IDIS 2022: vamos juntos!

Com energias renovadas, muitos planos e disposição, entramos em 2022 prontos para inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto!

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Hoje, compartilho alguns dos principais projetos para o ano que inicia. E por acreditar no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista, convido todos para a atuação em parceria. Vamos juntos sonhar mais, criar mais, transformar mais!

Combater os efeitos da pandemia ainda é urgente. Em 2020, respondemos criando o Fundo Emergencial para a Saúde e fortalecendo o SUS, em 2021, o foco foi o programa Redes para a Inclusão Produtiva, em parceria com o Sebrae SP, e neste ano, reunimos parceiros para lançar o Fundo de Conectividade para escolas da rede pública de ensino, visando dar aos alunos uma estrutura mais adequada para o momento que vivemos. Também nos dedicaremos ao Transformando Territórios, programa de desenvolvimento de institutos e fundações comunitárias por meio do qual, com o apoio da Mott Foundation, investiremos R$ 1 milhão no fomento de iniciativas, e seguiremos na liderança da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, atuando para melhorar o ambiente regulatório para este importante mecanismo de sustentabilidade para causas e organizações.

Entre os projetos de Conhecimento, destaco o mapeamento de tendências da filantropia que lançaremos ainda no início deste ano, além da realização do 11º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que pretendemos realizar em formato híbrido, com sessões presenciais e transmissão ao vivo. Teremos duas publicações sobre Fundos Patrimoniais no Brasil, que nos permitirão entender com mais exatidão o panorama no País, um estudo sobre modelos emergentes de doação, desenvolvido em parceria com a Lilly School of Philanthropy, e o apoio à realização da Pesquisa Voluntariado no Brasil 2001+20.

Por meio da consultoria, vamos manter a realização de projetos customizados para famílias, empresas e organizações da sociedade civil, os apoiando em sua trajetória de investimento social. O suporte para o planejamento estratégico deve se manter forte, e a tendência mostra que há crescente demanda por apoio técnico em áreas como criação de fundos patrimoniais, gestão da doação e avaliação de impacto.

A agenda ESG, por fim, deve seguir ganhando relevância. No ano passado, participamos ativamente da criação do Pacto de Promoção da Equidade Racial e nosso foco será no fortalecimento do pilar SOCIAL, contribuindo ao debate e à produção de conhecimento, por meio de artigos, notas técnicas e eventos, e oferecendo consultoria àqueles que pretendem evoluir nesta pauta.

Internamente, investiremos em processos e no desenvolvimento de nossa equipe, nosso maior ativo!

Os dozes meses parecem pouco, mas não estamos sós. É colaborando uns com os outros e criando pontes que chegaremos mais longe e mais rápido. Será um ano de grandes projetos, de muito impacto e de colaboração!

Um feliz 2022 para todos nós!

Paula Fabiani

Institutos e fundações comunitárias norteiam conversa no Podcast ‘Aqui se faz, aqui se doa’

O episódio do podcast ‘Aqui se faz, Aqui se doa’ com a participação do IDIS foi voltado para ações e atuação dos institutos e fundações comunitárias, isto é, associações que atuam em prol de um território geográfico limitado, seja este um bairro, uma cidade ou região. Para conhecer mais sobre esse tipo de organização, Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da ONG Redes da Maré, foi entrevistada por Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Roberta Faria, do Instituto Mol. O podcast é uma iniciativa do Instituto Mol e este episódio integra a série especial de participações do IDIS.

Convidada para falar do funcionamento desse modelo de ação na prática, Eliana Sousa Silva contou sobre ações e iniciativas da organização no Complexo da Maré no Rio de Janeiro. Com destaque para a atuação durante o auge da pandemia de COVID-19, foram promovidas ações para a alimentação e pela saúde da população no território.

Confira na íntegra:

“De acordo com o levantamento realizado pelo Community Foundation Atlas, existem mais de 1.800 institutos e fundações comunitárias no mundo e juntas, essas organizações movimentam mais de 5 bilhões de dólares todos os anos. Para fortalecer esse movimento no Brasil, em 2020 o IDIS criou o programa Transformando Territórios, em parceria com a Mott Foundation”, conta Paula sobre o programa Transformando Territórios, criado para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no país.

Saiba mais sobre o programa, acesse transformandoterritorios.org.br

 

 

Uma Máquina do tempo para o Brasil – Banheiros Mudam Vidas

A pesquisa Banheiros Mudam Vidas, promovida pela Kimberly-Clark, aborda a percepção sobre saneamento básico no Brasil. O projeto integra a estratégia de investimento social privado da marca, que tem como causa o acesso à água potável e saneamento no Brasil. Hoje, há quase 100 milhões de brasileiros que não possuem coleta de esgoto, mostrando a urgência do tema.

