia. Em um contexto de aceleradas mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, os atores filantrópicos são desafiados a repensar seu modo de estar no mundo.

‘Entre a Essência e a Reinvenção’ posiciona a filantropia em um ponto de inflexão. De um lado está sua essência: compromisso ético, visão de longo prazo, autonomia, capacidade de assumir riscos e atuação voltada à transformação estrutural. De outro lado está a reinvenção: disrupção digital, novos mecanismos financeiros, governança participativa, abordagens decoloniais, ecossistemas colaborativos e estratégias adaptativas diante de crises sistêmicas. Neste contexto, o que deve permanecer inegociável e o que precisa evoluir para que a filantropia continue relevante e eficaz?

AS INSCRIÇÕES PARA A TRANSMISSÃO ONLINE JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS CLICANDO AQUI

 

Palestrantes já confirmados 


Confira a programação completa no site. Entre os palestrantes confirmados estão: Belisa Maggi (FALM e Signativo), Conceição Evaristo (Escrevivência), Michael França (Insper), Ricardo Bucio (Cemefi – México), Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Emelu), Valcleia dos Santos (FAS) e mais.

 

Realização e Apoio 

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RDsaúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Brasil.

 

 

Sobre o evento

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira! 

IDIS compartilha experiência brasileira em filantropia comunitária na Argentina

Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e especialista em filantropia comunitária, esteve na Argentina a convite do Laboratorio Público Privado, iniciativa do Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e da RIL Argentina – Red de Innovación Local. Ao longo de três dias, Felipe contribuiu com o programa de fomento e aceleração de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) no país, compartilhando aprendizados acumulados pelo IDIS por meio do Programa Transformando Territórios.

Criado pelo IDIS, em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation, o Transformando Territórios tem como objetivo fomentar a criação e o fortalecimento de Fundações e Institutos Comunitários no Brasil, promovendo o engajamento de doadores, organizações da sociedade civil e lideranças locais, além de oferecer conhecimento e apoio técnico. Atualmente, o programa reúne FICs de diferentes regiões brasileiras e tem contribuído para ampliar o debate sobre a filantropia comunitária no país.

“Foi uma honra compartilhar a experiência brasileira com lideranças argentinas interessadas em criar e fortalecer suas próprias fundações comunitárias. Ao longo de quase seis anos, o Transformando Territórios acumulou aprendizados importantes sobre mobilização local, governança, escuta dos territórios e fortalecimento de organizações comunitárias. Ver essa trajetória inspirando iniciativas em outros países da América Latina é motivo de grande alegria para o IDIS”, afirma Felipe Groba.

A agenda teve início com um alinhamento estratégico entre as equipes do Laboratorio Público Privado e do GDFE, dedicado à troca de experiências sobre a construção e a maturidade do Programa Transformando Territórios no Brasil. Na sequência, Felipe participou de um jantar de recepção com lideranças de cinco regiões argentinas interessadas em desenvolver suas próprias FICs.

No segundo dia, o gerente de projetos do IDIS conduziu um workshop de dia inteiro com essas lideranças, reunindo representantes de províncias, cidades e bairros. A atividade abordou desafios e oportunidades do modelo de FICs no Brasil, além de exemplos práticos de organizações que já atuam como mobilizadoras, articuladoras e apoiadoras de iniciativas locais em seus territórios.

Para encerrar a programação, Felipe realizou uma palestra para mais de 30 associados do GDFE e convidados, no escritório da Cervecería y Maltería Quilmes. Na apresentação, reforçou o papel das Fundações e Institutos Comunitários como infraestruturas fundamentais para impulsionar a filantropia local e fortalecer organizações da sociedade civil.

“O que vimos na Argentina reforça que Brasil e Argentina compartilham desafios e oportunidades. A filantropia comunitária pode ser uma ponte sólida para o desenvolvimento sustentável dos territórios na América Latina, porque aproxima recursos, lideranças e comunidades em torno de agendas construídas localmente”, afirma.

A participação do IDIS na agenda fortalece a troca regional de conhecimentos e evidencia o potencial da cooperação latino-americana para impulsionar modelos de desenvolvimento mais participativos, sustentáveis e conectados às realidades locais.

 

IDIS participa de conferência global de think tanks no Marrocos

Entre os dias 19 e 21 de maio, Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS, representou a organização na 10ª edição da On Think Tanks Conference, realizada em Rabat, no Marrocos. O encontro reuniu lideranças, pesquisadores e profissionais de políticas públicas de diferentes países em torno do tema “Think tanks and trust” – ou “Think tanks e confiança”.

A participação do IDIS aconteceu a convite do WINGS, rede global dedicada ao fortalecimento da filantropia e dos ecossistemas de apoio ao investimento social. Durante a conferência, Guilherme apresentou a atuação do IDIS na agenda dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, com destaque para o papel da organização na Coalizão pelos Fundos Filantrópicos e sua contribuição para a aprovação da Lei 13.800/19, marco regulatório brasileiro que dispõe sobre a constituição de fundos patrimoniais com o objetivo de arrecadar, gerir e destinar doações privadas a causas e instituições de interesse público.

“Foi uma oportunidade muito importante para compartilhar a experiência brasileira e mostrar como a construção de um ambiente favorável à filantropia exige articulação, persistência e confiança entre diferentes atores. A aprovação da Lei 13.800/19 é resultado desse trabalho coletivo e demonstra a força das coalizões para avançar em agendas estruturantes”, afirma Guilherme Sylos.

A sessão também contou com a participação de Joyjayanti Chatterjee, que apresentou o “Playbook of Best Practices on the Enabling Environment for Philanthropy”, iniciativa que reúne estudos de caso globais sobre ambientes regulatórios e políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento da filantropia. Evans Okinyi, da East Africa Philanthropy Network, do Quênia, também compartilhou aprendizados sobre reformas regulatórias no campo filantrópico, ressaltando a importância de coalizões, paciência e confiança construída ao longo do tempo.

Além da agenda sobre filantropia, Guilherme acompanhou debates sobre o uso da inteligência artificial por think tanks em diferentes regiões do mundo. Para ele, embora a IA tenha se tornado uma ferramenta cada vez mais presente, o diferencial dessas organizações segue sendo humano. “O uso da IA é iminente, mas o valor real dos think tanks está no conhecimento que surge quando pessoas com interesses reais enfrentam problemas difíceis juntas”, destaca.

Outro ponto de reflexão foi a situação enfrentada por organizações da sociedade civil em diferentes países do Sul Global. Nas conversas com representantes internacionais, Guilherme observou relatos de perseguição e restrição ao trabalho dessas organizações, em contextos que vão além dos desafios fiscais e regulatórios conhecidos no Brasil. “Essas trocas nos ajudam a colocar a nossa realidade em perspectiva e reforçam a importância de proteger e fortalecer o espaço cívico”, avalia.

A presença do IDIS na conferência reforça seu compromisso com o fortalecimento da filantropia, da sociedade civil e da produção de conhecimento orientada ao impacto, em diálogo com redes nacionais e internacionais.

Instituto Chamex anuncia contemplados da 6º Edital Educação com Cidadania

Confira os projetos contemplados na 6ª edição do Edital Educação com Cidadania, iniciativa do Instituto Chamex que apoia organizações da sociedade civil comprometidas com a promoção da educação, da cidadania ativa e do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. 

Nesta edição, foram selecionadas iniciativas que atuam em áreas como educação ambiental, letramento, reforço escolar, formação cultural, inclusão digital e desenvolvimento comunitário, ampliando oportunidades para centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

 

 

Projeto: Olho D’agua 

Associação Crescer no Campo (Espírito Santo do Pinhal, SP) 

Criada em 2003, surgiu com a missão de dar oportunidade a crianças e adolescentes moradoras da zona rural de se tornarem cidadãos socialmente responsáveis e solidários. O projeto Olho D’Água estimula o reconhecimento de valores e conceitos do mundo natural dos jovens e crianças, desenvolvendo habilidades e competências necessárias à modificação de atitudes em relação ao meio ambiente. A intenção é que através de pesquisas, coletas de informações e amostras, experimentos, caminhadas de observação da fauna e da flora, atividades na horta e viveiro compreendam as interações do homem com os diferentes meios. Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Ler e Significar para Atuar no Mundo!​ 

Instituto Mutá (Valença, BA) 

 O Instituto Mutá faz parte de uma coalizão de organizações sociais ligadas ao CADI Brasil, sendo fortemente engajados na promoção e apoio dos direitos das crianças e adolescentes em Valença e região. O projeto aprovado em edital promoverá ações de letramento e alfabetização integradas a oficinas de música e atividades criativas, incluindo leitura, produção textual, expressão artística e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e a cidadania ativa dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: VivArte​ 

Quebrada Cultural (Juazeiro do Norte, CE)

