Fórum IDIS 2022: importância da colaboração e a evolução da filantropia

Aconteceu em setembro, em São Paulo, a 11ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o evento que busca acelerar soluções por meio das conexões e fomentar a filantropia no país.

Com o tema COLABORAÇÃO, as sessões abordaram assuntos como ESG, transformação territorial, avaliação de impacto, fundos patrimoniais e muito mais. Ao longo do dia, participaram mais de 40 palestrantes do Brasil e internacionais. Estiveram presentes 220 convidados e houve mais de 1.800 visualizações da transmissão ao vivo.

“Foi muito rico poder retornar aos eventos presenciais e promover o Fórum com tantas discussões essenciais para o amadurecimento da filantropia no Brasil”, comentou Paula Fabiani, CEO do IDIS.

VEJA O ÁLBUM DE FOTOS DO EVENTO

Sozinho se vai rápido. Juntos se vai longe e ainda mais rápido

A abertura do evento teve a participação de Celso Athayde (CUFA), Mônica Sodré (RAPS), Neil Heslop (CAF) e Atila Roque (Fundação Ford). Representantes da sociedade civil, abordaram a importância da colaboração para encontrarmos respostas aos desafios que temos como sociedade e qual é o caminho que, idealmente, devemos percorrer.

A mesa ‘Sozinho se vai rápido. Juntos se vai longe e ainda mais rápido’, logo de cara, já deu tom ao evento que, em toda sua programação buscou diferentes olhares para a colaboração. Celso Athayde destacou o papel fundamental da colaboração em ambientes de desigualdade social, pois “é isso o que mantém a população persistente e evoluindo”. Nesse sentido, a filantropia também possui o papel de viabilizadora desse impacto.

Os palestrantes destacaram que a honestidade, diversidade e empatia são valores necessários para que o trabalho em colaboração seja efetivo, além é claro de um foco real em alcançar objetivos concretos e de longo prazo.

 Assista ao debate:

Ainda trazendo um olhar amplo sobre o tema, Ana Buchaim (B3); Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza e Grupo Mulheres do Brasil); Marcílio Pousada (RaiaDrogasil) e Rodrigo Pipponzi (Grupo MOL e Movimento 1% Brasil) trouxeram a perspectiva coorporativa.

Na plenária ‘ESG: empresas colaborando contra a desigualdade’, o destaque entre os palestrantes foi o debate sobre a importância de as companhias assumirem publicamente compromissos com a sociedade. “É impressionante a força de uma empresa quando elas abraçam uma causa para valer”, destacou Luiza Helena Trajano, e ainda realçou o quanto ainda precisamos estar atentos aos resultados da crise que enfrentamos por conta da Covid-19. “Nós não entendemos ainda o que a Covid fez com a sociedade. O perfil profissional, o perfil das empresas, do consumidor, as prioridades das pessoas“, comentou.

A programação teve ainda a participação dos vencedores de 2021 do ‘Prêmio Empreendedor Social’ da Folha de S. Paulo, que puderam apresentar suas iniciativas e propósitos de atuação. Infelizmente, Stellinha Moraes, da organização Anjos da Tia Stellinha teve um problema de saúde e não pode estar presente.

Conheça um pouco da história de cada um:

Causas e temas

Os participantes do Fórum tiveram a oportunidade de também mergulhar em assuntos mais específicos e, durante a programação, em alguns momentos, puderam se dividir conforme seus interesses.

Assuntos relacionados ao meio ambiente foram abordados em dois momentos distintos, com chamados diretos à ação da comunidade filantrópica.  A bióloga e ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Terixeira, destacou os desafios contemporâneos e os desafios globais que dizem respeito ao meio ambiente e a luta pela redução das desigualdades. “A filantropia tem um papel estruturante e estratégico, que pode nos levar à situação de sair do greenwishing para o greendoing”. A atriz e ativista ambiental Christiane Torloni, por sua vez, trouxe uma mensagem forte, compartilhando o significado da palavra “florestania”. Contou suas ações em prol do meio ambiente e convocou os participantes a agir.

Para debater como o desenvolvimento sistêmico de um território é mais potente e mais longevo com o engajamento da comunidade, subiram ao palco Agustín Landa (Lanza e Alliance Magazine), Fernanda Bombardi (ICE – Instituto de Cidadania Empresarial) e Hermes de Sousa (Instituto Cacimba); moderados por Lúcia Dellagnelo (ICOM e CIEB).

O painel destacou como o modelo de institutos e fundações comunitárias pode contribuir para fortalecer os atores locais ao estabelecer vínculos com públicos externos, fomentando a colaboração, criando conexões de impacto e fomentando uma cultura de doação e colaboração local. Também foi abordado o contexto dos investimentos de impacto, que levam a força dos negócios de impacto para apoiar o desenvolvimento de um território, demonstrando que com a colaboração é possível ajudar e construir mudanças perenes em territórios com grandes vulnerabilidades.

