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El Niño 2026: impactos e preparação para atores do campo social

O El Niño previsto para 2026 reforça a importância de investir em prevenção, adaptação e resiliência. Para institutos, fundações, investidores sociais e Organizações da Sociedade Civil (OSCs), agir antes dos eventos extremos é parte da proteção das comunidades, da gestão das organizações e dos resultados das iniciativas.

 

Por Yasmim Araujo Lopes, Analista de projetos no IDIS

O El Niño previsto para 2026 já mobiliza atenção de instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo. Em julho, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicou alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo do ano e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. No Brasil, instituições de referência em clima e meteorologia alertam para possíveis eventos extremos associados ao El Niño, reforçando a importância de planejamento e prevenção.

Para investidores sociais e organizações sociais, esse cenário precisa ser observado com antecedência. A crise climática pode afetar diferentes agendas sociais, como saúde, educação, renda, segurança alimentar, assistência social, moradia e mobilidade. Mesmo organizações que não atuam diretamente com clima podem enfrentar interrupções, custos extras e aumento da demanda por atendimento. Por isso, acompanhar o cenário climático e seus potenciais impactos é também uma forma de qualificar o planejamento, desenhar iniciativas mais efetivas, adaptar estratégias, proteger a gestão das organizações e apoiar populações em situação de maior vulnerabilidade.

A capacidade de adaptação dos territórios também precisa entrar nessa análise. Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 3.679 municípios brasileiros apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado reforça que a prevenção depende não apenas de prever eventos extremos, mas de fortalecer gestão local, redes comunitárias, articulação com políticas públicas e capacidades de resposta nos territórios.

Nesse contexto, agir com antecedência é também uma forma de promover justiça climática. Para além de responder a eventos extremos, trata-se de investir em prevenção, governança, continuidade de serviços, fortalecimento de capacidades locais, resiliência social e proteção dos resultados construídos por organizações e comunidades.

Essa preparação não precisa esperar a confirmação de um evento extremo. Se já existem sinais de alteração no clima, também já existem decisões que podem ser antecipadas. O caminho é transformar a previsão climática em perguntas concretas de planejamento: o que pode afetar o território, quem pode ser mais impactado, quais atividades precisam ser adaptadas e que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos mais críticos.

 

Da previsão ao planejamento

A Nota Técnica ‘Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais’ propõe um framework de avaliação e gestão de riscos climáticos para apoiar investidores sociais e organizações sociais na identificação de ameaças, análise de riscos e definição de respostas. No contexto do El Niño previsto para 2026, essa abordagem ajuda a transformar informação climática em decisões de planejamento, financiamento e gestão.

Para o campo social, o desafio é antecipar como esses riscos podem afetar territórios, públicos e iniciativas já em curso. Algumas perguntas podem orientar essa reflexão:

  • O que pode mudar no território com o El Niño previsto para 2026?
  • Quais públicos podem ser mais afetados por ondas de calor, falta de água, enchentes, queimadas ou aumento do preço dos alimentos?
  • Quais atividades podem ser interrompidas ou precisar de adaptação?
  • Que serviços, espaços e equipes precisam de plano de contingência?
  • Quais redes locais e políticas públicas precisam estar articuladas antes dos períodos mais críticos?
  • Que recursos devem estar disponíveis para prevenção, continuidade das atividades e recuperação pós-desastre?

Ao trazer essas questões para a gestão de programas, portfólios e parcerias, organizações financiadoras e executoras ampliam sua capacidade de agir antes que os riscos comprometam comunidades, equipes e resultados sociais. Como os efeitos do El Niño podem variar entre regiões, essa capacidade de antecipação depende de olhar para cada território, seus riscos específicos e suas possibilidades de prevenção e adaptação.

 

Efeitos previstos por região e caminhos de preparação

Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país. As previsões indicam tendência de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, aumento de chuvas em grande parte do Sul e possibilidade de condições mais secas em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste durante a primavera. Também há tendência de aumento das temperaturas em grande parte do Brasil. Essa leitura regional ajuda a aproximar a previsão climática das decisões do campo social.

Norte e Amazônia Legal

O que pode acontecer: a tendência é de redução das chuvas, especialmente na Amazônia. Isso pode diminuir o nível dos rios e afetar transporte, pesca, produção de alimentos, geração de energia e acesso de populações ribeirinhas e comunidades mais isoladas à água, alimentos e atendimento de saúde.

O que pode ser planejado: estratégias de logística alternativa, armazenamento de água, comunicação comunitária, fortalecimento de redes locais e formas de manter atendimentos essenciais em territórios de difícil acesso.

 

Nordeste

O que pode acontecer: a região pode enfrentar menos chuvas, temperaturas mais altas e ondas de calor. A combinação entre menos água e mais calor pode pressionar o abastecimento, afetar a produção de alimentos, elevar o risco de incêndios e contribuir para o aumento da insegurança alimentar.

O que pode ser planejado: apoio a soluções de convivência com períodos secos, armazenamento de água, adaptação de atividades ao calor, prevenção de queimadas e proteção de famílias mais expostas ao aumento do preço dos alimentos.

 

Centro-Oeste

O que pode acontecer: os efeitos podem variar dentro da própria região, mas há probabilidade de temperaturas mais altas e ondas de calor, especialmente na primavera e no verão brasileiros, com tempo mais seco e maior risco de queimadas. Em algumas áreas, as chuvas podem ser mais regulares, enquanto em outras pode haver maior irregularidade.

O que pode ser planejado: ações de prevenção e combate às queimadas, proteção de pessoas expostas ao calor, adaptação de atividades ao ar livre e fortalecimento de iniciativas ligadas à produção sustentável, à saúde comunitária e à segurança alimentar.

 

Sudeste

O que pode acontecer: os impactos sobre as chuvas podem variar. Algumas áreas podem registrar mais chuva em determinados períodos, enquanto outras podem enfrentar intervalos de tempo mais seco. As temperaturas tendem a ficar mais altas, com ondas de calor mais frequentes e prolongadas.

O que pode ser planejado: adequação do funcionamento de escolas, centros comunitários, serviços de atendimento e atividades presenciais em dias de calor extremo, além de medidas de cuidado com crianças, pessoas idosas, trabalhadores expostos e populações em vulnerabilidade socioambiental.

 

Sul

O que pode acontecer: a região tende a registrar chuvas acima da média, com maior risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Também podem ocorrer tempestades e ciclones mais fortes.

O que pode ser planejado: mapeamento de áreas de risco, proteção de moradias e equipamentos comunitários, planos para deslocamento seguro, planos de apoio a famílias atingidas e estratégias para manter serviços essenciais funcionando durante e depois de eventos extremos.

Essa leitura regional ajuda a aproximar a previsão climática das decisões do campo social. A partir dela, organizações financiadoras e executoras podem identificar onde há maior exposição, quais públicos precisam de mais proteção e que adaptações devem ser priorizadas antes dos períodos críticos.

 

O que fazer: frentes de prevenção e adaptação para o campo social

Antecipar riscos não elimina a possibilidade de eventos extremos, mas reduz danos, qualifica a gestão das organizações e fortalece a capacidade de comunidades atravessarem períodos críticos com mais proteção e resiliência. A partir da leitura dos riscos previstos para o El Niño de 2026, atores do campo social podem organizar sua atuação em algumas frentes práticas. Elas não esgotam as possibilidades de resposta, mas ajudam a transformar previsão climática em planejamento, adaptação e tomada de decisão.

1 – Revisar portfólios e territórios com lente climática

Organizações financiadoras e executoras podem analisar seus programas, territórios e parcerias à luz dos riscos previstos para o El Niño de 2026. Isso significa observar onde há maior exposição a ondas de calor, seca, queimadas, enchentes, deslizamentos, interrupções de transporte, falta de água ou aumento da insegurança alimentar. Essa leitura ajuda a identificar iniciativas que podem precisar de ajustes de cronograma, orçamento, metodologia, metas ou formas de atendimento.

2 – Planejar continuidade e contingência

Manter serviços funcionando em períodos críticos exige preparação. Organizações podem definir previamente como atuar em dias de calor extremo, falta de água, fumaça, enchentes, queda de energia ou dificuldade de deslocamento. Planos de continuidade ajudam a proteger equipes, preservar a gestão e evitar que iniciativas relevantes sejam interrompidas justamente quando as comunidades mais precisam delas.

3 – Financiar adaptações preventivas em espaços e serviços

A prevenção também passa por mudanças concretas em equipamentos, rotinas e infraestrutura. Escolas, centros comunitários, cozinhas solidárias, espaços de acolhimento, projetos esportivos, iniciativas culturais e serviços de atendimento podem precisar de ventilação adequada, sombreamento, acesso à água, protocolos para dias de calor intenso, armazenamento preventivo ou planos de funcionamento alternativo. Adaptações feitas com antecedência podem reduzir riscos, custos e interrupções.

4 – Fortalecer redes locais antes dos períodos críticos

A prevenção depende de articulação. Atores do campo social podem construir fluxos de cooperação com escolas, serviços de saúde, assistência social, Defesa Civil, lideranças comunitárias, coletivos locais e redes de segurança alimentar. Essa coordenação ajuda a organizar informações, orientar famílias, identificar públicos mais vulnerabilizados e evitar respostas isoladas.

5 – Prever recursos flexíveis para adaptação

Eventos climáticos não seguem o calendário dos projetos. Por isso, recursos excessivamente engessados podem limitar a capacidade de prevenção e adaptação. Linhas de apoio flexíveis, fundos preventivos e possibilidades de remanejamento orçamentário permitem ajustar atividades, reforçar comunicação comunitária, proteger equipamentos, ampliar armazenamento de água ou reorganizar atendimentos antes dos períodos mais críticos.


Essas frentes ajudam a traduzir o alerta climático em ações concretas. Quanto mais cedo organizações e investidores sociais incorporarem esses riscos às suas decisões, maior será a capacidade de prevenir perdas, sustentar serviços e fortalecer comunidades.

Para apoiar esse processo, o IDIS publicou a Nota Técnica Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais. O material apresenta diretrizes para uma atuação orientada pela justiça climática e um framework de avaliação e gestão de riscos relacionados ao clima.

 

Baixe agora e acesso o documento na íntegra!

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Referências

ADAPTABRASIL MCTI. Dados do AdaptaBrasil embasam diagnóstico sobre vulnerabilidade climática das cidades. Brasília: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2025. Disponível em: https://adaptabrasil.mcti.gov.br/noticia/dados-do-adaptabrasil-embasam-diagnostico-sobre-vulnerabilidade-climatica-das-cidades. Acesso em: 16 jul. 2026.

BARCELLOS, Sérgio Botton. Sociologia: pela ótica das desigualdades, super El Niño que se aproxima neste inverno é um espelho do Brasil. The Conversation Brasil, 22 jun. 2026. Disponível em: https://theconversation.com/sociologia-pela-otica-das-desigualdades-super-el-nino-que-se-aproxima-neste-inverno-e-um-espelho-do-brasil-284804. Acesso em: 16 jul. 2026.

IDIS. Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos. São Paulo: IDIS, 2026. Evento online. Disponível em: <

IDIS. Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026. São Paulo: IDIS, fev. 2026. Disponível em: <https://www.idis.org.br/publicacoesidis/perspectivas-para-a-filantropia-no-brasil-2026/>. Acesso em: 16 jul. 2026.

INPE; INMET; FUNCEME; CENSIPAM. Nota Técnica: El Niño 2026. Brasília: INPE; INMET; FUNCEME; CENSIPAM, abr. 2026. Nota Técnica Conjunta. Disponível em: <https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/NotaTecnicaConjuntaElNino2026_INPEINMETFuncemeCENSIPAM.pdf>. Acesso em: 16 jul. 2026.

MODESTO, Marcelo; LOPES, Yasmim Araujo. Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais. São Paulo: IDIS, nov. 2025. Nota Técnica. Disponível em: <https://www.idis.org.br/nota-tecnica-adaptacao-as-mudancas-climaticas-como-promover-a-justica-climatica-atraves-da-gestao-de-riscos-para-investidores-e-organizacoes-sociais/>. Acesso em: 16 jul. 2026.

NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION. Climate Prediction Center. El Niño/Southern Oscillation (ENSO) Diagnostic Discussion. College Park: NOAA/National Weather Service, 9 jul. 2026. Disponível em: <https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.pdf>. Acesso em: 16 jul. 2026.

Novo estudo da Plataforma Conjunta analisa oportunidades de fortalecimento institucional para OSCs no Brasil

A Plataforma Conjunta lança o estudo Panorama Conjunta 2025–2026: Oportunidades de formação e captação de recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs no Brasil, publicação que reúne dados inéditos sobre o ecossistema de apoio às organizações da sociedade civil brasileiras.

Realizado a partir do mapeamento de oportunidades de formação e captação de recursos disponíveis ao longo de 2025, o estudo identificou 793 oportunidades, um crescimento de 129% em relação ao levantamento anterior. Entre os destaques, estão o aumento da oferta de formações, a ampliação da visibilidade de oportunidades de financiamento voltadas ao desenvolvimento institucional e a diversificação dos atores que compõem esse ecossistema.

Evento de lançamento do estudo, em São Paulo

Os resultados mostram que o acesso ao conhecimento segue sendo uma das principais portas de entrada para o fortalecimento das OSCs. Em 2025, foram mapeadas 560 oportunidades de formação e 233 oportunidades de captação de recursos voltadas ao desenvolvimento institucional.

A publicação também reúne artigos assinados por especialistas e lideranças do campo social, incluindo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, que aborda a relação entre desenvolvimento institucional, confiança e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Em seu artigo, Luisa destaca que fortalecer dimensões como governança, gestão, comunicação, tecnologia e cuidado com as equipes é fundamental para garantir a capacidade de atuação das organizações no longo prazo.

“Se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista”, escreve Luisa Lima.

A autora também relaciona o fortalecimento institucional à construção de confiança junto à sociedade. Ao longo do artigo, ela utiliza dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, para demonstrar que a confiança é um fator decisivo para a cultura de doação no país. Embora os brasileiros reconheçam a importância das organizações da sociedade civil, a confiança ainda representa um desafio para o setor, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos em transparência, governança e fortalecimento institucional.

A tecnologia é uma das dimensões que vêm ganhando relevância: foi o tema de formação com maior crescimento relativo entre 2024 e 2025, passando de 4,8% para 9,1%. Essa agenda também se traduz em iniciativas do IDIS como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, voltado à adoção consciente e estratégica da inteligência artificial por OSCs.

O desenvolvimento institucional é também uma agenda que atravessa diferentes frentes de atuação do IDIS, que trabalha para fortalecer organizações e ampliar seu impacto por meio da produção de conhecimento, do desenvolvimento de capacidades e do apoio a práticas mais estratégicas de gestão e investimento social.

Produzido pela Plataforma Conjunta, o estudo busca ampliar o debate sobre a sustentabilidade das OSCs e oferecer subsídios para financiadores, gestores e organizações comprometidos com o fortalecimento da sociedade civil brasileira.

 

Baixe a publicação aqui:

Fortalecer capacidades, construir confiança.

Artigo publicado originalmente no Estudo Panorama Conjunta 2025-2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS

O desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) não é um elemento periférico de sua atuação. É o que sustenta sua capacidade de agir com consistência, transparência, legitimidade e continuidade institucional. Quando uma organização investe em governança, gestão, comunicação, tecnologia ou no cuidado com suas equipes, ela fortalece as bases que tornam sua missão viável no longo prazo.

Essa agenda está diretamente relacionada à confiança. A confiança nas OSCs não se constrói apenas pela relevância das causas que defendem, mas também pela forma como atuam, prestam contas, se comunicam, tomam decisões e sustentam sua presença pública. A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, reforça esse ponto ao mostrar que a confiança nas instituições é um motivador extremamente relevante para doar, enquanto a desconfiança segue como uma barreira estrutural importante: apenas 30% dos brasileiros afirmam que a maior parte das ONGs é confiável, e, entre quem não doa há mais de cinco anos, a falta de confiança e transparência aparece como a razão mais citada para não doar, mencionada por 38% dos respondentes.

À luz desses achados, os dados do Panorama Conjunta 2025–2026 ganham ainda mais relevância. O estudo mapeou 793 oportunidades de formação e captação de recursos em 2025, ante 346 no ano anterior. Ainda que essa variação deva ser lida com cautela em razão de mudanças metodológicas e ampliação das fontes analisadas, os resultados mostram que o desenvolvimento institucional está mais presente no campo e vem ganhando maior visibilidade. Ao mesmo tempo, o Panorama revela limites importantes no desenho do apoio disponível. Entre as oportunidades de captação, 62,66% previam financiamento de até um ano. O dado sugere que, mesmo observando um número maior de oportunidades, ainda predominam mecanismos pouco compatíveis com processos contínuos de fortalecimento institucional.

Essa leitura se torna ainda mais relevante quando se observam dimensões que seguem menos reconhecidas nos temas abordados por formações. Tecnologia é hoje infraestrutura essencial para gestão, comunicação e mobilização. Saúde mental e autocuidado, por sua vez, são condições para equipes mais sustentáveis e organizações mais resilientes. Monitoramento e avaliação, por exemplo, são fundamentais para que as OSCs aprendam com a prática, demonstrem resultados, qualifiquem sua gestão e prestem contas com mais consistência. Quando essas dimensões não são reconhecidas como parte legítima do desenvolvimento institucional, o apoio oferecido tende a ser insuficiente para sustentar organizações fortes e confiáveis.

Nesse contexto, a Conjunta e seu Panorama prestam uma contribuição valiosa ao campo ao dar visibilidade a oportunidades, lacunas e tendências que ajudam a qualificar o debate. Para além de ampliar o volume de apoios, o desafio agora é avançar na qualidade desse apoio: com mais flexibilidade, maior duração e melhor reconhecimento das capacidades que sustentam a atuação das OSCs. Afinal, se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista. Organizações mais fortes e mais confiáveis contribuem para o ambiente democrático mais robusto que é, em última instância, o horizonte comum para o qual lutamos.

 

Baixe o estudo completo:

Prevenção e atuação territorial devem estar no centro da resposta aos riscos climáticos, destaca webinar do IDIS

Encontro reuniu especialistas para discutir justiça climática, financiamento, gestão de riscos e o papel das organizações sociais na construção de territórios mais resilientes

Como as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) podem se preparar para eventos climáticos extremos antes que eles aconteçam? E qual é o papel da filantropia e do investimento social privado na construção de territórios mais resilientes?

Essas foram algumas das questões que orientaram o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”, promovido pelo IDIS no dia 6 de agosto, como evento paralelo à São Paulo Climate Week. O encontro reuniu profissionais do terceiro setor e especialistas para discutir caminhos práticos para incorporar a gestão de riscos climáticos à atuação das organizações sociais.

Ao longo da conversa, um ponto atravessou diferentes momentos do debate: diante de eventos extremos cada vez mais frequentes, responder às emergências continua sendo necessário, mas já não é suficiente. É preciso investir também em prevenção, preparação e fortalecimento das capacidades locais antes que as crises aconteçam.

Mudanças climáticas também são uma questão de gestão

Na abertura do encontro, o IDIS apresentou reflexões da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, elaborada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, e Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos do IDIS.

Baixe agora e acesso o documento na íntegra!

A publicação parte do entendimento de que os riscos climáticos afetam também organizações que não têm o meio ambiente como causa principal. Enchentes, ondas de calor, secas e outros eventos extremos podem interromper atividades, elevar custos, afetar equipes e infraestruturas e, ao mesmo tempo, aumentar a demanda pelos serviços prestados às populações mais vulneráveis.

Durante o webinar, Yasmim apresentou conceitos e ferramentas para que OSCs e investidores sociais incorporem essa perspectiva ao planejamento institucional. A proposta é ampliar a capacidade das organizações de identificar vulnerabilidades, avaliar riscos e tomar decisões que contribuam para a continuidade de suas atividades e para a proteção das comunidades com as quais atuam.

A discussão reforçou ainda a dimensão da justiça climática. Os impactos das mudanças do clima não são distribuídos de maneira uniforme: territórios e populações que já convivem com desigualdades sociais e econômicas tendem a estar mais expostos e a contar com menos recursos para prevenção, adaptação e recuperação.

 

Recursos precisam chegar a quem está na ponta

Após a apresentação, uma mesa-redonda mediada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS, reuniu Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Mariana de Assis, coordenadora de projetos do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM).

Entre os temas debatidos estiveram o financiamento climático, o fortalecimento da governança local e a importância de reconhecer OSCs e atores territoriais como parte essencial das estratégias de adaptação.

A experiência do iCS reforça que soluções para a adaptação climática já estão sendo desenvolvidas localmente e que um dos desafios é criar condições para fortalecê-las e ampliar seu alcance.

“Muitas das respostas para os desafios climáticos já existem e merecem ser reconhecidas, fortalecidas e conectadas”, afirma Tatiana Lobão.

A perspectiva dialoga diretamente com um dos pontos centrais do encontro: mais do que disponibilizar recursos para a agenda climática, é necessário criar condições para que eles sejam acessíveis às organizações que conhecem de perto os riscos, vulnerabilidades e potencialidades de cada território.

Nesse processo, organizações locais podem exercer um papel fundamental na articulação de diferentes atores, no mapeamento de riscos, na mobilização de recursos e na construção de respostas adaptadas às realidades das comunidades.

Essa abordagem também amplia a compreensão sobre o financiamento climático: recursos podem apoiar não apenas a reconstrução depois de uma emergência, mas também ações de preparação, desenvolvimento institucional, construção de redes, inteligência territorial e governança.

 

Fundos emergenciais preventivos: recursos disponíveis antes da crise

Um dos exemplos práticos apresentados no debate são os Fundos Emergenciais Preventivos (FEPs), mecanismo que vem sendo desenvolvido no âmbito do Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation.

Com metodologia e assessoria técnica do ICOM e parceria do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, seis Fundações e Institutos Comunitários de diferentes regiões do Brasil estão sendo apoiados para criar mecanismos permanentes de prevenção e preparação para emergências. Quatro já concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes iniciais de R$ 50 mil, enquanto outros dois estão em fase de implementação.

A lógica é simples, mas ainda pouco explorada no Brasil: organizar recursos e capacidades durante períodos de normalidade, e não apenas mobilizá-los quando uma emergência já está instalada.

A experiência acumulada pelo ICOM na resposta a eventos extremos também demonstra que a atuação territorial depende de articulação entre diferentes setores. Ao abordar o tema da prevenção climática, Mariana de Assis já destacou a necessidade de transformar essa preocupação em planejamento:

“É preciso que a resposta à crise climática, ações de prevenção [e] redução de riscos […] façam parte dos planos de governo”, defende Mariana.

No webinar, a experiência do ICOM ajudou a mostrar que essa preparação não se restringe à existência de recursos financeiros. Os fundos podem contribuir para fortalecer redes locais, produzir e organizar informações sobre riscos, definir protocolos, mobilizar organizações e comunidades e criar estruturas de governança capazes de agir de maneira mais rápida e coordenada diante de eventos extremos.

Dessa forma, o recurso financeiro é apenas uma das dimensões do mecanismo; igualmente importantes são as capacidades e relações construídas no território.

 

Assista à gravação

A gravação completa do webinar está disponível no canal do IDIS no YouTube:

Para se aprofundar no tema, acesse também a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, que apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar OSCs e investidores sociais na identificação, avaliação e gestão dos riscos relacionados ao clima.

O próximo El Niño exige menos reação e mais planejamento

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Yasmim Araújo Lopes, analista de projetos do IDIS, e Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

O Brasil ainda costuma tratar eventos climáticos extremos como exceções, respondendo a eles apenas quando seus impactos já se instalaram. Este ano, porém, a previsão de um novo episódio de El Niño tem oferecido a oportunidade de substituir a lógica padrão da reação pela da prevenção.

Instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo já apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo de 2026 e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. Com essa previsão, é imprescindível que governos, investidores sociais e organizações da sociedade civil incorporem o risco climático ao planejamento de suas ações.

seca

Os riscos elevados apresentados pelo El Niño, que se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas, não se restringem ao meio ambiente, mas atravessam praticamente todas as agendas sociais. Saúde, educação, segurança alimentar, geração de renda, assistência social, moradia e mobilidade podem ser diretamente afetadas por ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. Mesmo as organizações que não atuam diretamente com a pauta climática podem enfrentar aumento da demanda por atendimento, custos adicionais e dificuldades para manter suas atividades.

Nesse cenário, a adaptação climática deixa de ser uma agenda exclusivamente ambiental e passa a ser uma condição para garantir a continuidade de políticas, programas e investimentos sociais. Afinal, proteger comunidades também significa proteger a capacidade das organizações de seguir entregando resultados justamente nos momentos de maior necessidade.

