×

Participe do lançamento do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2025

O Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais no Brasil chega à 5ª edição, consolidando-se como uma referência na análise da gestão de endowments brasileiros.

A publicação traz um recorde de 103 fundos participantes respondentes ampliando o retrato sobre esse setor com informações e insights sobre fluxo de caixa, alocação, rendimentos, política de investimento e governança.

No evento de lançamento, que acontecerá no dia 12 de novembro das 09h15 às 10h30, especialistas trazem uma leitura dos achados a partir das próprias experiências e fazem a conexão dos dados com a realidade.

Doação
Ainda que o evento seja gratuito, incentivamos a colaborar com uma doação cujo valor é revertido ao Fundo de Fomento à Filantropia, um fundo patrimonial pioneiro no apoio à filantropia estratégica no Brasil. Saiba mais aqui. Para doação de outros valores, faça pelo Paypal.

Como participar?

Inscreva-se pelo Sympla.

 

REALIZAÇÃO

SOBRE FUNDOS PATRIMONIAIS

Os fundos patrimoniais, ou endowments, são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade financeira de organizações e causas. No Brasil, o primeiro foi criado na década de 50 e se intensificaram a partir de 2019, com a sansão da Lei 13.800/19. Segundo o Monitor de Fundos Patrimoniais, há hoje no país mais de 120 fundos patrimoniais ativos.

Filantropia deve agir antes da próxima tragédia

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo em 24/09/2026

Por Carla Irrazabal, analista de projetos do IDIS, e Mariana de Assis, coordenadora de projetos do ICOM – Instituto Comunitário Grande Florianópolis

Quando uma forte chuva inundou parte da zona leste de São Paulo, no início de 2025, a resposta veio rapidamente. Organizações locais mobilizaram recursos, articularam parceiros e atenderam comunidades atingidas.

O mesmo aconteceu em outras regiões do país, em Florianópolis, após eventos extremos de chuva, na região metropolitana de Belo Horizonte, depois do rompimento da barragem em Brumadinho e no Rio Grande do Sul, durante as enchentes de 2024. Em todos esses casos, um elemento se repetiu: a capacidade de reação nasceu dos próprios territórios.

A experiência acumulada por essas iniciativas revela que não basta, porém, apenas reconhecer que as comunidades locais respondem melhor às emergências e que é preciso criar condições para que elas estejam preparadas antes que a próxima crise aconteça.

Eventos extremos hoje já são parte da realidade brasileira, mas seguimos organizando boa parte dos esforços e investimentos apenas depois que os danos já ocorreram.

Essa lógica contrasta com exemplos internacionais. Em Bucareste, na Romênia, a cidade, considerada uma das capitais europeias com maior risco sísmico, mantém há anos um fundo permanente para futuras emergências, protocolos compartilhados entre diferentes instituições e uma cultura contínua de preparação, mesmo sem registrar um grande terremoto há décadas.

Se um território que espera por um desastre incerto investe continuamente em prevenção, por que o Brasil ainda concentra seus recursos quase exclusivamente na resposta?

Essa reflexão ganhou força dentro do Programa Transformando Territórios, iniciativa que fortalece FICs (Fundações e Institutos Comunitários) em diferentes regiões do país. Ao longo dos encontros, organizações de realidades distintas compartilhavam o diagnóstico de, independentemente da localização, já conviverem com os impactos crescentes da emergência climática.

Foi desse processo que nasceu a experiência piloto dos FEPs (Fundos Emergenciais Preventivos), apoiada pela Mott Foundation, Movimento Bem Maior e Fundação FEAC. A proposta parte de uma mudança simples, mas profunda, de financiar o “antes”.

Isso significa mapear riscos, identificar vulnerabilidades, construir protocolos, definir critérios de atuação, reunir poder público, organizações sociais, empresas e lideranças comunitárias em torno de uma governança compartilhada e estruturar mecanismos financeiros capazes de serem acionados rapidamente quando necessário.

O ICOM – Instituto Comunitário Grande Florianópolis, que possui mais de duas décadas de experiência na criação e gestão de fundos comunitários e emergenciais, foi parceiro técnico dessa experiência piloto, compartilhando sua metodologia consolidada e assessorando seis Fundações e Institutos Comunitários distribuídos entre Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Paraty (RJ), Maceió (AL) e dois territórios da cidade de São Paulo.

Foram realizados diagnósticos territoriais, constituídos comitês intersetoriais, elaborados planos preventivos e redes locais de cooperação fortalecidas.

As Fundações e Institutos Comunitários ocupam posição estratégica nesse processo. Por serem organizações enraizadas em seus territórios, conhecem as dinâmicas locais, mantêm relações de confiança com as comunidades e conseguem articular diferentes setores em torno de objetivos comuns.

Historicamente, a filantropia é convocada quando a tragédia já aconteceu. Os Fundos Emergenciais Preventivos propõem inverter essa lógica, direcionando investimentos para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta dos territórios —essa, talvez, seja a principal inovação da experiência.

Ainda é cedo para medir todos os resultados dessa iniciativa. Alguns deles só poderão ser avaliados quando os próximos eventos extremos ocorrerem. Ainda assim, talvez o indicador mais importante seja outro: que, no futuro, preparar territórios para as crises deixe de ser uma inovação e passe a ser uma prática permanente da filantropia brasileira.

Entre o recurso e o território, o que fica?

Por Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios

A passagem por Manaus, durante agendas da Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje sobre Filantropía y Fundaciones Comunitarias (CIAF), visitas de campo e o Impact Minds, reforçou que, mais do que mobilizar recursos, é preciso fortalecer as relações, capacidades e mecanismos que permitem que eles cheguem aos territórios de forma conectada às suas realidades.

A pergunta que acompanhou a semana foi simples, mas exige respostas construídas coletivamente: se há recursos, conhecimento e organizações comprometidas com transformação social, como ampliar as condições para que tudo isso se conecte aos territórios de maneira consistente e permaneça para além dos projetos?

A semana começou antes do Impact Minds. Pelo programa Transformando Territórios, do IDIS, fomos anfitriões do encontro da CIAF, que reúne organizações de apoio e fundações comunitárias e territoriais de diferentes países. Durante dois dias, discutimos sustentabilidade, confiança, desenvolvimento de capacidades, mobilização de recursos e caminhos coletivos para fortalecer a filantropia comunitária e territorial na região.

Conferência da Latimpacto – Impact Minds

Depois vieram as visitas de campo, outras agendas e o próprio Impact Minds. Ao longo da semana, muitas das questões discutidas entre as organizações da CIAF reapareceram em outros espaços, por diferentes vozes e perspectivas: nas conversas sobre o futuro da filantropia, do Investimento Social Privado (ISP), do investimento de impacto e dos diferentes capitais que buscam gerar transformação.

Não há uma resposta única. Mas muito do que o setor tem buscado construir está na essência da filantropia comunitária e territorial, nas relações de confiança cultivadas ao longo do tempo, no conhecimento profundo das dinâmicas locais, no desenvolvimento de capacidades e na articulação entre atores que dificilmente se conectariam de outra forma.

São organizações que ajudam o recurso a chegar e, principalmente, a se conectar ao que o território já sabe, realiza e prioriza. Nesse processo, comunidades participam das decisões e se fortalecem condições para que as transformações permaneçam para além de um projeto ou financiamento.

 

O território já produz respostas

Em uma das visitas às mulheres apoiadas pela Manauara Associação Comunitária, fundação comunitária local, conhecemos uma liderança da comunidade Redenção, em Manaus, que atua no Projeto Reusa. Ao contar sua trajetória, ela definiu liderança comunitária de uma maneira simples e profunda: liderar é saber escutar.

Sua atuação reúne mulheres, cria oportunidades de geração de renda e mobiliza respostas para questões da comunidade. Ao mesmo tempo, ela não deseja transformar esse trabalho em uma organização social formal. Essa escolha revela algo importante sobre a forma como reconhecemos as potências dos territórios.

Muitas vezes, estamos acostumados a enxergar aquilo que cabe nas estruturas que já conhecemos, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), projetos com prazo definido, indicadores e processos formais de prestação de contas. A vida comunitária, no entanto, também se sustenta em relações de confiança, soluções cotidianas e formas próprias de organização.

Também conhecemos uma liderança venezuelana que encontrou acolhimento no Brasil e passou a apoiar outras mulheres migrantes, muitas delas com filhos e sem oportunidades de geração de renda. Quando começou a imaginar uma iniciativa mais estruturada, ouviu de muitas pessoas que sua ideia não daria certo. Escolheu seguir com as poucas que acreditaram. Hoje, apoia outras pessoas e reconhece que encontrou escuta, esperança e uma fundação comunitária capaz de olhar para ela para além do projeto que lidera.

Essas histórias lembram algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre orienta a forma como os recursos são planejados: o território não começa quando chega um projeto ou um financiador. Já existem ali lideranças, relações, conhecimentos, soluções e formas próprias de organização.

Reconhecer esse ponto não diminui a importância dos recursos externos. Ao contrário, amplia sua potência. Quando o financiamento se conecta ao que já existe, pode fortalecer capacidades locais, apoiar lideranças, ampliar redes e contribuir para que soluções construídas no território ganhem escala, sustentabilidade e novas possibilidades de articulação.

Visita a territórios de Manaus

 

Aprender as linguagens do território

Em outra visita, a iniciativas lideradas por povos indígenas, uma reflexão sintetizou parte desse desafio. Há linguagens, tempos e formas de organização que nem sempre são plenamente compreendidos pelos mecanismos tradicionais da filantropia.

Falamos muito sobre preparar organizações para acessar recursos. Criamos capacitações, formulários, critérios e processos para que compreendam como a filantropia funciona. Esse esforço é importante. Mas há também uma oportunidade complementar de preparar financiadores, organizações de apoio e investidores sociais para compreender melhor como os territórios funcionam.

Os tempos indígenas, das comunidades tradicionais e das iniciativas sociais locais nem sempre são os tempos dos projetos. As formas de organização nem sempre correspondem às estruturas formais esperadas por financiadores. Por isso, a aproximação entre capital e território depende de tradução, escuta e construção de confiança entre pessoas e organizações que operam com linguagens, referências e responsabilidades diferentes.

Essa não é uma agenda de substituição de práticas, mas de aprimoramento. Critérios, governança, prestação de contas e monitoramento seguem sendo importantes, mas o ponto é combiná-los com mecanismos que reconheçam as dinâmicas locais, valorizem conhecimentos diversos e permitam que as comunidades participem das decisões que afetam suas vidas.

 

Inovar também é melhorar os caminhos do recurso

Nos últimos anos, o campo avançou na discussão sobre novos instrumentos financeiros, capital catalítico, investimento de impacto, filantropia baseada em confiança e formas mais estratégicas de mobilizar recursos. Tudo isso importa.

A experiência em Manaus, porém, reforçou que a inovação nos instrumentos de financiamento ganha mais força quando vem acompanhada de novas formas de escuta, articulação e tomada de decisão com os territórios.

Não se trata apenas de criar novos mecanismos, mas de aprimorar os caminhos pelos quais os recursos chegam. Como esse capital se conecta às lideranças locais? Quem participa das decisões? Quais relações são fortalecidas ao longo do processo? Que capacidades permanecem quando o financiamento termina?

Quando os mecanismos de financiamento consideram as relações já existentes, aumentam as chances de gerar efeitos mais consistentes e duradouros. Por outro lado, quando essas relações não são compreendidas, podem surgir efeitos não intencionais. Por isso, conhecer o território antes de investir é parte essencial da efetividade.

Essa discussão apareceu também no Impact Minds, quando chamou atenção o fato de que muitas comunidades ainda não estão nos mapas. E, quando não estão no mapa, muitas oportunidades simplesmente não chegam.

A produção de dados abertos pelas próprias comunidades também entrou na conversa. Elas não são apenas fontes de informação, mas podem produzir conhecimento, construir valor a partir desses dados e participar das decisões que serão tomadas com eles. Parece uma discussão sobre dados, mas é também sobre participação. Quem produz o conhecimento que orienta decisões? Quem aparece nos sistemas de financiamento? Como garantir que mais comunidades sejam reconhecidas como parceiras na construção das soluções?

Enxergar a comunidade como parceira, e não apenas como beneficiária, muda a lógica da conversa. Em vez de começar com “o que podemos levar para este território?”, a pergunta passa a ser “o que já existe aqui, o que este território sabe e o que podemos construir juntos?”

Paula Fabiani, CEO do IDIS, em palestra do Impact Minds

 

Confiança, capacidades e infraestrutura territorial

O desenvolvimento de capacidades atravessou várias conversas da semana. Uma ideia se destacou: não existe uma única capacidade capaz de transformar sistemas. É uma combinação.

Precisamos compreender melhor os problemas que queremos enfrentar. Produzimos muito conhecimento, mas ainda temos dificuldade de fazê-lo circular, interpretá-lo e utilizá-lo para tomar decisões. Precisamos cooperar, compartilhar decisões, produzir dados, criar ferramentas acessíveis, aprender uns com os outros e construir confiança. E tudo isso leva tempo.

Construir confiança, fortalecer uma organização, articular atores e mudar relações não cabe, necessariamente, no ciclo de um projeto. Por isso, a confiança apareceu tantas vezes nas conversas da semana como algo concreto. Sem ela, é difícil construir cooperação e sustentar relações de longo prazo.

Essas discussões dialogam diretamente com o que o IDIS tem aprendido e fortalecido por meio do Transformando Territórios, programa voltado ao desenvolvimento da filantropia comunitária e territorial no Brasil.

As organizações acompanhadas pelo programa atuam profundamente conectadas aos lugares onde estão inseridas. Conhecem lideranças, iniciativas sociais, empresas, poder público, desafios e oportunidades. Por essa proximidade, conseguem aproximar atores e recursos de realidades que dificilmente seriam compreendidas da mesma forma a partir de fora.

A partir dessa experiência, o IDIS tem fortalecido a compreensão de que essas organizações cumprem um papel essencial como parte de uma infraestrutura territorial para a filantropia comunitária no Brasil.

Infraestrutura, aqui, não significa centralizar decisões ou falar em nome do território. Significa criar condições para que recursos circulem, atores se encontrem, informações sejam produzidas e interpretadas, organizações locais sejam alcançadas, relações de confiança sejam construídas e soluções do próprio território encontrem novas conexões.

Falamos muito sobre quais projetos financiar. A experiência em Manaus reforçou que também precisamos discutir o que precisa existir no território para que esses investimentos façam sentido e funcionem melhor.

Visita a territórios de Manaus

 

Governança e confiança caminham juntas

Essa discussão também convida a rever a forma como equilibramos controle, confiança e colaboração. A busca por segurança, governança e prestação de contas é necessária. Ao mesmo tempo, ela ganha potência quando combinada com participação, escuta e decisões compartilhadas.

Essa colaboração também tem avançado entre organizações financiadoras, que vêm buscando formas de coordenar esforços, compartilhar aprendizados e construir agendas comuns. Esse movimento é importante para ampliar o alcance dos recursos e reduzir a fragmentação das iniciativas.

Colaborar exige reconhecer conhecimentos diferentes, construir acordos e aceitar que quem está mais próximo do problema precisa participar da construção da resposta.

Um coletivo não nasce apenas porque colocamos várias organizações na mesma mesa. Um território também não se fortalece simplesmente porque recebeu mais recursos. É preciso construir condições para que esses recursos encontrem e fortaleçam o que já existe.

Essa é uma agenda relevante para a filantropia, o ISP e o investimento de impacto. Precisamos continuar olhando para quanto capital conseguimos mobilizar, mas também para a qualidade das relações, capacidades e mecanismos que construímos para que esse capital gere transformações mais duradouras.

O que permanece quando o recurso sai?

Manaus tornou essa pergunta muito concreta.

Em uma grande cidade no coração da Amazônia, convivem riqueza, conhecimento, atividade econômica, desafios sociais e ambientais e comunidades que ainda encontram barreiras para acessar recursos. O território não foi cenário para as conversas. Foi parte delas.

Avançar não significa apenas mobilizar mais capital ou desenvolver novos instrumentos. Significa fortalecer relações, capacidades e mecanismos que ajudem esse capital a compreender onde está chegando, encontrar quem já produz soluções e contribuir para que essas soluções se ampliem sem perder vínculo com sua origem.

Projetos terminam. Editais fecham. Financiadores mudam prioridades. Recursos entram e saem.

O que construímos a partir deles pode durar muito mais: conhecimento, relações, organizações fortalecidas, redes e comunidades com maior capacidade de participar das decisões que afetam suas vidas.

Por trás dos instrumentos, estratégias, indicadores e recursos estão pessoas. Pessoas que conhecem seus territórios, constroem respostas, mobilizam outras pessoas e começam a transformar suas realidades muito antes da chegada de qualquer financiamento.

Também ficou evidente que há muitas organizações, empresas, investidores sociais e lideranças revendo práticas, fazendo perguntas e buscando outras formas de trabalhar juntos. O desafio agora é fazer com que essa disposição se traduza em relações mais consistentes e em formas de fazer que mantenham as pessoas no centro.

Quando o recurso sair, o que terá ficado no território e na vida das pessoas que o constroem todos os dias?

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

Zurich abre edital nacional para apoiar projetos sociais via leis de incentivo fiscal

Inscrições gratuitas vão de 21 de setembro a 19 de outubro e contemplam projetos ligados a educação, inclusão produtiva e resiliência comunitária

A Zurich Seguros abre, em 21 de setembro, as inscrições para o Edital de Seleção de Projetos via Incentivo Fiscal 2026, voltado a organizações da sociedade civil sem fins lucrativos de todo o Brasil. Com apoio técnico do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), o processo busca selecionar projetos sociais aprovados e aptos à captação por meio de leis federais de incentivo fiscal.

Nesta edição, serão aceitos projetos enquadrados na Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet; Lei de Incentivo ao Esporte; Fundo da Pessoa Idosa; e Fundo da Infância e Adolescência (FIA). As inscrições são gratuitas e permanecem abertas até 19 de outubro, às 23h59, horário de Brasília. Cada proposta deverá ser inscrita separadamente, e uma mesma organização poderá apresentar mais de um projeto.

O edital de 2026 foi estruturado com base nas diretrizes atuais de investimento social privado da Zurich, estruturada em três programas. Educação e Desenvolvimento Social reúne projetos que utilizem educação, esporte, cultura ou cidadania para apoiar o desenvolvimento integral. Formação e Inclusão Produtiva contempla propostas ligadas à capacitação, trabalho, empreendedorismo e geração de renda. Já Comunidades e Resiliência abarcam ações voltadas a territórios e organizações locais expostos a vulnerabilidades sociais, econômicas ou climáticas.

“Queremos que a seleção de projetos esteja diretamente conectada às prioridades do nosso investimento social privado. Buscamos propostas consistentes, com capacidade de execução e indicadores que permitam acompanhar os resultados, ao mesmo tempo em que direcionamos os recursos para temas e públicos que fazem parte da nossa estratégia de Responsabilidade Social Corporativa”, afirma Nathalia Abreu, superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich Seguros.

Recursos e critérios de seleção

O regulamento estabelece parâmetros de referência para análise das propostas, que variam de acordo com o mecanismo de incentivo fiscal utilizado. A eventual destinação de recursos estará sujeita ao processo de seleção, à disponibilidade orçamentária e às aprovações aplicáveis. O edital contempla projetos enquadrados na Lei Rouanet, Lei de Incentivo ao Esporte, Fundo da Pessoa Idosa e Fundo da Infância e Adolescência (FIA).

A análise será dividida em etapas eliminatória e classificatória. Na primeira, serão verificados pontos como aprovação e aptidão do projeto para captação, documentação, regularidade cadastral, fiscal e trabalhista, requisitos de integridade e atendimento direto a pessoas em situação de vulnerabilidade. Os projetos também deverão prever ao menos uma possibilidade de atividade de voluntariado corporativo para colaboradores da Zurich.

Na fase classificatória, entram na avaliação a qualidade técnica, a aderência ao programa social escolhido, a capacidade de mensurar resultados, a estrutura da organização e o potencial de participação dos colaboradores da seguradora. Os critérios variam conforme a frente do projeto e incluem aspectos como trajetória educacional, empregabilidade, geração de renda e fortalecimento de comunidades.

“Realizar a gestão deste edital da Zurich pelo segundo ano consecutivo é motivo de orgulho para nós. Contribuir para que os incentivos fiscais sejam direcionados a organizações comprometidas e alinhadas às causas prioritárias da empresa é um trabalho de grande responsabilidade, que exige cuidado e atenção em todas as etapas do processo”, afirma Henrique Baretto, gerente de projetos do IDIS.

Os projetos selecionados terão execução prevista para 2027, preferencialmente por até 12 meses. O resultado será divulgado em 2 de dezembro de 2026. Durante a execução, as organizações apoiadas deverão acompanhar indicadores e prestar informações sobre o desenvolvimento e os resultados dos projetos.

A Zurich realiza seleções abertas para destinação de recursos incentivados anualmente. Na edição de 2025, desenvolvida também com apoio do IDIS, a chamada recebeu 845 inscrições de organizações interessadas.

“Receber 845 inscrições no ciclo anterior mostrou a procura por uma chamada aberta e nacional. Em 2026, queremos manter a transparência do processo e aprofundar a análise da qualidade técnica, da capacidade de execução e dos resultados que cada projeto se propõe a alcançar. Nosso objetivo é selecionar propostas consistentes e conectadas às prioridades sociais da Zurich”, conclui a superintendente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich Seguros.

As organizações interessadas podem consultar o regulamento completo e realizar a inscrição neste link. Em caso de dúvidas, o contato indicado no edital é editaldeincentivadoszurich@idis.org.br.

Além do financiamento: estudo global revela demandas das ONGs para ampliar sua resiliência

Dados do Brasil destacam a busca por recursos mais flexíveis e de longo prazo, o fortalecimento da mensuração de impacto e a demanda por apoio estratégico, desenvolvimento de lideranças e oportunidades de aprendizagem.

Em um cenário de aumento da demanda por serviços e pressão sobre a capacidade de atuação das organizações da sociedade civil, fortalecer sua resiliência se torna cada vez mais necessário. É o que revela o World Giving Report 2026: Panorama das ONGs, estudo da Charities Aid Foundation (CAF) que ouviu mais de 5 mil lideranças de organizações em 33 países. No Brasil, a pesquisa foi realizada em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e contou com 195 participantes.

No Brasil, 66% das organizações respondentes afirmam ter registrado aumento na demanda por seus serviços, enquanto 78% esperam que ela continue crescendo. Os resultados reforçam a importância de olhar para as condições que permitem às organizações não apenas responder às necessidades imediatas, mas também planejar, adaptar-se e manter sua capacidade de atuação no longo prazo.

 

 

Qualidade dos recursos também importa

O levantamento mostra que a resiliência financeira passa não apenas pela diversificação das fontes, mas também pela qualidade dos recursos disponíveis. No Brasil, empresas e população em geral aparecem entre as fontes de financiamento mais presentes, mencionadas por 70% e 68% das organizações respondentes, respectivamente. Em média, as organizações brasileiras participantes recebem recursos de 3,5 fontes diferentes.

A flexibilidade, no entanto, permanece como questão relevante: 72% dos recursos recebidos pelas organizações brasileiras respondentes são restritos a finalidades específicas. Globalmente, o relatório mostra que, à medida que aumenta a proporção de financiamento restrito, cresce também a dificuldade das organizações para alcançar seus objetivos. Além disso, 60% das respondentes brasileiras afirmam que, caso deixassem de receber novos recursos, conseguiriam manter suas atividades por menos de um ano utilizando apenas reservas, investimentos ou receitas próprias.

Nesse contexto, mecanismos de financiamento de longo prazo, como fundos patrimoniais filantrópicos (endowments), legados e testamentos solidários, apresentam potencial para contribuir para a resiliência das organizações. No Brasil, 13% das respondentes recebem recursos dessas fontes. No recorte global, as organizações que contam com esse tipo de financiamento são as que mais se sentem financeira e operacionalmente preparadas para o futuro: 50%, ante 37% entre o conjunto das organizações pesquisadas.

 

Mensurar impacto para fortalecer confiança

Outro destaque é a relação entre confiança, transparência e capacidade de demonstrar e comunicar impacto. O estudo identifica uma possível distância entre aquilo que as organizações percebem como seus principais desafios e o que os doadores consideram importante: globalmente, 19% das organizações mencionam mensuração e demonstração de impacto entre seus principais desafios e apenas 6% citam a necessidade de persuadir as pessoas de que são confiáveis. Entre os doadores, porém, 63% apontam transparência ou comunicação de impacto entre as formas pelas quais as organizações poderiam incentivá-los a doar.

No Brasil, o desafio da mensuração é particularmente evidente. Apenas 31% das organizações consideram que capturam seu impacto de maneira efetiva e 29% utilizam uma estrutura formal para fazê-lo. Ao mesmo tempo, 59% afirmam estar desenvolvendo uma estrutura, indicando um movimento importante de fortalecimento dessa capacidade. Apenas 17% das respondentes brasileiras afirmam ter recebido de financiadores apoio considerado útil para mensurar seu impacto.

Os achados dialogam com a Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo IDIS, que também aponta confiança e clareza sobre a atuação das organizações como elementos relevantes para fortalecer a relação com quem doa. Em conjunto, os estudos reforçam a importância de produzir evidências sobre os resultados alcançados e comunicá-las de maneira clara e transparente.

 

Desenvolvimento institucional está entre as demandas aos financiadores

O Panorama das ONGs mostra ainda que as organizações esperam dos financiadores apoio que vá além do repasse de recursos. No Brasil, 77% gostariam que financiadores facilitassem oportunidades de conexão e aprendizagem com organizações relevantes; 59% demandam aconselhamento ou apoio estratégico; e 54%, desenvolvimento e formação de lideranças.

Essa demanda ganha relevância quando observada a rotina das próprias lideranças: no Brasil, elas dedicam, em média, 68% de seu tempo às atividades operacionais e 32% ao trabalho estratégico de longo prazo. No cenário global, a pesquisa mostra que a maioria das lideranças gostaria de dedicar mais tempo a questões estratégicas, especialmente planejamento para o futuro e mobilização de recursos.

Segundo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento no IDIS:  “Os dados reforçam que a resiliência das organizações não depende apenas de quanto recurso conseguem mobilizar, mas também de como esse financiamento acontece e das capacidades que conseguem desenvolver. Recursos mais flexíveis e de longo prazo, aliados ao investimento em estratégia, governança, pessoas, redes e mensuração de impacto, dão às organizações melhores condições para planejar, aprender e responder às transformações e às demandas da sociedade.”

 

Baixe o relatório global:

Acesse nossa Política de Privacidade

O futuro é uma escolha, não um destino

Por Letícia Santos, analista de projetos do IDIS 

Construir o futuro é um ato de escolha e escolher exige nomear o que se quer mudar, ter coragem de assumir compromissos publicamente e disposição para enfrentar conversas difíceis. Foi em torno dessas questões que Nicholas Tedesco, presidente e CEO do National Center for Family Philanthropy, Rodrigo Pipponzi, membro do comitê de impacto social da RD Saúde e cofundador do Compromisso 1%, e Michael França, coordenador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, debateram na mesa de encerramento do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, promovido pelo IDIS, com mediação de Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Nicholas Tedesco, Presidente e CEO do National Center for Family Philanthropy (NCFP)

Para Nicholas, representante da filantropia familiar, a coragem começa por interrogar a motivação do legado filantrópico, a partir de sua vivência em contextos em que a cultura de doação já está consolidada, Nicholas afirma que as famílias doam, mas nem sempre se perguntam o porquê, com qual propósito, e o que querem que permaneça.  

Reimaginar a filantropia familiar passa por abrir esse espaço de questionamento acerca do que deve ser preservado e o que precisa mudar. Nicholas afirma que estamos em uma temporada de transformação, em que o propósito deve caminhar ao lado das necessidades atuais e antecipar necessidades futuras, construindo uma governança que sustente as escolhas ao longo do tempo e criando condições para que gerações diferentes se encontrem em torno de uma agenda comum.  

Nos Estados Unidos, Nicholas compartilhou que muitas famílias têm inclinado apoio à democracia e aos enfrentamentos em torno das crises climáticas, mas reforça que esse processo exige conversas sobre poder e privilégio que o campo ainda evita.  

No Brasil, o desafio é anterior, uma vez que o envolvimento das famílias ricas com a filantropia ainda é incipiente e pouco documentado, como aponta o relatório Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil, produzido pelo IDIS. De acordo com os dados do Censo GIFE, em 2024, as fundações e institutos familiares investiram R$ 395 milhões, o equivalente a cerca de 7% do total mapeado pelo censo. 

