Seminário ESG e o Investimento Social Privado promove manhã de debates e palestras com foco no pilar Social

Com um público de 680 pessoas, o seminário apresentou 4 painéis com a participação de especialistas 

A pauta ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, no português, Ambiental, Social e Governança) ganha a cada ano mais espaço entre investidores e empresas. Mas o que vem sendo mensurado de fato? Com detalhes da pauta ainda em definição pelo mundo, estudos apontam uma falta de padrões consistentes, principalmente quando falamos dos aspectos sociais. De acordo com um estudo realizado pelo BNP Paribas, por exemplo, 51% dos investidores consideraram o ‘S’ o mais difícil de analisar e incorporar às estratégias de investimento.

Pensando nisso, o IDIS – Instituto do Desenvolvimento do Investimento Social promoveu na manhã de 22 de junho, um seminário para debater e aprofundar o assunto. O evento teve como parceiros prata Gerdau

e Santander e parceiros bronze Ambev, Bradesco Private Bank e Instituto Órizon.

Entre os desafios da agenda social, compreendemos que está a compreensão de sua abrangência e a definição de parâmetros e indicadores realmente verdadeiros. Por isso, materialidade, mensuração e integração foram algumas das dimensões que o seminário explorou para abrir o evento logo pela manhã. As demais sessões buscaram iluminar zonas cinzentas e caminhos incertos com exemplos inspiradores de empresas que iniciaram essa jornada. Mais que histórias de conquistas são relatos de aprendizados e de uma certa dose de ousadia.

Parâmetros e Indicadores “S”: Materialidade, Mensuração e Integração

Uma pesquisa da BNP Paribas revelou que 51% dos investidores consultados consideraram o ‘S’ o mais difícil de analisar e incorporar às estratégias de investimento. Neste contexto, investidores e empresas têm intensificado seus esforços na busca de soluções para preencher as lacunas ao medir e integrar o “S” às suas decisões de investimento. Dentre os principais desafios, tem-se a forma como se apresentam os relatórios atualmente (conformidades e processos ao invés de efetividade), o volume e inconsistência dos padrões e métricas e a natureza qualitativa de muitas das avaliações sociais.

Para debater o assunto, o IDIS convidou Eduardo Alves (Sócio na PwC); Fabio Alperowitch (Co-fundador da FAMA Investimentos); Fernanda Camargo (Sócia fundadora da Wright Capital) moderados por Marcos Kawakami (Especialista ESG na BNP Paribas). Confira abaixo, a palestra na íntegra

 

Protocolo ESG Brasileiro: Pacto pela equidade Racial  

Seguindo a manhã de palestras, o Seminário abordou as questões raciais e como elas se conectam à agenda ESG.

Existe uma demanda pela definição de padrões e indicadores que reflitam a realidade local. Um bom exemplo de solução para este desafio é proposto pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial, uma iniciativa da sociedade civil que propõe implementar um Protocolo ESG Racial para o Brasil. A articulação da sociedade civil tem se mostrado importante para a construção de agendas que reflitam a realidade nacional e subsidiem investidores com parâmetros e indicadores sociais que os apoiem na avaliação de riscos e criação de valor das empresas.

Compondo esse importante debate, estiveram Gilberto Carvalho (Dir. Executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial e do J.P Morgan BR), Carla Crippa (VP de Impacto Positivo e Relações Corporativas da Ambev) e Adriana Barbosa (CEO Pretahub e Presidente do Instituto Feira Preta). Abaixo, a palestra completa:

ISP e ESG: alinhamento dos negócios com a pauta social 

Outra dor relacionada à pauta ESG diz respeito ao alinhamento dos negócios, seus investimentos sociais privados às métricas que exigem o mercado financeiro para avaliar o ESG.  Compreendendo que a agenda ESG é uma grande oportunidade para repensar a maneira como as empresas planejam e alocam o seu investimento social levando em conta sua capacidade de promover transformações sociais e o alinhamento com o negócio.

A mudança de chave acontecerá quando essa questão for elevada à estratégia das organizações. Empresas terão que agir de maneira proativa e colaborativa, demonstrando para a sociedade e investidores seu comprometimento, com transparência e materialidade de suas ações sociais.

Representantes de empresas e institutos que já vem olhando para o assunto, participaram do painel – Daniela Grelin (Diretora Executiva do Instituto Avon), Giuliana Ortega (Dir. de Sustentabilidade na RaiaDrogasil) e Renata Biselli (Head de Impacto Social no Santander), moderadora da mesa.

 

Finanças híbridas e ESG 

E fechando a manhã de discussões, a mesa de finanças híbridas trouxe à luz os debates sobre novas formas de filantropia e como elas se relacionam ao ESG

A criação de veículos financeiros, como Fundos Filantrópicos e Blended Finance, também tem se mostrado um caminho potente para viabilizar projetos de impacto que demandam capital paciente e envolvem diversos grupos de stakeholders. Nesta trajetória, devem envolver as OSCs e, mais do que isso, aprender com elas. Devem colaborar para o desenvolvimento de projetos e criar linhas de investimento direto, pois as OSCs podem ter mais influência e capacidade de execução e transformação junto aos beneficiários que as empresas.

Tudo isso, apresentado por Carolina Costa (Sócia e Head de Investimentos Blended Finance da Mauá Capital); Paulo Boneff (Head Global de Resp. Social na Gerdau) e Roberto Leuzinger (Conselheiro do Instituto Órizon e Responsável por ESG na Vinci Partners) moderados pelo Diretor de projetos do IDIS, Renato Rebelo.