O desafio é ainda maior quando se observa a capacidade de resposta dos territórios brasileiros. Dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que 3.679 municípios apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado indica que prever esses eventos extremos não é suficiente, mas que são necessárias ações práticas de prevenção, como o fortalecimento da gestão local, ampliação da articulação junto ao poder público e mais investimentos nas capacidades de resposta das comunidades.

Assim, a justiça climática ganha dimensão prática, não se resumindo a responder aos desastres uma vez que eles já aconteceram, mas criando condições para que populações mais vulneráveis estejam mais protegidas antes que os impactos ocorram.

A preparação começa muito antes da chegada de uma frente fria, de uma enchente ou de uma onda de calor. Ela começa quando organizações transformam previsões climáticas em perguntas norteadoras para a gestão e planejamento. O que pode mudar no território? Quais públicos serão mais afetados? Quais atividades precisarão ser adaptadas? Que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos críticos? Essas questões ajudam a incorporar o risco climático ao planejamento cotidiano, tornando programas e investimentos mais robustos diante das incertezas.

Também é importante reconhecer que o El Niño não produzirá os mesmos efeitos em todo o país. A tendência é de redução das chuvas na Amazônia e Nordeste, aumento das temperaturas em grande parte do Brasil, possibilidade de condições mais secas no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera e aumento das chuvas no Sul, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essa diversidade exige respostas igualmente diversas, adaptadas às características de cada território. Isso implica na necessidade de se promover a centralidade dos territórios e suas organizações na discussão da adaptação climática.

Para o campo social, isso significa revisar programas e portfólios sob uma lente climática, elaborar planos de continuidade para serviços essenciais, investir preventivamente na adaptação de equipamentos e espaços comunitários, fortalecer redes locais de cooperação e prever mecanismos de financiamento mais flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças impostas pelos eventos extremos.

Nenhuma dessas medidas elimina a possibilidade de desastres. Mas todas contribuem para reduzir danos, preservar serviços essenciais e aumentar a capacidade de resposta das comunidades. Quanto mais cedo investidores sociais e organizações incorporarem os riscos climáticos às suas decisões, maior será a possibilidade de evitar perdas humanas, sociais e institucionais.

O El Niño previsto para 2026 representa não apenas um desafio climático. Ele representa um teste sobre nossa capacidade de aprender com as crises recentes e agir antes que elas se repitam. A previsão já existe. O conhecimento também. O que ainda precisa mudar é a forma como transformamos essas informações em planejamento e ação, com embasamento científico, centralidade dos territórios, foco nas pessoas, principalmente as mais vulnerabilizadas.

Como a filantropia pode permanecer relevante em um mundo em transformação: lições da filantropia brasileira

Artigo publicado originalmente no blog WINGS, em inglês

Por Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS

Em um mundo cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas, pela transformação tecnológica, pela polarização política e pela queda da confiança nas instituições, a filantropia é chamada a repensar não apenas o que financia, mas também a forma como atua.

Em diferentes países e contextos, desafios sociais e ambientais tornam-se cada vez mais interligados e complexos, dificultando respostas baseadas em abordagens tradicionais. Nesse cenário, a pergunta deixa de ser apenas como gerar impacto e passa a ser como manter a relevância em um mundo em constante transformação. Adotar uma visão sistêmica, desenvolver mecanismos inovadores de financiamento, construir novas parcerias e promover o diálogo em uma sociedade polarizada são alguns dos caminhos que a filantropia vem trilhando para fortalecer sua atuação.

A mais recente edição de Perspectivas para a Filantropia no Brasil, publicada pelo IDIS, oferece um panorama de como o ecossistema filantrópico brasileiro vem respondendo a esse contexto. Embora a realidade do país tenha características próprias, muitas das tendências identificadas refletem desafios que também mobilizam a filantropia em outras partes do mundo.

Uma das principais tendências apontadas pelo relatório é o reconhecimento de que as mudanças climáticas não podem mais ser tratadas como uma pauta isolada. Durante muitos anos, a filantropia ambiental ocupou um espaço relativamente apartado de temas como saúde, educação, inclusão econômica e democracia. Hoje, essa separação faz cada vez menos sentido. Em todo o Brasil, eventos climáticos extremos afetam serviços públicos, meios de subsistência, segurança alimentar e a capacidade de resposta das comunidades. O clima deixou de ser apenas mais uma causa: tornou-se um tema transversal, fundamental para a construção da resiliência. Independentemente da área de atuação, organizações precisam estar preparadas para enfrentar crises, adaptar-se a novos contextos e manter sua missão mesmo diante de cenários adversos.

Essa realidade tem levado organizações filantrópicas a rever suas estratégias. O Compromisso Brasileiro pela Filantropia com a Mudança Climática, capítulo brasileiro do movimento global Philanthropy for Climate, coordenado internacionalmente pela WINGS e pela Philea, incentiva financiadores de diferentes causas a incorporar a agenda climática em sua governança, nas decisões de investimento, na concessão de recursos e nas práticas organizacionais.

Ao lado da agenda climática, outra questão vem transformando a prática filantrópica: a confiança. A Pesquisa Doação Brasil 2024 revela que apenas 30% dos brasileiros consideram as organizações da sociedade civil (OSCs) confiáveis. Esse desafio não é exclusivo do Brasil. Em diferentes partes do mundo, a queda da confiança nas instituições, somada à desinformação e à polarização política, dificulta a construção de respostas coletivas para problemas compartilhados. Em resposta, organizações e investidores sociais têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas ao fortalecimento do diálogo e da coesão social.

Um exemplo é o Brasil Fala, inspirado no programa internacional My Country Talks, que conecta pessoas com visões políticas divergentes por meio de conversas estruturadas. Outra iniciativa é a Sociedade Viva, que busca ampliar o conhecimento da população sobre as organizações da sociedade civil e seu papel no fortalecimento da democracia. Além de manter uma plataforma com dados e conteúdos qualificados, a iniciativa promove campanhas de comunicação voltadas ao público em geral e desenvolve ações específicas para aproximar a imprensa do tema, incluindo um guia prático para jornalistas sobre o terceiro setor e uma lista de fontes especializadas em diferentes causas.

Essas iniciativas evidenciam um papel cada vez mais relevante da filantropia como promotora do diálogo e da construção de pontes. Em sociedades marcadas pela polarização, reconstruir a confiança pode ser tão importante quanto financiar programas.

A discussão sobre confiança também se conecta a outra transformação em curso: a redistribuição de poder. Em diferentes partes do mundo, comunidades vêm reivindicando maior participação nas decisões que afetam suas vidas. No Brasil, esse movimento tem impulsionado o crescimento de abordagens lideradas pelas próprias comunidades, colocando atores locais no centro dos processos de governança e de financiamento.

Iniciativas como o Fundo Socioambiental Casa passaram a incorporar lideranças indígenas, comunidades tradicionais e organizações de base em suas estruturas de tomada de decisão, contribuindo para que as prioridades de investimento reflitam as realidades dos territórios, e não pressupostos externos. A lição vai além da filantropia: soluções sustentáveis tendem a ser mais efetivas quando as comunidades são reconhecidas não apenas como beneficiárias, mas como parceiras.

A tecnologia representa outra fronteira importante, e a inteligência artificial (IA) rapidamente deixou de ser um tema restrito a especialistas para ocupar o centro do debate público. Embora ofereça enormes oportunidades, a IA também levanta preocupações relacionadas a vieses, responsabilização, privacidade e desigualdade de acesso.

No Brasil, pesquisas mostram que apenas 6% das organizações da sociedade civil utilizam tecnologia de forma avançada, evidenciando disparidades importantes em termos de acesso e capacidade. Esse desafio também se repete em outros países. Em todo o mundo, muitas organizações sem fins lucrativos dispõem de poucos recursos para investir em transformação digital e incorporar novas tecnologias. É justamente nesse contexto que a filantropia pode desempenhar um papel decisivo.

Reconhecendo esse desafio, iniciativas como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, desenvolvido pelo IDIS com apoio da Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, trabalham para ampliar o acesso à inteligência artificial ao mesmo tempo em que promovem seu uso responsável e ético. Mais do que incentivar a adoção da tecnologia, essas iniciativas buscam fortalecer a governança, ampliar a inclusão e garantir que a IA seja utilizada em benefício do interesse público.

Por fim, as discussões sobre o futuro vêm ganhando espaço na agenda da filantropia. Segundo o UBS Global Wealth Report 2025, aproximadamente US$ 9 trilhões deverão ser transferidos entre gerações no Brasil nas próximas décadas. Esse cenário intensificou os debates sobre legado, doação planejada, fundos patrimoniais (endowments) e modelos de steward-ownership, que buscam alinhar patrimônio e propósito social no longo prazo.

Essas discussões refletem uma transformação mais ampla. A filantropia deixa de concentrar seu foco em atos pontuais de generosidade e passa a olhar para a forma como recursos, valores e responsabilidades podem ser preservados e transmitidos entre gerações.

Em conjunto, esses movimentos revelam um ecossistema filantrópico em transição. As mudanças climáticas já não podem ser tratadas como uma agenda paralela; a confiança tornou-se um ativo estratégico; comunidades demandam maior participação nas decisões; a tecnologia cria novas oportunidades, mas também novos riscos; e novas formas de mobilização de capital surgem para enfrentar desafios cada vez mais complexos.

Não existe uma solução única. A resiliência é construída por meio de diferentes iniciativas, conduzidas por atores diversos que buscam responder a um mundo em constante transformação.

A filantropia brasileira não oferece um modelo pronto para o mundo. O que ela oferece é um conjunto de experiências desenvolvidas em uma sociedade profundamente desigual, que enfrenta simultaneamente os impactos das mudanças climáticas, das transformações tecnológicas e das pressões sobre a democracia. A questão para a filantropia global não é se essas iniciativas podem ser replicadas em outros contextos, mas o que elas revelam sobre os tipos de relações, instituições e sistemas que precisarão ser fortalecidos para que a filantropia continue relevante nos próximos anos.

GIFE e INCT Participa lançam Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, com apoio do IDIS

Plataforma colaborativa reúne dados, pesquisas e evidências para fortalecer o conhecimento sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil

Foi lançado o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, plataforma colaborativa liderada pelo GIFE e pelo INCT Participa, com o apoio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial do IDIS.

A iniciativa foi criada para reunir, sistematizar e disseminar informações, dados, pesquisas e evidências sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Ao ampliar o acesso a conhecimento qualificado sobre o setor, o Observatório pretende contribuir para o aprimoramento das práticas das organizações, apoiar processos de tomada de decisão e estimular a produção de novas pesquisas.

Membros do setor reunidos durante lançamento do Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado

Para o IDIS, a criação da plataforma representa um marco importante para o fortalecimento do campo filantrópico brasileiro. A geração e a disseminação de conhecimento constituem um dos pilares de atuação da organização, ao lado da consultoria e da execução de projetos de impacto.

“Dados e evidências são ferramentas fundamentais para gerar impacto social positivo. Quando compartilhados e explorados de maneira estratégica, podem orientar decisões, aprimorar práticas, fortalecer políticas públicas e contribuir para uma filantropia cada vez mais transformadora”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O apoio à iniciativa é realizado por meio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial criado pelo IDIS com o objetivo de fortalecer a filantropia estratégica no país e apoiar iniciativas capazes de ampliar a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade de atuação do setor.

O Observatório também se propõe a ser um espaço vivo e colaborativo, incentivando pesquisadores, organizações e demais atores do ecossistema filantrópico a utilizarem os materiais disponíveis e contribuírem para a expansão da base de conhecimento sobre o tema.

Conheça o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado.

Programa Transformando Territórios lança fundos emergenciais preventivos para enfrentar emergências territoriais

Iniciativa ainda pouco explorada no Brasil fortalece a capacidade de territórios brasileiros de prevenir, se preparar e responder a emergências climáticas por meio da filantropia comunitária. Quatro fundos já foram estruturados e dois estão em fase de implementação

Seis fundações e institutos comunitários de diferentes regiões do Brasil estão recebendo apoio técnico e financeiro para criar mecanismos territoriais permanentes de prevenção a emergências climáticas. A iniciativa, inédita no contexto brasileiro, integra o Programa Transformando Territórios, do IDIS, e conta com a metodologia e assessoria técnica do ICOM — Instituto Comunitário Grande Florianópolis, além de parceria com a Mott Foundation, o Movimento Bem Maior e a Fundação FEAC.

Na primeira etapa, quatro Fundações e Institutos Comunitários (FICs) concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes de R$ 50 mil cada para desenvolver estratégias voltadas à gestão de riscos, à prevenção e ao fortalecimento da resiliência em seus territórios: Instituto Cacimba, no distrito de São Miguel Paulista na capital paulista (SP), Associação Nossa Cidade, na Grande Belo Horizonte (MG), Instituto Comunitário Paraty, em Paraty (RJ) e Mundaú Mundo, em Maceió (AL). A Fundação Gerações, na Grande Porto Alegre (RS) e o Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, no distrito de M’Boi Mirim na cidade de São Paulo (SP) estão em fase de assessoria e devem concluir a estruturação em breve. A captação dos fundos segue aberta a indivíduos e organizações.

 “Quem vive e atua nos territórios conhece de perto seus riscos, vulnerabilidades e potencialidades. Por isso, fortalecer organizações locais é fundamental para construir estratégias de prevenção e preparação junto às próprias comunidades, antes que as emergências aconteçam. As Fundações e Institutos Comunitários desempenham um papel estratégico nesse processo ao identificar riscos, mobilizar recursos, articular diferentes atores e fortalecer a capacidade dos territórios de prevenir, se preparar e responder a crises de forma coordenada e sustentável”, afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Os recursos apoiam iniciativas de caráter preventivo — fortalecendo a capacidade local de enfrentar eventos extremos antes que se transformem em crises de difícil gestão. A seleção dos territórios partiu de uma característica comum: todos já desenvolviam ações ou reflexões sobre situações de emergência e vulnerabilidade socioambiental, e demandavam instrumentos mais estruturados para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre os eventos que os fundos visam preparar os territórios para enfrentar e evitar enchentes, rompimento de barragens, descarte irregular de resíduos, chuvas extremas, ondas de calor e outros eventos climáticos monitorados por redes territoriais de correspondentes climáticos.

Para doar, basta entrar em contato com as FICS pelo site, as doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas.

 

Um modelo inovador inspirado em experiências internacionais

O modelo de Fundo Emergencial Preventivo (FEP) é considerado inovador no Brasil por utilizar a filantropia comunitária de base territorial como ponto de partida para a construção de fundos voltados à comunidades resilientes. A proposta foi inspirada em experiências desenvolvidas em países como Romênia e Chile, e em referências de organizações como Center for Disaster Philanthropy. No Brasil, a adaptação desse modelo parte também da experiência acumulada pelo ICOM na criação, gestão e governança de fundos comunitários e emergenciais, conectando mobilização de recursos, conhecimento territorial e fortalecimento de organizações locais.

Mais do que viabilizar respostas a emergências, a iniciativa busca fortalecer capacidades permanentes nos territórios para prevenir riscos, mobilizar recursos e agir de forma coordenada diante de crises cada vez mais frequentes e complexas.

“À primeira vista, um Fundo Emergencial Preventivo pode parecer apenas mais um mecanismo de repasse financeiro. Mas sua inovação está na forma como organiza capacidades antes da crise acontecer. O FEP fortalece os territórios em períodos de normalidade, investindo em governança, articulação, inteligência territorial e mobilização local. Para nós, é motivo de orgulho compartilhar a experiência acumulada pelo ICOM em fundos comunitários, fundos emergenciais e desenvolvimento territorial, contribuindo para que outras Fundações e Institutos Comunitários adaptem esse modelo às realidades de seus territórios”, afirma Mariana de Assis, Coordenadora de Projetos do ICOM

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

Programa de inteligência artificial para o Terceiro Setor reúne 30 organizações de 13 estados em hackathon

Entre os dias 22 e 24 de julho, 89 profissionais de 30 organizações da sociedade civil participaram, em São Paulo, de um encontro presencial em formato de hackathon voltado à criação de soluções de inteligência artificial para desafios concretos do Terceiro Setor. O encontro integra o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, programa de formação que apoia organizações sociais na incorporação consciente, ética e estratégica dessa tecnologia em suas atividades.

Turma 1 do IA.3 em encontro presencial em São Paulo

Durante os três dias, as equipes foram desafiadas a transformar os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro meses de capacitação realizados pelo programa em propostas aplicáveis às suas instituições. As soluções abrangem áreas estratégicas para o fortalecimento das organizações sociais:

Captação inteligente: aplicação da inteligência artificial à mobilização de recursos, ao relacionamento com potenciais apoiadores e à sustentabilidade financeira;

Inteligência, memória e conhecimento institucionais vivos: organização, preservação, recuperação e utilização estratégica de informações e conhecimentos produzidos pelas organizações;

Relacionamento, atendimento e jornada dos públicos: aprimoramento da comunicação e da interação com beneficiários, doadores, parceiros, voluntários e demais públicos;

Operação sem gargalos: automação de processos, integração de dados e aprimoramento dos fluxos de trabalho para ampliar a eficiência institucional;

Monitoramento, avaliação, prestação de contas, aprendizagem e relatórios: uso da inteligência artificial para acompanhar resultados, analisar informações, gerar aprendizados e comunicar impactos.

As organizações selecionadas atuam em 13 estados – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo -, contemplando as cinco regiões brasileiras.

 

Conheça as organizações que foram selecionadas

 

Participantes durante o Encontro Presencial em São Paulo.

A programação ainda contou com dinâmicas colaborativas e momentos de diagnóstico, ideação, desenvolvimento e validação das propostas, além do acompanhamento de especialistas. Ao final do encontro, cada grupo apresentou uma proposta de solução para os desafios identificados, com potencial de implementação e aperfeiçoamento nas organizações participantes.

“Este encontro marca uma transição importante na jornada das organizações: passamos do aprendizado e da experimentação para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios concretos de gestão e atuação. Queremos que as equipes ganhem autonomia para incorporar a inteligência artificial de maneira estratégica, ética e alinhada às suas missões. A diversidade de causas, experiências e territórios reunida no hackathon também favorece a colaboração e a criação de soluções que poderão gerar aprendizados para todo o Terceiro Setor”, afirma Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS responsável pelo IA.3.

Após o hackathon, as 30 organizações continuarão sendo acompanhadas durante seis meses por meio de mentorias individualizadas. O objetivo é apoiar a implementação das soluções desenvolvidas, realizar os ajustes necessários e contribuir para que o uso da inteligência artificial seja incorporado de forma sustentável às estratégias, às equipes e aos processos institucionais.

O IA.3 também inclui uma avaliação de impacto experimental, que comparará os resultados das organizações participantes da primeira turma com os das organizações que receberão a formação em 2027. Além de acompanhar resultados concretos, a avaliação dará origem a um estudo com dados quantitativos e qualitativos e exemplos práticos de aplicação da inteligência artificial no Terceiro Setor.

Equipes IDIS e Canal SabIAr no Encontro Presencial em São Paulo.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

 

Realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, o IA.3 busca fortalecer as capacidades institucionais das organizações da sociedade civil. Mais do que incentivar o uso pontual de ferramentas, o programa pretende apoiar a integração da inteligência artificial às estratégias, aos processos de gestão e às missões institucionais das organizações.

 

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

A iniciativa foi estruturada como uma jornada de formação em múltiplas etapas. Após um webinar introdutório e aberto ao público, 119 organizações iniciaram, em fevereiro de 2026, a primeira turma da capacitação intensiva. Foram 30 horas de formação ao longo de quatro meses, combinando aulas ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas.

 

As 30 organizações com melhor aproveitamento nessa etapa foram selecionadas para o encontro presencial, no qual poderão aprofundar os conhecimentos adquiridos, trocar experiências e desenvolver soluções institucionalmente relevantes.

 

Em fevereiro de 2027, uma nova turma de 114 organizações começa o mesmo processo.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Fundo de Fomento à Filantropia amplia patrimônio e fortalece iniciativas estratégicas em 2025

O Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), iniciativa do IDIS voltada ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, encerrou 2025 com resultados expressivos. Em seu segundo ano de operação, o patrimônio do Fundo atingiu R$ 9,9 milhões, um crescimento de 39,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pelas contribuições de 146 doadores e pelo mecanismo de matching da doação realizada pela filantropa Mackenzie Scott ao IDIS.

Em 2025, o FFF destinou R$ 265 mil para iniciativas estruturantes organizadas em três frentes de atuação: advocacy, produção de conhecimento e articulação. Os recursos apoiaram ações voltadas ao fortalecimento do ambiente institucional da filantropia brasileira, à produção de evidências e à mobilização de atores do setor.

Entre as iniciativas apoiadas estiveram:

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

 

Um fundo perene para fortalecer a filantropia

O FFF foi concebido como um fundo patrimonial (endowment), garantindo sustentabilidade de longo prazo para investimentos em iniciativas que fortalecem o ecossistema da filantropia no Brasil. Por esse modelo, apenas os rendimentos reais – aqueles obtidos acima da inflação – podem ser utilizados, preservando permanentemente o patrimônio principal.

Em 2025, o Fundo registrou R$ 1,15 milhão em rendimento real, recursos que estarão disponíveis para investimentos ao longo de 2026, assegurando a continuidade das ações apoiadas e a expansão de seu impacto.

Outra novidade do ano foi a ampliação das formas de contribuição ao Fundo. O IDIS passou a oferecer a possibilidade de realizar doações vinculadas às inscrições em eventos institucionais, iniciativa que resultou em 121 novas doações ao longo de 2025.

 

Próximos passos

A campanha de captação do Fundo permanece ativa. A meta é alcançar R$ 15 milhões em patrimônio até o final de 2026 e chegar a R$ 25 milhões até 2029, ampliando a capacidade do FFF de apoiar iniciativas estruturantes para o desenvolvimento da filantropia e da cultura de doação no país.

Cada contribuição ajuda a consolidar um patrimônio duradouro, capaz de gerar recursos para iniciativas que impulsionam transformações sociais e contribuem para a redução das desigualdades no Brasil.

Saiba mais e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia!

 

Mais sobre fundos patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, clique aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Webinar debate o papel das organizações sociais na prevenção e redução de riscos climáticos

Encontro promovido pelo IDIS abordará financiamento climático, gestão de riscos, governança local e estratégias para fortalecer a resiliência dos territórios

CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE PARA PARTICIPAR DO EVENTO!

 

A crise climática já afeta diretamente comunidades e Organizações da Sociedade Civil, inclusive aquelas que não atuam especificamente com questões ambientais. Eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos podem interromper atividades, ampliar a demanda por serviços, comprometer recursos e aprofundar desigualdades já existentes nos territórios.

Nesse contexto, fortalecer a capacidade de prevenção, adaptação e resposta das organizações tornou-se urgente. Embora existam recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas, um dos principais desafios é garantir que eles cheguem de forma efetiva às organizações e comunidades que estão na ponta.

Para debater caminhos práticos e estratégias territoriais, o IDIS promove, no dia 6 de agosto, a partir das 9h30, o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”. O evento é paralelo à São Paulo Cimate Week, será online, gratuito e direcionado a profissionais do terceiro setor, investidores sociais e demais pessoas interessadas na agenda de adaptação climática.

Durante o encontro, serão discutidos temas como financiamento climático, gestão de riscos relacionados ao clima, fortalecimento da governança local e aplicação prática de fundos emergenciais preventivos nos territórios.

O conteúdo é um desdobramento da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, produzida pelo IDIS. A publicação apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar organizações sociais e investidores na identificação, avaliação e gestão de riscos climáticos.

A programação contará com uma apresentação da nota técnica realizada por Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS, além de uma mesa moderada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS. Participam do debate Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança no Instituto Clima e Sociedade — iCS, e Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

Confira a programação

9h30 | Abertura
Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

9h40 | Apresentação da nota técnica
Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS

9h55 | Mesa-redonda
Moderação de Marcelo Modesto, com a participação de:

  • Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade — iCS;
  • Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

11h30 | Encerramento

Faça sua inscrição e participe do debate!

 

Saiba mais sobre adaptação climática

Para se aprofundar no tema, acesse a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”.

 

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O que precisamos para dar um salto nas finanças de impacto?

Artigo publicado originalmente no Jornal NEXO

Por Gustavo Loiola, head of training da Latimpacto, e Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

Analisando os mercados da América Latina, conseguimos entender que o Brasil já domina o vocabulário das finanças de impacto e do financiamento inovador: blended finance, matchfunding, venture philanthropy. Mas isso não necessariamente se converteu, até aqui, em infraestrutura financeira capaz de operar na escala necessária para responder a desafios socioambientais do tamanho do país.

Veja-se o blended finance, por exemplo: o modelo é uma forma de estruturar capital catalítico (público ou filantrópico) para melhorar a relação entre risco e retorno e atrair investidores privados para agendas que, sozinhas, não mobilizariam tanto dinheiro. Segundo dado da rede Convergence, essa abordagem já mobilizou mais de US$ 270 bilhões em compromissos no mundo todo. Ainda assim, seu potencial segue subaproveitado no Sul Global, particularmente no Brasil. Não por ausência de recursos, mas porque muitas operações dependem de um grau de coordenação, segurança jurídica, apetite a risco e capacidade técnica que ainda não está distribuído de forma ampla no ecossistema.