Olhando para o papel social das empresas, Rodrigo Pipponzi centrou sua fala na coragem de assumir compromissos públicos e de sustentá-los ao longo do tempo. A RD Saúde optou por não criar um instituto separado, de modo que a missão do negócio e o compromisso social são tratados como a mesma coisa, expressos, por exemplo, na destinação de um percentual do lucro líquido para investimento social, como signatária do Compromisso 1%, iniciativa colaborativa entre o IDIS e o Instituto MOL que busca fomentar a doação de empresas para organizações da sociedade civil.  

Outras formas que a empresa encontrou de tornar coerente a relação entre negócio e papel na sociedade passam pela vinculação do bônus dos executivos a metas ESG e pela participação da alta liderança no Comitê de Impacto Social. Por fim, Rodrigo ainda destacou que a filantropia corporativa cumpre um papel catalisador, de modo que o papel de mobilização é, hoje, uma das fortalezas da RD Saúde, por exemplo, com a iniciativa do Troco Solidário, que todo ano arrecada entre R$ 4 e 5 milhões, revertidos para organizações da sociedade civil.

Paula Fabiani, CEO do IDIS

Provocado por Paula Fabiani a discutir como a desigualdade afeta a sociedade brasileira e o papel da filantropia nesse cenário, Michael França, representando a academia, colocou na mesa questões que o campo raramente enfrenta com profundidade. Referenciando seu livro recém-lançado Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas, escrito com Daniel Duque e publicado pela Editora Jandaíra, Michael argumentou que em uma sociedade entre as mais desiguais do mundo, as externalidades produzidas pela desigualdade nem sempre são pautadas, dificultando a quebra de ciclos e comprimindo o futuro possível.  

Reinventar a filantropia, nesse sentido, passa também por reconhecer o que ela ainda não olha. Michael falou sobre a escolha que fez de não deixar esse conhecimento restrito aos círculos acadêmicos, levando dados e evidências para o debate público e para o diálogo com governos. Para a filantropia, destaca que a educação não resolve tudo, e que reformar a sociedade brasileira deverá passar para além dos muros da escola. 

A conversa que se seguiu com a plateia aprofundou pontos críticos do debate atual, revelando que as questões levantadas pelos três palestrantes ressoaram além do palco. A primeira pergunta, sobre o papel da filantropia frente ao negacionismo, trouxe respostas complementares de Michael França e Nicholas Tedesco. Michael apontou uma assimetria estrutural na filantropia como indutora da produção de conhecimento, em que o financiamento internacional deposita maior confiança no pesquisador e oferece apoio institucional de longo prazo, enquanto, no Brasil, o financiamento tende a ser mais restrito, orientado a confirmar hipóteses e responder perguntas fechadas. Nicholas acrescentou, a partir de sua vivência nos Estados Unidos, que as universidades são vistas como centros de referência para a disseminação de boas práticas filantrópicas e para a formação de lideranças, um papel que ainda está por ser consolidado no Brasil. 

A segunda pergunta abriu o debate sobre colaboração entre fundações, entidades e negócios menores. Nicholas afirmou que não existe receita mágica, mas que nos Estados Unidos há um movimento crescente de reconhecimento da necessidade de colaborar, ainda que persista um receio em relação a isso. Para ele, atacar a raiz dos problemas só é possível por meio de mudanças sistêmicas, e mudanças sistêmicas exigem colaboração. Pipponzi reforçou esse argumento com o olhar das empresas, destacando que é preciso que elas consigam renunciar a poder e de determinadas convicções para trabalhar junto com comunidades e com outros atores, criando estímulos para colaborar.

Rodrigo Pipponzi, Membro do Comitê de Impacto Social da RD Saúde

Nas considerações finais, cada um deixou uma síntese que atravessa o tema da mesa. Pipponzi reforçou que construir o futuro que queremos exige a coragem de fazer escolhas e de sustentá-las ao longo do tempo. Michael propôs pensar o legado como forma de reduzir distâncias sociais, mantendo integridade entre o papel filantrópico e o dos negócios. Nicholas encerrou com um convite à continuidade de espaços como o Fórum, para que conversas como essa permaneçam abertas.

 

Assista a gravação do painel:

Filantropia familiar: Raízes no propósito, olhar para o futuro 

Por Carina Santana, analista de projetos do IDIS 

Como famílias e instituições podem transformar seus valores em mudanças duradouras, atravessando gerações e, ao mesmo tempo, acolhendo novas realidades?  

Belisa Maggi, ligada à Fundação AMAGGI e presidente do Instituto Signativo

Essa foi uma das questões discutidas durante a 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, em uma mesa que reuniu Belisa Maggi (ligada à Fundação AMAGGI e presidente do Instituto Signativo), Cristiano Franco (fundador do ITEC – Instituto de Tecnologia e Computação), Thamile Accioly (Diretora Executiva da Fundação Maria Emília) e Daniella Leite (CEO da FBN Brasil), responsável pela moderação. 

As experiências compartilhadas por institutos e fundações familiares se encontram em um ponto comum: todas partem de um propósito. Em organizações mais consolidadas, esse propósito costuma estar associado a um legado construído ao longo do tempo. Já em iniciativas mais jovens, ele pode nascer de um processo de autoconhecimento, escuta e identificação do papel que cada pessoa ou família deseja exercer na sociedade. 

Belisa Maggi destacou a importância do autoconhecimento para compreender esse propósito. Para ela, ambientes mais horizontais, que favorecem o diálogo entre diferentes gerações, ampliam as possibilidades de inovação. Quando há abertura para escuta e troca, novas gerações podem encontrar espaço para contribuir e imprimir sua própria forma de atuação no mundo. “Novas gerações não tem como seguir ou fazer algo diferente se não tem o autoconhecimento. O autoconhecimento é essencial para imprimir nossa forma de ser no mundo”, disse durante a sessão. 

A manutenção dos valores e a presença de uma governança fortalecida ajudam a preservar a conexão com o propósito institucional. No entanto, manter um legado não significa permanecer imóvel. Pelo contrário: a capacidade de inovar dentro de uma missão clara é o que permite que organizações sigam relevantes diante de novos desafios sociais. Esse movimento pode acontecer por meio de parcerias, da escuta ativa dos territórios e do diálogo entre gerações. 

Thamile Accioly compartilhou a trajetória da Fundação Maria Emília, que atua fortalecendo iniciativas já existentes. Segundo ela, apoiar quem já atua nos territórios ajuda a organização a manter seu legado. “Deixamos de fazer uma atuação local para fazer uma ação nacional. O que não mudou nesse período foi a essência do fundador, o desejo de educação e saúde, e os valores. O restante é preciso acompanhar: os cenários, os desafios e as oportunidades mudam, e a gente vem evoluindo com isso”, afirmou. 

Thamile Accioly, Diretora Executiva da Fundação Maria Emília

A conexão com o território também foi apontada como elemento central para a continuidade do propósito e para a geração de impacto. É por meio dessa relação de proximidade que se constroem confiança e legitimidade para pilotar projetos e, em alguns casos, incidir sobre políticas públicas locais. O monitoramento de indicadores e a avaliação de resultados, por sua vez, permitem compreender com mais precisão as demandas do território e verificar se as ações apoiadas estão, de fato, contribuindo para enfrentar esses desafios. O ponto foi abordado por Cristiano Franco em sua fala: “Como terceiro setor, podemos nos permitir testar hipóteses e ter liberdade de execução, e levar isso para o poder público. Fazemos uma “curadoria” do que pode trazer impacto”, comentou. 

A conversa reforçou que a filantropia familiar se fortalece quando reconhece suas raízes, mas permanece aberta ao futuro. Preservar valores e honrar legados não significa repetir caminhos, mas sim construir novas formas de atuação. Unindo propósito, diálogo entre gerações e compromisso com resultados, institutos e fundações familiares podem ampliar sua contribuição para transformações sociais mais duradouras. 

 

Confira a gravação do painel:

Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum

Por Carla Irrazabal, analista de projetos do IDIS

A identidade latino-americana parece estar cada vez mais em evidência. E isso não se deve somente ao sucesso das músicas latinas no Spotify e no mundo. Existe algo que nos conecta e que nos define, e que não pode ser ignorado. Talvez a incerteza de um mundo em conflitos e a necessidade de afirmar identidades tenham contribuído para trazer essas características comuns para o centro da conversa. 

Painel “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum”

Temos muito em comum, tanto em características que podem se tornar tendências e pontos fortes a serem valorizados, quanto nas coisas que sentimos que precisamos mudar. Ao mesmo tempo em que somos uma das regiões mais desiguais do mundo, vemos a generosidade presente em muitas ações cotidianas que constituem os nossos povos. 

Nossa herança histórica, marcada pela colonização, pelos povos originários e pela influência da diáspora africana trazida à força para a região pela escravidão no período colonial, influencia muitas dessas características. Da Terra do Fogo a Monterrey, compartilhamos histórias, desafios, formas de solidariedade e uma diversidade que não pode ser deixada de lado quando falamos em América Latina. 

Trazendo essa perspectiva para a filantropia, a mesa “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum”, realizada no Fórum Brasileiro de Filantropia 2026, nos convidou a refletir sobre o que nos une, o que há de comum entre os países latino-americanos e quais características da nossa região podem contribuir para construir um campo filantrópico mais forte, autônomo e conectado. 

O moderador, Guillermo Correa, Diretor Executivo da Red Argentina para la Cooperación Internacional, abriu a conversa justamente provocando os participantes a pensar sobre como fortalecer a filantropia latino-americana sem simplesmente importar modelos externos. A pergunta atravessou toda a mesa: como ampliar a colaboração entre os países, fortalecer nossas próprias capacidades e, ao mesmo tempo, preservar a diversidade e a essência que caracterizam nossas formas de gerar impacto social e ambiental? 

Cassio França, Secretário-Geral do GIFE, trouxe a experiência brasileira como ponto de partida para pensar também características mais amplas da região. Falou sobre o peso da filantropia empresarial: entre os associados do GIFE, 60% são empresas e 20% são famílias.  

Essa lógica é invertida no campo filantrópico estadunidense, lá há uma predominância da filantropia familiar. Ele fez uma provocação sobre qual é o papel da filantropia familiar na América Latina. Na sua visão, ela pode trazer algo diferente para o campo e abrir espaço para temas e causas que talvez não estejam tão presentes na filantropia empresarial. A ideia não é escolher entre uma forma ou outra, mas reconhecer a contribuição de diferentes atores para a construção de um ecossistema mais diverso. 

Sua fala também trouxe um ponto importante sobre o ambiente necessário para esse campo se fortalecer: a necessidade de um marco legal mais favorável à doação. Em uma região marcada pela concentração de recursos e por profundas desigualdades, fortalecer a cultura de doação também passa por discutir os instrumentos e as políticas que incentivam ou dificultam que recursos privados sejam direcionados para o bem público. 

João Paulo Vergueiro (JP), Diretor do Hub da GivingTuesday para a América Latina e Caribe, trouxe para a conversa uma reflexão sobre os diferentes sentidos da filantropia. Não apenas seu significado literal de “amor à humanidade”, relacionado à generosidade, mas também a filantropia entendida como doação e como um campo da sociedade civil. A partir de sua experiência na GivingTuesday, JP destacou que a generosidade já está presente no cotidiano dos países latino-americanos. A solidariedade e a disposição para fazer o bem ao próximo não são algo que precisamos necessariamente criar. O desafio está em reconhecer, estruturar e fortalecer essas práticas para que elas possam contribuir de maneira mais consistente para o campo filantrópico. 

Mas, para isso, ainda conhecemos pouco sobre o próprio campo. Uma pergunta aparentemente simples “quantas organizações da sociedade civil existem no país?” já evidencia a ausência de dados e pesquisas em muitos lugares da região. Para JP, conhecer melhor o campo é fundamental para que seja possível tomar decisões mais estratégicas e fortalecer a sociedade civil. 

A falta de dados também se conecta a uma questão trazida por Carolina Suárez, CEO da Latimpacto: a necessidade de construir mais confiança no campo social latino-americano. Ela reforçou a importância das evidências, mas chamou atenção para o equilíbrio necessário. Muitas organizações não têm as mesmas condições de produzir relatórios, indicadores e prestações de contas nos formatos demandados por financiadores. Sem considerar essa realidade, o excesso de exigências pode afastar recursos justamente de quem está mais próximo dos territórios. 

Carolina Suárez, CEO da Latimpacto

Para Carolina, pensar um modelo próprio para a América Latina é fundamental. Os exemplos e soluções não estão necessariamente nos modelos importados dos Estados Unidos ou de outros contextos. Muitos deles já existem aqui, nas práticas locais, nas redes da sociedade civil, nas formas de solidariedade comunitária e na capacidade de articulação dos territórios. 

Carolina trouxe também a importância de construir uma identidade latina. Comentou que pessoas de países africanos quando chegam em conferências internacionais falam “sou africano” e não de seu país de origem, precisamos pegar esse exemplo e afirmar com orgulho que somos latino-americanos.  

Numa segunda rodada de perguntas, mais objetivas e mais direcionadas para a prática, Guillermo direcionou perguntas diretas de como fazer e de quais são esses exemplos.  

Cássio retomou o tema do marco legal e reforçou a importância de instrumentos capazes de incentivar a cultura de doação e fortalecer a mobilização de recursos internos. Uma das referências citadas foi a experiência da Índia, onde a legislação de responsabilidade social corporativa prevê que empresas enquadradas em determinados critérios financeiros destinem pelo menos 2% do lucro líquido médio dos três anos anteriores a ações de responsabilidade social corporativa. 

JP sintetizou parte da conversa em três palavras: narrativa, dados e estrutura. A narrativa para contar a história do que o terceiro setor já faz e vem fazendo na América Latina. Os dados para trazer os insumos necessários para o conhecimento do campo de forma estratégica. E a estrutura seria o fortalecimento das redes que existem no Brasil e México e está se iniciando na Colômbia, em grupos como o GIFE. 

Carolina encerrou reforçando aquilo que talvez seja uma das maiores fortalezas latino-americanas: o capital humano. A capacidade de construir vínculos, mobilizar pessoas, atuar em rede e produzir soluções enraizadas nos territórios é parte da potência da região. Para que essa potência ganhe escala, será preciso ampliar integração, confiança e orgulho de pertencimento. 

Essa conversa nos mostrou que a filantropia latino-americana não precisa “inventar a roda” ou buscar respostas em modelos prontos vindos do Norte Global. A nossa fortaleza está justamente no que já existe aqui e que é profundamente latino: a generosidade, a solidariedade, a diversidade cultural e a força e o protagonismo dos nossos territórios.

João Paulo Vergueiro (JP), Diretor do Hub da GivingTuesday para a América Latina e Caribe

A diversidade do continente, com suas diferentes histórias, culturas, formas de organização e maneiras de responder aos desafios locais, não deve ser uma barreira para a construção de uma agenda comum, ao contrário, é um ativo para produzir soluções mais conectadas às nossas realidades.  

Em um contexto de policrise, em que desafios sociais, políticos, econômicos e climáticos se sobrepõem, fortalecer nossos vínculos como hermanos latino-americanos se torna ainda mais importante. Já existem modelos e experiências construídos aqui. O caminho pode estar justamente em conhecermos mais o que nossos vizinhos estão fazendo, compartilharmos aprendizados e fortalecermos essa rede regional, que ainda tem muito espaço para crescer.  

 

Assista a gravação do painel: 

Para além do relatório anual: O valor da evidência para fortalecer negócios e sociedade

Por Joana Noffs, analista de projetos do IDIS 

No universo dos projetos e programas sociais, é comum o momento de busca por dados ficar restrito à hora de prestar contas, sendo as evidências mobilizadas de modo apressado para compor as páginas coloridas dos relatórios anuais. Nessa rotina, os números cumprem um papel relevante para a transparência, mas pouco fértil: demostrar que o investimento foi realizado e que as metas de alcance foram atingidas. 

Ao deixar a informação para a última hora, se perde a chance de usar os dados para aprender ao longo do processo e demonstrar o valor gerado para dentro da própria organização no investimento social corporativo. A ausência de indicadores estratégicos mantém o recurso socioambiental mais vulnerável, com risco de ser visto pelo negócio como um custo a ser cortado em tempos de retração. Ainda, quando o diagnóstico de um território entra no jogo antes mesmo de a caneta ir ao papel, cruzando indicadores com a escuta local, a lógica se inverte: soluções de prateleira dão lugar a intervenções mais permeáveis a escuta, capazes de mapear gargalos, mitigar riscos e identificar oportunidades concretas de inovação e desenvolvimento na própria cadeia de valor. O dado passa a ser a linguagem que traduz a realidade do campo para a mesa de decisão, garantindo a sustentabilidade e a permanência desse investimento no orçamento corporativo. 

Essa foi a provocação central da mesa “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade“, realizada no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026. Sob a moderação de Dihego Pansini, Diretor Executivo do Instituto Alcoa, o painel provocou o setor a se posicionar no terreno de transição proposto no tema do evento: “entre a essência e a reinvenção”.  

Painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”

Se a essência do investimento social está no compromisso de gerar transformação real na vida das pessoas, a sua reinvenção exige superar as práticas historicamente verticalizadas da filantropia, fazendo do diagnóstico e da avaliação canais permanentes para incorporar as vozes de quem vive nos territórios e atua ao longo de toda a cadeia de valor. 

“Negócio bom tem que ser bom para todo mundo”. O mote aprendido com pai na infância ilustrou a fala de Claudia Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge. Sua percepção é de que o tempo mudou e as coisas ficaram mais urgentes. A própria agenda ESG ganhou urgência. Já os recursos, ficaram mais escassos. Essa conjuntura exige que o investimento social corporativo trabalhe junto com a cadeia de valor e fortalecendo políticas públicas. Na Fundação Bunge, a revisão da estratégia levou o foco para a inclusão produtiva e para a economia de baixo carbono, e a virada de chave foi ter dados e indicadores que mostrassem o valor gerado para dentro além de para fora, como conta Claudia.

Claudia Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge

“A nossa principal virada, com os indicadores, além de direcionar o investimento e se estamos no caminho certo, foi começar a lidar de igual para igual com o investidor. (…) É superimportante eu medir o que eu estou fazendo do ponto de vista do projeto, mas é superimportante também que por meios dos indicadores da minha entrega para o negócio, o negócio consiga me ver como um investimento, e não como um custo”. 

Um exemplo claro dessa via de mão dupla: para cumprir a meta de que parte do biocombustível venha da agricultura familiar, a Bunge investiu na qualificação e organização das famílias do semiárido nordestino em cooperativas, ao invés de recorrer aos produtores do Sul do país, que já estavam estruturados de modo a atender a demanda. O resultado entregou o que o negócio precisava para participar de leilões, em consonância com a política pública do Selo Social do Biocombustível, e gerou transformação em sua região de atuação. 

O uso efetivo das evidências pode exigir ir além dos dados de alcance. Andressa Vasconcelos, Especialista em Monitoramento e Avaliação de Impacto na Fundação Sicredi, explicou que no Sicredi o investimento social precisa prestar contas aos 10 milhões de associados que deliberam sobre os R$ 400 milhões investidos anualmente:

“O cooperativismo é sempre essa união a partir do entendimento do que está faltando no território e como a gente pode se organizar, enquanto sociedade, para atingir esse objetivo comum. (…) Então é uma tremenda responsabilidade a gente ter iniciativas que efetivamente gerem transformação.” 

No Programa A União Faz a Vida, a instituição realizou em 2020 uma avaliação de Retorno Social do Investimento (SROI) com o IDIS, que indicou um retorno de R$ 4 para cada R$ 1 investido e revelou que aspectos secundários da Teoria da Mudança geravam impactos com maior peso do que o objetivo central. Com esses aprendizados, revisitaram a metodologia e partiram para uma avaliação causal focada no aspecto pedagógico, comprovando avanços diretos de estudantes participantes na iniciativa em variáveis associadas ao cooperativismo, como autonomia, pensamento crítico e colaboração. Sobretudo, a relevância dos processos avaliativos foram os aprendizados gerados, que foram incorporados e permitiram aprimorar a iniciativa e gerar o impacto intencionado. 

“Então, a avaliação de impacto, para a gente, vem como uma ferramenta também de prestação de contas para o nosso associado. Mas principalmente para a gente aprender. Aprender e evoluir.”  

Além disso, as evidências também auxiliam refinar o mapa que traçava os rumos da geração de valor para a sociedade, a Teoria de Mudança da Fundação, que aponta para a prosperidade como objetivo de longo prazo a ser atingido. Ao realizar uma pesquisa nacional para entender o que o brasileiro considera como “prosperidade”, o Sicredi percebeu que o conceito vai além do dinheiro, orientando a criação de soluções não financeiras para os territórios.

 

Plateia painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”

A leitura de evidências também é o que permite atuar em frentes urgentes com pragmatismo. Catarina relatou que a Fundação ArcelorMittal recorreu a dados e escuta qualificada para incorporar a economia circular em sua estratégia.

“Tivemos um trabalho anterior de evidências, fatos e dados para que pudéssemos incorporar uma nova frente de trabalho, a economia circular”, conta. “O que tornou essa agenda possível foi nós percebemos uma oportunidade única de conectar duas pontas em uma mesma cadeia de transformação. (…) Nós percebemos uma oportunidade de gerarmos um valor compartilhado para o negócio, assim como para a comunidade, a nossa sociedade. Mas para que a gente escolhesse essa frente de trabalho da economia circular como uma estratégia da Fundação ArcelorMittal, nós partimos dessa escuta, uma escuta qualificada.”

Um diagnóstico participativo com lideranças, poder público e comunidades mostrou que a gestão de resíduos era uma prioridade local. Cruzando isso com a realidade de 800 mil catadores no Brasil, muitos dos quais em situação de vulnerabilidade social, segundo estudo feito pela AgoSocial em parceria com a ArcelorMittal, e com as metas da empresa de melhorar o acesso à sucata e reduzir emissões, a fundação conectou a cadeia do aço ao fortalecimento desses trabalhadores. A estratégia busca levar cidadania, dignidade e visibilidade aos catadores, responsáveis por mais de 90% da reciclagem no país, mostrando que “quando a gente fala de economia circular, a gente precisa também falar de justiça social”, como reforça Catarina. 

A conversa desenhou três movimentos para o uso dos dados no investimento social feito pelo setor privado: orientar a escolha das agendas, gerar aprendizado contínuo sobre a transformação produzida e conectar pessoas e territórios à estratégia corporativa. Como ressaltou Dihego Pansini na síntese do painel, o Monitoramento e Avaliação cumpre um papel claro de transparência, mas o passo adiante está em usar esse aprendizado para alimentar o processo decisório das organizações. Esse avanço exige que os dados sirvam também para escutar e incorporar diferentes vozes e demandas na construção das próprias agendas.  

Dihego Pansini, Diretor Executivo do Instituto Alcoa

Quando a informação deixa de ser apenas um registro no relatório e entra na rotina da gestão, o acompanhamento vira um processo vivo, permitindo ajustar caminhos para aumentar o impacto, aproximando a empresa das comunidades e trazendo a inteligência necessária para fortalecer e dar longevidade ao próprio negócio. 

Confira a gravação do painel:

Em conversa com… Denise Aguiar

Por Yone Moreno, coordenadora de projetos do IDIS 

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 centralizou suas discussões no tema “Filantropia: entre a essência e a reinvenção”. Na seção “Em conversa com”, a convidada deste ano, Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco, compartilhou suas impressões pessoais sobre as muitas décadas de dedicação da instituição à educação no Brasil e, principalmente, sobre o que significa sustentar um legado ao longo do tempo sem perder a capacidade de se transformar. 

Paula Fabiani, CEO do IDIS

Para quem não conhece essa história, uma recapitulação rápida: a Fundação Bradesco foi criada há quase 70 anos por Amador Aguiar, também fundador do Banco Bradesco, a partir de uma crença profunda no poder transformador da educação. O fundador tomou uma decisão pouco usual para a época: destinou suas próprias ações para criar e garantir a sustentabilidade da Fundação. Ao longo dessas décadas, a instituição construiu uma rede de 40 escolas, presentes em todos os estados brasileiros, atendendo cerca de 42 mil estudantes da Educação Básica. Hoje, investe aproximadamente R$ 1,6 bilhão por ano em educação. 

Mas, na conversa com Denise, ficou claro que assumir esse legado familiar foi apenas uma parte da história. Em um determinado momento da sua vida, o trabalho da Fundação também se transformou em uma missão pessoal. 

Denise contou que sempre se interessou pela forma como as crianças pensam e que essa curiosidade a levou a uma jornada de aproximação com as escolas e com o cotidiano dos estudantes. Foi nesse contato que ela passou a compreender a escola não apenas como um espaço de ensino e aprendizagem, mas como uma arquitetura que comunica relações, produz pertencimento e fomenta confiança. Mais do que transmitir conhecimento, aquele espaço parecia dizer a cada aluno que ele pertencia aquele lugar e que era capaz de construir seu próprio caminho. 

E talvez esse seja um dos elementos mais interessantes da história contada por Denise: a educação, para a Fundação Bradesco, parece acontecer tanto no currículo quanto na experiência de estar na escola. Existe uma dimensão concreta do ensino, da formação e estrutura, mas também uma dimensão simbólica, relacionada a confiança e a possibilidade de cada estudante se enxergar como alguém capaz de ocupar diferentes lugares no mundo. 

Mas o que mais me chamou atenção foi o tom sério de toda a conversa. 

A filantropia do Banco, implementada por meio da Fundação Bradesco, nunca foi encarada como assistencialismo, e sim como a expressão de uma crença absoluta de que a educação é um vetor de transformação social. E, justamente por acreditar nisso, a instituição assume a responsabilidade de fazer esse trabalho de maneira consistente, estruturada e de longo prazo. 

Essa seriedade ficou evidente na forma como Denise falou sobre a Fundação. Havia quase uma espécie de convicção silenciosa de que o propósito da instituição não precisa ser reinventado porque continua fazendo sentido. Ele se fortalece a cada geração de estudantes formada, a cada trajetória transformada e a cada história que confirma a aposta original de Amador Aguiar.  

Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco

Nessa conversa, a essência roubou a cena da reinvenção.  

Em muitos momentos, Denise reforçou que os alunos que ingressam nas escolas da Fundação podem ser o que quiserem. Essa autoconfiança é trabalhada ao longo de toda a formação e parece ser um dos resultados mais importantes do projeto educacional. Não se trata apenas de preparar estudantes para uma profissão ou para uma próxima etapa acadêmica, mas de ampliar sua percepção sobre aquilo que podem ser e fazer. 

Os exemplos concretos de ex-alunos que seguiram trajetórias diversas e bem-sucedidas reforçam essa percepção. E é justamente aí que encontro uma resposta interessante para o tema que orientou todo o Fórum: talvez a essência não seja aquilo que permanece igual, mas aquilo que continua orientando as escolhas mesmo quando o contexto muda. 

E para mim, essa é justamente a força de um legado: não simplesmente permanecer, mas continuar fazendo sentido para quem vem depois.

Confira a gravação do painel:

Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes

Maria Clara Futuro, analista de projetos do IDIS

Como enfrentar desigualdades persistentes sem reduzir problemas complexos a respostas únicas? Essa foi a pergunta que orientou a sessão “Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes”, realizada durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.

Painel ‘Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes’

Com moderação de Ana Maria Cardoso, Coordenadora de Estudos e Pesquisas Aplicadas na Fundação Itaú, a conversa reuniu Rayanne França, Chefe do Escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Manaus; Raisa Martins, Gerente do Instituto Lojas Renner; e Nina da Hora, Fundadora do Instituto Da Hora. A partir de diferentes trajetórias, a discussão convergiu na mensagem central de que reinventar estratégias de equidade exige olhar para as causas estruturais das desigualdades, reconhecer as especificidades dos territórios e construir soluções com participação ativa das pessoas diretamente afetadas. 

Para iniciar a discussão, Rayanne França explicou que, para reinventar abordagens, é necessário considerar as múltiplas existências e desigualdades que se expressam a partir do território, bem como as condições de acesso e as privações presentes em cada localidade. Ao abordar a diversidade de infâncias na Amazônia, destacou um contexto em que a pobreza é multidimensional e diferentes barreiras de acesso se combinam. Não é possível, portanto, pensar em infâncias e adolescências de forma homogênea. Para compreender as privações que atravessam as infâncias amazônicas, é preciso realizar diagnósticos particulares em cada território, observando as especificidades dos diversos contextos. 

A ideia é que não há como pensar em mudanças sistêmicas, ou em transformações que alcancem as populações dessas diversas “Amazônias”, sem a participação direta e o fortalecimento institucional de organizações e atores locais. “A população amazônica também tem o direito de ocupar espaços […] nos quais podem falar por si mesmos e pensar conjuntamente”, afirmou Rayanne.

Em meio a uma conjuntura de constante inovação e surgimento de novas tecnologias, às vezes é preciso voltar ao básico: reinventar também significa exercitar a escuta e fortalecer quem já está no território. 