A Quebrada Cultural é um espaço multi-artístico produzido pela comunidade do Triângulo, sendo uma casa de arte e experimentos onde acontecem eventos artísticos e culturais para a comunidade de Juazeiro do Norte. Selecionado como o projeto focado em economia criativa, o VivArte é um projeto de formação cultural que oferece oficinas presenciais de teatro, artes visuais, música, dança, literatura e circo para crianças e adolescentes. Por meio das linguagens artísticas, os participantes desenvolvem expressão, autonomia e senso crítico, reconhecendo a arte como ferramenta de cidadania e transformação social. Ao longo de seis meses, vivenciam dois ciclos de oficinas conduzidos por artistas-educadores, culminando em uma mostra e feira cultural aberta à comunidade na qual haverá um sarau e venda dos produtos produzidos pelos adolescentes com os ganhos sendo revertidos para os próprios beneficiários do projeto.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Nosso papel é imprimir o bem através da educação​ 

PreparArte (Rolim de Moura, Rondônia) 

 A Prepararte, criada em 2006, surgiu da visão da arte como instrumento para preparar pessoas, fortalecendo seus vínculos e habilidades sociais e ajudando na elaboração de um projeto de vida. Atualmente, a instituição está em fase de expansão e construção de uma sede própria ampliada, com o objetivo de garantir a continuidade da oferta gratuita de seus cursos. O novo espaço contará com uma biblioteca e dois laboratórios de informática, havendo necessidade de apoio para equipar esses ambientes com móveis e computadores. A iniciativa visa viabilizar a inauguração da sede e ampliar o número de alunos atendidos gratuitamente.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo​ 

Associação Crescer com Viver (Guarapari, ES) 

A Associação Crescer com Viver foi criada com o objetivo de ampliar oportunidades através de atividades socioeducativas, culturais e esportivas para jovens, crianças e famílias, com o objetivo final de promover a transformação social. O projeto “Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo” oferecerá reforço escolar em português e matemática, apoio às atividades escolares e oficinas criativas de pintura, leitura e expressão artística, com jovens em situação de vulnerabilidade social de 7 a 14 anos organizados por faixa etária. O objetivo é promover aprendizagem, desenvolvimento socioemocional, fortalecimento do vínculo com a escola e a comunidade, além de contribuir para a autoestima e permanência escolar dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: OCA – Oficinas Culturais e Artísticas​ 

Força Flor Desenvolvimento Humano e Defesa Cultural 

Força Flor possui sede própria na comunidade rural de São Pedro, e tem como objetivo a transformação social através da garantia de direitos da criança e do adolescente, da educação profissional e promoção de oportunidades de trabalho e da sustentabilidade. O projeto “OCA – Oficinas Culturais e Artísticas” será executado na sede da Força Flor em parceria com as escola municipais, com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social de 6 a 17 anos. Serão desenvolvidas oficinas semanais presenciais no contraturno escolar, de artes visuais, dança, artesanato, permacultura, informática e reforço escolar. O projeto prevê acompanhamento pedagógico, promoção da inclusão social,  desenvolvimento de habilidades, fortalecimento de vínculos e apresentação cultural de encerramento.​ Para mais informações, clique aqui. 

Ranking global de solidariedade revela fatores que impulsionam doações em diferentes países

O World Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, apresenta um indicador que mede a generosidade dos países com base na proporção da renda destinada a doações. Segundo o relatório, o senso de pertencimento comunitário e a confiança nas organizações estão entre os fatores mais associados a maiores níveis de doação.

A pesquisa ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países para compreender como indivíduos apoiam causas de interesse público ao redor do mundo e quais fatores influenciam suas decisões de doar.

 

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No Brasil, os resultados indicam um cenário de estabilidade, acompanhado por mudanças importantes nas motivações para a doação. O percentual de pessoas que realizaram algum tipo de doação em 2025 caiu de 62% para 59%. Apesar disso, a doação para organizações da sociedade civil manteve-se estável no país, com 28% das pessoas fazendo alguma doação em dinheiro para ONGS e 19% doando tempo na forma de voluntariado.

Segundo o levantamento, 61% da população mundial realizou algum tipo de doação ao longo do último ano, seja para organizações da sociedade civil, diretamente para pessoas em situação de vulnerabilidade ou por motivos religiosos. Em média, os entrevistados destinaram 1% de sua renda a essas contribuições. No Brasil, a média foi de 0,9% da renda.

O estudo mostra diferenças relevantes entre regiões. Na África, a média de doações corresponde a 1,6% da renda, enquanto na Europa esse percentual é de 0,6%. A Nigéria lidera o ranking global, com cidadãos destinando, em média, 2,8% de sua renda para organizações beneficentes, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em necessidade.

A pesquisa também aponta que adultos entre 25 e 44 anos destinam proporcionalmente uma parcela maior de sua renda a doações do que pessoas com mais de 55 anos. Entre as causas apoiadas, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar, recebendo contribuições de 31% dos entrevistados. Em seguida estão ações voltadas para crianças e jovens e para o enfrentamento da pobreza, ambas apoiadas por 29% dos respondentes.

 

Comunidade e confiança fortalecem a cultura de doação

Um dos principais achados do relatório é a relação entre o sentimento de pertencimento comunitário e os níveis de doação. Nos países onde mais de 80% da população afirma sentir forte conexão com sua comunidade local, a média de doações chega a 1,7% da renda. Já nos países onde menos da metade da população compartilha esse sentimento, a média cai para 0,6%.

Os resultados brasileiros dialogam diretamente com essa conclusão. Entre os motivos para doar, cresceu a parcela de pessoas que afirmam contribuir para apoiar suas comunidades locais, passando de 25% para 32%. Também aumentou o percentual daqueles que entendem a doação como um dever coletivo, que passou de 39% para 48%, índice muito acima da média global (36%) e da média sul-americana (17%).

O estudo também identificou que as pessoas tendem a apoiar principalmente organizações que atuam em suas comunidades (56%) ou em âmbito nacional (55%), em comparação com organizações que desenvolvem atividades em vários países (22%).

Além disso, fatores como transparência e clareza sobre o impacto das doações aparecem entre os principais elementos que poderiam estimular uma maior participação da população. Globalmente, 63% dos entrevistados afirmam que mais transparência sobre a gestão das organizações aumentaria sua disposição para doar e 47% gostariam de compreender melhor os resultados alcançados pelas iniciativas apoiadas. No Brasil, foi interessante ver que 27% dos doadores foram influenciados a doar pela cobertura feita pela mídia, demonstrando a força desta instituição para impulsionar a generosidade.

“Esses movimentos apontam para um doador mais consciente, que entende seu papel na construção de soluções coletivas, e por isso também mais exigente. Transparência quanto ao uso dos recursos e clareza sobre o impacto gerado surgem como condições essenciais para o aumento das doações. O fortalecimento da confiança será decisivo para transformar a intenção em ação e consolidar uma cultura de doação mais robusta no Brasil.” afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Encontro promovido pelo IDIS reúne filantropos em diálogos sobre propósito e transformação social

O IDIS realizou a primeira edição do ‘Em conversa com…’, iniciativa criada para promover diálogos mais próximos, profundos e inspiradores entre filantropos e filantropas brasileiros. O encontro reuniu lideranças do campo da filantropia em um ambiente de troca, escuta e aprendizado mútuo.

Nesta primeira edição, o evento contou com a participação de Claudio Haddad, fundador do Insper, e Ticiana Rolim Queiroz, fundadora da Somos Um, que compartilharam reflexões sobre suas trajetórias, propósitos e experiências na promoção de transformações sociais no Brasil.

Ao longo de seus 27 anos de atuação, o IDIS tem trabalhado pelo fortalecimento da filantropia e do investimento social privado no país. Nesse contexto, a filantropia familiar ocupa papel estratégico, especialmente por seu potencial de promover transformações estruturantes e de longo prazo.

Nos últimos anos, o IDIS aprofundou a atuação nesse campo por meio de pesquisas, workshops e da publicação ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar brasileira’. Durante esse processo, surgiu de forma recorrente a percepção da importância de ampliar espaços seguros de troca entre pares, ambientes pautados pela confiança, escuta qualificada e compartilhamento de experiências.

 

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Foi a partir dessa escuta que nasceu o “Em conversa com…”, com o propósito de fortalecer conexões humanas, ampliar repertórios e criar oportunidades para conversas que dificilmente acontecem nos fóruns tradicionais.

“O fortalecimento da filantropia também passa pela construção de vínculos e pela criação de espaços que estimulem trocas genuínas entre pessoas que compartilham o desejo de gerar impacto positivo na sociedade”, afima Paula Fabiani, CEO do IDIS.

A iniciativa contou ainda com o apoio da Fundação Bradesco, Movimento Bem Maior, Levisky Legado e UNICEF.