Paula Fabiani, CEO do IDIS, contribuiu para este projeto com um artigo analisando os achados. Se por um lado nos vemos diante de um problema complexo, por outro é animador ver que a população o considera importante e entende que todos, não apenas o poder público, podem fazer algo para mudar esse cenário.

Leia o artigo na íntegra:

Uma Máquina do tempo para o Brasil

Quando pensamos no século XIX, imaginamos mulheres de vestidos longos, bondes pelas ruas e música tocada pelos modernos gramofones. Tudo bem diferente do que vivemos hoje. Mas, a verdade é que nem tudo mudou para todos. Muitos brasileiros ainda convivem com uma realidade bem próxima do século antepassado. E não são poucos. Mais de 4 milhões de brasileiros não têm banheiros em suas casas, mais de 34 milhões não têm acesso à água potável e quase 100 milhões não contam com coleta e tratamento de esgoto¹. Todas essas carências são ligadas a uma só questão, a falta de saneamento básico. Os serviços de tratamento de água e esgoto são invisíveis para muitas pessoas, porque correm embaixo da terra, mas os problemas que sua ausência traz, saltam aos olhos de qualquer um.

− Doenças: pessoas que convivem com esgoto a céu aberto contraem diversas doenças, tais como diarreia, dengue e hepatite.
− Baixo rendimento escolar: crianças com problemas de saúde têm dificuldade para aprender e, frequentemente, abandonam a escola.
− Poluição: esgoto não tratado contamina o solo e deságua nos rios, poluindo as águas.
− Enchentes: o acúmulo de esgoto e lixo entope os bueiros e as águas das chuvas não são drenadas.
− Desigualdade social: pessoas que vivem sem saneamento básico aprendem menos, adoecem mais e têm renda mais baixa.

Por todos esses motivos, o acesso universal ao saneamento básico tem um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU só para ele. É o Objetivo número seis e todos podemos colaborar para que o Brasil consiga cumprir a meta até 2030. Talvez você esteja pensando que um indivíduo sozinho não pode fazer nada, mas não é verdade. Qualquer um pode fazer, e muito. Pode fazer como doador, procurando uma organização social que trabalhe pela ampliação do saneamento básico no País e contribuindo com ela. Se você puder doar recursos financeiros, ajuda muito. E se conseguir também doar trabalho voluntário, vai ajudar ainda mais.

Pode fazer como consumidor, preferindo adquirir produtos de empresas que destinem investimento social privado para a melhoria do saneamento básico no Brasil. Pode fazer como cidadão, ao escolher e acompanhar o trabalho de lideranças comprometidas em destinar recursos para o saneamento básico. E pode fazer como ser humano, preocupando-se com o assunto, se informando, conversando com os amigos e colaborando para que mais pessoas se importem com esse problema. São várias formas de ajudar o País a sair do século XIX e construir um século XXI mais justo para todos.

 

Onde você pode se informar mais

Blog do Instituto Trata Brasil: Mantido pela ONG cuja missão é contribuir para a melhoria da saúde da população e a proteção dos recursos hídricos do país através da universalização do acesso aos serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos.

Blog Saneamento em Pauta: Mantido pela BRK Ambiental, empresa canadense de saneamento que atua no Brasil.

Portal do Saneamento Básico: Site com notícias sobre saneamento básico

Onde você pode descobrir a sua causa e encontrar organizações sem fins lucrativos que trabalhem com saneamento:

Descubra Sua Causa: Teste desenvolvido pelo IDIS, que ajuda a identificar sua causa e encontrar organizações que atuam nas suas áreas de interesse.

Atados: Portal que reúne organizações que necessitam de voluntários. É possível procurar por área de atuação.

Instituto Democracia e Sustentabilidade: Organização de interesse público que conta com parceiros e redes da sociedade civil organizada para fomentar soluções. Entende que a política e a participação cidadã democrática são imprescindíveis para alcançar a sustentabilidade. Banheiros Mudam Vidas.

¹ SNIS 2019

Paula Fabiani, CEO do IDIS

Artigo originalmente publicado no site www.banheirosmudamvidas.com.br

Cinco razões para as empresas doarem

Cultura de doação em 2020 não pode ser passageira; veja cinco razões para empresas continuarem doando

Um ano e meio após a chegada da Covid-19 ao Brasil, sabemos que ela transformou para sempre nossa realidade e trouxe muito sofrimento, mas também provocou uma onda inédita de solidariedade.

O Monitor das Doações, desenvolvido pela ABCR (Associação Brasileira dos Captadores de Recursos), registra R$ 7,2 bilhões em doações para o combate à pandemia, sendo que 85% desse montante foi aportado por empresas.

Contudo, os recursos não vieram de forma uniforme ao longo do tempo. No final de 2020, o totalizador já indicava R$ 6,5 bilhões.

