Autoria: Integrantes do Movimento por uma Cultura de Doação
A 13ª edição do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica, o FIFE, aconteceu em abril, em Recife, e pela primeira vez, o Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) marcou presença. O encontro reuniu mais de 1.700 pessoas de todo o Brasil, representantes de organizações da sociedade civil (OSCs) de diferentes portes e defensoras de múltiplas causas.
Para iniciar esta aproximação, a escolha da abordagem foi simples: destacar a importância da ação de cada um dos presentes no fortalecimento da cultura de doação. Antes mesmo da abertura oficial, realizamos uma masterclass com três horas de duração, que permitiu explorar o assunto com profundidade e envolvendo o público nas reflexões propostas. Para quem está na ponta, a doação tem significado de sobrevivência e de resistência. É também encarada como um esforço individual – o captador de recursos busca engajar doadores para a sua própria organização. A sessão, entretanto, expandiu esses entendimentos. Daniela Saraiva, coordenadora executiva, e Douglas Gonzalez, integrante do comitê gestor do MCD, apresentaram o conceito de cultura de doação, mostrando que quando doar é um valor da sociedade, um hábito cotidiano, o recurso flui também de forma mais fácil e permeia a capilaridade social, chegando a que mais precisa: as organizações sociais presentes nos territórios mais vulneráveis de nosso país.
Para o fortalecimento de uma cultura de doação, o MCD propõe cinco diretrizes, cada uma com ações correspondentes e com as quais podem contribuir o poder público, investidores socioambientais, organizações estruturantes, as próprias OSCs e qualquer cidadão. As próprias diretrizes têm recomendações que podem ser utilizadas para inspirar, direcionar e mesmo planejar ações que contribuam para esta agenda.
Outros membros do MCD foram chamados para compor o painel. Para aquecer o debate: dados. Luisa Lima, gerente de conhecimento do IDIS, apresentou os resultados da Pesquisa Doação Brasil 2024, mostrando como pensa e como age o doador individual no Brasil. Naquele ano, 43% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação em dinheiro para OSCs, movimentos e campanhas, mobilizando R$ 24,3 bilhões de reais. O estudo revela que o doador está mais racional, demandando mais informações sobre as organizações e sobre o impacto gerado, por isso aspectos como governança, comunicação e avaliação passam a ser tão valorizados e são elementos importantes para o fortalecimento da cultura. Também importante é o letramento da mídia, que tem influência direta na decisão de doar (e de não doar).
Relatos de casos reais, organizações que captam recursos e que se percebem como agentes deste processo de construção da cultura de doação, contribuíram para inspirar o público presente.
Joanna Calazans, gerente de filantropia da Aldeias Infantis SOS, trouxe seu ponto de vista a partir da experiência de uma organização que tem uma atuação já consolidada e milhares de doadores. Para ela, estar atento às tendências e mudanças sociais é imprescindível para garantir que cada vez mais pessoas possam se conectar com causas sociais. Neste sentido, fomentar a cultura de doação também é criar narrativas que sensibilizem para a ação.
Jovemar dos Santos Silva Junior, diretor executivo da ReappMobi, abordou sua experiência com a gestão de captação de recursos através de leis de incentivo à cidadania Fiscal, conhecida em São Paulo como Nota Fiscal Paulista e no Maranhão como Nota Solidária, e trouxe a importância de estruturar campanhas de contato com doadores através de dados relacionais, medir indicadores como tempo de adesão do doador com a campanha, percepção do doador no ponto de contato com a causa da organização e motivadores de doação são importantes para engajar doadores com constância e consistência na relação Instituição-Doador e garantir sustentabilidade às Organizações Sociais.
O papel do poder público também esteve presente no debate a partir da fala de Candice Araújo, assessora do ELO Ligação e Organização, organização que integra a Plataforma por um Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – Plataforma MROSC, articulação nacional que atua pelo aprimoramento do ambiente social e legal de atuação das OSCs e pelo fortalecimento de suas relações de parceria com o Estado. Pelo ELO, Candice também ocupa a vice-presidência do CONFOCO Nacional, espaço estratégico para o avanço da agenda MROSC – nas dimensões normativa e de produção de conhecimento.
Em sua contribuição, destacou que a Lei nº 13.019/2014 consolidou regras para as parcerias entre Estado e sociedade civil, reforçando que organizações e poder público são corresponsáveis na promoção do bem comum. Nesse contexto, ressaltou que, embora a doação seja essencial para o fortalecimento das causas sociais e para a redução das desigualdades, ela não pode substituir a responsabilidade estatal na garantia de direitos e na implementação de políticas públicas. A reflexão reforçou a importância de compreender a cultura de doação como agenda complementar, inserida em um ecossistema mais amplo de corresponsabilidade social.
A fórmula escolhida – conceitos, dados, casos práticos e reflexões – foi repetida em versão pocket, durante o FIFE. Ao todo, quase 200 pessoas participaram dos debates. Em ambos momentos, apresentamos também o Dia de Doar, um movimento global sobre generosidade que este ano está de casa nova: o Movimento por uma Cultura de Doação.
Mais do que apresentar uma iniciativa, provocamos os presentes a refletir: se queremos ver o Brasil como um país mais doador e, de fato, enraizar a cultura de doação, precisamos falar sobre doação, provocar diálogos e engajar pessoas nessas conversas. Essa é uma necessidade que vai além das nossas causas individuais — é um compromisso compartilhado para a construção de um país mais justo, equitativo e democrático. Não há como a doação florescer, se não falamos sobre isto.
A semana foi bonita, com muitos aprendizados e embalada pela hospitalidade pernambucana. Participar de espaços como estes, chamar mais pessoas para a conversa, para a reflexão e para a ação são elementos essenciais. Afinal, fortalecer a cultura de doação é um esforço coletivo. E fechamos com o futuro que desejamos, trazendo a citação do poeta e filósofo libanês Khalil Gibran, lembrada por uma das participantes do evento: “É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar por haver apenas compreendido.”






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O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de 



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