CNBB aprova criação de fundo patrimonial para preservar o patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil, com apoio do IDIS

Iniciativa segue a Lei dos Fundos Patrimoniais e pretende captar doações privadas para restaurar e manter bens sacros em todo o país

A Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou, em abril, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. A iniciativa, desenvolvida por meio da Assessoria de Bens Culturais da Comissão Episcopal para Cultura e Educação da CNBB e com o apoio técnico do IDIS, tem como objetivo captar doações privadas para restaurar, conservar e garantir a sustentabilidade financeira da gestão de bens culturais religiosos sob responsabilidade da Igreja, criando uma fonte permanente de financiamento para sua preservação.

O patrimônio cultural católico representa mais de 32% dos bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reunindo igrejas, obras de arte, arquivos históricos e espaços que integram a memória e a identidade brasileira. Apesar dessa relevância histórica e social, ao menos 99 igrejas e edificações religiosas apresentam hoje sérios problemas de conservação, segundo relatório de Bens Materiais do IPHAN divulgado em fevereiro de 2025.

O fundo patrimonial surge como um instrumento para assegurar estabilidade financeira no longo prazo, ampliar a independência institucional, fortalecer a governança e profissionalizar a gestão do patrimônio cultural eclesiástico. O mecanismo é constituído por doações de pessoas físicas e jurídicas cujos recursos são investidos no mercado financeiro por gestores profissionais, sendo utilizados apenas os rendimentos para financiar projetos, garantindo a perenidade das causas apoiadas.

“Vivemos um momento histórico ao aprovar um fundo patrimonial dedicado ao patrimônio cultural brasileiro sob gestão da Igreja Católica. Trata-se de um avanço significativo na forma como asseguramos a conservação desses bens, com um modelo inovador, sustentável, transparente e perene”, comenta Andrea Hanai, gerente de projetos e consultora no IDIS.

O modelo vem ganhando escala no país. O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil, produzido pelo IDIS de 2026, identificou 128 fundos patrimoniais ativos, que somam patrimônio superior a R$137,5 bilhões. A proposta é criar uma fonte contínua de financiamento complementar aos recursos já existentes, permitindo que dioceses, paróquias, congregações religiosas e instituições culturais ligadas à Igreja ampliem sua capacidade de gestão, conservação e restauração patrimonial.

Seguindo os parâmetros da Lei nº 13.800/2019, o fundo poderá apoiar a CNBB e seus 19 regionais, arquidioceses, dioceses, paróquias, ordens religiosas e equipamentos culturais eclesiásticos que possuam CNPJ próprio e atuação comprovada na gestão de patrimônio cultural. A iniciativa já conta com o apoio de um grupo de trabalho formado pelas Pontifícias Universidades Católicas de todo o país, IPHAN, Ministério Público e representantes da sociedade civil. O Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil prestará suporte às instituições elegíveis na elaboração de projetos, qualificação da gestão e captação de recursos. O objetivo é garantir que igrejas e bens religiosos continuem sendo espaços vivos de fé, cultura e acesso público em todo o Brasil.

 

Sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

O IDIS é uma organização da sociedade civil independente fundada em 1999 e pioneira em suporte técnico a investidores sociais no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e promover a filantropia estratégica e seu impacto, o IDIS atende indivíduos, famílias, empresas e institutos e fundações familiares, bem como organizações da sociedade civil, em ações que transformam realidades e contribuem para a redução da desigualdade social no país. Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Vaga para Analista de Projetos Sênior – Gestão da Doação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em projetos com foco em gestão da doação .

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Analista de Projetos Sênior que apoie na Gestão da Doação, uma das áreas de Consultoria do IDIS.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

 

  • Apoiar a condução e desenvolvimento de projetos do IDIS, com autonomia, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e benchmarking que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos.
  • Organizar, ler e analisar documentos e elaborar relatórios e apresentações sistematizados sobre os aprendizados e conclusões obtidos.
  • Facilitar a revisão de contratos, com apoio de parceiro jurídico, conciliando demandas das partes na busca pelas versões finais para assinatura.
  • Apoiar na coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos, consolidando as informações em relatórios gerenciais.
  • Apoiar na elaboração de propostas de projetos para potenciais clientes e parceiros, bem como na estratégia de prospecção da área.
  • Participar de reuniões semanais da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.
  • Conduzir reuniões semanais com clientes para acompanhamento gerencial do andamento dos projetos.
  • Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.

requisitos

  • Autonomia e capacidade de gestão de projetos e acompanhamento de múltiplas ações simultâneas.
  • Capacidade de relacionamento com clientes e projetos de impacto.
  • Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.
  • Metodologias para elaboração de análise diagnóstica, planejamento estratégico e plano de ação.
  • Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.
  • Familiaridade com contratos e termos de doação (desejável).
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões.
  • Conhecimentos intermediários de inglês na linguagem oral e escrita.

BENEFÍCIOS

  • Vale-Transporte
  • Assistência Médica e Odontológica
  • Vale-Alimentação/Refeição
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

 

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 09 de Junho

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Gerente de projetos do IDIS é certificado na metodologia de avaliação de impacto de organização britânica; confira entrevista

Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, obteve a certificação Practitioner Level 2 na metodologia SROI (Retorno Social sobre o Investimento), oferecido pela organização britânica Social Value International (SVI), referência mundial no assunto e da qual o IDIS integra a rede. Com a conquista, ele se torna o segundo brasileiro a alcançar esse nível de certificação, juntando-se a Paula Fabiani, CEO do IDIS, que até então era a única no país com o título.

O SROI é um protocolo de avaliação de impacto que propõe analisar a relação entre os recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade por essa iniciativa. A certificação é concedida pela organização que há mais de 15 anos qualifica profissionais em todo o mundo para a aplicação da metodologia.

“Foi um processo desafiador e muito enriquecedor, que exigiu dedicação e aprofundamento técnico na mensuração de impacto social. Ao longo da jornada, tive a oportunidade de ampliar meu olhar sobre a geração de valor social e aprender com diferentes profissionais. Essa conquista também reflete o apoio e a colaboração de muitas pessoas que fizeram parte desse percurso”, afirma.

De acordo com a Social Value International, valor social significa compreender a importância que as pessoas atribuem às mudanças em seu bem-estar e utilizar esses aprendizados para orientar decisões mais informadas. Nesse sentido, a metodologia contribui para fortalecer processos de tomada de decisão baseados em evidências em organizações sociais.

No centro, Daniel Barretti, durante discussão sobre Monitoramento e Avaliação
Créditos: André Porto

O IDIS é hoje uma referência na aplicação do SROI no Brasil, com projetos realizados para organizações como Amigos do Bem, Fundação Sicredi, Gerando Falcões, Instituto Ayrton Senna, Orquestra Maré do Amanhã, Parceiros da Educação, Petrobras e Vale.

Conheça mais sobre os projetos de Monitoramento e Avaliação realizados pelo IDIS.

Confira a entrevista com Daniel Barretti publicada na Social Value International:

 

1 – Parabéns por conquistar a certificação Level 2: Social Value Practitioner! O que esse marco representa para você e como é ser apenas a segunda pessoa no Brasil a alcançar esse nível?

Obter a acreditação L2 da SVI representa mais um passo em uma trajetória de aprendizado contínuo. Para mim, isso significa que minha prática em monitoramento e avaliação de projetos sociais vem se aprimorando. Quanto ao fato de eu ser apenas o segundo brasileiro a possuir essa acreditação, acredito que isso reflita o caráter pioneiro e consistente da experiência acumulada pelo IDIS (organização à qual pertenço) no protocolo SROI.

2 – Como gerente de Monitoramento e Avaliação no IDIS, de que forma o SROI faz parte do seu trabalho no dia a dia e o que motivou você a buscar essa certificação formal nesse nível?

Nossa atual CEO, Paula Fabiani, foi a primeira brasileira certificada no Nível 3 da SVI. Isso trouxe ao IDIS um selo de reconhecimento e uma expertise significativa na aplicação do protocolo no Brasil. Desde então, o IDIS vem realizando diversas avaliações SROI e tornou-se uma referência nacional no tema. Nesse contexto, o que me motivou a buscar a certificação SVI Nível 2 foi justamente a ideia de dar continuidade e atualizar nosso conhecimento na aplicação do SROI no Brasil.

3 – Você descreveu o processo de certificação como “desafiador e extremamente enriquecedor”. Pode explicar como foi esse processo e quais foram os aspectos tecnicamente mais exigentes para você?