Raisa Martins, Gerente do Instituto Lojas Renner

Partindo para uma perspectiva de reinvenção das estratégias de equidade de gênero, Raisa Martins trouxe a experiência do Instituto Lojas Renner na reestruturação de sua atuação em inclusão socioprodutiva de mulheres. O papel do investidor social, apesar da relevância da escala e dos resultados numéricos, deve estar orientado principalmente ao impacto. Raisa apontou a necessidade de uma “virada de chave” na mentalidade do investidor: escala e indicadores são importantes, mas não podem substituir a pergunta sobre impacto real. Projetos voltados ao protagonismo feminino precisam considerar não apenas a entrada no mercado de trabalho ou o número de capacitações realizadas, mas também as condições que garantem a perenidade da autonomia conquistada — é preciso pensar se essas mulheres possuem redes de apoio e bases comunitárias que fortalecem e asseguram seu protagonismo. 

Assim, reinventar soluções para desigualdades demanda também um processo de revisão interna do próprio investidor. Em alguns casos, buscar impacto com maior profundidade pode significar rever o tamanho, o ritmo ou o desenho de um projeto. O desafio para investidores sociais é compreender dados como instrumentos de gestão e aprendizagem, e não como finalidade em si mesmos. 

Ao trazer a conversa para o campo da tecnologia, Nina da Hora pontuou que tecnologias emergentes precisam ser direcionadas à transformação social por meio de diálogos e debates qualificados, para que sejam colocadas a serviço da justiça social. A construção de pontes entre o campo da tecnologia e o campo social é um caminho para que a inovação possa ampliar o acesso a direitos, com intencionalidade e compromisso com a redução de desigualdades. É preciso refletirmos também sobre o papel de quem já ocupa espaços de acesso e decisão: criar essas pontes é uma responsabilidade compartilhada. Nesse processo, a sociedade civil não deve ser vista apenas como usuária de soluções tecnológicas, mas também como produtora de conhecimento, metodologias e tecnologias orientadas ao impacto socioambiental positivo.  

“O que você enquanto filantropia consegue investir e reinvestir para repensar esses caminhos [do desenvolvimento tecnológico]?”, provocou Nina. 

Nina da Hora, Fundadora do Instituto Da Hora

Mais do que financiar projetos pontuais, a filantropia e o Investimento Social Privado (ISP) podem fortalecer capacidades locais, redes de proteção, políticas públicas e cadeias produtivas conectadas à atuação dos próprios investidores. Essa perspectiva exige compreender que o valor gerado por uma iniciativa não se limita ao público diretamente beneficiado. Quando um projeto fortalece lideranças locais, qualifica dados, amplia a participação social ou implementa novas tecnologias, o investidor social atua menos como protagonista isolado e mais como catalisador de capacidades coletivas. 

Para enfrentar problemas complexos e multidimensionais, é preciso compreender por que determinadas desigualdades permanecem. Reinventar a equidade não significa buscar respostas rápidas ou universais, mas construir estratégias em rede, capazes de articular diferentes atores, saberes e responsabilidades. Isso vale para a atuação nos territórios amazônicos, para a promoção da autonomia econômica de mulheres e para a produção de tecnologias mais inclusivas. A inovação social também exige renovar o olhar sobre populações em situação de vulnerabilidade, evitando representações simplificadas ou estereotipadas. Para isso, é preciso escuta, participação e compromisso com mudanças estruturais. São esses elementos que ajudam a montar o quebra-cabeça entre inovação e justiça social, permitindo que a equidade deixe de ser apenas um horizonte desejado e passe a orientar práticas concretas de transformação. 

 

Confira a gravação do painel: 

Capital em reinvenção: financiar é redistribuir poder

Por Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos no IDIS 

Como financiar desafios que são cada vez mais complexos, territoriais e interdependentes? A resposta parece passar menos pela criação de instrumentos inteiramente novos e mais pela reinvenção das formas de articular recursos, redes, conhecimento e poder de decisão. Essa foi a discussão que atravessou a mesa “Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental”, que colocou em diálogo experiências em justiça econômica, preservação do patrimônio cultural e Investimento Social Privado (ISP) corporativo. 

Painel ‘Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental’

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, a tensão entre essência e reinvenção ganhou contornos concretos. A conversa reuniu Bruna Helena Barros, executiva de relações institucionais, governamentais e parcerias no Fundo Agbara; Padre Luciano da Silva Roberto, assessor do Setor Cultura e do Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e Mariana Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale. A moderação foi de Renato Nahas, presidente do Conselho da FEAC. 

A reflexão feita por Conceição Evaristo na abertura do Fórum, de que a filantropia precisa ser compreendida também como um mecanismo de redistribuição, ofereceu uma chave potente para a mesa. Redistribuir, nesse sentido, não é apenas deslocar dinheiro de um lugar para outro. É redistribuir acesso, confiança, tempo, conhecimento, redes e poder de decisão. 

Foi a partir dessa lente que Bruna Helena Barros apresentou a experiência do Fundo Agbara, criado para ampliar o acesso de mulheres negras a capital, formação e redes. Ao trazer a interseccionalidade para o centro da conversa, sua fala evidenciou que a desigualdade de acesso ao capital filantrópico não é um efeito colateral: ela expressa estruturas históricas que definem quem é considerado apto a receber recursos, quem precisa comprovar mais, quem tem menos flexibilidade e quem permanece distante das redes onde decisões são tomadas. 

Nesse caso, a reinvenção não está apenas em criar um fundo para uma população historicamente subfinanciada. Está em mudar a pergunta que orienta a alocação de recursos. Em vez de perguntar apenas “qual projeto merece apoio?”, o financiamento passa a perguntar “quais barreiras impedem que soluções já existentes acessem capital, formação e redes?”. A mudança parece sutil, mas desloca o centro da decisão: do financiador que escolhe a causa para uma arquitetura que reconhece desigualdades históricas e busca corrigir o acesso a recursos, oportunidades e vínculos.

Padre Luciano da Silva Roberto, assessor do Setor Cultura e do Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Na fala de Padre Luciano, a discussão se deslocou para a preservação do patrimônio histórico e cultural. A Igreja Católica detém parte expressiva do patrimônio histórico brasileiro, e o desafio colocado foi como garantir uma estratégia permanente de financiamento para uma agenda que, muitas vezes, só recebe atenção quando a deterioração já se tornou emergência. 

A criação de um fundo patrimonial filantrópico para o patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil aponta para uma mudança de lógica: sair do financiamento pontual, reativo e fragmentado para uma estratégia de legado. Fundos patrimoniais preservam o principal e usam seus rendimentos para sustentar causas e organizações no longo prazo. No caso do patrimônio cultural, isso significa reconhecer que acervos, bens materiais e imateriais não pertencem apenas a uma instituição, são parte de uma memória coletiva e, portanto, de interesse público. 

Mas a perenidade financeira, sozinha, não resolve a complexidade. Como foi destacado na mesa, a governança precisa ser capaz de dialogar com um patrimônio amplo, diverso e distribuído territorialmente. A gestão descentralizada pode ampliar não apenas o acesso ao fundo, mas também a outros recursos, saberes técnicos e articulações locais. Em outras palavras: o instrumento importa, mas a arquitetura de governança é o que define se ele será um mecanismo de preservação viva ou apenas mais uma estrutura financeira. 

Já Mariana Luz trouxe a perspectiva do Investimento Social Privado (ISP) corporativo, a partir da experiência da Vale e da Fundação Vale. A empresa vem combinando recursos próprios, incentivos fiscais, participação de fornecedores, fundos filantrópicos e parcerias com outros atores em torno de desafios sociais complexos, como o enfrentamento à pobreza e o fortalecimento de políticas territoriais. 

A resposta passa pela própria natureza dos problemas enfrentados. Pobreza, saúde, desigualdade territorial e vulnerabilidades socioambientais não cabem em soluções lineares. São desafios multidimensionais, que exigem diagnóstico próximo das famílias, articulação com políticas públicas, engajamento de fornecedores, parceria com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e conexão com redes nacionais e internacionais. Como apareceu na conversa, problemas complexos não se resolvem sozinhos. 

Essa constatação parece simples, mas ainda é profundamente transformadora para o campo filantrópico. Ela desloca o capital de uma posição de repasse para uma posição de articulação. O recurso financeiro continua essencial, mas deixa de ser o único ativo em jogo. Tempo institucional, conhecimento técnico, capilaridade territorial, capacidade de convocação, reputação, dados e redes passam a compor a arquitetura de financiamento. 

A mesa também trouxe um alerta importante: em um ambiente complexo, a governança precisa ser simples sem ser simplista. Simplificar não é reduzir o problema; é construir processos claros o suficiente para permitir colaboração, adaptação e tomada de decisão. Quando a governança se torna excessivamente burocrática, ela afasta justamente quem deveria estar mais perto: as comunidades, as organizações locais e as pessoas que vivem os desafios no cotidiano. 

A conclusão que fica é provocativa. Talvez a filantropia não precise, sempre, inventar novos mecanismos. Muitas vezes, precisa reinventar a forma como usa os mecanismos que já existem. Fundos temáticos, fundos patrimoniais, coinvestimento, leis de incentivo e parcerias público-privadas podem reproduzir assimetrias se mantiverem decisões concentradas, horizontes curtos e pouca escuta. Mas podem se tornar transformadores quando são contextualizados no território, aproximam as pessoas apoiadas das decisões e reconhecem que soluções já existem nas comunidades. 

Mariana Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale

A essência da filantropia permanece no compromisso com o bem público, na visão de longo prazo, na disposição de assumir riscos e na busca por transformação estrutural. A reinvenção está em fazer isso com menos centralidade, mais colaboração e maior capacidade de reconhecer a complexidade do mundo atual. 

A pergunta, portanto, não é apenas “qual arquitetura de financiamento devemos criar?”. A pergunta mais difícil é: que poder estamos dispostos a redistribuir para que o capital gere transformação real? 

Um capital que não escuta pode ser generoso, mas dificilmente será transformador. Um capital que se articula, reconhece saberes existentes, compartilha decisões e fortalece redes chega mais perto daquilo que a filantropia tem de mais essencial: contribuir para que recursos privados sirvam, de fato, à construção de futuros mais justos, plurais e sustentáveis.

 

Confira a gravação do painel:

A essência da filantropia se ancora nos territórios

Por Isadora Pagy, coordenadora de projetos no IDIS 

Na sessão “A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção”, realizada durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, o território foi apresentado não apenas como contexto da ação social, mas como bússola para orientar sua essência. Diante de inúmeras mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, a conversa mostrou que a reinvenção da filantropia não precisa partir de soluções externas ou modelos prontos. Ela pode, e deve, nascer da escuta, dos vínculos, dos saberes e das capacidades já existentes nas comunidades.

Painel ‘A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção’

Mediado por Emanuelle Marques de Moraes, Gerente de Cidadania e Sustentabilidade do Centro Cooperativo Sicoob, o painel reuniu Andrelissa Ruiz, Coordenadora da Prática Local e estratégia territorial da Fundação Tide Setubal; Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré; e Felipe Amaral, Diretor de Educação do Instituto Caldeira.

A conversa partiu da ideia central de que o território não é apenas um espaço geográfico. É lugar de vínculos, memórias, relações, saberes, desafios e soluções. Na abertura, Emanuelle destacou a importância de olhar para os territórios a partir do que eles possuem, e não apenas do que lhes falta. Essa mudança de perspectiva desloca a atuação social de uma lógica de intervenção externa para uma prática construída com as pessoas que vivem e transformam esses espaços todos os dias. 

Ao longo do debate, uma mensagem se repetiu em diferentes experiências: é preciso fazer menos para o território e mais com o território. Isso exige escuta, presença, confiança e reconhecimento dos ativos locais. Também exige compreender que nenhum território é vazio ou estático. Ao contrário, comunidades se adaptam, criam respostas e reinventam caminhos diante de desafios complexos.

Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré

A partir da experiência da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva trouxe a produção de conhecimento como parte do enfrentamento das desigualdades. Para ela, conhecer profundamente o território é condição para qualquer ação social consistente. Na Maré, a construção de evidências sobre violações de direitos, segurança pública, acesso à justiça e negligências do poder público contribui para embasar políticas públicas, fortalecer reivindicações e disputar narrativas sobre a favela. 

Sua fala também reforçou que projetos não podem ser um fim em si mesmos. A atuação territorial precisa estar vinculada a uma leitura crítica sobre as estruturas que produzem desigualdades e violências. No caso da Maré, isso inclui reconhecer a segurança pública como direito básico e como dimensão inseparável de qualquer agenda de desenvolvimento. A produção de conhecimento, nesse sentido, deve circular para fora do território, influenciando políticas e decisões, mas também permanecer na comunidade, fortalecendo autonomia e protagonismo local. 

Felipe Amaral, do Instituto Caldeira, levou ao debate a relação entre território, educação e inovação. A partir da experiência de um hub de inovação na região metropolitana de Porto Alegre, destacou a importância de construir pontes entre jovens de escolas públicas e o mundo da tecnologia. Em sua perspectiva, falar de futuro com as juventudes exige sensibilização, repertório e oportunidades concretas de inserção. 

A experiência apresentada por Felipe mostrou que inovação não deve ser tratada como fim, mas como meio para ampliar possibilidades. Para isso, universidades, empresas, organizações da sociedade civil e poder público precisam atuar de forma articulada. A conexão entre esses atores pode fortalecer ecossistemas locais e abrir caminhos para reduzir desigualdades, especialmente quando cada jovem é reconhecido em sua trajetória, potência e contexto. 

Já Andrelissa Ruiz apresentou a experiência da Fundação Tide Setubal no Jardim Lapena, em São Miguel Paulista, e o processo de construção de uma Teoria da Mudança (TdM) orientada pelo território. A iniciativa parte da compreensão de que não é uma única organização que resolverá, sozinha, problemas complexos. Por isso, o papel de uma fundação financiadora passa também por conectar e fortalecer organizações locais, apoiar redes, produzir metodologias e contribuir para o debate público sobre desigualdades urbanas. 

Em sua fala, Andrelissa ressaltou que territórios não são estáticos. Eles mudam, reagem e produzem novas demandas. Por isso, monitoramento, avaliação e indicadores precisam ser instrumentos de aprendizagem e adaptação, não mecanismos que reduzam a complexidade da vida local. A reinvenção, nesse caso, está em apoiar sem capturar, estruturar sem engessar e medir sem perder de vista as dimensões humanas, políticas e comunitárias envolvidas. 

Outro fio transversal da sessão foi a capacidade de ler o território para adaptar estratégias. Na Redes da Maré, isso passa pela sistematização de evidências sobre violações de direitos, segurança pública e acesso à justiça, fortalecendo a reivindicação de políticas públicas e a autonomia comunitária. Na Fundação Tide Setubal, aparece na construção da Teoria da Mudança orientada por escuta, monitoramento e aprendizagem contínua. No Instituto Caldeira, a adaptação nasce diante das transformações tecnológicas e da necessidade de aproximar jovens de escolas públicas de novas perspectivas de futuro.  

Felipe Amaral, Diretor de Educação do Instituto Caldeira

Para além de registrar experiências, o painel convidou o ecossistema da filantropia e do Investimento Social Privado (ISP) a refletir sobre sua forma de atuação. Reconhecer a força dos territórios implica rever posições, compartilhar poder e assumir que soluções duradouras nascem da combinação entre recursos, escuta qualificada, conhecimento local e ação coletiva. 

Entre essência e reinvenção, a sessão apontou um caminho: preservar o compromisso ético com a transformação social, mas reinventar as formas de construir essa transformação. Quando o território deixa de ser visto como destinatário e passa a ser reconhecido como sujeito, a filantropia se aproxima de sua essência mais potente: fortalecer pessoas, redes e comunidades para que sejam protagonistas dos futuros que desejam construir.

 

Assista a gravação do painel: 

Reinventar a filantropia também é repartir poder

Por Beatriz Santos, analista de projetos do IDIS 

Em um contexto de mudanças aceleradas, reinventar-se parece ter se tornado uma obrigação para qualquer organização que queira continuar relevante. Na filantropia, essa discussão costuma estar associada a novas tecnologias, mecanismos financeiros ou estratégias. Tudo isso importa. Mas o painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”, realizado no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026, trouxe uma reflexão anterior: não existe reinvenção relevante sem clareza sobre o que precisa permanecer. 

Painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”

A discussão começou ainda na fala inaugural de Conceição Evaristo. Ao lembrar que a filantropia precisa buscar a justiça social, a escritora propôs compreendê-la não apenas como doação, mas como repartição. Se filantropia significa amor à humanidade, sua essência precisa estar no compromisso com as pessoas, com a justiça social e com a transformação de realidades, ou seja, a essência não deve mudar; o que precisa se transformar são os caminhos utilizados para colocá-la em prática. 

 

A essência orienta a reinvenção

No evento, essa relação atravessou as experiências apresentadas por Valcléia dos Santos, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS); Vitor Hugo Neia, da Fundação Grupo Volkswagen; e Somachi Chris-Asoluka, da Tony Elumelu Foundation. 

Valcléia dos Santos, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS)

Ao falar sobre a atuação na Amazônia, Valcléia destacou os desafios de trabalhar em territórios remotos, marcados por dificuldades logísticas, ausência de serviços públicos e desigualdades históricas. Nesses contextos, transformar recursos em ação exige escutar as comunidades e reconhecer que as necessidades não podem ser definidas apenas pelo olhar de quem financia ou executa um projeto, entendendo que são as comunidades que conhecem seus territórios, suas prioridades e as soluções possíveis. Por isso, a escuta não pode ser apenas uma etapa de consulta, mas também de orientação de decisões para que as iniciativas sejam adaptadas conforme as mudanças de contexto. 

A experiência da Fundação Grupo Volkswagen mostrou outro lado desse processo, quando perceberam que sua atuação estava desconectada dos territórios e que os resultados já não correspondiam às transformações que buscavam promover. Dessa forma, foi necessário rever a estratégia, aproximar-se das realidades locais e fortalecer as capacidades das organizações e comunidades. Essa mudança, no entanto, também significou recuperar algo presente na própria história da Fundação: a atenção às trajetórias dos trabalhadores e à mobilidade social, ou seja, reinventar-se, nesse caso, não foi abandonar a essência, mas encontrar uma forma mais coerente de expressá-la no presente. 

Já a Tony Elumelu Foundation parte do entendimento de que o desenvolvimento da África deve ser liderado por empreendedores locais. Para isso, oferece capacitação, acesso a capital e redes de apoio, buscando adaptar suas estratégias às diferentes realidades econômicas, sociais e culturais. A tecnologia aparece como uma ferramenta importante e, principalmente, inclusiva, representando a reinvenção a partir do fortalecimento do propósito da organização e sem criar barreiras. 

 

Da participação à repartição 

As três experiências mostram que a essência da filantropia não está na preservação de projetos, modelos ou formas de atuação. Esses elementos podem (e devem!) mudar. Neste caso, o que permanece é o compromisso ético com as pessoas, a justiça social e a transformação de longo prazo. A reinvenção é justamente o que permite que esses entendimentos continuem fazendo sentido diante de novos contextos. Por isso, repartir não pode significar apenas transferir recursos, mas também a necessidade de compartilhar a capacidade de identificar problemas, definir prioridades e construir soluções. Em outras palavras, repartir poder. 

Painel “Reinvenção agora. Relevância sempre!”

Essa discussão está no centro de abordagens como a filantropia baseada em confiança, o financiamento flexível e o desenvolvimento liderado localmente. Uma análise da Dalberg sobre tendências da filantropia em 2026 aponta que 83% das grandes fundações norte-americanas pesquisadas relatam alguma participação de públicos interessados. No entanto, apenas 10% afirmam ter transferido efetivamente poder de decisão para organizações apoiadas ou comunidades, ou seja, a diferença mostra que criar espaços de participação não significa, necessariamente, compartilhar decisões. 

O próprio IDIS, ao abordar a filantropia baseada em confiança, destaca práticas como a escuta ativa, a flexibilização dos recursos, a simplificação de processos e a construção de relações mais próximas entre financiadores e organizações apoiadas, reafirmando que o conhecimento necessário para transformar uma realidade não está concentrado apenas em quem possui os recursos.  

Assim, essência, reinvenção e relevância, portanto, estão diretamente relacionadas. A essência indica por que a filantropia existe. A reinvenção define como ela responde às mudanças do presente e a relevância depende da capacidade de fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Uma organização pode preservar suas formas de trabalhar e, ainda assim, se afastar de sua essência. Da mesma forma, pode incorporar tecnologias e modelos inovadores sem produzir transformações relevantes. 

Por outro lado, reinventar não é mudar por mudar. É reconhecer quando uma estratégia deixou de responder ao contexto e construir outros caminhos sem perder o propósito, até porque se a filantropia pretende continuar relevante, sua principal pergunta não deve ser apenas “o que devemos financiar?”, mas também “quem participa da decisão sobre o que precisa ser feito?”. 

Por fim, repartir recursos é importante. Mas repartir a capacidade de escolher os caminhos aproxima a filantropia de sua essência: promover justiça social e contribuir para que as pessoas sejam protagonistas das transformações que afetam suas próprias vidas. 

 

Confira a gravação do painel: 

Estudo revela como projeto de formação musical na Maré gera impacto social 4x maior do que o investimento

Avaliação de Retorno Social do Investimento (SROI), conduzida pelo IDIS, mostra que a cada R$ 1 investido na Orquestra Maré do Amanhã gera R$ 4,03 em benefício social.

Um estudo inédito conduzido pelo IDIS revela que a Orquestra Maré do Amanhã (OMA) gera um impacto social que vai muito além da formação musical. Pela metodologia internacional SROI (Social Return on Investment), o relatório aponta que, a cada R$ 1 investido na instituição foram gerados R$ 4,03 em valor social, o equivalente a um retorno líquido de quase R$ 29 milhões para a sociedade. Para mensurar, de forma monetizada, as mudanças provocadas na vida dos beneficiários, o levantamento combinou entrevistas em profundidade, grupos focais e questionários quantitativos aplicados a diferentes públicos atendidos pela entidade no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, desde crianças da musicalização infantil até jovens da Camerata Principal. Ao longo de seus 16 anos de atuação, a Orquestra Maré do Amanhã já beneficiou diretamente mais de 17 mil crianças e jovens.

Orquestra Maré do Amanhã em apresentação durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

“O expressivo resultado da avaliação SROI, em que o retorno social é quatro vezes o valor investido na iniciativa, é reflexo de um trabalho que alia rigor metodológico e paixão. Transformação social efetiva só é possível com a realização de um trabalho de desenvolvimento integral, com uma atuação de longo prazo na multidimensionalidade da vulnerabilidade”, comenta Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS. 

Fundada em agosto de 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, a Orquestra Maré do Amanhã nasceu em homenagem ao maestro Armando Prazeres, reconhecido internacionalmente pelo trabalho de difusão da música clássica. Sequestrado e assassinado em 1999, Armando teve o carro encontrado justamente na Maré, território escolhido pelo filho para transformar uma tragédia em legado. O que começou com 30 alunos em uma escola pública tornou-se uma instituição reconhecida nacional e internacionalmente, com sede própria, atuação em 24 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs), seis escolas municipais e o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

“Desde o início, a Orquestra Maré do Amanhã foi construída com muito compromisso, seriedade e transparência. Sempre acreditamos que a música era capaz de transformar vidas e acompanhamos essa mudança ao longo dos anos. O estudo do IDIS nos dá algo muito valioso: evidências. Ele organiza esse impacto em indicadores, mostra onde somos mais fortes, aponta oportunidades de evolução e nos ajuda a planejar os próximos passos. É uma ferramenta de gestão que fortalece a instituição internamente e também oferece ainda mais segurança aos parceiros que acreditam e investem na OMA”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.

Um dos pontos centrais do estudo é a descoberta de que o impacto social cresce à medida que aumenta o tempo de permanência do aluno na Orquestra. Embora a musicalização infantil responda pela maior parcela do retorno social total, em razão da escala do atendimento — hoje são cerca de 3.700 alunos nas pré-escolas da rede municipal —, é entre os jovens que permanecem por mais tempo no projeto que o valor social gerado por participante alcança os maiores patamares, superando R$ 200 mil ao longo da trajetória. O dado reforça que a transformação promovida pela instituição se aprofunda conforme crianças e adolescentes constroem um vínculo duradouro com a Orquestra.

Os irmãos Daniel e Thalia Carvalho, de 26 e 29 anos, ilustram esse percurso. Integrantes da OMA desde 2012, o violoncelista e a contrabaixista conquistaram muito mais do que domínio técnico de seus instrumentos. Filhos e netos de empregadas domésticas, tornaram-se a primeira geração da família a ingressar no ensino superior. Hoje, além de integrarem a Camerata Principal e terem atuado como monitores na formação de novos músicos da comunidade, estão concluindo os cursos de Farmácia e Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo também demonstra que os efeitos da Orquestra Maré do Amanhã extrapolam o aprendizado musical. Entre os principais resultados identificados estão o fortalecimento de competências socioemocionais, como resiliência, autoconfiança, autogestão e habilidades de relacionamento, além do desenvolvimento de capacidades cognitivas e motoras, incluindo percepção auditiva, coordenação motora fina e ampla, além de concentração. Tais aspectos foram apontados por educadores da rede municipal como especialmente relevantes para crianças de 4 a 6 anos.

A pesquisa qualitativa, conduzida pelo IDIS, também identificou uma mudança significativa na forma como a própria comunidade enxerga a Orquestra Maré do Amanhã. O que antes era visto principalmente como uma atividade de contraturno para manter crianças em um ambiente seguro passou a ser reconhecido pelas famílias como um investimento em educação, desenvolvimento humano e construção de futuro. Essa mudança ajuda, inclusive, a reduzir a pressão para que adolescentes abandonem os estudos em busca de renda imediata. Entre as recomendações do estudo estão a ampliação de recitais e concertos abertos ao território, o fortalecimento do relacionamento com pais e responsáveis, e o aperfeiçoamento contínuo dos sistemas de monitoramento da instituição.

Como desdobramento das evidências produzidas pelo estudo, a Orquestra, com apoio da mantenedora Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec), criou um núcleo de formação profissionalizante voltado a músicos acima de 25 anos com vocação, técnica avançada e interesse em seguir carreira na música clássica. Dos 12 integrantes da primeira turma do Grupo Formativo Galp, iniciada em 2025, dois já conquistaram vagas na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem e uma foi aprovada para o curso de Música da UFRJ. “O retorno de um investimento social não se mede apenas em indicadores, embora eles sejam importantes. Mede-se também quantas vidas são transformadas por meio da música. Quando jovens de uma comunidade vulnerável brasileira ampliam suas perspectivas de futuro, ingressam na universidade, constroem uma carreira na música e levam o nome da Maré para palcos no Brasil e no exterior, temos a certeza de que iniciativas sólidas e bem estruturadas são capazes de gerar valor para toda a sociedade”, destaca Paula Pereira da Silva, country manager Brasil da Petrogal Brasil.

 

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026: Entre a essência e a reinvenção

Aconteceu no dia 27 de agosto, em São Paulo, a 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS, o encontro reúne lideranças e especialistas para fortalecer a filantropia no país, promover conexões e estimular a construção de soluções para os desafios sociais.

Com o tema Entre a Essência e a Reinvenção, as sessões do Fórum abordaram questões como a força dos territórios, novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental, equidade e desigualdades persistentes, impacto e geração de valor compartilhado, além de diferentes perspectivas sobre a filantropia latino-americana e familiar. Ao longo do dia, estiveram presentes 314 convidados e a transmissão ao vivo alcançou quase 5 mil visualizações.

Foram 13 sessões em 10 horas de programação, com a participação de 56 palestrantes. Entre os nomes que estiveram presentes estão Conceição Evaristo (Casa Escrevivência Conceição Evaristo), Belisa Maggi (Fundação AMAGGI e Instituto Signativo), Claudia Calais (Fundação Bunge),  Eliana Sousa Silva (Redes da Maré) Michael França (Insper), Nick Tedesco (National Center for Family Philanthropy) Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Elumelu), Valcléia dos Santos (Fundação Amazônia Sustentável), Vitor Hugo Neia (Fundação Grupo Volkswagen) .

A programação teve início com uma apresentação da Orquestra Maré do Amanhã, que abriu o encontro trazendo ao palco a força e a potência dos territórios. Na sequência, Conceição Evaristo, escritora e fundadora da Casa Escrevivência Conceição Evaristo, conduziu a primeira reflexão do Fórum, na sessão “O que precisa permanecer quando tudo muda?”. Em uma fala marcada pela sensibilidade e pela profundidade, a escritora provocou o público a pensar sobre aquilo que deve ser preservado diante das transformações e sobre os valores que sustentam a construção de futuros mais justos e inclusivos.

