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Como fazer uma Teoria da Mudança consistente para sua avaliação de impacto?

Por Isadora Pagy, analista da área de monitoramento e avaliação do IDIS

A Teoria da Mudança (TdM ou TM) é uma ferramenta muito valiosa tanto para o planejamento estratégico de uma iniciativa, quanto para a avaliação de impacto. O processo de sua construção pode ser desafiador e gerar muitas dúvidas, então, elaboramos uma série de dicas que podem te ajudar.

Antes de tudo, é preciso entender o que é, para que serve e como sistematizar uma Teoria de Mudança.

Quando utilizamos a TdM com o intuito de avaliar o impacto de uma determinada iniciativa, ela apoia na maior compreensão das relações causais do projeto ou programa em questão, trazendo um resumo dos públicos-alvo que foram beneficiados pela iniciativa, das atividades que foram realizadas, dos impactos que se espera gerar e do objetivo estratégico que a ser alcançado.

Entender quem são os stakeholders

Assim, o processo de sistematização se inicia por um mapeamento de quais foram os stakeholders, ou partes interessadas, envolvidos no projeto. Busca-se entender quem foram os beneficiários diretos, indiretos, os executores, parceiros e investidores da iniciativa. E, com isso, definimos quem será consultado para a construção da TdM.

1 – Saiba separar quem são os beneficiários diretos e quem são atores intermediários. Por exemplo, muitos projetos que trabalham com educação realizam atividades com escolas, mas tem como objetivo impactar as crianças que frequentam as aulas. É possível que os públicos de gestores pedagógicos sejam apenas intermediários para beneficiar os estudantes, não sendo considerados beneficiários diretos. Muitos projetos se deparam com ausência de informações e base de dados de seu público beneficiário direto, por não definir bem, logo no início da intervenção o seu púbico principal e assim, consequentemente, não coletar e monitorar dados a contento, o que por sua vez cria dificuldades a pretensão de uma avaliação de impacto.

 

A importância de um escopo bem definido

Em seguida, passamos para a definição de quais foram as atividades realizadas pelo projeto. Para isso, é importante realizarmos uma análise dos materiais e documentos do mesmo, o que nos dará insumos para maior compreensão sobre o que foi inicialmente proposto para ser realizado e aquilo que aconteceu de fato. Alinhado a isso, é realizada uma série de entrevistas com a equipe técnica da iniciativa para entendermos como foi a sua execução e se houve mudanças de rumo relevantes.

2 – Seja curioso! Entenda o que aconteceu na prática e fora do papel, questione os dados e busque uma compreensão maior do projeto.

3 – Tenha um escopo bem definido. Se houve mudanças metodológicas muito grandes, talvez não seja possível incluir todas as iniciativas de uma organização. E talvez nem todas estejam ajudando a alcançar um objetivo de longo prazo único e consistente.

Escuta ativa

Definidas as atividades realizadas, investigamos aquilo que mudou na vida das pessoas que participaram do projeto ou programa. Nessa etapa, realizamos entrevistas com os beneficiários e buscamos ir além de resultados imediatos e nos aprofundar nos impactos de médio e longo prazo que a intervenção gerou. Para isso, preste atenção nos seguintes pontos:

4 – Tenha uma escuta ativa. Busque proporcionar um espaço confortável para que os entrevistados falem abertamente sobre o impacto que sentiram e tente não os influenciar presumindo impactos que não foram ditos.

5 – Cuidado com o double counting, ou dupla contagem. Principalmente se você estiver realizando uma avaliação que envolve uma etapa de monetização, evite contar o mesmo impacto duas vezes, estruturando uma cadeia de causalidade entre os resultados e impactos mapeados. Por exemplo, em uma iniciativa de geração de emprego e renda que trabalha com cursos profissionalizantes, os participantes relatam ampliação de conhecimento técnico em informática e um aumento de renda por conta do emprego que conseguiram através desses novos conhecimentos. Nesse caso, uma das mudanças (conhecimento) gera a outra (emprego), se monetizarmos ambas, estaremos contando duas vezes o impacto da mesma cadeia de causalidade, superestimando assim o impacto gerado pelo projeto.

Por fim, entendemos qual é o objetivo estratégico que aquela iniciativa tentou (e possivelmente conseguiu) alcançar com suas atividades. Isso pode ser feito relembrando alguns dados já coletados e respondendo algumas perguntas importantes: O que foi realizado? Para quem foi realizado? Por quê? Com qual ambição?

Nem sempre a equipe técnica terá uma mesma visão sobre o objetivo estratégico, mas realizando uma consulta com atores importantes e respondendo essas perguntas, o processo de estabelecimento de um objetivo pode ser facilitado. O que nos leva a última dica:

6 – Não esqueça de validar seus entendimentos com a equipe executora. A apresentação da TdM para quem realizou o projeto na ponta é muito importante. Esse é o momento para todos ficarem na mesma página e obtermos um escopo bem definido, o que facilitará nos próximos passos da sua avaliação de impacto.

O processo de construção de TdM é tão importante quanto seu resultado, ao percorrer o passo a passo o avaliador consegue compreender melhor o acesso aos beneficiários e a disposição de dados do projeto, e assim reavaliar o escopo e o desenho de avaliação. Reduzindo as chances de futuros infortúnios que oneraria a avaliação em tempo e recursos.

Tendo cumprido essas etapas, podemos sistematizar a Teoria de Mudança de forma visual e utilizá-la como uma ferramenta que guiará o restante da avaliação, caso você vá realizar uma pesquisa qualitativa ou quantitativa, por exemplo.

IDIS é um dos apoiadores do Festival ABCR 2024!

O Festival ABCR, a maior conferência de captação de recursos da América Latina, chega em sua décima sexta edição. Este ano, o Festival tem o tema Inovando a Captação de Recursos e contará com mais de 70 palestras de 5 diferentes eixos temáticos, além de mentorias e uma grande área de exposições.

O evento será realizado nos dias 1 e 2 de julho, em São Paulo, e o IDIS é um dos apoiadores institucionais da iniciativa, que promete ultrapassar fronteiras e conectar profissionais de captação de recursos, líderes e inovadores do Terceiro Setor. A inscrição é paga, mas ganhe um desconto especial com o nosso cupom IDIS634. Para usá-lo, basta incluir no momento em que realizar a inscrição no site.

Festival ABCR 2024

  • Quando: Dia 1 e 2 de julho 2024, das 9h às 17h.
  • Onde: Evento presencial em São Paulo.
  • Inscrição: Paga. Utilize o cupom IDIS634 para obter desconto e inscreva-se no link.

Sobre a ABCR

A ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, fundada em 1999, é uma associação civil sem fins lucrativos, que atua pela promoção da sustentabilidade do Terceiro Setor e pelo desenvolvimento da captação de recursos das organizações da sociedade civil. Atualmente nossa rede de associados é composta por mais de 400 membros em quase todos os Estados do país.

Valoração do impacto social impulsiona o “S” do ESG

Texto publicado originalmente no Valor Econômico

Neste artigo, Denise Carvalho, gerente do IDIS, defende que a mensuração das ações relacionadas ao pilar Social da agenda ESG traz materialidade aos resultados e contribui para narrativas do verdadeiro impacto a longo prazo

Por Denise Carvalho, gerente sênior de monitoramento e avaliação do IDIS

Na sopa de letrinhas do mundo corporativo, o ESG já é uma unanimidade para avaliar e validar se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e com boa governança. São critérios corroborados por metodologias de mensuração de impacto que apontam boas empresas para se investir. Afinal, o ESG está diretamente ligado à sustentabilidade – aqui relacionado à própria viabilidade de existência e geração de lucros dos negócios.

Migrando para o cenário dos investidores sociais, no qual o lucro não é o objetivo fim, o ESG é uma bússola que direciona a atuação estratégica das organizações e abre portas para mensurar o impacto que os projetos desenvolvidos geram nas comunidades atendidas. Mas, como saber se o impacto positivo justifica os investimentos envolvidos?

A mensuração de impacto ambiental, por exemplo, promove diversas relações: quantos hectares deixaram de ser desmatados, quantos gases causadores do efeito estufa deixaram de ser emitidos, quais corpos hídricos foram despoluídos, quantos resíduos deixaram de ser gerados. No social, entretanto, a conta pode ser um pouco diferente.

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos investidores sociais, conforme o próprio ecossistema destaca, é a obtenção de dados de qualidade relacionados ao pilar social da Agenda ESG. Esta percepção foi corroborada pela pesquisa global ESG Global Survey 2023, conduzida pelo BNP Paribas, na qual 71% dos entrevistados apontaram a mensuração dos resultados como a maior preocupação dos investidores. Esta agenda é vista como elemento norteador para as organizações em direção a práticas mais responsáveis, mas, ainda assim, persiste o desafio da padronização e consistência dos dados, particularmente no âmbito social.

Atualmente, as metodologias de avaliação de impacto são capazes de medir, de forma rigorosa, os resultados gerados pelas ações dos projetos sociais. Essas metodologias proporcionam uma análise minuciosa e fundamentada sobre como as atividades de uma organização influenciam pessoas, comunidades e o meio ambiente, buscando compreender a extensão e os efeitos de suas ações, programas e projetos.

Uma avaliação de impacto não se limita a estudar o “o quê”, mas também medir “o quanto”, o “porquê” e o “como” as mudanças ocorrem. Uma vez que as avaliações de impacto estão sempre baseadas em dados e podem apresentar informações em uma linguagem comum, a comunicação dessas análises podem trazer grande visibilidade para a própria organização, além de enriquecer o debate da agenda ESG no mundo corporativo.

Algumas empresas e organizações já reconhecem o potencial das avaliações de impacto como aliadas da Agenda ESG. A Petrobras, por exemplo, vem realizando análises rigorosas em seus diversos projetos sociais e ambientais como parte de seu compromisso com a pauta. Para isso, a empresa iniciou um trabalho de diagnóstico e harmonização de indicadores alinhados com sua estratégia socioambiental, o que permitiu uma identificação mais clara do impacto nas comunidades nas quais opera. Os dados, utilizados com inteligência, permitem o direcionamento estratégico das ações e a ampliação do impacto positivo dos projetos.

Outro aspecto para ficar de olho quando se fala em mensuração dos impactos sociais é a adoção de ferramentas como Inteligência Artificial e blockchain como aliados deste processo, visando garantir ainda mais transparência para os investidores sociais. A natureza descentralizada do blockchain, por exemplo, impede eventuais manipulações de dados, o que aumenta a credibilidade dos relatórios de impacto. Isso permite que os investidores avaliem os resultados socioeconômicos dos projetos financiados de forma mais precisa, segura e eficiente. A fintech Moeda Seeds e a plataforma Banqu são exemplos de organizações que têm realizado trabalho com o apoio dessas ferramentas para aumentar a credibilidade dos dados apresentados.

É por meio da materialização do impacto que os gestores são municiados de dados que permitem a atuação estratégica das organizações, relacionando o valor investido com o retorno social dos projetos. O antídoto para os famosos “washing”.

A avaliação de impacto é fundamental para estabelecer um alicerce sólido para o sucesso sustentável das organizações. Ela transcende a mera medição e se torna um guia estratégico, orientando as empresas em direção a caminhos mais alinhados à agenda ESG. Embora realizar avaliações de impacto possa ser algo desafiador, os benefícios que ela oferece superam, de longe, os possíveis obstáculos.

Confira como foi o webinar Avaliação de Impacto SROI: experiências no campo da educação

por Joana Noffs

Na terça-feira, dia 26 de março, o IDIS organizou o Webinar ‘Avaliação de Impacto SROI: experiências no campo da Educação’. No evento, Denise Carvalho, Gerente da área de Monitoramento e Avaliação do IDIS, convidou Mariana Claudio, do Instituto Chamex, e Marcelo Billi, da ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, para uma conversa que explorou as experiências e lições aprendidas a partir dos processos de avaliação das iniciativas conduzidas por suas organizações.

O programa ‘Geração Sylvamo’, do Instituto Chamex, e o programa ‘Como investir em você‘, da ANBIMA, conduzem ações educacionais com público jovem, com objetivos de gerar, respectivamente, inclusão produtiva e maior bem-estar financeiro. Ambos foram recentemente avaliados pelo IDIS através do protocolo SROI, Social Return On Investment, ou ‘retorno social do investimento’.

O Índice SROI busca traduzir, em termos monetários, o retorno para a sociedade gerado por iniciativas socioambientais, fornecendo uma métrica para seu impacto. É um mecanismo importante para que as organizações compreendam as transformações positivas que estão gerando e comunicarem o valor social criado por suas ações de maneira efetiva.

“Entregar um número para stakeholders (partes interessadas) do mercado financeiro é algo mágico”, diz Marcelo Billi, que conclui que os resultados da avaliação o auxiliaram a sumarizar, de modo objetivo e fundamentado, o desempenho do ‘Como investir em você’ e os impactos positivos gerados para os beneficiários.

“A gente precisava entender se a nossa missão, o que a gente queria ali desde o início, estava se cumprindo”, relata Mariana Claudio sobre os motivos que levaram sua organização a buscar uma avaliação de impacto SROI. “Eu entendo que é um desafio do S, do ESG: não tem dados de impacto, daquilo que transforma. Tem um dado de alcance: x pessoas alcançadas, x reais investidos… mas e o impacto?”.

Além de conseguir avaliar se os objetivos e metas das iniciativas estão sendo atingidos, uma das vantagens do protocolo SROI é o foco na perspectiva dos beneficiários diretos. Esta ênfase permite a identificação e mensuração de aspectos intangíveis, como aumento de autoestima proporcionado pelo acesso a um emprego. O enfoque no olhar dos beneficiários também possibilita a identificação de possíveis consequências não intencionais de uma intervenção, ou seja, mudanças ocorridas que não tinham sido planejadas originalmente.

O processo avaliativo permitiu, para a ANBIMA, localizar importantes desdobramentos resultantes de seus programas que não estavam previstos no desenho inicial da iniciativa. Em primeiro lugar, Billi destaca a presença dos impactos socioemocionais nos jovens, que, após a participação no ‘Como investir em você’, melhoram sua autoconfiança, motivação e segurança em relação ao futuro. Um segundo ponto é que o conhecimento adquirido em relação às finanças se traduz, efetivamente, em escolhas financeiras mais saudáveis quanto à poupança e aos investimentos.

Já para o Instituto Chamex, a surpresa maior foi em relação ao peso que os jovens do Geração Sylvamo davam às mudanças socioemocionais vivenciadas após a participação no projeto. Eles consideravam mais valiosas as transformações ocorridas em aspectos como autoestima e perspectivas de carreira do que a empregabilidade, em si.

Assim, além da mensuração do impacto propriamente dita, os aprendizados compartilhados pelos convidados ressaltam a relevância da realização de uma avaliação de impacto em outras esferas, como a melhoria no desenho de um projeto, a transparência organizacional e a possibilidade de comunicação clara com as partes interessadas.

Assista ao evento completo:

 

Evento aborda o protocolo SROI e experiências de sua aplicação no campo da Educação

 

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É crescente o interesse de organizações que desenvolvem projetos de interesse público, sejam elas privadas, públicas ou do terceiro setor, em mensurar e compreender os impactos causados por suas intervenções.

A adoção de mecanismos de avaliação de impacto permite uma análise detalhada e baseada em evidências sobre os efeitos de uma ação sobre pessoas, comunidades e meio ambiente, além de apontar aspectos para mitigar adversidades e ampliar os impactos positivos.

No Webinar Avaliação de Impacto SROI: Experiências no Campo da Educação, Denise Carvalho, gerente do IDIS e especialista em Avaliação de Impacto, apresentará abordagens e metodologias, com destaque para o SROI – Social Return on Investment ou Retorno Social do Investimento, um protocolo que identifica, qualifica e monetiza o impacto social. Experiências práticas aplicadas ao campo da Educação serão apresentadas por Marcelo Bill, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da ANBIMA, e Mariana Cláudio, gerente executiva do Instituto Chamex. Ambas organizações conduziram avaliações de impacto utilizando a abordagem SROI, contando com a consultoria do IDIS.

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Avaliação de Impacto SROI

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Denise Carvalho é destacada pela Social Value Internacional

A gerente sênior de Monitoramento e Avaliação do IDIS, Denise Carvalho, recebeu o destaque de “Spotlight of the Month” da rede internacional de avaliação de impacto Social Value International. A rede atualmente está presente em 60 países com participação de pessoas e organizações, entre elas o IDIS.

” A ODS17 é crucial para a a rede, pois as parcerias impulsionam o impacto coletivo. A colaboração é essencial para a nossa rede, promovendo diversas especialidades e recursos. Através da nossa parceria, buscamos amplificar a inovação social, avançando em soluções sustentáveis e avaliando coletivamente o impacto social para um futuro melhor”, comenta Carvalho em entrevista a Social Value.

Recentemente, a equipe do IDIS passou por treinamentos na metodologia SROI (Social Return on Investment ou Retorno Social sobre o Investimento em português) e faz parte da série de treinamentos realizados.

Avaliação de impacto para inclusão produtiva: Metodologias, desafios e limitações

Artigo publicado originalmente na Revista Brasileira de Avaliação – Edição Especial Inclusão Produtiva

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Denise Carvalho, Gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS

A inclusão produtiva é um componente essencial das sociedades contemporâneas. O trabalho tem um papel fundamental na vida de grande parte dos indivíduos, e a geração de renda está diretamente ligada à qualidade de vida de uma família. Entretanto, muitos jovens e adultos em idade ativa enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho, que ocorre tanto pela via do trabalho assalariado quanto pela geração de negócios autônomos individuais e coletivos. Para superar essas barreiras e promover a inclusão produtiva, empresas, governos e sociedade civil têm trabalhado juntos, criando políticas públicas, programas de capacitação e iniciativas de diversidade e inclusão. Este tema tem se destacado cada vez mais como objeto de estudos na área de avaliação, uma vez que as políticas e programas voltados para a promoção da inclusão no mercado de trabalho podem ser aprimorados a partir de seu monitoramento e avaliação de resultados e impactos.

A avaliação de impacto é uma prática já disseminada e adotada amplamente como ferramenta de tomada de decisão em países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra. No Brasil, ainda apresenta uma aplicação menos destacada, especialmente em decorrência da complexidade e do tempo e custos envolvidos. Entretanto, vemos avanços nos últimos anos, sendo cada vez mais valorizada e aplicada, em especial no contexto do Terceiro Setor¹. Essa prática permite que sejam mensurados os efeitos gerados por projetos e ações dessas organizações, além de ser um importante instrumento para tomada de decisões e aprimoramento de estratégias. Mensurar o impacto é, portanto, o caminho para se desenhar intervenções cada vez mais eficazes e ajudar a edificar sociedades mais justas e sustentáveis.

A Avaliação de Impacto difere de outras formas de avaliação de projetos devido a sua busca por elementos que possibilitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre a intervenção e seus impactos. Essa relação de causa (intervenção) e efeito (impacto) é chamada de ‘inferência causal’, ou ‘laços de causalidade’².

Na busca por elementos que possibilitem estabelecer uma relação de causa e efeito –
“inferência causal” – entre a intervenção e seus impactos, existem diversos métodos avaliativos que podem ser aplicados. Alguns desses métodos incluem análise de custo-benefício, análise de custo-efetividade, análise de retorno sobre investimento, análise de impacto social, entre outros. A escolha do método deve ser coerente com a amplitude, duração e objetivos estratégicos do investimento socioambiental, conforme detalhado na Nota Técnica Metodologias de Avaliação Custo-Benefício³. Neste artigo, iremos explorar, entre os métodos avaliativos, o Retorno Social do Investimento (SROI, na sigla em inglês), método de análise custo benefício que vem sendo adotado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social⁴, para avaliar o impacto social gerado por ações socioambientais. Abordaremos, ainda, os principais benefícios, desafios e limitações para avaliar o impacto social de projetos e programas de inclusão produtiva, bem como as principais tendências e abordagens para o futuro.

O SROI é um protocolo emergente que tem ganhado destaque nos últimos anos como uma ferramenta eficaz para avaliar o retorno social do investimento. Foi criado em meados dos anos 1990 por uma organização britânica chamada The Roberts Enterprise Development Fund (REDF), fundada por George R. Roberts⁶. O objetivo da REDF era apoiar iniciativas de negócios sociais que oferecessem oportunidades de trabalho e gerassem impacto social positivo em comunidades vulneráveis. Nesse sentido, foi desenvolvido como uma forma de avaliar o impacto social gerado pelas organizações sem fins lucrativos apoiadas pelo fundo, considerando tanto os resultados tangíveis como intangíveis.