Acredito que trabalhar os 8 princípios do SROI exige atenção cuidadosa e rigorosa aos detalhes técnicos e práticos, além de transparência e clareza nos processos de reporte e nos respectivos resultados. Engajar e coletar percepções de impacto de beneficiários indiretos, por exemplo, é um grande desafio, assim como fazer os beneficiários compreenderem a diferença entre o desconto de atribuição e o contrafactual. Por outro lado, essas dificuldades revelam caminhos e possibilidades de atuação e, consequentemente, nos levam a aprimorar nossas avaliações, tornando-as cada vez mais participativas, precisas e transparentes.

4 – O SROI exige uma abordagem rigorosa para quantificar valor social, desde o mapeamento de stakeholders até a monetização dos resultados. O que a certificação ensinou a você sobre aplicar esses princípios especificamente no setor social brasileiro?

Como mencionei, envolver beneficiários indiretos é um grande desafio, já que eles estão, em grande parte, distantes da intervenção e, consequentemente, têm baixa percepção do impacto relacionado a ela. No entanto, o processo de acreditação me ensinou que é necessário, primeiro, identificar e testar possibilidades de mobilização e engajamento e, segundo, coletar as informações da melhor forma possível — mas não deixar de coletá-las — e, principalmente, descrever as limitações e riscos de cada processo de coleta de dados e de análise dos resultados.

Do ponto de vista da monetização, combinar técnicas como o uso de proxies e ancoragem mostrou-se uma abordagem poderosa para unir valor de mercado e percepção social de valor. Ainda assim, o processo de acreditação me mostrou que a etapa de monetização pode ser ainda mais participativa ao validar proxies junto ao público beneficiário.

5 – O IDIS já aplicou SROI com organizações como Amigos do Bem, Instituto Ayrton Senna, Petrobras e Vale. Como sua experiência prática nesses projetos influenciou sua abordagem na certificação e vice-versa?

Submeti para acreditação uma avaliação que havíamos realizado recentemente com base em nossa experiência prévia com SROI. Entendo que essa experiência anterior me ajudou de muitas maneiras, mas também trouxe alguns hábitos já incorporados de compreensão e execução que, por vezes, estavam equivocados. Assim, o processo de acreditação certamente serviu para refletirmos criticamente e atualizarmos nossas práticas, alinhando-as de forma mais consistente aos princípios da SVI.

6 – Você mencionou que essa conquista reflete o apoio de muitas pessoas ao longo da jornada. Quem foram algumas das vozes ou colaboradores-chave e o que aprender junto a pessoas de diferentes formações trouxe para essa experiência?

Hoje temos uma equipe grande de Monitoramento e Avaliação no IDIS, e trocamos muitas ideias sobre nossas práticas diárias de trabalho. Então, eu diria que, em certa medida, toda a equipe me ajudou por meio de reuniões, debates e reflexões, mesmo quando não estavam diretamente relacionados ao meu processo de acreditação.

De forma mais direta, três pessoas contribuíram muito nesse processo: Ana Beatriz, que foi a analista mais envolvida comigo durante a execução da avaliação antes de eu submetê-la para acreditação; Denise Carvalho, diretora de Monitoramento e Avaliação do IDIS, que não apenas me incentivou, mas também me ajudou nas reflexões e revisões necessárias ao longo do processo; e, por fim, Paula Fabiani, CEO do IDIS, que foi a maior incentivadora para que eu buscasse essa acreditação e não desistisse após uma primeira tentativa.

7 – A mensuração de valor social ainda está amadurecendo como disciplina na América Latina. Quais você vê como as maiores barreiras para uma adoção mais ampla de valor social e SROI no Brasil, e o que diria a outros profissionais que estão considerando a certificação?

Para começar, eu diria que ainda temos uma barreira quando se trata de avaliações de impacto em geral. Muitas organizações que afirmam avaliar impacto estão, na verdade, monitorando indicadores de processo ou de produto, como o número de participantes. Avaliações de impacto, como as avaliações SROI, exigem recursos humanos, técnicos e financeiros que muitas vezes não são previstos no planejamento das iniciativas.

Além disso, acredito que a grande extensão territorial do Brasil e, consequentemente, sua enorme diversidade cultural e socioeconômica representam um desafio ainda maior para a monetização. No Brasil, por exemplo, não temos um banco oficial de proxies como existe no Reino Unido, e acredito que um esforço desse tipo talvez nem fosse viável justamente por conta das diferenças territoriais do país.

Recomendo fortemente que outros profissionais passem pelo processo de certificação, pois ele permite refletir criticamente sobre as próprias práticas, sobre as melhores formas de adaptá-las e conduzi-las no contexto brasileiro e, por fim, porque acredito que seja uma abordagem rica, que combina dados qualitativos e quantitativos e nos proporciona uma leitura muito profunda das iniciativas sociais a partir da perspectiva de quem realmente vivencia essas iniciativas na prática.

8 – O que vem pela frente para você? Existem áreas da prática de valor social que você espera desenvolver mais, e o que espera que essa conquista possibilite para o IDIS e para o campo?

Certamente. Duas lições do meu processo de acreditação que quero muito colocar em prática são: primeiro, um processo mais qualificado e robusto de escuta e engajamento de beneficiários indiretos; e, segundo, tornar a avaliação ainda mais participativa, validando resultados parciais, bem como a escolha de proxies, por exemplo, também com os beneficiários, além da validação junto à organização executora da iniciativa.

Programa Juntos Pela Saúde lança Relatório de Atividades 2025

O Juntos pela Saúde é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), implementada nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. 

Em 2025, o projeto alcançou um momento decisivo de consolidação e implementação com a atuação em 64 municípios da região Norte, 298 municípios do Nordeste e 12 projetos em execução simultânea.

O ano também marca a conquista de  R$72,9 milhões investidos, 4.167 unidades de saúde beneficiadas, 20.731 equipamentos distribuídos (entre equipamentos de saúde, informática e mobiliário), 17.545 beneficiários diretos e 9,7 milhões de beneficiários indiretos. Até 2026, o programa prevê R$113 milhões em investimentos.

 

Baixe aqui o Relatório de Atividades 2025 do Juntos pela Saúde

 

Confira as principais ações realizadas e os números de programa, entre 2023 e 2025:

Sobre os projetos executados em 2025 

Entre os projetos em execução, o Afluentes expandiu protocolos nacionais de pré-natal e controle da hipertensão para 6 municípios do Oeste do Pará, com elaboração de guias clínicos e capacitação de profissionais da Atenção Primária. O CARDIO fortaleceu o cuidado cardiovascular em municípios da Paraíba, Ceará e Pará, com a implantação de cantinhos especializados em 386 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já o Ciclo Saúde Proteção Social apoiou a gestão pública e a qualificação das equipes da APS em 32 municípios do Pará e Maranhão, somando 664 encontros formativos e mobilizando mais de dois mil profissionais.

Na frente de inovação tecnológica, o epCertify – Linha de Cuidado Hiperdia implementou soluções digitais para monitoramento de hipertensão e diabetes em dez municípios nordestinos, beneficiando 88 UBS e mais de 198 mil pessoas indiretamente. O Impulso Previne ampliou o uso estratégico de dados públicos da Atenção Primária para 243 municípios em 15 estados, apoiando o acompanhamento ativo de pacientes e a melhoria de indicadores assistenciais. Complementando essa agenda, o NoHarm utilizou inteligência artificial para qualificar a segurança do paciente, analisando mais de 28 mil prescrições e fortalecendo a gestão clínica em 341 UBS, inclusive em territórios remotos.

No campo da vigilância em saúde, o Sistema de Antecipação de Surtos avançou no monitoramento epidemiológico de doenças respiratórias, alcançando 479 municípios em 2025. O SUS na Floresta deu início às construções dos pontos de apoio à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas, ampliando o acesso a atendimentos presenciais, telemedicina e serviços odontológicos.

Voltado ao cuidado integral, o Tecendo Linhas fortaleceu a saúde materno-infantil e o acompanhamento de condições crônicas em seis municípios do Pará, enquanto o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer de Colo do Útero ampliou a cobertura vacinal contra HPV em dez municípios do Ceará, com resultados superiores a 90% em parte dos territórios atendidos. Já o V.E.R. – Visão em Rede promoveu triagens visuais e acesso a diagnóstico em Serra Talhada (PE), utilizando telessaúde e doação de óculos para reduzir barreiras de acesso ao cuidado ocular.

Paula Fabiani nomeada para a lista TIME100 Philanthropy 2026, que representa os 100 líderes mais influentes na filantropia

A TIME nomeou Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, para a segunda edição anual da lista TIME100 de Filantropia de 2026, que reconhece figuras singulares que estão moldando o futuro das doações. Paula é a primeira brasileira a integrar a lista.

O reconhecimento destaca sua atuação no fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, bem como sua contribuição para aproximar o país dos debates internacionais sobre investimento social e desenvolvimento sustentável.