A primeira plenária, “Reinvenção agora. Relevância sempre!”, trouxe uma reflexão sobre os caminhos para a filantropia se adaptar às transformações do mundo sem perder de vista seu propósito. A conversa destacou a importância de repensar práticas, estratégias e formas de atuação para que organizações e iniciativas filantrópicas mantenham sua relevância e ampliem sua capacidade de gerar impacto social.

Em seguida, a plenária “A força dos territórios: quando a essência guia a reinvenção” trouxe para o centro do debate a importância de reconhecer as particularidades, os saberes e as potências presentes em cada território. A conversa reforçou como a escuta e o protagonismo local podem orientar novas formas de atuação e fortalecer iniciativas capazes de promover transformações mais conectadas às realidades e necessidades das comunidades.

A sessão “Compromisso 1%: a jornada da adesão” destacou a trajetória de empresas que assumiram o compromisso de destinar pelo menos 1% do lucro líquido a iniciativas socioambientais. A conversa evidenciou como a adesão ao movimento, que conta com 30 signatárias, pode fortalecer o investimento social privado, aproximando a atuação empresarial de estratégias de impacto positivo e contribuindo para a construção de um setor privado cada vez mais engajado com os desafios da sociedade.

Em sessões paralelas, os participantes puderam aprofundar diferentes perspectivas sobre os desafios e as possibilidades de reinvenção no campo da filantropia. “Capital em reinvenção: novas arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental” discutiu novos caminhos para mobilizar e direcionar recursos, enquanto “Reinventando a equidade: novas respostas para desigualdades persistentes” trouxe reflexões sobre estratégias para enfrentar desigualdades históricas e construir respostas mais efetivas e inclusivas.

Encerrando a programação da manhã, o almoço temático proporcionou momentos de troca e aprofundamento. Em cada mesa, um anfitrião conduziu a conversa a partir de um dos 20 temas propostos, ampliando as reflexões sobre diferentes questões da filantropia e do investimento social.

A programação seguiu com uma Sessão Dinâmica, que trouxe novas perspectivas sobre o panorama da IA no terceiro setor e perspectivas de financiamento, uma das demandas de reinvenção da filantropia. O momento contou com reflexões de Célia Cruz, Visiting Fellow do Skoll Centre, e Pedro Barros, sócio-fundador da Sul – Inteligência para Impacto, que integram a Coalizão IA para Impacto.

Na tradicional entrevista “Em conversa com…” Paula Fabiani, CEO do IDIS, conversou com Denise Aguiar, diretora-geral da Fundação Bradesco, que compartilhou sua história de vida e visão  sobre os caminhos da filantropia, os desafios do presente e a importância de fortalecer uma atuação comprometida com transformações sociais duradouras.

No painel “Impacto que gera valor: quando dados fortalecem negócios e sociedade”, os participantes discutiram como o uso estratégico de dados pode contribuir para compreender resultados, orientar decisões e potencializar o impacto das iniciativas. A conversa destacou a importância de transformar informações em conhecimento para gerar valor tanto para os negócios quanto para a sociedade.

Em sessões paralelas, foi possível aprofundar o debate sobre o papel de diferentes atores da filantropia. “Filantropia latino-americana: caminhos para um futuro comum” promoveu uma reflexão sobre os desafios e oportunidades para fortalecer a atuação filantrópica na região, enquanto “Filantropia familiar: raízes locais, transformações duradouras” abordou o papel das famílias na construção de iniciativas conectadas aos territórios e capazes de gerar impactos de longo prazo.

A programação contou ainda com a participação dos vencedores de 2025 do Prêmio Empreendedor Social, que apresentaram suas iniciativas, trajetórias e propósitos de atuação.

Por fim, a plenária de encerramento, “O futuro é uma escolha, não um destino”, trouxe uma reflexão sobre o papel de nossas escolhas na construção do futuro que queremos. A conversa reforçou que os caminhos para uma sociedade mais justa e sustentável não estão definidos, mas são construídos a partir das decisões, compromissos e ações que tomamos hoje.

Conheça a programação completa.

“Reinventar não significa romper com tudo aquilo que veio antes. Às vezes, reinventar é justamente encontrar novas formas de honrar aquilo que sempre nos moveu: o compromisso com o bem comum, a redução das desigualdades, o fortalecimento da sociedade civil e a construção de um mundo mais justo e sustentável”, Paula Fabiani em seu discurso de encerramento.

Confira a gravação do evento na íntegra:

realização e apoio

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RD Saúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Review Brasil.

Impact Minds 2026: Nos conectando

Por Débora Isis Gama, gerente de prospecção e parcerias do IDIS

Como transformar conexões em uma agenda estratégica de impacto?

A participação do IDIS na Impact Minds 2026, conferência da Latimpacto realizada de 9 a 11 de setembro, em Manaus, trouxe perspectivas para responder a essa pergunta. Sob o tema “Connecting Us” (Nos conectando, em tradução literal), o encontro reuniu investidores sociais, filantropos e organizações para discutir como alinhar intenções, capital e ação.

Equipe IDIS na Impact Minds 2026

A programação, teve início no dia 9 de setembro, com uma agenda com diversas visitas de campo, com objetivo de aproximar os participantes da cultura local e de iniciativas conduzidas pelas comunidades. Diante da diversidade de atividades, nossa equipe se dividiu para vivenciar três experiências.

Eu escolhi conhecer o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, uma iniciativa liderada por especialistas dos povos Tukano, Desana e Tuyuka, originários do Alto Rio Negro. A visita nos aproximou de saberes ancestrais e de uma visão que conecta saúde, território, espiritualidade e vida comunitária. Os participantes conheceram o trabalho realizado pelo centro e tiveram a oportunidade de passar por uma consulta e fazer uso de rapé com os especialistas. Também puderam adquirir produtos da medicina tradicional e peças de artesanato produzidos pelos próprios indígenas.

Marcos Alexandre Manoel, diretor de Projetos do IDIS, participou da visita ao Viva Paricatuba, experiência de turismo de base comunitária que articula patrimônio histórico, cultura e natureza. Ao valorizar os conhecimentos e a atuação dos moradores, a iniciativa conecta a preservação da memória ao desenvolvimento local.

Já Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios, acompanhou a visita sobre financiamento indígena, organizada pela TNC Brasil com o Fundo Podáali e o Ateliê Derequine. Realizada no ateliê — iniciativa de mulheres do povo Witoto no Parque das Tribos —, a atividade apresentou mecanismos de financiamento liderados pelos próprios povos indígenas. Governança local, confiança e fortalecimento institucional apareceram como caminhos para ampliar a autonomia e apoiar soluções concebidas nos territórios.

Nos dias 10 e 11 de setembro, o evento seguiu com painéis e oficinas que reforçaram uma mensagem: recursos financeiros são fundamentais, mas não bastam. Paula Fabiani e Guilherme Sylos trouxeram contribuições do IDIS para essa reflexão, em diálogo com outros integrantes do ecossistema latino-americano.

 

Confiança, capacidades e colaboração

Ao moderar o painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, Paula Fabiani, CEO do IDIS, destacou três elementos: confiança, capacidades e colaboração. Os “três Cs” evidenciam que reunir organizações em torno de uma causa não garante, por si só, resultados coletivos. É preciso reconhecer as capacidades que faltam e criar condições para uma atuação complementar.

Painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, com a participação de Paula Fabiani

O debate também destacou a importância de compartilhar evidências para orientar decisões conjuntas. Outro ponto central foi reconhecer as comunidades, inclusive aquelas que permanecem fora do alcance das redes de apoio, como coprodutoras das soluções. Transformações sistêmicas exigem a humildade de admitir que ninguém as realizará sozinho e a paciência de sustentar processos cujos resultados não são imediatos.

No painel “Construindo alianças de impacto”, Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, abordou os desafios de colocar a colaboração em prática. Conhecer os parceiros e compreender suas expectativas é fundamental, assim como a disposição para ir além das agendas individuais. Como exemplos de iniciativas construídas segundo essa lógica, destacou o Juntos pela Saúde, programa do BNDES gerido pelo IDIS, e o Juntos Contra a Pobreza, iniciativa da Vale também gerida pelo IDIS.

Painel “Construindo alianças de impacto”, com participação de Guilherme Sylos

Essas experiências evidenciam que alianças não se sustentam apenas na soma de recursos ou na formalização de compromissos. A confiança precisa ser construída entre as organizações e com os territórios. Quando interesses particulares e disputas por protagonismo se sobrepõem ao propósito comum, o potencial de transformação se reduz. Colaborar implica colocar o resultado coletivo à frente do reconhecimento individual.

Paula também facilitou o workshop “Círculo de filantropia: fortalecendo as doações na América Latina”. Essa agenda se propunha conectar a mobilização de recursos à construção de vínculos, à confiança nas organizações e à aprendizagem entre pares, em favor de uma filantropia mais estratégica e colaborativa.

A equipe do Transformando Territórios (TT) também esteve no Latimpacto junto à comitiva da CIAF (Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje de la Filantropía Comunitaria), uma rede de colaboração IberoAmericana composta de sete países. Foi importante perceber o quanto as discussões desse dias dialogam com o caminho que está sendo construído na filantropia comunitário territorial.

Equipe do Transformando Territórios e CIAF

Confiança, colaboração, fortalecimento de capacidades e, principalmente, a necessidade de fazer com que os recursos cheguem aos territórios respeitando suas realidades apareceram em diferentes conversas. Isso reforça a importância de organizações locais capazes de conectar atores, recursos e conhecimento, reconhecendo as comunidades como parte ativa das decisões e nos leva a percepção de que temos experiências concretas para compartilhar e contribuir com esse debate na região.

Em outra ocasião também foi realizado um jantar pelo IDIS e pelo UNICEF Brasil, reunindo pessoas e organizações que, de diferentes formas, contribuem para o enfrentamento das desigualdades do nosso país.

Jantar realizado pelo IDIS e pelo UNICEF

 

Aprender com os territórios

As reflexões encontraram continuidade em outros painéis. Em “Finanças inovadoras para um mundo em transformação”, destacou-se a necessidade de aproximar o capital disponível das necessidades locais. Já “Construindo futuros” reforçou uma distinção: garantir a participação dos territórios não equivale a incluí-los nas decisões. Cocriar soluções exige reconhecer a capacidade das comunidades de definir prioridades e construir autonomia.

No painel “Desenvolvimento local: conectando atores para multiplicar o impacto do capital”, o convite foi olhar para as vocações dos territórios, não apenas para suas carências. Pensar o desenvolvimento significa considerar o que já existe e qual futuro a própria comunidade deseja construir.

Da Impact Minds 2026, fico com a reflexão que ampliar o impacto da filantropia exige fortalecer as relações que o tornam possível. Para o IDIS, isso significa seguir aproximando atores, compartilhando conhecimentos e construindo alianças, sem perder de vista quem deve estar no centro das decisões. Mais do que levar respostas aos territórios, precisamos aprender com eles e criar condições para que suas soluções prosperem no longo prazo.

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Minas Gerais

No mês de julho, o Fundo Jequi recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS que possibilitou o intercâmbio, uma experiência profundamente enriquecedora, marcada pela troca de conhecimentos e diferentes formas de construir transformação social a partir dos territórios. Ao longo dos dias de visitas, os desafios e os sonhos compartilhados aproximam as organizações, que apostam na potência e protagonismo das comunidades.

Entre os participantes, estiveram o Instituto Cacimba, representado por Willians, Diretor Presidente; o ICP – Instituto Comunitário Paraty, representada por Andreia Carvalho, Diretora Executiva, e Ana Carolina, Conselheira do Instituto; e Fundo Comunitário da Maré, representada por Kelly Marques, gestora de Captação de Recursos e Relacionamento Institucional, e Maurício Dutra, coordenador do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais.

Para representar o Fundo Jequi, instituto anfitrião, estiveram presentes Tião Rocha, Fundador do Fundo; Flávia e Marton, Presidente e Vice-Presidente do Fundo; Guilherme, Analista de Projetos; e Claudia, Articuladora Local. A viagem foi marcada por experiências que evidenciaram a potência da organização comunitária e a capacidade dos territórios de construírem soluções a partir de seus próprios saberes.

Projetos que transformam o território

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas. Começando pelo projeto Conexão Verde, na Serra do Elefante, mostrando como o turismo de base comunitária pode ser uma estratégia de desenvolvimento local, geração de renda e preservação ambiental. As FICs puderam conhecer diversos projetos, tornando a visita ainda mais imersiva, como o Projeto Ser Criança, Dedo de Gente, Projeto de Jiu-Jitsu, Projeto de Robótica Sustentável. Cada projeto com sua particularidade, mas com um objetivo em comum, fomentar espaços com liberdade, onde crianças e adolescentes, principalmente, experimentam a natureza, criam coletivamente e constroem relações permeadas pelo afeto e pela curiosidade.

A programação também proporcionou o contato com iniciativas que valorizam a cultura, os saberes tradicionais e a identidade do território. No Cinema de Araçuaí, na Turma da Mandioca, no Quintal da Neide e no Museu de Araçuaí, as FICs conheceram experiências que fortalecem memórias, conhecimentos locais e vínculos comunitários, além de promoverem o protagonismo de mulheres e diferentes gerações.

Entre tantos formatos, as experiências reforçaram uma ideia comum às FICs: os territórios são espaços de produção de conhecimento, onde saberes, histórias, relações e recursos locais podem ser mobilizados para construir caminhos próprios de desenvolvimento e transformação.

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Você não precisa de bilhões para financiar mudanças sistêmicas

Por Felipe Insunza Groba e Beatriz Waclawek, Líder de Investimento Social e Parcerias Estratégicas no Movimento Bem Maior

A filantropia nos países desenvolvidos vive um paradoxo. Enquanto o volume total de doações se aproxima de níveis recordes, impulsionado por indivíduos de patrimônio muito elevado (Ultra-High-Net-Worth Individuals) e grandes fundações, o número de doadores individuais vem diminuindo. Nos Estados Unidos, dados recentes sobre captação de recursos mostram que, embora o total doado esteja crescendo, a participação e a retenção de doadores estão em queda, especialmente entre aqueles de menor porte. Tendência semelhante é observada na Europa: segundo o World Giving Report, a parcela da população que faz doações para organizações sociais caiu 3 pontos percentuais em um ano, passando de 41% em 2024 para 38% em 2025.

À medida que as doações se concentram, cresce também a pressão por “comprovar impacto”. Nesse contexto, os doadores tendem a privilegiar aquilo que parece mais fácil de justificar: teorias da mudança bem estruturadas, métricas objetivas, listas do “que funciona” e a promessa de um único programa capaz de ganhar escala rapidamente.

Na última década, o Altruísmo Eficaz (Effective Altruism) apresentou uma resposta influente a essa pressão: identificar a intervenção com maior retorno esperado e concentrar recursos nela. Essa lógica trata a filantropia como um problema de otimização e, em determinados contextos, pode funcionar, especialmente quando se trata de problemas mais delimitados, nos quais as relações de causa e efeito são relativamente diretas.

A mudança social, porém, raramente segue uma lógica tão linear. Um programa pode apresentar bons resultados e, ainda assim, não avançar se políticas públicas, capacidade de implementação e confiança da sociedade não evoluírem junto com ele. Mudanças sistêmicas acontecem quando evidências, narrativa pública, viabilidade política e capacidade de execução convergem — e quando há recursos para sustentar o trabalho necessário para que essa convergência aconteça.

E se, portanto, a filantropia eficaz não estiver apenas em encontrar a melhor intervenção, mas também em financiar as condições para que ela seja adotada?

É nesse ponto que os doadores de médio porte — famílias e indivíduos que doam menos de US$ 10 milhões por ano — têm uma vantagem ainda pouco reconhecida. Eles não dispõem de recursos comparáveis aos dos governos nem conseguem construir ecossistemas inteiros ao redor de suas iniciativas, como alguns bilionários podem fazer. Por outro lado, podem agir com mais agilidade, compartilhar riscos por meio de coinvestimentos e combinar recursos financeiros com ativos que não aparecem em balanços: credibilidade, acesso, capacidade de articulação e disposição para apoiar processos de longo prazo.

Em nosso trabalho de orientação a doadores no Brasil, por meio do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e do Movimento Bem Maior, observamos esse mesmo padrão. A efetividade está menos em escolher uma única solução vencedora e mais em construir um portfólio de ações em torno de um problema, combinando implementação, produção de evidências, advocacy e parcerias capazes de criar as condições necessárias para que soluções sejam adotadas.

Para mostrar como isso funciona na prática, partimos de contextos em que os recursos são escassos, a dinâmica política é complexa e há pouco espaço para fracassos. Brasil e Colômbia oferecem exemplos claros de uma filantropia mais integrada, na qual os doadores não concentram todos os recursos em uma única iniciativa, mas financiam diferentes elementos necessários para transformar uma ideia promissora em uma solução que possa ser incorporada pelo sistema.

Em seguida, levamos essa perspectiva aos Estados Unidos, onde uma lógica semelhante de portfólio contribuiu para transformar uma questão durante muito tempo negligenciada em políticas públicas, recursos orçamentários, padrões de atuação e mecanismos permanentes de responsabilização.

Os três casos mostram como uma abordagem diversificada pode permitir que filantropos que não são bilionários contribuam para mudanças estruturais que dificilmente seriam alcançadas por uma estratégia baseada em uma única frente de financiamento.

 

Brasil: reduzindo a reincidência criminal por meio da transformação do sistema

O Instituto Ação Pela Paz, no Brasil, criado e mantido pelo filantropo Jayme Garfinkel, teve um orçamento anual de quase US$ 1 milhão em 2024. O Instituto atua para reduzir a reincidência criminal por meio do apoio e da expansão de programas estruturados de reinserção e reabilitação. Desde sua fundação, o Ação Pela Paz apoiou mais de 775 iniciativas e alcançou quase 36 mil pessoas, entre pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, em diversos estados brasileiros.

De acordo com avaliações divulgadas publicamente, 82% dos participantes apoiados pelo Ação Pela Paz não reincidiram, em comparação com estimativas nacionais de reincidência que variam de 57% a 64%. Não se trata, portanto, de uma melhora marginal, mas de resultados significativamente superiores ao padrão predominante no sistema.

Mais importante: esses resultados foram tratados como ponto de partida, e não como ponto de chegada. O Instituto investiu de maneira deliberada em diferentes frentes, combinando doações e financiamento de projetos-piloto, produção de dados, avaliação, advocacy em políticas públicas e assistência técnica. Para isso, trabalhou diretamente com secretarias estaduais de Justiça, administrações penitenciárias e órgãos do Judiciário.

Como resultado, práticas inicialmente viabilizadas por recursos filantrópicos passaram, gradualmente, a ser incorporadas a programas financiados pelo poder público em diferentes estados. Essa estratégia diversificada gerou impacto em duas dimensões: contribuiu para melhorar os resultados individuais e ajudou a transformar a maneira como instituições públicas formulam e financiam políticas de justiça criminal em um sistema historicamente mais orientado por convicções do que por evidências.

 

Colômbia: quando a visibilidade de uma celebridade se transforma em capital estratégico

Fundada pela artista colombiana Shakira em 1997, a Fundación Pies Descalzos trabalha para ampliar o acesso à educação de qualidade em contextos de alta vulnerabilidade. Sua atuação combina construção de escolas, oferta integrada de serviços e formação de alianças estratégicas, em vez de depender exclusivamente de doações.

A Fundação construiu e apoiou diversas escolas públicas em regiões vulneráveis da Colômbia, combinando educação com alimentação e apoio psicossocial e alcançando milhares de crianças. Para ampliar sua atuação para além da prestação direta de serviços, também estabeleceu parcerias com grandes atores institucionais, principalmente a Education Above All, com o objetivo de expandir o acesso à educação primária de qualidade para 34 mil crianças e reduzir o risco de evasão escolar de outras 20 mil.

À medida que a projeção internacional de Shakira cresceu — inclusive com a visibilidade alcançada durante a Copa do Mundo da FIFA de 2010 —, a Fundação soube transformar esse alcance em novas parcerias institucionais na África do Sul e no Haiti, inclusive com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Mais recentemente, a Fundação aprofundou sua colaboração com o poder público colombiano ao estabelecer uma parceria direta com o Ministério da Educação Nacional para construir e reformar escolas públicas, incluindo um investimento conjunto de quase US$ 800 mil. Também apoiou campanhas nacionais de matrícula, como a Todos al Cole, voltadas à ampliação do acesso e à permanência de estudantes no sistema público de ensino.

Ao combinar capital social com uma estratégia diversificada de atuação, Shakira permitiu que a Fundação alcançasse resultados muito superiores ao que o volume de seus recursos financeiros poderia sugerir, mesmo com um orçamento anual inferior a US$ 400 mil em 2024.

 

Estados Unidos: transformando uma questão negligenciada em política pública

Essa estratégia não se restringe a contextos de escassez na América Latina. Nos Estados Unidos, a Joyful Heart Foundation, fundada e liderada publicamente pela atriz e ativista Mariska Hargitay, mostra como uma organização de médio porte pode contribuir para mudanças sistêmicas ao articular diferentes formas de atuação em torno de um mesmo problema.

A Joyful Heart é uma organização beneficente pública 501(c)(3) que registrou despesas totais próximas a US$ 2 milhões em 2024. Um de seus principais focos tem sido uma questão historicamente negligenciada pelo sistema de justiça criminal: o grande número de kits de coleta de evidências de violência sexual que permanecem sem análise. O tema é enfrentado principalmente por meio da iniciativa End The Backlog, criada para transformar a maneira como os estados administram evidências forenses, combinando advocacy, incidência em políticas públicas e infraestrutura técnica.

Desde seu lançamento, a iniciativa contribuiu para a aprovação de leis em 30 estados e para a destinação de aproximadamente US$ 231 milhões à eliminação do passivo de kits não analisados e ao financiamento de sua análise. Em 2015, a Fundação também desempenhou um papel fundamental na criação da iniciativa federal Sexual Assault Kit Initiative (SAKI), em parceria com o então vice-presidente Joe Biden.

Desde então, a iniciativa possibilitou que comunidades catalogassem mais de 183 mil kits que anteriormente não haviam sido analisados e encaminhassem mais de 90 mil para análise, gerando quase 15.700 correspondências no CODIS. Muitas delas estavam relacionadas a autores reincidentes de crimes violentos e sexuais, contribuindo para fortalecer a capacidade de resposta forense em âmbito nacional.

A estratégia da Joyful Heart, porém, não se limita ao advocacy. A Fundação também apoia a implementação na ponta por meio de programas de doação direta. Seu Heal the Healers Fund oferece microdoações anuais de até US$ 5 mil a profissionais e organizações que atuam diretamente com sobreviventes, financiando capacitações e pequenas melhorias organizacionais. Investimentos complementares em grupos de aprendizagem e centros de recursos ajudam a aproximar os serviços prestados na ponta das políticas e dos padrões que estão em constante evolução.

Essa combinação de estratégias ajudou a transformar uma questão negligenciada em uma responsabilidade permanente do poder público, mobilizando recursos públicos e contribuindo para a criação de sistemas duradouros.

 

Da otimização de intervenções à articulação da mudança

O que é preciso, afinal, para maximizar o impacto gerado por cada dólar investido? Os casos apresentados sugerem que o impacto duradouro depende da capacidade de uma solução ser adotada e incorporada pelos sistemas.

Isso acontece quando os doadores financiam não apenas aquilo que funciona, mas também as condições necessárias para que uma solução se sustente: que seja politicamente viável, institucionalmente incorporável e socialmente legitimada. É nessa articulação de abordagens complementares em torno de um mesmo problema que o potencial de impacto se amplia.

No mundo dos investimentos, diversificar é uma prática elementar. Na filantropia, diversificar estratégias também pode ser uma forma de fazer com que recursos limitados produzam mudanças muito maiores.

Para doadores que destinam menos de US$ 10 milhões por ano, o volume de recursos não precisa ser visto como uma limitação. Pode, ao contrário, orientar uma estratégia mais inteligente de atuação.

Uma regra simples é deixar de perguntar apenas “Qual é a melhor intervenção?” e passar a perguntar: “O que precisa acontecer para que o sistema adote essa solução — e quem financiará cada parte desse processo?”

Diversificar as formas de atuação pode ser justamente o que falta para compreendermos — e ampliarmos — os caminhos pelos quais mudanças sistêmicas acontecem.

Vaga para Estagiário em Projetos no Transformando Territórios

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade estudantes para uma vaga de estágio em projetos, no programa Transformando Territórios.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Estagiário de Projetos para o programa Transformando Territórios.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

  • Apoiar nas atividades do Programa Transformando Territórios, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade das entregas.
  • Apoiar a organização e atualização de planilhas, bases de dados, documentos e controles, incluindo o acompanhamento dos fluxos administrativos e financeiros.
  • Realizar pesquisas e levantamentos de informações que contribuam para as atividades e projetos do Programa.
  • Apoiar na preparação de eventos, viagens, reuniões, apresentações, registros e acompanhamento de encaminhamentos.
  • Apoiar a equipe técnica nas atividades de relacionamento e acompanhamento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs).

 

requisitos

  • Estar cursando, em 2026, o terceiro ano de faculdade, com conclusão prevista para a partir de dezembro de 2027.
  • Ter interesse no terceiro setor, nos temas de filantropia comunitária, desenvolvimento territorial, investimento social privado e áreas afins;
  • Domínio de Excel e PowerPoint;
  • Disponibilidade para atuação presencial no escritório do IDIS, em Pinheiros – São Paulo.

 

DESEJÁVEL

  • Conhecimento ou familiaridade com ferramentas como Power BI, Notion e inteligência artificial;
  • Ter no máximo 2 anos para se formar;
  • Será considerado uma vantagem: Conhecimento extracurricular; Projetos sociais, voluntariado; Projetos acadêmicos; Domínio intermediário de  inglês ou espanhol
  • Facilidade para trabalhar em equipe;
  • Organização e atenção aos detalhes.

 

BENEFÍCIOS

  • Bolsa auxílio de R$ 1.650,00
  • Credencial plena do Sesc
  • Vale-alimentação
  • Vale-transporte
  • Emenda de feriados
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 17 de setembro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Vaga para Gerente de Projetos de Consultoria

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em consultoria para impacto.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Gerente de Projetos de Consultoria.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

Gestão de Projetos:

  • Gerenciar a execução de projetos de consultoria e projetos de impacto do IDIS, zelando pela qualidade das entregas, cumprimento dos prazos acordados e uso eficiente dos recursos.
  • Gerenciar o relacionamento com os clientes, parceiros e doadores, realizando alinhamentos e prestação de contas sempre que necessário.
  • Acompanhar os resultados operacionais relacionados à consultoria, alertando para desvios ou riscos não previstos.
  • Gerenciar as despesas dos projetos e as metas orçamentárias da área de projetos.
  • Manter os conhecimentos e aprendizados oriundos dos projetos de forma organizada e acessível.
  • Conduzir a contratação de consultores externos necessários para execução dos projetos e gerenciar sua atuação, performance e entregas.
  • Gerenciar sua equipe de coordenadores, analistas e estagiários, delegando e acompanhando suas tarefas e oferecendo todo o suporte necessário.

 

Gestão de Propostas Técnicas e Comerciais:

  • Contribuir ativamente na prospecção de novos projetos e parcerias.
  • Elaborar propostas técnicas e comerciais para potenciais clientes, parceiros e doadores.
  • Participar de reuniões com potenciais clientes, parceiros e doadores sobre projetos potenciais.
  • Contribuir para a concepção de novas oportunidades de projetos de impacto.

 

Atuação Institucional:

  • Participar e liderar periodicamente de reuniões de equipe para alinhamento, planejamento e integração.
  • Promover o desenvolvimento, aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico na sua área de atuação e expertise, buscando constante desenvolvimento de sua equipe, com o intuito de prepará-los para enfrentar os desafios de sua atividade e de modo a aprimorar a performance individual e coletiva.
  • Assegurar o cumprimento dos processos e políticas internos da organização.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Fornecer informações e relatórios sobre os projetos para a pauta de reuniões do Conselho Deliberativo e participar das reuniões quando convidado.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Representar o IDIS em mídias sociais e entrevistas, sempre que necessário.
  • Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.
  • Promover a cultura organizacional do IDIS e os valores da organização.

 

requisitos

  • Formação superior completa complementada com cursos de pós-graduação ou MBA e experiência mínima de 3 anos liderando a gestão de projetos, principalmente em organizações com foco em Investimento Social Privado.
  • Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.
  • Análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Facilitação de grupos e condução de workshops e reuniões participativas.
  • Elaboração de apresentações e relatórios com boa apresentação visual e estruturação clara e objetiva do conteúdo.
  • Conceitos e técnicas de planejamento estratégico, gestão da governança, avaliação de impacto, estruturação de fundos patrimoniais e gestão de editais e outros veículos de doação.
  • Conhecimentos avançados de inglês na linguagem oral e escrita.