A sessão ‘Cultura Avaliativa: gestão estratégica para impacto positivo’, por sua vez, discutiu os benefícios e desafios das avaliações de impacto como parte integrante da cultura das organizações, trazendo o ponto de vista de financiadores e projetos beneficiados.

Louize Oliveira, do Instituto Sicoob e uma das palestrantes da mesa destacou que o processo avaliativo foi muito rico para a empresa e todos os stakeholders envolvidos em suas iniciativas sociais.  “Durante todo o percurso avaliativo notamos que o ganho de valor estava além da mensuração do impacto gerado, bastante importante, mas também na geração de conhecimento e reconstrução dos processos do que a empresa já vem fazendo”.

O evento trouxe também o debate sobre novas formas de doação e filantropia e de que maneira o mercado vem inovando nesse sentido. As mesas ‘Plataformas amplificando impacto’ e ‘Fundos filantrópicos: colaboração multissetorial’ trataram disso.

A primeira apresentou diferentes perspectivas, formatos e plataformas, e como eles podem gerar um ambiente favorável para a colaboração e doação. Com a participação de Flavia Rosso (iFood), João Paulo Pacífico (Grupo GAIA) e Mafoane (Meta) e mediados por Carlos Pignatari (Ambev) os convidados ressaltaram o quanto as alternativas de modelos de financiamento para a atuação filantrópica são necessárias para evoluirmos no impacto social.

No painel de Fundos Filantrópicos: colaboração multissetorial, o debate girou em torno da conceitualização da temática, trazendo exemplos de diferentes arranjos que contribuem para a sustentabilidade de causas e organizações apresentando cases dos palestrantes que já trabalham com o mecanismo. Mediados por Renata Biselli (Santander), estiveram na mesa Daniela Grelin (Instituto Avon), Fabio Lesbaupin (Estímulo 2020) e Osmar Lima (BNDES)

A interação e as conversas se intensificaram durante o almoço, quando 18 especialistas foram anfitriões de mesas temáticas. Entre os temas debatidos, a equidade racial, ações para o atingimento dos ODSs, estratégias para a filantropia familiar, mecanismos de resposta à situações emergenciais, criptofilantropia, e muito mais.

Interpretação do passado e olhares para o futuro

A entrevistada da tradicional sessão “Em conversa com…” foi Sonali Patel, sócia do Bridgespan, grupo responsável por intermediar a doação de USD 17 milhões de MacKenzie Scott a 16 organizações brasileiras, em março deste ano. Sonali abordou  as mudanças que tem observado na forma como os filantropos estão fazendo seus investimentos sociais. Ela acredita que a colaboração entre filantropos vem crescendo – eles trocam conhecimento e confiam mais nas organizações onde fazem seus investimentos.

Cassio França (GIFE), Giovanni Harvey (Fundo Baobá para Equidade Racial), Donzelina Barroso (Rockfeller Philanthropy Advisors) e Georgia Pessoa (Instituto Humanize) trouxeram o debate de como, no ecossistema filantrópico, há entes que contribuem para acelerar e potencializar interações, criando as condições mais favoráveis para ações transformadoras. Metodologias e mecanismos fortes possuem esse importante papel.

“Os negócios como eram feitos já não funcionam mais. Isso exige uma mudança de mentalidade e habilidades para que doadores, filantropos e instituições possam colaborar de forma estratégica e sistêmica”, destacou Donzelina na mesa ‘Metodologias e redes para o fortalecimento da filantropia’.

Fechando a programação do dia, Atti Worku (African Visionary Fund), Carola Matarazzo (Movimento Bem Maior), Matthew Bishop (Catalyst 2030) e Benjamin Bellegy (WINGS), abordaram ‘Desafios e perspectivas para a filantropia sob a ótica da colaboração’.

“Os negócios estão aprendendo a colaborar melhor em prol do impacto social, mesmo no mercado competitivo”, destacou Matthew; “Acredito que todas as instituições atualmente precisam estar muito atentas a qual seu propósito, seus objetivos claros e responsabilidade. Demonstrando que a entrega não é apenas material, mas que pensa no impacto positivo para a sociedade”, acrescentou.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é uma realização do IDIS com parceria do Global Philanthropy Forum e a CAF – Charities Aid Foundation. Esta edição teve apoio prata da Ford Foundation; apoio bronze de Ambev, B3 Social, BNP Paribas Asset Management, Fundação Arymax, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Movimento Bem Maior, Raia Drogasil e Santander. A revista Alliance foi a parceria de mídia.

IDIS está entre as primeiras organizações do mundo certificadas pela CAF America

A credencial digital é uma iniciativa da representante norte americana da Charities Aid Foundation; o objetivo é validar OSCs do mundo para receberem investimentos estadunidenses

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social é o representante no Brasil, desde 2005, da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica dedicada à filantropia e com mais de 90 anos de experiência. A CAF apoia doadores – indivíduos, grandes doadores e empresas – a obter o maior impacto possível a partir de suas doações.