 

Para saber um pouco mais sobre nossos parceiros e apoiadores do evento, clique aqui para baixar a brochura do evento.

 

IDIS 2020: Catalisador de Iniciativas

Pensar sobre aonde se quer chegar e planejar as atividades e recursos necessários para atingir os objetivos de forma coerente e sustentável é o que recomendamos a todos nossos parceiros, e no IDIS, não poderíamos fazer diferente. Em outubro, iniciamos nosso processo de planejamento estratégico para 2020.

Usando como base o plano trienal, desenvolvido em 2017, envolvemos toda a equipe do IDIS, que olhou para os resultados alcançados e projetos desenvolvidos neste ano, e traçou o plano para concretizar nosso novo posicionamento – IDIS: CATALISADOR DE INICIATIVAS. Por meio dele, reforçamos nosso compromisso com a idealização e o implementação de iniciativas que promovam o Investimento Social Privado no Brasil. Gerar e disseminar conhecimento, influenciar e representar o setor e idealizar, estruturar e implantar projetos próprios, passam a ser, dessa forma, nossos principais pilares de atuação.

Entre os principais projetos para o próximo ano, estão o fortalecimento da cultura de doação, por meio da campanha Descubra Sua Causa; a agenda dos Fundos Patrimoniais, com o avanço do trabalho de advocacy desempenhado na Coalização pelos Fundos Filantrópicos; a valorização da cultura de avaliação; e a promoção de parcerias intra e intersetoriais para a resolução de problemas sociais complexos. Ações específicas serão realizadas também no sentido de qualificar e ampliar a Filantropia Familiar e a Filantropia Comunitária. Seguiremos apoiando iniciativas de famílias, empresas, institutos e ONGs, por meio de atividades de consultoria, em todas as fases de seu investimento – do planejamento estratégico, passando pela gestão das doações, até a avaliação de impacto; e provendo o único Fórum no Brasil destinado exclusivamente a filantropos e investidores sociais.

Aspectos relacionados à comunicação institucional e gestão também foram discutidos. Para dar mais concretude ao novo posicionamento, foi planejada a atualização da marca. Especificamente em relação à sustentabilidade, avançamos no plano de constituição de um Fundo Estruturante, lançado na celebração dos 20 anos do IDIS, em setembro de 2019.

O planejamento, que ainda será validado por nosso Conselho Deliberativo, traça o caminho que seguiremos no próximo ano. Acreditamos na força do investimento social privado para criar um futuro mais justo e solidário, melhorando a vidas das pessoas. Por um 2020 com mais impacto!

Regulamentação dos endowments: o que ainda precisa ser feito?

Com a assinatura da medida provisória que visa regulamentar os Fundos Patrimoniais Filantrópicos (endowments) no Brasil, o tema ganhou grande relevância nacional.

O IDIS vem fazendo um trabalho de advocacy pela regulamentação dos endowments há seis anos, e nos últimos dois, vários atores de grande influência como, BNDES, MINC e MEC, se juntaram à essa causa. Além de organizações como PLKC Advogados, GIFE, APF, Cebraf, Levisky Negócios e Cultura, apoiadores da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, lançada esse ano.

Mas, agora que o tema virou uma importante parte agenda do governo, quais os próximos passos?

O primeiro passo já foi dado, que foi o envio de 24 sugestões de emendas para mudar alguns pontos como o fato de nem todas as causas receberem incentivos fiscais e diminuir as restrições de governança para instituições privadas, para que as grandes fortunas não sejam desencorajadas a doar.

Para conseguir a aprovação desses pontos, e transformar a Medida Provisória em lei, é necessário manter diálogo com a Relatoria do projeto, através de reuniões com os 13 deputados e 13 senadores que fazem parte dela, dando prioridade para o presidente e vice-presidente da comissão que será responsável pela aprovação, ou não, da Medida Provisória e transformá-la em lei.

Uma outra ação para estimular a regulamentação definitiva e a criação dos fundos filantrópicos será o Fórum de Endowments, em novembro, realizado pela Levisky Negócios e Cultura, em parceria com o IDIS e com o apoio do BNDES. O evento vai fomentar o debate sobre o tema e os interessados em participar podem entrar em contato com o IDIS.

O IDIS continua trabalhando para que cada vez mais os Fundos Patrimoniais Filantrópicos sejam instrumentos para a sustentabilidade de organizações e associações em nosso país!

O que muda com a assinatura da Medida Provisória dos Fundos Patrimoniais?

No dia 10 de setembro de 2018, foi assinada a Medida Provisória (MP) que visa regulamentar os Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil.

Os Fundos Patrimoniais, também conhecidos como endowments ou fundos filantrópicos, são fundos criados para receber doações que são destinadas a organizações especificas ou à sustentação de alguma causa. Eles preservam o patrimônio doado, porque, de um modo geral, só os rendimentos são sacados, garantindo a geração de recursos para causas que são de interesse público.

Mas, quais são os principais pontos dessa medida provisória? O que muda para o doador e para quem recebe a doação do endowment?

Em primeiro lugar, diferentemente de alguns projetos de lei que estavam tramitando, a MP contempla uma abrangência de causas. Existem leis que regularizam os fundos patrimoniais, entretanto, sempre especificando qual a causa que pode ser beneficiaria deles.  Nessa medida foram abrangidas várias causas, como: educação, ciência, tecnologia, pesquisa e inovação, cultura, saúde, meio ambiente, assistência social e desporto. Além disso, tanto associações quanto fundações podem receber doações para um endowment.