BENEFÍCIOS

  • TotalPass
  • Férias remuneradas e flexíveis
  • Emenda de feriados
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 17 de setembro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Websérie sobre o programa Transformando Territórios completa 1 ano do lançamento

Lançada em agosto de 2025, a Websérie Transformando Territórios completa um ano ampliando a visibilidade das iniciativas da filantropia comunitária no Brasil. Ao longo de vídeos publicados no YouTube e no Instagram, a produção apresentou 14 histórias reais de impacto local, representadas por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) de 10 regiões do país.

Realizada pelo coletivo das FICs e pelo Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), em parceria com a Mott Foundation e com apoio do Movimento Bem Maior, a Websérie buscou dar voz às organizações que atuam diretamente nos territórios, fortalecendo redes locais de solidariedade, desenvolvimento e transformação social.

Em cada história da Websérie há pessoas, vínculos e um profundo compromisso com o lugar onde vivem. Um ano depois, seguimos acreditando que dar voz e visibilidade a quem transforma os territórios é também fortalecer a filantropia comunitária de base territorial no Brasil. afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Um ano após o lançamento, a iniciativa alcançou resultados expressivos: foram mais de 90 mil visualizações nas redes sociais e no Youtube, além de mais de 5 mil novos seguidores nos perfis das organizações participantes. A série está disponível para acesso público no YouTube.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

 

Organizações que transformam territórios:

 

 

El Niño 2026: impactos e preparação para atores do campo social

O El Niño previsto para 2026 reforça a importância de investir em prevenção, adaptação e resiliência. Para institutos, fundações, investidores sociais e Organizações da Sociedade Civil (OSCs), agir antes dos eventos extremos é parte da proteção das comunidades, da gestão das organizações e dos resultados das iniciativas.

 

Por Yasmim Araujo Lopes, Analista de projetos no IDIS

O El Niño previsto para 2026 já mobiliza atenção de instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo. Em julho, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicou alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo do ano e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. No Brasil, instituições de referência em clima e meteorologia alertam para possíveis eventos extremos associados ao El Niño, reforçando a importância de planejamento e prevenção.

Para investidores sociais e organizações sociais, esse cenário precisa ser observado com antecedência. A crise climática pode afetar diferentes agendas sociais, como saúde, educação, renda, segurança alimentar, assistência social, moradia e mobilidade. Mesmo organizações que não atuam diretamente com clima podem enfrentar interrupções, custos extras e aumento da demanda por atendimento. Por isso, acompanhar o cenário climático e seus potenciais impactos é também uma forma de qualificar o planejamento, desenhar iniciativas mais efetivas, adaptar estratégias, proteger a gestão das organizações e apoiar populações em situação de maior vulnerabilidade.

A capacidade de adaptação dos territórios também precisa entrar nessa análise. Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 3.679 municípios brasileiros apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado reforça que a prevenção depende não apenas de prever eventos extremos, mas de fortalecer gestão local, redes comunitárias, articulação com políticas públicas e capacidades de resposta nos territórios.

Nesse contexto, agir com antecedência é também uma forma de promover justiça climática. Para além de responder a eventos extremos, trata-se de investir em prevenção, governança, continuidade de serviços, fortalecimento de capacidades locais, resiliência social e proteção dos resultados construídos por organizações e comunidades.

Essa preparação não precisa esperar a confirmação de um evento extremo. Se já existem sinais de alteração no clima, também já existem decisões que podem ser antecipadas. O caminho é transformar a previsão climática em perguntas concretas de planejamento: o que pode afetar o território, quem pode ser mais impactado, quais atividades precisam ser adaptadas e que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos mais críticos.

 

Da previsão ao planejamento

A Nota Técnica ‘Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais’ propõe um framework de avaliação e gestão de riscos climáticos para apoiar investidores sociais e organizações sociais na identificação de ameaças, análise de riscos e definição de respostas. No contexto do El Niño previsto para 2026, essa abordagem ajuda a transformar informação climática em decisões de planejamento, financiamento e gestão.

Para o campo social, o desafio é antecipar como esses riscos podem afetar territórios, públicos e iniciativas já em curso. Algumas perguntas podem orientar essa reflexão:

  • O que pode mudar no território com o El Niño previsto para 2026?
  • Quais públicos podem ser mais afetados por ondas de calor, falta de água, enchentes, queimadas ou aumento do preço dos alimentos?
  • Quais atividades podem ser interrompidas ou precisar de adaptação?
  • Que serviços, espaços e equipes precisam de plano de contingência?
  • Quais redes locais e políticas públicas precisam estar articuladas antes dos períodos mais críticos?
  • Que recursos devem estar disponíveis para prevenção, continuidade das atividades e recuperação pós-desastre?

Ao trazer essas questões para a gestão de programas, portfólios e parcerias, organizações financiadoras e executoras ampliam sua capacidade de agir antes que os riscos comprometam comunidades, equipes e resultados sociais. Como os efeitos do El Niño podem variar entre regiões, essa capacidade de antecipação depende de olhar para cada território, seus riscos específicos e suas possibilidades de prevenção e adaptação.

 

Efeitos previstos por região e caminhos de preparação

Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país. As previsões indicam tendência de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, aumento de chuvas em grande parte do Sul e possibilidade de condições mais secas em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste durante a primavera. Também há tendência de aumento das temperaturas em grande parte do Brasil. Essa leitura regional ajuda a aproximar a previsão climática das decisões do campo social.

Norte e Amazônia Legal

O que pode acontecer: a tendência é de redução das chuvas, especialmente na Amazônia. Isso pode diminuir o nível dos rios e afetar transporte, pesca, produção de alimentos, geração de energia e acesso de populações ribeirinhas e comunidades mais isoladas à água, alimentos e atendimento de saúde.

O que pode ser planejado: estratégias de logística alternativa, armazenamento de água, comunicação comunitária, fortalecimento de redes locais e formas de manter atendimentos essenciais em territórios de difícil acesso.

 

Nordeste

O que pode acontecer: a região pode enfrentar menos chuvas, temperaturas mais altas e ondas de calor. A combinação entre menos água e mais calor pode pressionar o abastecimento, afetar a produção de alimentos, elevar o risco de incêndios e contribuir para o aumento da insegurança alimentar.

O que pode ser planejado: apoio a soluções de convivência com períodos secos, armazenamento de água, adaptação de atividades ao calor, prevenção de queimadas e proteção de famílias mais expostas ao aumento do preço dos alimentos.

 

Centro-Oeste

O que pode acontecer: os efeitos podem variar dentro da própria região, mas há probabilidade de temperaturas mais altas e ondas de calor, especialmente na primavera e no verão brasileiros, com tempo mais seco e maior risco de queimadas. Em algumas áreas, as chuvas podem ser mais regulares, enquanto em outras pode haver maior irregularidade.

O que pode ser planejado: ações de prevenção e combate às queimadas, proteção de pessoas expostas ao calor, adaptação de atividades ao ar livre e fortalecimento de iniciativas ligadas à produção sustentável, à saúde comunitária e à segurança alimentar.

 

Sudeste

O que pode acontecer: os impactos sobre as chuvas podem variar. Algumas áreas podem registrar mais chuva em determinados períodos, enquanto outras podem enfrentar intervalos de tempo mais seco. As temperaturas tendem a ficar mais altas, com ondas de calor mais frequentes e prolongadas.

O que pode ser planejado: adequação do funcionamento de escolas, centros comunitários, serviços de atendimento e atividades presenciais em dias de calor extremo, além de medidas de cuidado com crianças, pessoas idosas, trabalhadores expostos e populações em vulnerabilidade socioambiental.

 

Sul

O que pode acontecer: a região tende a registrar chuvas acima da média, com maior risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Também podem ocorrer tempestades e ciclones mais fortes.

O que pode ser planejado: mapeamento de áreas de risco, proteção de moradias e equipamentos comunitários, planos para deslocamento seguro, planos de apoio a famílias atingidas e estratégias para manter serviços essenciais funcionando durante e depois de eventos extremos.

Essa leitura regional ajuda a aproximar a previsão climática das decisões do campo social. A partir dela, organizações financiadoras e executoras podem identificar onde há maior exposição, quais públicos precisam de mais proteção e que adaptações devem ser priorizadas antes dos períodos críticos.

 

O que fazer: frentes de prevenção e adaptação para o campo social

Antecipar riscos não elimina a possibilidade de eventos extremos, mas reduz danos, qualifica a gestão das organizações e fortalece a capacidade de comunidades atravessarem períodos críticos com mais proteção e resiliência. A partir da leitura dos riscos previstos para o El Niño de 2026, atores do campo social podem organizar sua atuação em algumas frentes práticas. Elas não esgotam as possibilidades de resposta, mas ajudam a transformar previsão climática em planejamento, adaptação e tomada de decisão.

1 – Revisar portfólios e territórios com lente climática

Organizações financiadoras e executoras podem analisar seus programas, territórios e parcerias à luz dos riscos previstos para o El Niño de 2026. Isso significa observar onde há maior exposição a ondas de calor, seca, queimadas, enchentes, deslizamentos, interrupções de transporte, falta de água ou aumento da insegurança alimentar. Essa leitura ajuda a identificar iniciativas que podem precisar de ajustes de cronograma, orçamento, metodologia, metas ou formas de atendimento.

2 – Planejar continuidade e contingência

Manter serviços funcionando em períodos críticos exige preparação. Organizações podem definir previamente como atuar em dias de calor extremo, falta de água, fumaça, enchentes, queda de energia ou dificuldade de deslocamento. Planos de continuidade ajudam a proteger equipes, preservar a gestão e evitar que iniciativas relevantes sejam interrompidas justamente quando as comunidades mais precisam delas.

3 – Financiar adaptações preventivas em espaços e serviços

A prevenção também passa por mudanças concretas em equipamentos, rotinas e infraestrutura. Escolas, centros comunitários, cozinhas solidárias, espaços de acolhimento, projetos esportivos, iniciativas culturais e serviços de atendimento podem precisar de ventilação adequada, sombreamento, acesso à água, protocolos para dias de calor intenso, armazenamento preventivo ou planos de funcionamento alternativo. Adaptações feitas com antecedência podem reduzir riscos, custos e interrupções.

4 – Fortalecer redes locais antes dos períodos críticos

A prevenção depende de articulação. Atores do campo social podem construir fluxos de cooperação com escolas, serviços de saúde, assistência social, Defesa Civil, lideranças comunitárias, coletivos locais e redes de segurança alimentar. Essa coordenação ajuda a organizar informações, orientar famílias, identificar públicos mais vulnerabilizados e evitar respostas isoladas.

5 – Prever recursos flexíveis para adaptação

Eventos climáticos não seguem o calendário dos projetos. Por isso, recursos excessivamente engessados podem limitar a capacidade de prevenção e adaptação. Linhas de apoio flexíveis, fundos preventivos e possibilidades de remanejamento orçamentário permitem ajustar atividades, reforçar comunicação comunitária, proteger equipamentos, ampliar armazenamento de água ou reorganizar atendimentos antes dos períodos mais críticos.


Essas frentes ajudam a traduzir o alerta climático em ações concretas. Quanto mais cedo organizações e investidores sociais incorporarem esses riscos às suas decisões, maior será a capacidade de prevenir perdas, sustentar serviços e fortalecer comunidades.

Para apoiar esse processo, o IDIS publicou a Nota Técnica Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais. O material apresenta diretrizes para uma atuação orientada pela justiça climática e um framework de avaliação e gestão de riscos relacionados ao clima.

 

Baixe agora e acesso o documento na íntegra!

.

Referências

ADAPTABRASIL MCTI. Dados do AdaptaBrasil embasam diagnóstico sobre vulnerabilidade climática das cidades. Brasília: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2025. Disponível em: https://adaptabrasil.mcti.gov.br/noticia/dados-do-adaptabrasil-embasam-diagnostico-sobre-vulnerabilidade-climatica-das-cidades. Acesso em: 16 jul. 2026.

BARCELLOS, Sérgio Botton. Sociologia: pela ótica das desigualdades, super El Niño que se aproxima neste inverno é um espelho do Brasil. The Conversation Brasil, 22 jun. 2026. Disponível em: https://theconversation.com/sociologia-pela-otica-das-desigualdades-super-el-nino-que-se-aproxima-neste-inverno-e-um-espelho-do-brasil-284804. Acesso em: 16 jul. 2026.

IDIS. Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos. São Paulo: IDIS, 2026. Evento online. Disponível em: <

IDIS. Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026. São Paulo: IDIS, fev. 2026. Disponível em: <https://www.idis.org.br/publicacoesidis/perspectivas-para-a-filantropia-no-brasil-2026/>. Acesso em: 16 jul. 2026.

INPE; INMET; FUNCEME; CENSIPAM. Nota Técnica: El Niño 2026. Brasília: INPE; INMET; FUNCEME; CENSIPAM, abr. 2026. Nota Técnica Conjunta. Disponível em: <https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/NotaTecnicaConjuntaElNino2026_INPEINMETFuncemeCENSIPAM.pdf>. Acesso em: 16 jul. 2026.

MODESTO, Marcelo; LOPES, Yasmim Araujo. Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais. São Paulo: IDIS, nov. 2025. Nota Técnica. Disponível em: <https://www.idis.org.br/nota-tecnica-adaptacao-as-mudancas-climaticas-como-promover-a-justica-climatica-atraves-da-gestao-de-riscos-para-investidores-e-organizacoes-sociais/>. Acesso em: 16 jul. 2026.

NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION. Climate Prediction Center. El Niño/Southern Oscillation (ENSO) Diagnostic Discussion. College Park: NOAA/National Weather Service, 9 jul. 2026. Disponível em: <https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.pdf>. Acesso em: 16 jul. 2026.

Novo estudo da Plataforma Conjunta analisa oportunidades de fortalecimento institucional para OSCs no Brasil

A Plataforma Conjunta lança o estudo Panorama Conjunta 2025–2026: Oportunidades de formação e captação de recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs no Brasil, publicação que reúne dados inéditos sobre o ecossistema de apoio às organizações da sociedade civil brasileiras.

Realizado a partir do mapeamento de oportunidades de formação e captação de recursos disponíveis ao longo de 2025, o estudo identificou 793 oportunidades, um crescimento de 129% em relação ao levantamento anterior. Entre os destaques, estão o aumento da oferta de formações, a ampliação da visibilidade de oportunidades de financiamento voltadas ao desenvolvimento institucional e a diversificação dos atores que compõem esse ecossistema.

Evento de lançamento do estudo, em São Paulo

Os resultados mostram que o acesso ao conhecimento segue sendo uma das principais portas de entrada para o fortalecimento das OSCs. Em 2025, foram mapeadas 560 oportunidades de formação e 233 oportunidades de captação de recursos voltadas ao desenvolvimento institucional.

A publicação também reúne artigos assinados por especialistas e lideranças do campo social, incluindo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, que aborda a relação entre desenvolvimento institucional, confiança e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Em seu artigo, Luisa destaca que fortalecer dimensões como governança, gestão, comunicação, tecnologia e cuidado com as equipes é fundamental para garantir a capacidade de atuação das organizações no longo prazo.

“Se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista”, escreve Luisa Lima.

A autora também relaciona o fortalecimento institucional à construção de confiança junto à sociedade. Ao longo do artigo, ela utiliza dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, para demonstrar que a confiança é um fator decisivo para a cultura de doação no país. Embora os brasileiros reconheçam a importância das organizações da sociedade civil, a confiança ainda representa um desafio para o setor, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos em transparência, governança e fortalecimento institucional.

A tecnologia é uma das dimensões que vêm ganhando relevância: foi o tema de formação com maior crescimento relativo entre 2024 e 2025, passando de 4,8% para 9,1%. Essa agenda também se traduz em iniciativas do IDIS como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, voltado à adoção consciente e estratégica da inteligência artificial por OSCs.

O desenvolvimento institucional é também uma agenda que atravessa diferentes frentes de atuação do IDIS, que trabalha para fortalecer organizações e ampliar seu impacto por meio da produção de conhecimento, do desenvolvimento de capacidades e do apoio a práticas mais estratégicas de gestão e investimento social.

Produzido pela Plataforma Conjunta, o estudo busca ampliar o debate sobre a sustentabilidade das OSCs e oferecer subsídios para financiadores, gestores e organizações comprometidos com o fortalecimento da sociedade civil brasileira.

 

Baixe a publicação aqui:

Fortalecer capacidades, construir confiança

Artigo publicado originalmente no Estudo Panorama Conjunta 2025-2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS

O desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) não é um elemento periférico de sua atuação. É o que sustenta sua capacidade de agir com consistência, transparência, legitimidade e continuidade institucional. Quando uma organização investe em governança, gestão, comunicação, tecnologia ou no cuidado com suas equipes, ela fortalece as bases que tornam sua missão viável no longo prazo.

Essa agenda está diretamente relacionada à confiança. A confiança nas OSCs não se constrói apenas pela relevância das causas que defendem, mas também pela forma como atuam, prestam contas, se comunicam, tomam decisões e sustentam sua presença pública. A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, reforça esse ponto ao mostrar que a confiança nas instituições é um motivador extremamente relevante para doar, enquanto a desconfiança segue como uma barreira estrutural importante: apenas 30% dos brasileiros afirmam que a maior parte das ONGs é confiável, e, entre quem não doa há mais de cinco anos, a falta de confiança e transparência aparece como a razão mais citada para não doar, mencionada por 38% dos respondentes.

À luz desses achados, os dados do Panorama Conjunta 2025–2026 ganham ainda mais relevância. O estudo mapeou 793 oportunidades de formação e captação de recursos em 2025, ante 346 no ano anterior. Ainda que essa variação deva ser lida com cautela em razão de mudanças metodológicas e ampliação das fontes analisadas, os resultados mostram que o desenvolvimento institucional está mais presente no campo e vem ganhando maior visibilidade. Ao mesmo tempo, o Panorama revela limites importantes no desenho do apoio disponível. Entre as oportunidades de captação, 62,66% previam financiamento de até um ano. O dado sugere que, mesmo observando um número maior de oportunidades, ainda predominam mecanismos pouco compatíveis com processos contínuos de fortalecimento institucional.

Essa leitura se torna ainda mais relevante quando se observam dimensões que seguem menos reconhecidas nos temas abordados por formações. Tecnologia é hoje infraestrutura essencial para gestão, comunicação e mobilização. Saúde mental e autocuidado, por sua vez, são condições para equipes mais sustentáveis e organizações mais resilientes. Monitoramento e avaliação, por exemplo, são fundamentais para que as OSCs aprendam com a prática, demonstrem resultados, qualifiquem sua gestão e prestem contas com mais consistência. Quando essas dimensões não são reconhecidas como parte legítima do desenvolvimento institucional, o apoio oferecido tende a ser insuficiente para sustentar organizações fortes e confiáveis.

Nesse contexto, a Conjunta e seu Panorama prestam uma contribuição valiosa ao campo ao dar visibilidade a oportunidades, lacunas e tendências que ajudam a qualificar o debate. Para além de ampliar o volume de apoios, o desafio agora é avançar na qualidade desse apoio: com mais flexibilidade, maior duração e melhor reconhecimento das capacidades que sustentam a atuação das OSCs. Afinal, se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista. Organizações mais fortes e mais confiáveis contribuem para o ambiente democrático mais robusto que é, em última instância, o horizonte comum para o qual lutamos.

 

Baixe o estudo completo:

Prevenção e atuação territorial devem estar no centro da resposta aos riscos climáticos, destaca webinar do IDIS

Encontro reuniu especialistas para discutir justiça climática, financiamento, gestão de riscos e o papel das organizações sociais na construção de territórios mais resilientes

Como as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) podem se preparar para eventos climáticos extremos antes que eles aconteçam? E qual é o papel da filantropia e do investimento social privado na construção de territórios mais resilientes?

Essas foram algumas das questões que orientaram o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”, promovido pelo IDIS no dia 6 de agosto, como evento paralelo à São Paulo Climate Week. O encontro reuniu profissionais do terceiro setor e especialistas para discutir caminhos práticos para incorporar a gestão de riscos climáticos à atuação das organizações sociais.

Ao longo da conversa, um ponto atravessou diferentes momentos do debate: diante de eventos extremos cada vez mais frequentes, responder às emergências continua sendo necessário, mas já não é suficiente. É preciso investir também em prevenção, preparação e fortalecimento das capacidades locais antes que as crises aconteçam.

Mudanças climáticas também são uma questão de gestão

Na abertura do encontro, o IDIS apresentou reflexões da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, elaborada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, e Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos do IDIS.

Baixe agora e acesso o documento na íntegra!

A publicação parte do entendimento de que os riscos climáticos afetam também organizações que não têm o meio ambiente como causa principal. Enchentes, ondas de calor, secas e outros eventos extremos podem interromper atividades, elevar custos, afetar equipes e infraestruturas e, ao mesmo tempo, aumentar a demanda pelos serviços prestados às populações mais vulneráveis.

Durante o webinar, Yasmim apresentou conceitos e ferramentas para que OSCs e investidores sociais incorporem essa perspectiva ao planejamento institucional. A proposta é ampliar a capacidade das organizações de identificar vulnerabilidades, avaliar riscos e tomar decisões que contribuam para a continuidade de suas atividades e para a proteção das comunidades com as quais atuam.

A discussão reforçou ainda a dimensão da justiça climática. Os impactos das mudanças do clima não são distribuídos de maneira uniforme: territórios e populações que já convivem com desigualdades sociais e econômicas tendem a estar mais expostos e a contar com menos recursos para prevenção, adaptação e recuperação.

 

Recursos precisam chegar a quem está na ponta

Após a apresentação, uma mesa-redonda mediada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, reuniu Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Mariana de Assis, coordenadora de projetos do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM).

Entre os temas debatidos estiveram o financiamento climático, o fortalecimento da governança local e a importância de reconhecer OSCs e atores territoriais como parte essencial das estratégias de adaptação.

A experiência do iCS reforça que soluções para a adaptação climática já estão sendo desenvolvidas localmente e que um dos desafios é criar condições para fortalecê-las e ampliar seu alcance.

“Muitas das respostas para os desafios climáticos já existem e merecem ser reconhecidas, fortalecidas e conectadas”, afirma Tatiana Lobão.

A perspectiva dialoga diretamente com um dos pontos centrais do encontro: mais do que disponibilizar recursos para a agenda climática, é necessário criar condições para que eles sejam acessíveis às organizações que conhecem de perto os riscos, vulnerabilidades e potencialidades de cada território.

Nesse processo, organizações locais podem exercer um papel fundamental na articulação de diferentes atores, no mapeamento de riscos, na mobilização de recursos e na construção de respostas adaptadas às realidades das comunidades.

Essa abordagem também amplia a compreensão sobre o financiamento climático: recursos podem apoiar não apenas a reconstrução depois de uma emergência, mas também ações de preparação, desenvolvimento institucional, construção de redes, inteligência territorial e governança.

 

Fundos emergenciais preventivos: recursos disponíveis antes da crise

Um dos exemplos práticos apresentados no debate são os Fundos Emergenciais Preventivos (FEPs), mecanismo que vem sendo desenvolvido no âmbito do Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation.

Com metodologia e assessoria técnica do ICOM e parceria do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, seis Fundações e Institutos Comunitários de diferentes regiões do Brasil estão sendo apoiados para criar mecanismos permanentes de prevenção e preparação para emergências. Quatro já concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes iniciais de R$ 50 mil, enquanto outros dois estão em fase de implementação.

A lógica é simples, mas ainda pouco explorada no Brasil: organizar recursos e capacidades durante períodos de normalidade, e não apenas mobilizá-los quando uma emergência já está instalada.

A experiência acumulada pelo ICOM na resposta a eventos extremos também demonstra que a atuação territorial depende de articulação entre diferentes setores. Ao abordar o tema da prevenção climática, Mariana de Assis já destacou a necessidade de transformar essa preocupação em planejamento:

“É preciso que a resposta à crise climática, ações de prevenção [e] redução de riscos […] façam parte dos planos de governo”, defende Mariana.

No webinar, a experiência do ICOM ajudou a mostrar que essa preparação não se restringe à existência de recursos financeiros. Os fundos podem contribuir para fortalecer redes locais, produzir e organizar informações sobre riscos, definir protocolos, mobilizar organizações e comunidades e criar estruturas de governança capazes de agir de maneira mais rápida e coordenada diante de eventos extremos.

Dessa forma, o recurso financeiro é apenas uma das dimensões do mecanismo; igualmente importantes são as capacidades e relações construídas no território.

 

Assista à gravação

A gravação completa do webinar está disponível no canal do IDIS no YouTube:

Para se aprofundar no tema, acesse também a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, que apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar OSCs e investidores sociais na identificação, avaliação e gestão dos riscos relacionados ao clima.

O próximo El Niño exige menos reação e mais planejamento

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Yasmim Araújo Lopes, analista de projetos do IDIS, e Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

O Brasil ainda costuma tratar eventos climáticos extremos como exceções, respondendo a eles apenas quando seus impactos já se instalaram. Este ano, porém, a previsão de um novo episódio de El Niño tem oferecido a oportunidade de substituir a lógica padrão da reação pela da prevenção.

Instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo já apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo de 2026 e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. Com essa previsão, é imprescindível que governos, investidores sociais e organizações da sociedade civil incorporem o risco climático ao planejamento de suas ações.

seca

Os riscos elevados apresentados pelo El Niño, que se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas, não se restringem ao meio ambiente, mas atravessam praticamente todas as agendas sociais. Saúde, educação, segurança alimentar, geração de renda, assistência social, moradia e mobilidade podem ser diretamente afetadas por ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. Mesmo as organizações que não atuam diretamente com a pauta climática podem enfrentar aumento da demanda por atendimento, custos adicionais e dificuldades para manter suas atividades.

Nesse cenário, a adaptação climática deixa de ser uma agenda exclusivamente ambiental e passa a ser uma condição para garantir a continuidade de políticas, programas e investimentos sociais. Afinal, proteger comunidades também significa proteger a capacidade das organizações de seguir entregando resultados justamente nos momentos de maior necessidade.

O desafio é ainda maior quando se observa a capacidade de resposta dos territórios brasileiros. Dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que 3.679 municípios apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado indica que prever esses eventos extremos não é suficiente, mas que são necessárias ações práticas de prevenção, como o fortalecimento da gestão local, ampliação da articulação junto ao poder público e mais investimentos nas capacidades de resposta das comunidades.

Assim, a justiça climática ganha dimensão prática, não se resumindo a responder aos desastres uma vez que eles já aconteceram, mas criando condições para que populações mais vulneráveis estejam mais protegidas antes que os impactos ocorram.

A preparação começa muito antes da chegada de uma frente fria, de uma enchente ou de uma onda de calor. Ela começa quando organizações transformam previsões climáticas em perguntas norteadoras para a gestão e planejamento. O que pode mudar no território? Quais públicos serão mais afetados? Quais atividades precisarão ser adaptadas? Que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos críticos? Essas questões ajudam a incorporar o risco climático ao planejamento cotidiano, tornando programas e investimentos mais robustos diante das incertezas.

Também é importante reconhecer que o El Niño não produzirá os mesmos efeitos em todo o país. A tendência é de redução das chuvas na Amazônia e Nordeste, aumento das temperaturas em grande parte do Brasil, possibilidade de condições mais secas no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera e aumento das chuvas no Sul, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essa diversidade exige respostas igualmente diversas, adaptadas às características de cada território. Isso implica na necessidade de se promover a centralidade dos territórios e suas organizações na discussão da adaptação climática.

Para o campo social, isso significa revisar programas e portfólios sob uma lente climática, elaborar planos de continuidade para serviços essenciais, investir preventivamente na adaptação de equipamentos e espaços comunitários, fortalecer redes locais de cooperação e prever mecanismos de financiamento mais flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças impostas pelos eventos extremos.

Nenhuma dessas medidas elimina a possibilidade de desastres. Mas todas contribuem para reduzir danos, preservar serviços essenciais e aumentar a capacidade de resposta das comunidades. Quanto mais cedo investidores sociais e organizações incorporarem os riscos climáticos às suas decisões, maior será a possibilidade de evitar perdas humanas, sociais e institucionais.

O El Niño previsto para 2026 representa não apenas um desafio climático. Ele representa um teste sobre nossa capacidade de aprender com as crises recentes e agir antes que elas se repitam. A previsão já existe. O conhecimento também. O que ainda precisa mudar é a forma como transformamos essas informações em planejamento e ação, com embasamento científico, centralidade dos territórios, foco nas pessoas, principalmente as mais vulnerabilizadas.

Como a filantropia pode permanecer relevante em um mundo em transformação: lições da filantropia brasileira

Artigo publicado originalmente no blog WINGS, em inglês

Por Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS

Em um mundo cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas, pela transformação tecnológica, pela polarização política e pela queda da confiança nas instituições, a filantropia é chamada a repensar não apenas o que financia, mas também a forma como atua.