O nosso gargalo não é falta de dinheiro, é falta de estrutura e de rotina. O campo está preso em um paradoxo: sabe desenhar operações sofisticadas, mas não consegue replicá-las com velocidade. O salto virá quando entendermos que finanças inovadoras não se resumem a novos nomes.

Precisamos construir peças relevantes de infraestrutura para essas finanças, deixando de tratar cada operação como um caso excepcional, dependente de lideranças específicas, negociações artesanais e arranjos sob medida. Temos que criar padrões, repertórios e capacidades institucionais que permitam que esses modelos sejam acionados com mais previsibilidade.

A primeira frente-chave é regulatória: Estruturas híbridas exigem previsibilidade, com regras claras para garantias, camadas de primeira perda, fundos com capital filantrópico e mecanismos de pagamento por resultado. Vejamos, por exemplo, no contexto brasileiro, a transição da reforma tributária, que começa neste ano e abre uma janela para calibrar incentivos e dar tratamento mais explícito a arranjos de interesse público.

A segunda frente é cultural: o financiamento paciente. A filantropia e o investimento social privado ainda operam, muitas vezes, com prazos curtos e baixa tolerância ao risco. A inovação financeira, porém, demanda o oposto, com compromissos plurianuais, recursos flexíveis, disposição para financiar estrutura (equipes, dados, avaliação) e aceitar que aprender custa – e que errar faz parte do desenho.

Esse ponto é decisivo. Muitos projetos de impacto positivo não fracassam por causa de uma solução frágil, mas porque não há financiamento adequado ao seu estágio de desenvolvimento. Existem iniciativas promissoras que precisam de apoio para modelar sua operação, organizar dados, fortalecer governança, medir resultados ou adaptar sua atuação a diferentes contextos territoriais. Quando a filantropia financia apenas o resultado final, e não a infraestrutura que torna essa entrega possível, limita a capacidade de desenvolvimento das organizações e perpetua uma lógica de não continuidade.

A terceira peça é a coordenação: Hoje, capitais públicos, privados e filantrópicos até se encontram, mas de forma desordenada. O resultado é fragmentação, com vários atores financiando o mesmo território sem governança comum, ou tentando encaixar soluções de mercado onde ainda falta redução de risco percebido. É aqui que o intermediário vira infraestrutura: quem traduz linguagens, gerencia projetos, padroniza diligências, cria métricas mínimas e monta arranjos multicapitais com velocidade.

O Brasil já tem sinais concretos do que funciona quando esses elementos aparecem. O Juntos pela Saúde, iniciativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) gerida pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), adota o modelo de matchfunding, somando capital público e recursos privados (não reembolsáveis) para o fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde) nas regiões Norte e Nordeste .

A infraestrutura financeira também pode existir em escala global. O TFFF (Tropical Forests Forever Facility), lançado na COP30, nasce com ambição de mobilizar US$ 125 bilhões e prevê destinação mínima de 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais — um desenho que combina escala, governança e regras explícitas.

Ao reconhecer florestas tropicais em pé como ativos de valor global e prever uma remuneração vinculada à conservação ambiental, o mecanismo explicita uma tendência importante: a de que a agenda climática exigirá arquiteturas financeiras capazes de conectar capitais de naturezas distintas, proteger territórios vulneráveis e distribuir benefícios de forma mais justa.

A crise climática, aliás, torna esse debate ainda mais urgente. Eventos extremos, perdas econômicas, insegurança hídrica, impactos sobre saúde e pressão sobre populações vulnerabilizadas evidenciam que respostas fragmentadas são insuficientes. Prevenção, adaptação e resiliência demandam financiamento antes que a emergência aconteça, e não apenas depois da tragédia. A filantropia pode ter papel central ao financiar planejamento, capacidade local, sistemas de alerta, soluções baseadas na natureza e arranjos de governança territorial que reduzam riscos futuros.

Não devemos, então, nos perguntar sobre qual é o próximo instrumento financeiro, mas, qual infraestrutura vamos construir para fazer esses instrumentos operarem como regra. Se queremos enfrentar a crise climática, desigualdades e baixa capacidade estatal em territórios vulneráveis, precisamos tratar o financiamento inovador como serviço público do século 21.

Um convite ao campo: direcionar parte do capital não para o projeto final, mas para o “sistema que permite que os projetos existam. Isso significa financiar primeira perda, garantias, preparação de projetos, dados e avaliação, apoiar organizações intermediárias, e, sobretudo, combinar recursos com governança compartilhada. Em vez de criar mais pilotos brilhantes, construir uma máquina que replica, aprende e escala.

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Paraty

Entre os dias 22 e 26 de junho, o ICP – Instituto Comunitário Paraty recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) que possibilitou o intercâmbio, que foi pura potência, profundidade e acolhida mútua. 

Entre as participantes, estiveram a Fundação Gerações que atua desde 2008 em todo estado do Rio Grande do Sul representada por Ana Lucia Suárez, Diretora de Programas e Karine Ruy, Diretora Executiva; a Associação Nossa Cidade que atua na região Metropolitana de Belo Horizonte/MG desde 2014, representada por Marlúcia Baesse, Líder Comunitária e Mariana Barros, membra da Associação; e a FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos que atua na cidade de Valinhos/SP desde 2013 e esteve representada por Eliane Macari, Presidente do Fórum.

Para representar o ICP, instituto anfitrião, estiveram presentes Andréia Carvalho e Ricardo Zuppi, Diretores Executivos; Maria Aparecida e Márcia Evangelista, Presidente e Vice-Presidente do Conselho Administrativo; Ana Carolina, Andréia Santos e Nena Gama, Conselheiras do Instituto; e Diana Seelaender, da equipe de Comunicação.

Representantes das FICs em conversa (Créditos: Diana Seelaender)

Foram dias com troca de conhecimentos, em que puderam aprofundar sobre os trabalhos de ação territorial e apoio para o fortalecimento comunitário, além de desafios compartilhados pelo mesmo modelo de organização, as chamadas FICs (Fundaçõs e Institutos Comunitários) dentro do terceiro setor. Alguns temas estiveram presentes como diagnóstico e escuta ativa, captação de recursos, fundos emergenciais e preventivos para mudanças climáticas, entre outros. Segundo o ICP, “um verdadeiro terreno fértil com muitas sinergias e a possibilidade de amplificação das ações realizadas pelo ICP”. 

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas com a Cooperativa dos Produtores Rurais do Pacová, com alunos da Escola da Barra Grande envolvidos com o Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas – uma parceria entre o ICP e o Departamento de Educação Ambiental da Sec. Municipal de educação), e uma incrível visita ao Saco do Mamanguá.

Visita em Cooperativa (Créditos: Diana Seelaender)

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Prestação de contas: confiança que sustenta a missão das OSCs

Por Marcelo Destito, gerente administrativo-financeiro do IDIS; Agatha Pires e Vitória Vivian, analistas do administrativo-financeiro do IDIS; 

A prestação de contas não é apenas uma exigência administrativa. Para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ela integra a estratégia de sustentabilidade institucional, pois fortalece a confiança, qualifica a gestão financeira e amplia as condições de captação de recursos. Quando bem estruturada, permite demonstrar, com clareza, como os recursos foram aplicados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados.

No terceiro setor, eventualmente a prestação de contas costuma ser tratada como uma etapa final do projeto, associada ao envio de relatórios e comprovantes a financiadores. Essa visão, embora comum, é limitada. Na prática, prestar contas bem é uma demonstração concreta de capacidade de gestão, compromisso com a transparência e alinhamento com a missão institucional.

Para OSCs de pequeno e médio porte, esse processo é ainda mais decisivo. Com estruturas enxutas, menor margem para erros e maior sensibilidade reputacional, a qualidade da prestação de contas pode influenciar diretamente a continuidade de parcerias, o acesso a novos apoios e a credibilidade institucional. O desafio, portanto, não é apenas cumprir uma obrigação, mas transformar esse processo em um ativo de gestão e sustentabilidade.

Essa integração entre gestão financeira e execução técnica é essencial para uma prestação de contas consistente. Quando orçamento, despesas e entregas caminham juntos, a organização consegue demonstrar com clareza como os recursos foram aplicados, quais resultados foram alcançados e quais critérios orientaram decisões sobre rubricas, elegibilidade de despesas e rateios entre projetos ou financiadores.

Tal coerência fortalece a confiança, além de contribuir para a captação de recursos. Sendo assim, relatórios consistentes, documentação organizada e evidências de boa governança comunicam capacidade de gestão, aumentam as chances de renovação de apoios e abrem espaço para novas parcerias.

Gestão Financeira no Terceiro Setor: um guia para garantir sustentabilidade e transparência nas organizações sociais

 

Planejamento financeiro orienta uma prestação de contas segura

A prestação de contas começa na elaboração do orçamento, seja ele institucional ou vinculado a projetos. É nesse momento que a organização define categorias de despesas, critérios de uso das rubricas, formas de comprovação, indicadores financeiros e físicos, além da separação de receitas e despesas por projeto ou fonte de recurso. Quando essa estrutura está clara desde o início, a execução se torna mais organizada e a consolidação das informações ocorre com menos retrabalho.

Também é fundamental observar as regras de cada financiador para realocações, remanejamentos ou ajustes orçamentários. Alguns permitem mudanças dentro de determinados limites; outros exigem autorização prévia, justificativas formais ou oferecem pouca margem de flexibilidade. Por isso, manter as despesas aderentes ao orçamento aprovado e registrar eventuais alterações com transparência fortalece tanto a prestação de contas contratual quanto a confiança de conselhos, parceiros e apoiadores.

É importante destacar que a qualidade da prestação de contas depende da capacidade da organização de demonstrar o caminho percorrido por cada recurso: de onde veio, como foi autorizado, em que foi aplicado e qual entrega gerou. Para isso, manter registros contínuos, processos de compra bem documentados e despesas classificadas de forma coerente com o orçamento aprovado são processos importantes para garantir a entrega.

Vale destacar que algumas práticas são especialmente relevantes:

  • Registro contínuo das movimentações
    Lançar despesas apenas no encerramento do projeto aumenta o risco de erro, perda de documentos e inconsistências. O controle deve acompanhar a execução.
  • Fluxo de caixa por projeto ou fonte de recurso
    Separar entradas e saídas por iniciativa, financiador ou centro de custo melhora a rastreabilidade e facilita análises internas e externas.
  • Conciliação bancária periódica
    Fechamentos regulares ajudam a identificar inconsistências antes que se tornem problemas maiores na prestação de contas.
  • Documentação comprobatória organizada
    Notas fiscais, recibos, contratos, comprovantes de pagamento, relatórios de execução e evidências de entrega devem estar acessíveis e classificados de forma padronizada.
  • Processo de compra documentado
    Cotações, justificativas de escolha de fornecedores e critérios de contratação fortalecem a transparência. Em compras recorrentes, contratos guarda-chuva e revisões periódicas de fornecedores podem ampliar a segurança do processo.
  • Rateio de custos compartilhados
    Despesas institucionais, como contabilidade, jurídico, comunicação, equipe e custos fixos, devem seguir critérios claros de rateio, preferencialmente pactuados previamente com o financiador.
  • Preparação para diligências e glosas
    Antes do envio ao financiador, é importante revisar se as despesas estão aderentes às regras pactuadas, se a documentação está completa e se há justificativa suficiente para eventuais questionamentos.

 

Transparência, auditoria e reputação institucional

Em um ambiente cada vez mais orientado por confiança, rastreabilidade e integridade, a transparência deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a representar um ativo estratégico para as OSCs. A forma como a organização registra, valida e divulga suas informações financeiras impacta diretamente sua credibilidade perante financiadores, parceiros, conselhos e sociedade.

Nesse contexto, mecanismos de controle e verificação independente ganham relevância. Auditorias externas, revisões contábeis independentes e processos estruturados de governança contribuem para aumentar a segurança das informações, fortalecer a conformidade e reduzir riscos operacionais e reputacionais. Mais do que identificar inconsistências, esses instrumentos ajudam a consolidar uma cultura de responsabilidade, transparência e melhoria contínua.

Para organizações que dependem da confiança pública e da mobilização de recursos, a reputação institucional é um patrimônio estratégico. Fragilidades em processos financeiros, inconsistências documentais ou falhas na prestação de contas podem comprometer a capacidade de captação, a manutenção de parcerias e a legitimidade institucional. No terceiro setor, esses impactos raramente permanecem restritos a uma única organização: em um contexto em que a cultura de doação e o Investimento Social Privado (ISP) ainda enfrenta desafios de consolidação no Brasil, episódios de baixa transparência ou fragilidade de governança podem afetar a confiança no setor como um todo, ampliando a cautela de financiadores, investidores sociais e doadores, inclusive em relação a organizações sérias e estruturadas.

A gestão de projetos e a prestação de contas devem ser encaradas como processos integrados e estratégicos. Mais do que cumprir exigências, trata-se de demonstrar, com clareza e consistência, como os recursos confiados à organização foram utilizados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados. Quando bem estruturada, essa prática reduz riscos, fortalece a credibilidade institucional e amplia as possibilidades de renovação de apoios e captação de novos recursos.

Evoluir nesse processo não exige, necessariamente, grandes investimentos. O mais importante é construir rotinas simples, replicáveis e sustentáveis: estruturar o orçamento com foco em acompanhamento, organizar documentos desde o início dos projetos, criar fechamentos mensais, alinhar áreas técnica e financeira, padronizar relatórios e capacitar a equipe. Em um ambiente mais exigente, prestar contas bem deixa de ser apenas uma obrigação administrativa e se torna um investimento na sustentabilidade, na legitimidade e na capacidade da OSC de cumprir sua missão.

Organizações que investem em boas práticas de governança e transparência fortalecem não apenas sua própria sustentabilidade, mas também contribuem para a credibilidade e o amadurecimento do ecossistema filantrópico e social como um todo.

Webinar do IA.3 destaca o desenvolvimento institucional como base para fortalecer organizações da sociedade civil

No dia 23 de junho, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social realizou o webinar “Desenvolvimento Institucional para OSCs: desafios e oportunidades”, encontro exclusivo para as organizações selecionadas para a segunda turma do IA.3, Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa realizada com o suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.

Com mediação de Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS, o webinar abordou os principais pilares do desenvolvimento institucional e sua importância para organizações de diferentes portes e áreas de atuação. O encontro também reforçou como o fortalecimento da gestão é um elemento essencial para potencializar o impacto social e preparar as OSCs para incorporar novas tecnologias, como a inteligência artificial, em suas estratégias.

A primeira convidada foi Erika Sanchez Saez, Diretora Executiva do Instituto ACP, que destacou que o desenvolvimento institucional depende de uma decisão estratégica das organizações.

“Desenvolvimento Institucional precisa de intencionalidade, precisa ser prioritário. Você precisa querer trabalhar DI, você precisa dizer para sua equipe que isso é importante, abrir espaço, tempo. Tem que estar no dia a dia da organização”, reforça Erika.

Na sequência, Fernando Nogueira, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, ressaltou a importância de construir uma cultura organizacional baseada no aprendizado permanente.

“É importante celebrar as vitórias grandes e pequenas, mas também é fundamental reconhecer e celebrar os erros. Conversar e aprender sobre eles é um potencial fundamental para a mudança”, para o Fernando, a capacidade de refletir sobre os desafios enfrentados e transformar experiências em aprendizado fortalece as organizações e amplia sua capacidade de adaptação em um cenário de constantes transformações.

Com início previsto para fevereiro de 2027, a nova turma reunirá organizações de diferentes regiões do país em uma jornada de aprendizado voltada à aplicação prática da inteligência artificial em seus desafios cotidianos, sempre aliando tecnologia ao fortalecimento institucional e à geração de impacto social.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.

Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.

Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.

Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!

Assista à gravação completa no YouTube.

O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 30 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.

Acesse o guia “Conceitos e dicas para iniciar sua jornada de adoção de IA”.

 

Dr. Marcos Kisil: trajetória visionária para a filantropia brasileira

São Paulo, junho de 2026

Em 1999, Dr. Marcos Kisil idealizou e fundou o IDIS, guiado pela convicção central de que a filantropia, quando orientada por propósito, conhecimento, estratégia e compromisso público, pode ser uma força poderosa para reduzir desigualdades, fortalecer a sociedade civil e ampliar as possibilidades de transformação social no Brasil. Naquela época, também participou da criação de organizações como o GIFE e com isso teve papel determinante para o desenvolvimento deste ecossistema que vemos hoje, inspirando pessoas, instituições e lideranças a compreenderem a filantropia como parte essencial do desenvolvimento do país.

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, doutor em Administração pela George Washington University e ex-Diretor Regional para América Latina e Caribe da Fundação W.K. Kellogg, Marcos construiu sua trajetória na intersecção entre desenvolvimento social, gestão, filantropia e cidadania. Sua passagem pela Fundação W.K. Kellogg foi decisiva para consolidar sua compreensão da filantropia como agente de transformação das desigualdades sociais e econômicas. Foi nesse contexto que pôde conhecer e atuar de forma profunda nesse campo, experiência que mais tarde contribuiria para a criação do IDIS.

Ao longo dessa caminhada, Marcos formulou aprendizados que ajudaram a orientar a maturidade da organização que fundou: a busca pela excelência, o amor e a dedicação ao próximo e a fidelidade ao propósito. Essas ideias também expressam a própria marca de sua atuação.

Em 2014, ao deixar a liderança executiva do IDIS, Marcos abriu caminho para que Paula Fabiani assumisse a direção da organização, inaugurando um novo ciclo de continuidade e fortalecimento institucional. Mesmo após essa transição, permaneceu próximo, contribuindo de forma ativa como membro do conselho deliberativo e mantendo vivo o compromisso que inspirou a criação do Instituto.

1º edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Agora, ao encerrar sua atuação como membro do Conselho Deliberativo, Marcos inicia uma nova etapa em sua relação com o IDIS. Seguirá próximo à organização, na governança da instituição, em sua condição de fundador.

Seu legado, no entanto, vai muito além dos cargos que ocupou ou dos ciclos formais de contribuição institucional. Está na visão de futuro que ajudou a semear. Está na defesa de uma filantropia mais estratégica, colaborativa e comprometida com o bem público. Está na aposta em redes, no fortalecimento da cultura de doação, na valorização das parcerias e na crença de que o investimento social privado pode, e deve, contribuir para um Brasil mais justo, solidário e sustentável.

A presença de Marcos permanece também nas pessoas que inspirou, nas lideranças que formou, nos debates que ajudou a qualificar e nas instituições que apoiou ao longo de sua jornada. O IDIS foi uma escola para centenas de pessoas, que hoje atuam em diferentes áreas, mas que levam consigo os aprendizados e influenciam os locais onde estão.

Marcos escreveu que seu mestre, Dr. Mario Chaves, lhe ensinou que “o passado é o prólogo do futuro”. Em sua trajetória, essa frase ganha sentido concreto: o passado que Marcos ajudou a construir segue servindo de base para os futuros que o campo da filantropia brasileira ainda pode desenhar – mais criativos, mais inovadores, mais influentes e mais comprometidos com a transformação social.

E essa contribuição continua. Marcos segue ativo no setor, dedicando-se de forma significativa ao debate sobre o papel da filantropia no fortalecimento da ciência e ampliando, mais uma vez, as fronteiras de sua atuação.

Dr. Marcos durante I Seminário Internacional ‘Ciência encontra Filantropia’

Ao Dr. Marcos Kisil, nosso reconhecimento e nossa gratidão.

Seguimos em frente, carregando em nossa essência, a visão de quem acreditou em tudo o que a filantropia pode ser.

Equipe IDIS

Paula Fabiani representa o IDIS em encontro global da CAF na Bulgária

Paula Fabiani, CEO do IDIS, participou do encontro global da CAF International Network, realizado em Sofia, Bulgária. O evento reuniu representantes de organizações de diferentes países para discutir formas de fortalecer a filantropia e a cultura de doação em todo o mundo.

O IDIS integra a CAF International Network desde 2005, atuando como representante da Charities Aid Foundation no Brasil. A rede reúne organizações independentes que atuam localmente em diferentes países, conectadas por um propósito comum: promover a generosidade e ampliar o impacto da filantropia.

O programa também celebrou os 30 anos da BCause Foundation, organização búlgara que integra a rede, e marcou o lançamento do World Giving Report 2026, publicação da CAF que apresenta dados sobre generosidade em 105 países. O relatório mostra que 59% da população brasileira realizou algum tipo de doação, e que os respondentes destinaram 0,9% de sua renda a essas contribuições.

Baixe a publicação completa (disponível apenas em inglês):

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“As trocas promovidas pela rede global da CAF são essenciais para compreender os desafios da filantropia em diferentes contextos e identificar caminhos compartilhados para ampliar a generosidade. Os dados do World Giving Report mostram que ainda há um espaço significativo para fortalecer a cultura de doação no Brasil, e isso exige confiança, colaboração e ação coletiva”, afirma Paula Fabiani.

A participação do IDIS no encontro reforça seu compromisso com a produção de conhecimento, a cooperação internacional e o fortalecimento de um ambiente mais favorável ao investimento social privado e à filantropia no Brasil.

Ranking internacional reconhece novamente o IDIS como líder em consultoria para impacto social no Brasil

A entidade francesa Leaders League, especializada na elaboração de rankings e pesquisas de mercado, divulgou seu ranking de 2026 das principais consultorias brasileiras em responsabilidade social.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social foi novamente reconhecido como líder no ranking, conquistando o 1º lugar entre as melhores consultorias de impacto social do Brasil. O reconhecimento reforça o compromisso do IDIS em apoiar investidores sociais engajados na geração de impacto social positivo no país.

Em seu trabalho de consultoria, o IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas, institutos, fundações e organizações da sociedade civil que desejam iniciar ou fortalecer suas práticas de investimento social. A atuação é personalizada e participativa, apoiando clientes em áreas como planejamento estratégico e governança; agenda ESG; estruturação de fundos patrimoniais e estratégias de sustentabilidade financeira de longo prazo; desenho e implementação de projetos e fortalecimento institucional; desenvolvimento de editais e gestão de portfólios; além de monitoramento e avaliação.

 

“Ser reconhecido mais uma vez pela Leaders League reflete a consistência e a qualidade do trabalho desenvolvido pelo IDIS junto a investidores sociais em todo o Brasil. Nossa atuação em consultoria é guiada pelo rigor técnico, pela colaboração e por uma compreensão profunda do contexto de cada cliente, sempre com o objetivo de fortalecer estratégias capazes de gerar impacto social duradouro”, afirma Marcos Alexandre Manoel, Diretor de Projetos do IDIS.

 

 

O ranking da Leaders League é elaborado a partir de um processo de pesquisa que envolve coleta e análise de dados, combinando diferentes fontes de informação e critérios de avaliação. Na edição de 2026, o IDIS figura na categoria “Leader”, ao lado de outras organizações reconhecidas por sua atuação em responsabilidade social corporativa e consultoria para impacto social.

Conheça a agenda e inscreva-se para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

A 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais acontece no dia 27 de agosto, quinta-feira, e, para este ano, traz como tema central do evento a filantropia ‘Entre a Essência e a Reinvenção’. 

Assim como nas últimas edições, o evento acontecerá em formato híbrido. Presencial exclusivamente para convidados na Casa Melhoramentos, em São Paulo, e com transmissão ao vivo gratuita via YouTube ao longo do dia todo. 

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 vamos explorar a tensão dinâmica entre permanência e transformação na filantropia. Em um contexto de aceleradas mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, os atores filantrópicos são desafiados a repensar seu modo de estar no mundo.

‘Entre a Essência e a Reinvenção’ posiciona a filantropia em um ponto de inflexão. De um lado está sua essência: compromisso ético, visão de longo prazo, autonomia, capacidade de assumir riscos e atuação voltada à transformação estrutural. De outro lado está a reinvenção: disrupção digital, novos mecanismos financeiros, governança participativa, abordagens decoloniais, ecossistemas colaborativos e estratégias adaptativas diante de crises sistêmicas. Neste contexto, o que deve permanecer inegociável e o que precisa evoluir para que a filantropia continue relevante e eficaz?

AS INSCRIÇÕES PARA A TRANSMISSÃO ONLINE JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS CLICANDO AQUI

 

Palestrantes já confirmados 


Confira a programação completa no site. Entre os palestrantes confirmados estão: Belisa Maggi (FALM e Signativo), Conceição Evaristo (Escrevivência), Michael França (Insper), Ricardo Bucio (Cemefi – México), Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Emelu), Valcleia dos Santos (FAS) e mais.

 

Realização e Apoio 

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RDsaúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Brasil.

 

 

Sobre o evento

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira! 