 

Em dezembro de 2021, o IDIS recebeu da CAF America, um dos escritórios parceiros da rede CAF International, um inédito selo digital, que reconhece sua idoneidade e trabalho exemplar realizado no Brasil. A certificação representa a investidores norte-americanos a segurança de que somos uma organização da sociedade civil sólida e avaliada em relação a risco de fraude, lavagem de dinheiro ou outras atividades ilícitas.

 

Com o objetivo de crescer o número de organizações validadas internacionalmente, a CAF America contará com o envolvimento de parceiros locais. Com vasta experiência neste tipo de validações de OSCs no Brasil, o IDIS, a partir de seu escritório em São Paulo, se envolverá neste processo como agente validador, atendendo também os clientes internacionais da CAF que atuam na região e oferecendo serviços globais aos investidores sociais privados brasileiros.

 

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IDIS oferece capacitação em Captação de Recursos

 

Aconteceu em maio a oficina de capacitação em captação de recursos aos finalistas e vencedores do Prêmio Empreendedor Social, iniciativa da Folha de São Paulo. Oferecida pelo IDIS, tem o objetivo de fortalecer os projetos e trazer uma visão estratégica a esta área tão relevante para a sustentabilidade das organizações. Estiveram presentes representantes do Mapa Educação, Fast Food da Política, Vai de Courri, Editora Mol e Simbiose Social.

O IDIS é parceiro do Prêmio Empreendedor Social, promovido também pela Fundação Schwab, que busca selecionar, premiar e fomentar os líderes socioambientais mais empreendedores do Brasil, que desenvolvam iniciativas inovadoras, sustentáveis e com impacto socioambiental positivo.

Todos os participantes avaliaram muito bem a capacitação e ao serem perguntados sobre o que mais lhes agradou, afirmaram ser os conceitos abordados, as dicas práticas e a condução da aula.

E quando questionados sobre o que não gostaram, todos disseram que lamentaram que o treinamento tivesse curta duração porque queriam permanecer mais tempo para se aprofundar nos conteúdos.

Além da capacitação, o IDIS oferece para os vencedores a oportunidade de apresentarem seus projetos e organizações no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, em uma plenária exclusiva.

O IDIS parabeniza a todos os vencedores e finalistas desse prêmio, assim como a Folha de S.Paulo e Fundação Schwab pela iniciativa!

Atores sociais de Paracatu são capacitados no tema de mobilização de recursos

Localizada no noroeste mineiro, a cidade de Paracatu foi fundada na primeira metade do século XVIII em pleno ciclo do ouro. O declínio da exploração do metal provocou a decadência econômica da localidade, mas com a construção de Brasília a região tomou novo impulso. Atualmente, com cerca de 85 mil habitantes, Paracatu destaca-se por ser um importante polo de mineração – após a descoberta de novas reservas do minério – e orgulha-se de sua gente hospitaleira e da sua tradição cultural.

Em setembro e em outubro, o IDIS esteve na cidade realizando, primeiramente, um estudo de cenário e, na sequência, o primeiro módulo de um ciclo de capacitações dos atores sociais locais no tema Captação e Diversificação de Fontes de Recursos. As ações fazem parte de um projeto realizado pelo IDIS em parceria com a Kinross Gold, mineradora canadense com unidade de extração na cidade, cujo objetivo é fortalecer a comunidade contribuindo para o desenvolvimento local.

Ao todo serão três módulos de formação para os representantes de organizações sociais e dois módulos para representantes do poder público municipal. Cada módulo ocorre ao longo de dois dias de encontro. O conteúdo é baseado nas informações colhidas pelo IDIS durante a visita de campo, ocorrida em setembro, quando a equipe do IDIS entrevistou 28 pessoas para mapear desafios e oportunidades de atuação.

“Um total de 70% dos entrevistados apontou a captação de recursos como o principal desafio das organizações da sociedade civil”, informa Olivia Castelo Branco, trainee de Projetos do IDIS e integrante da equipe de campo que realizou o diagnóstico. Os dois ativos mais citados pelos entrevistados foram a cultura de Paracatu: 48% falaram foi um dos sobre a riqueza cultural do município e acreditam que ela precisa ser mais valorizada pelos habitantes, assim como a possibilidade de explorar o turismo local (também apontada por 48% dos entrevistados).

Tendo essas informações em mãos, o IDIS preparou um ciclo de formação sobre mobilização de recursos e elaboração de projetos. Os próximos encontros serão em novembro e dezembro. Após essa etapa, o IDIS fará acompanhamento à distância dos participantes, para sanar dúvidas e apoiá-los no desenvolvimento dos projetos propostos durante as capacitações. “O planejamento da mobilização de recursos deve iniciar-se através de um diagnóstico das organizações. Por isso, instigamos as organizações a refletir sobre causa, missão e valores”, esclarece Marcela Bernardi, coordenadora de Projetos do IDIS.