Na linha de melhorias para a governança dos fundos patrimoniais, a medida provisória coloca uma separação entre as responsabilidades de quem gere o fundo e a instituição ou associação apoiada. Porém, quando o assunto é incentivo fiscal, apenas duas causas foram contempladas: cultura e educação, o que pode gerar um menor incentivo para a doação a outras causas.

Por fim, a medida provisória tenta minimizar os danos em catástrofes parecidas com a do Museu Nacional porque permite que um percentual mais elevado das doações para o fundo patrimonial seja utilizado para recuperação em casos extremos.

O IDIS realiza um trabalho de advocacy pela regulamentação dos Fundos Patrimoniais desde 2012, e esse ano lançou a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, um grupo multisetorial composto por mais de 40 membros, entre organizações, empresas e pessoas que apoiam a regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no país. A Coalizão é aberta para qualquer pessoa ou entidade que apoie a causa dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos.

Evento apoiado pelo IDIS discutiu a criação de endowments para a área cultural

BNDES

 

Nos anos 90, em meio a um processo de privatizações das empresas públicas, a República Tcheca destinou 1% dos recursos gerados para o estabelecimento de um fundo nacional que financiou a formação de endowments – fundos patrimoniais permanentes – de 73 fundações no país. O fundo patrimonial do Museu do Louvre soma hoje US$ 230 milhões reunidos apenas nos últimos sete anos. O Metropolitan Museum of Art de Nova York possui um fundo patrimonial de US$ 2,7 bilhões investido hoje no mercado financeiro.

Exemplos como esses inspiram uma mudança no meio cultural, empresarial e do mercado financeiro brasileiro. Com esse intuito foi realizado o I Fórum Internacional de Endowments Culturais, apresentado pelo BNDES, criado e realizado pela Levisky Negócios e Cultura em parceria estratégica com a Edelman Significa e com apoio do IDIS e do escritório de advocacia PLKC.

“No Brasil, a criação de fundos patrimoniais é importante para promover a sustentabilidade no longo prazo das organizações da sociedade civil. Um dos obstáculos para a disseminação do endowment é a falta de uma legislação específica que facilite sua criação e de incentivos fiscais. O IDIS lidera uma iniciativa de advocacy, trabalhando em rede para promover o desenvolvimento dos fundos patrimoniais no país”, informa a diretora presidente do IDIS, Paula Fabiani.

O Fórum foi realizado nos dias 17 e 18 de novembro no Rio de Janeiro e reuniu representantes do mercado financeiro, governos, gestores de importantes equipamentos públicos e estudiosos para debater como o Brasil pode entrar no ciclo virtuoso dos fundos patrimoniais de longo prazo para a área cultural. Eles participaram de um debate precedido de apresentação de um estudo realizado especialmente para o evento.

Por meio de entrevistas com importantes atores desse mercado, consultoria jurídica e coletas de dados secundários, o estudo apontou algumas questões como, por exemplo, a insegurança do mercado quanto à transparência da gestão das instituições culturais e o medo de se associar a um equipamento que está em constante crise. Por outro lado, o diagnóstico apontou que há compreensão da urgência na formação desses fundos e uma expectativa de que eles contribuam para o melhor planejamento e gestão das instituições.

Foi apresentado ainda o cenário da situação brasileira do ponto de vista jurídico e financeiro. A atual legislação já permite a formação de endowments para instituições particulares, mas não públicas. Daí a proliferação de associações de amigos e outros que permitem essa captação. Fica clara a necessidade de um ambiente legal mais seguro, mas também a preocupação em não engessar o processo. Já existem dois projetos de lei tramitando no Congresso que precisam entrar na pauta para posterior votação.

O Fórum apontou ainda algumas recomendações relacionadas aos temas da cultura de doação; governança; diversificação das fontes de recursos; regulação e tributação com o intuito de facilitar a criação dos fundos patrimoniais – além de sugerir um passo a passo para a sua estruturação.

“Essa é uma agenda importante para o BNDES. Devemos evoluir do modelo atual de dependência do governo ou de patrocinadores institucionais para um formato mais autossustentável, no qual as instituições busquem incrementar a geração de receitas próprias (de bilheteria, venda de produtos, prestação de serviços) e a atração de novos recursos. O endowment é um modelo consagrado em outros países e pode, com a devida governança, atrair inclusive recursos internacionais de filantropia para o país”, disse a presidenta do BNDES, Maria Silvia Marques.

Segundo Ricardo Levisky, idealizador do evento, a gestão cultural no Brasil ainda se organiza por um raciocínio de curto prazo, dependente da sazonalidade de incentivos públicos e privados que garantam a sobrevida de suas instituições. “Buscamos com esse movimento engajar todos os atores envolvidos no processo e efetivamente elaborar o caminho para a constituição de endowments, que podem assegurar a sustentabilidade financeira e excelência das nossas instituições culturais e artísticas, não apenas no presente, mas também como um legado”, afirma.

O I Fórum Internacional de Endowments Culturais teve patrocínio do BNDES, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal.