IDIS compartilha experiência brasileira em filantropia comunitária na Argentina

Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e especialista em filantropia comunitária, esteve na Argentina a convite do Laboratorio Público Privado, iniciativa do Grupo de Fundaciones y Empresas (GDFE) e da RIL Argentina – Red de Innovación Local. Ao longo de três dias, Felipe contribuiu com o programa de fomento e aceleração de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) no país, compartilhando aprendizados acumulados pelo IDIS por meio do Programa Transformando Territórios.

Criado pelo IDIS, em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation, o Transformando Territórios tem como objetivo fomentar a criação e o fortalecimento de Fundações e Institutos Comunitários no Brasil, promovendo o engajamento de doadores, organizações da sociedade civil e lideranças locais, além de oferecer conhecimento e apoio técnico. Atualmente, o programa reúne FICs de diferentes regiões brasileiras e tem contribuído para ampliar o debate sobre a filantropia comunitária no país.

“Foi uma honra compartilhar a experiência brasileira com lideranças argentinas interessadas em criar e fortalecer suas próprias fundações comunitárias. Ao longo de quase seis anos, o Transformando Territórios acumulou aprendizados importantes sobre mobilização local, governança, escuta dos territórios e fortalecimento de organizações comunitárias. Ver essa trajetória inspirando iniciativas em outros países da América Latina é motivo de grande alegria para o IDIS”, afirma Felipe Groba.

A agenda teve início com um alinhamento estratégico entre as equipes do Laboratorio Público Privado e do GDFE, dedicado à troca de experiências sobre a construção e a maturidade do Programa Transformando Territórios no Brasil. Na sequência, Felipe participou de um jantar de recepção com lideranças de cinco regiões argentinas interessadas em desenvolver suas próprias FICs.

No segundo dia, o gerente de projetos do IDIS conduziu um workshop de dia inteiro com essas lideranças, reunindo representantes de províncias, cidades e bairros. A atividade abordou desafios e oportunidades do modelo de FICs no Brasil, além de exemplos práticos de organizações que já atuam como mobilizadoras, articuladoras e apoiadoras de iniciativas locais em seus territórios.

Para encerrar a programação, Felipe realizou uma palestra para mais de 30 associados do GDFE e convidados, no escritório da Cervecería y Maltería Quilmes. Na apresentação, reforçou o papel das Fundações e Institutos Comunitários como infraestruturas fundamentais para impulsionar a filantropia local e fortalecer organizações da sociedade civil.

“O que vimos na Argentina reforça que Brasil e Argentina compartilham desafios e oportunidades. A filantropia comunitária pode ser uma ponte sólida para o desenvolvimento sustentável dos territórios na América Latina, porque aproxima recursos, lideranças e comunidades em torno de agendas construídas localmente”, afirma.

A participação do IDIS na agenda fortalece a troca regional de conhecimentos e evidencia o potencial da cooperação latino-americana para impulsionar modelos de desenvolvimento mais participativos, sustentáveis e conectados às realidades locais.

 

IDIS participa de conferência global de think tanks no Marrocos

Entre os dias 19 e 21 de maio, Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS, representou a organização na 10ª edição da On Think Tanks Conference, realizada em Rabat, no Marrocos. O encontro reuniu lideranças, pesquisadores e profissionais de políticas públicas de diferentes países em torno do tema “Think tanks and trust” – ou “Think tanks e confiança”.

A participação do IDIS aconteceu a convite do WINGS, rede global dedicada ao fortalecimento da filantropia e dos ecossistemas de apoio ao investimento social. Durante a conferência, Guilherme apresentou a atuação do IDIS na agenda dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, com destaque para o papel da organização na Coalizão pelos Fundos Filantrópicos e sua contribuição para a aprovação da Lei 13.800/19, marco regulatório brasileiro que dispõe sobre a constituição de fundos patrimoniais com o objetivo de arrecadar, gerir e destinar doações privadas a causas e instituições de interesse público.

“Foi uma oportunidade muito importante para compartilhar a experiência brasileira e mostrar como a construção de um ambiente favorável à filantropia exige articulação, persistência e confiança entre diferentes atores. A aprovação da Lei 13.800/19 é resultado desse trabalho coletivo e demonstra a força das coalizões para avançar em agendas estruturantes”, afirma Guilherme Sylos.

A sessão também contou com a participação de Joyjayanti Chatterjee, que apresentou o “Playbook of Best Practices on the Enabling Environment for Philanthropy”, iniciativa que reúne estudos de caso globais sobre ambientes regulatórios e políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento da filantropia. Evans Okinyi, da East Africa Philanthropy Network, do Quênia, também compartilhou aprendizados sobre reformas regulatórias no campo filantrópico, ressaltando a importância de coalizões, paciência e confiança construída ao longo do tempo.

Além da agenda sobre filantropia, Guilherme acompanhou debates sobre o uso da inteligência artificial por think tanks em diferentes regiões do mundo. Para ele, embora a IA tenha se tornado uma ferramenta cada vez mais presente, o diferencial dessas organizações segue sendo humano. “O uso da IA é iminente, mas o valor real dos think tanks está no conhecimento que surge quando pessoas com interesses reais enfrentam problemas difíceis juntas”, destaca.

Outro ponto de reflexão foi a situação enfrentada por organizações da sociedade civil em diferentes países do Sul Global. Nas conversas com representantes internacionais, Guilherme observou relatos de perseguição e restrição ao trabalho dessas organizações, em contextos que vão além dos desafios fiscais e regulatórios conhecidos no Brasil. “Essas trocas nos ajudam a colocar a nossa realidade em perspectiva e reforçam a importância de proteger e fortalecer o espaço cívico”, avalia.

A presença do IDIS na conferência reforça seu compromisso com o fortalecimento da filantropia, da sociedade civil e da produção de conhecimento orientada ao impacto, em diálogo com redes nacionais e internacionais.

O que é sustentabilidade e por que ela importa para empresas

Sustentabilidade é a capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das próximas gerações. No contexto empresarial, o conceito envolve decisões que equilibram responsabilidade ambiental, impacto social positivo, viabilidade econômica e boas práticas de governança.

Essa definição ganhou força global em 1987, com o relatório Nosso Futuro Comum, conhecido como Relatório Brundtland, elaborado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde então, o conceito passou a orientar governos, empresas e organizações da sociedade civil na busca por um modelo de desenvolvimento mais responsável, duradouro e atento aos impactos das escolhas feitas hoje.

O termo é frequentemente entendido de forma reduzida, mas, na prática, sustentabilidade não significa apenas ‘cuidar do meio ambiente’. Esse é um componente essencial, mas não o único. Uma sociedade sustentável também precisa reduzir desigualdades, respeitar direitos, fortalecer instituições, gerar trabalho digno e criar condições para que pessoas, comunidades e territórios possam prosperar no longo prazo.

Neste texto, você vai se aprofundar no conceito de sustentabilidade e entender a importância de empresas aderirem a essa prática. Vamos lá?

 

A evolução do conceito e suas três dimensões

Durante muito tempo, sustentabilidade foi associada principalmente a atitudes ambientais, como reciclar, economizar água ou reduzir o consumo de energia. Essas práticas continuam importantes, mas o debate avançou e passou a abranger também os impactos sociais e econômicos das escolhas feitas por governos, empresas e sociedade.

A partir dos anos 1980, consolidou-se a noção de desenvolvimento sustentável como resposta a um desafio global – o crescimento econômico não poderia seguir ignorando os limites ambientais e as desigualdades sociais. Mais tarde, em 2015, a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou essa visão ao estabelecer 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conectando temas como erradicação da pobreza, educação, saúde, igualdade de gênero, clima, consumo responsável, trabalho decente e parcerias.

Especificamente no ambiente empresarial, essa evolução também foi significativa. Sustentabilidade deixou de ser vista apenas como uma agenda de responsabilidade social ou de gestão ambiental e, hoje, está diretamente relacionada à estratégia do negócio, à governança, à gestão de riscos, à relação com stakeholders (ou partes interessadas) e à capacidade de gerar valor para a sociedade.

Uma forma simples de compreender essa abordagem mais ampla é observar três dimensões interdependentes:

  • Sustentabilidade ambiental trata do uso responsável dos recursos naturais, da proteção da biodiversidade, da redução de emissões e da gestão de resíduos, água e energia.
  • Sustentabilidade social envolve direitos humanos, equidade, diversidade, inclusão, saúde, educação, segurança e qualidade de vida para as pessoas impactadas por uma atividade econômica.
  • Sustentabilidade econômica diz respeito à capacidade de gerar valor de forma duradoura, com eficiência, inovação, transparência e responsabilidade na relação com trabalhadores, consumidores, fornecedores, investidores e comunidades.

Essas dimensões não funcionam separadamente. Uma empresa pode ser eficiente do ponto de vista financeiro, mas, se degrada o ambiente ou aprofunda desigualdades, cria riscos para sua própria continuidade. Da mesma forma, uma iniciativa social ou ambiental precisa de planejamento, recursos e governança para se manter ao longo do tempo.

 

Sustentabilidade nas empresas: da intenção ao compromisso

Incorporar a sustentabilidade no cotidiano envolve também reconhecer que os desafios socioambientais não serão resolvidos por um único setor. Governos, empresas, sociedade civil e cidadãos têm responsabilidades complementares. A Pesquisa Doação Brasil 2024, coordenada pelo IDIS e realizada pela Ipsos, mostra que 93% dos brasileiros consideram as empresas responsáveis pela solução dos problemas sociais e ambientais do país. Em 2022, eram 92%; em 2020, 82%; e, em 2015, 34%.

Esse dado revela uma mudança importante de expectativa social. Consumidores, trabalhadores, investidores e comunidades esperam que empresas não apenas reduzam danos, mas também contribuam ativamente para soluções.

Para empresas, assumir compromissos sustentáveis, na prática, significa transformar valores em ações consistentes. Isso inclui definir metas, monitorar resultados, prestar contas e tomar decisões considerando os efeitos das três dimensões – econômicos, sociais e ambientais – da atividade empresarial.

Uma empresa comprometida com a sustentabilidade pode atuar em várias frentes, e alguns exemplos contemplam a redução de impactos ambientais, promoção da diversidade e inclusão, garantia de relações de trabalho justas, fortalecimento de cadeias de fornecedores responsáveis, respeito a comunidades locais, aprimoramento da governança e investimento em inovação.

Um desses caminhos é justamente a doação. Quando organizações empresariais apoiam causas socioambientais de forma planejada, elas fortalecem respostas coletivas para problemas complexos, como desigualdade, insegurança alimentar, crise climática, acesso à educação, saúde e proteção de direitos. Nesse contexto, as doações empresariais têm um papel estratégico. Ao destinar recursos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), fundos comunitários, movimentos e iniciativas de interesse público, empresas ajudam a ampliar a capacidade de atuação de quem está próximo dos territórios e das populações mais afetadas pelos desafios sociais e ambientais.

A Pesquisa Doação Brasil 2024 também aponta que 78% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação em 2024 e que o volume estimado de doações individuais chegou a R$ 24,3 bilhões, valor recorde na série histórica do estudo. Embora a pesquisa trate de doações individuais, seus dados ajudam a compreender a força da cultura de doação e o potencial de ampliar práticas mais estruturadas e recorrentes.

No campo corporativo, os dados mais recentes do BISC reforçam esse movimento de fortalecimento da cultura de investimento social no país. Em 2024, o volume de Investimento Social Corporativo (ISC) das organizações acompanhadas pelo benchmark alcançou R$ 6,2 bilhões, registrando uma forte elevação em relação ao ano anterior e o segundo maior valor da série histórica. O dado evidencia que empresas têm ampliado sua atuação social de forma mais estratégica e estruturada, reconhecendo o investimento social privado como parte relevante de sua agenda ESG e de seu compromisso com o desenvolvimento sustentável.

A filantropia estratégica é uma forma de conectar recursos privados a causas públicas com planejamento, governança e foco em impacto. Diferentemente de ações pontuais ou reativas, ela parte de uma compreensão mais ampla dos problemas, define prioridades, acompanha resultados e busca fortalecer soluções de longo prazo.

Para empresas, isso significa alinhar o investimento social privado à estratégia de sustentabilidade e à agenda ESG (ambiental, social e de governança).

O que é ESG e como ele se relaciona com o Investimento Social Privado?

 

Por que empresas devem assumir compromissos sustentáveis?

São diversos os motivos para essa pergunta. De bate pronto, alguns deles são que os compromissos sustentáveis ajudam empresas a enfrentar riscos, construir confiança e gerar valor de longo prazo. Eles fortalecem a reputação, qualificam a relação com comunidades, atraem talentos, dialogam com investidores e contribuem para a perenidade do negócio.

Mas há uma razão ainda mais profunda: empresas fazem parte da sociedade. Elas dependem de territórios saudáveis, instituições sólidas, pessoas qualificadas, cadeias produtivas resilientes e consumidores com condições de vida dignas. Contribuir para a sustentabilidade é, portanto, uma forma de proteger o futuro comum.

Esse compromisso pode começar com mudanças internas, como metas ambientais, políticas de diversidade, práticas éticas e melhoria da governança. Também pode se ampliar por meio de apoio contínuo a causas públicas. Um exemplo é o Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL que convida empresas a destinarem pelo menos 1% do lucro líquido anual a organizações da sociedade civil e causas de interesse público.

Para as empresas, o caminho da sustentabilidade exige olhar para dentro, revisando práticas, metas e formas de gestão, e também para fora, fortalecendo parcerias, apoiando causas públicas e contribuindo para soluções coletivas. Ao integrar sustentabilidade, investimento social privado e filantropia estratégica, empresas podem ampliar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecer sua própria capacidade de gerar valor no longo prazo.

Instituto Chamex anuncia contemplados da 6º Edital Educação com Cidadania

Confira os projetos contemplados na 6ª edição do Edital Educação com Cidadania, iniciativa do Instituto Chamex que apoia organizações da sociedade civil comprometidas com a promoção da educação, da cidadania ativa e do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. 

Nesta edição, foram selecionadas iniciativas que atuam em áreas como educação ambiental, letramento, reforço escolar, formação cultural, inclusão digital e desenvolvimento comunitário, ampliando oportunidades para centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

 

 

Projeto: Olho D’agua 

Associação Crescer no Campo (Espírito Santo do Pinhal, SP) 

Criada em 2003, surgiu com a missão de dar oportunidade a crianças e adolescentes moradoras da zona rural de se tornarem cidadãos socialmente responsáveis e solidários. O projeto Olho D’Água estimula o reconhecimento de valores e conceitos do mundo natural dos jovens e crianças, desenvolvendo habilidades e competências necessárias à modificação de atitudes em relação ao meio ambiente. A intenção é que através de pesquisas, coletas de informações e amostras, experimentos, caminhadas de observação da fauna e da flora, atividades na horta e viveiro compreendam as interações do homem com os diferentes meios. Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Ler e Significar para Atuar no Mundo!​ 

Instituto Mutá (Valença, BA) 

 O Instituto Mutá faz parte de uma coalizão de organizações sociais ligadas ao CADI Brasil, sendo fortemente engajados na promoção e apoio dos direitos das crianças e adolescentes em Valença e região. O projeto aprovado em edital promoverá ações de letramento e alfabetização integradas a oficinas de música e atividades criativas, incluindo leitura, produção textual, expressão artística e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e a cidadania ativa dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: VivArte​ 

Quebrada Cultural (Juazeiro do Norte, CE)

A Quebrada Cultural é um espaço multi-artístico produzido pela comunidade do Triângulo, sendo uma casa de arte e experimentos onde acontecem eventos artísticos e culturais para a comunidade de Juazeiro do Norte. Selecionado como o projeto focado em economia criativa, o VivArte é um projeto de formação cultural que oferece oficinas presenciais de teatro, artes visuais, música, dança, literatura e circo para crianças e adolescentes. Por meio das linguagens artísticas, os participantes desenvolvem expressão, autonomia e senso crítico, reconhecendo a arte como ferramenta de cidadania e transformação social. Ao longo de seis meses, vivenciam dois ciclos de oficinas conduzidos por artistas-educadores, culminando em uma mostra e feira cultural aberta à comunidade na qual haverá um sarau e venda dos produtos produzidos pelos adolescentes com os ganhos sendo revertidos para os próprios beneficiários do projeto.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Nosso papel é imprimir o bem através da educação​ 

PreparArte (Rolim de Moura, Rondônia) 

 A Prepararte, criada em 2006, surgiu da visão da arte como instrumento para preparar pessoas, fortalecendo seus vínculos e habilidades sociais e ajudando na elaboração de um projeto de vida. Atualmente, a instituição está em fase de expansão e construção de uma sede própria ampliada, com o objetivo de garantir a continuidade da oferta gratuita de seus cursos. O novo espaço contará com uma biblioteca e dois laboratórios de informática, havendo necessidade de apoio para equipar esses ambientes com móveis e computadores. A iniciativa visa viabilizar a inauguração da sede e ampliar o número de alunos atendidos gratuitamente.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo​ 

Associação Crescer com Viver (Guarapari, ES) 

A Associação Crescer com Viver foi criada com o objetivo de ampliar oportunidades através de atividades socioeducativas, culturais e esportivas para jovens, crianças e famílias, com o objetivo final de promover a transformação social. O projeto “Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo” oferecerá reforço escolar em português e matemática, apoio às atividades escolares e oficinas criativas de pintura, leitura e expressão artística, com jovens em situação de vulnerabilidade social de 7 a 14 anos organizados por faixa etária. O objetivo é promover aprendizagem, desenvolvimento socioemocional, fortalecimento do vínculo com a escola e a comunidade, além de contribuir para a autoestima e permanência escolar dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: OCA – Oficinas Culturais e Artísticas​ 

Força Flor Desenvolvimento Humano e Defesa Cultural 

Força Flor possui sede própria na comunidade rural de São Pedro, e tem como objetivo a transformação social através da garantia de direitos da criança e do adolescente, da educação profissional e promoção de oportunidades de trabalho e da sustentabilidade. O projeto “OCA – Oficinas Culturais e Artísticas” será executado na sede da Força Flor em parceria com as escola municipais, com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social de 6 a 17 anos. Serão desenvolvidas oficinas semanais presenciais no contraturno escolar, de artes visuais, dança, artesanato, permacultura, informática e reforço escolar. O projeto prevê acompanhamento pedagógico, promoção da inclusão social,  desenvolvimento de habilidades, fortalecimento de vínculos e apresentação cultural de encerramento.​ Para mais informações, clique aqui. 

Ranking global de solidariedade revela fatores que impulsionam doações em diferentes países

O World Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, apresenta um indicador que mede a generosidade dos países com base na proporção da renda destinada a doações. Segundo o relatório, o senso de pertencimento comunitário e a confiança nas organizações estão entre os fatores mais associados a maiores níveis de doação.

A pesquisa ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países para compreender como indivíduos apoiam causas de interesse público ao redor do mundo e quais fatores influenciam suas decisões de doar.

 

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No Brasil, os resultados indicam um cenário de estabilidade, acompanhado por mudanças importantes nas motivações para a doação. O percentual de pessoas que realizaram algum tipo de doação em 2025 caiu de 62% para 59%. Apesar disso, a doação para organizações da sociedade civil manteve-se estável no país, com 28% das pessoas fazendo alguma doação em dinheiro para ONGS e 19% doando tempo na forma de voluntariado.

Segundo o levantamento, 61% da população mundial realizou algum tipo de doação ao longo do último ano, seja para organizações da sociedade civil, diretamente para pessoas em situação de vulnerabilidade ou por motivos religiosos. Em média, os entrevistados destinaram 1% de sua renda a essas contribuições. No Brasil, a média foi de 0,9% da renda.

O estudo mostra diferenças relevantes entre regiões. Na África, a média de doações corresponde a 1,6% da renda, enquanto na Europa esse percentual é de 0,6%. A Nigéria lidera o ranking global, com cidadãos destinando, em média, 2,8% de sua renda para organizações beneficentes, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em necessidade.

A pesquisa também aponta que adultos entre 25 e 44 anos destinam proporcionalmente uma parcela maior de sua renda a doações do que pessoas com mais de 55 anos. Entre as causas apoiadas, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar, recebendo contribuições de 31% dos entrevistados. Em seguida estão ações voltadas para crianças e jovens e para o enfrentamento da pobreza, ambas apoiadas por 29% dos respondentes.

 

Comunidade e confiança fortalecem a cultura de doação

Um dos principais achados do relatório é a relação entre o sentimento de pertencimento comunitário e os níveis de doação. Nos países onde mais de 80% da população afirma sentir forte conexão com sua comunidade local, a média de doações chega a 1,7% da renda. Já nos países onde menos da metade da população compartilha esse sentimento, a média cai para 0,6%.

Os resultados brasileiros dialogam diretamente com essa conclusão. Entre os motivos para doar, cresceu a parcela de pessoas que afirmam contribuir para apoiar suas comunidades locais, passando de 25% para 32%. Também aumentou o percentual daqueles que entendem a doação como um dever coletivo, que passou de 39% para 48%, índice muito acima da média global (36%) e da média sul-americana (17%).

O estudo também identificou que as pessoas tendem a apoiar principalmente organizações que atuam em suas comunidades (56%) ou em âmbito nacional (55%), em comparação com organizações que desenvolvem atividades em vários países (22%).

Além disso, fatores como transparência e clareza sobre o impacto das doações aparecem entre os principais elementos que poderiam estimular uma maior participação da população. Globalmente, 63% dos entrevistados afirmam que mais transparência sobre a gestão das organizações aumentaria sua disposição para doar e 47% gostariam de compreender melhor os resultados alcançados pelas iniciativas apoiadas. No Brasil, foi interessante ver que 27% dos doadores foram influenciados a doar pela cobertura feita pela mídia, demonstrando a força desta instituição para impulsionar a generosidade.

“Esses movimentos apontam para um doador mais consciente, que entende seu papel na construção de soluções coletivas, e por isso também mais exigente. Transparência quanto ao uso dos recursos e clareza sobre o impacto gerado surgem como condições essenciais para o aumento das doações. O fortalecimento da confiança será decisivo para transformar a intenção em ação e consolidar uma cultura de doação mais robusta no Brasil.” afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Encontro promovido pelo IDIS reúne filantropos em diálogos sobre propósito e transformação social

O IDIS realizou a primeira edição do ‘Em conversa com…’, iniciativa criada para promover diálogos mais próximos, profundos e inspiradores entre filantropos e filantropas brasileiros. O encontro reuniu lideranças do campo da filantropia em um ambiente de troca, escuta e aprendizado mútuo.

Nesta primeira edição, o evento contou com a participação de Claudio Haddad, fundador do Insper, e Ticiana Rolim Queiroz, fundadora da Somos Um, que compartilharam reflexões sobre suas trajetórias, propósitos e experiências na promoção de transformações sociais no Brasil.

Ao longo de seus 27 anos de atuação, o IDIS tem trabalhado pelo fortalecimento da filantropia e do investimento social privado no país. Nesse contexto, a filantropia familiar ocupa papel estratégico, especialmente por seu potencial de promover transformações estruturantes e de longo prazo.

Nos últimos anos, o IDIS aprofundou a atuação nesse campo por meio de pesquisas, workshops e da publicação ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar brasileira’. Durante esse processo, surgiu de forma recorrente a percepção da importância de ampliar espaços seguros de troca entre pares, ambientes pautados pela confiança, escuta qualificada e compartilhamento de experiências.

 

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Foi a partir dessa escuta que nasceu o “Em conversa com…”, com o propósito de fortalecer conexões humanas, ampliar repertórios e criar oportunidades para conversas que dificilmente acontecem nos fóruns tradicionais.

“O fortalecimento da filantropia também passa pela construção de vínculos e pela criação de espaços que estimulem trocas genuínas entre pessoas que compartilham o desejo de gerar impacto positivo na sociedade”, afima Paula Fabiani, CEO do IDIS.

A iniciativa contou ainda com o apoio da Fundação Bradesco, Movimento Bem Maior, Levisky Legado e UNICEF.

CNBB aprova criação de fundo patrimonial para preservar o patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil, com apoio do IDIS

Iniciativa segue a Lei dos Fundos Patrimoniais e pretende captar doações privadas para restaurar e manter bens sacros em todo o país

A Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou, em abril, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. A iniciativa, desenvolvida por meio da Assessoria de Bens Culturais da Comissão Episcopal para Cultura e Educação da CNBB e com o apoio técnico do IDIS, tem como objetivo captar doações privadas para restaurar, conservar e garantir a sustentabilidade financeira da gestão de bens culturais religiosos sob responsabilidade da Igreja, criando uma fonte permanente de financiamento para sua preservação.

O patrimônio cultural católico representa mais de 32% dos bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reunindo igrejas, obras de arte, arquivos históricos e espaços que integram a memória e a identidade brasileira. Apesar dessa relevância histórica e social, ao menos 99 igrejas e edificações religiosas apresentam hoje sérios problemas de conservação, segundo relatório de Bens Materiais do IPHAN divulgado em fevereiro de 2025.