Outra ação do projeto será a realização de palestras com possíveis investidores locais, programadas para dezembro. “Queremos alcançar todos os ativos para o desenvolvimento local: preparamos as organizações sociais para elaborarem projetos e acessarem novas fontes de recursos públicos ou privados, capacitamos o poder público para aperfeiçoar a elaboração de projetos e de editais, ressaltamos a importância do trabalho em rede e em parcerias ou em forma de convênios e, por fim, os investidores locais serão chamados para participarem desse processo de desenvolvimento do município. Eles podem apoiar projetos via recursos incentivados”, explica Marcela Bernardi.

Terceira edição do programa RenovAção anuncia vencedores

Em 1974, um grupo de professores e alunos da Universidade de São Paulo (USP) foi para o Campo Limpo – um dos bairros mais pobres e violentos da cidade – levar recreação e aulas de reforço escolar para as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. As atividades eram ao ar livre, geralmente em uma rua fechada ao trânsito de carros. Era inverno e a garotada usava touca para se proteger do frio.

Assim, surgiu o nome Turma Touca, uma das duas organizações vencedoras do programa RenovAção, promovido pelo Instituto Cyrela com apoio técnico do IDIS. Realizado anualmente, a iniciativa premia, com o financiamento de reformas e construções, as entidades que desenvolvem importantes ações sociais. Em sua terceira edição, o RenovAção recebeu 91 inscrições dos três municípios contemplados pelo edital – São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A outra vencedora foi o Centro de Assistência e Promoção Social (CAPS) Nosso Lar, também de São Paulo, que atende por dia cerca de 4,2 mil moradores da capital paulista com idade de 0 a 59 anos.

O projeto premiado da Turma da Touca é a ampliação de uma sala para a construção de um fraldário, nos parâmetros da norma Padrões Básicos de Qualidade da Educação Infantil Paulistana, da Prefeitura de São Paulo. A instituição quer oferecer atendimento a 36 bebês de 1 a 2 anos. A reforma visa adequar o espaço para a faixa etária, qualificando o acolhimento. A organização atende ainda jovens e adultos em projetos de inclusão social e promoção de cultura. Sua missão é resgatar a cidadania, a dignidade e a melhoria da vida da criança, do jovem e do adulto da periferia de São Paulo com a certeza de que a solidariedade faz a diferença.

Atuar na comunidade com pessoas em situação de vulnerabilidade social também é o trabalho realizado pelo CAPS Nosso Lar, fundado no ano de 1991 e que atualmente possui 24 unidades de atendimento na zona leste de São Paulo. Uma dessas unidades é o Centro Nosso Lar de Educação Profissional (CENLEP) que oferece formação para 600 jovens e adultos. O projeto premiado pelo Instituto Cyrela vai implantar um sistema de refrigeração em três laboratórios de informática e na sala de multimídia, com o intuito de reduzir a manutenção e a reposição dos computadores por conta de superaquecimento e proporcionar maior conforto aos alunos do centro.

“Ter sido contemplada por esse edital vai possibilitar fortalecer nossas ações junto à comunidade local. Sensibilizados com a carência de vagas e ao encontro de nossa missão – mesmo sabendo que não é de nossa responsabilidade o controle de vagas – é dever da nossa instituição contribuir com a redução da enorme demanda de berçário em nossa região. Agradecemos ao IDIS e ao Instituto Cyrela por escolherem com responsabilidade o nosso projeto”, declara Sheila Brunelli, gerente geral da Turma da Touca.

26Desde a primeira edição do programa RenovAção, o IDIS é o responsável pela elaboração do regulamento, pelo recebimento das inscrições e pela organização da banca examinadora de seleção dos finalistas e ainda pelo monitoramento da aplicação do recurso recebido pelas organizações vencedoras. Os projetos vencedores devem iniciar os trabalhos de melhoria de infraestrutura a partir do mês de agosto.

Projeto Envolver destinará R$ 100 mil para organização da região da Bela Vista, em São Paulo

EnvolverO Instituto Cyrela Commercial Properties (Instituto CPP), com o apoio técnico do IDIS, lançou no último dia 18 o Edital 2017 do Projeto Envolver, com o intuito de premiar projetos de organizações da sociedade civil que promovam a transformação social. Neste ano, o Edital selecionará projetos no entorno do Shopping Cidade São Paulo, empreendimento administrado pela Cyrela Commercial Properties. O shopping fica na Avenida Paulista, região da Bela Vista, no município de São Paulo.

O Instituto CCP é uma organização social sem fins lucrativos, ligada ao Grupo Cyrela, responsável pelo desenvolvimento, comercialização e administração de imóveis. O foco de atuação do Instituto é o desenvolvimento das comunidades próximas aos empreendimentos da CCP.