Sobre Endowments

Muito difundida no exterior, a prática de criar e gerir fundos patrimoniais permanentes para garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo de instituições culturais ainda é rara no Brasil. Nos Estados Unidos é uma realidade e é responsável por parte do financiamento de atividades de equipamentos como a Smithsonian Institution (Washington), a Art Institute of Chicago ou a Boston Symphony Orchestra. Na Inglaterra e na Itália, por exemplo parte dos recursos levantados pela loteria é destinado para fundos de endowment. Outros fundos são criados por doações particulares, de empresas e até dentro de processos de privatização, entre outras fontes de recursos que a pesquisa apontará.

Os endowments têm recursos próprios e são geridos como os fundos de investimento disponíveis no mercado financeiro e dentro das regras legais de mensalmente para a instituição para ajudar na sua manutenção e desenvolvimento de projetos, dentro de um limite predefinido. E o principal do fundo é preservado, sem retiradas, salvo alguma exceção.

Projeto desenvolvido pelo IDIS prevê a implantação de tecnologias sociais em comunidades do Amazonas

IMG_8734O Amazonas é o maior estado do Brasil, conhecido pela sua natureza exuberante e biodiversidade. O estado tem a maior população indígena do país e inúmeras comunidades tradicionais de pescadores artesanais e seringueiros vivendo em locais distantes de centros urbanos, onde o acesso a serviços essenciais é naturalmente complexo. Tendo em vista essa realidade, o IDIS está trabalhando em um projeto piloto de implantação de tecnologias sociais que atendam às necessidades de um desenvolvimento sustentável em comunidades rurais e ribeirinhas. A iniciativa é uma parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A primeira etapa foi a realização de um diagnóstico situacional no município de Borba-AM com a participação da comunidade e do poder público local. Por meio de pesquisas e análise de dados primários e secundários foi possível entender o contexto em que vivem os habitantes de Borba e também mapear as iniciativas já desenvolvidas na região. A partir das demandas mais prementes foram pré-seleciondadas 16 tecnologias do Banco de Tecnologias Sociais da FBB. O município de Borba foi escolhido para servir de referência ao diagnóstico pois a UEA realiza na cidade um projeto piloto que envolve estudantes universitários, o Programa de Apoio à Primeira Infância (PAPI).

O trabalho de campo foi realizado em fevereiro deste ano com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde. Foram aplicados 181 questionários em 17 comunidades – seis rurais, seis ribeirinhas e cinco urbanas. A equipe multidisciplinar de trabalho de campo foi constituída pela UEA, profissionais do IDIS e da área da Saúde da Criança da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas. “Para facilitar a seleção das tecnologias sociais, as prioridades locais foram separadas em quatro categorias: água, saneamento básico, segurança alimentar e saúde infantil”, explica Sofia Rebehy, analista de projetos de investimento social do IDIS e que integrou a equipe de campo.

Os resultados do diagnóstico foram compartilhados com o município com o intuito de orientá-lo na definição das Tecnologias Sociais e respectivas comunidades para a implantação. Esta seleção foi feita pelo poder público local em reunião coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde e levou em consideração não somente os dados levantados pelo diagnóstico, mas também as peculiaridades de cada comunidade. As tecnologias foram apresentadas ainda para as comunidades envolvidas para confirmar sua aceitação e interesse.

Desde a finalização do diagnóstico, em junho, o IDIS tem trabalhado no desenho da continuidade do projeto, que prevê a capacitação de equipe da UEA pelos idealizadores das Tecnologias Sociais selecionadas e a implantação piloto em três comunidades de Borba. A UEA será o agente responsável pela replicação das tecnologias em comunidades de outros dois municípios – Nova Olinda do Norte e Itacoatiara – em consonância com suas principais carências e a partir do envolvimento comunitário.

O IDIS atua desde 2011 na promoção do desenvolvimento da Primeira Infância no Amazonas. Em parceria com a Secretaria de Saúde do Amazonas, Fundação Bernard van Leer e Fundação Amazônia Sustentável realizou o Programa Infância Ribeirinha (PIR). Voltado para a melhoria das condições de vida de gestantes e crianças de 0 a 6 anos em comunidades ribeirinhas amazonenses, o PIR inspirou a criação de uma política pública especialmente voltada para a primeira infância. O Programa Primeira Infância Amazonense (PIA) foi sancionado pelo Governo do Estado do Amazonas em março deste ano e está em processo de implantação.

Fundo Areguá, endowment estruturado com apoio do IDIS, visa reter talentos na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

IMG_3805Cursar uma faculdade de medicina é o sonho de muitos jovens, mas por questões econômicas e sociais muitos abandonam este ideal – mesmo certos de sua vocação e talento. Com o intuito de ajudar essas pessoas a realizar esse sonho e atrair talentos para a carreira nasceu o Fundo Areguá – um fundo patrimonial que vai dar bolsas de estudos para alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSC) de São Paulo. Idealizado pelo dr. José Luiz Setúbal, ex-aluno da FCMSC e atual provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o Fundo Areguá foi estruturado com o apoio do IDIS.

O lançamento do Fundo reuniu professores e ex-alunos da FCMSC em três encontros de apresentação realizados em agosto no Salão Nobre da Santa Casa. O intuito é iniciar o quanto antes a captação dos recursos necessários para que ele comece a funcionar. O nome do Fundo – Areguá – faz referência à saudação e grito de guerra que une alunos e ex-alunos da FCMSC. Além das bolsas de estudo, os recursos captados serão destinados ainda para apoiar pesquisas e promover melhorias na infraestrutura da faculdade. Há três formas possíveis de participação: doação pontual, doação recorrente e ainda pode-se optar em fazer parte da Associação Fundo Areguá. O Fundo é uma entidade independente da estrutura da faculdade.