O fundo patrimonial surge como um instrumento para assegurar estabilidade financeira no longo prazo, ampliar a independência institucional, fortalecer a governança e profissionalizar a gestão do patrimônio cultural eclesiástico. O mecanismo é constituído por doações de pessoas físicas e jurídicas cujos recursos são investidos no mercado financeiro por gestores profissionais, sendo utilizados apenas os rendimentos para financiar projetos, garantindo a perenidade das causas apoiadas.

“Vivemos um momento histórico ao aprovar um fundo patrimonial dedicado ao patrimônio cultural brasileiro sob gestão da Igreja Católica. Trata-se de um avanço significativo na forma como asseguramos a conservação desses bens, com um modelo inovador, sustentável, transparente e perene”, comenta Andrea Hanai, gerente de projetos e consultora no IDIS.

O modelo vem ganhando escala no país. O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil, produzido pelo IDIS de 2026, identificou 128 fundos patrimoniais ativos, que somam patrimônio superior a R$137,5 bilhões. A proposta é criar uma fonte contínua de financiamento complementar aos recursos já existentes, permitindo que dioceses, paróquias, congregações religiosas e instituições culturais ligadas à Igreja ampliem sua capacidade de gestão, conservação e restauração patrimonial.

Seguindo os parâmetros da Lei nº 13.800/2019, o fundo poderá apoiar a CNBB e seus 19 regionais, arquidioceses, dioceses, paróquias, ordens religiosas e equipamentos culturais eclesiásticos que possuam CNPJ próprio e atuação comprovada na gestão de patrimônio cultural. A iniciativa já conta com o apoio de um grupo de trabalho formado pelas Pontifícias Universidades Católicas de todo o país, IPHAN, Ministério Público e representantes da sociedade civil. O Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil prestará suporte às instituições elegíveis na elaboração de projetos, qualificação da gestão e captação de recursos. O objetivo é garantir que igrejas e bens religiosos continuem sendo espaços vivos de fé, cultura e acesso público em todo o Brasil.

 

Sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

O IDIS é uma organização da sociedade civil independente fundada em 1999 e pioneira em suporte técnico a investidores sociais no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e promover a filantropia estratégica e seu impacto, o IDIS atende indivíduos, famílias, empresas e institutos e fundações familiares, bem como organizações da sociedade civil, em ações que transformam realidades e contribuem para a redução da desigualdade social no país. Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Vaga para Analista de Projetos Sênior – Gestão da Doação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em projetos com foco em gestão da doação .

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de mais de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Analista de Projetos Sênior que apoie na Gestão da Doação, uma das áreas de Consultoria do IDIS.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

 

responsabilidades

 

  • Apoiar a condução e desenvolvimento de projetos do IDIS, com autonomia, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e benchmarking que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos.
  • Organizar, ler e analisar documentos e elaborar relatórios e apresentações sistematizados sobre os aprendizados e conclusões obtidos.
  • Facilitar a revisão de contratos, com apoio de parceiro jurídico, conciliando demandas das partes na busca pelas versões finais para assinatura.
  • Apoiar na coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos, consolidando as informações em relatórios gerenciais.
  • Apoiar na elaboração de propostas de projetos para potenciais clientes e parceiros, bem como na estratégia de prospecção da área.
  • Participar de reuniões semanais da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.
  • Conduzir reuniões semanais com clientes para acompanhamento gerencial do andamento dos projetos.
  • Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.

requisitos

  • Autonomia e capacidade de gestão de projetos e acompanhamento de múltiplas ações simultâneas.
  • Capacidade de relacionamento com clientes e projetos de impacto.
  • Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.
  • Metodologias para elaboração de análise diagnóstica, planejamento estratégico e plano de ação.
  • Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.
  • Familiaridade com contratos e termos de doação (desejável).
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões.
  • Conhecimentos intermediários de inglês na linguagem oral e escrita.

BENEFÍCIOS

  • Vale-Transporte
  • Assistência Médica e Odontológica
  • Vale-Alimentação/Refeição
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

 

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 09 de Junho

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Gerente de projetos do IDIS é certificado na metodologia de avaliação de impacto de organização britânica; confira entrevista

Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, obteve a certificação Practitioner Level 2 na metodologia SROI (Retorno Social sobre o Investimento), oferecido pela organização britânica Social Value International (SVI), referência mundial no assunto e da qual o IDIS integra a rede. Com a conquista, ele se torna o segundo brasileiro a alcançar esse nível de certificação, juntando-se a Paula Fabiani, CEO do IDIS, que até então era a única no país com o título.

O SROI é um protocolo de avaliação de impacto que propõe analisar a relação entre os recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade por essa iniciativa. A certificação é concedida pela organização que há mais de 15 anos qualifica profissionais em todo o mundo para a aplicação da metodologia.

“Foi um processo desafiador e muito enriquecedor, que exigiu dedicação e aprofundamento técnico na mensuração de impacto social. Ao longo da jornada, tive a oportunidade de ampliar meu olhar sobre a geração de valor social e aprender com diferentes profissionais. Essa conquista também reflete o apoio e a colaboração de muitas pessoas que fizeram parte desse percurso”, afirma.

De acordo com a Social Value International, valor social significa compreender a importância que as pessoas atribuem às mudanças em seu bem-estar e utilizar esses aprendizados para orientar decisões mais informadas. Nesse sentido, a metodologia contribui para fortalecer processos de tomada de decisão baseados em evidências em organizações sociais.

No centro, Daniel Barretti, durante discussão sobre Monitoramento e Avaliação
Créditos: André Porto

O IDIS é hoje uma referência na aplicação do SROI no Brasil, com projetos realizados para organizações como Amigos do Bem, Fundação Sicredi, Gerando Falcões, Instituto Ayrton Senna, Orquestra Maré do Amanhã, Parceiros da Educação, Petrobras e Vale.

Conheça mais sobre os projetos de Monitoramento e Avaliação realizados pelo IDIS.

Confira a entrevista com Daniel Barretti publicada na Social Value International:

 

1 – Parabéns por conquistar a certificação Level 2: Social Value Practitioner! O que esse marco representa para você e como é ser apenas a segunda pessoa no Brasil a alcançar esse nível?

Obter a acreditação L2 da SVI representa mais um passo em uma trajetória de aprendizado contínuo. Para mim, isso significa que minha prática em monitoramento e avaliação de projetos sociais vem se aprimorando. Quanto ao fato de eu ser apenas o segundo brasileiro a possuir essa acreditação, acredito que isso reflita o caráter pioneiro e consistente da experiência acumulada pelo IDIS (organização à qual pertenço) no protocolo SROI.

2 – Como gerente de Monitoramento e Avaliação no IDIS, de que forma o SROI faz parte do seu trabalho no dia a dia e o que motivou você a buscar essa certificação formal nesse nível?

Nossa atual CEO, Paula Fabiani, foi a primeira brasileira certificada no Nível 3 da SVI. Isso trouxe ao IDIS um selo de reconhecimento e uma expertise significativa na aplicação do protocolo no Brasil. Desde então, o IDIS vem realizando diversas avaliações SROI e tornou-se uma referência nacional no tema. Nesse contexto, o que me motivou a buscar a certificação SVI Nível 2 foi justamente a ideia de dar continuidade e atualizar nosso conhecimento na aplicação do SROI no Brasil.

3 – Você descreveu o processo de certificação como “desafiador e extremamente enriquecedor”. Pode explicar como foi esse processo e quais foram os aspectos tecnicamente mais exigentes para você?

Acredito que trabalhar os 8 princípios do SROI exige atenção cuidadosa e rigorosa aos detalhes técnicos e práticos, além de transparência e clareza nos processos de reporte e nos respectivos resultados. Engajar e coletar percepções de impacto de beneficiários indiretos, por exemplo, é um grande desafio, assim como fazer os beneficiários compreenderem a diferença entre o desconto de atribuição e o contrafactual. Por outro lado, essas dificuldades revelam caminhos e possibilidades de atuação e, consequentemente, nos levam a aprimorar nossas avaliações, tornando-as cada vez mais participativas, precisas e transparentes.

4 – O SROI exige uma abordagem rigorosa para quantificar valor social, desde o mapeamento de stakeholders até a monetização dos resultados. O que a certificação ensinou a você sobre aplicar esses princípios especificamente no setor social brasileiro?

Como mencionei, envolver beneficiários indiretos é um grande desafio, já que eles estão, em grande parte, distantes da intervenção e, consequentemente, têm baixa percepção do impacto relacionado a ela. No entanto, o processo de acreditação me ensinou que é necessário, primeiro, identificar e testar possibilidades de mobilização e engajamento e, segundo, coletar as informações da melhor forma possível — mas não deixar de coletá-las — e, principalmente, descrever as limitações e riscos de cada processo de coleta de dados e de análise dos resultados.

Do ponto de vista da monetização, combinar técnicas como o uso de proxies e ancoragem mostrou-se uma abordagem poderosa para unir valor de mercado e percepção social de valor. Ainda assim, o processo de acreditação me mostrou que a etapa de monetização pode ser ainda mais participativa ao validar proxies junto ao público beneficiário.

5 – O IDIS já aplicou SROI com organizações como Amigos do Bem, Instituto Ayrton Senna, Petrobras e Vale. Como sua experiência prática nesses projetos influenciou sua abordagem na certificação e vice-versa?

Submeti para acreditação uma avaliação que havíamos realizado recentemente com base em nossa experiência prévia com SROI. Entendo que essa experiência anterior me ajudou de muitas maneiras, mas também trouxe alguns hábitos já incorporados de compreensão e execução que, por vezes, estavam equivocados. Assim, o processo de acreditação certamente serviu para refletirmos criticamente e atualizarmos nossas práticas, alinhando-as de forma mais consistente aos princípios da SVI.

6 – Você mencionou que essa conquista reflete o apoio de muitas pessoas ao longo da jornada. Quem foram algumas das vozes ou colaboradores-chave e o que aprender junto a pessoas de diferentes formações trouxe para essa experiência?

Hoje temos uma equipe grande de Monitoramento e Avaliação no IDIS, e trocamos muitas ideias sobre nossas práticas diárias de trabalho. Então, eu diria que, em certa medida, toda a equipe me ajudou por meio de reuniões, debates e reflexões, mesmo quando não estavam diretamente relacionados ao meu processo de acreditação.

De forma mais direta, três pessoas contribuíram muito nesse processo: Ana Beatriz, que foi a analista mais envolvida comigo durante a execução da avaliação antes de eu submetê-la para acreditação; Denise Carvalho, diretora de Monitoramento e Avaliação do IDIS, que não apenas me incentivou, mas também me ajudou nas reflexões e revisões necessárias ao longo do processo; e, por fim, Paula Fabiani, CEO do IDIS, que foi a maior incentivadora para que eu buscasse essa acreditação e não desistisse após uma primeira tentativa.

7 – A mensuração de valor social ainda está amadurecendo como disciplina na América Latina. Quais você vê como as maiores barreiras para uma adoção mais ampla de valor social e SROI no Brasil, e o que diria a outros profissionais que estão considerando a certificação?

Para começar, eu diria que ainda temos uma barreira quando se trata de avaliações de impacto em geral. Muitas organizações que afirmam avaliar impacto estão, na verdade, monitorando indicadores de processo ou de produto, como o número de participantes. Avaliações de impacto, como as avaliações SROI, exigem recursos humanos, técnicos e financeiros que muitas vezes não são previstos no planejamento das iniciativas.

Além disso, acredito que a grande extensão territorial do Brasil e, consequentemente, sua enorme diversidade cultural e socioeconômica representam um desafio ainda maior para a monetização. No Brasil, por exemplo, não temos um banco oficial de proxies como existe no Reino Unido, e acredito que um esforço desse tipo talvez nem fosse viável justamente por conta das diferenças territoriais do país.

Recomendo fortemente que outros profissionais passem pelo processo de certificação, pois ele permite refletir criticamente sobre as próprias práticas, sobre as melhores formas de adaptá-las e conduzi-las no contexto brasileiro e, por fim, porque acredito que seja uma abordagem rica, que combina dados qualitativos e quantitativos e nos proporciona uma leitura muito profunda das iniciativas sociais a partir da perspectiva de quem realmente vivencia essas iniciativas na prática.

8 – O que vem pela frente para você? Existem áreas da prática de valor social que você espera desenvolver mais, e o que espera que essa conquista possibilite para o IDIS e para o campo?

Certamente. Duas lições do meu processo de acreditação que quero muito colocar em prática são: primeiro, um processo mais qualificado e robusto de escuta e engajamento de beneficiários indiretos; e, segundo, tornar a avaliação ainda mais participativa, validando resultados parciais, bem como a escolha de proxies, por exemplo, também com os beneficiários, além da validação junto à organização executora da iniciativa.

Programa Juntos Pela Saúde lança Relatório de Atividades 2025

O Juntos pela Saúde é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), implementada nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. 

Em 2025, o projeto alcançou um momento decisivo de consolidação e implementação com a atuação em 64 municípios da região Norte, 298 municípios do Nordeste e 12 projetos em execução simultânea.

O ano também marca a conquista de  R$72,9 milhões investidos, 4.167 unidades de saúde beneficiadas, 20.731 equipamentos distribuídos (entre equipamentos de saúde, informática e mobiliário), 17.545 beneficiários diretos e 9,7 milhões de beneficiários indiretos. Até 2026, o programa prevê R$113 milhões em investimentos.

 

Baixe aqui o Relatório de Atividades 2025 do Juntos pela Saúde

 

Confira as principais ações realizadas e os números de programa, entre 2023 e 2025:

Sobre os projetos executados em 2025 

Entre os projetos em execução, o Afluentes expandiu protocolos nacionais de pré-natal e controle da hipertensão para 6 municípios do Oeste do Pará, com elaboração de guias clínicos e capacitação de profissionais da Atenção Primária. O CARDIO fortaleceu o cuidado cardiovascular em municípios da Paraíba, Ceará e Pará, com a implantação de cantinhos especializados em 386 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já o Ciclo Saúde Proteção Social apoiou a gestão pública e a qualificação das equipes da APS em 32 municípios do Pará e Maranhão, somando 664 encontros formativos e mobilizando mais de dois mil profissionais.

Na frente de inovação tecnológica, o epCertify – Linha de Cuidado Hiperdia implementou soluções digitais para monitoramento de hipertensão e diabetes em dez municípios nordestinos, beneficiando 88 UBS e mais de 198 mil pessoas indiretamente. O Impulso Previne ampliou o uso estratégico de dados públicos da Atenção Primária para 243 municípios em 15 estados, apoiando o acompanhamento ativo de pacientes e a melhoria de indicadores assistenciais. Complementando essa agenda, o NoHarm utilizou inteligência artificial para qualificar a segurança do paciente, analisando mais de 28 mil prescrições e fortalecendo a gestão clínica em 341 UBS, inclusive em territórios remotos.

No campo da vigilância em saúde, o Sistema de Antecipação de Surtos avançou no monitoramento epidemiológico de doenças respiratórias, alcançando 479 municípios em 2025. O SUS na Floresta deu início às construções dos pontos de apoio à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas, ampliando o acesso a atendimentos presenciais, telemedicina e serviços odontológicos.

Voltado ao cuidado integral, o Tecendo Linhas fortaleceu a saúde materno-infantil e o acompanhamento de condições crônicas em seis municípios do Pará, enquanto o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer de Colo do Útero ampliou a cobertura vacinal contra HPV em dez municípios do Ceará, com resultados superiores a 90% em parte dos territórios atendidos. Já o V.E.R. – Visão em Rede promoveu triagens visuais e acesso a diagnóstico em Serra Talhada (PE), utilizando telessaúde e doação de óculos para reduzir barreiras de acesso ao cuidado ocular.

A filantropia como infraestrutura diante da crise climática

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Marcelo Modesto, gerente da área ESG do IDIS.

As cenas se repetem e, a cada ano, com mais intensidade. Ruas transformadas em rios, famílias desalojadas, serviços públicos colapsados. De Juiz de Fora, com seus episódios recentes de enchentes e desafios nos planos de contingência, a diversas regiões metropolitanas e cidades, o país está cada vez mais vulnerável a eventos extremos. O que se vê não é mais um momento excepcional, mas um padrão consolidado.

Segundo dados recentes lançados pela Ipsos, cerca de um quarto da população já precisou se deslocar por conta de eventos extremos, evidenciando, cada vez mais, que a crise não é apenas ambiental, mas social, econômica e humanitária. O deslocamento forçado rompe vínculos territoriais, além de agravar desigualdades históricas, afetando de forma mais intensa populações já vulnerabilizadas.

O relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026, lançado pelo IDIS, apresenta também um diagnóstico central de que o clima não é mais uma agenda entre outras, mas um fator estruturante que atravessa todas as dimensões: saúde, educação, segurança alimentar, habitação e renda.

È justamente nesse ponto que um debate ainda pouco amadurecido no Brasil precisa avançar: o papel da filantropia como parte da infraestrutura de resposta a crises. Em situações de desastre, o tempo é o recurso mais escasso. O Estado, por mais preparado que possa estar para enfrentar situações como essas, opera com algumas limitações que podem dificultar respostas imediatas na celeridade necessária.

A filantropia, nesse sentido, tem atributos que a tornam particularmente relevante nesses contextos, como maior flexibilidade, rapidez na alocação e direcionamento de recursos, além de uma maior capacidade para assumir riscos.

Fundos emergenciais, por exemplo, permitem mobilizar recursos direcionando apoio a territórios críticos antes mesmo que estruturas públicas consigam se reorganizar. Organizações da sociedade civil, por sua vez, atuam como braços operacionais essenciais, já que estão inseridas nos territórios e conhecem, com precisão, quem precisa de ajuda e como chegar até essas pessoas no momento em que elas mais precisam.

O campo do investimento social privado já demonstra mobilização significativa em desastres. Mas ainda há um desequilíbrio, uma vez que a maior parte das ações se concentra na resposta imediata após eventos climáticos extremos, com pouca incidência em prevenção e adaptação.

Considerando as evidências científicas de que eventos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes e intensos, as respostas não podem continuar baseadas apenas em resoluções momentâneas. Nesse sentido, a filantropia deve ser tratada como parceira estratégica capaz de ampliar velocidade, alcance e efetividade, atuando colaborativamente com o estado e iniciativas privadas.

Isso implica, na prática, fortalecer fundos de emergência permanentes, com governança e capacidade de rápida ativação; investir na preparação dos territórios, financiando prevenção, adaptação e resiliência; apoiar organizações locais, que são as primeiras a responder e as últimas a sair; e, sobretudo, atuar de forma articulada, reduzindo lacunas entre planejamento e execução. Especialmente em agendas sensíveis, como é o caso dos desastres climáticos, essa integração é indispensável para solucionarmos os desafios que temos à frente.

Paula Fabiani nomeada para a lista TIME100 Philanthropy 2026, que representa os 100 líderes mais influentes na filantropia

A TIME nomeou Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, para a segunda edição anual da lista TIME100 de Filantropia de 2026, que reconhece figuras singulares que estão moldando o futuro das doações. Paula é a primeira brasileira a integrar a lista.

O reconhecimento destaca sua atuação no fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, bem como sua contribuição para aproximar o país dos debates internacionais sobre investimento social e desenvolvimento sustentável.

Segundo Paula Fabiani, a inclusão na TIME100 Philanthropy reflete o avanço coletivo do campo no país. “Espero que esse reconhecimento traga mais visibilidade para a filantropia brasileira. Nos últimos anos, temos visto o campo se desenvolver de forma consistente, com mais articulação, profissionalização e busca pela sustentabilidade com os fundos patrimoniais. O Brasil tem uma sociedade civil potente, criativa e com capacidade de inovação, e pode ocupar um papel cada vez mais protagonista nos debates globais sobre impacto social e desenvolvimento sustentável.”

Economista formada pela FEA-USP, com MBA pela Stern School of Business da New York University e doutorado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Paula construiu sua trajetória profissional conectando conhecimento acadêmico, articulação institucional e incidência pública em prol do impacto social. Autora de livros sobre fundos patrimoniais filantrópicos e primeira infância, Paula também é certificada na metodologia de avaliação de impacto SROI (Social Return on Investment) pela organização Social Value UK.

Paula Fabiani durante cerimônia da TIME100 Philanthropy

À frente do IDIS, contribuiu diretamente com apoio técnico à centenas de empresas, famílias, fundações e institutos, e liderou iniciativas que se tornaram referências nacionais, como a Pesquisa Doação Brasil, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais e a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Sua atuação foi decisiva para a aprovação da Lei nº 13.800/2019, que regulamenta os fundos patrimoniais no Brasil, mecanismo que garante recursos para causas de interesse público no longo prazo. Esse é um marco estrutural para o fortalecimento da filantropia no país e, desde então, o campo passou por uma expansão significativa: desde 2019 já foram criados mais de 60 fundos, e hoje o país já conta com 128 fundos patrimoniais ativos mapeados. Além disso, é uma das fundadoras do Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL, para incentivar empresas de diversos portes e segmentos a doarem pelo menos 1% de seu lucro líquido anual para causas socioambientais.

Em 2024, quando o IDIS foi contemplado com uma expressiva doação da filantropa MacKenzie Scott, foi possível pôr em prática um desejo antigo: a criação de um fundo patrimonial voltado ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação. Paula Fabiani vem liderando a captação ao Fundo de Fomento à Filantropia, inédito em sua categoria, junto a investidores locais. Hoje, o patrimônio ultrapassa R$ 10 milhões e segue ativo.

O reconhecimento da Revista Time posiciona o Brasil no mapa global da filantropia estratégica e evidencia o amadurecimento de um ecossistema que Fabiani ajudou a construir.  Além de liderar o IDIS, participa também em redes e conselhos nacionais e internacionais, entre eles o Conselho Consultivo do UNICEF e o Steering Committee do Global Philanthropy Forum, e é cofundadora do capítulo brasileiro do Catalyst Now.

Em entrevista a GloboNews, no quadro Extraordinários, Paula Fabiani, CEO do IDIS, compartilha reflexões sobre cultura de doação. Confira:

 

Equipe IDIS celebrando conquista durante reunião de equipe

Transformando Territórios conclui segunda formação em Governança para o Terceiro Setor

Em abril, o programa Transformando Territórios concluiu a segunda formação em Governança para Terceiro Setor, ampliando o alcance e reforçando o compromisso com o fortalecimento institucional do terceiro setor em diferentes territórios.

Voltada para pessoas que já atuam ou desejam atuar em posições de liderança dentro de OSCs, a formação reuniu mais de 70 participantes, representando mais de 30 municípios, distribuídos em 14 estados brasileiros. A iniciativa contou com representantes indicados por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) parceiros do programa.

Estruturada em quatro encontros síncronos, a formação contou com emissão de certificado para os participantes. Ao longo da programação, foram abordados temas fundamentais para o fortalecimento das organizações, como introdução ao terceiro setor e a conceitos e práticas de governança de sucesso, além de sustentabilidade institucional e construção de legado.

O objetivo da formação foi aprofundar a compreensão sobre a importância da governança como elemento estratégico para a transparência, sustentabilidade e efetividade das OSCs, contribuindo para o desenvolvimento de lideranças mais preparadas para enfrentar desafios e ampliar o impacto social das organizações.

“Concluir essa formação com mais de 70 lideranças certificadas é plantar sementes para o futuro do setor social. Governança é transparência, compromisso e, acima de tudo, a abertura para novas vozes no processo decisório, garantindo que as organizações atendam demandas socioambientais legítimas e maximizem seu impacto.”, comenta Felipe Insunza Groba, gerente de projetos do IDIS, e ministrante da formação.

A primeira turma, concluída em 2025, foi direcionada exclusivamente a membros das FICs participantes do programa Transformando Territórios. Já essa segunda fase teve como público lideranças de OSCs atuantes nos territórios dessas fundações e institutos, auxiliando na melhoria das práticas de governança de forma mais ampla. 

A iniciativa integra as estratégias do Transformando Territórios, com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, fortalecendo Fundações e Institutos Comunitários e impulsionando organizações que atuam diretamente na promoção do desenvolvimento local.

“É fundamental tratar da Governança. Ainda é tomado como algo secundário, mas não deve ser assim. A FUNDAES teve a oportunidade de reforçar isso no seu âmbito.

Os testemunhos que ouvimos é de que a Formação em Governança foi espetacular. Entidades já “maduras” disseram que o assunto deve ser revisitado. Falar aos Conselheiros da sua indispensável participação para advocacy e captação de recursos, além de fiscalizar a Gestão, é de extrema importância. E nisso o Felipe foi estratégico durante a formação. Muito obrigado ao IDIS”, agradece  Robson Melo, diretoria da FUNDAES, uma das organizações participantes do programa Transformando Territórios.