Ou seja, faltando um trimestre para terminar o ano, foram reportadas doações de apenas 10% do volume do ano passado, mesmo com as condições da pandemia no Brasil voltando a piorar de forma drástica, o auxílio emergencial do governo federal reduzido a um quarto do valor inicial e organizações reportando queda na arrecadação.

A cultura de doação praticada em 2020 não pode ser passageira. Por isso, trago cinco razões para que as empresas continuem doando como naquele ano, agora e nos próximos anos.

 

1. Visão positiva pelos consumidores 

O primeiro fato é que consumidores querem comprar de empresas engajadas. E olham positivamente para empresas que doam para organizações sociais.

Sete em cada dez brasileiros (71%) afirmam que estariam mais inclinados a comprar produtos ou serviços de empresas que doam a causas sociais ou que apoiam sua comunidade. As mulheres são mais propensas a levar isso em consideração na hora da compra (77%, contra 65% dos homens), segundo a Charities Aid Foundation e o Idis divulgaram no Brazil Giving Report de 2020.

 

2. Fortalece laços da empresa

Segundo ponto: as pessoas querem trabalhar em empresas engajadas. Em tempos de isolamento social e home office, é ainda mais importante fortalecer o vínculo entre empresa e seus colaboradores.

Mostrar preocupação com problemas sociais do país e envolver os profissionais em iniciativas de doação podem ser excelentes formas de atrair e reter talentos. O trabalho com propósito, principalmente diante do momento único que estamos vivendo, é uma demanda.

Uma pesquisa global focada em trabalhadores, do Institute for Business Value, mostrou que quase a metade dos entrevistados (48%) aceitaria um salário mais baixo para trabalhar em empresas ambiental e socialmente responsáveis.

 

3. A população quer ser mais solidária

Terceiro fator a ser levado em conta: a população quer ser mais solidária, mas não consegue colocar isso em prática.

Como doar, para quem, onde? Quase a totalidade dos brasileiros (96%) tem o desejo de ser mais solidária, mas pouco mais de um quarto (27%) concretiza essa vontade, especialmente porque não conhece formas e oportunidades.

Empresas têm a chance de ajudar a canalizar essa imensa solidariedade doando para organizações sociais e criando caminhos para que consumidores e colaboradores também possam doar.

Comuniquem as doações realizadas. É preciso dar o exemplo a outras empresas e para indivíduos.

 

4. ESG em foco!

Em quarto lugar, destaco que cada vez mais as empresas são avaliadas de acordo com parâmetros ESG (sigla para práticas ambientais, sociais e de governança). Doar reforça o “S”.

Inevitavelmente, o mercado brasileiro vai seguir a tendência de adotar critérios ESG para orientar os investidores. Fazer doações para projetos sociais e ambientais reafirma o posicionamento da empresa e também contribui para seu desempenho.

Pesquisas indicam que empresas com melhores práticas em ESG colhem mais lucro no longo prazo, além do aumento de seu valor de mercado.

 

5. Mais liberdade, mais negócios!

E fecho reforçando que o livre mercado depende da democracia e a democracia depende de uma sociedade civil forte.

Ao apoiar organizações da sociedade civil, defensoras da democracia, da livre expressão e dos direitos civis, empresas podem ter um ambiente saudável para negócios. Elas trabalham por uma sociedade mais forte e equilibrada, ou seja, uma estrutura melhor dentro da qual as empresas podem operar e prosperar.

Essas são apenas cinco de muitas razões pelas quais convocamos empresas a readequarem definitivamente o padrão de investimento social que costumam praticar e assumir compromisso com a solução dos crescentes problemas socioambientais que enfrentamos.

Subam a régua. Doem mais e melhor. Se não for pelo legítimo desejo de construir um Brasil mais justo e acolhedor para todos, que seja pela certeza de que todo real doado voltará para a empresa na forma de admiração, valorização e resultados.

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS 

Este artigo foi publicado originalmente pela Folha de S. Paulo.

Construindo a Favela 3D: digna, digital e desenvolvida

O terceiro setor — representado por ONGs e empreendedores sociais — tem historicamente um papel fundamental na transformação sistêmica da vida da parcela mais pobre da população. Ele é ambicioso e inovador. Organizações como a Gerando Falcões têm eficiência, velocidade e capacidade de execução porque penetram onde o Estado não chega. No início da pandemia, por exemplo, o terceiro setor se fez presente na vida dos mais pobres semanas antes do governo. Enquanto o Estado tinha dificuldade para localizar os fantasmas brasileiros — quem não têm RG nem CPF — as ONGs sabiam onde eles estavam e os chamavam pelo nome.

Fundada em 2011 no Jardim Kemel, bairro periférico de Poá, na região metropolitana de São Paulo, a Falcões começou como uma iniciativa que oferecia atividades extracurriculares a crianças e adolescentes e cursos de qualificação profissional a jovens e adultos da região.