Fundos Patrimoniais (endowments, em inglês) são estruturas criadas para dar sustentabilidade financeira a causas e organizações sem fins lucrativos. Para isso, a administração de seus recursos, que são provenientes de doações, tem por princípio a conservação no longo prazo do valor doado. O trabalho desenvolvido pelo IDIS teve o objetivo de estruturar o Fundo Areguá, definindo especificamente seu veículo, missão, composição, governança e spending rate (regra de resgate). O IDIS é referência na criação desses fundos e faz um trabalho de advocacy trabalhando em rede para promover o desenvolvimento dos fundos patrimoniais no Brasil.

Assista ao vídeo e conheça essa história: https://vimeo.com/178203353

Líderes cívicos da RAPS conhecem o Programa Eleitoral da Rede

raps debateNo início de julho foi realizado, em São Paulo, o Encontro de Formação dos Empreendedores Cívicos da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) 2016. A diretora presidente do IDIS, Paula Fabiani, faz parte dessa rede de lideranças comprometidas e alinhadas com a ética e com os valores e princípios da sustentabilidade.

O objetivo do encontro, além de ampliar o conhecimento a respeito da sustentabilidade e do papel destes Empreendedores Cívicos no contexto político atual, foi promover a integração da rede e propiciar uma discussão de ideias e troca de experiências. Entre as atividades realizadas no primeiro dia de formação, os Empreendedores dividiram-se em grupos temáticos, de acordo com suas atuações sociais, para debater sobre sustentabilidade, educação e controle social, aproveitando a polêmica do projeto de lei conhecido como Escola sem Partido.

No segundo dia de encontro, o Líder RAPS Zysman Neiman e professor de ciências ambientais da UNIFESP apresentou o painel Conceituação de Sustentabilidade e o caminho para a implantação de Cidades Sustentáveis. A formação foi concluída com o debate Democracia e Governança Política de transição rumo a uma sociedade sustentável. Além das discussões, foi apresentado também o Programa Eleitoral da RAPS, que faz parte da estratégia de formação de lideranças políticas. “A RAPS é um espaço de muita troca de saberes e experiências. Nesta última reunião, um dos pontos de destaque e reflexão foi identificar como podemos contribuir para o país, neste ambiente político conturbado”, conta diretora presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Sobre a RAPS
Constituída em maio de 2012, a RAPS se propõe a fortalecer e aperfeiçoar a democracia e as instituições republicanas mediante o apoio à formação de lideranças políticas que colaborem com a transformação do Brasil em um país mais justo, próspero, solidário, democrático e sustentável. Para ingressar no projeto e ser um Empreendedor Cívico RAPS é preciso ter uma sólida ação política já constituída na esfera da sociedade civil. Além disso, é necessário participar de um processo de seleção que ocorre todos os anos entre novembro e janeiro. A formação realizada em julho faz parte de uma séria de atividades oferecidas aos Empreendedores Cívicos RAPS.

Sobre o Programa Eleitoral RAPS
A iniciativa é direcionada exclusivamente aos membros da entidade. Podem participar integrantes de todas as turmas dos projetos – Líderes RAPS, Empreendedores Cívicos e Jovens RAPS – que desejem contribuir ativamente nas eleições municipais de 2016. O programa faz parte da estratégia de formação de lideranças políticas e tem como um de seus principais objetivos qualificar e potencializar as campanhas eleitorais dos Líderes RAPS pré-candidatos às eleições deste ano. Além disso tem o intuito de propiciar oportunidade de aprendizado aos membros interessados, fortalecendo relações ao ampliar a troca de conhecimento, com base na missão, nos princípios e nos valores da organização.
Mais informações sobre o projeto em www.raps.org.br

 

França obriga supermercados a doarem alimentos que seriam descartados

supermercado

 

A França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir supermercados de jogarem fora ou destruir alimentos não vendidos, forçando-os a doá-los para instituições de caridade e bancos de alimentos. A determinação vem de uma lei aprovada por unanimada pelo Senado francês que prevê o destino a ser dado pelos supermercados a alimentos que se aproximam do final do prazo de validade. A lei atende a uma campanha popular na França realizada por ativistas contra a pobreza e o desperdício de alimentos. “Esta batalha está apenas começando. Agora temos de combater o desperdício de alimentos em restaurantes, padarias, cantinas escolares e cantinas de empresas” disse Arash Derambarsh, idealizador da campanha ao jornal britânico The Guardian. Ativistas esperam agora convencer a União Europeia a adotar legislação semelhante nos Estados-Membros.

Para cumprir a lei os supermercados deverão assinar um “contrato de doação”, que vai detalhar como os alimentos serão doados para as instituições de caridade. Quem não respeitar as novas regras poderá ser multado em até 75 mil euros ou penalizado com sentença de prisão. A lei vale para supermercados que possuem mais de 400 metros quadrados de área. A lei também prevê que essas instituições terão que armazenar a comida recebida em condições adequadas e distribuí-la de forma digna. Elas já começaram a convocar mais voluntários e ajudantes para auxiliar na triagem e distribuição de produtos aos necessitados.

Até agora os bancos de alimentos franceses receberam 100 mil toneladas de bens doados, dos quais 35 mil toneladas vieram de supermercados. “Um aumento de 15% em alimentos provenientes de supermercados significa mais de 10 milhões de refeições a serem entregues a cada ano”, afirmou Jacques Bailet, da organização Banques Alimentaires.