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Conheça nossos materiais sobre Governança

Começa a pesquisa para Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2025

Está iniciada a coleta de dados para o Anuário de Desempenho dos Fundos Patrimoniais 2025. Esta é a quinta edição da publicação, realizada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e que este ano tem o apoio estratégico da Fundação Bradesco e Movimento Bem Maior, e o apoio de 1618 Investimentos, Fundação José Luiz Setúbal, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Levisky Legado e Pragma Gestão de Patrimônio.

A iniciativa traz informações sobre fluxo de caixa (patrimônio, doações recebidas, investimentos na causa e resgates para manutenção própria); alocação e rentabilidade dos investimentos; estrutura da governança (com dados sobre a presença de membros independentes e participação feminina), investimento responsável, além de perspectivas para o futuro.

A última edição do estudo, no ano passado, contou com 92 respondentes com patrimônio somado de R$ 139 bilhões.

Serão enviados emails convite para os fundos mapeados pelo IDIS, mas gestores interessados em integrarem o Anuário podem entrar em contato com a equipe do IDIS pelo email: anuariofp@idis.org.br ou por WhatsApp (11) 91708-5775.

Os fundos respondentes terão a oportunidade de participar de um evento fechado entre Gestores de Fundos Patrimoniais no lançamento da publicação.

Para conhecer as informações solicitadas no questionário, o disponibilizamos também completo em Word (acesse aqui). Mas atenção: só serão válidas respostas enviadas via sistema.

PRAZO DE PREENCHIMENTO

As respostas oficiais deverão ser preenchidas no sistema online clicando aqui até 31 de maio de 2025.

 

Conheça o Anuário de Desempenho dos Fundos Patrimoniais 2024.

 

REALIZAÇÃO

SOBRE FUNDOS PATRIMONIAIS

Os fundos patrimoniais, ou endowments, são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade financeira de organizações e causas. No Brasil, o primeiro foi criado na década de 50 e se intensificaram a partir de 2019, com a sansão da Lei 13.800/19. Segundo o Monitor de Fundos Patrimoniais, há hoje no país mais de 130 fundos patrimoniais ativos.

 

Saiba mais:

2° Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1% reúne lideranças para debater e estimular a doação empresarial

No dia 29/04, em São Paulo, aconteceu o segundo Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1%, um evento exclusivo promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Instituto MOL, que reuniu empresas protagonistas na transformação positiva no Brasil, que se comprometeram a doar ou já destinam ao menos 1% do lucro líquido anual para organizações da sociedade civil, movimentos ou coletivos que atuam em prol de causas socioambientais de interesse público. O Compromisso 1% reúne hoje 27 empresas signatárias, com novas organizações em processo de adesão.


Veja o que é Investimento Social Privado.


Com o objetivo de promover reflexões sobre o papel da filantropia estratégica, a programação contou com painéis e rodas de conversa com lideranças corporativas, conselheiros do Compromisso 1% e representantes das empresas signatárias e algumas empresas que estão finalizando o processo de adesão.

2º Encontro de empresas signatárias do Compromisso 1% na sede da KPMG Brasil / Foto: André Porto

Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – e de Rodrigo Pipponzi, membro do Comitê de Sustentabilidade da RD Saúde, lideraram o painel “Pessoas, propósito e legado: geração de valor para dentro e fora das empresas”, e debateram como o Investimento Social Privado pode gerar valor para os públicos de interesse da empresa, sejam internos ou externos. Já as rodas de conversas, mediadas por empresas signatárias e organizações do comitê consultivo do movimento, abordaram temas como alinhamento entre estratégia empresarial e investimento socioambiental, sensibilização e engajamento de lideranças, relacionamento com públicos externos, monitoramento e avaliação de impacto, comunicação como ferramenta de valor e diferentes modalidades de doação, promovendo conexões qualificadas e aprendizado coletivo.

Fechando com chave de ouro,  Rafaella Carvalho, Diretora Executiva na Cyrela Brazil Realty e Bruna Silva, Gerente Executiva de Impacto Social na RD Saúde, inspiraram ainda mais os presentes, reforçando a importância do compromisso contínuo com a filantropia estratégica e o papel das empresas na geração de impacto positivo na sociedade.

O II Encontro de Empresas Signatárias do Compromisso 1% marcou um avanço essencial: aproximar empresas signatárias e empresas que querem assumir um compromisso público e ter uma atuação mais conectada com a transformação socioambiental. Mais do que alinhamento de discurso, o encontro mostrou que, quando as empresas atuam de forma conjunta, elas podem ampliar o potencial de gerar mudanças concretas no Brasil.


QUER FAZER PARTE DESSA TRANSFORMAÇÃO?

Se a sua empresa também acredita no poder da doação estratégica para construir um futuro mais sustentável, acesse e saiba como aderir ao movimento. Junte-se às empresas que já estão mudando o mundo com apenas 1%.

Fortalecer a cultura de doação é um desafio coletivo

Autoria: Integrantes do Movimento por uma Cultura de Doação

A 13ª edição do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica, o FIFE, aconteceu em abril, em Recife, e pela primeira vez, o Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) marcou presença. O encontro reuniu mais de 1.700 pessoas de todo o Brasil, representantes de organizações da sociedade civil (OSCs) de diferentes portes e defensoras de múltiplas causas.

Para iniciar esta aproximação, a escolha da abordagem foi simples: destacar a importância da ação de cada um dos presentes no fortalecimento da cultura de doação. Antes mesmo da abertura oficial, realizamos uma masterclass com três horas de duração, que permitiu explorar o assunto com profundidade e envolvendo o público nas reflexões propostas. Para quem está na ponta, a doação tem significado de sobrevivência e de resistência. É também encarada como um esforço individual – o captador de recursos busca engajar doadores para a sua própria organização. A sessão, entretanto, expandiu esses entendimentos. Daniela Saraiva, coordenadora executiva, e Douglas Gonzalez, integrante do comitê gestor do MCD, apresentaram o conceito de cultura de doação, mostrando que quando doar é um valor da sociedade, um hábito cotidiano, o recurso flui também de forma mais fácil e permeia a capilaridade social, chegando a que mais precisa: as organizações sociais presentes nos territórios mais vulneráveis de nosso país.

Para o fortalecimento de uma cultura de doação, o MCD propõe cinco diretrizes, cada uma com ações correspondentes e com as quais podem contribuir o poder público, investidores socioambientais, organizações estruturantes, as próprias OSCs e qualquer cidadão. As próprias diretrizes têm recomendações que podem ser utilizadas para inspirar, direcionar e mesmo planejar ações que contribuam para esta agenda.

Outros membros do MCD foram chamados para compor o painel. Para aquecer o debate: dados. Luisa Lima, gerente de conhecimento do IDIS, apresentou os resultados da Pesquisa Doação Brasil 2024, mostrando como pensa e como age o doador individual no Brasil. Naquele ano, 43% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação em dinheiro para OSCs, movimentos e campanhas, mobilizando R$ 24,3 bilhões de reais. O estudo revela que o doador está mais racional, demandando mais informações sobre as organizações e sobre o impacto gerado, por isso aspectos como governança, comunicação e avaliação passam a ser tão valorizados e são elementos importantes para o fortalecimento da cultura. Também importante é o letramento da mídia, que tem influência direta na decisão de doar (e de não doar).

Relatos de casos reais, organizações que captam recursos e que se percebem como agentes deste processo de construção da cultura de doação, contribuíram para inspirar o público presente. 

Joanna Calazans, gerente de filantropia da Aldeias Infantis SOS, trouxe seu ponto de vista a partir da experiência de uma organização que tem uma atuação já consolidada e milhares de doadores. Para ela, estar atento às tendências e mudanças sociais é imprescindível para garantir que cada vez mais pessoas possam se conectar com causas sociais. Neste sentido, fomentar a cultura de doação também é criar narrativas que sensibilizem para a ação. 

Jovemar dos Santos Silva Junior, diretor executivo da ReappMobi, abordou sua experiência com a gestão de captação de recursos através de leis de incentivo à cidadania Fiscal, conhecida em São Paulo como Nota Fiscal Paulista e no Maranhão como Nota Solidária, e trouxe a importância de estruturar campanhas de contato com doadores através de dados relacionais, medir indicadores como tempo de adesão do doador com a campanha, percepção do doador no ponto de contato com a causa da organização e motivadores de doação são importantes para engajar doadores com constância e consistência na relação Instituição-Doador e garantir sustentabilidade às Organizações Sociais. 

O papel do poder público também esteve presente no debate a partir da fala de Candice Araújo, assessora do ELO Ligação e Organização, organização que integra a Plataforma por um Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – Plataforma MROSC, articulação nacional que atua pelo aprimoramento do ambiente social e legal de atuação das OSCs e pelo fortalecimento de suas relações de parceria com o Estado. Pelo ELO, Candice também ocupa a vice-presidência do CONFOCO Nacional, espaço estratégico para o avanço da agenda MROSC – nas dimensões normativa e de produção de conhecimento. 

Em sua contribuição, destacou que a Lei nº 13.019/2014 consolidou regras para as parcerias entre Estado e sociedade civil, reforçando que organizações e poder público são corresponsáveis na promoção do bem comum. Nesse contexto, ressaltou que, embora a doação seja essencial para o fortalecimento das causas sociais e para a redução das desigualdades, ela não pode substituir a responsabilidade estatal na garantia de direitos e na implementação de políticas públicas. A reflexão reforçou a importância de compreender a cultura de doação como agenda complementar, inserida em um ecossistema mais amplo de corresponsabilidade social.

A fórmula escolhida – conceitos, dados, casos práticos e reflexões – foi repetida em versão pocket, durante o FIFE. Ao todo, quase 200 pessoas participaram dos debates. Em ambos momentos, apresentamos também o Dia de Doar, um movimento global sobre generosidade que este ano está de casa nova: o Movimento por uma Cultura de Doação. 

Mais do que apresentar uma iniciativa, provocamos os presentes a refletir: se queremos ver o Brasil como um país mais doador e, de fato, enraizar a cultura de doação, precisamos falar sobre doação, provocar diálogos e engajar pessoas nessas conversas. Essa é uma necessidade que vai além das nossas causas individuais — é um compromisso compartilhado para a construção de um país mais justo, equitativo e democrático. Não há como a doação florescer, se não falamos sobre isto. 

A semana foi bonita, com muitos aprendizados e embalada pela hospitalidade pernambucana. Participar de espaços como estes, chamar mais pessoas para a conversa, para a reflexão e para a ação são elementos essenciais. Afinal, fortalecer a cultura de doação é um esforço coletivo. E fechamos com o futuro que desejamos, trazendo a citação do poeta e filósofo libanês Khalil Gibran, lembrada por uma das participantes do evento: É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar por haver apenas compreendido.”

IDIS e parceiros levam tema do investimento social privado para a Amazônia

No final do mês de março, representantes do IDIS estiveram em Manaus (AM) para uma série de agendas voltadas à promoção do Investimento Social Privado (ISP) na região. A iniciativa teve como objetivo dialogar com diferentes públicos locais, além de conhecer de perto iniciativas desenvolvidas no território.

A programação teve início com a participação no 8º Encontro Regional promovido pela FBN Brasil – Family Business Network Brasil, nesta edição em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. O evento reuniu famílias empresárias da Região Norte para discutir tendências, cenários econômicos, perspectivas de sucessão e governança, bioeconomia, além do papel da filantropia e do investimento social privado no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Realizado na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o encontro contou com 73 participantes e 14 palestrantes, em uma manhã dedicada à troca de experiências, conexões estratégicas e reflexão sobre os desafios e oportunidades para as empresas familiares e para o desenvolvimento sustentável da região.

Durante a programação, a gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, Luisa Lima, conduziu um painel sobre o papel das famílias empresárias no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Em sua fala, apresentou diferentes modelos de investimento social e destacou iniciativas já em andamento. “Ficou evidente a conexão dos empresários com o território. Há um enorme potencial da Amazônia para impulsionar soluções que conciliem desenvolvimento econômico, conservação ambiental e fortalecimento das comunidades locais”, afirmou.

Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, também integrou a programação.

No dia seguinte, Luisa Lima representou novamente o IDIS no evento Conexão de Impacto, promovido pelo Impact Hub Manaus, com uma apresentação sobre investimento social privado e cultura de doação para cerca de 30 representantes de organizações da sociedade civil da cidade.

A agenda incluiu ainda outras visitas institucionais, como ao escritório do UNICEF em Manaus e à Comunidade de Tumbira, onde a FAS implementa ações voltadas ao desenvolvimento local, beneficiando diretamente mais de 140 ribeirinhos.

Relatório de atividades 2025: esperançamos e realizamos!

Há mais de duas décadas, escolhemos acreditar – e agir – para que a filantropia seja força ativa na construção de um Brasil mais justo e solidário.

Em 2025, esse compromisso se manteve firme. O ‘esperançar’ foi o tema do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais e também o fio condutor que guiou nossas ações. Diante da complexidade da policrise mundial, é fácil sentir-se paralisado, com o horizonte do futuro encoberto pela incerteza. Mas não se pode esperar. É tempo de agir, colaborar, mobilizar forças e acreditar que um mundo com mais equidade é possível. A filantropia é um farol, que aponta o caminho para novas
alternativas e possibilidades, transformando esperança em movimento.

Seja entre iniciativas internas ou em colaborações com outras organizações do setor, a coletividade deu propulsão à nossa atuação baseada no tripé de geração de conhecimentoconsultoria e projetos de impacto. Durante esse caminho, continuamos com nossa missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto. As histórias foram reunidas em nosso Relatório de Atividades.

Acesse e baixe o Relatório de Atividades IDIS de 2025.

Conheça os destaques!

 

O IDIS em números

Nossa equipe de consultoria conduziu 39 projetos, abrangendo áreas como planejamento estratégico, agenda ESG, estruturação e gestão de fundos patrimoniais, gestão de doações e avaliação de impacto.

Já na área de conhecimento, continuamos com nossa vocação de refletir sobre tendências, ler cenários e sistematizar conceitos e metodologias. Foram 50 novos produtos, incluindo publicações, artigos e notas técnicas lançadas e eventos. Lançamos a quinta edição do Perspectivas para a Filantropia no Brasil, realizamos mais uma edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que mais uma vez aconteceu de forma híbrida, e produzimos a Pesquisa Doação Brasil 2024 e o estudo Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da Filantropia Familiar no Brasil. Apoiamos o desenvolvimento, adaptação e tradução de estudos de organizações parceiras internacionais, como o World Giving Report 2025, da CAF. Ao todo, recebemos 62 mil acessos aos nossos conteúdos.

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025

Os projetos de impacto que o IDIS implementa e lidera continuaram avançando. No âmbito do programa Transformando Territórios, o ano em que o Programa completou meia década foi marcado por avanços no fortalecimento individual e coletivo das FICs, compartilhamento de conhecimento e ampliação do modelo no Brasil. Atualmente, são 15 organizações participantes, presentes em dez estados brasileiros. Para dar mais visibilidade ao conceito da filantropia comunitária territorial e fortalecer a comunicação institucional das FICs, foi produzida a Websérie Transformando Territórios, que apresenta 14 histórias reais de impacto, pertencimento e protagonismo comunitário.

Ao longo do ano, a Coalização pelo Fundos Filantrópicos, liderada pelo IDIS, continuou sua atuação, que envolveu diversas reuniões estratégicas e a submissão de documentos técnicos, garantindo que a discussão fosse aprofundada e priorizada na agenda legislativa. A cultura é uma das causas com larga tradição de financiamento por meio de endowments e, em 2025, o Ministério da Cultura publicou a Instrução Normativa nº 26, regulamentando a captação de recursos, via Lei de Incentivo à Cultura, para a constituição ou ampliação de fundos patrimoniais culturais, nos termos da Lei nº 13.800/2019. Ainda nesta temática, lançamos mais uma edição do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais, e demos continuidade a atualização do Monitor de Fundos Patrimoniais, acompanhando a evolução do tema no Brasil.

Andrea Hanai junto a Margareth Menezes durante o encontro ocorrido em Brasília. 22 de maio de 2025. Foto: Victor Vec/ MinC.

Em 2025, o Programa Juntos pela Saúde, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e gerida pelo IDIS, completou seu portfólio, com dois projetos finalizados e 12 em execução simultânea. Para
além de estruturar arranjos e selecionar iniciativas, o programa passou a concentrar esforços na sustentação da execução e do monitoramento. Até 2026 serão destinados aproximadamente R$ 113 milhões, captados em formato de matchfunding (sendo 50% deste valor por meio de parceiros e 50% do BNDES) para 14 projetos que visem beneficiar atividades de saúde, com destaque ao apoio aos serviços da atenção primária, apoio diagnóstico, prevenção e rastreamento.

O Compromisso 1%, parceria entre IDIS e @Instituto MOL, reúne empresas de diferentes portes e setores que se comprometem a doar, de forma voluntária, pelo menos 1% de seu lucro líquido anual para em prol de causas de interesse público. Em um ano e meio de existência, o Compromisso 1% reuniu 22 empresas signatárias que se comprometem a doar ao menos 1% de seu lucro líquido, seja por meio de recursos financeiros, produtos ou expertise, na forma de trabalho pro bono.

Também demos início ao IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. Durante o Google for Brasil 2025, em São Paulo, o Google.org, vertente filantrópica do Google, anunciou o aporte de R$ 5 milhões destinados a capacitação em inteligência artificial voltada ao terceiro setor. O IDIS assumiu a liderança da implementação do programa, ampliando nosso compromisso com a inovação acessível e orientada ao interesse público. Em parceria com o Canal SabIAr, desenhamos um programa abrangente de formação em IA para ONGs de todo o Brasil, o que inclui mentorias para a efetiva implementação de soluções e acompanhamento para identificação do impacto gerado pelo programa.

Presença global e parcerias

Acreditamos que a pluralidade de opiniões, origens, histórias de vida e de repertório enriquecem o nosso trabalho e aumentam o nosso potencial de impacto. Por isso, em 2025, continuamos a celebrar a diversidade e investir no poder das parcerias.

Também participamos de redes temáticas, refletindo, cocriando, referendando e implementando ações. Contribuímos para o avanço de pautas relevantes para o fortalecimento do ambiente democrático, do Investimento Social Privado e da Cultura de Doação no Brasil.

Conheça os nossos parceiros institucionais e as redes das quais participamos em 2025.

Equipe IDIS durante encontro de discussão de planejamento estratégico na Pinacoteca de São Paulo

Quem faz o IDIS

Quem constrói nossa história diariamente é quem faz parte do IDIS. O IDIS tem crescido não só em números de projetos, indicadores de impacto, eventos e parceiros, mas também em pessoas (ou querIDIS). Fechamos o ano com 56 querIDIS em nosso time, levando à criação de novos processos e políticas de pessoas.

Com modelo de trabalho híbrido, ao longo do ano, foram promovidas uma série de ações de integração, formação e troca de conhecimento. Parte dessas iniciativas foi conduzida pelo Comitê de Diversidade, composto por membros da equipe IDIS, que também coordenou a quinta edição do Censo IDIS.

Conheça todos os detalhes das atividades do IDIS ao longo de 2025 em nosso Relatório de Atividades.

Entre o uso difuso e a ausência de estratégia

Artigo publicado originalmente no Le Monde Diplomatique Brasil

Por Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS, e Cássio Aoqui, cofundador do Canal SabIAr

Há um equívoco recorrente no debate sobre inovação no terceiro setor: o de que as organizações da sociedade civil ainda estão à margem da transformação digital. Os dados mais recentes do Programa IA.3, realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS com parceria técnica do Canal SabIAr e suporte do Google.org, mostram o contrário. A inteligência artificial já entrou no cotidiano das organizações da sociedade civil brasileiras, mas ainda de forma fragmentada, pouco estruturada e, em muitos casos, desprotegida.

A análise de 532 organizações inscritas no programa revela um cenário que merece atenção. Trata-se de uma amostra diversa, com organizações de diferentes portes (51% pequeno, 23% médio e 27% grande) e presença nacional, ainda que com concentração no Sudeste (62%). Esse recorte, embora não representativo de todo o setor, oferece pistas relevantes sobre tendências em curso.

Apenas uma minoria declara não utilizar IA no dia a dia. Em contrapartida, a institucionalização desse uso é incipiente com cerca de 40% das organizações apresentando baixo ou nenhum nível de formalização, o que indica que a tecnologia está mais presente como iniciativa individual do que como estratégia organizacional. A própria maturidade média na adoção de IA é intermediária (1,9 em uma escala de 0 a 4), com a institucionalização aparecendo como a dimensão mais frágil.

Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS, em apresentação sobre inteligência artificial no terceiro setor durante FIFE 2026

Esse descompasso, entre alto uso e baixa governança, é o ponto central da discussão. A IA já está sendo usada para tarefas operacionais, comunicação e apoio à gestão. No entanto, ela ainda não foi plenamente incorporada como ferramenta de desenvolvimento institucional. Faltam direção, investimento e, sobretudo, diretrizes claras.

E os dados são contundentes, 95% das organizações não possuem políticas ou orientações formais para o uso de IA. Ao mesmo tempo, 75% utilizam ferramentas gratuitas, muitas vezes sem garantias adequadas de segurança ou proteção de dados. Trata-se de uma combinação arriscada, especialmente em um setor que lida diretamente com populações em situação de vulnerabilidade e, por consequência, com informações sensíveis.

Outro dado revelador diz respeito às barreiras percebidas. A falta de conhecimento e o custo das ferramentas aparecem como os principais entraves à adoção. Não por acaso, começam a surgir iniciativas de capacitação em IA e tecnologia voltadas às organizações sociais, como o próprio programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. Já os riscos éticos e de privacidade são pouco mencionados. Apenas 15% das organizações os apontam como barreira, o que sugere não uma ausência de riscos, mas uma lacuna de compreensão sobre eles. Em outras palavras, o debate sobre uso responsável ainda não acompanhou a velocidade da adoção da tecnologia.

Isso, no entanto, não diminui o potencial transformador da IA para o terceiro setor, pelo contrário. Organizações que conseguem integrar tecnologia à sua estratégia institucional ampliam sua capacidade de análise, ganham eficiência operacional e fortalecem sua incidência. Em um contexto de crescente pressão por resultados e transparência, isso é central.

Mas há uma diferença importante entre usar e saber usar. O que os dados indicam é que o terceiro setor brasileiro já atravessou a fase da experimentação inicial, mas ainda não consolidou uma cultura de uso estratégico da inteligência artificial. E essa transição não acontecerá espontaneamente.

Ela exige investimento, não apenas financeiro, mas também em formação, governança e cultura organizacional. Exige que lideranças incorporem o tema como parte da agenda institucional, e não como curiosidade tecnológica. E exige, sobretudo, que o campo da filantropia reconheça seu papel nesse processo: apoiar o fortalecimento digital das organizações como parte indissociável do fortalecimento da sociedade civil.

A inteligência artificial não é neutra, nem inevitavelmente benéfica. Seu impacto depende das escolhas que fazemos agora. No terceiro setor, isso significa sair do uso disperso e avançar para uma adoção consciente e orientada por propósito. O desafio já não é acessar a tecnologia, mas criar condições para que seu uso seja estratégico, ético e responsável.

Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil é uma iniciativa do IDIS e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos para o acompanhamento de endowments em atividade no Brasil.

Os dados são obtidos a partir de questionários respondidos por gestores destes fundos ou por meio da consulta pública em sites ou veículos de imprensa.

A atualização é constante. Para passar a integrar o levantamento ou modificar algum dado, gestores de fundos patrimoniais podem preencher o questionário oficial. Solicite o link escrevendo para comunicacao@idis.org.br

Acesse aqui os dados disponíveis sobre os fundos patrimoniais mapeados.

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil identificou 128 fundos patrimoniais ativos, cujo patrimônio total informado é de R$ 159.349.223.945

 

Acesse abaixo a planilha completa com informações sobre as causas dos fundos e também fonte da informação.