Segundo Paula Fabiani, a inclusão na TIME100 Philanthropy reflete o avanço coletivo do campo no país. “Espero que esse reconhecimento traga mais visibilidade para a filantropia brasileira. Nos últimos anos, temos visto o campo se desenvolver de forma consistente, com mais articulação, profissionalização e busca pela sustentabilidade com os fundos patrimoniais. O Brasil tem uma sociedade civil potente, criativa e com capacidade de inovação, e pode ocupar um papel cada vez mais protagonista nos debates globais sobre impacto social e desenvolvimento sustentável.”

Economista formada pela FEA-USP, com MBA pela Stern School of Business da New York University e doutorado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Paula construiu sua trajetória profissional conectando conhecimento acadêmico, articulação institucional e incidência pública em prol do impacto social. Autora de livros sobre fundos patrimoniais filantrópicos e primeira infância, Paula também é certificada na metodologia de avaliação de impacto SROI (Social Return on Investment) pela organização Social Value UK.

Paula Fabiani durante cerimônia da TIME100 Philanthropy

À frente do IDIS, contribuiu diretamente com apoio técnico à centenas de empresas, famílias, fundações e institutos, e liderou iniciativas que se tornaram referências nacionais, como a Pesquisa Doação Brasil, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais e a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Sua atuação foi decisiva para a aprovação da Lei nº 13.800/2019, que regulamenta os fundos patrimoniais no Brasil, mecanismo que garante recursos para causas de interesse público no longo prazo. Esse é um marco estrutural para o fortalecimento da filantropia no país e, desde então, o campo passou por uma expansão significativa: desde 2019 já foram criados mais de 60 fundos, e hoje o país já conta com 128 fundos patrimoniais ativos mapeados. Além disso, é uma das fundadoras do Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL, para incentivar empresas de diversos portes e segmentos a doarem pelo menos 1% de seu lucro líquido anual para causas socioambientais.

Em 2024, quando o IDIS foi contemplado com uma expressiva doação da filantropa MacKenzie Scott, foi possível pôr em prática um desejo antigo: a criação de um fundo patrimonial voltado ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação. Paula Fabiani vem liderando a captação ao Fundo de Fomento à Filantropia, inédito em sua categoria, junto a investidores locais. Hoje, o patrimônio ultrapassa R$ 10 milhões e segue ativo.

O reconhecimento da Revista Time posiciona o Brasil no mapa global da filantropia estratégica e evidencia o amadurecimento de um ecossistema que Fabiani ajudou a construir.  Além de liderar o IDIS, participa também em redes e conselhos nacionais e internacionais, entre eles o Conselho Consultivo do UNICEF e o Steering Committee do Global Philanthropy Forum, e é cofundadora do capítulo brasileiro do Catalyst Now.

Em entrevista a GloboNews, no quadro Extraordinários, Paula Fabiani, CEO do IDIS, compartilha reflexões sobre cultura de doação. Confira:

 

Equipe IDIS celebrando conquista durante reunião de equipe

Transformando Territórios conclui segunda formação em Governança para o Terceiro Setor

Em abril, o programa Transformando Territórios concluiu a segunda formação em Governança para Terceiro Setor, ampliando o alcance e reforçando o compromisso com o fortalecimento institucional do terceiro setor em diferentes territórios.

Voltada para pessoas que já atuam ou desejam atuar em posições de liderança dentro de OSCs, a formação reuniu mais de 70 participantes, representando mais de 30 municípios, distribuídos em 14 estados brasileiros. A iniciativa contou com representantes indicados por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) parceiros do programa.

Estruturada em quatro encontros síncronos, a formação contou com emissão de certificado para os participantes. Ao longo da programação, foram abordados temas fundamentais para o fortalecimento das organizações, como introdução ao terceiro setor e a conceitos e práticas de governança de sucesso, além de sustentabilidade institucional e construção de legado.

O objetivo da formação foi aprofundar a compreensão sobre a importância da governança como elemento estratégico para a transparência, sustentabilidade e efetividade das OSCs, contribuindo para o desenvolvimento de lideranças mais preparadas para enfrentar desafios e ampliar o impacto social das organizações.

“Concluir essa formação com mais de 70 lideranças certificadas é plantar sementes para o futuro do setor social. Governança é transparência, compromisso e, acima de tudo, a abertura para novas vozes no processo decisório, garantindo que as organizações atendam demandas socioambientais legítimas e maximizem seu impacto.”, comenta Felipe Insunza Groba, gerente de projetos do IDIS, e ministrante da formação.

A primeira turma, concluída em 2025, foi direcionada exclusivamente a membros das FICs participantes do programa Transformando Territórios. Já essa segunda fase teve como público lideranças de OSCs atuantes nos territórios dessas fundações e institutos, auxiliando na melhoria das práticas de governança de forma mais ampla. 

A iniciativa integra as estratégias do Transformando Territórios, com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, fortalecendo Fundações e Institutos Comunitários e impulsionando organizações que atuam diretamente na promoção do desenvolvimento local.

“É fundamental tratar da Governança. Ainda é tomado como algo secundário, mas não deve ser assim. A FUNDAES teve a oportunidade de reforçar isso no seu âmbito.

Os testemunhos que ouvimos é de que a Formação em Governança foi espetacular. Entidades já “maduras” disseram que o assunto deve ser revisitado. Falar aos Conselheiros da sua indispensável participação para advocacy e captação de recursos, além de fiscalizar a Gestão, é de extrema importância. E nisso o Felipe foi estratégico durante a formação. Muito obrigado ao IDIS”, agradece  Robson Melo, diretoria da FUNDAES, uma das organizações participantes do programa Transformando Territórios.

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Conheça nossos materiais sobre Governança

Começa a pesquisa para Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2025

Está iniciada a coleta de dados para o Anuário de Desempenho dos Fundos Patrimoniais 2025. Esta é a quinta edição da publicação, realizada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e que este ano tem o apoio estratégico da Fundação Bradesco e Movimento Bem Maior, e o apoio de 1618 Investimentos, Fundação José Luiz Setúbal, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Levisky Legado e Pragma Gestão de Patrimônio.

A iniciativa traz informações sobre fluxo de caixa (patrimônio, doações recebidas, investimentos na causa e resgates para manutenção própria); alocação e rentabilidade dos investimentos; estrutura da governança (com dados sobre a presença de membros independentes e participação feminina), investimento responsável, além de perspectivas para o futuro.

A última edição do estudo, no ano passado, contou com 92 respondentes com patrimônio somado de R$ 139 bilhões.

Serão enviados emails convite para os fundos mapeados pelo IDIS, mas gestores interessados em integrarem o Anuário podem entrar em contato com a equipe do IDIS pelo email: anuariofp@idis.org.br ou por WhatsApp (11) 91708-5775.

Os fundos respondentes terão a oportunidade de participar de um evento fechado entre Gestores de Fundos Patrimoniais no lançamento da publicação.

Para conhecer as informações solicitadas no questionário, o disponibilizamos também completo em Word (acesse aqui). Mas atenção: só serão válidas respostas enviadas via sistema.

PRAZO DE PREENCHIMENTO

As respostas oficiais deverão ser preenchidas no sistema online clicando aqui até 31 de maio de 2025.

 

Conheça o Anuário de Desempenho dos Fundos Patrimoniais 2024.

 

REALIZAÇÃO

SOBRE FUNDOS PATRIMONIAIS

Os fundos patrimoniais, ou endowments, são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade financeira de organizações e causas. No Brasil, o primeiro foi criado na década de 50 e se intensificaram a partir de 2019, com a sansão da Lei 13.800/19. Segundo o Monitor de Fundos Patrimoniais, há hoje no país mais de 130 fundos patrimoniais ativos.

 

Saiba mais:

2° Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1% reúne lideranças para debater e estimular a doação empresarial

No dia 29/04, em São Paulo, aconteceu o segundo Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1%, um evento exclusivo promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Instituto MOL, que reuniu empresas protagonistas na transformação positiva no Brasil, que se comprometeram a doar ou já destinam ao menos 1% do lucro líquido anual para organizações da sociedade civil, movimentos ou coletivos que atuam em prol de causas socioambientais de interesse público. O Compromisso 1% reúne hoje 27 empresas signatárias, com novas organizações em processo de adesão.


Veja o que é Investimento Social Privado.


Com o objetivo de promover reflexões sobre o papel da filantropia estratégica, a programação contou com painéis e rodas de conversa com lideranças corporativas, conselheiros do Compromisso 1% e representantes das empresas signatárias e algumas empresas que estão finalizando o processo de adesão.