Ainda de acordo com dados publicados pelo jornal britânico a cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados em todo o mundo. Um relatório publicado em 2015 mostrou que famílias do Reino Unido jogaram fora 7 milhões de toneladas de alimentos em 2012, o suficiente para encher nove vezes o estádio de Wembley, em Londres.

Um Norte para a Primeira Infância

CabeçalhoProver os cuidados necessários para o desenvolvimento saudável de uma criança pequena é sempre complexo, mas quando falamos de regiões menos favorecidas, com baixa densidade populacional e com obstáculos naturais quase intransponíveis, trata-se de um grande desafio. Essa é a realidade da região Norte do Brasil, com territórios imensos, cobertos por florestas e rios, e uma população que está quase sempre longe dos serviços básicos.

Para discutir os esforços pela primeira infância no Estado do Amazonas e região Norte e enfatizar as políticas públicas federais e estaduais e as estratégias e desafios locais, é que o IDIS, a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) e a Universidade do Estado de Amazonas (UEA) organizaram o Seminário Um Norte para a Primeira Infância, que acontecerá no dia 22 de outubro, na UEA, em Manaus,

O evento abordará como porque investir na primeira infância; programas e políticas de primeira infância; e tentará traçar um mapa da primeira infância. O seminário contará com representantes do poder público, da sociedade civil e de organismos internacionais comprometidos com a primeira infância como Ricardo Paes de Barros, pesquisador e professo do Insper, Paulo Bonilha, coordenador da Área da Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde; Marcos Kisil, fundador e conselheiro do IDIS; e Vital Didonet, assessor da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar (OMEP); entre outros.

Na ocasião também ocorrerá o lançamento do livro ‘Primeira Infância: Panorama, Análise e prática’, que conta o processo de criação da Política Pública para Primeira Infância Amazonense.

Para aqueles que não puderem comparecer, mas queiram assistir, o seminário será transmitido ao vivo, a partir das 9h de Manaus (10h de Brasília)  pelo link: webconf2.rnp.br/uea.

Do papel para a realidade: Santas Casas do interior já estão colhendo frutos dos projetos de captação de recursos

O Programa de Captação de Recursos Fehosp /IDIS entra na reta final com vários projetos em desenvolvimento e um balanço parcial, positivo. As mais de 100 Santas Casas envolvidas no programa, representam 33mil leitos, 51% do total de leitos existentes nesses municípios. O programa termina no fim de setembro.

Depois de várias oficinas e rodadas de coaching com os consultores do IDIS, cada hospital concebeu um plano de captação de recursos para melhorar as condições financeiras do estabelecimento. Alguns criaram uma nova área específica para cuidar dos novos projetos e da captação. Outros, realocaram pessoal, mas todos estão colocando a mão na massa.

Um desses exemplos é a Santa Casa de Lindóia. Sob a batuta da irmã Alaídes, que começou a orquestrar o plano de revitalização, o primeiro projeto começa a sair do papel:  a construção de um novo Centro de Imagens, estimado em cerca de R$1 milhão. A aquisição de um mamógrafo é o ponto de partida. Para isso, será feita a rifa de uma moto com a expectativa de arrecadar até R$75 mil. A entidade, que só contava com a colaboração dos estabelecimentos comerciais que destinavam percentual da Nota Fiscal Paulista, agora está captando recursos junto à comunidade. Já obteve a doações de camisetas para vender durante a campanha do “Outubro Rosa”, conseguiu a doação de duas cabeças de gado que irão à leilão nos próximos meses e espera ainda outras, querendo chegar a 40.

Os exemplos podem parecer simples, mas para hospitais beneficentes que estavam sem meta e sem saber como captar de forma eficiente é um avanço significativo.

No Vale do Paraíba, a Santa Casa de Misericórdia de Jacareí está se profissionalizando. Antes, não fazia captação de recursos. Com as orientações dos consultores, elaborou e implantou projeto de reestruturação das alas masculina e feminina com pintura de parede e compra de equipamentos. Além disso, obteve 100% de adesão no projeto Adote Um Leito na ala de Pediatria que passara de 12 para 21 leitos.

A Santa Casa de Misericórdia de Adamantina engorda a captação de recursos com o apoio da comunidade vendendo pizza e participando de feira de exposição. São ações que rendem benefícios para pacientes e acompanhantes, como a compra de bebedouro e cadeiras e ainda uma máquina de confecção de crachá para identificar os funcionários.

Na região da Grande São Paulo, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes também adota uma estratégia relevante de captação de recursos e resolveu contratar um profissional especializado. Com isso, está intensificando a visita às empresas da região buscando parcerias.

Há outras dezenas de exemplos menores ou maiores, mas cada um deles é extremamente significativo para as instituições, que buscam, de maneira mais profissional e assertiva, novas formas de seguirem em frente, sem depender completamente do poder público, mas cada vez envolvendo e sensibilizando as suas comunidades.

 

Gigante filantrópica inova ao abordar saúde de um ponto de vista holístico

Inovação radical não é apenas para jovens. A Robert Wood Johnson Foundation, por exemplo, existe há 43 anos e, com U$ 10 bilhões em recursos, é a maior organização a lidar com saúde nos Estados Unidos. Apesar de sua idade e de seu tamanho, a instituição foi audaciosa o bastante para fazer uma mudança radical em sua abordagem. Ao adotar uma perspectiva holística, passou a apoiar programas que focam não só em médicos e remédios, mas também na promoção do bem-estar em diversos âmbitos da vida social para criar uma “cultura de saúde”. A ousadia valeu a pena, e rendeu à Robert Wood Johnson Foundation o título de uma das dez mais inovadoras iniciativas de 2015, segundo a revista Fast Company.