Monitor IDIS dE Fundos Patrimoniais no Brasil – levantamento completo

 

Nome 

Ano da criação

Patrimônio

Sede

Aldeias Infantis SOS 2024 R$ 11.481 SP
Amigos da Alef Peretz Organização Gestora do Fundo Patrimonial 2021 R$ 22.852.842 SP
Arcanjos Endowment 2026 Não informado DF
Associação Amigos da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) 2019 R$ 2.786.701 SP
Associação Amigos Direito UERJ 2017 R$ 349.948 RJ
ASA – Associação Santo Agostinho 2018 R$ 106.000.000 SP
Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog Da Silva (Instituto Devive)
2001 R$ 67.000.000 SP
Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração (ACTC)
2023 R$ 25.083.611 SP
Associação Endowment Direito GV 2011 R$ 7.747.393 SP
Associação Escola Panamericana de Porto Alegre 2022 R$ 15.000.000 RS
Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários (AFESU) 2018 R$ 595.984 SP
Associação Fundo Areguá 2016 R$ 15.472.774 SP
Associação Fundo Patrimonial Amigos da Poli (Escola Politécnica da USP) 2012 R$ 63.500.00 SP
Associação Fundo Patrimonial – AXUXÊ (Faculdade de Medicina da FMABC) 2023 R$ 79.804 SP
Associação Fundo Patrimonial Patronos (Unicamp – alunos) 2020 R$ 2.920.601 SP
Associação Gestora do Fundo Patrimonial em Apoio à Faculdade de Direito da UFRGS 2021 Não informado RS
Associação Gestora do Fundo Patrimonial Endowment Chronos (USP São Carlos – comunidade) 2024 R$ 1.663.728 SP
Associação Irmão Norberto Rauch (Endowment da PUC-RS) 2020 Não informado SP
Associação Rosa Penido 2024 R$ 106.000.000 SP
Associação São Joaquim 2006 R$ 2.131.296 SP
Associação Umane 2016 R$ 1.631.598.077 SP
Fundo Baobá 2016 R$ 142.621.536 SP
C de Cultura 2017 R$ 24.134.412 SP
Casa Pequeno Mundo Não informado SP
Conecta EAUFBA (Escola de Administração da UFBA) 2022 R$ 80.000,00 BA
Endowment Alumni Direito Mackenzie 2022 R$ 10.000 SP
Endowment do CEAP 2018 R$ 1.095.606 SP
CIP – Congregação Israelita Paulista 2015 Não informado SP
Endowments do Brasil – Fundo Trans Casa Chama 2022 Não informado SP
Endowment IRM (Instituto Rodrigo Mendes) 2015 R$ 53.884.968 SP
Endowment PUC-Rio 2019 R$ 9.889.323 RJ
Endowment Sempre FEA (FEAUSP – alunos) 2020 R$ 10.200.000 SP
Fonte Endowment 2023 Não informado DF
Fundação Antonio e Helena Zerrenner INB 1936 R$ 42.312.922.810 SP
Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (Fundação do Câncer) 1991 R$ 78.568.709 RJ
Fundação Banco do Brasil 2008 R$ 282.761.966 DF
Fundação Bradesco 1956 R$ 97.000.000.000 SP
Fundação Darcy Chagas 2020  R$ 6.297.772 RJ
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá – FADEC-UEM 2024 R$ 4.576 PR
Fundação Dorina Nowill 2023 R$ 172.061.365 SP
Fundação Estudar 2018 R$ 63.165.154 SP
Fundação Fundo Brasil de Direitos Humanos 2007 R$ 52.510.576 SP
Fundação Fundo Patrimonial FEAUSP (gestores) 2015 R$ 1.796.600 SP
Fundação Gestora de Fundo Patrimonial da Universidade de São Paulo (USP) 2021 R$ 28.252.853 SP
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza 1996 R$ 37.400.960 PR
Fundação Itaú 1988 R$ 8.044.365.000 SP
Fundação José Luiz Setúbal 2016 R$ 365.440.002 SP
Fundação Lia Maria Aguiar – FLMA 2008 R$ 626.803.811 SP
Fundação Maria Emilia Não informado BA
Fundação St. Pauls de Apoio à Educação 2021 R$ 29.380.000 SP
Fundação Tide Setubal 2010 R$ 135.377.667 SP
Fundação Uniselva 2002 R$ 1.158.490 MT
Fundo Amanhã (Administração UFRGS) 2022 R$ 2.728.185 RS
Fundo Apontar 2015 R$ 21.295.253 RJ
Fundo Betinho – Ação da Cidadania 2018 R$ 69.514.534 RJ
Fundo Catarina 2021 R$ 3.125.271 SC
Fundo Centenário (Escola de Engenharia da UFRGS) 2019 R$ 3.331.033 RS
Fundo Comunitário da Maré – FCDM 2021 R$ 22.309.977 RJ
Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Sociedade (FADS) 2025 R$ 12.000.000 MG
Fundo de Apoio ao Jornalismo Investigativo – F/ABRAJI  2016 Não informado SP
Fundo de Capital – Endowment – Fundação Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SP) 2006 R$ 73.488.093 SP
Fundo de Educação Social do Instituto Elos 2021 R$ 2.003.462 SP
Fundo de Endowment do Instituto Líderes do Amanhã 2019 R$ 4.200.000 ES
Fundo de Fomento à Filantropia – FFF (IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) 2024 R$ 9.911.812 SP
Fundo de Sustentabilidade Financeira (FAMAGGI – Fundação André e Lúcia Maggi) 2017 R$ 18.149.170 MT
Fundo FICA 2015 R$ 295.330 SP
Fundo Figueira 1964 Não informado SP
Fundo Eterno Bem 2021 R$ 530.640 RJ
Fundo FAS (Fundação Amazônia Sustentável) 2008 R$ 110.197.000 AM
Fundo Gerações 2008 R$ 3.377.456 RS
Fundo Helda Gerdau 2019 Não informado RS
Fundo iGMK – Instituto George Mark Klabin 1994 R$ 12.735.697 SP
Fundo Patrimonial Amigos da Univali 2019 R$ 135.590 SC
Fundo Patrimonial Amigos do Brasil Central 2019 R$ 62.500 GO
Fundo Patrimonial Associação Projeto Gauss – FPPG 2019 R$ 6.497.557 SP
Fundo Patrimonial Augere (FMUSP) 2015 R$ 234.440 SP
Fundo Patrimonial Aventura de Construir – Já, Devagar e Sempre 2023 R$ 749.251 SP
Fundo Patrimonial CBL de Valorização do Livro 2026 R$ 15.000.000 SP
Fundo Patrimonial da Brazil Startups 2022 R$ 10.000 DF
Fundo Patrimonial da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) – UFPel 2024 R$ 36.000 RS
Fundo Patrimonial da Fundação Grupo Volkswagen 2002 R$ 300.106.605 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal 1965 R$ 709.554.000 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Romi 1999 R$ 91.578.150 SP
Fundo Patrimonial da UFC 2024 Não informado CE
Fundo Patrimonial da UNICAMP – LUMINA (Reitoria) 2020 R$ 5.105.903 SP
Fundo Patrimonial do IMS 1995 R$ 2.224.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Acaia 2016 R$ 591.287.878 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Alana 2013 R$ 504.821.612 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Ayrton Senna 2017 R$ 153.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Reciclar 2016 R$ 7.977.348 SP
Fundo Patrimonial Eliezer Max Não informado Não informado RJ
Fundo Patrimonial PROSPERA – Unesp 2022 R$ 1.000.000 SP
Fundo Perpetuidade SOS Mata Atlântica 2009 R$ 80.215.061 SP
Fundo Patrimonial UFV 2024 Não informado MG
Fundo Polifonia (Orquestra de Novo Hamburgo) 2025 Não informado RS
Fundo ReCivitas da Renda Básica 2020 R$ 108.000 SP
FUNSAI (Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga) 1943 R$ 154.000.000 SP
FUTURE – Fundo Territórios Unidos por Recursos para a Educação 2023 R$ 1.600.000 AM
Futurin – Funds for life (Hospital Pequeno Príncipe) 2024 R$ 3.786.977,03 PR
Gaia Legado 2024 R$ 82.145.000 SP
Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) 2024 R$ 11.372.653 SP
Gene – Fundo Patrimonial do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) 2024 R$ 316.665 SP
INSPER 2022 R$ 40.230.051 SP
Instituto Artigo 220 (Revista Piauí) 2018 R$ 440.151.294 RJ
Instituto Fundo Patrimonial Reditus (UFRJ – alunos) 2019 R$ 17.712.724 RJ
Instituto Ibirapitanga 2016 R$ 670.593.000 RJ
Instituto Jô Clemente R$ 109.361.000 SP
Instituto Merula Steagall 2022 R$ 1.842.594 SP
Instituto Serrapilheira 2016 R$ 623.319.746 RJ
Instituto Sol 2017 R$ 1.656.368 SP
Instituto Unibanco 2009 Não informado SP
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas 2007 R$ 15.966.100 SP
ITA Endowment 2023 R$ 10.143.688 SP
Liga Solidária 2020 R$ 80.836.052 SP
MASP Endowment 2017 R$ 1.973.249 SP
Minerva Impacto 2024 R$ 54.452 RJ
Onçafari 2015 R$ 54.841.174 SP
Organização Gestora de Fundo Patrimonial da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês 2021 R$ 26.281.580 SP
PDR – Purpose Driven Resources 2023 R$ 77.703.811 SP
Primatera Fundo Patrimonial 2020 R$ 200.445 SP
Projeto Saúde e Alegria 2024 Não Informado PA
Rio Endowment 2022 R$ 439.180 RJ
Rogério Jonas Zylbersztajn (RJZ) 2019 R$ 235.300.000 RJ
Semear 2022 R$ 25.000 MG
Semente Oré 2021 R$ 40.000.000 SP
Sempre Sanfran (Faculdade de Direito USP – alunos) 2021 R$ 12.252.164 SP
Turim – Saúde Criança (Instituto Dara) 2008 R$ 20.780.052 RJ
WimBelemDowment – Organização Gestora de Fundo Patrimonial 2021 R$ 283.699 RS

Acesse e baixe a planilha completa com as causas dos fundos e fonte dos dados.

 

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Representantes da Mott Foundation acompanham avanço do Programa Transformando Territórios em três regiões do país

De 24 de março a 1º de abril, representantes da Charles Stewart Mott Foundation, uma das principais fundações filantrópicas dos Estados Unidos, estiveram no Brasil a fim de conhecer e revisitar fundações comunitárias em Porto Alegre, Maceió, Valinhos, Campinas e São Paulo. A visita contou com a presença de Neal Hegarty (vice-presidente de programas), Nick Deychakiwsky (oficial de programas sênior), Gabriella Abrego (especialista em fortalecimento do espaço cívico e desenvolvimento comunitário), Jenifer Veloso (oficial de comunicação) e Daniela Gomes (oficial de programas), todos da Mott Foundation.

O programa Transformando Territórios, apoiado pela Mott Foundation e Movimento Bem Maior, atua no fomento e criação de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) e atualmente conta com 14 participantes. Esse modelo de organização atua em um espaço geográfico delimitado, mobilizando recursos locais e fortalecendo outras organizações da sociedade civil que desenvolvem soluções para os desafios sociais, ambientais e econômicos dos próprios territórios. 

A agenda reuniu oito institutos e fundações comunitárias, com atividades realizadas em cinco cidades. Os números refletem a importância da iniciativa e ganham ainda mais relevância ao considerar o impacto direto das ações em territórios onde cada esforço contribui de forma significativa para o desenvolvimento local.

Representantes da Mott Foundation, IDIS e Fundações Gerações em Porto Alegre

Fundação Gerações: a importância da articulação local

Iniciando a viagem pela capital gaúcha, Porto Alegre, se reuniram com lideranças da Fundação Gerações, visando conhecer a estratégia da organização e ações, como a criação do Fundo Porto de Todos — primeiro fundo comunitário do estado, criado durante as enchentes na região em 2024. A visita contou com a presença do ICOM, outra FIC participante do programa, com atuação na grande Florianópolis, em Santa Catarina, estado vizinho.

Depois foi possível conhecer de perto o impacto gerado por projetos apoiados pela Fundação Gerações por meio do Fundo, como a Cooperativa de Produtos Orgânicos Pão da Terra, iniciativa que reúne famílias associadas e atua na produção agroecológica de hortaliças, panificados, grãos e cogumelos. Também, no município de Canoas, conheceram a ONG Chimarrão da Amizade, que atua na inclusão social de pessoas com deficiência intelectual e das famílias, além de encontros com filantropos e representantes do ecossistema social local.

A agenda na cidade também envolveu encontros com empresas e representantes de filantropos locais a fim de compreender possibilidades de colaboração e envolvimento da comunidade do território com a fundação comunitária.  

“A Fundação Gerações é um excelente exemplo de como uma fundação ou instituto comunitário pode mobilizar a comunidade local para fortalecer a sociedade civil em um território. Após as enchentes na região, se mobilizou com atores locais, incluindo poder público, empresas e sociedade civil para responder aquela emergência. Essa articulação evidencia a importância de uma organização como a Gerações pode ter em um território”, conta Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios do IDIS.

Comitiva conhecendo a ONG Chimarrão da Amizade no municípios de Canoas

“Foi uma honra estreitar diálogos com a equipe da Mott Foundation e apresentar, na prática, como a filantropia comunitária vem fortalecendo iniciativas em diferentes territórios da nossa região”, afirma Karine Ruy, diretora executiva da Fundação Gerações.

Cooperativa de Produtos Orgânicos em Eldorado do Sul em Porto Alegre

Mundaú Mundo: o protagonismo das comunidades e da articulação local

A próxima parada foi no Nordeste do Brasil, em Maceió, Alagoas. A Mundaú Mundo, FIC dedicada à capacitação, empoderamento e fortalecimento de organizações, promovendo justiça climática, cultura local e desenvolvimento econômico. Durante a visita, representantes do Instituto Comunitário de Sergipe (ICOSE) também estiveram presentes. 

A comitiva participou de agendas com projetos apoiados pela fundação, como a Cooperativa de Marisqueiras, iniciativa que apoia cerca de 40 marisqueiras na despinicagem e comercialização do sururu, na Lagoa Mundaú, contribuindo para a melhoria da renda e das condições de trabalho das participantes. A programação incluiu encontros com potenciais empresas parceiras e atuais, além de encontro com lideranças comunitárias de diversas cidades do estado, evidenciando a articulação multissetorial no estado de Alagoas, uma importante característica das FICs. 

Ainda em Maceió, especificamente no bairro do Vergel, um dos bairros com alto índice de vulnerabilidade social, os representantes puderam conhecer o laboratório de inovação em construção dentro da própria comunidade. Em fase inicial, será um espaço de acesso à tecnologia. O local contará com a disponibilização de notebooks e a oferta de cursos de informática, com o objetivo de ampliar oportunidades, fortalecer competências digitais e apoiar o desenvolvimento local por meio da inclusão tecnológica.

Mulheres da Cooperativa de marisqueiras em Maceió

“Nossa concepção para a visita foi apresentar o impacto que geramos no território por meio das diversas organizações que apoiamos diretamente. Foi uma agenda bastante estratégica, pensada para mostrar o conjunto do nosso trabalho e o alcance das iniciativas que fortalecemos. Também foi uma agenda marcada por visitas em campo, não apenas às organizações apoiadas, mas voltada a evidenciar o papel da própria Mott Foundation e a validação desse impacto no território”, afirma Carlos Jorge da Silva Santos, diretor-presidente da Mundaú Mundo.

FEAV e Instituto Cacimba: educação, cultura e empreendedorismo no interior e na capital

Saindo do Nordeste do país, foi a vez de seguir para o Sudeste, com destino ao estado de São Paulo. Iniciando em Campinas, os representantes da Mott encontraram-se com lideranças da Fundação FEAC, anteriormente uma fundação participante do programa e que hoje atua como apoiadora. 

No interior, um dos pontos centrais da visita foi o Casarão FEAV, imóvel doado pela Fundação FEAC que possibilitou a ampliação das atividades da organização na cidade vizinha. O espaço abriga cursos, capacitações e iniciativas sociais, entre elas o SOS AVC Valinhos, atualmente constituído como organização social independente. Também foi apresentado o histórico do programa JovemTEC, voltado à preparação de estudantes da rede pública para o ingresso em escolas técnicas, hoje conduzido pelo Círculo de Amigos do Patrulheiro.

Já na capital, a visita contou com uma reunião no IDIS, além da Mott, estiveram presentes representantes do apoiador do programa Transformando Territórios, Movimento Bem Maior. O último destino foi a zona leste de São Paulo. A visita ao Instituto Cacimba, da região de São Miguel Paulista, contou também com representantes do Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, outra participante do programa e parceiros do programa, como Comunitas, Instituto ACP e a Fundação Tide Setubal.

Caminhada pelo bairro União de Vila Nova (SP) em visita ao Instituto Cacimba

Em um roteiro a pé, foram visitados: Uni-Diversidade da Quebrada, espaço em que o Instituto Cacimba, junto ao Instituto Nua, desenvolve projetos voltados ao fortalecimento do bairro União de Vila Nova, com foco em educação e cultura. Entre as iniciativas, destacam-se oficinas de pintura, cursos de marketing e costura, além do “Desnegócio”, programa que fomenta o empreendedorismo local. Durante a visita, a equipe do Instituto apresentou a trajetória, detalhou a atuação dos projetos e conduziu um tour pelo espaço onde as atividades são realizadas.

Também conheceram áreas de expansão da atuação no território, como o Parque Jacuí. Ao longo do percurso, foram apresentados os planos futuros do Instituto, evidenciando os desafios ainda enfrentados no território e as perspectivas. 

 

“No Brasil, o ICOM (Instituto Comunitário da Grande Florianópolis) foi a primeira fundação comunitária, criada em 2005. Hoje já existem 14, muitas delas bem estruturadas, com bom conhecimento do território, atuação alinhada às demandas locais e capacidade de mobilizar recursos locais. O desenvolvimento dessas organizações requer um processo gradual e cuidadoso, baseado mais em apoio do que em direcionamento externo. Uma metáfora que vejo é a de soprar brasas: se soprar forte demais, apaga o fogo; se soprar pouco, ele não acende”, conta Nick Deychakiwsky, oficial de programas sênior da Mott Foundation.

 

“Nosso trabalho parte das demandas da própria comunidade. As iniciativas apresentadas mostram como o fortalecimento local, aliado a parcerias estratégicas, pode gerar oportunidades concretas de formação, renda e desenvolvimento para o território”, afirma Hermes de Sousa, diretor-presidente do Instituto Cacimba.

A visita reafirma a relevância do Programa Transformando Territórios como estratégia para o fortalecimento da filantropia comunitária no Brasil. Ao longo dos encontros, tornou-se evidente o papel central das fundações e institutos locais na mobilização de recursos locais, no engajamento de lideranças e na construção de soluções alinhadas às realidades de cada território. Para seguir assim, Transformando Territórios.

Global Philanthropy Forum 2026: os pilares para o futuro

Esse artigo foi publicado originalmente na Alliance Magazine

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Denise Carvalho, Diretora de Monitoramento e Avaliação do IDIS

O Global Philanthropy Forum (GPF) 2026, realizado em São Francisco entre 18 e 20 de março, serviu como um palco central para reimaginar as bases estruturais do investimento social. Representando o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Paula Fabiani, CEO, e Denise Carvalho, Diretora de Avaliação de Impacto, lideraram uma expressiva delegação brasileira composta por 24 lideranças.

A edição de 2026 foi particularmente significativa por marcar a celebração dos 25 anos do Global Philanthropy Forum, um marco que convidou à reflexão sobre um quarto de século de avanços na filantropia global e na construção de uma comunidade de lideranças orientadas por propósito. Como organização que anualmente lidera a presença brasileira no Fórum, o IDIS continua a conectar inovações locais às tendências globais da filantropia, promovendo um intercâmbio internacional de estratégias e visões.

Sob o tema evocativo “Arquitetando o Futuro: Sistemas Operacionais para uma Nova Era da Filantropia”, o encontro foi além da discussão de projetos isolados. Em vez disso, concentrou-se nos “sistemas operacionais” — as regras, incentivos e normas culturais subjacentes que determinam como o capital é direcionado para o bem público. O consenso entre os participantes foi claro: o mundo não está apenas passando por um período de transição, mas por uma mudança de era, que exige uma atualização radical das práticas filantrópicas.

Uma das discussões mais profundas destacou a capacidade única da filantropia de atuar como “capital de risco da sociedade”. Em um cenário em que governos são frequentemente limitados por ciclos políticos e empresas por resultados trimestrais, a filantropia permanece como o principal setor com flexibilidade para financiar iniciativas de alto risco e alto impacto.

Essa urgência é reforçada por um contexto global preocupante: o Fórum ocorreu em meio à escalada de conflitos internacionais e crises humanitárias que redefiniram o cenário geopolítico. Esses conflitos evidenciam a fragilidade dos sistemas atuais e a necessidade imediata de a filantropia enfrentar o custo humano da instabilidade global com consistência moral e sem se paralisar diante de disputas políticas.

O Fórum também destacou que, para ser verdadeiramente transformadora, a filantropia deve assumir seu papel na “fronteira” — apoiando modelos ainda não comprovados, fortalecendo instituições e enfrentando questões sistêmicas como mudanças climáticas e resiliência democrática, frequentemente negligenciadas pelos mercados tradicionais.

A delegação brasileira observou uma crescente urgência por ação coordenada. Diante do aumento da desigualdade global e da erosão da confiança nas instituições, o setor filantrópico vem sendo chamado a oferecer uma visão coletiva que outros setores atualmente não conseguem prover. Isso exige uma mudança de esforços fragmentados e individuais para uma abordagem mais integrada, na qual o capital filantrópico atue como catalisador de mudanças sistêmicas mais amplas.

Foi realizada uma reunião estratégica para discutir, junto a organizações-chave da América Latina — incluindo parceiros da CAF Global Alliance e outros representantes regionais —, a criação de um espaço dedicado à discussão da filantropia no contexto latino-americano. A iniciativa busca fortalecer a voz regional e fomentar um ecossistema colaborativo adaptado aos desafios e oportunidades específicas da região.

A necessidade de repensar a natureza do capital também foi um tema relevante. O Fórum propôs uma mudança de paradigma: deixar de enxergar a riqueza como um “estoque” estático a ser preservado e passar a vê-la como um fluxo que deve servir à vida. Essa perspectiva desafia modelos tradicionais de gestão patrimonial e ciclos de doação, sugerindo que o verdadeiro valor do capital filantrópico está em seu movimento e em sua capacidade de influenciar volumes muito maiores de capital privado e corporativo.

Ao reposicionar a riqueza como uma ferramenta de impacto, e não como um fim em si mesma, filantropos podem promover uma distribuição mais equitativa de recursos. As discussões exploraram como a disposição ao risco na filantropia pode reduzir riscos para investidores privados, atraindo mais capital para resolver os desafios mais urgentes do mundo.

O rápido avanço da Inteligência Artificial (IA) ocupou um espaço central na agenda de 2026. Embora a IA ofereça oportunidades sem precedentes para o setor social — desde avaliações de impacto baseadas em dados até serviços sociais personalizados —, também apresenta riscos significativos de aprofundar desigualdades existentes.

O Fórum defendeu a criação de “pactos morais” e estruturas regulatórias robustas para garantir que a tecnologia permaneça uma força para o bem. Existe um descompasso entre as capacidades tecnológicas do setor corporativo e os recursos disponíveis para o setor social. Para reduzir essa lacuna, a filantropia deve investir na infraestrutura digital da sociedade civil, garantindo que organizações sociais não sejam apenas consumidoras de tecnologia, mas protagonistas na construção de um futuro digital ético e centrado nas pessoas.

Em última análise, o encontro reforçou que o componente mais crítico de qualquer “sistema operacional” da filantropia não é técnico, mas humano. Confiança, colaboração e consistência moral foram identificadas como pilares essenciais para arquitetar essa nova era. As discussões ressaltaram que o futuro da filantropia não pode ser construído de forma isolada; exige o compromisso de ouvir vozes diversas e colocar no centro as experiências das comunidades na linha de frente.

O GPF certamente abordou temas importantes relacionados aos desafios globais, porém careceu de maior diversidade de perspectivas. Apenas um número reduzido de palestrantes veio de fora dos Estados Unidos, sendo a maioria baseada no país. Embora esse desequilíbrio seja compreensível — especialmente diante das atuais dificuldades de acesso aos EUA —, também representou uma oportunidade perdida.

O evento poderia ter incorporado mais amplamente perspectivas de diferentes regiões com longas trajetórias de atuação em contextos desafiadores, oferecendo aprendizados valiosos e inspiração para o desenvolvimento de novos modelos filantrópicos adaptados a contextos locais e globais.

Ao retornarmos com esses aprendizados, a missão é traduzir essas reflexões em ações locais, fortalecendo o impacto da filantropia e do investimento social no Brasil. Os desafios desta década exigem lideranças que sejam tão corajosas quanto colaborativas.

“Precisamos ser as lideranças que queremos ver.”

Organizações são convidadas a participar do Panorama das ONGs 2026: capítulo Brasil

A Charities Aid Foundation (CAF), em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e instituições aliadas em 35 países, está conduzindo a pesquisa Panorama das ONGs 2026: capítulo Brasil, relatório que integra o World Giving Report.

A primeira edição do panorama contou com as respostas de organizações brasileiras que apoiaram a mapear a atuação de organizações da sociedade civil ao redor do mundo, entender seus desafios e medir seu impacto na sociedade.

O formulário para coletar respostas de lideranças de ONGs deste ano já está no ar e você pode participar! 

A iniciativa tem como objetivo ouvir organizações que atuam diretamente no campo e desenvolvem um trabalho relevante de transformação socioambiental no país.

As ONGs participantes contribuirão para uma iniciativa global voltada ao fortalecimento da sociedade civil em nível internacional. O questionário é anônimo, tem duração estimada de 8 a 10 minutos e permite que as respostas sejam salvas para preenchimento posterior.