2º Encontro de empresas signatárias do Compromisso 1% na sede da KPMG Brasil / Foto: André Porto

Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – e de Rodrigo Pipponzi, membro do Comitê de Sustentabilidade da RD Saúde, lideraram o painel “Pessoas, propósito e legado: geração de valor para dentro e fora das empresas”, e debateram como o Investimento Social Privado pode gerar valor para os públicos de interesse da empresa, sejam internos ou externos. Já as rodas de conversas, mediadas por empresas signatárias e organizações do comitê consultivo do movimento, abordaram temas como alinhamento entre estratégia empresarial e investimento socioambiental, sensibilização e engajamento de lideranças, relacionamento com públicos externos, monitoramento e avaliação de impacto, comunicação como ferramenta de valor e diferentes modalidades de doação, promovendo conexões qualificadas e aprendizado coletivo.

Fechando com chave de ouro,  Rafaella Carvalho, Diretora Executiva na Cyrela Brazil Realty e Bruna Silva, Gerente Executiva de Impacto Social na RD Saúde, inspiraram ainda mais os presentes, reforçando a importância do compromisso contínuo com a filantropia estratégica e o papel das empresas na geração de impacto positivo na sociedade.

O II Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1% marcou um avanço essencial: aproximar empresas signatárias e empresas que querem assumir um compromisso público e ter uma atuação mais conectada com a transformação socioambiental. Mais do que alinhamento de discurso, o encontro mostrou que, quando as empresas atuam de forma conjunta, elas podem ampliar o potencial de gerar mudanças concretas no Brasil.


QUER FAZER PARTE DESSA TRANSFORMAÇÃO?

Se a sua empresa também acredita no poder da doação estratégica para construir um futuro mais sustentável, acesse e saiba como aderir ao movimento. Junte-se às empresas que já estão mudando o mundo com apenas 1%.

IDIS e parceiros levam tema do investimento social privado para a Amazônia

No final do mês de março, representantes do IDIS estiveram em Manaus (AM) para uma série de agendas voltadas à promoção do Investimento Social Privado (ISP) na região. A iniciativa teve como objetivo dialogar com diferentes públicos locais, além de conhecer de perto iniciativas desenvolvidas no território.

A programação teve início com a participação no 8º Encontro Regional promovido pela FBN Brasil – Family Business Network Brasil, nesta edição em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. O evento reuniu famílias empresárias da Região Norte para discutir tendências, cenários econômicos, perspectivas de sucessão e governança, bioeconomia, além do papel da filantropia e do investimento social privado no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Realizado na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o encontro contou com 73 participantes e 14 palestrantes, em uma manhã dedicada à troca de experiências, conexões estratégicas e reflexão sobre os desafios e oportunidades para as empresas familiares e para o desenvolvimento sustentável da região.

Durante a programação, a gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, Luisa Lima, conduziu um painel sobre o papel das famílias empresárias no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Em sua fala, apresentou diferentes modelos de investimento social e destacou iniciativas já em andamento. “Ficou evidente a conexão dos empresários com o território. Há um enorme potencial da Amazônia para impulsionar soluções que conciliem desenvolvimento econômico, conservação ambiental e fortalecimento das comunidades locais”, afirmou.

Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, também integrou a programação.

No dia seguinte, Luisa Lima representou novamente o IDIS no evento Conexão de Impacto, promovido pelo Impact Hub Manaus, com uma apresentação sobre investimento social privado e cultura de doação para cerca de 30 representantes de organizações da sociedade civil da cidade.

A agenda incluiu ainda outras visitas institucionais, como ao escritório do UNICEF em Manaus e à Comunidade de Tumbira, onde a FAS implementa ações voltadas ao desenvolvimento local, beneficiando diretamente mais de 140 ribeirinhos.

Relatório de atividades 2025: esperançamos e realizamos!

Há mais de duas décadas, escolhemos acreditar – e agir – para que a filantropia seja força ativa na construção de um Brasil mais justo e solidário.

Em 2025, esse compromisso se manteve firme. O ‘esperançar’ foi o tema do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais e também o fio condutor que guiou nossas ações. Diante da complexidade da policrise mundial, é fácil sentir-se paralisado, com o horizonte do futuro encoberto pela incerteza. Mas não se pode esperar. É tempo de agir, colaborar, mobilizar forças e acreditar que um mundo com mais equidade é possível. A filantropia é um farol, que aponta o caminho para novas
alternativas e possibilidades, transformando esperança em movimento.

Seja entre iniciativas internas ou em colaborações com outras organizações do setor, a coletividade deu propulsão à nossa atuação baseada no tripé de geração de conhecimento, consultoria e projetos de impacto. Durante esse caminho, continuamos com nossa missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto. As histórias foram reunidas em nosso Relatório de Atividades.

Acesse e baixe o Relatório de Atividades IDIS de 2025.

Conheça os destaques!

 

O IDIS em números

Nossa equipe de consultoria conduziu 39 projetos, abrangendo áreas como planejamento estratégico, agenda ESG, estruturação e gestão de fundos patrimoniais, gestão de doações e avaliação de impacto.

Já na área de conhecimento, continuamos com nossa vocação de refletir sobre tendências, ler cenários e sistematizar conceitos e metodologias. Foram 50 novos produtos, incluindo publicações, artigos e notas técnicas lançadas e eventos. Lançamos a quinta edição do Perspectivas para a Filantropia no Brasil, realizamos mais uma edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que mais uma vez aconteceu de forma híbrida, e produzimos a Pesquisa Doação Brasil 2024 e o estudo Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da Filantropia Familiar no Brasil. Apoiamos o desenvolvimento, adaptação e tradução de estudos de organizações parceiras internacionais, como o World Giving Report 2025, da CAF. Ao todo, recebemos 62 mil acessos aos nossos conteúdos.

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025

Os projetos de impacto que o IDIS implementa e lidera continuaram avançando. No âmbito do programa Transformando Territórios, o ano em que o Programa completou meia década foi marcado por avanços no fortalecimento individual e coletivo das FICs, compartilhamento de conhecimento e ampliação do modelo no Brasil. Atualmente, são 15 organizações participantes, presentes em dez estados brasileiros. Para dar mais visibilidade ao conceito da filantropia comunitária territorial e fortalecer a comunicação institucional das FICs, foi produzida a Websérie Transformando Territórios, que apresenta 14 histórias reais de impacto, pertencimento e protagonismo comunitário.

Ao longo do ano, a Coalização pelo Fundos Filantrópicos, liderada pelo IDIS, continuou sua atuação, que envolveu diversas reuniões estratégicas e a submissão de documentos técnicos, garantindo que a discussão fosse aprofundada e priorizada na agenda legislativa. A cultura é uma das causas com larga tradição de financiamento por meio de endowments e, em 2025, o Ministério da Cultura publicou a Instrução Normativa nº 26, regulamentando a captação de recursos, via Lei de Incentivo à Cultura, para a constituição ou ampliação de fundos patrimoniais culturais, nos termos da Lei nº 13.800/2019. Ainda nesta temática, lançamos mais uma edição do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais, e demos continuidade a atualização do Monitor de Fundos Patrimoniais, acompanhando a evolução do tema no Brasil.

Andrea Hanai junto a Margareth Menezes durante o encontro ocorrido em Brasília. 22 de maio de 2025. Foto: Victor Vec/ MinC.

Em 2025, o Programa Juntos pela Saúde, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e gerida pelo IDIS, completou seu portfólio, com dois projetos finalizados e 12 em execução simultânea. Para
além de estruturar arranjos e selecionar iniciativas, o programa passou a concentrar esforços na sustentação da execução e do monitoramento. Até 2026 serão destinados aproximadamente R$ 113 milhões, captados em formato de matchfunding (sendo 50% deste valor por meio de parceiros e 50% do BNDES) para 14 projetos que visem beneficiar atividades de saúde, com destaque ao apoio aos serviços da atenção primária, apoio diagnóstico, prevenção e rastreamento.

O Compromisso 1%, parceria entre IDIS e @Instituto MOL, reúne empresas de diferentes portes e setores que se comprometem a doar, de forma voluntária, pelo menos 1% de seu lucro líquido anual para em prol de causas de interesse público. Em um ano e meio de existência, o Compromisso 1% reuniu 22 empresas signatárias que se comprometem a doar ao menos 1% de seu lucro líquido, seja por meio de recursos financeiros, produtos ou expertise, na forma de trabalho pro bono.

Também demos início ao IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. Durante o Google for Brasil 2025, em São Paulo, o Google.org, vertente filantrópica do Google, anunciou o aporte de R$ 5 milhões destinados a capacitação em inteligência artificial voltada ao terceiro setor. O IDIS assumiu a liderança da implementação do programa, ampliando nosso compromisso com a inovação acessível e orientada ao interesse público. Em parceria com o Canal SabIAr, desenhamos um programa abrangente de formação em IA para ONGs de todo o Brasil, o que inclui mentorias para a efetiva implementação de soluções e acompanhamento para identificação do impacto gerado pelo programa.