Em diferentes países e contextos, desafios sociais e ambientais tornam-se cada vez mais interligados e complexos, dificultando respostas baseadas em abordagens tradicionais. Nesse cenário, a pergunta deixa de ser apenas como gerar impacto e passa a ser como manter a relevância em um mundo em constante transformação. Adotar uma visão sistêmica, desenvolver mecanismos inovadores de financiamento, construir novas parcerias e promover o diálogo em uma sociedade polarizada são alguns dos caminhos que a filantropia vem trilhando para fortalecer sua atuação.

A mais recente edição de Perspectivas para a Filantropia no Brasil, publicada pelo IDIS, oferece um panorama de como o ecossistema filantrópico brasileiro vem respondendo a esse contexto. Embora a realidade do país tenha características próprias, muitas das tendências identificadas refletem desafios que também mobilizam a filantropia em outras partes do mundo.

Uma das principais tendências apontadas pelo relatório é o reconhecimento de que as mudanças climáticas não podem mais ser tratadas como uma pauta isolada. Durante muitos anos, a filantropia ambiental ocupou um espaço relativamente apartado de temas como saúde, educação, inclusão econômica e democracia. Hoje, essa separação faz cada vez menos sentido. Em todo o Brasil, eventos climáticos extremos afetam serviços públicos, meios de subsistência, segurança alimentar e a capacidade de resposta das comunidades. O clima deixou de ser apenas mais uma causa: tornou-se um tema transversal, fundamental para a construção da resiliência. Independentemente da área de atuação, organizações precisam estar preparadas para enfrentar crises, adaptar-se a novos contextos e manter sua missão mesmo diante de cenários adversos.

Essa realidade tem levado organizações filantrópicas a rever suas estratégias. O Compromisso Brasileiro pela Filantropia com a Mudança Climática, capítulo brasileiro do movimento global Philanthropy for Climate, coordenado internacionalmente pela WINGS e pela Philea, incentiva financiadores de diferentes causas a incorporar a agenda climática em sua governança, nas decisões de investimento, na concessão de recursos e nas práticas organizacionais.

Ao lado da agenda climática, outra questão vem transformando a prática filantrópica: a confiança. A Pesquisa Doação Brasil 2024 revela que apenas 30% dos brasileiros consideram as organizações da sociedade civil (OSCs) confiáveis. Esse desafio não é exclusivo do Brasil. Em diferentes partes do mundo, a queda da confiança nas instituições, somada à desinformação e à polarização política, dificulta a construção de respostas coletivas para problemas compartilhados. Em resposta, organizações e investidores sociais têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas ao fortalecimento do diálogo e da coesão social.

Um exemplo é o Brasil Fala, inspirado no programa internacional My Country Talks, que conecta pessoas com visões políticas divergentes por meio de conversas estruturadas. Outra iniciativa é a Sociedade Viva, que busca ampliar o conhecimento da população sobre as organizações da sociedade civil e seu papel no fortalecimento da democracia. Além de manter uma plataforma com dados e conteúdos qualificados, a iniciativa promove campanhas de comunicação voltadas ao público em geral e desenvolve ações específicas para aproximar a imprensa do tema, incluindo um guia prático para jornalistas sobre o terceiro setor e uma lista de fontes especializadas em diferentes causas.

Essas iniciativas evidenciam um papel cada vez mais relevante da filantropia como promotora do diálogo e da construção de pontes. Em sociedades marcadas pela polarização, reconstruir a confiança pode ser tão importante quanto financiar programas.

A discussão sobre confiança também se conecta a outra transformação em curso: a redistribuição de poder. Em diferentes partes do mundo, comunidades vêm reivindicando maior participação nas decisões que afetam suas vidas. No Brasil, esse movimento tem impulsionado o crescimento de abordagens lideradas pelas próprias comunidades, colocando atores locais no centro dos processos de governança e de financiamento.

Iniciativas como o Fundo Socioambiental Casa passaram a incorporar lideranças indígenas, comunidades tradicionais e organizações de base em suas estruturas de tomada de decisão, contribuindo para que as prioridades de investimento reflitam as realidades dos territórios, e não pressupostos externos. A lição vai além da filantropia: soluções sustentáveis tendem a ser mais efetivas quando as comunidades são reconhecidas não apenas como beneficiárias, mas como parceiras.

A tecnologia representa outra fronteira importante, e a inteligência artificial (IA) rapidamente deixou de ser um tema restrito a especialistas para ocupar o centro do debate público. Embora ofereça enormes oportunidades, a IA também levanta preocupações relacionadas a vieses, responsabilização, privacidade e desigualdade de acesso.

No Brasil, pesquisas mostram que apenas 6% das organizações da sociedade civil utilizam tecnologia de forma avançada, evidenciando disparidades importantes em termos de acesso e capacidade. Esse desafio também se repete em outros países. Em todo o mundo, muitas organizações sem fins lucrativos dispõem de poucos recursos para investir em transformação digital e incorporar novas tecnologias. É justamente nesse contexto que a filantropia pode desempenhar um papel decisivo.

Reconhecendo esse desafio, iniciativas como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, desenvolvido pelo IDIS com apoio da Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, trabalham para ampliar o acesso à inteligência artificial ao mesmo tempo em que promovem seu uso responsável e ético. Mais do que incentivar a adoção da tecnologia, essas iniciativas buscam fortalecer a governança, ampliar a inclusão e garantir que a IA seja utilizada em benefício do interesse público.

Por fim, as discussões sobre o futuro vêm ganhando espaço na agenda da filantropia. Segundo o UBS Global Wealth Report 2025, aproximadamente US$ 9 trilhões deverão ser transferidos entre gerações no Brasil nas próximas décadas. Esse cenário intensificou os debates sobre legado, doação planejada, fundos patrimoniais (endowments) e modelos de steward-ownership, que buscam alinhar patrimônio e propósito social no longo prazo.

Essas discussões refletem uma transformação mais ampla. A filantropia deixa de concentrar seu foco em atos pontuais de generosidade e passa a olhar para a forma como recursos, valores e responsabilidades podem ser preservados e transmitidos entre gerações.

Em conjunto, esses movimentos revelam um ecossistema filantrópico em transição. As mudanças climáticas já não podem ser tratadas como uma agenda paralela; a confiança tornou-se um ativo estratégico; comunidades demandam maior participação nas decisões; a tecnologia cria novas oportunidades, mas também novos riscos; e novas formas de mobilização de capital surgem para enfrentar desafios cada vez mais complexos.

Não existe uma solução única. A resiliência é construída por meio de diferentes iniciativas, conduzidas por atores diversos que buscam responder a um mundo em constante transformação.

A filantropia brasileira não oferece um modelo pronto para o mundo. O que ela oferece é um conjunto de experiências desenvolvidas em uma sociedade profundamente desigual, que enfrenta simultaneamente os impactos das mudanças climáticas, das transformações tecnológicas e das pressões sobre a democracia. A questão para a filantropia global não é se essas iniciativas podem ser replicadas em outros contextos, mas o que elas revelam sobre os tipos de relações, instituições e sistemas que precisarão ser fortalecidos para que a filantropia continue relevante nos próximos anos.

GIFE e INCT Participa lançam Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, com apoio do IDIS

Plataforma colaborativa reúne dados, pesquisas e evidências para fortalecer o conhecimento sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil

Foi lançado o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, plataforma colaborativa liderada pelo GIFE e pelo INCT Participa, com o apoio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial do IDIS.

A iniciativa foi criada para reunir, sistematizar e disseminar informações, dados, pesquisas e evidências sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Ao ampliar o acesso a conhecimento qualificado sobre o setor, o Observatório pretende contribuir para o aprimoramento das práticas das organizações, apoiar processos de tomada de decisão e estimular a produção de novas pesquisas.

Membros do setor reunidos durante lançamento do Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado

Para o IDIS, a criação da plataforma representa um marco importante para o fortalecimento do campo filantrópico brasileiro. A geração e a disseminação de conhecimento constituem um dos pilares de atuação da organização, ao lado da consultoria e da execução de projetos de impacto.

“Dados e evidências são ferramentas fundamentais para gerar impacto social positivo. Quando compartilhados e explorados de maneira estratégica, podem orientar decisões, aprimorar práticas, fortalecer políticas públicas e contribuir para uma filantropia cada vez mais transformadora”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O apoio à iniciativa é realizado por meio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial criado pelo IDIS com o objetivo de fortalecer a filantropia estratégica no país e apoiar iniciativas capazes de ampliar a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade de atuação do setor.

O Observatório também se propõe a ser um espaço vivo e colaborativo, incentivando pesquisadores, organizações e demais atores do ecossistema filantrópico a utilizarem os materiais disponíveis e contribuírem para a expansão da base de conhecimento sobre o tema.

Conheça o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado.

Programa Transformando Territórios lança fundos emergenciais preventivos para enfrentar emergências territoriais

Iniciativa ainda pouco explorada no Brasil fortalece a capacidade de territórios brasileiros de prevenir, se preparar e responder a emergências climáticas por meio da filantropia comunitária. Quatro fundos já foram estruturados e dois estão em fase de implementação

Seis fundações e institutos comunitários de diferentes regiões do Brasil estão recebendo apoio técnico e financeiro para criar mecanismos territoriais permanentes de prevenção a emergências climáticas. A iniciativa, inédita no contexto brasileiro, integra o Programa Transformando Territórios, do IDIS, e conta com a metodologia e assessoria técnica do ICOM — Instituto Comunitário Grande Florianópolis, além de parceria com a Mott Foundation, o Movimento Bem Maior e a Fundação FEAC.

Na primeira etapa, quatro Fundações e Institutos Comunitários (FICs) concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes de R$ 50 mil cada para desenvolver estratégias voltadas à gestão de riscos, à prevenção e ao fortalecimento da resiliência em seus territórios: Instituto Cacimba, no distrito de São Miguel Paulista na capital paulista (SP), Associação Nossa Cidade, na Grande Belo Horizonte (MG), Instituto Comunitário Paraty, em Paraty (RJ) e Mundaú Mundo, em Maceió (AL). A Fundação Gerações, na Grande Porto Alegre (RS) e o Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, no distrito de M’Boi Mirim na cidade de São Paulo (SP) estão em fase de assessoria e devem concluir a estruturação em breve. A captação dos fundos segue aberta a indivíduos e organizações.

 “Quem vive e atua nos territórios conhece de perto seus riscos, vulnerabilidades e potencialidades. Por isso, fortalecer organizações locais é fundamental para construir estratégias de prevenção e preparação junto às próprias comunidades, antes que as emergências aconteçam. As Fundações e Institutos Comunitários desempenham um papel estratégico nesse processo ao identificar riscos, mobilizar recursos, articular diferentes atores e fortalecer a capacidade dos territórios de prevenir, se preparar e responder a crises de forma coordenada e sustentável”, afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Os recursos apoiam iniciativas de caráter preventivo — fortalecendo a capacidade local de enfrentar eventos extremos antes que se transformem em crises de difícil gestão. A seleção dos territórios partiu de uma característica comum: todos já desenvolviam ações ou reflexões sobre situações de emergência e vulnerabilidade socioambiental, e demandavam instrumentos mais estruturados para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre os eventos que os fundos visam preparar os territórios para enfrentar e evitar enchentes, rompimento de barragens, descarte irregular de resíduos, chuvas extremas, ondas de calor e outros eventos climáticos monitorados por redes territoriais de correspondentes climáticos.

Para doar, basta entrar em contato com as FICS pelo site, as doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas.

 

Um modelo inovador inspirado em experiências internacionais

O modelo de Fundo Emergencial Preventivo (FEP) é considerado inovador no Brasil por utilizar a filantropia comunitária de base territorial como ponto de partida para a construção de fundos voltados à comunidades resilientes. A proposta foi inspirada em experiências desenvolvidas em países como Romênia e Chile, e em referências de organizações como Center for Disaster Philanthropy. No Brasil, a adaptação desse modelo parte também da experiência acumulada pelo ICOM na criação, gestão e governança de fundos comunitários e emergenciais, conectando mobilização de recursos, conhecimento territorial e fortalecimento de organizações locais.

Mais do que viabilizar respostas a emergências, a iniciativa busca fortalecer capacidades permanentes nos territórios para prevenir riscos, mobilizar recursos e agir de forma coordenada diante de crises cada vez mais frequentes e complexas.

“À primeira vista, um Fundo Emergencial Preventivo pode parecer apenas mais um mecanismo de repasse financeiro. Mas sua inovação está na forma como organiza capacidades antes da crise acontecer. O FEP fortalece os territórios em períodos de normalidade, investindo em governança, articulação, inteligência territorial e mobilização local. Para nós, é motivo de orgulho compartilhar a experiência acumulada pelo ICOM em fundos comunitários, fundos emergenciais e desenvolvimento territorial, contribuindo para que outras Fundações e Institutos Comunitários adaptem esse modelo às realidades de seus territórios”, afirma Mariana de Assis, Coordenadora de Projetos do ICOM

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

Programa de inteligência artificial para o Terceiro Setor reúne 30 organizações de 13 estados em hackathon

Entre os dias 22 e 24 de julho, 89 profissionais de 30 organizações da sociedade civil participaram, em São Paulo, de um encontro presencial em formato de hackathon voltado à criação de soluções de inteligência artificial para desafios concretos do Terceiro Setor. O encontro integra o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, programa de formação que apoia organizações sociais na incorporação consciente, ética e estratégica dessa tecnologia em suas atividades.

Turma 1 do IA.3 em encontro presencial em São Paulo

Durante os três dias, as equipes foram desafiadas a transformar os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro meses de capacitação realizados pelo programa em propostas aplicáveis às suas instituições. As soluções abrangem áreas estratégicas para o fortalecimento das organizações sociais:

Captação inteligente: aplicação da inteligência artificial à mobilização de recursos, ao relacionamento com potenciais apoiadores e à sustentabilidade financeira;

Inteligência, memória e conhecimento institucionais vivos: organização, preservação, recuperação e utilização estratégica de informações e conhecimentos produzidos pelas organizações;

Relacionamento, atendimento e jornada dos públicos: aprimoramento da comunicação e da interação com beneficiários, doadores, parceiros, voluntários e demais públicos;

Operação sem gargalos: automação de processos, integração de dados e aprimoramento dos fluxos de trabalho para ampliar a eficiência institucional;

Monitoramento, avaliação, prestação de contas, aprendizagem e relatórios: uso da inteligência artificial para acompanhar resultados, analisar informações, gerar aprendizados e comunicar impactos.

As organizações selecionadas atuam em 13 estados – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo -, contemplando as cinco regiões brasileiras.

 

Conheça as organizações que foram selecionadas

 

Participantes durante o Encontro Presencial em São Paulo.

A programação ainda contou com dinâmicas colaborativas e momentos de diagnóstico, ideação, desenvolvimento e validação das propostas, além do acompanhamento de especialistas. Ao final do encontro, cada grupo apresentou uma proposta de solução para os desafios identificados, com potencial de implementação e aperfeiçoamento nas organizações participantes.

“Este encontro marca uma transição importante na jornada das organizações: passamos do aprendizado e da experimentação para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios concretos de gestão e atuação. Queremos que as equipes ganhem autonomia para incorporar a inteligência artificial de maneira estratégica, ética e alinhada às suas missões. A diversidade de causas, experiências e territórios reunida no hackathon também favorece a colaboração e a criação de soluções que poderão gerar aprendizados para todo o Terceiro Setor”, afirma Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS responsável pelo IA.3.

Após o hackathon, as 30 organizações continuarão sendo acompanhadas durante seis meses por meio de mentorias individualizadas. O objetivo é apoiar a implementação das soluções desenvolvidas, realizar os ajustes necessários e contribuir para que o uso da inteligência artificial seja incorporado de forma sustentável às estratégias, às equipes e aos processos institucionais.

O IA.3 também inclui uma avaliação de impacto experimental, que comparará os resultados das organizações participantes da primeira turma com os das organizações que receberão a formação em 2027. Além de acompanhar resultados concretos, a avaliação dará origem a um estudo com dados quantitativos e qualitativos e exemplos práticos de aplicação da inteligência artificial no Terceiro Setor.

Equipes IDIS e Canal SabIAr no Encontro Presencial em São Paulo.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

 

Realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, o IA.3 busca fortalecer as capacidades institucionais das organizações da sociedade civil. Mais do que incentivar o uso pontual de ferramentas, o programa pretende apoiar a integração da inteligência artificial às estratégias, aos processos de gestão e às missões institucionais das organizações.

 

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

A iniciativa foi estruturada como uma jornada de formação em múltiplas etapas. Após um webinar introdutório e aberto ao público, 119 organizações iniciaram, em fevereiro de 2026, a primeira turma da capacitação intensiva. Foram 30 horas de formação ao longo de quatro meses, combinando aulas ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas.

 

As 30 organizações com melhor aproveitamento nessa etapa foram selecionadas para o encontro presencial, no qual poderão aprofundar os conhecimentos adquiridos, trocar experiências e desenvolver soluções institucionalmente relevantes.

 

Em fevereiro de 2027, uma nova turma de 114 organizações começa o mesmo processo.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil é uma iniciativa do IDIS e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos para o acompanhamento de endowments em atividade no Brasil.

Os dados são obtidos a partir de questionários respondidos por gestores destes fundos ou por meio da consulta pública em sites ou veículos de imprensa.

A atualização é constante. Para passar a integrar o levantamento ou modificar algum dado, gestores de fundos patrimoniais podem preencher o questionário oficial. Solicite o link escrevendo para comunicacao@idis.org.br

Acesse aqui os dados disponíveis sobre os fundos patrimoniais mapeados.

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil identificou 128 fundos patrimoniais ativos, cujo patrimônio total informado é de R$ 159.549.223.945 (em julho/26).

 

Acesse abaixo a planilha completa com informações sobre as causas dos fundos e também fonte da informação.

Monitor IDIS dE Fundos Patrimoniais no Brasil – levantamento completo

 

Nome 

Ano da criação

Patrimônio

Sede

Aldeias Infantis SOS 2024 R$ 11.481 SP
Amigos da Alef Peretz Organização Gestora do Fundo Patrimonial 2021 R$ 22.852.842 SP
Arcanjos Endowment 2026 Não informado DF
Associação Amigos da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) 2019 R$ 2.786.701 SP
Associação Amigos Direito UERJ 2017 R$ 349.948 RJ
ASA – Associação Santo Agostinho 2018 R$ 106.000.000 SP
Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog Da Silva (Instituto Devive)
2001 R$ 67.000.000 SP
Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração (ACTC)
2023 R$ 25.083.611 SP
Associação Endowment Direito GV 2011 R$ 7.747.393 SP
Associação Escola Panamericana de Porto Alegre 2022 R$ 15.000.000 RS
Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários (AFESU) 2018 R$ 595.984 SP
Associação Fundo Areguá 2016 R$ 15.472.774 SP
Associação Fundo Patrimonial Amigos da Poli (Escola Politécnica da USP) 2012 R$ 63.500.00 SP
Associação Fundo Patrimonial – AXUXÊ (Faculdade de Medicina da FMABC) 2023 R$ 79.804 SP
Associação Fundo Patrimonial Patronos (Unicamp – alunos) 2020 R$ 2.920.601 SP
Associação Gestora do Fundo Patrimonial em Apoio à Faculdade de Direito da UFRGS 2021 Não informado RS
Associação Gestora do Fundo Patrimonial Endowment Chronos (USP São Carlos – comunidade) 2024 R$ 1.663.728 SP
Associação Irmão Norberto Rauch (Endowment da PUC-RS) 2020 Não informado SP
Associação Rosa Penido 2024 R$ 106.000.000 SP
Associação São Joaquim 2006 R$ 2.131.296 SP
Associação Umane 2016 R$ 1.631.598.077 SP
Fundo Baobá 2016 R$ 142.621.536 SP
C de Cultura 2017 R$ 24.134.412 SP
Casa Pequeno Mundo – Não informado SP
Conecta EAUFBA (Escola de Administração da UFBA) 2022 R$ 80.000,00 BA
Endowment Alumni Direito Mackenzie 2022 R$ 10.000 SP
Endowment do CEAP 2018 R$ 1.095.606 SP
CIP – Congregação Israelita Paulista 2015 Não informado SP
Endowments do Brasil – Fundo Trans Casa Chama 2022 Não informado SP
Endowment IRM (Instituto Rodrigo Mendes) 2015 R$ 53.884.968 SP
Endowment PUC-Rio 2019 R$ 9.889.323 RJ
Endowment Sempre FEA (FEAUSP – alunos) 2020 R$ 10.200.000 SP
Fonte Endowment 2023 Não informado DF
Fundação Antonio e Helena Zerrenner INB 1936 R$ 42.312.922.810 SP
Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (Fundação do Câncer) 1991 R$ 78.568.709 RJ
Fundação Banco do Brasil 2008 R$ 282.761.966 DF
Fundação Bradesco 1956 R$ 97.000.000.000 SP
Fundação Darcy Chagas 2020  R$ 6.297.772 RJ
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá – FADEC-UEM 2024 R$ 4.576 PR
Fundação Dorina Nowill 2023 R$ 172.061.365 SP
Fundação Estudar 2018 R$ 63.165.154 SP
Fundação Fundo Brasil de Direitos Humanos 2007 R$ 52.510.576 SP
Fundação Fundo Patrimonial FEAUSP (gestores) 2015 R$ 1.796.600 SP
Fundação Gestora de Fundo Patrimonial da Universidade de São Paulo (USP) 2021 R$ 28.252.853 SP
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza 1996 R$ 37.400.960 PR
Fundação Itaú 1988 R$ 8.044.365.000 SP
Fundação José Luiz Setúbal 2016 R$ 365.440.002 SP
Fundação Lia Maria Aguiar – FLMA 2008 R$ 626.803.811 SP
Fundação Maria Emilia – Não informado BA
Fundação St. Pauls de Apoio à Educação 2021 R$ 29.380.000 SP
Fundação Tide Setubal 2010 R$ 135.377.667 SP
Fundação Uniselva 2002 R$ 1.158.490 MT
Fundo Amanhã (Administração UFRGS) 2022 R$ 2.728.185 RS
Fundo Apontar 2015 R$ 21.295.253 RJ
Fundo Betinho – Ação da Cidadania 2018 R$ 69.514.534 RJ
Fundo Catarina 2021 R$ 3.125.271 SC
Fundo Centenário (Escola de Engenharia da UFRGS) 2019 R$ 3.331.033 RS
Fundo Comunitário da Maré – FCDM 2021 R$ 22.309.977 RJ
Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Sociedade (FADS) 2025 R$ 12.000.000 MG
Fundo de Apoio ao Jornalismo Investigativo – F/ABRAJI  2016 Não informado SP
Fundo de Capital – Endowment – Fundação Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SP) 2006 R$ 73.488.093 SP
Fundo de Educação Social do Instituto Elos 2021 R$ 2.003.462 SP
Fundo de Endowment do Instituto Líderes do Amanhã 2019 R$ 4.200.000 ES
Fundo de Fomento à Filantropia – FFF (IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) 2024 R$ 10.600.000 SP
Fundo de Sustentabilidade Financeira (FAMAGGI – Fundação André e Lúcia Maggi) 2017 R$ 18.149.170 MT
Fundo FICA 2015 R$ 295.330 SP
Fundo Figueira 1964 Não informado SP
Fundo Eterno Bem 2021 R$ 530.640 RJ
Fundo FAS (Fundação Amazônia Sustentável) 2008 R$ 110.197.000 AM
Fundo Gerações 2008 R$ 3.377.456 RS
Fundo Helda Gerdau 2019 Não informado RS
Fundo iGMK – Instituto George Mark Klabin 1994 R$ 12.735.697 SP
Fundo Patrimonial Amigos da Univali 2019 R$ 135.590 SC
Fundo Patrimonial Amigos do Brasil Central 2019 R$ 62.500 GO
Fundo Patrimonial Associação Projeto Gauss – FPPG 2019 R$ 6.497.557 SP
Fundo Patrimonial Augere (FMUSP) 2015 R$ 234.440 SP
Fundo Patrimonial Aventura de Construir – Já, Devagar e Sempre 2023 R$ 749.251 SP
Fundo Patrimonial CBL de Valorização do Livro 2026 R$ 15.000.000 SP
Fundo Patrimonial da Brazil Startups 2022 R$ 10.000 DF
Fundo Patrimonial da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) – UFPel 2024 R$ 36.000 RS
Fundo Patrimonial da Fundação Grupo Volkswagen 2002 R$ 300.106.605 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal 1965 R$ 709.554.000 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Romi 1999 R$ 91.578.150 SP
Fundo Patrimonial da UFC 2024 Não informado CE
Fundo Patrimonial da UNICAMP – LUMINA (Reitoria) 2020 R$ 5.105.903 SP
Fundo Patrimonial do IMS 1995 R$ 2.224.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Acaia 2016 R$ 591.287.878 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Alana 2013 R$ 504.821.612 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Ayrton Senna 2017 Não informado SP
Fundo Patrimonial do Reciclar 2016 R$ 7.977.348 SP
Fundo Patrimonial Eliezer Max Não informado Não informado RJ
Fundo Patrimonial PROSPERA – Unesp 2022 R$ 1.000.000 SP
Fundo Perpetuidade SOS Mata Atlântica 2009 R$ 80.215.061 SP
Fundo Patrimonial UFV 2024 Não informado MG
Fundo Polifonia (Orquestra de Novo Hamburgo) 2025 Não informado RS
Fundo ReCivitas da Renda Básica 2020 R$ 108.000 SP
FUNSAI (Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga) 1943 R$ 154.000.000 SP
FUTURE – Fundo Territórios Unidos por Recursos para a Educação 2023 R$ 1.600.000 AM
Futurin – Funds for life (Hospital Pequeno Príncipe) 2024 R$ 3.786.977,03 PR
Gaia Legado 2024 R$ 82.145.000 SP
Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) 2024 R$ 11.372.653 SP
Gene – Fundo Patrimonial do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) 2024 R$ 316.665 SP
INSPER 2022 R$ 40.230.051 SP
Instituto Artigo 220 (Revista Piauí) 2018 R$ 440.151.294 RJ
Instituto Fundo Patrimonial Reditus (UFRJ – alunos) 2019 R$ 17.712.724 RJ
Instituto Ibirapitanga 2016 R$ 670.593.000 RJ
Instituto Jô Clemente – R$ 109.361.000 SP
Instituto Merula Steagall 2022 R$ 1.842.594 SP
Instituto Serrapilheira 2016 R$ 623.319.746 RJ
Instituto Sol 2017 R$ 1.656.368 SP
Instituto Unibanco 2009 Não informado SP
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas 2007 R$ 15.966.100 SP
ITA Endowment 2023 R$ 10.143.688 SP
Liga Solidária 2020 R$ 80.836.052 SP
MASP Endowment 2017 R$ 1.973.249 SP
Minerva Impacto 2024 R$ 54.452 RJ
Onçafari 2015 R$ 54.841.174 SP
Organização Gestora de Fundo Patrimonial da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês 2021 R$ 26.281.580 SP
PDR – Purpose Driven Resources 2023 R$ 77.703.811 SP
Primatera Fundo Patrimonial 2020 R$ 200.445 SP
Projeto Saúde e Alegria 2024 Não Informado PA
Rio Endowment 2022 R$ 439.180 RJ
Rogério Jonas Zylbersztajn (RJZ) 2019 R$ 235.300.000 RJ
Semear 2022 R$ 25.000 MG
Semente Oré 2021 R$ 40.000.000 SP
Sempre Sanfran (Faculdade de Direito USP – alunos) 2021 R$ 12.252.164 SP
Turim – Saúde Criança (Instituto Dara) 2008 R$ 20.780.052 RJ
WimBelemDowment – Organização Gestora de Fundo Patrimonial 2021 R$ 283.699 RS

Acesse e baixe a planilha completa com as causas dos fundos e fonte dos dados.

 

Mais sobre Fundos Patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzidos pelo IDIS aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Fundo de Fomento à Filantropia amplia patrimônio e fortalece iniciativas estratégicas em 2025

O Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), iniciativa do IDIS voltada ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, encerrou 2025 com resultados expressivos. Em seu segundo ano de operação, o patrimônio do Fundo atingiu R$ 9,9 milhões, um crescimento de 39,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pelas contribuições de 146 doadores e pelo mecanismo de matching da doação realizada pela filantropa Mackenzie Scott ao IDIS.

Em 2025, o FFF destinou R$ 265 mil para iniciativas estruturantes organizadas em três frentes de atuação: advocacy, produção de conhecimento e articulação. Os recursos apoiaram ações voltadas ao fortalecimento do ambiente institucional da filantropia brasileira, à produção de evidências e à mobilização de atores do setor.

Entre as iniciativas apoiadas estiveram:

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

 

Um fundo perene para fortalecer a filantropia

O FFF foi concebido como um fundo patrimonial (endowment), garantindo sustentabilidade de longo prazo para investimentos em iniciativas que fortalecem o ecossistema da filantropia no Brasil. Por esse modelo, apenas os rendimentos reais – aqueles obtidos acima da inflação – podem ser utilizados, preservando permanentemente o patrimônio principal.