O protocolo se tornou cada vez mais popular nos anos seguintes, especialmente pelo papel fundamental desempenhado pela Social Value UK⁷ na sua evolução e difusão, sendo adotado por outras organizações ao redor do mundo como uma forma de medir e comunicar o valor social gerado pelas suas atividades.

Hoje em dia, o SROI é amplamente utilizado como uma ferramenta de avaliação de impacto social e financeiro de iniciativas de negócios sociais e de organizações sem fins lucrativos. Ela tem como premissa que projetos e programas devem ser avaliados não apenas pelo retorno financeiro, mas também pelo valor social e ambiental que geram para a comunidade, ou seja, o impacto gerado nas vidas das pessoas, nos bens e serviços públicos, no meio ambiente, entre outros. O SROI utiliza métodos qualitativos e quantitativos em sua jornada avaliativa e valoriza a escuta do público beneficiário em seu processo. No contexto brasileiro, a aplicação do SROI tem crescido em diversas áreas, incluindo os projetos voltados para a inclusão produtiva, tema importante para promoção de desenvolvimento econômico e social, e uma das principais formas de combate à pobreza e desigualdade. Dessa forma, a mensuração do impacto gerado por projetos de inclusão produtiva se torna essencial para avaliação da eficácia e efetividade dessas iniciativas. Vale ressaltar que a aplicação do SROI para avaliação de projetos de inclusão produtiva no Brasil ainda pode ser expandida.

Apesar de existirem alguns estudos e iniciativas nesse sentido, ainda há um grande potencial a ser explorado. Para isso, é fundamental que organizações que atuam com inclusão produtiva incorporem em suas práticas a mensuração do impacto gerado por seus projetos.

Um exemplo ilustrativo no Brasil é a avaliação de Impacto SROI conduzida pelo IDIS para os Amigos do Bem⁸ – organização que atende 150 mil pessoas no sertão nordestino, o semiárido mais populoso do mundo, e que conta com mais de 11 mil voluntários. A avaliação apontou para uma relação de R$ 6,45 em benefícios para a sociedade para cada R$ 1,00 investido pela organização, considerando investimentos realizados no período de 2012 a 2021. O que vale destacar é que esse resultado foi puxado, sobretudo, pela frente de inclusão produtiva, responsável por 37% do resultado. Os impactos nessa frente ocorrem por meio de programas de qualificação profissional, emprego direto em plantas produtivas da organização e em suas atividades meio, assim como o impacto indireto na economia local. Chama a atenção a decisão estratégica dos Amigos do Bem em maximizar o número de postos de trabalho gerados, evitando a mecanização de atividades, e assim contar com as externalidades positivas do emprego em uma região marcada pela seca, agricultura familiar de baixa produtividade e ocupações informais, muitas vezes em condições precárias de trabalho.

Dentre algumas das externalidades positivas aferidas nota-se a redução da violência doméstica, do consumo de álcool e da taxa de natalidade local. Cabe notar, por outro lado, a importância dos demais programas da organização – nas frentes de educação, saúde, habitação, acesso à água e infraestrutura – em proverem as bases para que a inclusão produtiva se efetive e perdure. Nesse sentido, a geração de emprego e renda torna-se o ponto complementar e final para a emancipação socioeconômica dos beneficiários dos Amigos do Bem, que ao longo dos anos são envolvidos por uma jornada de desenvolvimento humano que vai da participação em programas de complementação escolar e de mudança de mentalidade ao acesso a atendimento médico, água, alimentação e condições dignas de moradia.

Conforme demonstrado acima, a aplicação do SROI em projetos de inclusão produtiva
no Brasil pode trazer diversos benefícios. Primeiramente, essa técnica permite que
sejam identificados e mensurados os resultados gerados por esses projetos, de forma a representar sua efetividade e eficácia. Além disso, a avaliação de impacto por meio do SROI pode ajudar a demonstrar a importância e o valor social gerado por projetos de inclusão produtiva, o que pode ser útil para atração de recursos⁹ e engajamento de stakeholders¹⁰, contribuindo para a construção da estratégica de comunicação da organização.

Outro exemplo interessante de SROI de projeto voltado para a inclusão produtiva é o a
avaliação da atuação do CEAP¹¹.

As necessidades dos investidores sociais envolvidos na iniciativa também devem ser
consideradas numa avaliação de impacto. No entanto, não se deve perder de vista os
objetivos da avaliação, que deve buscar analisar a contribuição da iniciativa para o alcance dos objetivos propostos, bem como obter uma visão ampla e objetiva da iniciativa e identificar pontos de melhoria para ampliar o impacto e Nesse sentido, é importante que a avaliação seja conduzida de forma independente e imparcial, visando o interesse geral da iniciativa e dos beneficiários envolvidos, além de ser conduzida com transparência e ética, garantindo assim a confiança dos investidores ao identificar a eficácia do projeto ou programa avaliado.

Outro benefício da aplicação do SROI em projetos de inclusão produtiva é a possibilidade de identificar lacunas e oportunidades de melhoria nessas iniciativas. Por meio da mensuração do impacto gerado, é possível identificar quais aspectos dos projetos estão funcionando bem e quais precisam ser aprimorados. Isso pode levar a um aperfeiçoamento das práticas e estratégias de inclusão produtiva, tornando-as mais efetivas e eficazes, ampliando assim não apenas seus resultados, mas principalmente os impactos gerados para seus beneficiários e para a sociedade.

No entanto, a aplicação do SROI em projetos de inclusão produtiva no Brasil apresenta desafios e possui limitações. Um dos principais é a necessidade de se obter dados confiáveis e precisos para a mensuração do valor social gerado pelos projetos. Isso pode ser um fator limitante, especialmente em regiões remotas ou em comunidades mais vulneráveis, onde a coleta de dados pode ser mais difícil. Além disso, a falta de conhecimento e capacitação em relação à aplicação do SROI também pode ser um obstáculo para sua implementação.

Para superar esses desafios, é fundamental que as organizações que atuam com inclusão produtiva invistam em capacitação e formação de suas equipes, bem como na coleta de dados precisos e confiáveis. Além disso, é de grande importância que haja uma cultura de avaliação de impacto e mensuração do valor social gerado, de forma a tornar essa prática uma parte integrante do planejamento e execução de projetos de inclusão produtiva, ou projetos de qualquer natureza. Outro ponto importante é a necessidade de se estabelecer parcerias e colaborações entre organizações que atuam com inclusão produtiva e outros atores da sociedade, como universidades, institutos de pesquisa e empresas. Essas parcerias podem contribuir para a geração de dados mais precisos e confiáveis, bem como para a disseminação do conhecimento em relação à aplicação do SROI.

Um outro desafio importante de destacar se refere à dificuldade de se avaliar, de maneira rigorosa e precisa num custo acessível, projetos que envolvem mudanças complexas e de longo prazo. No entanto, mesmo nesses casos, é importante não perder o olhar avaliativo, pois existem maneiras simples e pouco custosas de se olhar para o impacto gerado. Uma abordagem possível é a utilização de indicadores de processo, que medem o progresso em relação às atividades planejadas, mesmo que não sejam capazes de medir o impacto real. Além disso, as avaliações qualitativas, como entrevistas e grupos focais, podem fornecer informações valiosas sobre a percepção dos beneficiários e as mudanças comportamentais que foram observadas. Por fim, é possível também utilizar uma abordagem de comparação, confrontando os resultados observados com um grupo de controle (pode ser mais custoso, no entanto) ou com resultados anteriores, para identificar as mudanças que ocorreram. Mesmo que algumas dessas abordagens não forneçam uma avaliação tão rigorosa e precisa, elas ainda são importantes para monitorar o progresso e garantir que o projeto caminhe na direção certa.

A escuta dos beneficiários é outro desafio, mas é um aspecto fundamental da avaliação
de impacto social, uma vez que são as pessoas o foco direto ou indireto dessas avaliações. A percepção dos beneficiários é crucial para entender o impacto que um projeto ou programa está causando em suas vidas, bem como se suas necessidades e expectativas estão sendo atendidas.

Além disso, essa escuta é uma forma de identificar a responsabilização dos projetos e
programas, uma vez que os beneficiários podem fornecer feedback sobre a qualidade dos serviços prestados e a efetividade das intervenções. Ela pode ser realizada por meio de diferentes métodos, como entrevistas individuais, grupos focais, pesquisas e outras técnicas participativas, sempre de forma ética e respeitando a diversidade cultural, garantindo que os beneficiários possam fornecer feedback de forma livre e segura.

Nesse sentido, a avaliação de impacto social também deve considerar a perspectiva de temas transversais, como raça e gênero, para garantir que as intervenções tenham uma abordagem inclusiva e não reproduzam desigualdades sociais. Ao incorporar a perspectiva de gênero e raça na avaliação, é possível identificar se as intervenções estão tendo impactos diferentes em diferentes grupos, permitindo a correção de desigualdades e de injustiças sociais. Além disso, a consideração desses temas transversais é fundamental para que os projetos e programas considerem as necessidades e perspectivas de todos os envolvidos, independentemente de sua identidade de gênero ou raça. Por fim, a incorporação desses temas também ajuda a
promover a conscientização e o engajamento em torno da promoção da igualdade de gênero e racial, um objetivo fundamental da avaliação de impacto social.

O uso de metodologias avaliativas complementares é uma estratégia que também pode gerar resultados interessantes e contributivos na avaliação de impacto social. O uso de diferentes métodos e técnicas, como avaliações qualitativas e quantitativas, pode fornecer uma visão mais completa e precisa dos impactos de um projeto ou programa, bem como de seus fatores de sucesso e desafios. Por exemplo, a combinação de avaliações qualitativas, como grupos focais e entrevistas, com avaliações quantitativas, como pesquisas, pode ajudar a obter informações sobre a efetividade de um projeto ou programa, bem como sobre as percepções e experiências dos beneficiários. Além disso, a utilização de abordagens participativas e de
engajamento dos beneficiários pode ajudar a aumentar a transparência e a responsabilidade do projeto ou programa, além de promover o envolvimento dos beneficiários na melhoria contínua do mesmo. A utilização de metodologias avaliativas complementares é uma forma de aumentar a precisão e a relevância das avaliações de impacto social, gerando resultados mais interessantes e contributivos. O SROI faz uso dessa estratégia uma vez que utiliza métodos qualitativos e quantitativos em seu processo avaliativo.

O campo da avaliação de impacto social está em constante evolução, e novos métodos e tecnologias estão sendo desenvolvidos para melhorar a coleta e análise de dados. Atualmente, há uma pluralidade de métodos disponíveis para avaliar o impacto social de um projeto ou programa, e a escolha do método depende das características do projeto, dos objetivos da avaliação e recursos disponíveis para sua realização. Além disso, a tecnologia tem desempenhado um papel importante no processo de avaliação, permitindo a coleta de dados em tempo real e a análise de grandes quantidades de informações. A inteligência artificial (AI) e outras tecnologias de análise de dados estão sendo cada vez mais utilizadas para melhorar a precisão e eficiência da avaliação de impacto social. No entanto, é importante lembrar que a avaliação de impacto social é uma atividade complexa que envolve a consideração de diversos fatores, e a tecnologia deve ser utilizada com cuidado e sempre em conjunto com outras ferramentas e métodos de avaliação.

Em suma, o SROI é uma técnica avaliativa que apresenta um grande potencial para avaliação de impacto de projetos sociais, incluindo os de inclusão produtiva no Brasil. Permite identificar quais intervenções são mais efetivas em promover a inclusão produtiva, quais as barreiras que ainda precisam ser superadas e quais os grupos que ainda estão sendo excluídos. Além disso, é fundamental que as organizações e a sociedade reconheçam os benefícios da avaliação de impacto de iniciativas de inclusão produtiva, e invistam em estratégias efetivas para promovê-la. Apesar dos desafios mencionados, o processo avaliativo pode trazer diversos benefícios para além da apresentação dos resultados e impacto, como a demonstração do valor social gerado, identificação de lacunas e oportunidades de melhoria. É fundamental que as organizações que atuam com inclusão produtiva invistam em capacitação, coleta de
dados precisos e estabelecimento de parcerias para tornar a avaliação de impacto uma prática integrante de seus projetos. Assim, poderão contribuir ainda mais para o desenvolvimento econômico e social do país, de forma sustentável e inclusiva.

NOTAS

¹O terceiro setor é formado por organizações sem fins lucrativos que atuam em prol do interesse público e buscam solucionar problemas sociais, ambientais e culturais. Entre as principais organizações que compõem o terceiro setor, estão: Organizações não governamentais (ONGs); Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs); Fundações e Institutos, Cooperativas, entre outros. Essas organizações atuam de forma complementar aos setores público e privado, prestando serviços e desenvolvendo projetos em áreas onde estes setores não conseguem atuar de forma eficiente ou eficaz.
²Fabiani et al. (2018).
³Faleiros (2021).
⁴O IDIS é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalha junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país. Mais informações, acesse o site (IDIS, 2023b).
⁵IDIS (2022b, 2023a).
⁶Buffett & Eimicke (2018).
⁷Para mais informações sobre a o protocolo SROI, consultar o website da Social Value UK (2023).
⁸8 IDIS (2022a).
⁹IDIS (2021).
¹⁰Stakeholders são indivíduos ou grupos que possuem interesse, direito ou impacto numa intervenção (programa, política ou projeto). Eles podem incluir, mas não se limitam a beneficiários diretos e indiretos do projeto, parceiros locais, governos, organizações da sociedade civil e doadores. A identificação e a gestão adequada dos
stakeholders são fundamentais para garantir a sustentabilidade e o sucesso do projeto, já que suas necessidades e expectativas devem ser atendidas e equilibradas para garantir a sua aceitação e engajamento.
¹¹IDIS (2018).

Avaliação de Impacto: desvendando sua importância para as organizações

Denise Carvalho – Gerente Sr. de Monitoramento e Avaliação

Em um mundo em constante evolução, as organizações, sejam elas parte da sociedade civil, empresas ou agências governamentais, têm buscado cada vez mais formas eficazes de medir e compreender o impacto positivo e/ou negativo de suas ações e iniciativas.

A avaliação de impacto surge como uma ferramenta fundamental para essa finalidade. Ela oferece uma análise detalhada e baseada em evidências sobre como as atividades de uma organização afetam as pessoas, as comunidades e o ambiente, buscando compreender o alcance e o efeito de suas ações, programas e projetos. Neste texto, exploraremos o que é a avaliação de impacto, sua importância e como as organizações podem implementá-la de maneira eficaz.

 

O que é Avaliação de Impacto?

A avaliação de impacto é um processo sistemático e rigoroso que busca medir, analisar e entender os efeitos das atividades de uma organização em relação aos seus objetivos e metas. Ela envolve a coleta de dados quantitativos e qualitativos para avaliar como as ações da organização estão contribuindo para mudanças ou transformações – desejadas ou não -, que podem ser de várias naturezas, incluindo social, econômica, ambiental e política.

Os dados qualitativos se referem as informações que ajudam a descrever as características, os tipos e as nuances das informações coletadas. Por exemplo, ao avaliar o impacto de seu projeto em uma comunidade, a organização pode coletar dados qualitativos que descrevem as histórias de vida das pessoas beneficiadas, as experiências que tiveram e as mudanças percebidas em suas vidas. Esses dados nos ajudam a entender a qualidade das interações e as experiências pessoais dos participantes.

Por outro lado, os dados quantitativos envolvem números, medidas e estatísticas que fornecem informações específicas e mensuráveis. No contexto de um projeto social, os dados quantitativos podem incluir informações como o número de famílias beneficiadas, a porcentagem de aumento na taxa de emprego na comunidade ou a quantidade de beneficiários que percebem uma mudança em relação a algum indicador de impacto (habilidades socioemocionais desenvolvidas, autonomia financeira, melhoria na qualidade de vida, entre outros). Esses dados fornecem números claros e objetivos que ajudam a avaliar o alcance e os resultados tangíveis do projeto.

A importância da avaliação de impacto vai além da simples análise de resultados. Ela busca entender as causas dos efeitos observados, identificar os fatores que contribuem ou dificultam o alcance dos objetivos e oferecer insights para a tomada de decisões embasadas (ou baseadas em evidências). Em resumo, a avaliação de impacto não se limita a medir o “o quê”, mas também o “porquê” e o “como” das mudanças resultantes das atividades da organização.

 

Por que a Avaliação de impacto é importante?

A avaliação de impacto desempenha um papel crítico para organizações de diversos setores por várias razões. Dentre elas podemos destacar:

1 – Sintonia com o propósito da organização

Toda organização tem um propósito, uma missão que define sua razão de existir. A avaliação de impacto atua como um mecanismo que mantém as ações das organizações alinhadas com seus objetivos. Ao analisar o impacto das atividades, a organização pode verificar se está cumprindo sua missão de maneira eficaz. Essa avaliação contínua ajuda a evitar desvios estratégicos, garantindo que os recursos e os esforços estejam sempre direcionados para a realização da visão da organização.

2 – Agilidade e resiliência

O mundo é um lugar de constante mudança. A capacidade de adaptação é uma vantagem competitiva significativa. A avaliação de impacto fornece informações oportunas e precisas sobre o desempenho das organizações. Isso permite que estas identifiquem áreas de melhoria ou mudanças necessárias e ajuda na tomada de decisões rápidas e informadas. Em um ambiente em constante evolução, a agilidade e a resiliência tornam-se qualidades essenciais para o sucesso.

3 – Construção de confiança e credibilidade

A confiança é um ativo valioso. As organizações que adotam e entendem a importância da avaliação de impacto demonstram compromisso com a transparência, responsabilidade e excelência de suas operações. Isso não passa despercebido pelos financiadores, doadores, parceiros e pela comunidade em geral. A capacidade de apresentar evidências sólidas do impacto de suas ações cria uma base sólida de confiança e credibilidade. Essa confiança é crucial para manter e cultivar relacionamentos de longo prazo com todas as partes interessadas.

4 – Captação de recursos sustentável

Em um mundo com recursos limitados, é fundamental convencer financiadores e doadores a investir em uma causa ou projeto. A avaliação de impacto fornece uma base sólida para essa persuasão. Organizações que podem documentar e demonstrar o impacto tangível de suas atividades têm uma vantagem significativa na captação de recursos. Elas podem fornecer evidências sólidas de que seus recursos são usados de maneira eficaz e que seus objetivos são alcançados. Isso não apenas atrai financiamento, mas também aumenta a probabilidade de financiamentos recorrentes.

5 – Inovação e aprendizado contínuo

A avaliação de impacto fomenta uma cultura de aprendizado contínuo e melhoria. Ao analisar os resultados, identificar sucessos e áreas de melhoria, as organizações podem inovar e adaptar suas estratégias. Isso é fundamental para a evolução e o aprimoramento contínuo das operações. A capacidade de aprender com a avaliação de impacto leva a um ciclo de inovação que impulsiona o progresso e garante que as organizações continuem atingindo seus objetivos de maneira eficaz.

6 – Amplificação do efeito multiplicador

Uma das características mais interessantes da avaliação de impacto, que destaca sua importância, é seu efeito multiplicador. Quando as organizações compartilham suas descobertas e lições aprendidas por meio de avaliações de impacto, elas contribuem não apenas para seu próprio sucesso, mas também para o progresso de toda a sociedade. O conhecimento compartilhado tem o poder de criar mudanças significativas em um nível mais amplo. À medida que mais organizações se beneficiam de insights valiosos, a sociedade como um todo colhe os frutos de soluções mais eficazes e práticas bem-sucedidas.

 

O poder da avaliação de impacto

Em resumo, a avaliação de impacto é importante para criação de alicerce sólido para no sucesso sustentável das organizações. Ela vai além de uma mera ferramenta de medição e se torna um guia estratégico, um selo de confiabilidade e uma fonte constante de aprendizado.

Implementar a avaliação de impacto pode, de fato, ser desafiador, mas os benefícios que ela oferece superam os possíveis desafios. Portanto, é fundamental que as organizações considerem seriamente a incorporação da avaliação de impacto em suas operações, não apenas como um passo, mas como um compromisso de construção de um futuro mais eficaz e responsável.

 

Quer saber mais sobre o protocolo SROI e como Implementar uma Avaliação de Impacto de maneira eficaz? Acesse:

Protocolo SROI: quando utilizar e como interpretar o índice monetário da avaliação de impacto

Avaliação de impacto e SROI

Avaliação de impacto para inclusão produtiva: metodologias, desafios e limitações

A prática de monitoramento e avaliação pode ser uma eficiente ferramenta para a aprendizagem e tomada de decisões em projetos de inclusão produtiva no Brasil. Utilizando métodos avaliativos, como o Retorno Social do Investimento (SROI, na sigla em inglês), é possível compreender o impacto social de projetos e programas e tomar decisões mais assertivas.