O período de inscrições do Edital vai de 18 de janeiro a 24 de fevereiro. Podem se inscrever organizações da sociedade civil que atuam na região de entorno do shopping e que promovam melhorias na qualidade de vida das pessoas. Os beneficiários do projeto deverão ser pessoas em situação de vulnerabilidade social (independentemente de idade, gênero, raça etc.).

O projeto vencedor receberá o prêmio de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para potencializar sua atuação em um projeto já existente ou em um projeto inédito durante o prazo de até 12 (doze) meses. Para inscrição ou mais informações é preciso acessar o site do Shopping Cidade São Paulo.

Evento apoiado pelo IDIS discutiu a criação de endowments para a área cultural

BNDES

 

Nos anos 90, em meio a um processo de privatizações das empresas públicas, a República Tcheca destinou 1% dos recursos gerados para o estabelecimento de um fundo nacional que financiou a formação de endowments – fundos patrimoniais permanentes – de 73 fundações no país. O fundo patrimonial do Museu do Louvre soma hoje US$ 230 milhões reunidos apenas nos últimos sete anos. O Metropolitan Museum of Art de Nova York possui um fundo patrimonial de US$ 2,7 bilhões investido hoje no mercado financeiro.

Exemplos como esses inspiram uma mudança no meio cultural, empresarial e do mercado financeiro brasileiro. Com esse intuito foi realizado o I Fórum Internacional de Endowments Culturais, apresentado pelo BNDES, criado e realizado pela Levisky Negócios e Cultura em parceria estratégica com a Edelman Significa e com apoio do IDIS e do escritório de advocacia PLKC.

“No Brasil, a criação de fundos patrimoniais é importante para promover a sustentabilidade no longo prazo das organizações da sociedade civil. Um dos obstáculos para a disseminação do endowment é a falta de uma legislação específica que facilite sua criação e de incentivos fiscais. O IDIS lidera uma iniciativa de advocacy, trabalhando em rede para promover o desenvolvimento dos fundos patrimoniais no país”, informa a diretora presidente do IDIS, Paula Fabiani.

O Fórum foi realizado nos dias 17 e 18 de novembro no Rio de Janeiro e reuniu representantes do mercado financeiro, governos, gestores de importantes equipamentos públicos e estudiosos para debater como o Brasil pode entrar no ciclo virtuoso dos fundos patrimoniais de longo prazo para a área cultural. Eles participaram de um debate precedido de apresentação de um estudo realizado especialmente para o evento.

Por meio de entrevistas com importantes atores desse mercado, consultoria jurídica e coletas de dados secundários, o estudo apontou algumas questões como, por exemplo, a insegurança do mercado quanto à transparência da gestão das instituições culturais e o medo de se associar a um equipamento que está em constante crise. Por outro lado, o diagnóstico apontou que há compreensão da urgência na formação desses fundos e uma expectativa de que eles contribuam para o melhor planejamento e gestão das instituições.

Foi apresentado ainda o cenário da situação brasileira do ponto de vista jurídico e financeiro. A atual legislação já permite a formação de endowments para instituições particulares, mas não públicas. Daí a proliferação de associações de amigos e outros que permitem essa captação. Fica clara a necessidade de um ambiente legal mais seguro, mas também a preocupação em não engessar o processo. Já existem dois projetos de lei tramitando no Congresso que precisam entrar na pauta para posterior votação.

O Fórum apontou ainda algumas recomendações relacionadas aos temas da cultura de doação; governança; diversificação das fontes de recursos; regulação e tributação com o intuito de facilitar a criação dos fundos patrimoniais – além de sugerir um passo a passo para a sua estruturação.

“Essa é uma agenda importante para o BNDES. Devemos evoluir do modelo atual de dependência do governo ou de patrocinadores institucionais para um formato mais autossustentável, no qual as instituições busquem incrementar a geração de receitas próprias (de bilheteria, venda de produtos, prestação de serviços) e a atração de novos recursos. O endowment é um modelo consagrado em outros países e pode, com a devida governança, atrair inclusive recursos internacionais de filantropia para o país”, disse a presidenta do BNDES, Maria Silvia Marques.

Segundo Ricardo Levisky, idealizador do evento, a gestão cultural no Brasil ainda se organiza por um raciocínio de curto prazo, dependente da sazonalidade de incentivos públicos e privados que garantam a sobrevida de suas instituições. “Buscamos com esse movimento engajar todos os atores envolvidos no processo e efetivamente elaborar o caminho para a constituição de endowments, que podem assegurar a sustentabilidade financeira e excelência das nossas instituições culturais e artísticas, não apenas no presente, mas também como um legado”, afirma.

O I Fórum Internacional de Endowments Culturais teve patrocínio do BNDES, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal.

Sobre Endowments

Muito difundida no exterior, a prática de criar e gerir fundos patrimoniais permanentes para garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo de instituições culturais ainda é rara no Brasil. Nos Estados Unidos é uma realidade e é responsável por parte do financiamento de atividades de equipamentos como a Smithsonian Institution (Washington), a Art Institute of Chicago ou a Boston Symphony Orchestra. Na Inglaterra e na Itália, por exemplo parte dos recursos levantados pela loteria é destinado para fundos de endowment. Outros fundos são criados por doações particulares, de empresas e até dentro de processos de privatização, entre outras fontes de recursos que a pesquisa apontará.