Em 2025, o Fundo registrou R$ 1,15 milhão em rendimento real, recursos que estarão disponíveis para investimentos ao longo de 2026, assegurando a continuidade das ações apoiadas e a expansão de seu impacto.

Outra novidade do ano foi a ampliação das formas de contribuição ao Fundo. O IDIS passou a oferecer a possibilidade de realizar doações vinculadas às inscrições em eventos institucionais, iniciativa que resultou em 121 novas doações ao longo de 2025.

 

Próximos passos

A campanha de captação do Fundo permanece ativa. A meta é alcançar R$ 15 milhões em patrimônio até o final de 2026 e chegar a R$ 25 milhões até 2029, ampliando a capacidade do FFF de apoiar iniciativas estruturantes para o desenvolvimento da filantropia e da cultura de doação no país.

Cada contribuição ajuda a consolidar um patrimônio duradouro, capaz de gerar recursos para iniciativas que impulsionam transformações sociais e contribuem para a redução das desigualdades no Brasil.

Saiba mais e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia!

 

Mais sobre fundos patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, clique aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Webinar debate o papel das organizações sociais na prevenção e redução de riscos climáticos

Encontro promovido pelo IDIS abordará financiamento climático, gestão de riscos, governança local e estratégias para fortalecer a resiliência dos territórios

CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO EVENTO!

 

A crise climática já afeta diretamente comunidades e Organizações da Sociedade Civil, inclusive aquelas que não atuam especificamente com questões ambientais. Eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos podem interromper atividades, ampliar a demanda por serviços, comprometer recursos e aprofundar desigualdades já existentes nos territórios.

Nesse contexto, fortalecer a capacidade de prevenção, adaptação e resposta das organizações tornou-se urgente. Embora existam recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas, um dos principais desafios é garantir que eles cheguem de forma efetiva às organizações e comunidades que estão na ponta.

Para debater caminhos práticos e estratégias territoriais, o IDIS promove, no dia 6 de agosto, a partir das 9h30, o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”. O evento é paralelo à São Paulo Cimate Week, será online, gratuito e direcionado a profissionais do terceiro setor, investidores sociais e demais pessoas interessadas na agenda de adaptação climática.

Durante o encontro, serão discutidos temas como financiamento climático, gestão de riscos relacionados ao clima, fortalecimento da governança local e aplicação prática de fundos emergenciais preventivos nos territórios.

O conteúdo é um desdobramento da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, produzida pelo IDIS. A publicação apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar organizações sociais e investidores na identificação, avaliação e gestão de riscos climáticos.

A programação contará com uma apresentação da nota técnica realizada por Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS, além de uma mesa moderada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS. Participam do debate Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança no Instituto Clima e Sociedade — iCS, e Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

Confira a programação

9h30 | Abertura
Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

9h40 | Apresentação da nota técnica
Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS

9h55 | Mesa-redonda
Moderação de Marcelo Modesto, com a participação de:

  • Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade — iCS;
  • Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

11h30 | Encerramento

Faça sua inscrição e participe do debate!

 

Saiba mais sobre adaptação climática

Para se aprofundar no tema, acesse a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”.

 

Captcha obrigatório

O que precisamos para dar um salto nas finanças de impacto?

Artigo publicado originalmente no Jornal NEXO

Por Gustavo Loiola, head of training da Latimpacto, e Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

Analisando os mercados da América Latina, conseguimos entender que o Brasil já domina o vocabulário das finanças de impacto e do financiamento inovador: blended finance, matchfunding, venture philanthropy. Mas isso não necessariamente se converteu, até aqui, em infraestrutura financeira capaz de operar na escala necessária para responder a desafios socioambientais do tamanho do país.

Veja-se o blended finance, por exemplo: o modelo é uma forma de estruturar capital catalítico (público ou filantrópico) para melhorar a relação entre risco e retorno e atrair investidores privados para agendas que, sozinhas, não mobilizariam tanto dinheiro. Segundo dado da rede Convergence, essa abordagem já mobilizou mais de US$ 270 bilhões em compromissos no mundo todo. Ainda assim, seu potencial segue subaproveitado no Sul Global, particularmente no Brasil. Não por ausência de recursos, mas porque muitas operações dependem de um grau de coordenação, segurança jurídica, apetite a risco e capacidade técnica que ainda não está distribuído de forma ampla no ecossistema.

O nosso gargalo não é falta de dinheiro, é falta de estrutura e de rotina. O campo está preso em um paradoxo: sabe desenhar operações sofisticadas, mas não consegue replicá-las com velocidade. O salto virá quando entendermos que finanças inovadoras não se resumem a novos nomes.

Precisamos construir peças relevantes de infraestrutura para essas finanças, deixando de tratar cada operação como um caso excepcional, dependente de lideranças específicas, negociações artesanais e arranjos sob medida. Temos que criar padrões, repertórios e capacidades institucionais que permitam que esses modelos sejam acionados com mais previsibilidade.

A primeira frente-chave é regulatória: Estruturas híbridas exigem previsibilidade, com regras claras para garantias, camadas de primeira perda, fundos com capital filantrópico e mecanismos de pagamento por resultado. Vejamos, por exemplo, no contexto brasileiro, a transição da reforma tributária, que começa neste ano e abre uma janela para calibrar incentivos e dar tratamento mais explícito a arranjos de interesse público.

A segunda frente é cultural: o financiamento paciente. A filantropia e o investimento social privado ainda operam, muitas vezes, com prazos curtos e baixa tolerância ao risco. A inovação financeira, porém, demanda o oposto, com compromissos plurianuais, recursos flexíveis, disposição para financiar estrutura (equipes, dados, avaliação) e aceitar que aprender custa – e que errar faz parte do desenho.

Esse ponto é decisivo. Muitos projetos de impacto positivo não fracassam por causa de uma solução frágil, mas porque não há financiamento adequado ao seu estágio de desenvolvimento. Existem iniciativas promissoras que precisam de apoio para modelar sua operação, organizar dados, fortalecer governança, medir resultados ou adaptar sua atuação a diferentes contextos territoriais. Quando a filantropia financia apenas o resultado final, e não a infraestrutura que torna essa entrega possível, limita a capacidade de desenvolvimento das organizações e perpetua uma lógica de não continuidade.

A terceira peça é a coordenação: Hoje, capitais públicos, privados e filantrópicos até se encontram, mas de forma desordenada. O resultado é fragmentação, com vários atores financiando o mesmo território sem governança comum, ou tentando encaixar soluções de mercado onde ainda falta redução de risco percebido. É aqui que o intermediário vira infraestrutura: quem traduz linguagens, gerencia projetos, padroniza diligências, cria métricas mínimas e monta arranjos multicapitais com velocidade.

O Brasil já tem sinais concretos do que funciona quando esses elementos aparecem. O Juntos pela Saúde, iniciativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) gerida pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), adota o modelo de matchfunding, somando capital público e recursos privados (não reembolsáveis) para o fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde) nas regiões Norte e Nordeste .

A infraestrutura financeira também pode existir em escala global. O TFFF (Tropical Forests Forever Facility), lançado na COP30, nasce com ambição de mobilizar US$ 125 bilhões e prevê destinação mínima de 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais — um desenho que combina escala, governança e regras explícitas.

Ao reconhecer florestas tropicais em pé como ativos de valor global e prever uma remuneração vinculada à conservação ambiental, o mecanismo explicita uma tendência importante: a de que a agenda climática exigirá arquiteturas financeiras capazes de conectar capitais de naturezas distintas, proteger territórios vulneráveis e distribuir benefícios de forma mais justa.

A crise climática, aliás, torna esse debate ainda mais urgente. Eventos extremos, perdas econômicas, insegurança hídrica, impactos sobre saúde e pressão sobre populações vulnerabilizadas evidenciam que respostas fragmentadas são insuficientes. Prevenção, adaptação e resiliência demandam financiamento antes que a emergência aconteça, e não apenas depois da tragédia. A filantropia pode ter papel central ao financiar planejamento, capacidade local, sistemas de alerta, soluções baseadas na natureza e arranjos de governança territorial que reduzam riscos futuros.

Não devemos, então, nos perguntar sobre qual é o próximo instrumento financeiro, mas, qual infraestrutura vamos construir para fazer esses instrumentos operarem como regra. Se queremos enfrentar a crise climática, desigualdades e baixa capacidade estatal em territórios vulneráveis, precisamos tratar o financiamento inovador como serviço público do século 21.

Um convite ao campo: direcionar parte do capital não para o projeto final, mas para o “sistema que permite que os projetos existam. Isso significa financiar primeira perda, garantias, preparação de projetos, dados e avaliação, apoiar organizações intermediárias, e, sobretudo, combinar recursos com governança compartilhada. Em vez de criar mais pilotos brilhantes, construir uma máquina que replica, aprende e escala.

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Paraty

Entre os dias 22 e 26 de junho, o ICP – Instituto Comunitário Paraty recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) que possibilitou o intercâmbio, que foi pura potência, profundidade e acolhida mútua. 

Entre as participantes, estiveram a Fundação Gerações que atua desde 2008 em todo estado do Rio Grande do Sul representada por Ana Lucia Suárez, Diretora de Programas e Karine Ruy, Diretora Executiva; a Associação Nossa Cidade que atua na região Metropolitana de Belo Horizonte/MG desde 2014, representada por Marlúcia Baesse, Líder Comunitária e Mariana Barros, membra da Associação; e a FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos que atua na cidade de Valinhos/SP desde 2013 e esteve representada por Eliane Macari, Presidente do Fórum.

Para representar o ICP, instituto anfitrião, estiveram presentes Andréia Carvalho e Ricardo Zuppi, Diretores Executivos; Maria Aparecida e Márcia Evangelista, Presidente e Vice-Presidente do Conselho Administrativo; Ana Carolina, Andréia Santos e Nena Gama, Conselheiras do Instituto; e Diana Seelaender, da equipe de Comunicação.

Representantes das FICs em conversa (Créditos: Diana Seelaender)

Foram dias com troca de conhecimentos, em que puderam aprofundar sobre os trabalhos de ação territorial e apoio para o fortalecimento comunitário, além de desafios compartilhados pelo mesmo modelo de organização, as chamadas FICs (Fundaçõs e Institutos Comunitários) dentro do terceiro setor. Alguns temas estiveram presentes como diagnóstico e escuta ativa, captação de recursos, fundos emergenciais e preventivos para mudanças climáticas, entre outros. Segundo o ICP, “um verdadeiro terreno fértil com muitas sinergias e a possibilidade de amplificação das ações realizadas pelo ICP”. 

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas com a Cooperativa dos Produtores Rurais do Pacová, com alunos da Escola da Barra Grande envolvidos com o Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas – uma parceria entre o ICP e o Departamento de Educação Ambiental da Sec. Municipal de educação), e uma incrível visita ao Saco do Mamanguá.

Visita em Cooperativa (Créditos: Diana Seelaender)

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Prestação de contas: confiança que sustenta a missão das OSCs

Por Marcelo Destito, gerente administrativo-financeiro do IDIS; Agatha Pires e Vitória Vivian, analistas do administrativo-financeiro do IDIS; 

A prestação de contas não é apenas uma exigência administrativa. Para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ela integra a estratégia de sustentabilidade institucional, pois fortalece a confiança, qualifica a gestão financeira e amplia as condições de captação de recursos. Quando bem estruturada, permite demonstrar, com clareza, como os recursos foram aplicados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados.

No terceiro setor, eventualmente a prestação de contas costuma ser tratada como uma etapa final do projeto, associada ao envio de relatórios e comprovantes a financiadores. Essa visão, embora comum, é limitada. Na prática, prestar contas bem é uma demonstração concreta de capacidade de gestão, compromisso com a transparência e alinhamento com a missão institucional.

Para OSCs de pequeno e médio porte, esse processo é ainda mais decisivo. Com estruturas enxutas, menor margem para erros e maior sensibilidade reputacional, a qualidade da prestação de contas pode influenciar diretamente a continuidade de parcerias, o acesso a novos apoios e a credibilidade institucional. O desafio, portanto, não é apenas cumprir uma obrigação, mas transformar esse processo em um ativo de gestão e sustentabilidade.

Essa integração entre gestão financeira e execução técnica é essencial para uma prestação de contas consistente. Quando orçamento, despesas e entregas caminham juntos, a organização consegue demonstrar com clareza como os recursos foram aplicados, quais resultados foram alcançados e quais critérios orientaram decisões sobre rubricas, elegibilidade de despesas e rateios entre projetos ou financiadores.

Tal coerência fortalece a confiança, além de contribuir para a captação de recursos. Sendo assim, relatórios consistentes, documentação organizada e evidências de boa governança comunicam capacidade de gestão, aumentam as chances de renovação de apoios e abrem espaço para novas parcerias.

Gestão Financeira no Terceiro Setor: um guia para garantir sustentabilidade e transparência nas organizações sociais

 

Planejamento financeiro orienta uma prestação de contas segura

A prestação de contas começa na elaboração do orçamento, seja ele institucional ou vinculado a projetos. É nesse momento que a organização define categorias de despesas, critérios de uso das rubricas, formas de comprovação, indicadores financeiros e físicos, além da separação de receitas e despesas por projeto ou fonte de recurso. Quando essa estrutura está clara desde o início, a execução se torna mais organizada e a consolidação das informações ocorre com menos retrabalho.

Também é fundamental observar as regras de cada financiador para realocações, remanejamentos ou ajustes orçamentários. Alguns permitem mudanças dentro de determinados limites; outros exigem autorização prévia, justificativas formais ou oferecem pouca margem de flexibilidade. Por isso, manter as despesas aderentes ao orçamento aprovado e registrar eventuais alterações com transparência fortalece tanto a prestação de contas contratual quanto a confiança de conselhos, parceiros e apoiadores.

É importante destacar que a qualidade da prestação de contas depende da capacidade da organização de demonstrar o caminho percorrido por cada recurso: de onde veio, como foi autorizado, em que foi aplicado e qual entrega gerou. Para isso, manter registros contínuos, processos de compra bem documentados e despesas classificadas de forma coerente com o orçamento aprovado são processos importantes para garantir a entrega.

Vale destacar que algumas práticas são especialmente relevantes:

  • Registro contínuo das movimentações
    Lançar despesas apenas no encerramento do projeto aumenta o risco de erro, perda de documentos e inconsistências. O controle deve acompanhar a execução.
  • Fluxo de caixa por projeto ou fonte de recurso
    Separar entradas e saídas por iniciativa, financiador ou centro de custo melhora a rastreabilidade e facilita análises internas e externas.
  • Conciliação bancária periódica
    Fechamentos regulares ajudam a identificar inconsistências antes que se tornem problemas maiores na prestação de contas.
  • Documentação comprobatória organizada
    Notas fiscais, recibos, contratos, comprovantes de pagamento, relatórios de execução e evidências de entrega devem estar acessíveis e classificados de forma padronizada.
  • Processo de compra documentado
    Cotações, justificativas de escolha de fornecedores e critérios de contratação fortalecem a transparência. Em compras recorrentes, contratos guarda-chuva e revisões periódicas de fornecedores podem ampliar a segurança do processo.
  • Rateio de custos compartilhados
    Despesas institucionais, como contabilidade, jurídico, comunicação, equipe e custos fixos, devem seguir critérios claros de rateio, preferencialmente pactuados previamente com o financiador.
  • Preparação para diligências e glosas
    Antes do envio ao financiador, é importante revisar se as despesas estão aderentes às regras pactuadas, se a documentação está completa e se há justificativa suficiente para eventuais questionamentos.

 

Transparência, auditoria e reputação institucional

Em um ambiente cada vez mais orientado por confiança, rastreabilidade e integridade, a transparência deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a representar um ativo estratégico para as OSCs. A forma como a organização registra, valida e divulga suas informações financeiras impacta diretamente sua credibilidade perante financiadores, parceiros, conselhos e sociedade.

Nesse contexto, mecanismos de controle e verificação independente ganham relevância. Auditorias externas, revisões contábeis independentes e processos estruturados de governança contribuem para aumentar a segurança das informações, fortalecer a conformidade e reduzir riscos operacionais e reputacionais. Mais do que identificar inconsistências, esses instrumentos ajudam a consolidar uma cultura de responsabilidade, transparência e melhoria contínua.

Para organizações que dependem da confiança pública e da mobilização de recursos, a reputação institucional é um patrimônio estratégico. Fragilidades em processos financeiros, inconsistências documentais ou falhas na prestação de contas podem comprometer a capacidade de captação, a manutenção de parcerias e a legitimidade institucional. No terceiro setor, esses impactos raramente permanecem restritos a uma única organização: em um contexto em que a cultura de doação e o Investimento Social Privado (ISP) ainda enfrenta desafios de consolidação no Brasil, episódios de baixa transparência ou fragilidade de governança podem afetar a confiança no setor como um todo, ampliando a cautela de financiadores, investidores sociais e doadores, inclusive em relação a organizações sérias e estruturadas.

A gestão de projetos e a prestação de contas devem ser encaradas como processos integrados e estratégicos. Mais do que cumprir exigências, trata-se de demonstrar, com clareza e consistência, como os recursos confiados à organização foram utilizados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados. Quando bem estruturada, essa prática reduz riscos, fortalece a credibilidade institucional e amplia as possibilidades de renovação de apoios e captação de novos recursos.

Evoluir nesse processo não exige, necessariamente, grandes investimentos. O mais importante é construir rotinas simples, replicáveis e sustentáveis: estruturar o orçamento com foco em acompanhamento, organizar documentos desde o início dos projetos, criar fechamentos mensais, alinhar áreas técnica e financeira, padronizar relatórios e capacitar a equipe. Em um ambiente mais exigente, prestar contas bem deixa de ser apenas uma obrigação administrativa e se torna um investimento na sustentabilidade, na legitimidade e na capacidade da OSC de cumprir sua missão.

Organizações que investem em boas práticas de governança e transparência fortalecem não apenas sua própria sustentabilidade, mas também contribuem para a credibilidade e o amadurecimento do ecossistema filantrópico e social como um todo.

Webinar do IA.3 destaca o desenvolvimento institucional como base para fortalecer organizações da sociedade civil

No dia 23 de junho, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social realizou o webinar “Desenvolvimento Institucional para OSCs: desafios e oportunidades”, encontro exclusivo para as organizações selecionadas para a segunda turma do IA.3, Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa realizada com o suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.

Com mediação de Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS, o webinar abordou os principais pilares do desenvolvimento institucional e sua importância para organizações de diferentes portes e áreas de atuação. O encontro também reforçou como o fortalecimento da gestão é um elemento essencial para potencializar o impacto social e preparar as OSCs para incorporar novas tecnologias, como a inteligência artificial, em suas estratégias.

A primeira convidada foi Erika Sanchez Saez, Diretora Executiva do Instituto ACP, que destacou que o desenvolvimento institucional depende de uma decisão estratégica das organizações.

“Desenvolvimento Institucional precisa de intencionalidade, precisa ser prioritário. Você precisa querer trabalhar DI, você precisa dizer para sua equipe que isso é importante, abrir espaço, tempo. Tem que estar no dia a dia da organização”, reforça Erika.

Na sequência, Fernando Nogueira, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, ressaltou a importância de construir uma cultura organizacional baseada no aprendizado permanente.

“É importante celebrar as vitórias grandes e pequenas, mas também é fundamental reconhecer e celebrar os erros. Conversar e aprender sobre eles é um potencial fundamental para a mudança”, para o Fernando, a capacidade de refletir sobre os desafios enfrentados e transformar experiências em aprendizado fortalece as organizações e amplia sua capacidade de adaptação em um cenário de constantes transformações.

Com início previsto para fevereiro de 2027, a nova turma reunirá organizações de diferentes regiões do país em uma jornada de aprendizado voltada à aplicação prática da inteligência artificial em seus desafios cotidianos, sempre aliando tecnologia ao fortalecimento institucional e à geração de impacto social.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.

Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.

Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 30 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Dr. Marcos Kisil: trajetória visionária para a filantropia brasileira

São Paulo, junho de 2026

Em 1999, Dr. Marcos Kisil idealizou e fundou o IDIS, guiado pela convicção central de que a filantropia, quando orientada por propósito, conhecimento, estratégia e compromisso público, pode ser uma força poderosa para reduzir desigualdades, fortalecer a sociedade civil e ampliar as possibilidades de transformação social no Brasil. Naquela época, também participou da criação de organizações como o GIFE e com isso teve papel determinante para o desenvolvimento deste ecossistema que vemos hoje, inspirando pessoas, instituições e lideranças a compreenderem a filantropia como parte essencial do desenvolvimento do país.

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, doutor em Administração pela George Washington University e ex-Diretor Regional para América Latina e Caribe da Fundação W.K. Kellogg, Marcos construiu sua trajetória na intersecção entre desenvolvimento social, gestão, filantropia e cidadania. Sua passagem pela Fundação W.K. Kellogg foi decisiva para consolidar sua compreensão da filantropia como agente de transformação das desigualdades sociais e econômicas. Foi nesse contexto que pôde conhecer e atuar de forma profunda nesse campo, experiência que mais tarde contribuiria para a criação do IDIS.

Ao longo dessa caminhada, Marcos formulou aprendizados que ajudaram a orientar a maturidade da organização que fundou: a busca pela excelência, o amor e a dedicação ao próximo e a fidelidade ao propósito. Essas ideias também expressam a própria marca de sua atuação.

Em 2014, ao deixar a liderança executiva do IDIS, Marcos abriu caminho para que Paula Fabiani assumisse a direção da organização, inaugurando um novo ciclo de continuidade e fortalecimento institucional. Mesmo após essa transição, permaneceu próximo, contribuindo de forma ativa como membro do conselho deliberativo e mantendo vivo o compromisso que inspirou a criação do Instituto.

1º edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Agora, ao encerrar sua atuação como membro do Conselho Deliberativo, Marcos inicia uma nova etapa em sua relação com o IDIS. Seguirá próximo à organização, na governança da instituição, em sua condição de fundador.

Seu legado, no entanto, vai muito além dos cargos que ocupou ou dos ciclos formais de contribuição institucional. Está na visão de futuro que ajudou a semear. Está na defesa de uma filantropia mais estratégica, colaborativa e comprometida com o bem público. Está na aposta em redes, no fortalecimento da cultura de doação, na valorização das parcerias e na crença de que o investimento social privado pode, e deve, contribuir para um Brasil mais justo, solidário e sustentável.

A presença de Marcos permanece também nas pessoas que inspirou, nas lideranças que formou, nos debates que ajudou a qualificar e nas instituições que apoiou ao longo de sua jornada. O IDIS foi uma escola para centenas de pessoas, que hoje atuam em diferentes áreas, mas que levam consigo os aprendizados e influenciam os locais onde estão.

Marcos escreveu que seu mestre, Dr. Mario Chaves, lhe ensinou que “o passado é o prólogo do futuro”. Em sua trajetória, essa frase ganha sentido concreto: o passado que Marcos ajudou a construir segue servindo de base para os futuros que o campo da filantropia brasileira ainda pode desenhar – mais criativos, mais inovadores, mais influentes e mais comprometidos com a transformação social.

E essa contribuição continua. Marcos segue ativo no setor, dedicando-se de forma significativa ao debate sobre o papel da filantropia no fortalecimento da ciência e ampliando, mais uma vez, as fronteiras de sua atuação.

Dr. Marcos durante I Seminário Internacional ‘Ciência encontra Filantropia’

Ao Dr. Marcos Kisil, nosso reconhecimento e nossa gratidão.

Seguimos em frente, carregando em nossa essência, a visão de quem acreditou em tudo o que a filantropia pode ser.

Equipe IDIS

Paula Fabiani representa o IDIS em encontro global da CAF na Bulgária

Paula Fabiani, CEO do IDIS, participou do encontro global da CAF International Network, realizado em Sofia, Bulgária. O evento reuniu representantes de organizações de diferentes países para discutir formas de fortalecer a filantropia e a cultura de doação em todo o mundo.

O IDIS integra a CAF International Network desde 2005, atuando como representante da Charities Aid Foundation no Brasil. A rede reúne organizações independentes que atuam localmente em diferentes países, conectadas por um propósito comum: promover a generosidade e ampliar o impacto da filantropia.

O programa também celebrou os 30 anos da BCause Foundation, organização búlgara que integra a rede, e marcou o lançamento do World Giving Report 2026, publicação da CAF que apresenta dados sobre generosidade em 105 países. O relatório mostra que 59% da população brasileira realizou algum tipo de doação, e que os respondentes destinaram 0,9% de sua renda a essas contribuições.

Baixe a publicação completa (disponível apenas em inglês):

Captcha obrigatório

“As trocas promovidas pela rede global da CAF são essenciais para compreender os desafios da filantropia em diferentes contextos e identificar caminhos compartilhados para ampliar a generosidade. Os dados do World Giving Report mostram que ainda há um espaço significativo para fortalecer a cultura de doação no Brasil, e isso exige confiança, colaboração e ação coletiva”, afirma Paula Fabiani.

A participação do IDIS no encontro reforça seu compromisso com a produção de conhecimento, a cooperação internacional e o fortalecimento de um ambiente mais favorável ao investimento social privado e à filantropia no Brasil.

Ranking internacional reconhece novamente o IDIS como líder em consultoria para impacto social no Brasil

A entidade francesa Leaders League, especializada na elaboração de rankings e pesquisas de mercado, divulgou seu ranking de 2026 das principais consultorias brasileiras em responsabilidade social.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social foi novamente reconhecido como líder no ranking, conquistando o 1º lugar entre as melhores consultorias de impacto social do Brasil. O reconhecimento reforça o compromisso do IDIS em apoiar investidores sociais engajados na geração de impacto social positivo no país.

Em seu trabalho de consultoria, o IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas, institutos, fundações e organizações da sociedade civil que desejam iniciar ou fortalecer suas práticas de investimento social. A atuação é personalizada e participativa, apoiando clientes em áreas como planejamento estratégico e governança; agenda ESG; estruturação de fundos patrimoniais e estratégias de sustentabilidade financeira de longo prazo; desenho e implementação de projetos e fortalecimento institucional; desenvolvimento de editais e gestão de portfólios; além de monitoramento e avaliação.

 

“Ser reconhecido mais uma vez pela Leaders League reflete a consistência e a qualidade do trabalho desenvolvido pelo IDIS junto a investidores sociais em todo o Brasil. Nossa atuação em consultoria é guiada pelo rigor técnico, pela colaboração e por uma compreensão profunda do contexto de cada cliente, sempre com o objetivo de fortalecer estratégias capazes de gerar impacto social duradouro”, afirma Marcos Alexandre Manoel, Diretor de Projetos do IDIS.

 

 

O ranking da Leaders League é elaborado a partir de um processo de pesquisa que envolve coleta e análise de dados, combinando diferentes fontes de informação e critérios de avaliação. Na edição de 2026, o IDIS figura na categoria “Leader”, ao lado de outras organizações reconhecidas por sua atuação em responsabilidade social corporativa e consultoria para impacto social.

Conheça a agenda e inscreva-se para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

A 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais acontece no dia 27 de agosto, quinta-feira, e, para este ano, traz como tema central do evento a filantropia ‘Entre a Essência e a Reinvenção’. 

Assim como nas últimas edições, o evento acontecerá em formato híbrido. Presencial exclusivamente para convidados na Casa Melhoramentos, em São Paulo, e com transmissão ao vivo gratuita via YouTube ao longo do dia todo. 

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 vamos explorar a tensão dinâmica entre permanência e transformação na filantropia. Em um contexto de aceleradas mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, os atores filantrópicos são desafiados a repensar seu modo de estar no mundo.

‘Entre a Essência e a Reinvenção’ posiciona a filantropia em um ponto de inflexão. De um lado está sua essência: compromisso ético, visão de longo prazo, autonomia, capacidade de assumir riscos e atuação voltada à transformação estrutural. De outro lado está a reinvenção: disrupção digital, novos mecanismos financeiros, governança participativa, abordagens decoloniais, ecossistemas colaborativos e estratégias adaptativas diante de crises sistêmicas. Neste contexto, o que deve permanecer inegociável e o que precisa evoluir para que a filantropia continue relevante e eficaz?

AS INSCRIÇÕES PARA A TRANSMISSÃO ONLINE JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS CLICANDO AQUI

 

Palestrantes já confirmados 


Confira a programação completa no site. Entre os palestrantes confirmados estão: Belisa Maggi (FALM e Signativo), Conceição Evaristo (Escrevivência), Michael França (Insper), Ricardo Bucio (Cemefi – México), Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Emelu), Valcleia dos Santos (FAS) e mais.

 

Realização e Apoio 

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RDsaúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Brasil.

 

 

Sobre o evento

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira! 