No artigo intitulado ‘Avaliação de Impacto para Inclusão Produtiva: Metodologias, Desafios e Limitações’, Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Denise Carvalho, Gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, exploram os principais benefícios, desafios e limitações enfrentados na avaliação do impacto social de projetos e programas de inclusão produtiva, bem como as tendências e abordagens futuras.

Confira o artigo completo!

O conteúdo desse artigo foi publicado na Revista Brasileira de Avaliação – Edição Especial Inclusão Produtiva, uma publicação que reúne um conjunto inédito de artigos, relatos de experiências, entrevistas e ensaios que discutem a avaliação de políticas públicas e privadas de inclusão produtiva sob perspectivas diversas.

Coordenada pela Rede Brasileira de Avaliação com o apoio da Fundação Arymax, em parceria com a Fundação Tide Setúbal, esta é uma publicação científica que se propõe a fomentar o debate de políticas baseadas em evidências sobre intervenções que se propõem a combater as desigualdades socioeconômicas no Brasil através da geração de trabalho e renda às pessoas economicamente excluídas.

O lançamento da Revista aconteceu na sexta-feira, 27 de outubro, e Paula Fabiani participou como mediadora na mesa ‘Avaliar é preciso: casos práticos de avaliação de programas e políticas’ ao lado de Sérgio Firpo, Secretário de Monitoramento e Avaliação de políticas públicas e Assuntos Econômicos; Paula Pedro, Diretora-Executiva no J-PAL LAC; Wesley Matheus, Diretor Colegiado da Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação e João Paulo Bittencourt, Gerente de Educação no Albert Einstein, voluntário do Instituto Proa e coautor do relato “PROA INDEX: avaliação fidedigna na formação profissional online de jovens.

Nota técnica: A diferença de ‘impacto’ no desenho e na avaliação dos projetos sociais

Nunca se falou tanto sobre impacto de projetos socioambientais. Organizações da Sociedade Civil usam o termo ao comunicarem suas intervenções. Investidores Sociais usam o impacto como critério para suas linhas de financiamento. No entanto, nem sempre as pessoas têm mesma compreensão sobre o termo.

Nesta Nota Técnica, elaborada por Thais Bassinello, Gerente de Projetos do IDIS, apresentamos os diferentes significados atribuídos à palavra “impacto” no desenho de projetos e na teoria/prática avaliativa.

Baixe a nota clicando aqui ou leia abaixo:

Gerente de Projetos do IDIS obtém certificado de curso SROI de organização britânica

Denise Carvalho, gerente sênior de Monitoramento e Avaliação do IDIS, obteve um certificado no curso SROI (em português, Retorno Social do Investimento) sobre avaliação de impacto de projetos sociais e ambientais, oferecido pela organização britânica Social Value, referência mundial no assunto.

A Social Value International (SVI) certifica profissionais em todo o mundo para aplicação do protocolo há mais de 15 anos. Paula Fabiani, CEO do IDIS, é a única brasileira com formação completa em SROI pela organização.

O IDIS é hoje referência na aplicação do protocolo no Brasil, com trabalhos realizados para organizações como Amigos do Bem, Fundação Sicredi, Gerando Falcões, Parceiros da Educação, Petrobras e Vale.

De acordo com a rede “valor social significa compreender a importância que as pessoas atribuem às mudanças em seu bem-estar e o uso dos insights que obtemos dessa compreensão para tomar melhores decisões”. Ou seja, a avaliação visa informar um processo de tomada de decisões baseadas em evidências em organizações sociais.

Conheça todos projetos de Monitoramento e Avaliação realizados pelo IDIS.

 

MAIS SOBRE AVALIAÇÃO DE IMPACTO

Com ampla experiência e tendo a produção de conhecimento como um de nossos pilares de atuação, temos inúmeros materiais disponíveis a quem deseja se aprofundar

Avaliação de Impacto SROI

Acesse aqui.

Para saber mais sobre nossos serviços e falar com a equipe de consultoria, escreva para comunicacao@idis.org.br.

Festival ABCR 2023: confira a participação do time IDIS no evento

O Festival ABCR 2023, a maior conferência de captação de recursos da América Latina, chega em sua décima quinta edição. O evento será realizado nos dias 3 e 4 de julho, em São Paulo e contará com mais de 50 palestras de 5 diferentes eixos temáticos: Gestão e Captação de Recursos, o profissional de captação, inovação e redes de captação, comunicação e engajamento e, por fim, ferramentas e fontes de captação de recursos.

A Masterclass “O que é a Avaliação de Impacto SROI” e a palestra ”Governança, Confiança e Captação de Recursos” serão conduzidas por especialistas no assunto membros da equipe IDIS. Confira:

Para ajudar a compreensão do potencial do protocolo SROI para a tomada de decisão e a captação de recursos de iniciativas sociais, Denise Carvalho e Felipe Groba, ambos gerentes de projetos do IDIS, e Isadora Pagy, analista de projetos do IDIS, conduzirão a Masterclass “O que é a Avaliação de Impacto SROI”.

Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS, irá participar da sessão “Governança, Confiança e Captação de Recursos: Como estruturas sólidas podem atrair mais doadores”. Andrea possui uma vasta experiência em consultoria a empresas e organizações da sociedade civil, capacitando instituições em temas como governança, gestão de doações, planejamento estratégico e fundos patrimoniais.

O Festival ABCR 2023 é presencial e as inscrições podem ser feitas no site do evento.

Sobre a ABCR

A ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, fundada em 1999, é uma associação civil sem fins lucrativos, que atua pela promoção da sustentabilidade do Terceiro Setor e pelo desenvolvimento da captação de recursos das organizações da sociedade civil. Atualmente nossa rede de associados é composta por mais de 400 membros em quase todos os Estados do país.

Conheça os 8 princípios que norteiam o Protocolo SROI

Você sabe quais são os 8 princípios que norteiam as avaliações de impacto baseadas no retorno social do investimento (protocolo SROI)? Confira:

 

PRINCÍPIO 1: ENVOLVA AS PARTES INTERESSADAS

As pessoas e organizações envolvidas com o projeto devem ser identificadas e consultadas no processo de avaliação. Afinal, são elas que sentirão os impactos a partir das intervenções.

 

PRINCÍPIO 2: COMPREENDER O QUE MUDOU

A avaliação deve identificar como o projeto gera mudanças sociais por meio de dados coletados com esse objetivo. Essas mudanças podem ser positivas ou negativas, intencionais ou não. Esse processo gera o que chamamos de Teoria da Mudança (TdM), a partir da qual é estabelecida a relação de causalidade entre a intervenção e os impactos gerados. A TdM serve como um mapa da intervenção que orienta todo o processo de avaliação.

 

PRINCÍPIO 3: VALORE AS COISAS QUE IMPORTAM

O processo de valoração, uma das principais etapas da avaliação SROI, deve considerar as preferências dos beneficiários sobre o grau de importância entre as diferentes mudanças por eles experimentadas.

 

PRINCÍPIO 4: INCLUA APENAS O QUE TIVER MATERIALIDADE

A materialidade aqui tem o sentido financeiro, de considerar coisas que são substanciais e sobre as quais se tenha evidências.

 

PRINCÍPIO 5: NÃO REIVINDIQUE IMPACTO EM EXCESSO

O avaliador deve ser conservador e atribuir valor apenas aos impactos que são de fato causados pela intervenção realizada. Assim, evita superestimar o impacto de um projeto.

 

PRINCÍPIO 6: SEJA TRANSPARENTE

O avaliador deve garantir que as fontes, fundamentos e procedimentos metodológicos estejam claros e acessíveis para o público em geral.

 

PRINCÍPIO 7: VERIFIQUE OS RESULTADOS

Desenhar, implementar e documentar os procedimentos adotados na avaliação, garantindo que possam ser revisados e validados.

 

PRINCÍPIO 8: SEJA RESPONSIVO

Fazer da avaliação um instrumento de planejamento estratégico, encaminhando soluções que visem a correção de rota e a maximização do impacto social gerado.

 

De onde vem o Protocolo SROI?

Os 8 princípios do SROI foram estabelecido pela organização britânica Social Value International (SVI), que há 15 anos certifica profissionais em todo o mundo para sua aplicação. Paula Fabiani, CEO do IDIS, é a única brasileira com certificação pela organização e o IDIS é hoje referência na aplicação do protocolo no Brasil, com trabalhos realizados para organizações como Amigos do Bem, Fundação Sicredi, Gerando Falcões, Parceiros da Educação, Petrobras e Vale.

De acordo com a rede “valor social significa compreender a importância que as pessoas atribuem às mudanças em seu bem-estar e o uso dos insights que obtemos dessa compreensão para tomar melhores decisões”. Ou seja, a avaliação visa informar um processo de tomada de decisões baseadas em evidências em organizações sociais.

Considerando, assim, os desafios de mensurar impacto, a SVI estabelece um protocolo para o cálculo do índice SROI que engloba diferentes metodologias de pesquisa participativa: a realização de entrevistas em profundidade, grupos focais com beneficiários, questionários e análise de dados secundários.

Percebe-se, então, que o SROI não é apenas um índice numérico, mas, sobretudo, o processo e resultados de uma atividade intensa de pesquisa e consulta a beneficiários de programas sociais.

Avaliação de Impacto e SROI

Estudos de Avaliação de Impacto ganham cada vez mais importância entre filantropos e investidores sociais no Brasil e no mundo. É crescente a preocupação das organizações em mensurar o impacto de suas ações, enquanto doadores estão interessados em verificar se seus recursos estão alocados em iniciativas que trazem benefícios efetivos à sociedade.

 

O que é impacto e como mensurá-lo

Consideramos impacto a mudança social produzida por um programa ou projeto. Enquanto resultados se relacionam com as conquistas concretas, que, em geral, representam o alcance e a amplitude da iniciativa, o impacto pode ter uma natureza mais subjetiva – relacionado à ideia de transformação social. Quando mensuramos o impacto de um programa, ponderamos o quanto este muda a vida das pessoas envolvidas. Ou seja, é uma prática reflexiva que visa buscar evidências para identificar se uma iniciativa tem alcançado as transformações sociais que estabeleceu como objetivos.

 

Metodologias

Para avaliar os benefícios de uma intervenção socioambiental são utilizadas técnicas de Avaliação de Impacto que irão fornecer subsídios para compreender as transformações causadas pelo projeto ou programa. A escolha do método deve ser coerente com a amplitude, duração e objetivos estratégicos do investimento socioambiental. A cada novo projeto, o time de consultores do IDIS avalia a demanda do cliente e características dos projetos para definir qual o caminho mais adequado.

 

SROI – Social Return on Investment

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, aplica diversas técnicas para estimar o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos. Dessa forma, nos permite concluir que a cada R$ 1 investidos, foram gerados R$ X em benefícios sociais, por exemplo.

O SROI é uma ferramenta poderosa de mensuração, que transcende a monetarização do impacto social. Ainda que a relação custo-benefício (ou retorno sobre o investimento) seja o que geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que veem a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado somente um índice. Cada uma de suas etapas é capaz de revelar informações pertinentes sobre o projeto ou programa e gerar insights que favorecem a tomada de decisão e a busca por impactos cada vez maiores e mais consistentes.

Um aspecto chave desse protocolo é seu foco na percepção do beneficiário – o envolvimento dos stakeholders é um dos princípios da SROI, o que significa que o impacto social deve ser avaliado a partir do ponto de vista daqueles que estão diretamente envolvidos no projeto social. Ademais, esse método favorece a integração de dados qualitativos e quantitativos. O primeiro fornece uma visão mais clara sobre a natureza do impacto do projeto por meio de depoimentos dos públicos envolvidos. A abordagem quantitativa, por outro lado, proporciona um trabalho com amostras estatisticamente significativas que mensuram a intensidade das mudanças percebidas.

Paula Fabiani, CEO do IDIS, é a única brasileira certificada na metodologia SROI pela Social Value Internacional.

 

Avaliação de impacto e captação de recursos

Os resultados da Avaliação de Impacto, além de permitirem a potencialização dos impactos do projeto, também funcionam como um poderoso meio para captação de recursos. Uma mensuração objetiva a respeito da transformação social oriunda de um Programa ou índices de retorno sobre o investimento são maneiras de fazer um doador se sentir mais confiante de que seu recurso está sendo bem utilizado e de que a organização tem uma boa gestão sobre a iniciativa.

Saiba mais no artigo ‘Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos’.

 

 

A experiência do IDIS em avaliação de impacto

Já avaliamos o impacto de dezenas de projetos, para organizações como Amigos do Bem, Gerando Falcões, Instituto Chamex, Parceiros da Educação, Petrobras, Sesc e Vale.

Leia nossos cases.

Conheça aqui alguns dos relatórios publicados em nosso site:

 

Conhecimento

Conheça também os produtos de conhecimento desenvolvidos sobre Avaliação de Impacto.

 

Cursos e eventos

O que é Avaliação de Impacto e por que ela é importante?

Consideramos impacto a mudança social produzida por um programa ou projeto. Enquanto resultados se relacionam com as conquistas concretas, que, em geral, representam o alcance e a amplitude da iniciativa, o impacto pode ter uma natureza mais subjetiva – relacionado à ideia de transformação social.

Como medir o impacto?

Quando mensuramos o impacto de um programa, ponderamos o quanto este muda a vida das pessoas envolvidas. Ou seja, é uma prática reflexiva que visa buscar evidências para identificar se uma iniciativa tem alcançado as transformações sociais que estabeleceu como objetivos.

Por que medir o impacto?

Há diversos motivos pelos quais a Avaliação de Impacto é uma ferramenta estratégica valiosa. Ela fornece às organizações dados e evidências que permitem refletir sobre as abordagens adotadas e oferecem suporte para o processo de tomada de decisão. Ademais, torna possível analisar a relação de causalidade entre as intervenções e os impactos percebidos, identificando fatores que são fundamentais para impulsionar as transformações, outros que não contribuem de forma tão direta e, ainda, limitadores e fatores que criam obstáculos. Assim, estudos de Avaliação de Impacto vão muito além da mensuração – permitem também refletir sobre estratégias para potencializar as transformações desejadas. Por fim, estudos avaliativos têm o potencial de fortalecer o diálogo com investidores e com o setor público, auxiliando organizações a manterem um relacionamento transparente com doadores, reivindicarem melhorias nas políticas públicas e negociarem a ampliação de programas sociais efetivos.

Estudos de Avaliação de Impacto não apenas monitoraram resultados, adentram profundamente na relação de causa e efeito entre as atividades de um programa e os desdobramentos na vida das pessoas. Isso pode ser uma atividade complexa, especialmente em programas que trabalham com questões abstratas como empoderamento ou habilidades sociais. Mesmo quando esse tipo de impacto é perceptível, pode ser muito desafiador mensurá-lo e traduzi-lo em termos objetivos e quantitativos.

O que é SROI e por que ele é útil?

O ‘SROI – Social Return on Investment’ (ou Retorno Social sobre Investimento), é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, aplica diversas técnicas para estimar o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos.

O SROI é uma ferramenta poderosa de mensuração, que transcende a monetarização do impacto social. Ainda que a relação custo-benefício (ou retorno sobre o investimento) seja o que geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que veem a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado somente um índice. Cada uma de suas etapas é capaz de revelar informações pertinentes sobre o projeto ou programa e gerar insights que favorecem a tomada de decisão e a busca por impactos cada vez maiores e mais consistentes.

Um aspecto chave desse protocolo é seu foco na percepção do beneficiário – o envolvimento dos stakeholders é um dos princípios da SROI, o que significa que o impacto social deve ser avaliado a partir do ponto de vista daqueles que estão diretamente envolvidos no projeto social. Ademais, esse método favorece a integração de dados qualitativos e quantitativos. O primeiro fornece uma visão mais clara sobre a natureza do impacto do projeto por meio de depoimentos dos públicos envolvidos. A abordagem quantitativa, por outro lado, proporciona um trabalho com amostras estatisticamente significativas que mensuram a intensidade das mudanças percebidas.

A demanda por avaliação de impacto e SROI no Brasil

Apesar da demanda crescente por Avaliação de Impacto no Brasil, trata-se de prática ainda pouco desenvolvida. Seus conceitos são frequentemente mal utilizados ou pouco claros e organizações enfrentam dificuldades em definir os indicadores. Por exemplo, muitas declaram que mensuram seu impacto, quando na verdade estão mensurando seus resultados, informando o número de pessoas ou famílias atendidas, por exemplo. Evidentemente, analisar os resultados da organização é muito importante e deve ser feito regularmente. Contudo, avaliar impacto é um processo mais profundo e uma oportunidade de refletir sobre como um projeto pode gerar valor social a seus beneficiários e à sociedade como um todo.

O desafio é ainda maior quando consideramos o SROI especificamente. A monetização do impacto é uma tarefa desafiadora, devido à falta de bases de dados de estimativas financeiras no País (instrumento bastante desenvolvido em outros países). Portanto, quando são definidos os valores das estimativas, muitas vezes é necessário coletar dados de fontes primárias, porque praticamente não há dados secundários disponíveis para sustentar as pesquisas.

É muito necessário disseminar conhecimento sobre esse assunto no Brasil, enfatizando a importância de avaliar o impacto de projetos e programas sociais, mesmo com os desafios e limitações envolvidos neste processo. Mensurar o impacto pode nem sempre resultar em conclusões precisas, mas, recomendamos sempre trabalhar com estimativas viáveis (construídas e analisadas com responsabilidade e critérios) do que trabalhar sem nenhum tipo de evidência sobre as consequências das suas intervenções.

Certamente ainda iremos amadurecer e evoluir nessa temática. Por isso, no IDIS, vamos além da realização de trabalhos de consultoria. Procuramos disseminar conceitos e práticas, por meio de publicações, de cursos, do compartilhamento de relatórios de projetos realizados e da participação em eventos.

Qual horizonte enxergamos para a Avaliação de Impacto?

Esperamos que, no futuro, avaliar o impacto seja parte integrante do processo de concepção e planejamento de projetos sociais e programas. Tanto organizações sociais, quanto filantropos e investidores sociais, precisam reconhecer o quão essencial é esta prática e devem trabalhar juntos para fortalecê-la e disseminá-la.

Também esperamos que a Avaliação de Impacto influencie as políticas públicas, revelando o valor de projetos para o desenvolvimento social e contribuindo para a ampliação de sua escala. Para ilustrar esse potencial, destacamos um exemplo. Em 2016, o IDIS conduziu a avaliação do Retorno Social sobre Investimento – SROI de um projeto dedicado à primeira infância na região da Amazônia (conheça o relatório aqui). O resultado positivo evidenciado pelo estudo – a notável mudança social que o projeto provia aos seus beneficiários – ofereceu argumentos irrefutáveis para que o projeto se tornasse uma política pública, beneficiando uma parcela significativamente maior da população e contribuindo para a melhoria da vida de mais crianças. Iniciativas como essa poderiam ser ainda mais regulares caso houvesse uma cultura de avaliação de impacto em organizações brasileiras – não apenas nas organizações privadas, mas também nos programas mantidos pelo setor público.

Novas ferramentas tecnológicas podem contribuir para o futuro da Avaliação de Impacto, reduzindo seu custo e tempo necessário para coleta de dados e aumentando a precisão dos estudos. A coleta e análise de dados poderá se tornar mais fácil, rápida e permitirá a mensuração de mudanças sociais no longo prazo. A tecnologia permitirá que a sociedade tenha maior acesso a informações relevantes sobre soluções, podendo, assim, aprender mais rapidamente com experiências prévias, e, com isso, ampliar os benefícios àqueles que mais precisam.

Veja organizações e empresas para quem o IDIS já realizou avaliações de impacto.

Para saber mais, entre em contato conosco por meio do comunicacao@idis.org.br.

#Conhecimento: Avaliação de Impacto e SROI

Confira nossos conteúdos sobre os temas relacionados à Avaliação de Impacto e SROI.

Publicações

 

Artigos e Notas Técnicas

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O que é Avaliação de Impacto?

Avaliação de Impacto e SROI

O que é SROI e por que ele é útil?

Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

Qual é a transformação que você quer ser?

Como medir impacto social? 

Dilema empresarial: como medir o impacto de projetos socioambientais?

Protocolo SROI: quando utilizar e como interpretar o índice monetário da avaliação de impacto

Conheça os 8 princípios que norteiam o Protocolo SROI

Avaliação de impacto: desvendando sua importância para as organizações

Avaliação de impacto para inclusão produtiva: Metodologias, desafios e limitações

Cases

Vídeos

 

Resultados do SROI da Amigos do Bem é destaque no Jornal da Band

No início de 2023, o IDIS finalizou a avaliação SROI (Social Return on Investiment) ou Retorno Social Sobre Investimento da organização Amigos do Bem. O protocolo propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o retorno gerado para a sociedade com essa iniciativa. Os resultados foram destaque no Jornal da Band.