Os endowments têm recursos próprios e são geridos como os fundos de investimento disponíveis no mercado financeiro e dentro das regras legais de mensalmente para a instituição para ajudar na sua manutenção e desenvolvimento de projetos, dentro de um limite predefinido. E o principal do fundo é preservado, sem retiradas, salvo alguma exceção.

IDIS lança segunda parte da Pesquisa Doação Brasil

2016-08-18 10.15.01No dia 18 de agosto, o IDIS divulgou novos dados da Pesquisa Doação Brasil em uma Roda de Conversa realizada no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo. O foco foi o relacionamento dos brasileiros com as organizações não governamentais (ONGs). Entre os dados revelados estão que 71% da população entende que as ONGs dependem de doações para obter recursos e funcionar e 44% concorda que essas instituições fazem um trabalho competente. Porém, apenas 26% dos entrevistados acham que a maioria das ONGs é confiável.

A pesquisa mostrou ainda que 64% dos doadores contribui apenas para uma instituição, sendo que 39% dos doadores já visitou pessoalmente a organização para a qual doa. A fidelidade se destaca neste item, já que 70% dos doadores disse que costuma doar sempre para a mesma ONG, ano após ano. Em 2015, as doações individuais dos brasileiros totalizaram R$ 13,7 bilhões – valor que corresponde a 0,23% do PIB do Brasil.

Quase dois terços dos entrevistados (61%) afirmam que as ONGs insistem demais ao pedir doações e 64% acreditam que ao se fazer uma doação, corre-se o risco de ser procurado por outras organizações. O levantamento serve de orientação para o trabalho dessas instituições, já que as pessoas deixaram bem claro rejeitar abordagens em domicílio e locais públicos.

“A pesquisa mostra que os brasileiros entendem a importância e valorizam o trabalho das ONGs, mas elas, como muitas outras instituições, acabaram se contaminando pela onda de escândalos e desconfiança que atinge o Brasil”, avalia Paula Fabiani, presidente do IDIS.

Estiveram presentes na Roda de Conversa cerca de 70 pessoas, representantes de organizações sociais que atuam nas mais diversas áreas. A pesquisa mapeou os hábitos de doação dos indivíduos e foi realizada sob encomenda pelo Instituto Gallup, que conversou com mais de dois mil entrevistados em todo país, com 18 anos ou mais, residentes em áreas urbanas e com renda familiar mensal a partir de um salário mínimo.

A Pesquisa Doação Brasil é uma iniciativa coordenada pelo IDIS, em parceria com um grupo de especialistas e atores relevantes para o campo da cultura de doação no Brasil. Uma sequência de encontros de trabalho foi realizada envolvendo representantes de organizações da sociedade civil, universidades, mídia, fundações e redes e associações de classe ligadas aos temas de cultura de doação e captação de recursos.

A íntegra da Pesquisa Doação Brasil está disponível no site do IDIS, no endereço www.idis.org.br/pesquisadoacaobrasil.

IDIS realiza capacitações com organizações de municípios mineiros

Dom joaquim 1Em julho consultores do IDIS reuniram-se com organizações não governamentais dos municípios mineiros de Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim e Serro. A atividade é parte do projeto Fortalecimento da Sociedade Civil dos Municípios da Região da Mina executado pelo IDIS no âmbito do Germinar – programa social desenvolvido pela Anglo American nas cidades de influência direta e indireta do Sistema Minas-Rio. O empreendimento inclui uma mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas; mineroduto com 529 km de extensão e que atravessa 33 municípios mineiros e fluminenses; e o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, no qual a Anglo American é parceira da Prumo Logística com 50% de participação, localizado em São João da Barra (RJ).

Foram realizadas oficinas de um dia e meio em cada uma das cidades com o objetivo de desenvolver a capacidade das ONGs de elaborar um plano de mobilização de recursos alinhado à sua estratégia de ação. A atividade é dividida em duas etapas: na parte teórica são apresentados os elementos que devem fazer parte de um plano de mobilização de recursos (Abordagem e Conversão, Programa de Doação, Cultivo e Relacionamento, Comunicação, Cronograma de Atividades, Back-Office e Infraestrutura, Orçamento e Metas e Indicadores). “E na parte prática fazemos juntos um exercício passo-a-passo de desenvolvimento do plano de mobilização”, explica Raquel Coimbra, diretora de Projetos do IDIS. Essas oficinas são a finalização do ciclo de capacitações do programa Germinar.