Dez anos depois, cresceu exponencialmente e se converteu numa aceleradora de desenvolvimento social, que apoia mais de cem líderes e organizações de favelas em 19 estados do Brasil.

O que ela quer, agora, é ainda maior, mas está longe de ser inviável: implementar a primeira Favela 3D — digna, digital e desenvolvida — do país. Trata-se de um projeto multissetorial, com participação do governo e da iniciativa privada, para dar autonomia social e financeira à Vila Itália, favela de São José do Rio Preto (SP). O Favela 3D vai atuar tanto no trabalho de base tradicional — construindo casas, regularizando o uso da área e melhorando a infraestrutura — quanto na criação de ferramentas sociais transformadoras, como programas de capacitação e empreendedorismo que deem soberania financeira aos moradores e tornem a comunidade autossustentável.

A ideia a médio e longo prazo é fazer da Vila Itália um projeto-piloto que possa ser replicado Brasil afora. Os 14 milhões de brasileiros que vivem em favelas estão habituados a ser ignorados pelo poder público, vistos como problema ou ter seu potencial desperdiçado por falta de oportunidades. Com o Favela 3D, eles passam a ser parte da solução, agentes ativos da própria emancipação.

O método para alcançar esse objetivo é o mesmo que consolidou a Gerando Falcões como uma das principais iniciativas sociais do país: localizar as lideranças capazes de gerar mudanças locais na quebrada, investir em treinamento e capacitação e acompanhar os resultados com afinco, usando sistemas como o SROI (sigla em inglês para Retorno Social do Investimento), que quantifica o impacto social em valores financeiros. Uma análise feita com apoio do IDIS mostrou que, a cada R$ 1 investido nas iniciativas avaliadas, R$ 3,50 são gerados na forma de benefício para a sociedade.

Foi identificado também que o investimento social da ONG “paga-se socialmente” (payback) já no segundo ano após o investimento, algo raro para a maioria de ativos financeiros disponíveis no mercado. É o melhor dos dois mundos: propósito e inovação, uma combinação de conhecimento da favela com o conhecimento das empresas que estão mudando o mercado.

São avaliações de impacto como essas que dão à Gerando Falcões a segurança de estar no caminho certo, justificando perante seus apoiadores e sociedade civil a relevância de seu Programa de Aceleração. É assim que essa expertise é levada aos quatro cantos do país, revolucionando a maneira como encaramos o urbanismo e o desenvolvimento social nas periferias brasileiras.

Olhar para trás, para o que foi realizado, identificar o que deu certo, o que poderia ter sido diferente e de fato avaliar exige tempo e dedicação. Mas é assim que conseguimos evoluir e dar escala ao que fazemos. E é reorganizando a forma como o dinheiro circula na favela e dando instrumentos aos seus moradores que o Brasil vai criar condições para quebrar o círculo vicioso da desigualdade, transformar os excluídos em cidadãos e fazer com que a miséria vire item de museu.

Edu Lyra e Nina Cheliga são, respectivamente, fundador e CEO e Diretora de Tecnologias Sociais da Gerando Falcões; Paula Fabiani e Felipe Insunza Groba são, respectivamente, CEO e Gerente de Projetos do IDIS. Este artigo foi publicado em uma versão reduzida no Exame.

Saiba mais sobre Avaliação de Impacto e SROI.

 

Cultura em chamas: o que aprendemos três anos após o incêndio do Museu Nacional

Cultura em chamas: o que aprendemos três anos após o incêndio do Museu Nacional

As chamas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, há 3 anos estampavam manchetes de jornais brasileiros e foram amplamente divulgadas pela mídia internacional. Desde então, presenciamos com tristeza outros focos de incêndio em aparelhos culturais, como no Museu de História Natural da UFMG, em 2020, ou no acervo da Cinemateca em julho deste ano, e as razões foram semelhantes: verba insuficiente para manutenção.

O que fazer para a história não se repetir? Em 2018, a resposta foi o fortalecimento de um movimento da sociedade civil pela regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil. Uma coalizão multissetorial, formada por mais de 70 organizações e liderada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, intercedeu em Brasília por este mecanismo que oferece maior possibilidade de sustentabilidade financeira a organizações e causas, incluindo a cultura, e conquistou, em janeiro do ano seguinte, a promulgação da Lei 13.800/19. Os fundos patrimoniais são uma resposta à falta de recursos para a manutenção de equipamentos culturais tão importantes para a preservação e divulgação da nossa história e cultura.