IDIS compartilha experiência brasileira em filantropia comunitária na Argentina

Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e especialista em filantropia comunitária, esteve na Argentina a convite do Laboratorio Público Privado, iniciativa do Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e da RIL Argentina – Red de Innovación Local. Ao longo de três dias, Felipe contribuiu com o programa de fomento e aceleração de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) no país, compartilhando aprendizados acumulados pelo IDIS por meio do Programa Transformando Territórios.

Criado pelo IDIS, em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation, o Transformando Territórios tem como objetivo fomentar a criação e o fortalecimento de Fundações e Institutos Comunitários no Brasil, promovendo o engajamento de doadores, organizações da sociedade civil e lideranças locais, além de oferecer conhecimento e apoio técnico. Atualmente, o programa reúne FICs de diferentes regiões brasileiras e tem contribuído para ampliar o debate sobre a filantropia comunitária no país.

“Foi uma honra compartilhar a experiência brasileira com lideranças argentinas interessadas em criar e fortalecer suas próprias fundações comunitárias. Ao longo de quase seis anos, o Transformando Territórios acumulou aprendizados importantes sobre mobilização local, governança, escuta dos territórios e fortalecimento de organizações comunitárias. Ver essa trajetória inspirando iniciativas em outros países da América Latina é motivo de grande alegria para o IDIS”, afirma Felipe Groba.

A agenda teve início com um alinhamento estratégico entre as equipes do Laboratorio Público Privado e do GDFE, dedicado à troca de experiências sobre a construção e a maturidade do Programa Transformando Territórios no Brasil. Na sequência, Felipe participou de um jantar de recepção com lideranças de cinco regiões argentinas interessadas em desenvolver suas próprias FICs.

No segundo dia, o gerente de projetos do IDIS conduziu um workshop de dia inteiro com essas lideranças, reunindo representantes de províncias, cidades e bairros. A atividade abordou desafios e oportunidades do modelo de FICs no Brasil, além de exemplos práticos de organizações que já atuam como mobilizadoras, articuladoras e apoiadoras de iniciativas locais em seus territórios.

Para encerrar a programação, Felipe realizou uma palestra para mais de 30 associados do GDFE e convidados, no escritório da Cervecería y Maltería Quilmes. Na apresentação, reforçou o papel das Fundações e Institutos Comunitários como infraestruturas fundamentais para impulsionar a filantropia local e fortalecer organizações da sociedade civil.

“O que vimos na Argentina reforça que Brasil e Argentina compartilham desafios e oportunidades. A filantropia comunitária pode ser uma ponte sólida para o desenvolvimento sustentável dos territórios na América Latina, porque aproxima recursos, lideranças e comunidades em torno de agendas construídas localmente”, afirma.

A participação do IDIS na agenda fortalece a troca regional de conhecimentos e evidencia o potencial da cooperação latino-americana para impulsionar modelos de desenvolvimento mais participativos, sustentáveis e conectados às realidades locais.

 

IDIS participa de conferência global de think tanks no Marrocos

Entre os dias 19 e 21 de maio, Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS, representou a organização na 10ª edição da On Think Tanks Conference, realizada em Rabat, no Marrocos. O encontro reuniu lideranças, pesquisadores e profissionais de políticas públicas de diferentes países em torno do tema “Think tanks and trust” – ou “Think tanks e confiança”.

A participação do IDIS aconteceu a convite do WINGS, rede global dedicada ao fortalecimento da filantropia e dos ecossistemas de apoio ao investimento social. Durante a conferência, Guilherme apresentou a atuação do IDIS na agenda dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, com destaque para o papel da organização na Coalizão pelos Fundos Filantrópicos e sua contribuição para a aprovação da Lei 13.800/19, marco regulatório brasileiro que dispõe sobre a constituição de fundos patrimoniais com o objetivo de arrecadar, gerir e destinar doações privadas a causas e instituições de interesse público.

“Foi uma oportunidade muito importante para compartilhar a experiência brasileira e mostrar como a construção de um ambiente favorável à filantropia exige articulação, persistência e confiança entre diferentes atores. A aprovação da Lei 13.800/19 é resultado desse trabalho coletivo e demonstra a força das coalizões para avançar em agendas estruturantes”, afirma Guilherme Sylos.

A sessão também contou com a participação de Joyjayanti Chatterjee, que apresentou o “Playbook of Best Practices on the Enabling Environment for Philanthropy”, iniciativa que reúne estudos de caso globais sobre ambientes regulatórios e políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento da filantropia. Evans Okinyi, da East Africa Philanthropy Network, do Quênia, também compartilhou aprendizados sobre reformas regulatórias no campo filantrópico, ressaltando a importância de coalizões, paciência e confiança construída ao longo do tempo.

Além da agenda sobre filantropia, Guilherme acompanhou debates sobre o uso da inteligência artificial por think tanks em diferentes regiões do mundo. Para ele, embora a IA tenha se tornado uma ferramenta cada vez mais presente, o diferencial dessas organizações segue sendo humano. “O uso da IA é iminente, mas o valor real dos think tanks está no conhecimento que surge quando pessoas com interesses reais enfrentam problemas difíceis juntas”, destaca.

Outro ponto de reflexão foi a situação enfrentada por organizações da sociedade civil em diferentes países do Sul Global. Nas conversas com representantes internacionais, Guilherme observou relatos de perseguição e restrição ao trabalho dessas organizações, em contextos que vão além dos desafios fiscais e regulatórios conhecidos no Brasil. “Essas trocas nos ajudam a colocar a nossa realidade em perspectiva e reforçam a importância de proteger e fortalecer o espaço cívico”, avalia.

A presença do IDIS na conferência reforça seu compromisso com o fortalecimento da filantropia, da sociedade civil e da produção de conhecimento orientada ao impacto, em diálogo com redes nacionais e internacionais.

O que é sustentabilidade e por que ela importa para empresas

Sustentabilidade é a capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das próximas gerações. No contexto empresarial, o conceito envolve decisões que equilibram responsabilidade ambiental, impacto social positivo, viabilidade econômica e boas práticas de governança.

Essa definição ganhou força global em 1987, com o relatório Nosso Futuro Comum, conhecido como Relatório Brundtland, elaborado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde então, o conceito passou a orientar governos, empresas e organizações da sociedade civil na busca por um modelo de desenvolvimento mais responsável, duradouro e atento aos impactos das escolhas feitas hoje.

O termo é frequentemente entendido de forma reduzida, mas, na prática, sustentabilidade não significa apenas ‘cuidar do meio ambiente’. Esse é um componente essencial, mas não o único. Uma sociedade sustentável também precisa reduzir desigualdades, respeitar direitos, fortalecer instituições, gerar trabalho digno e criar condições para que pessoas, comunidades e territórios possam prosperar no longo prazo.

Neste texto, você vai se aprofundar no conceito de sustentabilidade e entender a importância de empresas aderirem a essa prática. Vamos lá?

 

A evolução do conceito e suas três dimensões

Durante muito tempo, sustentabilidade foi associada principalmente a atitudes ambientais, como reciclar, economizar água ou reduzir o consumo de energia. Essas práticas continuam importantes, mas o debate avançou e passou a abranger também os impactos sociais e econômicos das escolhas feitas por governos, empresas e sociedade.

A partir dos anos 1980, consolidou-se a noção de desenvolvimento sustentável como resposta a um desafio global – o crescimento econômico não poderia seguir ignorando os limites ambientais e as desigualdades sociais. Mais tarde, em 2015, a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou essa visão ao estabelecer 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conectando temas como erradicação da pobreza, educação, saúde, igualdade de gênero, clima, consumo responsável, trabalho decente e parcerias.

Especificamente no ambiente empresarial, essa evolução também foi significativa. Sustentabilidade deixou de ser vista apenas como uma agenda de responsabilidade social ou de gestão ambiental e, hoje, está diretamente relacionada à estratégia do negócio, à governança, à gestão de riscos, à relação com stakeholders (ou partes interessadas) e à capacidade de gerar valor para a sociedade.

Uma forma simples de compreender essa abordagem mais ampla é observar três dimensões interdependentes:

  • Sustentabilidade ambiental trata do uso responsável dos recursos naturais, da proteção da biodiversidade, da redução de emissões e da gestão de resíduos, água e energia.
  • Sustentabilidade social envolve direitos humanos, equidade, diversidade, inclusão, saúde, educação, segurança e qualidade de vida para as pessoas impactadas por uma atividade econômica.
  • Sustentabilidade econômica diz respeito à capacidade de gerar valor de forma duradoura, com eficiência, inovação, transparência e responsabilidade na relação com trabalhadores, consumidores, fornecedores, investidores e comunidades.

Essas dimensões não funcionam separadamente. Uma empresa pode ser eficiente do ponto de vista financeiro, mas, se degrada o ambiente ou aprofunda desigualdades, cria riscos para sua própria continuidade. Da mesma forma, uma iniciativa social ou ambiental precisa de planejamento, recursos e governança para se manter ao longo do tempo.

 

Sustentabilidade nas empresas: da intenção ao compromisso

Incorporar a sustentabilidade no cotidiano envolve também reconhecer que os desafios socioambientais não serão resolvidos por um único setor. Governos, empresas, sociedade civil e cidadãos têm responsabilidades complementares. A Pesquisa Doação Brasil 2024, coordenada pelo IDIS e realizada pela Ipsos, mostra que 93% dos brasileiros consideram as empresas responsáveis pela solução dos problemas sociais e ambientais do país. Em 2022, eram 92%; em 2020, 82%; e, em 2015, 34%.

Esse dado revela uma mudança importante de expectativa social. Consumidores, trabalhadores, investidores e comunidades esperam que empresas não apenas reduzam danos, mas também contribuam ativamente para soluções.

Para empresas, assumir compromissos sustentáveis, na prática, significa transformar valores em ações consistentes. Isso inclui definir metas, monitorar resultados, prestar contas e tomar decisões considerando os efeitos das três dimensões – econômicos, sociais e ambientais – da atividade empresarial.

Uma empresa comprometida com a sustentabilidade pode atuar em várias frentes, e alguns exemplos contemplam a redução de impactos ambientais, promoção da diversidade e inclusão, garantia de relações de trabalho justas, fortalecimento de cadeias de fornecedores responsáveis, respeito a comunidades locais, aprimoramento da governança e investimento em inovação.

Um desses caminhos é justamente a doação. Quando organizações empresariais apoiam causas socioambientais de forma planejada, elas fortalecem respostas coletivas para problemas complexos, como desigualdade, insegurança alimentar, crise climática, acesso à educação, saúde e proteção de direitos. Nesse contexto, as doações empresariais têm um papel estratégico. Ao destinar recursos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), fundos comunitários, movimentos e iniciativas de interesse público, empresas ajudam a ampliar a capacidade de atuação de quem está próximo dos territórios e das populações mais afetadas pelos desafios sociais e ambientais.

A Pesquisa Doação Brasil 2024 também aponta que 78% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação em 2024 e que o volume estimado de doações individuais chegou a R$ 24,3 bilhões, valor recorde na série histórica do estudo. Embora a pesquisa trate de doações individuais, seus dados ajudam a compreender a força da cultura de doação e o potencial de ampliar práticas mais estruturadas e recorrentes.

No campo corporativo, os dados mais recentes do BISC reforçam esse movimento de fortalecimento da cultura de investimento social no país. Em 2024, o volume de Investimento Social Corporativo (ISC) das organizações acompanhadas pelo benchmark alcançou R$ 6,2 bilhões, registrando uma forte elevação em relação ao ano anterior e o segundo maior valor da série histórica. O dado evidencia que empresas têm ampliado sua atuação social de forma mais estratégica e estruturada, reconhecendo o investimento social privado como parte relevante de sua agenda ESG e de seu compromisso com o desenvolvimento sustentável.

A filantropia estratégica é uma forma de conectar recursos privados a causas públicas com planejamento, governança e foco em impacto. Diferentemente de ações pontuais ou reativas, ela parte de uma compreensão mais ampla dos problemas, define prioridades, acompanha resultados e busca fortalecer soluções de longo prazo.

Para empresas, isso significa alinhar o investimento social privado à estratégia de sustentabilidade e à agenda ESG (ambiental, social e de governança).

O que é ESG e como ele se relaciona com o Investimento Social Privado?

 

Por que empresas devem assumir compromissos sustentáveis?

São diversos os motivos para essa pergunta. De bate pronto, alguns deles são que os compromissos sustentáveis ajudam empresas a enfrentar riscos, construir confiança e gerar valor de longo prazo. Eles fortalecem a reputação, qualificam a relação com comunidades, atraem talentos, dialogam com investidores e contribuem para a perenidade do negócio.

Mas há uma razão ainda mais profunda: empresas fazem parte da sociedade. Elas dependem de territórios saudáveis, instituições sólidas, pessoas qualificadas, cadeias produtivas resilientes e consumidores com condições de vida dignas. Contribuir para a sustentabilidade é, portanto, uma forma de proteger o futuro comum.

Esse compromisso pode começar com mudanças internas, como metas ambientais, políticas de diversidade, práticas éticas e melhoria da governança. Também pode se ampliar por meio de apoio contínuo a causas públicas. Um exemplo é o Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL que convida empresas a destinarem pelo menos 1% do lucro líquido anual a organizações da sociedade civil e causas de interesse público.

Para as empresas, o caminho da sustentabilidade exige olhar para dentro, revisando práticas, metas e formas de gestão, e também para fora, fortalecendo parcerias, apoiando causas públicas e contribuindo para soluções coletivas. Ao integrar sustentabilidade, investimento social privado e filantropia estratégica, empresas podem ampliar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecer sua própria capacidade de gerar valor no longo prazo.

Instituto Chamex anuncia contemplados da 6º Edital Educação com Cidadania

Confira os projetos contemplados na 6ª edição do Edital Educação com Cidadania, iniciativa do Instituto Chamex que apoia organizações da sociedade civil comprometidas com a promoção da educação, da cidadania ativa e do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. 

Nesta edição, foram selecionadas iniciativas que atuam em áreas como educação ambiental, letramento, reforço escolar, formação cultural, inclusão digital e desenvolvimento comunitário, ampliando oportunidades para centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

 

 

Projeto: Olho D’agua 

Associação Crescer no Campo (Espírito Santo do Pinhal, SP) 

Criada em 2003, surgiu com a missão de dar oportunidade a crianças e adolescentes moradoras da zona rural de se tornarem cidadãos socialmente responsáveis e solidários. O projeto Olho D’Água estimula o reconhecimento de valores e conceitos do mundo natural dos jovens e crianças, desenvolvendo habilidades e competências necessárias à modificação de atitudes em relação ao meio ambiente. A intenção é que através de pesquisas, coletas de informações e amostras, experimentos, caminhadas de observação da fauna e da flora, atividades na horta e viveiro compreendam as interações do homem com os diferentes meios. Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Ler e Significar para Atuar no Mundo!​ 

Instituto Mutá (Valença, BA) 

 O Instituto Mutá faz parte de uma coalizão de organizações sociais ligadas ao CADI Brasil, sendo fortemente engajados na promoção e apoio dos direitos das crianças e adolescentes em Valença e região. O projeto aprovado em edital promoverá ações de letramento e alfabetização integradas a oficinas de música e atividades criativas, incluindo leitura, produção textual, expressão artística e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e a cidadania ativa dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: VivArte​ 

Quebrada Cultural (Juazeiro do Norte, CE)

A Quebrada Cultural é um espaço multi-artístico produzido pela comunidade do Triângulo, sendo uma casa de arte e experimentos onde acontecem eventos artísticos e culturais para a comunidade de Juazeiro do Norte. Selecionado como o projeto focado em economia criativa, o VivArte é um projeto de formação cultural que oferece oficinas presenciais de teatro, artes visuais, música, dança, literatura e circo para crianças e adolescentes. Por meio das linguagens artísticas, os participantes desenvolvem expressão, autonomia e senso crítico, reconhecendo a arte como ferramenta de cidadania e transformação social. Ao longo de seis meses, vivenciam dois ciclos de oficinas conduzidos por artistas-educadores, culminando em uma mostra e feira cultural aberta à comunidade na qual haverá um sarau e venda dos produtos produzidos pelos adolescentes com os ganhos sendo revertidos para os próprios beneficiários do projeto.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Nosso papel é imprimir o bem através da educação​ 

PreparArte (Rolim de Moura, Rondônia) 

 A Prepararte, criada em 2006, surgiu da visão da arte como instrumento para preparar pessoas, fortalecendo seus vínculos e habilidades sociais e ajudando na elaboração de um projeto de vida. Atualmente, a instituição está em fase de expansão e construção de uma sede própria ampliada, com o objetivo de garantir a continuidade da oferta gratuita de seus cursos. O novo espaço contará com uma biblioteca e dois laboratórios de informática, havendo necessidade de apoio para equipar esses ambientes com móveis e computadores. A iniciativa visa viabilizar a inauguração da sede e ampliar o número de alunos atendidos gratuitamente.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo​ 

Associação Crescer com Viver (Guarapari, ES) 

A Associação Crescer com Viver foi criada com o objetivo de ampliar oportunidades através de atividades socioeducativas, culturais e esportivas para jovens, crianças e famílias, com o objetivo final de promover a transformação social. O projeto “Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo” oferecerá reforço escolar em português e matemática, apoio às atividades escolares e oficinas criativas de pintura, leitura e expressão artística, com jovens em situação de vulnerabilidade social de 7 a 14 anos organizados por faixa etária. O objetivo é promover aprendizagem, desenvolvimento socioemocional, fortalecimento do vínculo com a escola e a comunidade, além de contribuir para a autoestima e permanência escolar dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: OCA – Oficinas Culturais e Artísticas​ 

Força Flor Desenvolvimento Humano e Defesa Cultural 

Força Flor possui sede própria na comunidade rural de São Pedro, e tem como objetivo a transformação social através da garantia de direitos da criança e do adolescente, da educação profissional e promoção de oportunidades de trabalho e da sustentabilidade. O projeto “OCA – Oficinas Culturais e Artísticas” será executado na sede da Força Flor em parceria com as escola municipais, com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social de 6 a 17 anos. Serão desenvolvidas oficinas semanais presenciais no contraturno escolar, de artes visuais, dança, artesanato, permacultura, informática e reforço escolar. O projeto prevê acompanhamento pedagógico, promoção da inclusão social,  desenvolvimento de habilidades, fortalecimento de vínculos e apresentação cultural de encerramento.​ Para mais informações, clique aqui. 

Ranking global de solidariedade revela fatores que impulsionam doações em diferentes países

O World Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, apresenta um indicador que mede a generosidade dos países com base na proporção da renda destinada a doações. Segundo o relatório, o senso de pertencimento comunitário e a confiança nas organizações estão entre os fatores mais associados a maiores níveis de doação.

A pesquisa ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países para compreender como indivíduos apoiam causas de interesse público ao redor do mundo e quais fatores influenciam suas decisões de doar.

 

Baixe a publicação (disponível apenas em inglês):

 

No Brasil, os resultados indicam um cenário de estabilidade, acompanhado por mudanças importantes nas motivações para a doação. O percentual de pessoas que realizaram algum tipo de doação em 2025 caiu de 62% para 59%. Apesar disso, a doação para organizações da sociedade civil manteve-se estável no país, com 28% das pessoas fazendo alguma doação em dinheiro para ONGS e 19% doando tempo na forma de voluntariado.

Segundo o levantamento, 61% da população mundial realizou algum tipo de doação ao longo do último ano, seja para organizações da sociedade civil, diretamente para pessoas em situação de vulnerabilidade ou por motivos religiosos. Em média, os entrevistados destinaram 1% de sua renda a essas contribuições. No Brasil, a média foi de 0,9% da renda.

O estudo mostra diferenças relevantes entre regiões. Na África, a média de doações corresponde a 1,6% da renda, enquanto na Europa esse percentual é de 0,6%. A Nigéria lidera o ranking global, com cidadãos destinando, em média, 2,8% de sua renda para organizações beneficentes, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em necessidade.

A pesquisa também aponta que adultos entre 25 e 44 anos destinam proporcionalmente uma parcela maior de sua renda a doações do que pessoas com mais de 55 anos. Entre as causas apoiadas, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar, recebendo contribuições de 31% dos entrevistados. Em seguida estão ações voltadas para crianças e jovens e para o enfrentamento da pobreza, ambas apoiadas por 29% dos respondentes.

 

Comunidade e confiança fortalecem a cultura de doação

Um dos principais achados do relatório é a relação entre o sentimento de pertencimento comunitário e os níveis de doação. Nos países onde mais de 80% da população afirma sentir forte conexão com sua comunidade local, a média de doações chega a 1,7% da renda. Já nos países onde menos da metade da população compartilha esse sentimento, a média cai para 0,6%.

Os resultados brasileiros dialogam diretamente com essa conclusão. Entre os motivos para doar, cresceu a parcela de pessoas que afirmam contribuir para apoiar suas comunidades locais, passando de 25% para 32%. Também aumentou o percentual daqueles que entendem a doação como um dever coletivo, que passou de 39% para 48%, índice muito acima da média global (36%) e da média sul-americana (17%).

O estudo também identificou que as pessoas tendem a apoiar principalmente organizações que atuam em suas comunidades (56%) ou em âmbito nacional (55%), em comparação com organizações que desenvolvem atividades em vários países (22%).

Além disso, fatores como transparência e clareza sobre o impacto das doações aparecem entre os principais elementos que poderiam estimular uma maior participação da população. Globalmente, 63% dos entrevistados afirmam que mais transparência sobre a gestão das organizações aumentaria sua disposição para doar e 47% gostariam de compreender melhor os resultados alcançados pelas iniciativas apoiadas. No Brasil, foi interessante ver que 27% dos doadores foram influenciados a doar pela cobertura feita pela mídia, demonstrando a força desta instituição para impulsionar a generosidade.

“Esses movimentos apontam para um doador mais consciente, que entende seu papel na construção de soluções coletivas, e por isso também mais exigente. Transparência quanto ao uso dos recursos e clareza sobre o impacto gerado surgem como condições essenciais para o aumento das doações. O fortalecimento da confiança será decisivo para transformar a intenção em ação e consolidar uma cultura de doação mais robusta no Brasil.” afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Encontro promovido pelo IDIS reúne filantropos em diálogos sobre propósito e transformação social

O IDIS realizou a primeira edição do ‘Em conversa com…’, iniciativa criada para promover diálogos mais próximos, profundos e inspiradores entre filantropos e filantropas brasileiros. O encontro reuniu lideranças do campo da filantropia em um ambiente de troca, escuta e aprendizado mútuo.

Nesta primeira edição, o evento contou com a participação de Claudio Haddad, fundador do Insper, e Ticiana Rolim Queiroz, fundadora da Somos Um, que compartilharam reflexões sobre suas trajetórias, propósitos e experiências na promoção de transformações sociais no Brasil.

Ao longo de seus 27 anos de atuação, o IDIS tem trabalhado pelo fortalecimento da filantropia e do investimento social privado no país. Nesse contexto, a filantropia familiar ocupa papel estratégico, especialmente por seu potencial de promover transformações estruturantes e de longo prazo.

Nos últimos anos, o IDIS aprofundou a atuação nesse campo por meio de pesquisas, workshops e da publicação ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar brasileira’. Durante esse processo, surgiu de forma recorrente a percepção da importância de ampliar espaços seguros de troca entre pares, ambientes pautados pela confiança, escuta qualificada e compartilhamento de experiências.

 

Baixe a publicação completa:

Captcha obrigatório

Foi a partir dessa escuta que nasceu o “Em conversa com…”, com o propósito de fortalecer conexões humanas, ampliar repertórios e criar oportunidades para conversas que dificilmente acontecem nos fóruns tradicionais.

“O fortalecimento da filantropia também passa pela construção de vínculos e pela criação de espaços que estimulem trocas genuínas entre pessoas que compartilham o desejo de gerar impacto positivo na sociedade”, afima Paula Fabiani, CEO do IDIS.

A iniciativa contou ainda com o apoio da Fundação Bradesco, Movimento Bem Maior, Levisky Legado e UNICEF.

CNBB aprova criação de fundo patrimonial para preservar o patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil, com apoio do IDIS

Iniciativa segue a Lei dos Fundos Patrimoniais e pretende captar doações privadas para restaurar e manter bens sacros em todo o país

A Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou, em abril, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. A iniciativa, desenvolvida por meio da Assessoria de Bens Culturais da Comissão Episcopal para Cultura e Educação da CNBB e com o apoio técnico do IDIS, tem como objetivo captar doações privadas para restaurar, conservar e garantir a sustentabilidade financeira da gestão de bens culturais religiosos sob responsabilidade da Igreja, criando uma fonte permanente de financiamento para sua preservação.

O patrimônio cultural católico representa mais de 32% dos bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reunindo igrejas, obras de arte, arquivos históricos e espaços que integram a memória e a identidade brasileira. Apesar dessa relevância histórica e social, ao menos 99 igrejas e edificações religiosas apresentam hoje sérios problemas de conservação, segundo relatório de Bens Materiais do IPHAN divulgado em fevereiro de 2025.

O fundo patrimonial surge como um instrumento para assegurar estabilidade financeira no longo prazo, ampliar a independência institucional, fortalecer a governança e profissionalizar a gestão do patrimônio cultural eclesiástico. O mecanismo é constituído por doações de pessoas físicas e jurídicas cujos recursos são investidos no mercado financeiro por gestores profissionais, sendo utilizados apenas os rendimentos para financiar projetos, garantindo a perenidade das causas apoiadas.

“Vivemos um momento histórico ao aprovar um fundo patrimonial dedicado ao patrimônio cultural brasileiro sob gestão da Igreja Católica. Trata-se de um avanço significativo na forma como asseguramos a conservação desses bens, com um modelo inovador, sustentável, transparente e perene”, comenta Andrea Hanai, gerente de projetos e consultora no IDIS.

O modelo vem ganhando escala no país. O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil, produzido pelo IDIS de 2026, identificou 128 fundos patrimoniais ativos, que somam patrimônio superior a R$137,5 bilhões. A proposta é criar uma fonte contínua de financiamento complementar aos recursos já existentes, permitindo que dioceses, paróquias, congregações religiosas e instituições culturais ligadas à Igreja ampliem sua capacidade de gestão, conservação e restauração patrimonial.

Seguindo os parâmetros da Lei nº 13.800/2019, o fundo poderá apoiar a CNBB e seus 19 regionais, arquidioceses, dioceses, paróquias, ordens religiosas e equipamentos culturais eclesiásticos que possuam CNPJ próprio e atuação comprovada na gestão de patrimônio cultural. A iniciativa já conta com o apoio de um grupo de trabalho formado pelas Pontifícias Universidades Católicas de todo o país, IPHAN, Ministério Público e representantes da sociedade civil. O Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil prestará suporte às instituições elegíveis na elaboração de projetos, qualificação da gestão e captação de recursos. O objetivo é garantir que igrejas e bens religiosos continuem sendo espaços vivos de fé, cultura e acesso público em todo o Brasil.

 

Sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

O IDIS é uma organização da sociedade civil independente fundada em 1999 e pioneira em suporte técnico a investidores sociais no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e promover a filantropia estratégica e seu impacto, o IDIS atende indivíduos, famílias, empresas e institutos e fundações familiares, bem como organizações da sociedade civil, em ações que transformam realidades e contribuem para a redução da desigualdade social no país. Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Vaga para Analista de Projetos Sênior – Gestão da Doação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em projetos com foco em gestão da doação .

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Analista de Projetos Sênior que apoie na Gestão da Doação, uma das áreas de Consultoria do IDIS.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

 

  • Apoiar a condução e desenvolvimento de projetos do IDIS, com autonomia, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e benchmarking que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos.
  • Organizar, ler e analisar documentos e elaborar relatórios e apresentações sistematizados sobre os aprendizados e conclusões obtidos.
  • Facilitar a revisão de contratos, com apoio de parceiro jurídico, conciliando demandas das partes na busca pelas versões finais para assinatura.
  • Apoiar na coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos, consolidando as informações em relatórios gerenciais.
  • Apoiar na elaboração de propostas de projetos para potenciais clientes e parceiros, bem como na estratégia de prospecção da área.
  • Participar de reuniões semanais da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.
  • Conduzir reuniões semanais com clientes para acompanhamento gerencial do andamento dos projetos.
  • Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.

requisitos

  • Autonomia e capacidade de gestão de projetos e acompanhamento de múltiplas ações simultâneas.
  • Capacidade de relacionamento com clientes e projetos de impacto.
  • Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.
  • Metodologias para elaboração de análise diagnóstica, planejamento estratégico e plano de ação.
  • Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.
  • Familiaridade com contratos e termos de doação (desejável).
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões.
  • Conhecimentos intermediários de inglês na linguagem oral e escrita.

BENEFÍCIOS

  • Vale-Transporte
  • Assistência Médica e Odontológica
  • Vale-Alimentação/Refeição
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

 

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 09 de Junho

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.