Em 2015 o IDIS também apoiou a Anglo American na fase inicial do programa Germinar realizando o diagnóstico local utilizando a metodologia ‘Desenvolvimento Comunitário baseado nos Talentos e Recursos Locais – ABCD (Asset-Based Community Development)’. Na ocasião os consultores do IDIS mapearam 84 organizações atuantes nessas localidades, que participaram de uma capacitação composta de três ciclos: elaboração de projetos sociais, gestão desses projetos e captação de recursos via leis de incentivo fiscal.

Equipe do IDIS recebe formação sobre o Marco Regulatório do Terceiro Setor

IMG_20160420_092152590_HDREm abril a equipe do IDIS assistiu a uma aula sobre as recentes alterações na legislação do Terceiro Setor conhecida como o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (OSC). A aula foi ministrada pela advogada Priscila Pasqualin Afonso de Souza na sede da PLKC Advogados.

Aprovada em dezembro de 2015, a Lei 13.204/2015 trouxe importantes alterações ao texto da Lei 13.019/2014 – que trata das parcerias entre Poder Público e OSCs – e também altera outras leis, com relevantes impactos para as organizações. Com sua nova redação, a Lei 13.019/2015 entrou em vigor em 23 de janeiro de 2016 nos âmbitos da União, Estados e Distrito Federal. Para os Municípios, porém, foi estabelecido o início de sua vigência para 1° de janeiro de 2017.

A aula destacou algumas das principais mudanças trazidas pela nova legislação. Uma delas foi a ampliação do conceito de OSC para efeito da lei, que passa a se aplicar também às parcerias firmadas pelas cooperativas solidárias e pelas organizações religiosas que se dediquem a atividades de cunho social.

De acordo com a advogada, a nova legislação traz novas diretrizes, mas também desafios. Entre desafios estão a priorização do controle de resultado por parte das OSCs e a sensibilização, a capacitação, o aprofundamento e o aperfeiçoamento do trabalho de gestores públicos na implementação de atividades e projetos de interesse público e relevância social com OSC.

Priscila Pasqualin Afonso de Souza é especialista em Direito para o Terceiro Setor, há mais de 15 anos presta assessoria jurídica tributária, societária, contratual e regulatória a organizações sem fins lucrativos. É membro do Conselho Fiscal do IDIS desde 2015.

Paula Fabiani fala sobre cultura de doação na Bandnews FM

Paula 1 _2014A coluna A Política Nossa de Cada De Cada Dia, da rádio BandNews FM, aborda histórias de pessoas e grupos que contribuem para uma sociedade melhor e que vai muito além de exercer o direito do voto.

Na edição do último dia 24 de agosto, a entrevistada da coluna foi Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, que comenta sobre o papel fundamental do setor privado na diminuição das desigualdades.

Apesar dos brasileiros serem considerados solidários, a posição do país ainda está aquém em relação ao hábito de doação para causas sociais, por isso, Paula Fabiani enfatiza a como  é de fundamental importância estabelecer uma cultura de doação no Brasil.

Você pode ouvir a entrevista completa aqui. Confira!

Escoteiras surpreendem com e-commerce

Girl Scout Cookies

Uma das mais populares organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos, as meninas escoteiras, resolveram usar a internet para revitalizar uma antiga tradição: a venda de cookies para levantar fundos para a entidade.

Desde a década de 1930, uma vez por ano as escoteiras percorrem o país para oferecer biscoitos de porta em porta e arrecadar dinheiro. Em 2014, no entanto, elas decidiram que, em vez de bater perna nas ruas, passariam a vender seus biscoitos pela internet. Assim nasceu o e-commerce Digital Cookie, que foi apontado como uma das 10 iniciativas sem fins lucrativos mais inovadoras de 2015 pela revista Fast Company.

O Digital Cookies não é uma simples tentativa de facilitar a vida das escoteiras, mas sim um projeto que visa capacitar as meninas a trabalhar com negócios on-line. Elas são responsáveis por todo o processo, desde a programação do site até as estratégias de marketing. “As escoteiras não são as primeiras a fazerem e-commerce, mas elas devem ser as primeiras a criar um programa de vendas pela internet totalmente feito por garotas”, diz a revista.

As escoteiras, cujo grupo foi criado nos Estados Unidos em 1912, recebem treinamento em webdesign, marketing online, gestão de negócios e relacionamento com consumidores. Além disso, por causa da faixa etária das garotas, elas também aprendem sobre segurança na internet:os sites só atendem consumidores que tenham sido convidados e não fornecem o endereço de onde moram as participantes.

 

 

Tecnologia de coleta de dados e mapeamento para combater ebola

O número de casos de ebola no ano passado foi o maior desde a descoberta da doença, em 1976. A epidemia começou na República da Guiné e logo se espalhou por países próximos, como Serra Leoa, Libéria e Nigéria, nos quais predominam sistemas de saúde precários.

A situação, no entanto, poderia ter sido muito pior se não fosse pelo uso de uma tecnologia de coleta de dados e mapeamento por parte da Direct Relief, organização norte-americana que entrega remédios e equipamentos médicos em regiões pobres. A iniciativa rendeu à instituição o reconhecimento como uma das dez mais iniciativas mais inovadoras do terceiro setor em 2015.