Um fundo patrimonial, ou endowment, permite que pessoas, empresas e filantropos doem recursos com a segurança de que serão bem geridos e bem aplicados. São investimentos de longo prazo, dos quais a organização beneficiada utiliza apenas os rendimentos, garantindo-lhe recursos perenes. Eles complementam verbas estatais ou aquelas advindas da atividade e captação da organização, e dão maior flexibilidade para investimento em manutenção, expansão ou resposta em casos emergenciais. Por exemplo, o Museu de História Nacional de Nova York, possui 28% da recursos de bilheteria, 25% de doações, 16% de fundos patrimoniais, 16% atividades auxiliares e 9% da prefeitura da cidade. As maiores universidades dos Estados Unidos, como Harvard, contam também com fundos patrimoniais bilionários. Lá, cerca de 35% dos ex-alunos contribuem com doações e os rendimentos representam mais de ⅓ do orçamento anual da Universidade. O Museu Nacional, por sua vez, tem 98% de seu orçamento dependente de verbas federais por meio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é diretamente afetado pela crise dos investimentos federais em cultura e educação.

A Lei 13.800 foi sem dúvida uma grande conquista, e desde então, vimos serem estruturados no Brasil o Fundo Patrimonial Rogerio Jonas Zylbersztajn, o Lumina, da Unicamp, o Fundo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre outros. Os exemplos na área cultural, entretanto, são poucos e ainda incipientes. Uma das razões é que os recursos advindos de Leis de Incentivo, como a Lei Rouanet, tão comuns nesta área, apesar de serem previstos na Lei para a doação a Fundos Patrimoniais, não estão ainda regulamentados pela Secretaria da Cultura, com o estabelecimento de orientações para a apresentação de projetos culturais. Dessa forma, as organizações da área da cultura não conseguem exercer o direito que lhes foi conferido pela Lei 13.800. Este é um dos pleitos da Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, afinal é um direito das organizações culturais, é preciso que as autoridades publiquem Instrução Normativa regulamentando este benefício.

A regulamentação é urgente para alavancar a criação ou a ampliação de Fundos Patrimoniais voltados à cultura, em especial neste momento de redução de gastos públicos e drástica diminuição de recursos a essa área. O fogo é histórico: em 1978 no MAM (RJ); 2013 no Memorial da América Latina; 2015 no Museu da Língua Portuguesa; 2016 na Cinemateca; 2018 no Museu Nacional; 2020 no Museu de História Natural da UFMG; e 2021 novamente na Cinemateca. Que das cinzas de tantas memórias e história possam surgir novas formas de cuidarmos de forma sustentável de nossa cultura enquanto sociedade, para que ela perdure e seja de todos e para todos.

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS e Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados.

Este artigo foi publicado originalmente no Estadão.

IDIS participa de edição 100ª da Alliance Magazine

Em comemoração aos 25 anos de aniversário da Alliance Magazine, a revista inglesa lança a 100ª edição com relatos de filantropos, executivos de organizações sociais e personalidades do campo. O IDIS contribuiu com dois depoimentos. Parabenizamos a Alliance pelos 25 anos sendo a principal revista de filantropia e investimento social em todo o mundo e é uma honra fazer parte desta trajetória.

Em uma sessão dedicada à reflexão de especialistas com experiência de 25 anos trabalhando no setor, a CEO do IDIS, Paula Fabiani, escreve um relato sobre o que gostaria de ter aprendido antes sobre o setor filantrópico. “Eu gostaria de ter sabido que a filantropia teria um grande papel na promoção da democracia. Eu gostaria de ter tido conhecimento da relevância de se trabalhar pela equidade racial, primeira infância e ciência. E também gostaria de ter previsto as dificuldades do avanço da agenda contra o aquecimento global”, comenta.

Já em outra parte da publicação, Alexandre Gonçalves Jr, analista de comunicação do IDIS, participa do capítulo dedicado a profissionais do setor filantrópico nascidos no mesmo em que a publicação foi lançada, 1996, intitulado “PHILLENIALS”, alusão aos termos millennials e philanthropy, em inglês. Com um olhar para os próximos 25 anos, ele destaca as mudanças estruturais para a transformação social. “A filantropia pode apoiar estas mudanças. Pode dar voz às pessoas, empoderar comunidades locais a manter atividades e promover um espaço seguro para a sociedade civil lutar contra desigualdades”, acredita.

Para acessar e conferir a publicação completa, acesse: alliancemagazine.org

Inscreva-se para o evento gratuito de lançamento da publicação, clicado aqui.

Na esteira da celebração histórica, além da tradicional edição imprensa e digital da revista, a Alliance também promoveu ao longo do ano debates internacionais sobre a filantropia ao redor do mundo. O encontro sobre as perspectivas para a América Latina foi realizado em parceria com o IDIS. Confira o vídeo:

 

 

Impacto da crise nas doações é tema de reportagem do Valor

Valor_Site_PesquisaDoaçãoBrasil

Com base em dados da Pesquisa Doação Brasil 2020, o Valor Econômico destacou como a crise econômica agravada pela pandemia afetou as doações realizadas por pessoas físicas em 2020.