A análise indica um retorno positivo dos projetos liderados pela Amigos do Bem: para cada R$ 1,00 investido, a média de retorno é de R$6,45. Os números indicam que a organização provocou um investimento social no nordeste de R$2 bilhões em 10 anos.

Paula Fabiani, CEO do IDIS, comenta os resultados e indica a competência do trabalho realizado pela organização como parte essencial para o alcance dos números. “Os resultados mostram exatamente essa multiplicação do dinheiro doado. E isso é feito por meio do trabalho que é executado, tem uma gestão muito eficiente.”

Saiba mais sobre Avaliação de Impacto e confira o case da Amigos da Bem na íntegra.

Clique aqui e confira a matéria na íntegra.

Vaga para Analista de Monitoramento e Avaliação de Impacto Socioambiental

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Monitoramento e Avaliação.

Para fortalecer nossa atuação na frente de Monitoramento e Avaliação de Impacto, buscamos um(a) Analista Pleno que apoie na gestão de nossas iniciativas nesta área. A pessoa será responsável por apoiar atividades da equipe de Monitoramento e Avaliação de Impacto socioambiental do Instituto.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

Responsabilidades e oportunidades

  • Apoiar a elaboração de propostas de projetos de Monitoramento e Avaliação para potenciais clientes e parceiros.
  • Implementar as atividades dos projetos de Monitoramento e Avaliação do IDIS, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Apoiar e realizar a coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos.
  • Organizar, ler, analisar documentos elaborar relatórios e apresentações sistematizando o processo de Monitoramento e Avaliação e os aprendizados e conclusões obtidas.
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e benchmarking que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos.
  • Apoiar na elaboração de propostas de projetos para potenciais clientes e parceiros, quando necessário.
  • Participar de reuniões periódicas da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.
  • Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS.
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de consultoria e estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.

Requisitos

  • Ensino superior completo, preferencialmente em estatística, economia, ciências sociais ou áreas afins, e experiência mínima de 2 anos em gestão de projetos, preferencialmente em monitoramento e avaliação de projetos.
  • Conhecimento e experiência em elaboração e monitoramento de indicadores.
  • Conhecimentos sobre análise estatística serão considerado uma vantagem.
  • Conhecimento e aplicação de metodologias para elaboração de análise diagnóstica, planejamento estratégico e plano de ação.
  • Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões.
  • Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas.
  • Conhecimentos intermediários de inglês na linguagem oral e escrita.
  • Facilitação de grupos focais e condução de entrevistas em profundidade.
  • Desenho e aplicação de pesquisas quantitativas.
  • Experiência com softwares de análise de dados de qualitativos e quantitativos será considerada uma vantagem.

Benefícios

Contratação CLT
Início em março de 2023
Remuneração mensal – A combinar
Tipo de trabalho – Híbrido: Combinação de presencial e remoto, com disponibilidade para viajar.

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 12 de março de 2023.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

               

Mapeamento destaca organizações dispostas a apoiar empresas na jornada de práticas ESG e Sustentabilidade

É crescente a demanda de empresas por parceiros que os apoiem em sua jornada de geração de impacto positivo e adoção de práticas ESG e de sustentabilidade.

Pensando nisso, o Quintessa e o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) lançaram, em parceria, o mapeamento ‘Caminhos para o Impacto Positivo’, com organizações que integram esta cadeia de valor. Entre os destaques, o IDIS, como parceiro nos caminhos de acesso a capital; desenvolvimento humano e de cultura organizacional; estratégia de iniciativas e práticas e mensuração, reporte e certificação.  .

“Para o IDIS, o envolvimento com a pauta ESG foi um movimento natural. É essencial que o Investimento Social Privado, o engajamento com causas e a relação com as comunidades de empresas se conectem cada vez mais com a estratégia.” comenta Marcos Manoel, diretor de projetos no IDIS.

No estudo, foram identificadas nove trilhas que as empresas podem seguir para gerar impacto por meio de seus produtos, serviços e/ou operações e 44 organizações que já possuem resultados concretos de implementação foram listadas no material.

 

Conheça o mapeamento completo e todas as organizações reconhecidas.

Para concluir projeto de avaliação, IDIS visita unidades do Amigos do Bem

Em viagem ao sertão nordestino, Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Felipe Insunza Groba, gerente de projetos da instituição, visitaram as unidades da ONG Amigos do Bem do Vale do Catimbau, em Buíque-PE, e de Agrovila, em Mauriti-CE.

A visita é uma etapa do processo de avaliação SROI (Social Return on Investiment) ou Retorno Social Sobre Investimento, protocolo que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o retorno social gerado para a sociedade com essa iniciativa.

Conheça mais sobre a metodologia aqui.

Amigos do Bem é uma instituição social, que atua há 29 anos no sertão nordestino, nas frentes de saúde, educação, trabalho e renda, moradia e acesso à água potável, rompendo o ciclo de fome e de miséria que assolam a região. A OSC atende mensalmente 150 mil pessoas em Inajá e Catimbau (PE), Mauriti (CE) e São José da Tapera (AL). Para que este negócio de impacto social funcione plenamente, a OSC conta com 10.600 voluntários, distribuídos entre São Paulo e o sertão.

Desde 2020, o IDIS vem trabalhando com a organização e neste ano pôde, por fim, visitar algumas das instalações e acompanhar na prática o trabalho realizado pelos Amigos do Bem. Dentre as suas iniciativas no campo da Educação, além da adoção de escolas públicas locais estão os Centros de Transformação, que possuem uma excelente estrutura física e oferecem atividades de contraturno escolar nos âmbitos cultural, esportivo e de apoio escolar para crianças, adolescentes e jovens da região.

Outras instalações visitadas, como as fábricas de castanha de caju, doces e costura, são importantes iniciativas de geração de renda, espaços que garantem uma estabilidade financeira cada vez maior para os moradores, contribuindo também para a sustentabilidade da organização e de seus impactos. Os Amigos do Bem também são responsáveis por parte importante das estruturas de coleta e distribuição de água nos territórios, com a construção de poços, cisternas e distribuição de caixas d’ água. Mais de 1.2 bilhão de litros de água são distribuídos por ano.

O IDIS conversou com beneficiários, equipe, membros da Governança e voluntários dos Amigos do Bem. “É notável o engajamento e comprometimento de todas as partes envolvidas no projeto, fator essencial para seu sucesso”, comentou Paula Fabiani.

A prática de avaliação de impacto tem sido cada vez mais incorporada por empresas e organizações sociais. No IDIS, é nítido o crescimento da demanda pelo serviço, com XX projetos avaliados apenas neste ano. Entre os clientes, já trabalhamos com organizações como Doutores da Alegria, Gerando Falcões, Parceiros da Educação, Petrobras, Sesc, entre outras.

Investimento Social: seis passos para estruturá-lo em uma empresa

Em agosto de 2019, o Business Roundtable, grupo formado pelos CEOs das cem maiores companhias norte-americanas, declarou que, na sua visão, o propósito de uma empresa não era somente proporcionar lucro a seus acionistas. O propósito de uma empresa é também entregar valor aos seus clientes, investir em seus funcionários, lidar de forma justa com os fornecedores e apoiar as comunidades em que atuam. Em resumo, as empresas devem ir além de seus números, e impactar positivamente a sociedade.

Esta declaração histórica é o resultado de uma longa caminhada que, no Brasil, começou há cerca de quatro décadas e evolui por meio de diversos conceitos que vão desde responsabilidade social até ESG, passando pelo investimento social corporativo.

Saiba mais sobre estes conceitos

Independentemente dos rótulos, o importante é a percepção de que empresas são organismos poderosos, que devem usar seu potencial para melhorar a sociedade na qual atuam e da qual retiram os recursos para sua existência.

E como fazer isso de forma que traga benefícios concretos para todos?

O primeiro passo é admitir que problemas socioambientais são complexos e que, normalmente, as empresas não sabem lidar com eles, portanto, é necessário dedicação antes decidir o que fazer.

Escolha do foco de investimento social para atuação

O ideal é começar tentando identificar em qual faixa do imenso espectro de problemas sociais a empresa tem maior possibilidade de contribuir. Considere nesta análise os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e como é possível apoiar o cumprimento das metas estabelecidas na Agenda 2030.

A resposta pode estar ligada ao setor de atividade da firma. Por exemplo, um fabricante de alimentos provavelmente tem capacidade para atuar no combate á fome. Um banco pode contribuir com ações de educação financeira.

Ou ela pode ter relação com a estrutura de operação. Um distribuidor de bebidas pode contribuir com sua capilaridade, enquanto uma escola pode ceder seu espaço ocioso para alguma atividade.

Há ainda a possibilidade da atuação vir do local onde a empresa está instalada e até mesmo da comunidade onde se encontram seus fornecedores ou clientes.

O importante aqui é que exista um vínculo, uma razão ao se escolher uma causa ou uma região para ser adotada, porque é essa ligação que vai dar sentido ao investimento social e vai envolver toda a cadeia de stakeholders, desde os sócios.

Pensando no ESG, essa escolha é chamada de “materialidade”. Ou seja, algo que diga respeito realmente a onde/quem/ o que a empresa atinge de uma forma ou de outra.

Nota técnica: ESG e o “S” brasileiro

Diagnóstico do problema

Uma vez escolhida a causa ou o foco de atuação, vem a etapa de diagnóstico. Ela serve para compreender quais os principais problemas existentes nesse foco, quais tentativas de solução já foram experimentadas e quem são as pessoas e organizações envolvidas com essas questões.

Muitos investidores sociais perdem tempo e dinheiro porque acreditam ter a solução para alguma situação, sem, na verdade, conhecer a realidade das pessoas ou local que sofrem com aquele problema.

Portanto, é necessário estudar bem o problema que se quer atacar. E isso serve para qualquer tamanho de investimento social. Mesmo uma iniciativa pequena, deve ser bem concebida para surtir efeito e, quem sabe, tornar-se um grande projeto!

Definição do projeto de impacto social a ser realizado

Após entender o problema a ser atacado, chegou a hora de definir qual a intervenção a ser realizada. Para qualquer questão que tenha sido escolhida, existirão diversas abordagens possíveis.

O combate à fome não se restringe à doação de alimentos. Ele pode ser feito por meio de capacitação para o emprego, de educação para melhor utilização de alimentos ou estímulo à produção de alimentos mais baratos.

O melhor é optar pelo caminho mais viável dentro das condições da empresa e que traga mais impactos positivos para os beneficiários.

Ao final desta etapa é necessário ter as respostas para as seguintes perguntas:

  • O que vai ser feito?
  • Como vai ser feito?
  • Onde vai ser feito?
  • Quando vai ser feito?
  • Quanto vai custar?
  • Quais resultados queremos atingir?
  • Quais indicadores serão monitorados?

Fazer com as próprias mãos ou apoiar quem já faz?

Esta é outra decisão importante. Como a empresa vai conduzir sua ação social? Vai realizar ela própria ou vai optar por apoiar organizações sociais que já trabalham com a causa ou na comunidade escolhida?

Na verdade, estamos buscando a resposta para a pergunta: quem vai fazer?

Se a empresa vai operacionalizar as ações sociais, será preciso destacar ou contratar pessoas e criar uma célula dentro da companhia com essa responsabilidade, exigindo uma estrutura robusta. Ela estabelecerá uma ligação próxima com os beneficiários e terá maior controle sobre os resultados alcançados.

Se a empresa optar por apoiar organizações do Terceiro Setor para realizarem a ação social, não precisará fazer modificações internas profundas. Em compensação, haverá menos controle sobre a operação e resultados.

Como saber se deu certo?

Depois de todo esforço e dedicação para a realização de uma ação social, é fundamental saber se a intervenção gerou impactos positivos aos beneficiários. Recomenda-se que, antes de começar algum projeto, já se defina quais são as metas a serem perseguidas, quais os indicadores que dirão se elas foram alcançadas ou não e quais os processos que integrarão a avaliação. Fomentar a cultura avaliativa é desejável. O processo mostrará onde estão as fortalezas e onde há espaços para melhorias.

Convide todo mundo para participar

Um projeto social é uma iniciativa que deixa todo mundo entusiasmado. Equipe internas, fornecedores, parceiros, clientes, investidores, comunidade. Por isso, é muito importante contar para todos eles o que será feito e convidá-los a fazer parte. Eles podem dar ideias para melhorar o projeto, podem fazer doações para complementar a verba, podem realizar trabalho voluntário, podem ajudar a divulgar e mais uma série de coisas que nem sequer conseguimos imaginar. E ainda que não se engajem diretamente, podem reconhecer o valor da ação e recompensar a empresas pela atitude.

Com estas seis etapas, empresas se colocam na direção correta para honrar o propósito que se espera de uma empresa atualmente. O IDIS apoia investidores sociais privados em toda esta jornada. Conheça nossos serviços e algumas histórias de sucesso.

IDIS palestra em três dias do Festival ABCR 2022

Realizado pela ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, o Festival ABCR, que é maior conferência de captação de recursos da América Latina, voltou às atividades presenciais e o IDIS participou dos três dias de evento no Centro de Convenções da Frei Caneca.

A conferência reúne representantes do terceiro setor e aborda uma variedade de temas relacionados à captação de recursos. Entre os temas, estiveram avaliação de impacto, fundos patrimoniais e filantropia comunitária. Nestes temas, o IDIS participou como palestrante ao longo do evento.

Em caráter exclusivo para inscritos, Amanda Santos, analista de projetos, junto de Daniel Barretti e Felipe Groba, ambos gerentes de projetos, ministraram uma masterclass sobre a avaliação de impacto e a metodologia SROI (Social Returno on Investment, ou em português, Retorno Social do Investimento). Os presentes puderam conhecer mais a fundo as especificidades dessa metodologia e cases. Entre os principais interesses da audiência, estava como o resultado de avaliação de impacto pode ajudar na comunicação com financiadores.

Amanda Santos, do IDIS, na masterclass de Avaliação de Impacto

Para responder sobre 10 perguntas frequentes sobre fundos patrimoniais, Andrea Hanai, gerente de projetos, e Paula Gonçalo, coordenadora de projetos, reuniram cerca de 60 pessoas. Durante a palestra, elas explicaram sobre o que são fundos patrimoniais (ou endowments) e como esse tipo de mecanismo funciona e pode ser um aliado para a sustentabilidade financeira de organizações sem fins lucrativos.

Andrea Hanai e Paula Gonçalo na sessão sobre 10 perguntas frequentes sobre fundos patrimoniais

Fechando o último dia de evento, Whilla Castelhano, coordenador de projetos, moderou uma mesa sobre filantropia comunitária. Fortemente envolvida no projeto Transformando Territórios, realizado pelo IDIS e Mott Foundation no fomento a institutos e fundações comunitárias no Brasil, ela elucidou o modelo de funcionamento deste tipo de organizações aos presentes. Além disso, também esteve presente Jair Resende, da FEAC, e Welson Alves, do Instituto Espraiada, ambas organizações participantes do Transformando Territórios.

Whilla Castelhano, Welson Alves e Jair Resende na sessão sobe filantropia comunitária

Vaga de gerente de monitoramento e avaliação de impacto socioambiental no IDIS

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social busca uma pessoa Gerente Sênior de Monitoramento e Avaliação de Impacto Socioambiental.

Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, o IDIS atua junto a empresas, famílias, institutos, fundações e organizações da sociedade civil. Desenvolvemos projetos de impacto, geramos conhecimento ao setor e oferecemos consultoria ao investidor social e às organizações que executam projetos e programas sociais para que tomem decisões estratégicas e ampliem o impacto de suas iniciativas.

Para fortalecer nossa atuação na frente de Monitoramento e Avaliação de Impacto, buscamos um(a) Gerente Sênior que apoie na gestão de nossas iniciativas nesta área. A pessoa será responsável por liderar e gerir a área e equipe de Monitoramento e Avaliação de Impacto socioambiental do Instituto. Essa função envolverá implementação de novas metodologias, desenvolvimento do time, pesquisa e produção de conteúdo, relacionamento com clientes, prospecção de novos negócios, entre outras atividades.

Inscreva-se pela 99 Jobs. 

Requisitos da vaga:

INSTRUÇÃO E EXPERIÊNCIA

Formação superior completa e, preferencialmente, experiência em Avaliação e Monitoramento de projetos e programas socioambientais.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

• Experiência em gestão de projetos e equipes.
• Experiência em desenvolvimento de novos projetos e parcerias.
• Experiência em condução de pesquisas qualitativas e quantitativas.
• Habilidades comportamentais para manter bom relacionamento com equipe e clientes, bem como com outros parceiros estratégicos do IDIS.

COMPETÊNCIAS

Gestão de projetos, gestão de equipe, planejamento, organização, capacidade para solucionar problemas, capacidade analítica, foco em resultados, bom relacionamento interpessoal, transitar em ambientes diferentes, gerenciar conflitos, ter excelente comunicação,

 

Como você atuará:

    • Motivar, apoiar e inspirar a equipe. Incentivar a troca de conhecimento entre o grupo e ampliar o repertório metodológico.

 

    • Revisar e aprimorar as principais atividades e processos da área de tal forma ampliar capacidades e novas formas de atuação;

 

    • Promover e implantar novas metodologias de monitoramento e avaliação tendo em vista os desafios e tendências do setor.

 

    • Avaliar e incorporar novas ferramentas de trabalho, com foco em melhorar processos e ampliar a cultura de análise de dados.

 

    • Contribuir e participar ativamente do planejamento e prospecção de novos projetos e clientes;

 

    • Relacionar-se com clientes, promover sinergias e interlocução com demais áreas e parceiros e atuar em resolução de conflitos;

 

    • Propiciar e incentivar um ambiente de inovação, excelência e produção de conhecimento.

 

Benefícios:

Contratação PJ
Início em julho de 2022
Remuneração mensal – A combinar
Tipo de trabalho – Híbrido (remoto e presencial)
Combinação de presencial e remoto, com disponibilidade para viajar quando a pandemia permitir.

Como se candidatar

Interessadas (os) devem preencher a candidatura na 99Jobs.

O prazo de inscrição será encerrado em 29 de junho.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos. No formulário, você poderá indicar se você se considera como potencial beneficiário(a).

O IDIS está localizado em São Paulo, próximo à estação Pinheiros do metrô, com atividades prioritariamente presenciais.

IDIS e projetos apoiados pela Petrobras participam da gLOCAL week de avaliação

As avaliações de impacto dos projetos socioambientais Projeto Coral Vivo e Centro De Teatro do Oprimido, ambos apoiados pela Petrobras, serão tema de uma mesa na semana de avaliação gLOCAL de avaliação, iniciativa da Global Evaluation Initiative com participação do IDIS.

O evento será no dia 1º de junho às 8h, transmitido em live pelo canal de YouTube do IDIS:

> Clovis Barreira e Castro (Coral Vivo)
> Daniel Barretti (IDIS)
> Fabiana Nazario Raphael (Petrobras)
> Maiara Carvalho (Centro de Teatro das Oprimidas)
> Gabriel Horsth (Centro de Teatro das Oprimidas)

 

Acesse o vídeo e clique para receber notificação assim que o evento for ao vivo:

 

Inscreva-se na página do evento: https://bit.ly/glocal_idis

 

Desde 2019, o IDIS vem realizando análises sobre os projetos socioambientais apoiados pela Petrobras utilizando diferentes metodologias de avaliação de impacto.

Avaliação de Impacto: Saiba quais projetos acompanharemos em 2022

A  Avaliação de Impacto é, certamente, uma ferramenta de grande complexidade mas também muito importante e necessária para mensurar e avaliar a efetividade de projetos sociais.

Esta é uma tendência crescente entre organizações sociais, empresas e famílias que realizam projetos de impacto social, ela surge como grande aliada dos projetos sociais pois serve, não somente para validar a efetividade da ação, mas também como uma ferramenta de aprimoramento dos projetos. 

Sendo este um de nossos importantes pilares de atuação, já realizamos a avaliação de impacto para os mais diversos projetos sociais (confira na página de cases) e no ano de 2022 estaremos com as seguintes organizações:

ICE

O Instituto de Cidadania Empresarial – ICE é uma organização que tem como propósito reunir empresários e investidores em torno de inovações sociais para promover a inclusão social e a redução da pobreza no país. Em 2020, o IDIS apoiou a organização na avaliação do projeto Promoção do Ecossistema de Investimento e Negócios de Impacto Socioambiental no Brasil – veja o relatório. Neste ano, o IDIS oferecerá apoio técnico na revisão do modelo de Monitoramento e Avaliação do Programa Academia, projeto que visa o engajamento de professores e Instituições de Ensino Superior nas temáticas de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, abrangendo as áreas de pesquisa, docência e extensão e que está inserido no contexto do projeto desenvolvido em 2020.