Antes, a fundação tinha uma abordagem tradicional, financiando projetos que promovessem tratamentos melhores e mais baratos para pessoas doentes. Em 2014, no entanto, a organização passou também a lidar com o tema do ponto de vista da saúde pública, de uma maneira mais holística, promovendo o que chama de “cultura da saúde”.

O nome meio enigmático esconde uma ideia muito simples: olhar para os mais diversos fatores que afetam o bem-estar das pessoas. Assim, entraram na mira da organização preocupações como segurança alimentar, moradias de qualidade e até ciclovias nas cidades.

Um exemplo citado pela revista é o programa “Health Leads”, que permite uma abordagem mais holística para tratamentos de saúde. Assim, além de prescrever remédios, os médicos e outros agentes de saúde também recomendam coisas tão diferentes quanto uma alimentação mais saudável ou o uso de sistemas de aquecimento no inverno.

IDIS desenvolve projeto para que Santas Casas conquistem sustentabilidade

Desde o começo do ano o IDIS vem trabalhando num projeto para capacitar representantes de 117 Santas Casas do Estado de São Paulo para captação de recursos e doações. O projeto é feito em parceria com Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes de São Paulo (Fehosp) e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. No total, são 117 Santas Casas ou Hospitais Filantrópicos participantes em todo estado, organizados em 11 grupos, para tornar mais fácil entender a realidade de cada instituição.

A programação das capacitações inclui a realização de 3 oficinas, de 20 horas cada, ministradas por professores convidados e pela equipe do IDIS. Três temas centrais são abordados nos treinamentos: como fazer um diagnóstico da situação de cada hospital e identificar as possíveis pessoas e organizações que podem ser mobilizadas; decidir quais sais as necessidades prioritárias e traçar um plano estratégico para sensibilização da comunidade; e, por fim, como implementar o plano, prevendo os pontos críticos que podem comprometer o sucesso. Entre cada uma das oficinas, cada unidade recebe a visita de equipes do IDIS para um trabalho de coaching que verifica, in loco, como os participantes estão lidando com as ‘lições de casa’ que receberam. A ideia é que cada oficina sirva para retomar e consolidar o conteúdo a partir do que os profissionais encontram na prática.

A primeira rodada de treinamentos começou em janeiro e segue até o fim de março, envolvendo quatro grupos de santas-casas, que se reuniram em quatro municípios: Ourinhos, Votuporanga, São Carlos e Limeira. O segundo grupo receberá capacitação entre os meses de abril e junho, em outros quatro municípios: Araçatuba, Franca, Mogi Guaçu e São José dos Campos. E de julho a setembro, o terceiro grupo, reunindo as cidades de Catanduva, Marília e Marcelina.

Ainda como parte do projeto, será estabelecida uma rede virtual para uso dos hospitais participantes, e para sua interação com a Fehosp. Por meio de uma plataforma, os participantes terão acesso a um espaço virtual para compartilhamento de experiências, documentos de interesse, grupos específicos, realizar fóruns virtuais, postar fotos e vídeos, estabelecer uma sala de bate-papo.

AS SANTAS CASAS HOJE

As Santas Casas e Hospitais Beneficentes são responsáveis por 1/3 do sistema de saúde do País. No Estado de São Paulo, respondem por 33 mil dos 65 mil leitos existentes. Além disso, 70% das unidades estão localizadas em municípios com até 30 mil habitantes, onde, em grande parte, representa a única alternativa de atendimento hospitalar público.

Faz alguns anos que os repasses recebidos do sistema público de Saúde não cobrem as despesas e, diante desta realidade, está cada vez mais difícil para as Santas Casas cumprirem o papel social. Algumas fecharam as portas e muitas estão diminuindo o número de atendimentos para o SUS como forma de atenuar o déficit operacional. A ideia da parceria do IDIS com a Fehosp é criar mecanismos de sustentabilidade para esses hospitais.

Estima-se que as doações no Brasil somam aproximadamente 20 bilhões de reais por ano. A área que mais recebe esse tipo de recurso é a da Educação, e a Saúde aparece em nono lugar, segundo levantamento do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. Por isso, existe uma oportunidade real de que o setor da Saúde possa ser redescoberto como área de interesse para uma crescente filantropia no Brasil.

Uma das principais fontes de financiamento desses hospitais no passado, e que caracterizaram as Santas Casas como verdadeiros hospitais comunitários, foi o apoio da sociedade local para a sua construção, instalação e operação. “Antes de serem integradas ao SUS, as Santas Casas eram sustentadas pelas comunidades locais, que cobravam sua boa gestão”, diz Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS.

A realidade atual é que o apoio comunitário foi diminuindo na medida em que o SUS avançou como principal fonte compradora de serviços. Se a saúde passou a ser um dever constitucional e universal do governo, já não haveria necessidade da participação da comunidade local em seu financiamento. Porém, a conta não fecha.

Sustentabilidade: a Construção de uma Nova Gestão Para as Empresas

As gerentes de Projeto do IDIS, Daniela Saraiva Santos e Mirza Laranja, discutem a constante construção dos termos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Há mais de 20 anos, pesquisadores, estudiosos e organizações multilaterais debatem a aplicação dos conceitos na gestão das empresas.