Outro dado apontado na reportagem é o percentual das doações em relação ao PIB, que era de R$ 13,7 bilhões, o equivalente a 0,23% do PIB, em 2015, para R$ 10,3 bilhões, ou 0,14% do PIB em 2020.

Confira a reportagem completa no site do Valor Econômico.

Ranking Global de Solidariedade é pauta no Podcast Contra Regra

Em entrevista ao Podcast ContraRegra, Paula Fabiani, CEO do IDIS, fala sobre o Ranking Global de Solidariedade de 2021 para tratar da generosidade em tempos de pandemia.

No episódio, Paula explica como é mensurado o ranking e traz uma análise dos destaques do índice, como a mudança que colocou os países ocidentais no topo da colocação.

Paula também comenta a colocação do Brasil no ranking, pontuando que, ainda que o país tenha subido de posição, poderíamos avançar se tivessem políticas públicas voltadas para a doação. “A política pública é um caminho importante para promover a solidariedade de um país” afirma Paula.

“O Brasil está em um caminho promissor assim como vários países em desenvolvimento que partilham de uma situação econômica semelhante à nossa”, destaca.

Além disso, foi ressaltada a influência de questões culturais e religiosas nas colocações de 2020 e também foi discutido fatores que atuam na colocação dos países da América do Sul.

O Ranking Global de Solidariedade é uma iniciativa da organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Valor Econômico mostra Ranking Global de Solidariedade

O World Giving Index 2021 (WGI), estudo conduzido pela Charities Aid Foundation (CAF) foi destaque no Valor Econômico.

Conduzido desde 2009, já entrevistou mais de 1,6 milhão de pessoas e faz a cada uma delas três perguntas: você ajudou um estranho, doou dinheiro a uma organização social ou fez algum tipo de trabalho voluntário no mês passado? Nesta edição, foram incluídos os dados de 114 países, representando mais de 90% da população adulta global. Foram entrevistadas pessoas acima de 15 anos, nível de confiança da pesquisa é de 95%.

De acordo com o Ranking Global de Solidariedade de 2020, o Brasil subiu 14 posições, ficando em 54º lugar. Paula Fabiani, CEO do IDIS, conta ao Valor Econômico aspectos que poderiam ajudar a melhorar os indicadores brasileiros, particularmente no campo das doações:

“O estudo revela que vários países desenvolvidos perderam muitas posições no ano da pandemia, enquanto países em desenvolvimento se destacaram, com aumento das doações e ajuda a estranhos”, conta Fabiani.

Leia a reportagem completa clicando aqui.

IDIS participa de evento sobre ESG junto do Instituto Capitalismo Consciente e inovabra habitat

Com o objetivo de se aprofundar no debate sobre a ESG e propor um novo olhar para a sigla, o Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB) em parceria com o inovabra habitat, ambiente de coinovação do Bradesco, promoverá um evento online e gratuito no dia 9 de junho. O conteúdo será dividido em três momentos, com duração de uma hora cada, com foco nos três temas centrais: Ecossistema Ambiental, Social e Governança. A CEO do IDIS, Paula Fabiani, participa do evento sobre Social às 15h.

A trilha que dará início ao evento é a de Governança. Na visão de Hugo Bethlem, chairman do ICCB, o termo deveria ser GSE, com Governança em primeiro lugar, para garantir a veracidade, a transparência e a sustentabilidade de todas as ações no Social e, consequentemente, no Ecossistema Ambiental. Para se aprofundar no assunto, Bethlem mediará uma conversa entre Claudinei Elias (CEO e Fundador da Bravo GRC) e Silvio Genesini (conselheiro de administração da brMalls, Anima, Grupo Algar, Hortifruti e Verzani & Sandrini).

 

“A ampliação da consciência é o primeiro passo para a construção de uma cultura mais inclusiva e de boas práticas, por isso entendemos que a governança é o ponto de partida dessa mudança. É fundamental pensar e agir sempre orientado para o propósito do negócio, não importando a circunstância e acreditar no papel em ‘servir’ os stakeholders gerando oportunidades e riqueza para todos, enquanto trabalha na maximização do retorno ao acionista. É a partir dessas ações de governança que os outros pilares se estruturam dentro das companhias”, explica Bethlem.

 

O evento também contará com outros grandes speakers que falarão sobre Social e Ecossistema Ambiental, como: Marcelo Pasquini, Superintendente Executivo responsável por Sustentabilidade Corporativa no Bradesco; Rodrigo Pipponzi, diretor executivo da MOL, uma editora de impacto social que em parceria com redes varejistas já doou mais de R$ 38 milhões a dezenas de organizações sociais; Paula Fabiani, CEO do IDIS, que tem sua trajetória marcada pela atuação nos campos da filantropia e cultura de doação; e Marcello Brito, Presidente do Conselho Diretor da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio.