Fundação Volkswagen

A Fundação Grupo Volkswagen, que há mais de 40 anos investe em ações de impacto social, com foco atual em mobilidade urbana e comunidades sustentáveis, e mobilidade social e inclusão, também é um de nossos clientes de Monitoramento e Avaliação. A organização entrou em contato com o IDIS interessada em desenvolver um projeto para fortalecimento da cultura avaliativa da organização e para estabelecer estratégias e métodos para aprimorar o acompanhamento das iniciativas atuais de seu portfólio de projetos e programas sociais.

Instituto Sicoob

O Instituto Sicoob tem o objetivo de difundir a cultura cooperativista e contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades. A organização desempenha programas e projetos dentro de três eixos: Cooperativismo e Empreendedorismo, Cidadania Financeira e Desenvolvimento Sustentável. Interessados em incluir a temática de Avaliação de Impacto Social no processo formativo de 2022 para as PDEs – Pessoas de Desenvolvimento Estratégico que atuam representando as iniciativas do Instituto Sicoob nas Cooperativas Centrais, a organização buscou o apoio técnico do IDIS para conduzir oficinas de aprendizagem sobre processos avaliativos de programas sociais.

 

O IDIS tem se posicionado como uma referência na área. No ano passado oferecemos o curso Avaliação de Impacto e SROI e também realizamos um evento aberto sobre como avaliar e monetizar impactos socioambientais, com a participação de clientes da Gerando Falcões e Fundação Sicredi que passaram por este processo. Confira:

 

Leia também: Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

 

Avaliação de Impacto SROI

Acesse mais conteúdos nesta temática produzidos pelo IDIS aqui.

Caso queira saber mais sobre Avaliação de Impacto e SROI ou queira conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Dilema empresarial: como medir o impacto de projetos socioambientais?

Mais do que nunca, empresas não são apenas o negócio que entregam, mas o impacto que geram. A pandemia escancarou mazelas, acelerou mudanças e elevou a exigência de comprometimento das marcas a um novo patamar. Mas, para isso, não basta abraçar a agenda ESG (sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança) sem critério ou direção clara. Para garantir a eficácia das contribuições voluntárias que as empresas fazem sob a forma de projetos, é essencial medir com precisão os resultados das ações– e avaliar, com lupa, o retorno gerado.

Esse é um dos grandes desafios das empresas que investem em projetos socioambientais voluntários (também conhecido como investimento social privado): como mensurar a eficácia do investimento? Como garantir o maior índice de assertividade desses projetos, de forma a materializar os benefícios gerados e avaliar sua performance?

Não há dúvida que o desempenho dos projetos e os impactos associados são geralmente subjetivos e difíceis de mensurar. Mas, se no início do movimento de responsabilidade social e ambiental no Brasil, tudo era “mato”, com uma grande dose de improviso justificada pela “boa vontade” e “benevolência” das empresas, atualmente não há mais espaço para amadorismo ou “tentativa e erro”. Isso porque todo investimento precisa gerar valor, caso contrário, estaria destruindo valor e destruição de valor não é positivo para ninguém, nem para o acionista, nem para a sociedade.

 

Nova metodologia elimina subjetividade

A Petrobras é exemplo disso. Passamos a avaliar nossos investimentos voluntários do Programa Petrobras Socioambiental utilizando a metodologia SROI (Social Return on Investment) – e sua variante de Análise Custo-Benefício (ACB). Ela converte em valores monetários a transformação ambiental, social e econômica decorrente da implementação dos projetos.

Dessa forma, o retorno social do investimento passa a ser quantificado monetariamente conforme o impacto percebido pelas partes interessadas. Sendo assim, o SROI informa exatamente qual foi o resultado do projeto, quais os principais beneficiados e como esse benefício ocorreu.

Até o momento, avaliamos, por essa metodologia, onze projetos que integram o Programa Petrobras Socioambiental. Os estudos demonstraram que, para cada 1 real investido, são gerados em média R$ 4,70 em forma de benefícios para o meio ambiente e a sociedade, como renda, conservação de ecossistemas costeiros e marinhos, desenvolvimento profissional e recuperação de áreas de florestas, entre outros.

Ou seja: o valor que investimos em projetos socioambientais tem potencial de se multiplicar por quase cinco vezes quando são dimensionados seus resultados. Somando os onze projetos já avaliados, os cálculos mostram um retorno socioambiental de mais de R$ 220 milhões, considerando os valores investidos pela companhia. Um resultado expressivo que comprova, portanto, a eficácia dos investimentos.

Entre os resultados apurados, estão o reflorestamento de 100 hectares no bioma da Mata Atlântica (Projeto Guapiaçu); a garantia da segurança alimentar de 464 crianças e familiares (Centro de Esporte e Educação); a ampliação da consciência ambiental de 40.423 pessoas (Coral Vivo); a melhoria da performance escolar de 471 crianças e adolescentes (Unicirco) e o acesso assegurado ao processo de ensino-aprendizagem para 502 crianças e jovens (Maré Unida), entre diversos outros indicadores de impacto. O uso da metodologia permite identificar ainda oportunidades de melhorias no planejamento das ações, na condução e na avaliação dos resultados.

Muito além do simples valor monetário, o SROI mede resultados sociais, ambientais e econômicos dos projetos. Dessa forma, aponta se a empresa está na direção correta e serve de bússola para eventuais ajustes de rota, mostrando, por exemplo, quais esforços geram mais ou menos impacto, quais públicos o projeto melhor alcança e para quais o projeto ainda precisa se adaptar. Como se não bastasse, ainda dá suporte à tomada de decisões estratégicas, a partir de dados qualitativos, quantitativos e financeiros, sem margem para deduções ou subjetividades.

*O artigo é de Rafaela Guedes Monteiro, gerente executiva de Responsabilidade Social da Petrobras, originalmente publicado no LinkedIn

 

Avaliação de Impacto SROIQuer saber mais sobre esse tema? Confira nossas publicações, vídeos e eventos sobre o tema, clicando aqui.

 

 

IDIS ganha edital da Petrobras para avaliar impacto de 20 projetos

Após participar de concorrência ao Edital nº: 7003676852 da Petrobras, o IDIS foi a organização escolhida para apoiar a empresa na condução de estudos de Avaliação de Impacto dos projetos que compõem o portfólio do Programa Petrobras Socioambiental.

Entre 2022 e 2023, serão executados:

  • Cinco projetos avaliados por meio do Protocolo Avaliativo SROI (Social Return of Investment) – Retorno do Investimento Social.
  • Quinze projetos a serem avaliados sob a perspectiva de uma Análise Custo Benefício.
  • Quatro oficinas de capacitação em SROI e Teoria da Mudança.

 

Desde 2019, o IDIS vem realizando análises sobre os projetos socioambientais apoiados pela Petrobras utilizando diferentes metodologias de avaliação de impacto. Entre eles estão, Projeto Uça, Baleia Jubarte, projeto Mão na Massa e Florestas de Valor.

 

A prática de monitoramento e avaliação de impacto tem se intensificado nos últimos anos. Empresas e filantropos estão cada vez mais interessados em compreender as transformações geradas pelo seu investimento e como fazer a melhor alocação dos seus recursos para maximização do retorno do seu impacto. Do lado das organizações, a avaliação de impacto tem se mostrado como uma excelente ferramenta para melhoria das suas atividades, transparência, comunicação e captação de recursos.

 

Em 2021, o IDIS realizou 17 projetos nesta linha, para organizações como Vale, Fundação Sicredi, Gerando Falcões, Amigos do Bem e Parceiros da Educação e lançou dois relatórios compartilhando resultados específicos. A geração de conhecimento sobre monitoramento e avaliação de impacto também foi importante, com a realização de eventos, produção de conteúdos e capacitações.

 

Resultado da avaliação de impacto realizada pelo IDIS sobre o projeto Florestas de Valor, da Imaflora

Sobre a Petrobras

A Petrobras é uma sociedade anônima de capital aberto que atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia.

A empresa apoia iniciativas em prol de causas que contribuam para o desenvolvimento da sociedade, instituições do terceiro setor, poder público, universidades e outros públicos. A Petrobras investe em projetos sociais, ambientais, culturais e esportivos selecionados em todas as regiões do país. As iniciativas contribuem para o desenvolvimento local, regional e nacional, gerando renda, promovendo a proteção ambiental, fortalecendo a cadeia produtiva da cultura e ampliando o acesso a práticas esportivas.

O objetivo do Programa Petrobras Socioambiental é contribuir para o desenvolvimento sustentável, com investimentos voluntários em práticas voltadas para um ambiente ecologicamente equilibrado e socialmente equitativo, gerando resultados para a sociedade e para a empresa. O Programa é uma das formas de concretizar a visão e os valores da companhia constantes em seu Plano Estratégico e no princípio e diretrizes de sua Política de Responsabilidade Social.

 

Avaliação de Impacto SROIQuer saber mais sobre esse tema? Confira nossas publicações, vídeos e eventos sobre o tema, clicando aqui.

 

 

 

Como medir impacto social?

Você sabia que é possível medir o impacto de uma organização de forma pragmática? Existem ferramentas que transformam percepções e sorrisos com dados, informações gráficos e indicadores.

Confira a participação de Raquel Altemani, gerente de projetos do IDIS, no podcast Aqui se Faz, Aqui se Doa, do Instituto Mol, contando sobre a experiência na coordenação de projetos de avaliação de impacto. Também teve a participação de Paulo Zuben, diretor pedagógico da Santa Marcelina Cultura, que compartilhou o processo de avaliação do Programa Guri.

Confira o episódio na íntegra:

 

Veja também: Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

Construindo a Favela 3D: digna, digital e desenvolvida

O terceiro setor — representado por ONGs e empreendedores sociais — tem historicamente um papel fundamental na transformação sistêmica da vida da parcela mais pobre da população. Ele é ambicioso e inovador. Organizações como a Gerando Falcões têm eficiência, velocidade e capacidade de execução porque penetram onde o Estado não chega. No início da pandemia, por exemplo, o terceiro setor se fez presente na vida dos mais pobres semanas antes do governo. Enquanto o Estado tinha dificuldade para localizar os fantasmas brasileiros — quem não têm RG nem CPF — as ONGs sabiam onde eles estavam e os chamavam pelo nome.

Fundada em 2011 no Jardim Kemel, bairro periférico de Poá, na região metropolitana de São Paulo, a Falcões começou como uma iniciativa que oferecia atividades extracurriculares a crianças e adolescentes e cursos de qualificação profissional a jovens e adultos da região.

Dez anos depois, cresceu exponencialmente e se converteu numa aceleradora de desenvolvimento social, que apoia mais de cem líderes e organizações de favelas em 19 estados do Brasil.

O que ela quer, agora, é ainda maior, mas está longe de ser inviável: implementar a primeira Favela 3D — digna, digital e desenvolvida — do país. Trata-se de um projeto multissetorial, com participação do governo e da iniciativa privada, para dar autonomia social e financeira à Vila Itália, favela de São José do Rio Preto (SP). O Favela 3D vai atuar tanto no trabalho de base tradicional — construindo casas, regularizando o uso da área e melhorando a infraestrutura — quanto na criação de ferramentas sociais transformadoras, como programas de capacitação e empreendedorismo que deem soberania financeira aos moradores e tornem a comunidade autossustentável.

A ideia a médio e longo prazo é fazer da Vila Itália um projeto-piloto que possa ser replicado Brasil afora. Os 14 milhões de brasileiros que vivem em favelas estão habituados a ser ignorados pelo poder público, vistos como problema ou ter seu potencial desperdiçado por falta de oportunidades. Com o Favela 3D, eles passam a ser parte da solução, agentes ativos da própria emancipação.

O método para alcançar esse objetivo é o mesmo que consolidou a Gerando Falcões como uma das principais iniciativas sociais do país: localizar as lideranças capazes de gerar mudanças locais na quebrada, investir em treinamento e capacitação e acompanhar os resultados com afinco, usando sistemas como o SROI (sigla em inglês para Retorno Social do Investimento), que quantifica o impacto social em valores financeiros. Uma análise feita com apoio do IDIS mostrou que, a cada R$ 1 investido nas iniciativas avaliadas, R$ 3,50 são gerados na forma de benefício para a sociedade.

Foi identificado também que o investimento social da ONG “paga-se socialmente” (payback) já no segundo ano após o investimento, algo raro para a maioria de ativos financeiros disponíveis no mercado. É o melhor dos dois mundos: propósito e inovação, uma combinação de conhecimento da favela com o conhecimento das empresas que estão mudando o mercado.

São avaliações de impacto como essas que dão à Gerando Falcões a segurança de estar no caminho certo, justificando perante seus apoiadores e sociedade civil a relevância de seu Programa de Aceleração. É assim que essa expertise é levada aos quatro cantos do país, revolucionando a maneira como encaramos o urbanismo e o desenvolvimento social nas periferias brasileiras.

Olhar para trás, para o que foi realizado, identificar o que deu certo, o que poderia ter sido diferente e de fato avaliar exige tempo e dedicação. Mas é assim que conseguimos evoluir e dar escala ao que fazemos. E é reorganizando a forma como o dinheiro circula na favela e dando instrumentos aos seus moradores que o Brasil vai criar condições para quebrar o círculo vicioso da desigualdade, transformar os excluídos em cidadãos e fazer com que a miséria vire item de museu.

Edu Lyra e Nina Cheliga são, respectivamente, fundador e CEO e Diretora de Tecnologias Sociais da Gerando Falcões; Paula Fabiani e Felipe Insunza Groba são, respectivamente, CEO e Gerente de Projetos do IDIS. Este artigo foi publicado em uma versão reduzida no Exame.

Saiba mais sobre Avaliação de Impacto e SROI.

 

IDIS promove curso Avaliação de Impacto SROI: conceitos e práticas

Há um interesse crescente sobre avaliação de impacto. Empresas e filantropos desejam saber se os investimentos feitos estão gerando transformações e organizações sociais querem entender como podem gerar ainda mais benefícios socioambientais. Por isso, em outubro, o IDIS oferecerá o curso Avaliação de Impacto SROI: conceitos e práticas. Interessados já pode fazer sua inscrição.

Com 12 horas de duração, divididas em 4 encontros semanais, o curso abordará conceitos gerais de avaliação, concentrando-se nos elementos que compõe o protocolo SROI (Social Return on Investment ou Retorno Social do Investimento). Entre os tópicos, Teoria da Mudança, Pesquisa Qualitativa e Quantitativa, Monetização, Mapa de Impacto, Relatórios, Devolutivas e Comunicação.

O curso será online e realizado por meio de plataforma de EAD. Os encontros serão ao vivo, com gravação disponibilizada posteriormente aos alunos do curso. O valor para participação será de R$ 1.900, com vagas limitadas a 30 participantes.

As aulas serão ministradas por profissionais do IDIS, entre eles a CEO Paula Fabiani, e as gerentes e especialistas em avaliação Laís Faleiros e Raquel Altemani, todas capacitadas pela organização inglesa Social Value. Casos práticos de projetos realizados pelo IDIS para organizações como Amigos do Bem, CEAP, Gerando Falcões, Fundação Sicredi, Santa Marcelina Cultura (Programa Guri), Petrobrás, Sesc, entre outros serão usados para ilustrar as aulas.

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Trata-se de uma ferramenta poderosa de mensuração, que além de trazer a monetização do impacto social, integra dados qualitativos e quantitativos capturando a percepção dos beneficiários.

Faça sua inscrição no curso: https://bit.ly/cursosroi

Em agosto, realizamos um evento para explicar do que se trata a abordagem, com a participação de representantes da Gerando Falcões e da Fundação Sicredi. Assista aqui:

 

Nesta sessão, selecionamos artigos, publicações e vídeos sobre avaliação de impacto e SROI. Confira!

#Conhecimento: Avaliação de Impacto e SROI

 

 

SROI: como avaliar e monetizar impactos socioambientais

Em evento, IDIS, Gerando Falcões e Fundação Sicredi apresentam o protocolo SROI e como é aplicado na prática

 

Há um interesse crescente sobre avaliação de impacto. Empresas e filantropos desejam saber se os investimentos feitos estão gerando transformações e organizações sociais querem entender como podem gerar ainda mais benefícios socioambientais.

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Trata-se de uma ferramenta poderosa de mensuração, que além de trazer a monetização do impacto social, integra dados qualitativos e quantitativos capturando a percepção dos beneficiários.

No dia 25 de agosto, das 17h às 18h30, para falar sobre o assunto, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social promove um evento sobre os conceitos da avaliação de impacto e as especificidades do SROI.

Também estarão presentes Júlia Machado, CFO da Gerando Falcões, e Suellen Lins Batista, do time de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi. Ambas organizações realizaram avaliações de impacto na abordagem SROI com consultoria do IDIS e compartilharão a experiência e os benefícios desse tipo de avaliação para organizações sociais.

 

Especialistas IDIS

Laís Faleiros

É Gerente de Projetos do IDIS. Anteriormente atuava como pesquisadora independente nas áreas de monitoramento e avaliação (M&A) e gestão de projetos socioambientais. Foi pesquisadora e gerente da área administrativo- financeira na Plan Avaliação. É mestra em Gestão de Organizações e Sistemas Públicos pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e bacharela em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Raquel Altemani

É Gerente de Projetos do IDIS. Além de autuar na área de projeto, já atuou no Administrativo e Financeiro do IDIS. Na Nielsen Brasil, esteve por três anos, trabalhando com gestão de projetos, otimização de processos e gestão da performance por meio de desenvolvimento e análise de indicadores e modelos de governança. Antes disso, atuou na área de Processos e Qualidade em instituições financeiras, incluindo o Banco ibi, Banco Votorantim e Banco CBSS, desenvolvendo mapeamento e otimização de processos, gestão de indicadores, gestão de risco e projetos de implementação de novos produtos. É formada em Administração pela FEA-USP desde 2003 e possui pós graduação em Gestão Estratégica da Sustentabilidade, pela FIA – Fundação Instituto de Administração, concluída em 2019.

Convidadas

Julia Machado

É CFO da Gerando Falcões, ONG que viabiliza projetos de impacto social em periferias e favelas do Brasil. É responsável pelas áreas Administrativo Financeira, Inovação e Planejamento Estratégico, e pelo desafio de gerir, junto ao time, a matriz de crescimento da Rede Gerando Falcões. Julia optou por cruzar a ponte do centro e agregar sua experiência executiva em grandes multinacionais a um time inovador que trabalha junto para entregar a missão de transformar a pobreza das favelas em peça de museu. Formada em Administração pela PUC-RJ e University of Maryland, e com MBA no IE Business School em Madri. Antes de ingressar na Gerando Falcões, trabalhava na Raízen, onde ocupou por 5 anos posições de liderança em áreas estratégicas.

Suellen Lins Batista

É Pedagoga, com especialização em neuropsicopedagogia, e faz parte do time de Responsabilidade Social na Fundação Sicredi, com os programas de educação para crianças e adolescentes.

O IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas e organizações sociais que desejam iniciar ou aprimorar seu investimento social. Por meio de consultoria, realiza monitoramento e avaliação de programas, projetos, organizações e negócios sociais. Conheça cases de avaliação de impacto da Petrobras, Doutores da Alegria, Fundação Sicredi, e mais.

Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

Alguma vez você sentiu que a mensagem que queria transmitir não foi assimilada pelo público da maneira como você esperava? Estabelecer uma boa comunicação está entre os grandes desafios pessoais e organizacionais que todos nós enfrentamos. Transmitir uma mensagem é uma tarefa complexa, porque envolve inúmeras variáveis – a linguagem utilizada, o canal correto para transmiti-la, o repertório e as referências do público, a familiaridade e domínio do tema que ele possui previamente, a forma como você aborda o assunto, e tantas outras.

 

Quando falamos sobre o universo de Programas Sociais, existe uma necessidade constante de comunicar-se com o público-alvo, com a equipe e os parceiros envolvidos, com os investidores e com a sociedade em geral. Cada um desses públicos se relaciona com o Programa de uma forma diferente e, portanto, usar a mesma linguagem e os mesmo materiais de comunicação para todos eles, provavelmente será uma estratégia pouco eficaz.