Presença global e parcerias

Acreditamos que a pluralidade de opiniões, origens, histórias de vida e de repertório enriquecem o nosso trabalho e aumentam o nosso potencial de impacto. Por isso, em 2025, continuamos a celebrar a diversidade e investir no poder das parcerias.

Também participamos de redes temáticas, refletindo, cocriando, referendando e implementando ações. Contribuímos para o avanço de pautas relevantes para o fortalecimento do ambiente democrático, do Investimento Social Privado e da Cultura de Doação no Brasil.

Conheça os nossos parceiros institucionais e as redes das quais participamos em 2025.

Equipe IDIS durante encontro de discussão de planejamento estratégico na Pinacoteca de São Paulo

Quem faz o IDIS

Quem constrói nossa história diariamente é quem faz parte do IDIS. O IDIS tem crescido não só em números de projetos, indicadores de impacto, eventos e parceiros, mas também em pessoas (ou querIDIS). Fechamos o ano com 56 querIDIS em nosso time, levando à criação de novos processos e políticas de pessoas.

Com modelo de trabalho híbrido, ao longo do ano, foram promovidas uma série de ações de integração, formação e troca de conhecimento. Parte dessas iniciativas foi conduzida pelo Comitê de Diversidade, composto por membros da equipe IDIS, que também coordenou a quinta edição do Censo IDIS.

Conheça todos os detalhes das atividades do IDIS ao longo de 2025 em nosso Relatório de Atividades.

Representantes da Mott Foundation acompanham avanço do Programa Transformando Territórios em três regiões do país

De 24 de março a 1º de abril, representantes da Charles Stewart Mott Foundation, uma das principais fundações filantrópicas dos Estados Unidos, estiveram no Brasil a fim de conhecer e revisitar fundações comunitárias em Porto Alegre, Maceió, Valinhos, Campinas e São Paulo. A visita contou com a presença de Neal Hegarty (vice-presidente de programas), Nick Deychakiwsky (oficial de programas sênior), Gabriella Abrego (especialista em fortalecimento do espaço cívico e desenvolvimento comunitário), Jenifer Veloso (oficial de comunicação) e Daniela Gomes (oficial de programas), todos da Mott Foundation.

O programa Transformando Territórios, apoiado pela Mott Foundation e Movimento Bem Maior, atua no fomento e criação de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) e atualmente conta com 14 participantes. Esse modelo de organização atua em um espaço geográfico delimitado, mobilizando recursos locais e fortalecendo outras organizações da sociedade civil que desenvolvem soluções para os desafios sociais, ambientais e econômicos dos próprios territórios. 

A agenda reuniu oito institutos e fundações comunitárias, com atividades realizadas em cinco cidades. Os números refletem a importância da iniciativa e ganham ainda mais relevância ao considerar o impacto direto das ações em territórios onde cada esforço contribui de forma significativa para o desenvolvimento local.

Representantes da Mott Foundation, IDIS e Fundações Gerações em Porto Alegre

Fundação Gerações: a importância da articulação local

Iniciando a viagem pela capital gaúcha, Porto Alegre, se reuniram com lideranças da Fundação Gerações, visando conhecer a estratégia da organização e ações, como a criação do Fundo Porto de Todos — primeiro fundo comunitário do estado, criado durante as enchentes na região em 2024. A visita contou com a presença do ICOM, outra FIC participante do programa, com atuação na grande Florianópolis, em Santa Catarina, estado vizinho.

Depois foi possível conhecer de perto o impacto gerado por projetos apoiados pela Fundação Gerações por meio do Fundo, como a Cooperativa de Produtos Orgânicos Pão da Terra, iniciativa que reúne famílias associadas e atua na produção agroecológica de hortaliças, panificados, grãos e cogumelos. Também, no município de Canoas, conheceram a ONG Chimarrão da Amizade, que atua na inclusão social de pessoas com deficiência intelectual e das famílias, além de encontros com filantropos e representantes do ecossistema social local.

A agenda na cidade também envolveu encontros com empresas e representantes de filantropos locais a fim de compreender possibilidades de colaboração e envolvimento da comunidade do território com a fundação comunitária.  

“A Fundação Gerações é um excelente exemplo de como uma fundação ou instituto comunitário pode mobilizar a comunidade local para fortalecer a sociedade civil em um território. Após as enchentes na região, se mobilizou com atores locais, incluindo poder público, empresas e sociedade civil para responder aquela emergência. Essa articulação evidencia a importância de uma organização como a Gerações pode ter em um território”, conta Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios do IDIS.

Comitiva conhecendo a ONG Chimarrão da Amizade no municípios de Canoas

“Foi uma honra estreitar diálogos com a equipe da Mott Foundation e apresentar, na prática, como a filantropia comunitária vem fortalecendo iniciativas em diferentes territórios da nossa região”, afirma Karine Ruy, diretora executiva da Fundação Gerações.

Cooperativa de Produtos Orgânicos em Eldorado do Sul em Porto Alegre

Mundaú Mundo: o protagonismo das comunidades e da articulação local

A próxima parada foi no Nordeste do Brasil, em Maceió, Alagoas. A Mundaú Mundo, FIC dedicada à capacitação, empoderamento e fortalecimento de organizações, promovendo justiça climática, cultura local e desenvolvimento econômico. Durante a visita, representantes do Instituto Comunitário de Sergipe (ICOSE) também estiveram presentes. 

A comitiva participou de agendas com projetos apoiados pela fundação, como a Cooperativa de Marisqueiras, iniciativa que apoia cerca de 40 marisqueiras na despinicagem e comercialização do sururu, na Lagoa Mundaú, contribuindo para a melhoria da renda e das condições de trabalho das participantes. A programação incluiu encontros com potenciais empresas parceiras e atuais, além de encontro com lideranças comunitárias de diversas cidades do estado, evidenciando a articulação multissetorial no estado de Alagoas, uma importante característica das FICs. 

Ainda em Maceió, especificamente no bairro do Vergel, um dos bairros com alto índice de vulnerabilidade social, os representantes puderam conhecer o laboratório de inovação em construção dentro da própria comunidade. Em fase inicial, será um espaço de acesso à tecnologia. O local contará com a disponibilização de notebooks e a oferta de cursos de informática, com o objetivo de ampliar oportunidades, fortalecer competências digitais e apoiar o desenvolvimento local por meio da inclusão tecnológica.

Mulheres da Cooperativa de marisqueiras em Maceió

“Nossa concepção para a visita foi apresentar o impacto que geramos no território por meio das diversas organizações que apoiamos diretamente. Foi uma agenda bastante estratégica, pensada para mostrar o conjunto do nosso trabalho e o alcance das iniciativas que fortalecemos. Também foi uma agenda marcada por visitas em campo, não apenas às organizações apoiadas, mas voltada a evidenciar o papel da própria Mott Foundation e a validação desse impacto no território”, afirma Carlos Jorge da Silva Santos, diretor-presidente da Mundaú Mundo.

FEAV e Instituto Cacimba: educação, cultura e empreendedorismo no interior e na capital

Saindo do Nordeste do país, foi a vez de seguir para o Sudeste, com destino ao estado de São Paulo. Iniciando em Campinas, os representantes da Mott encontraram-se com lideranças da Fundação FEAC, anteriormente uma fundação participante do programa e que hoje atua como apoiadora. 

No interior, um dos pontos centrais da visita foi o Casarão FEAV, imóvel doado pela Fundação FEAC que possibilitou a ampliação das atividades da organização na cidade vizinha. O espaço abriga cursos, capacitações e iniciativas sociais, entre elas o SOS AVC Valinhos, atualmente constituído como organização social independente. Também foi apresentado o histórico do programa JovemTEC, voltado à preparação de estudantes da rede pública para o ingresso em escolas técnicas, hoje conduzido pelo Círculo de Amigos do Patrulheiro.

Já na capital, a visita contou com uma reunião no IDIS, além da Mott, estiveram presentes representantes do apoiador do programa Transformando Territórios, Movimento Bem Maior. O último destino foi a zona leste de São Paulo. A visita ao Instituto Cacimba, da região de São Miguel Paulista, contou também com representantes do Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, outra participante do programa e parceiros do programa, como Comunitas, Instituto ACP e a Fundação Tide Setubal.

Caminhada pelo bairro União de Vila Nova (SP) em visita ao Instituto Cacimba

Em um roteiro a pé, foram visitados: Uni-Diversidade da Quebrada, espaço em que o Instituto Cacimba, junto ao Instituto Nua, desenvolve projetos voltados ao fortalecimento do bairro União de Vila Nova, com foco em educação e cultura. Entre as iniciativas, destacam-se oficinas de pintura, cursos de marketing e costura, além do “Desnegócio”, programa que fomenta o empreendedorismo local. Durante a visita, a equipe do Instituto apresentou a trajetória, detalhou a atuação dos projetos e conduziu um tour pelo espaço onde as atividades são realizadas.