 

“Ficamos felizes em viabilizar esse encontro, em especial porque o inovabra habitat pretende continuar atraindo startups que possam contribuir com inovação sustentável e expandir o portfólio de habitantes que já atuam dessa forma.  Dar um novo olhar sobre o tema e destacar a importância da construção da consciência como principal pilar para nortear práticas ESG é essencial”, destaca a head do inovabra habitat, Renata Petrovic.

 

Os interessados em acompanhar o bate-papo podem se inscrever no site, clicando aqui.

 

AGENDA

Governança – 10h às 11h

Claudinei Elias (CEO da Bravo GRC) e Silvio Genesini (conselheiro emérito do ICCB) conversarão sobre a importância da construção da consciência como principal pilar para nortear práticas ESG, com mediação de Hugo Bethlem (presidente do conselho do ICCB).

 

Social – 15h às 16h

Painel contará com a presença de Paula Fabiani (CEO do IDIS) e Rodrigo Piponzzi (diretor executivo Editora MOL), com mediação de Daniela Garcia (diretora de operações do ICCB)

 

Ecossistema Ambiental -18h às 19h

Painel contará com a presença de Marcello Brito (presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do Agronegócio) e de Marcelo Pasquini (Superintendente Executivo de Sustentabilidade Corporativa no Bradesco), com mediação de Dario Neto (diretor geral do ICCB).

 

Inscreva-se, clicando aqui.

IDIS participa da segunda edição do Catalysing Change Week

Catalyst 2030, o movimento global que reúne empreendedores de impacto e ativistas sociais que estão na linha de frente para a implantação do 17 ODS, até 2030, vão promover a segunda edição do Catalysing Change Week, entre os dias 3 e 7 de maio.

A Catalysing Change Week – 2021 será composta de 85 sessões on-line, ao longo de cinco dias, permitindo a adequação do fuso horário dos participantes em quase todos os continentes. Entre os participantes e mestres de cerimônia estarão os finalistas e os vencedores do Catalyst 2030 Award, além de ativistas de diversos cantos do planeta.

Além de palestras internacionais, haverá também representantes do Brasil também estará presente. No dia 5 de maio, às 10h, Paula Fabiani, CEO do IDIS, participará da mesa Financiadores Colaborando de Forma Eficaz junto de José Luiz Egydio Setúbal (Fundação José Luiz Egydio Setúbal) e Patricia Villela Marino (Humanitas 360). O encontro será sobre como doadores podem trabalhar em colaboração no cumprimento dos ODS. Inscreva-se em: bit.ly/idischangeweek

 

Para falar sobre Economia Inclusiva: garantindo oportunidades para todos, com geração de renda, acesso e inclusão social, participarão em outra mesa Caroline Carpenedo (Gerdau), Marcelo Cardoso (Instituto Integral Brasil), David de Aquino Filho,Sergio Serapião (Labora) e Fernanda Zemel (Labora). O encontro acontecerá no dia 6 de maio às 13h30.

Onde estão as pessoas nos ODS? Será outra mesa em português com participação de Danielle Almeida (TBC), Adriana Barbosa (Insituto Feira Preta) e Mozana Amorim.

“Durante a Catalysing Chance Week – 2021, reuniremos especialistas, empreendedores de impacto, ativistas das causas sociais, representantes do legislativo e de governos para troca de experiências. Nosso objetivo é que a partir desses encontros seja possível estreitar laços e fomentar um ambiente de cooperação entre países, regiões e os mais diversos setores da sociedade,” diz Jeroo Billimoria, porta-voz e uma das cofundadoras do Movimento Catalyst.

As sessões estão divididas em três temas:

 

CONECTAR – O cerne de nossa Teoria  de Mudança prevê que atuemos como conectores entre os diversos integrantes dos ecossistemas dos quais fazemos parte. Nosso objetivo é criar um ambiente que propicie a colaboração e leve à cocriação de iniciativas destinadas a dar conta das demandas sociais, ambientais e econômicas de nosso tempo.

 

CELEBRAR – A celebração é uma forma de nos encorajar, inspirar e reenergizar sobre a relevância de nosso trabalho e o engajamento de cada um. A partir da disseminação de boas práticas e iniciativas exitosas, podemos gerar um efeito cascata positivo em outros agentes sociais interessados em arregaçar as mangas e se engajar neste trabalho.

 

ACELERAR – Ao colocarmos lado a lado stakeholders de diversos segmentos sociais, esperamos que eles acabem funcionando como indutores de mudanças em políticas sociais. Para isso não podemos abrir mão do engajamento de gestores públicos, nem de legisladores. Afinal, como destacado em diversos documentos e relatórios (Embracing Complexity, Getting from Crisis to Systems Change and New Allies), o suporte dos agentes sociais ao setor público é a chave para que consigamos implantar todas as iniciativas previstas nos 17 ODSs em nível local, nacional e global.