 

A Avaliação de Impacto Social (estudo que faz uso de métodos de pesquisa para identificar e mensurar a transformação social gerada por um projeto ou programa) é, por vezes, encarada como um documento técnico: um estudo de alta complexidade, que gera um relatório extenso e detalhado, com muitas informações estatísticas e metodológicas, que fica restrito à gestão do Programa, para apoiá-la em processos de tomada de decisão. No entanto, os resultados de um estudo como esse também podem ser grandes aliados na construção de uma estratégica de comunicação da organização.

 

O detalhamento metodológico e estatístico do estudo é, de fato, muito relevante, porque demonstra que a pesquisa foi feita de forma responsável e consistente. Mas quais são as informações geradas pela Avaliação que devem ser transmitidas para a equipe que lida no dia a dia com a operação da Programa Social? Quais são as mensagens que devem ser compartilhadas com os investidores que já apoiam o Programa? E com aqueles que ainda não apoiam e que você encontrará em uma reunião de captação de recursos? Como compartilhar as conclusões de um estudo avaliativo com os beneficiários atendidos pelo Programa? Que informações da pesquisa devem constar no relatório de atividades da organização?

 

Entender a aplicação estratégica que cada tipo de informação obtida por meio de uma Avaliação de Impacto pode ter para o Plano de Comunicação da organização é importante para fazer o melhor uso do aprendizado e das conclusões obtidas ao longo do estudo. A seguir, apresentamos algumas reflexões relevantes para alguns públicos de interesse.

 

A estratégia de comunicação com investidores ou potenciais investidores é uma das mais utilizadas a partir dos estudos de Avaliação de Impacto. Uma mensuração objetiva a respeito da transformação social oriunda de um Programa ou índices de retorno sobre o investimento são supostamente maneiras de fazer um investidor se sentir mais confiante de que seu recurso está sendo bem utilizado e de que a organização tem uma boa gestão sobre a iniciativa. Um erro frequente, no entanto, é apresentar indicadores numéricos de forma isolada, sem contextualizá-los em uma narrativa que explique o que é o trabalho realizado, quem é o público-alvo, como ele participa do Programa e quais são as mudanças que ele vivencia a partir de seu envolvimento com a iniciativa. Tudo isso pode ser, em seguida, ilustrado com indicadores objetivos, porém, não deixe de dar uma perspectiva geral do aspecto humano envolvido do Programa. Os números estão lá para trazer evidências, materialidade e fortalecer a sua narrativa de impacto, mas, sozinhos e sem uma boa contextualização, até os melhores indicadores podem se tornar pouco impactantes para alguém que desconhece como o Programa funciona. Lembre-se de que, na sua maioria, investidores não são especialistas na causa que a sua organização apoia. Portanto, evite termos muito técnicos e acadêmicos, que podem não ser familiares para qualquer pessoa. Por fim, com frequência, uma conversa com um potencial investidor pode não durar mais do que 30 minutos, portanto, selecione as informações mais relevantes em um material de uma ou duas páginas, e tenha à mão links para arquivos complementares, que ele possa consultar mais tarde, caso queira se aprofundar no assunto.

 

A equipe executora do Programa e parceiros implementadores, por outro lado, possuem um conhecimento aprofundado sobre o funcionamento do Programa e seus aspectos metodológicos. Para esse público, vale a pena explorar em profundidade os depoimentos de beneficiários a respeito dos aspectos positivos e pontos de melhoria. As pesquisas qualitativas oferecem extenso material para isso e as pesquisas quantitativas proporcionam boas análises a respeito dos aspectos do programa que são mais ou menos percebidos pelo público-alvo. Esses elementos são muitos ricos para que a equipe reflita sobre as oportunidades de aprimorar sua forma de atuação. Adicionalmente, é muito inspirador para a equipe envolvida na iniciativa ouvir os depoimentos dos beneficiários. Embora estejam em constante contato com eles, nem sempre a equipe tem a oportunidade de ouvir e ler relatos sobre como as pessoas se sentem impactadas e as mudanças que ocorreram em suas vidas com a mesma profundidade em que são coletadas em estudos de Avaliação de Impacto. O momento de compartilhamento dessas informações costuma ser muito gratificante e emotivo para a equipe, e os encoraja a seguir sua jornada de dedicação ao Programa e às causas nas quais acreditam.

 

Por fim, é importante considerar a estratégia de comunicação com os próprios beneficiários, que costumam participar ativamente das Avaliações de Impacto em entrevistas, grupos focais e preenchimento de questionários. Compartilhar as conclusões do estudo com eles, além de ser uma importante etapa de validação, onde a organização se certifica de que eles se reconhecem nos resultados apresentados pelo estudo, mostra consideração e apreço pelo tempo que eles investiram na pesquisa e pela abertura que tiveram ao compartilhar suas opiniões, percepções e histórias de vida. É importante ter o cuidado de planejar a melhor forma de apresentar o conteúdo do estudo com os beneficiários, levando em consideração o perfil do público. Em Avaliações de Impacto realizados pelo IDIS, por exemplo, já preparamos devolutivas sobre os resultados do estudo para crianças de 8 a 12 anos, e foi muito interessante adaptar o conteúdo para um formato e linguagem que fosse interessante e estimulante para eles. Compartilhar as conclusões do estudo com o público-alvo também mostra que a organização está atenta às suas percepções, valoriza suas opiniões e está comprometida em perseguir a evolução contínua da iniciativa ao longo do tempo, criando assim uma maior relação de transparência e confiança.

 

A Avaliação de Impacto é uma ferramenta que se desdobra em muitas aplicações estratégicas. Ajuda as organizações a repensarem o modelo operacional de seus programas, tomarem decisões sobre a continuidade ou expansão de iniciativas, obterem evidências sobre a relevância de sua atuação e fortalecerem seus esforços de captação de recursos. Além de tudo isso, é também uma valiosa ferramenta para seu plano de Comunicação: fazendo as adaptações necessárias na linguagem, enfoque e nível de detalhamento, o conteúdo desse tipo de estudo pode e deve ser compartilhado com os mais diversos públicos, gerando interesse por parte de investidores, alinhamento e inspiração para a equipe do Programa e relações de transparência e confiança junto aos beneficiários.

Por Raquel Altemani, gerente de projetos no IDIS. Este artigo foi publicado em uma versão reduzida na Folha de S. Paulo

 

A estratégia já foi utilizada por organizações como Amigos do Bem, Parceiros da Educação e Fundação Sicredi.

 

 

 

Conheça os cases do IDIS de avaliação do impacto.

Avaliação de impacto da Gerando Falcões realizada pelo IDIS é destaque no Valor

Ao completar 10 anos, a Gerando Falcões divulgou o resultado do retorno social de projetos da organização.

A avaliação do impacto, utilizando a abordagem SROI – Retorno Social do Investimento (Social Return On Investment) feita pelo IDIS, revelou que, a cada R$ 1 investido, R$ 3,50 são revertidos em benefícios sociais. Os resultados foram divulgados em reportagem no Valor Econômico sobre os dez anos de atuação da organização. Os projetos da Gerando Falcões avaliados foram as oficinas de esporte e cultura para crianças e adolescentes e o programa de qualificação profissional para jovens e adultos.

Edu Lyra - Gerando Falcões

Foto: @aleschneider

“A pobreza e a fome não são boas para ninguém. Um mundo melhor para os mais pobres vai ser um mundo melhor para todos” enfatiza Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões.

Confira a matéria na íntegra 

 

Vaga de Consultor(a) em Monitoramento e Avaliação de Impacto Socioambiental

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Monitoramento e Avaliação.

A pessoa será responsável pela implementação de estudos de monitoramento e avaliação de impacto socioambiental de projetos e programas, envolvendo:

• Condução de entrevistas individuais.
• Condução de workshops participativos.
• Elaboração da Teoria de Mudança e Marco Lógico.
• Definição de indicadores de monitoramento e avaliação processos, resultados e impacto.
• Planejamento e condução de grupos focais.
• Planejamento e execuções de coletas quantitativas de dados.
• Pesquisa em dados secundários.
• Análise estatística de dados.
• Análise das informações e elaboração de conclusões e recomendações.
• Elaboração de relatórios e apresentações.
• Zelar pela ética e valores institucionais do IDIS.

Requisitos do Cargo

Instrução e Experiência
Formação superior completa e experiência mínima de 3 anos em Avaliação e Monitoramento de projetos e programas socioambientais.

Conhecimentos específicos

• Conhecimento teórico e experiência prévia em Monitoramento e Avaliação de Impacto de projetos e programas socioambientais.
• Experiência em condução de pesquisas qualitativas e quantitativas.
• Experiência em análise estatística de dados.
• Habilidade para sistematizar informações.
• Excel e Power Point intermediário/avançado.
• Habilidades comportamentais para manter bom relacionamento com equipe e clientes, bem como com outros parceiros estratégicos do IDIS.
• Conhecimento em R e/ou Stata é diferencial.

Competências:

Iniciativa, planejamento, organização, capacidade para solucionar problemas, capacidade analítica, foco em resultados, bom relacionamento interpessoal.

Vaga

Tipo de contratação: PJ

Remuneração a combinar

Local de trabalho: Remoto, com disponibilidade para viajar quando a pandemia permitir.

Orientações para participação no processo seletivo:

Preencher o formulário  disponível em http://bit.ly/idisvaga4 e anexar o CV no campo indicado ao final.

O prazo para o envio do formulário é 28 de abril.

O que é SROI e por que ele é útil?

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, aplica diversas técnicas para estimar o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos.

O SROI é uma ferramenta poderosa de mensuração, que transcende a monetarização do impacto social. Ainda que a relação custo-benefício (ou retorno sobre o investimento) seja o que geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que veem a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado somente um índice. Cada uma de suas etapas é capaz de revelar informações pertinentes sobre o projeto ou programa e gerar insights que favorecem a tomada de decisão e a busca por impactos cada vez maiores e mais consistentes.

Um aspecto chave desse protocolo é seu foco na percepção do beneficiário – o envolvimento dos stakeholders é um dos princípios da SROI, o que significa que o impacto social deve ser avaliado a partir do ponto de vista daqueles que estão diretamente envolvidos no projeto social. Ademais, esse método favorece a integração de dados qualitativos e quantitativos. O primeiro fornece uma visão mais clara sobre a natureza do impacto do projeto por meio de depoimentos dos públicos envolvidos. A abordagem quantitativa, por outro lado, proporciona um trabalho com amostras estatisticamente significativas que mensuram a intensidade das mudanças percebidas.

 

A demanda por avaliação de impacto e SROI no Brasil

Apesar da demanda crescente por Avaliação de Impacto no Brasil, trata-se de prática ainda pouco desenvolvida. Seus conceitos são frequentemente mal utilizados ou pouco claros e organizações enfrentam dificuldades em definir os indicadores. Por exemplo, muitas declaram que mensuram seu impacto, quando na verdade estão mensurando seus resultados, informando o número de pessoas ou famílias atendidas, por exemplo. Evidentemente, analisar os resultados da organização é muito importante e deve ser feito regularmente. Contudo, avaliar impacto é um processo mais profundo e uma oportunidade de refletir sobre como um projeto pode gerar valor social a seus beneficiários e à sociedade como um todo.

O desafio é ainda maior quando consideramos o SROI especificamente. A monetização do impacto é uma tarefa desafiadora, devido à falta de bases de dados de estimativas financeiras no País (instrumento bastante desenvolvido em outros países). Portanto, quando são definidos os valores das estimativas, muitas vezes é necessário coletar dados de fontes primárias, porque praticamente não há dados secundários disponíveis para sustentar as pesquisas.

É muito necessário disseminar conhecimento sobre esse assunto no Brasil, enfatizando a importância de avaliar o impacto de projetos e programas sociais, mesmo com os desafios e limitações envolvidos neste processo. Mensurar o impacto pode nem sempre resultar em conclusões precisas, mas, recomendamos sempre trabalhar com estimativas viáveis (construídas e analisadas com responsabilidade e critérios) do que trabalhar sem nenhum tipo de evidência sobre as consequências das suas intervenções.

Certamente ainda iremos amadurecer e evoluir nessa temática. Por isso, no IDIS, vamos além da realização de trabalhos de consultoria. Procuramos disseminar conceitos e práticas, por meio de publicações, de cursos, do compartilhamento de relatórios de projetos realizados e da participação em eventos.

A experiência do IDIS em avaliação de impacto

Já avaliamos o impacto de dezenas de projetos, para organizações como Amigos do Bem, Gerando Falcões, Parceiros da Educação, Petrobras, Sesc e Vale.

Leia nossos cases.

Conheça aqui alguns dos relatórios e produtos de conhecimento desenvolvidos sobre Avaliação de Impacto:

Nota técnica: Avaliação Custo Benefício

Cada vez mais dentro do contexto dos investimentos socioambientais, os doadores e gestores de organizações buscam mensurar os benefícios que suas ações geram para a sociedade. O uso da lógica da razão entre custo e benefício é válida nestes casos, porém seu cálculo pode se tornar complexo, uma vez que benefícios sociais podem apresentar um alto grau de subjetividade.
Nesta Nota Técnica, elaborada por Laís Faleiros, Gerente de Projetos do IDIS, apresentamos uma revisão das principais metodologias para avaliar essa relação, com especial destaque para a Análise Custo-Benefício (ACB) e um comparativo entre uma ACB realizada dentro e fora do protocolo SROI – Social Return on Investment (Retorno Social sobre Investimento).

Baixe a nota clicando aqui ou leia abaixo:

Qual é a transformação que você quer ser?

Medir o sucesso de uma empresa costuma ser fácil. Basta checar o faturamento, a lucratividade e a geração de caixa. Mas como medir o sucesso de um projeto social ou ambiental? Como medir o impacto dessas ações? Qual o retorno para a sociedade que podemos atribuir a cada iniciativa? Como melhorar nossos investimentos socioambientais voluntários? Esses e outros questionamentos estão cada vez mais presentes nas preocupações de investidores sociais privados. A avaliação de impacto ganhou ainda mais destaque com as vultuosas doações durante a pandemia. Grandes empresas e grandes doadores querem buscar os melhores caminhos para enfrentar os crescentes problemas do país e certamente uma boa avaliação socioambiental pode ajudar.

Avaliação de impacto

A avaliação de impacto é um instrumento estratégico para a tomada de decisões. Uma avaliação desenvolvida com o devido rigor ajuda na identificação de pontos de ineficiência no uso de recursos, confirma (ou não) a eficácia das estratégias aplicadas, traz luz às consequências imprevistas da intervenção, bem como às relações de causa-consequência das ações realizadas. Além disso, permite o aprimoramento do programa ou projeto e comunica de forma objetiva os resultados aos financiadores e à a sociedade.

No IDIS já realizamos avaliações de projetos em diversas áreas: saúde, educação, cultura, meio ambiente, esporte, combate à pobreza, geração de renda e desenvolvimento comunitário, entre outros. Algumas avaliações levaram projetos a serem ampliados, outras, ao encerramento. E todas identificaram aspectos que poderiam ser aprimorados para aumentar o impacto do projeto. Investir em um ‘ativo’ que você sabe que dará retorno é sempre mais atraente. Com o investimento social privado não é diferente.

SROI – Social Return on Investiment ou Retorno Social sobre o Investimento

Em alguns casos, o resultado é tão importante que pode transformar uma iniciativa social em uma política pública, como foi o caso do Projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR), no Amazonas e que teve a participação e a avaliação de impacto do IDIS. Neste caso, foi utilizada a metodologia SROI – Social Return on Investiment ou Retorno Social sobre o Investimento. Essa metodologia de análise de custo-benefício é reconhecida pelo Cabinet Office do Reino Unido como a mais adequada para avaliar o serviço de saúde oferecido no país. No caso do PIR, a avaliação mostrou que, para cada 1 real investido, o retorno foi de quase 3 reais. O projeto, que começou modesto, cresceu e hoje é lei no Amazonas, beneficiando crianças que, de outro modo, poderiam estar distantes das políticas públicas. E gerou outros frutos em localidades diferentes da região Amazônica.

Um erro comumente cometido é confundir monitoramento com avaliação. O monitoramento acompanha a execução do projeto e apenas informa métricas de processo como o número de beneficiários ou pessoas atingidas pelo projeto. Mas essas métricas não trazem a informação mais importante que é a transformação ocorrida na vida daquele beneficiário. O fato de um indivíduo participar de uma intervenção não é garantia de mudança positiva na sua vida. E a intensidade dessa mudança também vai variar para cada indivíduo. Conhecer o real impacto gerado por uma intervenção na vida de uma pessoa ou comunidade é muito importante. Avaliar questões intangíveis como aumento de conhecimento, autoestima, habilidades sociais etc, não é tarefa simples. Mas esse conjunto de fatores é fundamental para a compreensão dos resultados de um projeto. E monetizar este impacto é ainda mais desafiador. Mas são caminhos primordiais para analisar a eficiência do uso dos recursos.

Esse é o desafio que a metodologia do SROI se propõe a enfrentar. Durante o processo de avaliação, é imprescindível conhecer os beneficiários, entender a mudança provocada em cada indivíduo e nas pessoas ao seu redor, na família, conseguir mapear impactos não intencionais ou imprevistos mas que se mostram relevantes, como a melhoria da qualidade de vida, a redução do estresse, o maior rendimento na escola ou no trabalho, o clima mais feliz na família, entre outros aspectos que vão além dos indicadores planejados.

Tudo isso com rigor na coleta das informações e ética na relação com o público avaliado. Essa lógica fez do Social Return on Investiment (SROI) ou Retorno Social sobre o Investimento um método cada vez mais adotado no mundo todo, uma vez que combina dados qualitativos com dados quantitativos, o que permite uma visão ampla do impacto do projeto e seu potencial de melhoria a partir de ajustes e redefinições. E, ao monetizar os resultados identificados, sejam eles tangíveis ou intangíveis, é possível delinear a relação entre impacto socioambiental e capital investido. Esta é uma pergunta recorrente dos financiadores: quanto de retorno para a sociedade este projeto ou iniciativa foi capaz de entregar?

A primeira vez que aplicamos a metodologia do SROI no Brasil foi no projeto Valorizando uma Infância Melhor (VIM), da Fundação Lúcia e Pelerson Penido, no Vale do Paraíba, no estado de São Paulo. A avaliação mostrou que, para cada 1 real investidor, foram gerados 4 reais em valor social. Isso mesmo, 4 vezes o valor investido. E outros projetos resultaram em valores ainda maiores de retorno como é o caso do Programa Guri que traz de retorno mais de 6 vezes o capital empregado.

A moda do SROI pegou! Iniciativas de grande destaque e resultados expressivos como o Gerando Falcões, Parceiros da Educação e Amigos do Bem também decidiram aderir e avaliar seus projetos usando a metodologia SROI. E empresas como a Petrobras, que está realizando avaliações de vários de seus projetos para conhecer com profundidade o retorno de seus investimentos socioambientais. Cada vez mais as empresas buscam avaliações que tragam respostas objetivas sobre seus financiamentos de ações de impacto socioambiental.

Com essas avaliações é possível descortinar questões relevantes relativas ao impacto socioambiental de programas e projetos e, quem sabe, de políticas públicas. Temos nas mãos uma ferramenta que pode ampliar significativamente a qualidade do olhar para o terceiro setor, que pode gerar novos interessados em apoiar iniciativas e que pode mostrar o quanto as organizações da sociedade civil são capazes de contribuir para transformar realidades no país. A monetização não é o foco, mas sim a identificação da mudança alcançada. Mas a monetização certamente facilita o diálogo entre o financiador e o gestor de ações sociais. A avaliação de impacto traz mais segurança para perseguirem objetivos comuns a ambos, como a melhoria da qualidade de vida de todos os brasileiros.

Por Paula Fabiani, Diretora-Presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social* em Artigo originalmente publicado no Estado de S.Paulo, em 22 de outubro de 2020

Amigos do Bem, Parceiros da Educação e Gerando Falcões contratam IDIS para avaliação de impacto SROI

O IDIS está conduzindo avaliações de impacto para três organizações reconhecidas em todo o país pela amplitude de seus projetos sociais – Amigos do Bem, Gerando Falcões e Parceiros da Educação. Apesar do momento de incerteza pelo qual passa o país, as três optaram por manter com o investimento, visto como estratégico para todas elas. Em todos os projetos, foi escolhida a metodologia Social Return on Investment (SROI) ou Retorno Social sobre Investimento – análise de custo-benefício reconhecida pelo Cabinet Office do Reino Unido. A diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani é única brasileira certificada pela Social Value (UK) na metodologia SROI.