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A Aderência o Constructo da Sustentabilidade e a Prática das ONGs

Dissertação apresentada por Rosana Kisil à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas propõe um conjunto de critérios para analisar a sintonia entre o constructo da sustentabilidade e a prática de ONGs. Entende-se por constructo um conjunto de conceitos que, juntos, oferecem uma imagem ou idéia que não pode ser diretamente observada, mas, apenas indiretamente, por meio de seus componentes.

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É Hora de Atualizar Nossa Visão de Mundo

Publicado originalmente na revista Alliance Brasil, o artigo de Ben Tuxworth, diretor de comunicações do Forum for the Future, defende que fundações e organizações da sociedade civil renovem sua forma de pensar e passem a enfrentar o desafio da sustentabilidade global. Para ele, é necessário rever as estratégias de doação, dando um enfoque conjunto para as questões ambientais, sociais e econômicas.

Parece que os cientistas e os grupos de pressão finalmente venceram a discussão: mesmo entre os que antes negavam nos EUA, existe uma aceitação relutante de que as mudanças climáticas pode não ser apenas mais um item em uma longa lista de causas duvidosas, mas sim o desafio definitivo para a humanidade no século 21. Como os grandes desafios humanitários e sociais do século passado, a falta de tratamento das mudanças climáticas minará inteiramente qualquer progresso social ou econômico de possamos ter. Essa é a maior de todas as falhas do mercado, e infelizmente ela se apresenta em uma época em que a economia baseada no mercado é a única que existe.

Certamente, portanto, os grandes fundos e fundações vão colocar todos os recursos nessa questão. Qual é a vantagem de se microgerenciar os resultados de grupos de desprovidos aqui e ali se a base da sobrevivência universal está ameaçada? É como mover as cadeiras do convés do Titanic.

No entanto, a mudança climática, como outros desafios da sustentabilidade global, não parece emergir como uma grande prioridade para muitas fundações. Ela realmente não se encaixa. Resultado do relacionamento entre pessoas, economia e natureza, ela não pode ser enquadrada como uma questão ambiental, uma vez que suas causas são tudo menos ambientais. O trabalho para tratá-la não se encaixa nas estruturas convencionais de financiamento e não obtém imediatamente o tipo de resultados que os filantropos, velhos e novos, estão cada vez mais buscando. Ao se envolverem no desafio da mudança climática, como em outras questões de sustentabilidade, as fundações precisam renovar sua forma de pensar, seus objetivos e suas estruturas.

Felizmente, existe uma estrutura teórica perfeitamente adequada para o pensamento sobre questões como a mudança climática. O desenvolvimento sustentável tem sido considerado ao longo de pelo menos vinte anos e um número cada vez maior de organizações o usam como uma forma de tratar simultaneamente de questões sociais, econômicas e ambientais.

Eu sugiro que as organizações filantrópicas precisam urgentemente atualizar sua visão de mundo para levar em conta os desafios da sustentabilidade global. Sem esse tipo de enfoque conjunto, as fundações correm diversos riscos. Entre eles está o risco de serem marginalizadas por novos filantropos que não têm uma agenda passada e podem se movimentar com mais rapidez, e o risco de ter suas estratégias de doações minadas pelas suas próprias estratégias de investimento.

No entanto, aplicar os princípios do desenvolvimento sustentável oferece também às fundações a chance de aprimorar radicalmente sua eficácia no tratamento das causas da desigualdade em sua origem, em vez de enfrentar apenas as suas conseqüências sociais.

A primeira etapa deve ser atualizar a missão e o objetivo dos fundos para levar em conta a mudança climática e outros desafios da sustentabilidade global. Essas novas prioridades precisam ser refletidas na revisão das estratégias de doação, com um enfoque conjunto para as questões ambientais, sociais e econômicas. A mudança climática é agora uma prioridade tão premente que defendo uma posição de financiamento que declare que “se este projeto não contribuir para aliviar a mudança climática, nós não o financiaremos”.

As estratégias de investimento também devem ser alinhadas. É relativamente fácil encontrar fundos que têm responsabilidade social e ambiental, e que competem bem com fundos “convencionais” (ou seja, irresponsáveis). Por que então não usá-los? Essa pode ser a maior alavanca que as fundações têm para tratar de seus objetivos filantrópicos. No mínimo, elas poderiam ter certeza de que não estariam levantando dinheiro para combater a pobreza em um país através da criação de pobreza em outro.

Com esses “fatores higiênicos” tratados, a próxima etapa seria alocar parcelas significativas de recursos para tratar explicitamente de estratégias de redução e adaptação para a mudança climática.

Penso que as fundações deveriam agregar seus esforços em uma estrutura compartilhada baseada nos princípios do desenvolvimento sustentável. O Woburn Place Collaborative, no Reino Unido, é um experimento interessante na união de agendas dessa maneira. Embora ainda não tenha tratado da urgência das questões de sustentabilidade, existe potencial para que um grupo de corpos financiadores tenha um enfoque compartilhado no qual mapeiem o desafio e, então, cada um faça contribuições distintas, com um efeito coletivo muito maior.

Com esses blocos construtivos posicionados, acredito que um setor filantrópico rejuvenescido pode ter um papel crucial de liderança em nossa resposta coletiva à mudança climática, iniciando o trabalho vital que nos permitirá encontrar um caminho para o progresso humano.
E-mail: b.tuxworth@forumforthefuture.org.uk.
Fonte:http://www.gife.org.br/alliancebrasil/