 

No âmbito da Catalysing Change Week – 2021 esperamos atingir seis objetivos:

 

1. Celebrar iniciativas que possam se tornar modelo de ação

2. Construir compromissos em torno de mudanças nas políticas públicas

3. Apresentar exemplos práticos de iniciativas capazes de serem replicadas

4. Trazer mais vozes ao centro do debate

5. Acelerar os esforços para o cumprimento da Agenda 2030

6. Trocar experiências entre os participantes e fortalecer nossa interação e capacidade de luta

 

A inscrição para a Catalysing Change Week – 2021 é gratuita.

Para mais informações, visite o site https://catalyst2030.net/ccwsessions/

 

Sobre o Catalyst 2030

Catalyst 2030 é um movimento global de empreendedores sociais e inovadores de diferentes setores que reuniram esforços para criar iniciativas destinadas a engajar os diversos atores da sociedade civil na implementação dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2030 (ODS).

Lançado em janeiro de 2020, durante o Fórum Econômico Mundial, o Catalyst 2030 reúne mais de 500 empreendedores sociais, cujo trabalho impacta diretamente cerca de 2 bilhões de pessoas em 180 países.

Acreditamos na força das ações coletivas como um importante instrumento para elaboração de estratégias inovadoras com o objetivo de alcançar as metas previstas nos 17 ODS, até 2030.

Fundo Emergencial para a Saúde atinge meta de R$ 40 milhões com 41 beneficiários

Com o objetivo de fortalecer o sistema público de Saúde, o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil foi o primeiro do gênero a ser lançado, ainda em março. Seis meses depois, já ultrapassou a meta proposta de captar R$ 40 milhões para ajudar no combate ao COVID-19. A iniciativa, liderada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, BSocial e Movimento Bem Maior, encerrou o período de captação em 10 de outubro de 2020.

A ação, que começou beneficiando hospitais filantrópicos de São Paulo, ganhou força e se estendeu para outros 14 estados e um total de 36 cidades, distribuindo recursos para 39 hospitais, um centro de pesquisa e uma organização da sociedade civil. Os números referem-se a balanço fechado em agosto, quando 25% dos beneficiários haviam entregado suas prestações de contas. “Agimos rápido e conquistamos uma união inédita em torno da saúde pública. Os recursos foram destinados de acordo com as necessidades de cada organização e todas elas passaram por um processo de validação, o que fez a diferença para o melhor uso das doações recebidas”, explica a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Em vídeo produzido pelas instituidoras do Fundo, é possível conhecer esta história e os números alcançados até aqui.

A forma como a pandemia se espalhou, mostrou a importância de estender os recursos para estados em situação mais vulnerável, como Pernambuco, Amazonas, Acre, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais entre outros. Em Manaus, onde a mortalidade foi elevada, quase R$ 1 milhão de reais foram encaminhados a dois hospitais da cidade. Doze Santas Casas de várias partes do país também receberam recursos para enfrentar o novo coronavírus. “O sucesso do Fundo Emergencial se deu graças a um planejamento bem estruturado, a uma governança sólida e a um comitê gestor técnico diverso e experiente. Soubemos agir rápido e ativar nossas redes, atraindo a expertise de parceiros estratégicos e criando um ambiente colaborativo de trabalho, isso nos permitiu ter transparência e conquistar a credibilidade que levou grandes investidores e a sociedade civil a doarem conosco”, afirma Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior.

O Fundo reuniu um total de 10 mil doadores, entre empresas de diferentes portes e áreas de atuação, além de famílias engajadas com ações filantrópicas e a sociedade civil em geral. Até agora, 25% dos beneficiários já prestaram contas e as doações resultaram em 1 milhão de EPIs e mais de 10 mil produtos, entre medicamentos, aventais, luvas, máscaras e kits para teste de Covid-19. As doações também se transformaram em legado, com a aquisição comprovada até o momento de 630 equipamentos hospitalares, como camas, ventiladores pulmonares, respiradores, monitores e outros.

“Participar da criação e desenvolvimento do Fundo foi muito gratificante, porque pudemos inovar em um momento tão desafiador e criar uma iniciativa que fez a diferença na vida de muitas pessoas. Todas as conquistas que tivemos são mérito da equipe e do trabalho colaborativo que promovemos, com todos se dedicando e dando o melhor de si. Nossa plataforma pode atuar como ponte, entre o doador e os hospitais filantrópicos. Nossas ações seguem com a certeza de que, de alguma forma, contribuímos de verdade”, ressalta Flora Botelho, co-fundadora da BSocial.