Com os Amigos do Bem, estamos avaliando a completude de seus projetos sociais que beneficiam mais de 75 mil pessoas no sertão nordestino. O estudo incluirá não só a entrega de alimentos e assistência como também a entrega de casas, perfuração de poços, geração de emprego e renda, atendimento médico e odontológico, suporte psicossocial, bolsas de ensino universitários e os Centros de Transformação, onde a organização oferece a crianças e adolescentes uma educação integral de modo complementar ao ensino básico nas escolas públicas apoiadas das regiões em que atua. Alcione Albanesi, presidente e fundadora dos Amigos do Bem, comenta: “Há 27 anos transformamos vidas no sertão nordestino. Mudamos muitas histórias e geramos um impacto positivo na vida de milhares de pessoas. Com o IDIS, conseguiremos mensurar os resultados diretos do nosso trabalho nas regiões em que atuamos. O objetivo é replicar o nosso Modelo de Desenvolvimento Social Sustentável no nosso país. Acreditamos que a miséria tem solução.”

Para a Parceiros da Educação, avaliaremos o programa de parcerias com escolas públicas estaduais e municipais, incluindo os convênios com prefeituras no Estado de São Paulo. Além de beneficiar cerca de 70 mil estudantes da rede pública de ensino, o programa capacita professores e gestores em mais de 200 escolas no Estado. Segundo Jair Ribeiro, fundador da organização,“A Parceiros da Educação sempre procurou medir o impacto das suas intervenções, e nossa parceria com o IDIS tem como objetivo justamente ampliarmos o escopo dessas análises incorporando o que há de mais atual em termos de avaliação.”

Por fim, junto a Gerando Falcões, uma das organizações sociais com maior crescimento no país, a avaliação SROI contemplará seus projetos próprios nas cidades de Poá e Ferraz de Vasconcellos, tendo entre seus beneficiários crianças, adolescentes, jovens e adultos, incluindo egressos do sistema penitenciário atendidos pelo Projeto Recomeçar. Apoiaremos também a avaliação do programa de expansão da Gerando Falcões, que já conta com organizações aceleradas em 4 estados –  São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas. Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, arremata: “O IDIS é certamente uma das melhores organizações no mundo pra medir  impacto e mostrar pra sociedade o quanto estamos transformado.”

Se interessa pelo tema? Saiba mais aqui;

Avaliação de Impacto Social – metodologias e reflexões
Tendências e Desafios da Avaliação de Impacto no Brasil

Equipe IDIS participa de capacitação em processos de facilitação

Promover o consenso, encontrar propósitos comuns, identificar questões críticas em um projeto, estimular a reflexão, quebrar o gelo. Em seu dia a dia, a equipe do IDIS muitas vezes se encontra em situações nas quais é preciso facilitar atividades em grupo. A necessidade surge tanto em projetos próprios do IDIS, como aconteceu no encontro de diagnóstico do ‘Diálogos de Investidores Sociais com o Poder Público’, quanto em trabalhos de consultoria, quando lideramos processos de planejamento estratégico ou avaliação de impacto, por exemplo. As situações são inúmeras e neste fim de ano, decidimos dar uma atenção especial a esta competência.

O parceiro escolhido para nos apoiar nesta iniciativa foi a Electi Educacional, organização com foco em formar facilitadores da aprendizagem ativa e do desenvolvimento das Competências Socioemocionais. Uma agenda especial foi desenvolvida para o time do IDIS, ao longo de 4 dias, mesclando teoria, prática e muitos momentos para reflexão. Entre os pilares da metodologia apresentada, questões como planejamento, presença ativa, leitura de grupos e fluxo de energia.

A expectativa era alta, e o balanço foi bastante positivo! A equipe encerra o mês com uma compreensão mais ampla sobre esse universo, sensível para as particularidades das experiências e com um amplo repertório de ferramentas.

Ainda que indiretamente, os encontros contribuíram também para o fortalecimento dos vínculos entre a equipe. “De maneira leve e muitas vezes divertida, o treinamento da Electi contribuiu para a integração do time, proporcionando momentos de compartilhamento de histórias, e para nossa capacitação como facilitadores, com momentos de aprendizado e reflexão.” comenta a Sophia Góes, analista na área de projetos do IDIS.

“Mesmo para quem não trabalha na área de projetos/consultoria, a capacitação foi bastante enriquecedora porque nos ensinou a conduzir melhor as interações comuns, que acontecem constantemente nos ambientes de trabalho.”, avaliou Andréa Wolffenbüttel, diretora de Comunicação.

 

Tendências e Desafios da Avaliação de Impacto no Brasil

O que é Avaliação de Impacto?

Estudos de Avaliação de Impacto ganham cada vez mais importância entre filantropos e investidores sociais pelo mundo todo. É crescente também a preocupação das organizações em mensurar o impacto de seus projetos e programas e doadores estão interessados em verificar se seus recursos estão alocados em iniciativas que trazem benefícios efetivos à sociedade.

Mas o que é impacto e como mensurá-lo? Este artigo traz uma perspectiva sobre o tema a partir da experiência do IDIS.

Consideramos impacto a mudança social produzida por um programa ou projeto. Enquanto resultados se relacionam com as conquistas concretas, que, em geral, representam o alcance e a amplitude da iniciativa, o impacto pode ter uma natureza mais subjetiva – relacionado à ideia de transformação social. Quando mensuramos o impacto de um programa, ponderamos o quanto este muda a vida das pessoas envolvidas. Ou seja, é uma prática reflexiva que visa buscar evidências para identificar se uma iniciativa tem alcançado as transformações sociais que estabeleceu como objetivos.

Há diversos motivos pelos quais a Avaliação de Impacto é uma ferramenta estratégica valiosa. Ela fornece às organizações dados e evidências que permitem refletir sobre as abordagens adotadas e oferecem suporte para o processo de tomada de decisão. Ademais, torna possível analisar a relação de causalidade entre as intervenções e os impactos percebidos, identificando fatores que são fundamentais para impulsionar as transformações, outros que não contribuem de forma tão direta e, ainda, limitadores e fatores que criam obstáculos. Assim, estudos de Avaliação de Impacto vão muito além da mensuração – permitem também refletir sobre estratégias para potencializar as transformações desejadas. Por fim, estudos avaliativos têm o potencial de fortalecer o diálogo com investidores e com o setor público, auxiliando organizações a manterem um relacionamento transparente com doadores, reivindicarem melhorias nas políticas públicas e negociarem a ampliação de programas sociais efetivos.

Estudos de Avaliação de Impacto não apenas monitoraram resultados, adentram profundamente na relação de causa e efeito entre as atividades de um programa e os desdobramentos na vida das pessoas. Isso pode ser uma atividade complexa, especialmente em programas que trabalham com questões abstratas como empoderamento ou habilidades sociais. Mesmo quando esse tipo de impacto é perceptível, pode ser muito desafiador mensurá-lo e traduzi-lo em termos objetivos e quantitativos.

 

O que é SROI e por que ele é útil?

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, aplica diversas técnicas para estimar o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos.

O SROI é uma ferramenta poderosa de mensuração, que transcende a monetarização do impacto social. Ainda que a relação custo-benefício (ou retorno sobre o investimento) seja o que geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que veem a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado somente um índice. Cada uma de suas etapas é capaz de revelar informações pertinentes sobre o projeto ou programa e gerar insights que favorecem a tomada de decisão e a busca por impactos cada vez maiores e mais consistentes.

Um aspecto chave desse protocolo é seu foco na percepção do beneficiário – o envolvimento dos stakeholders é um dos princípios da SROI, o que significa que o impacto social deve ser avaliado a partir do ponto de vista daqueles que estão diretamente envolvidos no projeto social. Ademais, esse método favorece a integração de dados qualitativos e quantitativos. O primeiro fornece uma visão mais clara sobre a natureza do impacto do projeto por meio de depoimentos dos públicos envolvidos. A abordagem quantitativa, por outro lado, proporciona um trabalho com amostras estatisticamente significativas que mensuram a intensidade das mudanças percebidas.

 

A demanda por avaliação de impacto e SROI no Brasil

Apesar da demanda crescente por Avaliação de Impacto no Brasil, trata-se de prática ainda pouco desenvolvida. Seus conceitos são frequentemente mal utilizados ou pouco claros e organizações enfrentam dificuldades em definir os indicadores. Por exemplo, muitas declaram que mensuram seu impacto, quando na verdade estão mensurando seus resultados, informando o número de pessoas ou famílias atendidas, por exemplo. Evidentemente, analisar os resultados da organização é muito importante e deve ser feito regularmente. Contudo, avaliar impacto é um processo mais profundo e uma oportunidade de refletir sobre como um projeto pode gerar valor social a seus beneficiários e à sociedade como um todo.

O desafio é ainda maior quando consideramos o SROI especificamente. A monetização do impacto é uma tarefa desafiadora, devido à falta de bases de dados de estimativas financeiras no País (instrumento bastante desenvolvido em outros países). Portanto, quando são definidos os valores das estimativas, muitas vezes é necessário coletar dados de fontes primárias, porque praticamente não há dados secundários disponíveis para sustentar as pesquisas.

É muito necessário disseminar conhecimento sobre esse assunto no Brasil, enfatizando a importância de avaliar o impacto de projetos e programas sociais, mesmo com os desafios e limitações envolvidos neste processo. Mensurar o impacto pode nem sempre resultar em conclusões precisas, mas, recomendamos sempre trabalhar com estimativas viáveis (construídas e analisadas com responsabilidade e critérios) do que trabalhar sem nenhum tipo de evidência sobre as consequências das suas intervenções.

Certamente ainda iremos amadurecer e evoluir nessa temática. Por isso, no IDIS, vamos além da realização de trabalhos de consultoria. Procuramos disseminar conceitos e práticas, por meio de publicações, de cursos, do compartilhamento de relatórios de projetos realizados e da participação em eventos.

 

Qual horizonte enxergamos para a Avaliação de Impacto?

Esperamos que, no futuro, avaliar o impacto seja parte integrante do processo de concepção e planejamento de projetos sociais e programas. Tanto organizações sociais, quanto filantropos e investidores sociais, precisam reconhecer o quão essencial é esta prática e devem trabalhar juntos para fortalecê-la e disseminá-la.

Também esperamos que a Avaliação de Impacto influencie as políticas públicas, revelando o valor de projetos para o desenvolvimento social e contribuindo para a ampliação de sua escala. Para ilustrar esse potencial, destacamos um exemplo. Em 2016, o IDIS conduziu a avaliação do Retorno Social sobre Investimento – SROI de um projeto dedicado à primeira infância na região da Amazônia (conheça o relatório aqui). O resultado positivo evidenciado pelo estudo – a notável mudança social que o projeto provia aos seus beneficiários – ofereceu argumentos irrefutáveis para que o projeto se tornasse uma política pública, beneficiando uma parcela significativamente maior da população e contribuindo para a melhoria da vida de mais crianças. Iniciativas como essa poderiam ser ainda mais regulares caso houvesse uma cultura de avaliação de impacto em organizações brasileiras – não apenas nas organizações privadas, mas também nos programas mantidos pelo setor público.

Novas ferramentas tecnológicas podem contribuir para o futuro da Avaliação de Impacto, reduzindo seu custo e tempo necessário para coleta de dados e aumentando a precisão dos estudos. A coleta e análise de dados poderá se tornar mais fácil, rápida e permitirá a mensuração de mudanças sociais no longo prazo. A tecnologia permitirá que a sociedade tenha maior acesso a informações relevantes sobre soluções, podendo, assim, aprender mais rapidamente com experiências prévias, e, com isso, ampliar os benefícios àqueles que mais precisam.

Quer saber mais sobre Avaliação de Impacto? Conheça nossa publicação Avaliação de Impacto Social – metodologias e reflexões.

Para perguntas e comentários, entre em contato conosco por meio do comunicacao@idis.org.br

Adaptação deste artigo foi publicada também no blog da Social Value International.

IDIS 2020: Catalisador de Iniciativas

Pensar sobre aonde se quer chegar e planejar as atividades e recursos necessários para atingir os objetivos de forma coerente e sustentável é o que recomendamos a todos nossos parceiros, e no IDIS, não poderíamos fazer diferente. Em outubro, iniciamos nosso processo de planejamento estratégico para 2020.

Usando como base o plano trienal, desenvolvido em 2017, envolvemos toda a equipe do IDIS, que olhou para os resultados alcançados e projetos desenvolvidos neste ano, e traçou o plano para concretizar nosso novo posicionamento – IDIS: CATALISADOR DE INICIATIVAS. Por meio dele, reforçamos nosso compromisso com a idealização e o implementação de iniciativas que promovam o Investimento Social Privado no Brasil. Gerar e disseminar conhecimento, influenciar e representar o setor e idealizar, estruturar e implantar projetos próprios, passam a ser, dessa forma, nossos principais pilares de atuação.

Entre os principais projetos para o próximo ano, estão o fortalecimento da cultura de doação, por meio da campanha Descubra Sua Causa; a agenda dos Fundos Patrimoniais, com o avanço do trabalho de advocacy desempenhado na Coalização pelos Fundos Filantrópicos; a valorização da cultura de avaliação; e a promoção de parcerias intra e intersetoriais para a resolução de problemas sociais complexos. Ações específicas serão realizadas também no sentido de qualificar e ampliar a Filantropia Familiar e a Filantropia Comunitária. Seguiremos apoiando iniciativas de famílias, empresas, institutos e ONGs, por meio de atividades de consultoria, em todas as fases de seu investimento – do planejamento estratégico, passando pela gestão das doações, até a avaliação de impacto; e provendo o único Fórum no Brasil destinado exclusivamente a filantropos e investidores sociais.

Aspectos relacionados à comunicação institucional e gestão também foram discutidos. Para dar mais concretude ao novo posicionamento, foi planejada a atualização da marca. Especificamente em relação à sustentabilidade, avançamos no plano de constituição de um Fundo Estruturante, lançado na celebração dos 20 anos do IDIS, em setembro de 2019.

O planejamento, que ainda será validado por nosso Conselho Deliberativo, traça o caminho que seguiremos no próximo ano. Acreditamos na força do investimento social privado para criar um futuro mais justo e solidário, melhorando a vidas das pessoas. Por um 2020 com mais impacto!

Qual é o impacto que você causa no mundo?

Por Raquel Altemani, gerente de projetos no IDIS

Uma das tendências no campo do investimento social é o aumento do interesse das organizações em avaliarem o impacto social de seus projetos e programas.

Afinal, o que é avaliação de impacto e por que uma organização deveria recorrer a esse tipo de estudo? A avaliação de impacto é um processo realizado para descobrir se o projeto realmente provocou a mudança que pretendia. Não é para medir o que foi feito, mas sim as consequências do que foi feito. Por exemplo, um programa de atendimento a gestantes viabiliza várias consultas de pré-natal, mas seu objetivo final é promover a saúde da mãe e do bebê. Portanto, o seu impacto não será avaliado pela quantidade de consultas de pré-natal feitas, senão pelos indicadores de saúde das mães e bebês atendidos. Um programa de contraturno escolar oferece aulas de reforço para alunos em condições de vulnerabilidade. Seu impacto não será avaliado pela quantidade de aulas de reforço que foram dadas, senão pela evolução do desempenho escolar dos estudantes.

Nesse sentido, a avaliação de impacto pode ser entendida como um processo de reflexão. Assim como na nossa vida paramos para refletir sobre as consequências de nossas escolhas e sobre o quanto nossas decisões têm nos aproximado ou afastado de nossos objetivos, os estudos de avaliação de impacto buscam responder as mesmas dúvidas para os programas sociais.

Muitos esforços e recursos são investidos para que um programa seja implementado e mantido e, para não navegar em águas escuras, é preciso criar mecanismos para verificar se as transformações sociais desejadas estão de fato sendo alcançadas. A avaliação de impacto permite identificar eventuais erros de estratégia e realizar ajustes para potencializar o impacto que queremos criar no mundo. Programas sociais são organismos vivos e devem ser permanentemente aprimorados ao longo de sua trajetória com base no processo de aprendizagem das organizações que os mantêm e nas mudanças na própria realidade e contexto do país. Abordagens que funcionavam há cinco anos podem não surtir o mesmo efeito hoje. Portanto, é preciso criar momentos de reflexão estruturada para entender o que está funcionando da maneira que esperamos e o que pode ser aprimorado para termos o maior impacto social possível a partir dos recursos disponíveis.

Além da satisfação de saber o quanto sua atividade transformou a realidade, quanto mais uma organização dispõe de evidências concretas e objetivas para compartilhar sobre as mudanças positivas geradas pelo seu trabalho, maior é a sua capacidade de atrair investidores e parceiros que podem potencializar e aumentar a escala do impacto que se busca obter.

No entanto, mesmo com o ganho de espaço e visibilidade dos estudos de avaliação de impacto entre as organizações, a grande maioria das notícias sobre programas sociais ainda se restringem a informações sobre o número de pessoas atendidas, o número de famílias alcançadas, o número de jovens formados, como mencionei no início do texto. Esses são apenas os ‘resultados’. Os estudos de avaliação de impacto aprofundam a análise bem além dos resultados, explorando as relações de causa e consequência entre as atividades de determinado projeto ou programa social e todos os desdobramentos, diretos e indiretos, de curto prazo ou de longo prazo, que acontecem na vida das pessoas a partir de sua participação na iniciativa.

Isso pode ser bastante complexo, sobretudo em programas que trabalham aspectos intangíveis e abstratos, como, por exemplo, a autoestima, a capacidade de sociabilização, a disposição para sonhar e traçar objetivos e tantos outros. Ainda que sejam impactos facilmente percebidos, são elementos difíceis de se traduzir em números. No entanto, existem várias organizações ao redor do mundo que se dedicam a desenvolver metodologias para traduzir e mensurar impactos intangíveis em indicadores concretos. Uma delas é a organização britânica Social Value*, que há mais de 10 anos se dedica a estabelecer técnicas para mensurar o valor de elementos não comercializáveis, ou seja, métodos para estimar o valor que pessoas atribuem a coisas que não podem ser compradas ou vendidas.

Independentemente dos desafios envolvidos, identificar, mensurar e analisar os impactos de programas sociais é sempre uma medida positiva e recomendável. Entender as transformações decorrentes dos esforços realizados, além de muito gratificante, é uma ferramenta fundamental para a gestão e a tomada de decisão dentro das organizações.

 

Se interessa pelo tema? Leia também a publicação Avaliação de Impacto Social – metodologias e reflexões.

* http://www.socialvalueuk.org/

Artigo originalmente publicado no blog Giro Sustentável, da Gazeta do Povo, em 18 de julho de 2019. O IDIS é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável e contribui mensalmente com histórias relacionadas ao Investimento Social Privado.

PNUD alerta: Investimentos Sociais Privados recuam diante da crise financeira e registram queda de 19%

Os números estão no novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Plataforma de Filantropia, lançado no último dia 12, no Rio de Janeiro. A publicação tem o apoio do IDIS, GIFE, WINGS e Comunitas e é o resultado da parceria entre fundações e institutos, tais como Fundação Banco do Brasil, Fundação Roberto Marinho, Instituto C&A, Fundação Itaú Social e Instituto Sabin. Você pode acompanhar a repercussão na mídia através do link https://globoplay.globo.com/v/6353610/programa/

O estudo deixa claro que o valor investido está abaixo do necessário e aponta a Educação como a área que recebe mais investimento social privado no Brasil (84%). Em seguida vem o Desenvolvimento Profissional e Cidadão para Jovens (60%), e Artes e Cultura (51%). A área de Direitos Humanos mostrou força nos investimentos privados no último período pesquisado, e cresceu 14% de 2014 a 2016. Outra constatação é a distribuição dos investimentos,  ainda altamente concentrada geograficamente, sendo a região Sudeste a que recebe o maior volume de recursos, seguida do Nordeste.

Ao analisar os dados do relatório e a situação vivida por organizações em 2016,  a equipe do IDIS avalia que, provavelmente, o pior momento já passou. “Os investimentos realizados por empresas, institutos e fundações caíram em 2017 porque, normalmente, essas instituições definem seus orçamentos em função do ano anterior. Como 2016 foi um ano muito difícil, com queda de lucros, a fatia para o investimento social de 2017 diminuiu. O efeito inverso deve acontecer em 2018”, explica Andrea Wolffenbüttel, diretora de Comunicação e Relações Institucionais do IDIS.

O levantamento mostra ainda um Brasil com ambiente relativamente bem estruturado de redes e organizações para a filantropia, além de colocar o País como um dos quatro da América Latina e do Caribe a ter uma associação formal de fundações filantrópicas. Os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) são utilizados pela maioria das instituições filantrópicas como suporte para decisões. E a necessidade de promover impactos é um dos pontos comuns do terceiro setor brasileiro com a agenda das Nações Unidas.