Também conheceram áreas de expansão da atuação no território, como o Parque Jacuí. Ao longo do percurso, foram apresentados os planos futuros do Instituto, evidenciando os desafios ainda enfrentados no território e as perspectivas. 

 

“No Brasil, o ICOM (Instituto Comunitário da Grande Florianópolis) foi a primeira fundação comunitária, criada em 2005. Hoje já existem 14, muitas delas bem estruturadas, com bom conhecimento do território, atuação alinhada às demandas locais e capacidade de mobilizar recursos locais. O desenvolvimento dessas organizações requer um processo gradual e cuidadoso, baseado mais em apoio do que em direcionamento externo. Uma metáfora que vejo é a de soprar brasas: se soprar forte demais, apaga o fogo; se soprar pouco, ele não acende”, conta Nick Deychakiwsky, oficial de programas sênior da Mott Foundation.

 

“Nosso trabalho parte das demandas da própria comunidade. As iniciativas apresentadas mostram como o fortalecimento local, aliado a parcerias estratégicas, pode gerar oportunidades concretas de formação, renda e desenvolvimento para o território”, afirma Hermes de Sousa, diretor-presidente do Instituto Cacimba.

A visita reafirma a relevância do Programa Transformando Territórios como estratégia para o fortalecimento da filantropia comunitária no Brasil. Ao longo dos encontros, tornou-se evidente o papel central das fundações e institutos locais na mobilização de recursos locais, no engajamento de lideranças e na construção de soluções alinhadas às realidades de cada território. Para seguir assim, Transformando Territórios.

Organizações são convidadas a participar do Panorama das ONGs 2026: capítulo Brasil

A Charities Aid Foundation (CAF), em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e instituições aliadas em 35 países, está conduzindo a pesquisa Panorama das ONGs 2026: capítulo Brasil, relatório que integra o World Giving Report.

A primeira edição do panorama contou com as respostas de organizações brasileiras que apoiaram a mapear a atuação de organizações da sociedade civil ao redor do mundo, entender seus desafios e medir seu impacto na sociedade.

O formulário para coletar respostas de lideranças de ONGs deste ano já está no ar e você pode participar! 

A iniciativa tem como objetivo ouvir organizações que atuam diretamente no campo e desenvolvem um trabalho relevante de transformação socioambiental no país.

As ONGs participantes contribuirão para uma iniciativa global voltada ao fortalecimento da sociedade civil em nível internacional. O questionário é anônimo, tem duração estimada de 8 a 10 minutos e permite que as respostas sejam salvas para preenchimento posterior.

Os resultados consolidados serão publicados no segundo semestre de 2026.

Clique aqui e participe!
Sua contribuição é muito importante

 

Sobre a CAF
A Charities Aid Foundation (CAF) é uma organização britânica dedicada à filantropia, com mais de 100 anos de atuação. Presente em diversos países, incluindo o Brasil, por meio do IDIS, a CAF apoia doadores e investidores sociais privados a maximizar o impacto de suas doações. A rede CAF conta ainda com escritórios na Argentina, África do Sul, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia, entre outros.World Charity Insights Survey

Mosaic abre inscrições para o Edital da Água 2026, com foco em eficiência no saneamento rural e à água potável

 

Estão abertas as inscrições para a oitava edição do Edital da Água. A iniciativa, promovida pela Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fosfatados e potássio combinados, em parceria com o IDIS, apoia projetos voltados à gestão sustentável dos recursos hídricos e à ampliação do acesso ao saneamento básico. As inscrições podem ser feitas até 24 de abril pelo ao enviar os documentos necessários para editalagua2026@idisconsultoria.org.br

O edital tem como objetivo incentivar boas práticas na gestão da água, contribuindo para a disponibilidade e o uso sustentável do recurso. Desde a sua implantação em 2019, 90 projetos já foram apoiados, alcançando cerca de 21 mil pessoas.

Neste ano, até 10 organizações serão selecionadas, cada uma com possibilidade de receber apoio financeiro de até R$ 45 mil por projeto. As propostas devem apresentar soluções inovadoras, com destaque para tecnologias sociais aplicadas ao saneamento básico em contextos rurais e urbanos.

No ano passado, diversas instituições se destacaram na condução dos projetos, como em São Paulo, em uma iniciativa liderada por mulheres negras em Paraisópolis, comunidade vulnerável da capital.

“Aqui no G10 Favelas, o Programa Guardiãs das Águas leva inovação e cuidado ambiental às comunidades, com a implantação de cisternas para captação da água da chuva. A água captada é filtrada e reutilizada na irrigação da horta da Agrofavela Refazenda, com sistema de gotejamento. Queremos lembrar que a favela também constrói soluções sustentáveis para o presente e o futuro. Agradecemos à Mosaic pela parceria nesse projeto transformador”, comenta Gilson Rodrigues, fundador da instituição

 

A atuação do Instituto IDASE na comunidade Aldeinha, em Rondonópolis (MT), por meio do projeto “Fossas Biodigestoras e Nascentes Vivas: dignidade e sustentabilidade no campo”, foi marcada por um trabalho próximo às famílias e de forte impacto social e ambiental:

“A iniciativa, viabilizada pelo Edital da Água, com financiamento da Mosaic, permitiu a implantação de tecnologias sociais de saneamento rural aliadas à conservação de nascentes, promovendo melhorias concretas na qualidade de vida, no cuidado com os recursos hídricos e no fortalecimento de práticas sustentáveis no meio rural”, comenta Paula Seixas, diretora do Instituto.

Já em Minas Gerais, a Uniube desenvolveu um projeto em parceria com uma escola municipal em Uberaba, por meio da iniciativa “Aquaponia: uso racional da água em um sistema sustentável de produção integrada de peixes e hortaliças hidropônicas”.

Segundo Dionir Dias, coordenadora da Unitecne (Incubadora de Empresas da Uniube):

“Participar de mais um Edital da Água foi uma oportunidade incrível de contribuir para a formação de alunos, professores e da comunidade sobre a importância da sustentabilidade e da educação ambiental, a partir de um bem tão precioso quanto a água. O projeto foi estruturado para ser executado de forma permanente na escola, integrado aos conteúdos curriculares. As atividades práticas, as dinâmicas interativas e a acessibilidade criam um espaço multicultural de encantamento, responsabilidade e aprendizado para a vida”.

 

O processo de seleção inclui etapas de validação, qualificação e entrevistas. A previsão é que os projetos vencedores sejam anunciados em 22 de maio. Após a formalização, as iniciativas avançarão para a fase de implementação, com prazo de execução de até seis meses.

Segundo Paulo Eduardo Batista diretor de Public Affairs e Governo da Mosaic o edital reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável. Ele destaca que o Edital da Água fortalece iniciativas que já atuam nas comunidades e que oferecem respostas práticas e inovadoras para desafios ligados à água e ao saneamento. Ao apoiar esses projetos a empresa contribui para melhorar a qualidade de vida da população e promover o uso responsável dos recursos hídricos. Paulo reforça que os projetos apoiados valorizam o protagonismo das organizações sociais e reconhecem a força das soluções construídas a partir da realidade local com impacto duradouro e capacidade de replicação em outros territórios.

O Edital da Água integra a estratégia de investimento social da Mosaic e busca ampliar o impacto positivo da companhia nas regiões onde atua. Em 2025, a iniciativa recebeu reconhecimento da Federação das Indústrias de Goiás (FIEG) por suas ações de saneamento rural no estado.

 

COMO SE INSCREVER

Prazo: de 23 de março a 24 de abril

Municípios de abrangência:

• Bahia (BA): Candeias
• Goiás (GO): Catalão, Ouvidor e Rio Verde
• Maranhão (MA): São Luís
• Mato Grosso (MT): Rondonópolis e Sorriso
• Minas Gerais (MG): Araxá, Alfenas, Conquista, Delta, Patrocínio, Sacramento, Tapira e Uberaba
• Paraná (PR): Paranaguá
• Santa Catarina (SC): São Francisco do Sul
• São Paulo (SP): Cajati, Cubatão, Registro e São Paulo
• Rio Grande do Sul (RS): Rio Grande
• Tocantins (TO): Palmeirante

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

Para participar, os interessados devem preencher a planilha de inscrição, reunir os documentos obrigatórios e complementares e enviar todo o material ao IDIS por meio do e-mail editalagua2026@idisconsultoria.org.br

Sobre o Edital da Água

O Edital da Água é desenvolvido com o apoio do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, que atua em todas as etapas do processo, da seleção ao monitoramento dos projetos. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com foco na gestão responsável da água e no fortalecimento das comunidades locais.