Os resultados consolidados serão publicados no segundo semestre de 2026.

Clique aqui e participe!
Sua contribuição é muito importante

 

Sobre a CAF
A Charities Aid Foundation (CAF) é uma organização britânica dedicada à filantropia, com mais de 100 anos de atuação. Presente em diversos países, incluindo o Brasil, por meio do IDIS, a CAF apoia doadores e investidores sociais privados a maximizar o impacto de suas doações. A rede CAF conta ainda com escritórios na Argentina, África do Sul, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia, entre outros.World Charity Insights Survey

Mosaic abre inscrições para o Edital da Água 2026, com foco em eficiência no saneamento rural e à água potável

 

Estão abertas as inscrições para a oitava edição do Edital da Água. A iniciativa, promovida pela Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fosfatados e potássio combinados, em parceria com o IDIS, apoia projetos voltados à gestão sustentável dos recursos hídricos e à ampliação do acesso ao saneamento básico. As inscrições podem ser feitas até 24 de abril pelo ao enviar os documentos necessários para editalagua2026@idisconsultoria.org.br

O edital tem como objetivo incentivar boas práticas na gestão da água, contribuindo para a disponibilidade e o uso sustentável do recurso. Desde a sua implantação em 2019, 90 projetos já foram apoiados, alcançando cerca de 21 mil pessoas.

Neste ano, até 10 organizações serão selecionadas, cada uma com possibilidade de receber apoio financeiro de até R$ 45 mil por projeto. As propostas devem apresentar soluções inovadoras, com destaque para tecnologias sociais aplicadas ao saneamento básico em contextos rurais e urbanos.

No ano passado, diversas instituições se destacaram na condução dos projetos, como em São Paulo, em uma iniciativa liderada por mulheres negras em Paraisópolis, comunidade vulnerável da capital.

“Aqui no G10 Favelas, o Programa Guardiãs das Águas leva inovação e cuidado ambiental às comunidades, com a implantação de cisternas para captação da água da chuva. A água captada é filtrada e reutilizada na irrigação da horta da Agrofavela Refazenda, com sistema de gotejamento. Queremos lembrar que a favela também constrói soluções sustentáveis para o presente e o futuro. Agradecemos à Mosaic pela parceria nesse projeto transformador”, comenta Gilson Rodrigues, fundador da instituição

 

A atuação do Instituto IDASE na comunidade Aldeinha, em Rondonópolis (MT), por meio do projeto “Fossas Biodigestoras e Nascentes Vivas: dignidade e sustentabilidade no campo”, foi marcada por um trabalho próximo às famílias e de forte impacto social e ambiental:

“A iniciativa, viabilizada pelo Edital da Água, com financiamento da Mosaic, permitiu a implantação de tecnologias sociais de saneamento rural aliadas à conservação de nascentes, promovendo melhorias concretas na qualidade de vida, no cuidado com os recursos hídricos e no fortalecimento de práticas sustentáveis no meio rural”, comenta Paula Seixas, diretora do Instituto.

Já em Minas Gerais, a Uniube desenvolveu um projeto em parceria com uma escola municipal em Uberaba, por meio da iniciativa “Aquaponia: uso racional da água em um sistema sustentável de produção integrada de peixes e hortaliças hidropônicas”.

Segundo Dionir Dias, coordenadora da Unitecne (Incubadora de Empresas da Uniube):

“Participar de mais um Edital da Água foi uma oportunidade incrível de contribuir para a formação de alunos, professores e da comunidade sobre a importância da sustentabilidade e da educação ambiental, a partir de um bem tão precioso quanto a água. O projeto foi estruturado para ser executado de forma permanente na escola, integrado aos conteúdos curriculares. As atividades práticas, as dinâmicas interativas e a acessibilidade criam um espaço multicultural de encantamento, responsabilidade e aprendizado para a vida”.

 

O processo de seleção inclui etapas de validação, qualificação e entrevistas. A previsão é que os projetos vencedores sejam anunciados em 22 de maio. Após a formalização, as iniciativas avançarão para a fase de implementação, com prazo de execução de até seis meses.

Segundo Paulo Eduardo Batista diretor de Public Affairs e Governo da Mosaic o edital reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável. Ele destaca que o Edital da Água fortalece iniciativas que já atuam nas comunidades e que oferecem respostas práticas e inovadoras para desafios ligados à água e ao saneamento. Ao apoiar esses projetos a empresa contribui para melhorar a qualidade de vida da população e promover o uso responsável dos recursos hídricos. Paulo reforça que os projetos apoiados valorizam o protagonismo das organizações sociais e reconhecem a força das soluções construídas a partir da realidade local com impacto duradouro e capacidade de replicação em outros territórios.

O Edital da Água integra a estratégia de investimento social da Mosaic e busca ampliar o impacto positivo da companhia nas regiões onde atua. Em 2025, a iniciativa recebeu reconhecimento da Federação das Indústrias de Goiás (FIEG) por suas ações de saneamento rural no estado.

 

COMO SE INSCREVER

Prazo: de 23 de março a 24 de abril

Municípios de abrangência:

• Bahia (BA): Candeias
• Goiás (GO): Catalão, Ouvidor e Rio Verde
• Maranhão (MA): São Luís
• Mato Grosso (MT): Rondonópolis e Sorriso
• Minas Gerais (MG): Araxá, Alfenas, Conquista, Delta, Patrocínio, Sacramento, Tapira e Uberaba
• Paraná (PR): Paranaguá
• Santa Catarina (SC): São Francisco do Sul
• São Paulo (SP): Cajati, Cubatão, Registro e São Paulo
• Rio Grande do Sul (RS): Rio Grande
• Tocantins (TO): Palmeirante

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

Para participar, os interessados devem preencher a planilha de inscrição, reunir os documentos obrigatórios e complementares e enviar todo o material ao IDIS por meio do e-mail editalagua2026@idisconsultoria.org.br

Sobre o Edital da Água

O Edital da Água é desenvolvido com o apoio do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, que atua em todas as etapas do processo, da seleção ao monitoramento dos projetos. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com foco na gestão responsável da água e no fortalecimento das comunidades locais.

 

Reunião aberta apresenta casos práticos de uso do investimento social privado

A Anbima realizará uma reunião aberta no dia 26 de março, às 10h, para falar sobre investimento social privado na prática: serão apresentados casos reais de uso dessa técnica no setor financeiro, além de conceitos, benefícios e caminhos para a implementação.

O encontro será on-line, por meio do Teams: basta se inscrever aqui para participar.

 

O encontro será conduzido por Luiz Pires, gerente de Sustentabilidade e Inovação da Anbima; Fabiana Prianti, gerente de Investimento Social da B3; Pedro Werneck, gerente de Sustentabilidade da CNseg; e Cintia Cespedes, gerente de Sustentabilidade da Febraban. A moderação é de Paula Fabiani, CEO do IDIS.

A participação é gratuita e voltada a profissionais de instituições financeiras e empresas abertas, principalmente das áreas de sustentabilidade, responsabilidade social, RH, entre outras.

 

 

Guia de Investimento Social Privado

A reunião também abordará os insumos do Guia de Investimento Social Privado, que ensina o passo a passo para empresas realizarem ISP como parte das estratégias de sustentabilidade, com foco em promover impacto positivo na sociedade. O documento foi divulgado recentemente pelas entidades e tem viés educativo. O público-alvo do guia são instituições financeiras, do mercado de capitais, seguradoras e empresas abertas

 

Sobre ISP

O ISP é uma ferramenta para direcionar recursos privados para projetos com foco social que se conectam à área de atuação de cada empresa, ou seja, ao “core business” das companhias. A abordagem permite que a companhia gere impacto social positivo e cria valor em diversas frentes, como transparência, reputação e relação com stakeholders.

Conheça os projetos de conhecimento do IDIS em 2026

geração e disseminação de conhecimento é um dos pilares para o atingimento de nossa missão. Por meio de publicações, notas técnicas, artigos, capacitações e eventos, inspiramos, apoiamos e ampliamos o investimento social privado e seu impacto.

Já no início do ano, lançamos o Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026, que reúne oito tópicos estratégicos que orientam a análise do cenário da filantropia no Brasil em 2026 abordam temas centrais para o fortalecimento do setor: confiança e legitimidade institucional, financiamento inovador, participação das comunidades, integração com políticas públicas, inteligência artificial, legado, o fortalecimento do ecossistema da filantropia familiar e, de forma transversal a todos esses temas, o clima como critério estruturante para decisões estratégicas.

Conheça e baixe a publicação:

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E podemos ir ainda mais longe e gerar ainda mais impactos positivos se formos juntos. Confira os principais projetos de conhecimento planejados pelo IDIS para serem realizados em 2026.

Filantropia e Investimento Social Privado

15ª edição do mais importante evento voltado à comunidade filantrópica brasileira. A programação, que inclui palestrantes nacionais e internacionais, será realizada em formato híbrido.


Previsão para realização:
27 de agosto de 2026

 

Filantropia Familiar

A partir da realização do estudo Caminhos para uma filantropia familiar mais ampla e estratégica no Brasil, em que foi destacada a importância da criação de espaços seguros de pertencimento e de troca entre pares, o IDIS realizará encontros anuais, reunindo em torno de 20 a 30 filantropos de alto patrimônio, com atuação individual ou familiar, em sessões formativas e inspiradoras. Em Conversa com… é um spin-off da tradicional sessão do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que já teve a presença de filantropos como Ellie Horn, Neca Setúbal, Jayme Garfinkel e Armínio Fraga.

Previsão para realização: maio de 2026

 

Planejadores de mercado financeiro tem uma ampla influência sobre a alocação de recursos de seus clientes, mas tem pouco conhecimento sobre filantropia e investimento de impacto. Neste projeto, em parceria com a Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), vamos criar conteúdo sobre esses importantes temas para integrar o CFP® (Certified Financial Planner), uma certificação internacional de distinção, que atesta que o profissional está apto para atuar como planejador financeiro pessoal, considerando os mais altos padrões de excelência. Nos EUA esse conteúdo já faz parte da certificação.

 

Filantropia corporativa

Quando uma empresa investe socialmente, transforma realidades e, ao mesmo tempo, cria valor para o próprio negócio. O novo estudo do IDIS conecta filantropia corporativa à agenda ESG, mostrando o que vai além do impacto socioambiental. Apresentaremos a cadeia de valor do investimento social nas empresas e os mecanismos de monitoramento e avaliação, evidenciando benefícios como atração e retenção de talentos, fortalecimento de reputação, aprendizado, inovação e melhores relações com comunidades. Reuniremos conceitos, dados e casos práticos que mostram como empresas estruturam essa cadeia e integram o investimento social à estratégia.

A publicação oferecerá um referencial claro e acionável para a criação de valor de longo prazo.

Previsão para realização: outubro de 2026

 

Fundos Patrimoniais

Ação de advocacy para influenciar positivamente o ambiente regulatório e ampliar o conhecimento da sociedade em geral acerca do mecanismo, por meio de ações de comunicação e conhecimento. Entre os projetos de destaque, o Monitor de Fundos Patrimoniais. Integra a iniciativa a Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, formada por organizações e pessoas que apoiam a criação de endowments no Brasil. O grupo, que hoje conta com mais de uma centena de signatários. O projeto acontece ao longo de todo o ano.

 

Com o objetivo de fortalecer a pauta e gerar dados consistentes, o Anuário é uma iniciativa única que busca divulgar informações sobre a gestão e o desempenho dos fundos patrimoniais brasileiros. Com análises e artigos de especialistas, o Anuário é uma fonte de dados para o aprimoramento da gestão de endowments e fortalecimento de políticas públicas.

 

Previsão para realização: novembro de 2026

Todos os projetos estão com captação aberta. Vamos juntos? Entre em contato pelo e-mail comunicacao@idis.org.br para saber mais sobre como apoiar.

2ª edição do ‘Café IDIS: Filantropia em debate’, reúne empresas para discutir Perspectivas para a filantropia no Brasil em 2026

O IDIS realizou a segunda edição do ‘Café IDIS: Filantropia em debate, um espaço criado para reunir lideranças de organizações em torno de trocas qualificadas e reflexões sobre como tornar o investimento social mais estratégico, ampliando recursos, fortalecendo parcerias e aumentando a capacidade de engajamento em torno de causas socioambientais.

Nesta edição, o encontro teve como destaque a apresentação, em primeira mão, do relatório anual produzido pelo IDIS “Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026”, que reúne oito tendências que devem influenciar o campo nos próximos anos. Estiveram presentes cerca de 30 lideranças de empresas, institutos e fundações corporativas, e a programação incluiu a apresentação do estudo seguida de um painel de debate, que aprofundou as reflexões propostas pelo relatório com a participação do público.

As oito perspectivas estratégicas que orientam a análise do cenário da filantropia no Brasil em 2026 abordam temas centrais para o fortalecimento do setor: confiança e legitimidade institucional, financiamento inovador, participação das comunidades, integração com políticas públicas, inteligência artificial, legado, o fortalecimento do ecossistema da filantropia familiar e, de forma transversal a todos esses temas, o clima como critério estruturante para decisões estratégicas.

 “A filantropia brasileira precisa reafirmar seu propósito e fortalecer uma visão de longo prazo, em diálogo com movimentos globais e com crescentes demandas socioambientais”, ressalta Paula Fabiani, CEO do IDIS

Após a apresentação do relatório e das reflexões que ele propõe, foi realizado o painel “As perspectivas sob o olhar do setor”, com a participação de Bruna Lima, Head de Impacto Social e Inovação Socioambiental da RD Saúde; Vitor Hugo Neia, Diretor-Geral da Fundação Grupo Volkswagen; Pedro Telles, Country Manager da Latimpacto para o Brasil; e Cássio França, Secretário-geral do GIFE.

A partir de suas diferentes áreas de atuação, os convidados comentaram algumas das perspectivas apresentadas no relatório, trazendo exemplos práticos, desafios e oportunidades para o fortalecimento do investimento social no país. Na sequência, o debate foi ampliado com a participação da plateia, promovendo uma troca aberta entre representantes de organizações com diferentes perfis e experiências no campo da filantropia.

 

Promover encontros como o Café IDIS faz parte da missão do IDIS de fortalecer e desenvolver o investimento social privado no Brasil. Acreditamos que espaços de diálogo como esse são fundamentais para estimular reflexões estratégicas, compartilhar aprendizados e fortalecer vínculos entre organizações que atuam para ampliar o impacto socioambiental no país.

 

Conheça e baixe a publicação ‘Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026’

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Anbima, B3, CNseg e Febraban lançam guia prático sobre investimento social privado com apoio do IDIS

Um novo guia ensina o passo a passo para empresas realizarem ISP (Investimento Social Privado) como parte das estratégias de sustentabilidade, com foco em promover impacto positivo na sociedade. O manual foi lançado a partir de uma parceria entre Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) e Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

O documento é resultado da união de forças do setor financeiro e busca estimular a prática de investimento social privado na estratégia das empresas e foi construído com apoio técnico do IDIS.

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“O investimento social privado é uma forma das empresas contribuírem para o enfrentamento dos desafios socioambientais do Brasil, ao mesmo tempo em que aumentam a resiliência das companhias, fortalecem suas estratégias ESG, beneficiam investidores e contribuem para retornos sustentáveis no longo prazo”, explica Luiz Sorge, diretor da Anbima e líder da Rede ANBIMA de Sustentabilidade.

O ISP é uma ferramenta para direcionar recursos privados para projetos com foco social que se conectam à área de atuação de cada empresa, ou seja, ao “core business” das companhias. A abordagem permite que a companhia gere impacto social positivo e crie valor em diversas frentes, como transparência, reputação e relação com stakeholders.

“O guia ajuda as empresas a conectarem o ISP aos temas materiais do negócio, com governança, indicadores e prestação de contas. Desta forma, o investimento social deixa de ser pontual e passa a compor a estratégia de valor da companhia”, avalia Fabiana Prianti, head da B3 Social.

O público-alvo do guia são instituições financeiras, do mercado de capitais, seguradoras e empresas abertas. Com viés educativo, o material é dividido em três blocos de conteúdo: compreender o universo do ISP, os benefícios e a conexão com a agenda ESG; implementar na prática, da definição do projeto à avaliação de resultados; e se inspirar em casos reais de uso nos mercados financeiro, de seguros e de capitais.

“O investimento social privado é uma extensão natural do compromisso do setor segurador com a gestão de riscos e com a forma de se relacionar com a sociedade. Ao direcionar recursos de forma planejada e monitorada para projetos de interesse público, as empresas reduzem vulnerabilidades e constroem bases mais sólidas para o desenvolvimento sustentável do país”, afirma Dyogo Oliveira, presidente da CNseg.

“Ao orientar o uso planejado de recursos privados, o Guia de Investimento Social Privado contribui para o enfrentamento de desafios socioambientais, transformando doações em investimentos estratégicos, alinhados às melhores práticas ESG. A atuação da Febraban, por meio de diretrizes de autorregulação, promoção de boas práticas e iniciativas setoriais, reforça a ética, o monitoramento e o compromisso voluntário dos bancos com a sociedade, reafirmando o papel do setor financeiro como agente de transformação e desenvolvimento sustentável no país”, afirma Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade e Autorregulação da Febraban.

Instituto Chamex e IDIS abrem inscrições para a 6ª edição anual do Edital Educação com Cidadania

As data foram prorrogadas até dia 10 de abril, sexta-feira, às 12h.

Inscreva-se aqui.

 

O Instituto Chamex, parte da Sylvamo (NYSE: SLVM), a empresa de papel do mundo, em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, está com inscrições abertas para a 6ª edição do Edital Educação com Cidadania. A iniciativa apoiará seis organizações com projetos voltados à educação, oferecendo aportes de até R$ 37.500 para cada instituição selecionada. As inscrições estarão abertas de 2 de março a 3 de abril de 2026, pelo site.

Os temas contemplam o apoio a soluções para os desafios do sistema educacional, a valorização da infância como período fundamental para o desenvolvimento da criatividade, a promoção de novas perspectivas sobre a economia criativa para jovens e o incentivo à criatividade como ferramenta para o ensino, a aprendizagem, o empreendedorismo e a educação.

Nesta edição, o edital prevê que um dos seis projetos selecionados será obrigatoriamente vinculado à frente de economia criativa, voltada à formação de jovens e jovens adultos e ao fortalecimento de micro e pequenos empreendedores do setor. As demais propostas poderão se enquadrar em uma ou mais frentes, desde que apresentem cronograma detalhado, orçamento compatível e potencial de impacto socioterritorial.

O processo seletivo é aberto a instituições de todo o Brasil, com início das atividades previsto para agosto. As organizações selecionadas terão até oito meses para implementar e concluir os projetos.

 

Além do apoio financeiro, as instituições selecionadas participarão de quatro oficinas de gestão de projetos (Teoria da Mudança, Plano de Monitoramento e Indicadores, Planejamento Estratégico e Captação de Recursos), ministradas pelo IDIS, além de um workshop de encerramento com as ONGs apoiadas pelo programa. As organizações também poderão se inscrever no Acervo de Projetos do Instituto Chamex, espaço exclusivo para dar visibilidade às iniciativas e fomentar conexões com parceiros já existentes e potenciais apoiadores.

“Este edital representa a forma como incentivamos soluções criativas na educação. Queremos apoiar mais organizações a ampliar seu impacto, testar novas metodologias e inspirar transformações reais na vida de estudantes e comunidades”, afirma Mariana Claudio, gerente executiva do Instituto Chamex.

 

“Estamos em parceria com o Instituto Chamex há vários anos. É um privilégio acompanhar o investimento social privado de uma empresa tão relevante para o país apoiando uma causa tão central para o desenvolvimento do nosso país que é a educação”, reforça Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS.

 

Um dos projetos apoiados na última edição do edital compartilha a experiência de ter sido contemplada.

“Pensar em desenvolver um projeto na Fundação CASA era somente uma possibilidade muito distante de concretização até sermos selecionados pelo Instituto Chamex. Estar ao lado dos adolescentes de duas unidades da Fundação CASA tem sido um processo de fortalecimento na crença de que todos, sem exceção, possuem o direito a ter direitos e recomeços”, conta Eliane Lemos, fundadora e diretora executiva do Entre Rodas.

 

As inscrições estarão abertas de 2 de março a 3 de abril de 2026, pelo formulário.

FEAV traz para Valinhos uma palestra com o Professor Mário Sérgio Cortella

A FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos, anuncia uma palestra imperdível com o filósofo, mestre e doutor em Educação Mário Sérgio Cortella, no dia 24 de abril (sexta-feira), na Fonte Santa Tereza, em Valinhos.

Com o tema “Persistência”, Cortella convida o público a refletir sobre a importância de não desistir diante dos desafios, diferenciando persistência de teimosia. Como destaca o próprio filósofo: “Persistência é a capacidade de não desistir de algo, enquanto a teimosia é marcada pela insistência inflexível.”

Os convites estão a venda pela plataforma Sympla.

O evento marca a comemoração dos 10 anos da FEAV. Ao completar uma década, a organização reafirma seu papel como fundação comunitária do município, articulando organizações locais, mobilizando recursos e fortalecendo o impacto coletivo em diferentes frentes do desenvolvimento social.

Mário Sérgio Cortella é autor de 54 livros publicados no Brasil e no exterior, com uma trajetória consagrada na educação. Formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), atuou por 35 anos como professor, pesquisador e docente na pós-graduação em Educação e no Departamento de Teologia e Ciências da Religião.

Atualmente, é comentarista e colunista em programas de rádio e TV, além de presença constante nas mídias digitais, onde soma mais de 20 milhões de seguidores.

Uma oportunidade única de estar perto de um dos maiores pensadores contemporâneos do país.

A FEAV integra o programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

Quer saber mais sobre a FEAV? Conheça a história da organização.

 

Vaga para Analista Pleno em Prospecção e Parcerias

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Prospecção e Parcerias.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 60 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer nossa atuação, buscamos um(a) Analista Pleno em Prospecção e Parcerias.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

responsabilidades

  • Apoiar a condução e desenvolvimento das atividades da área de relacionamento e parcerias do IDIS, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Apoiar a prospecção de oportunidades de mobilização de recursos, novos projetos, clientes e parceiros, realizando pesquisas, mapeamentos e análises de aderência à missão do IDIS.• Contribuir para a elaboração de estratégias de mobilização de recursos, sob orientação da coordenação/gerência da área.
  • Apoiar o acompanhamento e monitoramento das negociações de parcerias e projetos em andamento, incluindo atualização de controles, relatórios e registros internos.
  • Participar da elaboração de propostas técnicas e comerciais, apresentações institucionais e outros materiais de venda de serviços do IDIS, em articulação com a área de Comunicação.
  • Contribuir para o desenvolvimento de projetos de impacto, com destaque para advocacy de fundos patrimoniais, apoiando desde a concepção e mobilização de recursos até a implantação e execução, quando necessário.
  • Apoiar o planejamento e a execução de eventos institucionais, seminários, fóruns e outras ações externas voltadas ao relacionamento institucional e à mobilização de recursos.
  • Participar de eventos do setor (seminários, encontros, fóruns), representando o IDIS de forma técnica e institucional, quando demandado.
  • Apoiar a articulação de parcerias com empresas, organizações da sociedade civil, veículos de comunicação e prestadores de serviços, contribuindo para ações conjuntas alinhadas à missão, visão e valores do IDIS.
  • Apoiar a preparação de materiais para reuniões de Conselhos e instâncias institucionais, quando solicitado.
  • Fazer a gestão do CRM da área (salesforce), incluindo olhar para melhorias dentro da ferramenta e sendo responsável por extrair relatórios e dados estratégicos para o IDIS como um todo.
  • Contribuir para o acompanhamento das metas anuais da área, apoiando a organização de informações e indicadores de desempenho.
  • Zelar pela ética, valores institucionais e pela promoção da cultura organizacional do IDIS em suas atividades.

reQUISITOS

  • Formação superior completa, preferencialmente nas áreas de Administração, Relações Internacionais, Comunicação, Ciências Sociais, Economia ou áreas correlatas.
  • Experiência mínima de 2 anos, preferencialmente, em mobilização de recursos, relacionamento institucional, desenvolvimento de parcerias ou áreas correlatas, preferencialmente em organizações do campo do investimento social privado, terceiro setor ou impacto social.
  • Conhecimento intermediário a avançado sobre Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e/ou Investimento de Impacto.
  • Conhecimentos práticos sobre conceitos e técnicas de mobilização de recursos e desenvolvimento de parcerias.
  • Habilidade de relacionamento institucional, comunicação clara e articulação com diferentes públicos.
  • Inglês em nível intermediário a avançado, com capacidade de leitura, escrita e comunicação em contextos profissionais.

 

BENEFÍCIOS

  • Vale-Transporte
  • Assistência Médica e Odontológica
  • Vale-Alimentação/Refeição
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 10 de março

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.