A Plataforma Filantropia foi criada por empresas e organizações parceiras e associações de filantropia, com o apoio do PNUD. O Brasil foi o oitavo país-piloto a lançar a Plataforma, juntando-se à India, Estados Unidos, Colômbia, Indonésia, Zâmbia, Gana e Quênia. O relatório “Filantropia e os Objetivos de Desenvolvimento Sustestável: engajando o investimento social privado na agenda do desenvolvimento global”  pode ser baixado gratuitamente (em inglês e português) em https://www.sdgphilanthropy.org/philanthropy-in-brazil-overview

 

O papel do avaliador externo para alcançar resultados e entender o impacto social de um projeto

“O processo avaliativo é fundamental. É uma maneira de prestar contas a investidores e doadores e legitimar uma organização perante a sociedade” (Paula Fabiani, Idis)

Algumas perguntas rondam o universo de gestores do terceiro setor, que percorrem uma longa jornada iniciada a partir da implantação de um projeto social: o que eu quero atingir? Como mobilizar? Como alcançar os resultados propostos?

O risco de se autoavaliar é grande. Sendo assim, quem é mais indicado para o papel de avaliador? O olhar externo amplia a visão do gestor, reforçando a importância de se identificar a distância percorrida e o que precisa, de fato, ser avaliado, permitindo correções e medindo corretamente os resultados.  A diretora presidente do Idis, Paula Fabiani, respondeu a perguntas sobre avaliação de projetos sociais em uma transmissão online promovida pela Escola Aberta do Terceiro Setor, no dia 23.11. O vídeo está disponível nas redes sociais da Escola Aberta do Terceiro Setor.  https://escolaaberta3setor.org.br/

Novo curso – Como fazer uma avaliação de processo, de resultado e de impacto, considerando, também, a avaliação econômica? Como montar um indicador e medir corretamente os resultados?  Esse tipo de avaliação ajuda na captação de recursos? Essas questões, levadas ao público que participou do live da Escola Aberta do Terceiro Setor, demonstra o interesse crescente de gestores, investidores, doadores e estudantes sobre a avaliação de impacto e a avaliação de resultados. A transmissão marcou o lançamento do curso online de Avaliação de Projetos, ministrado por Paula Fabiani, na plataforma da Escola Aberta do Terceiro Setor https://escolaaberta3setor.org.br/cursos/avaliacao-de-projetos-e-programas-com-paula-fabiani/. O conteúdo do curso trata de avaliação de processo, resultado e impacto e também introduz o tema da avaliação econômica (custo-benefício/ SROI).

É possível medir a felicidade? É certo que investidores, doadores e gestores estão atrás de uma estimativa financeira que mostre se um recurso é bem aplicado e qual o retorno social do investimento. Mas é possível mensurar o valor econômico do bem estar e da felicidade de um adulto que aprende a ler? De um idoso bem assistido? De uma mulher que alcança a plena independência financeira? A participação de Paula Fabiani no live semanal da Escola Aberta do Terceiro Setor apresentou parte do conteúdo desenvolvido pela professora para o Curso Online de Avaliação de Projetos. Leia mais sobre o assunto em:  https://escolaaberta3setor.org.br/artigos/medindo-e-monetizando-o-impacto-socioambiental/

IDIS inicia novas avaliações de impacto social utilizando a metodologia SROI

Foto by André Sefano. www.andrestefano.com

Qual o impacto que estamos causando? Como medir a eficiência e eficácia das políticas e programas sociais? Como mensurar os efeitos do projeto sobre os beneficiários? No que podemos melhorar? Esses e outros questionamentos estão cada vez mais presentes entre os investidores sociais e a necessidade de avaliação de impacto ganha mais importância.

Há algumas metodologias e ferramentas específicas disponíveis para a área social e uma das mais completas é a Social Return on Investment (SROI) ou Retorno Social sobre Investimento – análise de custo-benefício reconhecida pelo Cabinet Office do Reino Unido. A presidente do IDIS, Paula Fabiani é única brasileira capacitada pela New Economics Foundation (NEF) a aplicar o SROI no Brasil e o IDIS já realizou algumas avaliações SROI de importantes projetos sociais.

Neste segundo semestre de 2017, a equipe do IDIS está trabalhando intensamente em duas avaliações SROI de projetos com foco em desenvolvimento pessoal e profissional de jovens. A primeira delas é para o Programa de Formação de Formação de Palhaço para Jovens da ONG Doutores da Alegria, e a outra análise é do projeto iCANamy, do Instituto Conceição Moura.

“O SROI é uma ferramenta de mensuração de avaliação que pode ajudar as fundações, companhias e ONGs a terem uma compreensão mais profunda do impacto dos seus programas filantrópicos. Ao mensurar esses resultados e traduzi-los para termos monetários claros e simples, o SROI fortalece organizações para provar o real valor de seus programas sociais” explica Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS.

Doutores da Alegria Criado há 13 anos na cidade de São Paulo, o Programa de Formação de Palhaço para Jovens da Associação Doutores da Alegria oferece gratuitamente formação artística profissionalizante para jovens de 17 a 23 anos em situação de vulnerabilidade e risco social, com foco na autonomia de criação e inserção no mercado de trabalho artístico. O curso possui carga horária de 2 mil horas com duração de dois anos e meio e provê conhecimentos práticos e teóricos para que os jovens possam seguir carreira artística e implementar projetos sociais e culturais nas comunidades onde moram, promovendo acesso à cultura e à transformação social. Desde sua criação, já atendeu 180 jovens, sendo que 80% dos formados conseguiram colocação no mercado de trabalho artístico.

A primeira etapa da avaliação foi validada pela equipe da Associação Doutores da Alegria no dia 20 de outubro durante um workshop: a sistematização da Teoria de Mudança do projeto. A Teoria da Mudança é um mapa que traduz, organiza e estrutura mudanças pretendidas por uma iniciativa social. É essencial para o estudo, pois torna visível os objetivos iniciais esperados. As próximas etapas são mapear os resultados do projeto, estabelecer os indicadores, valorar e entender o impacto e, por fim, calcular o SROI.

Projeto iCANamy Baseado em metodologia desenvolvida pelo Grupo Base 5, o projeto iCANamy busca estimular adolescentes e jovens a criarem maior consciência sobre a própria capacidade de mudar a realidade de suas vidas e de sua comunidade através de uma atitude proativa. A iniciativa é realizada pelo Instituto Conceição Moura na cidade pernambucana de Belo Jardim. Concebido e mantido pelo Grupo Moura (Baterias Moura) há 15 anos, o Instituto desenvolve diversos projetos nas áreas de educação, meio ambiente e cultura.

 

No dia 18 de outubro, a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, e a coordenadora de Planejamento do IDIS, Raquel Altemani visitaram o projeto iCANamy e fizeram entrevistas com a equipe do Instituto e com os beneficiários e familiares para a construção de Teoria da Mudança que deverá ser validada nas próximas semanas. E nos dias 20 e 21 de novembro terá início a etapa qualitativa da avaliação: serão feitos grupos focais para aprofundar a visão do impacto nos beneficiários e para ajudar a quantificá-lo.

“A análise SROI é especial por conseguir avaliar aspectos intangíveis das ações sociais. E para além dos custos do investimento, a metodologia contabiliza todos os resultados considerados como relevantes pelos diferentes grupos de interesse”, comenta a coordenadora de Planejamento do IDIS, Raquel Altemani. Para conhecer as avaliações já realizadas pelo IDIS clique aqui.

Curso de Mensuração Social repete sucesso do ano passado

Ao longo de dois módulos de oito horas de duração cada, os 37 alunos puderam conhecer a diversidade metodológica em avaliação de impacto social e entender conceitos de duas metodologias: Adicionalidade e SROI (Social Return on Investment).

O primeiro módulo conceituou o processo de avaliação de impacto, apresentou metodologias existentes e aprofundou-se na metodologia com base em Adicionalidade. As aulas foram conduzidas pelo diretor da cátedra do Instituto Ayrton Senna (IAS) no Insper, Ricardo Paes de Barros, pelo coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, e pelo coordenador do Insper Metricis, Sérgio Lazzarini.

No segundo dia, a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, ministrou aula sobre o SROI, uma ferramenta trazida para o Brasil pelo IDIS e que faz uma avaliação completa dos impactos sociais do projeto sobre todos os envolvidos e permite a monetização desses resultados. Para ajudar no entendimento da metodologia, foram apresentados os cases de duas avaliações SROI conduzidas pelo IDIS: Programa Infância Ribeirinha (PIR) e Programa Valorizando uma Infância Melhor (VIM) – este último promovido pela Fundação Lucia e Pelerson Penido (FLUPP). Tais estudos apontaram que todo o investimento financeiro realizado se converteu em alto valor social.

“O curso explorou bem a complexidade de criar medidas objetivas para impactos que muitas vezes são intangíveis e, embora facilmente percebíveis, tornam-se difíceis de quantificar. Os exercícios práticos ajudaram a entender de forma concreta os desafios, os possíveis métodos a serem aplicados e como minimizar os riscos de enviesar informações”, relatou Raquel Altemani, coordenadora de planejamento do IDIS.

A terceira turma do curso será em 14 e 15 de setembro deste ano. A matrícula pode ser feita no site do Insper (https://www.insper.edu.br/educacao-executiva/cursos-de-curta-duracao/estrategia-e-negocios/mensuracao-de-impacto-social/?gclid=CNGKiZfujdQCFQcGkQodZ1sKxg).

Crianças transformam o bairro do Glicério, em São Paulo

Será que criança entende de espaço urbano? E de políticas públicas? O negócio social Criacidade acredita que as crianças têm muito a dizer sobre esses temas e muitos outros. Baseado nessa convicção foi criado o projeto ‘Criança Fala’, que deu voz às crianças do bairro do Glicério, em São Paulo, para expressassem sua opinião sobre o seu entorno e o que ele oferece de possibilidades para os pequenos moradores. Para isso, foi usada a metodologia da escuta e do brincar visando transformar, ocupar e ressignificar o espaço público do Glicério.

No ano passado, o IDIS foi convidado a avaliar seu impacto sobre as crianças, as famílias e os profissionais dos equipamentos públicos envolvidos (assistência social, educação e saúde) no projeto. A avaliação consultou 40 crianças, adultos de 41 famílias e 36 profissionais, que participaram de grupos focais, entrevistas e questionários.

Entre os impactos do projeto, o maior destaque é que 85% das crianças sentem que fizeram algo que melhorou o bairro. Elas também passaram a ser mais consideradas: 74% dos profissionais afirmaram levar a opinião infantil mais a sério. “Muito se valorizou o ouvir das crianças. Tanto no pedagógico quanto no entorno, passamos a valorizar a criança” afirmou uma das professoras participantes.

Considerando que o objetivo do ‘Criança Fala’ foi tornar a criança protagonista no fortalecimento dos vínculos afetivos e da participação comunitária, através da ressignificação do espaço que ela ocupa, a avaliação concluiu que a iniciativa colaborou para o resultado de longo prazo que a Criacidade busca alcançar no Glicério.

Houve, porém, a constatação de que a mobilização dos moradores, quando se trata da construção de um melhor ambiente para as crianças do bairro, ainda depende da presença dos profissionais do Criacidade. Esse fato é um desafio na busca da sustentabilidade dos resultados, mas ações lideradas por instituições locais são bons indicativos de que é possível ter continuidade nas mudanças, mesmo depois do término do trabalho da Criacidade.

O projeto ‘Criança Fala’ é realizado desde 2013 e já envolveu cerca de 1.200 crianças moradoras do bairro do Glicério. Entre as atividades oferecidas estão cortejo de Maracatu, intervenções e ocupações no espaço público, encontros formativos com as crianças, suas famílias e profissionais de Educação, Saúde e Assistência Social.

Mais crianças brincando nos espaços públicos

Como parte integrante do Criança Fala, nasceu o projeto Cidade que Brinca com o objetivo de transformar espaço públicos em áreas mais adequadas às atividades infantis com o auxílio das próprias crianças. A iniciativa realizou três ações de mutirão no Glicério para a transformação de espaços. Um deles foi denominado ‘Vilinha’’ que se consolidou como um lugar de brincadeiras para quando as crianças voltam da aula. “Hoje tem muito lugar para brincar” declarou uma criança participante do grupo focal.

“O que mais aprendi com as crianças é que a beleza está nas pequenas coisas e que ações simples podem ter grande impacto trazendo grandes mudanças. Escutar as crianças é aprender a ver as sutilezas e bonitezas da vida que criam respiros poéticos pela cidade. É estar e ser consigo e com o outro”, relata Nayana Brettas, fundadora da Criacidade e coordenadora do Projeto Criança Fala.

Como definir indicadores para a captação de recursos?

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Todo projeto deve ser avaliado para compreensão de seus resultados em relação às expectativas e objetivo inicial. Não é diferente com planos de captação de recursos. Desde o início, deve ser considerado no plano de captação como serão medidos os resultados alcançados. Com base nas metas que se deseja atingir, devem ser elaborados os indicadores para acompanhamento dessas metas, quem será responsável pela coleta de dados, quais suas atribuições e como será esse processo.

Ter indicadores que qualificam doadores e o atingimento das metas permite às organizações acelerar investimentos em ações bem-sucedidas ou repensar aquelas que não trazem os resultados esperados em relação ao investimento dispendido. Ter bons indicadores é crucial para que esse exercício seja realmente efetivo. Os indicadores devem ser analisados a partir de sua relação custo/benefício e, quando necessário, substituídos por mecanismos de controle mais simples e econômicos. Métricas interessantes para essa análise podem ser custo por real captado (Cost per Dollar Raised) e o retorno do investimento da captação (Fundraising Return On Investment)*.

Os indicadores devem cobrir aspectos gerais da captação (como custo/benefício das ações), das doações (volume, crescimento etc.), dos doadores (número, crescimento etc.) e engajamento deles com a organização (inclusive digital). Dados quantitativos e qualitativos do processo de captação devem ser coletados. Os dados quantitativos são objetivos e servem para conferir se os números esperados foram atingidos e se as atividades planejadas estão sendo realizadas. Como exemplo de indicadores quantitativos podemos citar a taxa de retenção e perda dos doadores e o valor médio das doações. Mas os quantitativos sozinhos não são suficientes. Existe uma curva natural de perda de doadores e é fundamental saber o que motiva e o que não motiva uma pessoa a doar para sua organização e, mais ainda, o que a motiva a se tornar um doador recorrente ou aumentar a doação. Para se conseguir essas informações, em geral, precisamos de um indicador qualitativo que pode variar de acordo com a atividade fim da organização. Os indicadores qualitativos servem para trazer dados subjetivos que demonstram o impacto das atividades realizadas.

Em geral, a captação de recursos financeiros em organizações sem fins lucrativos se utiliza de indicadores de gestão de doadores e recursos, mas também precisa de informações sobre os beneficiários e as atividades da organização para reportar aos doadores. Os dados coletados sobre a captação e o cumprimento do plano devem ser responsabilidade dos profissionais da área de captação, assim como os dados coletados sobre o impacto da organização e o cumprimento de suas metas devem ser responsabilidade dos profissionais da área de programas e projetos. A direção da organização deve ser envolvida e apoiar ambos os processos. E a interação e troca de informação entre as áreas deve ser constante, pois as informações sobre o impacto da organização alimentam o processo de captação, assim como os resultados da captação reforçam a legitimidade das atividades e o impacto gerado pela organização.

Uma vez realizada a coleta de informações, os dados levantados devem ser sistematizados e analisados. Segundo artigo publicado na Revista da USP sobre o tema recomenda-se a ajuda de especialistas no processo avaliativo. Entretanto, mesmo sem a presença de profissional especializado toda organização deve realizar processos avaliativos. A equipe de avaliação pode possuir alguém da área de captação de recursos e alguém com conhecimento de monitoramento e avaliação. Essa equipe deve apresentar suas conclusões e recomendações na forma de um relatório ou apresentação, se possível analisando a relação entre a captação e o impacto gerado pela organização. O conteúdo desse relatório pode ser incorporado em diversos materiais da organização, de acordo com o público a que se destina o material (público interno, externo, doadores etc.). Para os doadores, por exemplo, é importante ressaltar a destinação dos recursos e eventuais economias ou despesas extras. Além de reportar o impacto das atividades da organização realizadas com o recurso doado, sempre que possível.

A concorrência acirrada por recursos aumenta a importância de se criar mecanismos de captação eficientes e eficazes. E para tanto, bons indicadores são ferramentas muito úteis. Ao reportar de forma objetiva, as organizações facilitam a compreensão e aumentam a consciência dos potenciais doadores sobre a organização, seu impacto e o destino dos recursos recebidos, além de apresentar de forma clara os objetivos e as razões pelas quais o possível apoiador deveria oferecer seus recursos. Dessa forma, as organizações aprimoram o seu relacionamento com os doadores e parceiros, permitindo o desenvolvimento de relações mais duradouras e fortalecendo sua relevância na sociedade.

*Mais informações sobre esses indicadores em http://www.donorsearch.net/nonprofit-fundraising-metrics/ 

Por Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS .

Inscrições abertas para a segunda edição do Curso Mensuração de Impacto Social, do IDIS e Insper

IMG_4059O curso Mensuração de Impacto Social, uma parceria entre o IDIS e o Insper Metricis, está com as inscrições abertas para uma nova turma, que será realizada nos dias 8 e 9 de maio na sede do Insper em São Paulo.

A primeira edição foi realizada em novembro de 2016 e teve muita procura, gerando fila de espera.“Gostei bastante do curso, acredito que foi importante para desmistificar um pouco a temática de impacto social e dar insights sobre como trazer isso para os projetos de uma forma mais concreta,” afirma Gabriela Néspoli, analista de Projetos em Parceria da Fundação Lemann e aluna da primeira turma.

O curso tem carga horária de 16 horas de duração e apresenta algumas metodologias de avaliação, com especial ênfase em Adicionalidade e SROI (Social Return on Investment), abordando os princípios a serem seguidos para a realização de avaliação de projetos ou negócios sociais.

Ao final do curso, o aluno será capaz de compreender os processos que compõem a avaliação de impacto social, conhecer a diversidade de metodologias, além de ser capaz de escolher a mais adequada para cada caso.

Curso Mensuração de Impacto Social, realizado por IDIS e Insper Metricis, foi um sucesso!

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Realizado nos dias 20 e 21 de outubro e com 16 horas de aulas presenciais, o curso Mensuração de Impacto Social superou a expectativa em termos de procura e gerou fila de espera, que deve ser atendida com nova edição no primeiro semestre de 2017.

A formação apresentou algumas metodologias de avaliação, com especial ênfase em Adicionalidade e Social Return on Investment (SROI). O intuito foi oferecer subsídios para que organizações do Terceiro Setor pudessem compreender a importância da mensuração do valor das ações sociais empreendidas para conhecer a diversidade metodológica em avaliação de impacto social.

No primeiro dia, abordou-se o processo de avaliação de impacto, metodologias existentes, metodologias de avaliação com base em Adicionalidade, entre outros temas. As apresentações foram conduzidas pelo diretor da cátedra do Instituto Ayrton Senna (IAS) no Insper, Ricardo Paes de Barros, pelo coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, e pelo coordenador do Insper Metricis, Sérgio Lazzarini.

No segundo dia, a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, ministrou aula sobre o SROI, uma ferramenta trazida para o Brasil pelo IDIS e que faz uma avaliação completa dos impactos sociais do projeto sobre todos os envolvidos. “O SROI permite atribuir valores financeiros aos benefícios, de modo a poder comunicar os resultados de uma maneira mais facilmente compreensível para financiadores ligados ao setor privado. É uma ferramenta criteriosa e útil”, aponta Paula.

Para ajudar no entendimento da metodologia, foram apresentados os cases de duas avaliações SROI conduzidas pelo IDIS: do Programa Infância Ribeirinha (PIR) e Programa Valorizando uma Infância Melhor (VIM) – este último promovido pela Fundação Lucia e Pelerson Penido (FLUPP). Ambas as avaliações apontaram que todo o investimento financeiro realizado se converteu em alto valor social.

O curso, que contou com 42 alunos, é voltado para profissionais do Terceiro Setor, de fundações (corporativas ou familiares), institutos, organizações sem fins lucrativos, empreendedores sociais e fundos de investimento de impacto.

A psicóloga do programa Espaço Escuta e aluna da formação, Carla Rigamonti, pretende colocar em prática os  ensinamentos recebidos. “Gostei muito do curso, pois ofereceu um panorama geral sobre a importância da avaliação de impacto e também sobre as diferentes possibilidades de mensuração do efeito do meu trabalho. Saí positivamente afetada pela ideia,” contou Carla.