Acostumada a trabalhar em locais de emergência, a Direct Relief recebeu um pedido do governo da Libéria para mapear o avanço do vírus em uma região com baixíssimo acesso a tecnologia. Saber como a enfermidade estava se espalhando era fundamental para planejar ações e evitar ainda mais mortes.

A OSC distribuiu dispositivos GPS para uma organização liberiana e agrupou informações de outras entidades para elaborar um banco de dados georreferenciado sobre o ebola. Graças aos aparelhos, foi possível detectar a incidência em nível detalhado (casa a casa), mostrar como era o avanço territorial da doença, onde estavam os postos de saúde e para onde era necessário enviar auxílio.

O mapeamento permitiu à Direct Relief fazer um trabalho mais eficiente na entrega dos equipamentos clínicos e medicamentos. Ao mesmo tempo, foi um instrumento de transparência para que os doadores pudessem ver com exatidão para onde estavam indo os recursos que haviam repassado.

Trabalhar em rede para potencializar o investimento social privado

Em um cenário de fragmentação de entidades e escassez de recursos, trabalhar em rede é uma das melhores maneiras de impulsionar o investimento social privado.

Mais do que ser instituição que impõe sua visão de mundo, uma organizações da sociedade civil podem cumprir diversos papéis para unir colaboradores estatais e privados em prol de uma causa. Uma publicação do IDIS descreve algumas das possibilidades de engajamento em redes.

O documento, intitulado “A participação de organizações empresariais em redes comunitárias”, mostra formas de participação bem diversas. Desde atuações mais complexas, como a criação dessas iniciativas, até modos menos comprometidos, mas não menos importantes – como o investimento em projetos já em andamento.

As entidades sociais privadas podem, por exemplo, fomentar um grupo de colaboradores. Como diz o texto, “quando uma empresa – ou um instituto ou fundação empresarial – decide incentivar a formação de uma rede comunitária para contribuir com o desenvolvimento de determinada comunidade, ela está assumindo o papel de ‘produtor social’ do processo, isto é, aquele que tem condições econômicas, organizacionais, técnicas e profissionais para viabilizar um processo de desenvolvimento social, neste caso, uma rede”.

O texto destaca que não basta meramente incentivar a criação dos grupos: “Todo produtor social é também membro da rede, na medida em que dela participa, ao agregar conhecimento e disponibilizar ativos. O fato de existirem consultores aplicando metodologias para facilitar a formação da rede não deve diminuir a participação ativa da empresa. Ao contrário, o projeto precisa ser desenvolvido junto com seus representantes”.

De qualquer modo, é possível (e isso ocorre com frequência em projetos bem-sucedidos) que a rede seja assumida pela comunidade. A empresa, nesses casos, faz parte do grupo, mas apenas como integrante, “com atribuições definidas coletivamente”.

Pode-se, também, estabelecer parcerias para apoiar a criação de uma estratégia proposta por outra instituição. Ou investir em uma já existente.

Em qualquer caso, deve-se ter em mente que as redes não são fenômenos passageiros. “Elas aumentam o capital humano e ampliam o capital social, viabilizando a mobilização de recursos em prol da comunidade. Por isso, incluir as redes nas estratégias de investimento social das empresas é uma excelente forma de gerar mais resultados e impacto social”, aponta a publicação do IDIS.

Clique aqui para ler o documento.

IDIS articula apoio de lideranças empresariais brasileiras em carta à ONU

ONG norte-americana Ready Nation envia carta ao Secretário-Geral da ONU, Ban-Ki-moon, pedindo que Primeira Infância tenha espaço próprio nas Metas do Milênio Pós-2015. Lideranças empresariais assinaram a carta, destacando a importância dos cuidados na Primeira Infância para a preparação de uma geração mais saudável e produtiva. O IDIS articulou o apoio de 4 líderes brasileiros que endossaram a carta, junto com outros 47 grandes líderes do mundo todo. Clique aqui para ler a carta.

 

 

IDIS desenvolve projeto para que Santas Casas conquistem sustentabilidade

Desde o começo do ano o IDIS vem trabalhando num projeto para capacitar representantes de 117 Santas Casas do Estado de São Paulo para captação de recursos e doações. O projeto é feito em parceria com Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes de São Paulo (Fehosp) e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. No total, são 117 Santas Casas ou Hospitais Filantrópicos participantes em todo estado, organizados em 11 grupos, para tornar mais fácil entender a realidade de cada instituição.

A programação das capacitações inclui a realização de 3 oficinas, de 20 horas cada, ministradas por professores convidados e pela equipe do IDIS. Três temas centrais são abordados nos treinamentos: como fazer um diagnóstico da situação de cada hospital e identificar as possíveis pessoas e organizações que podem ser mobilizadas; decidir quais sais as necessidades prioritárias e traçar um plano estratégico para sensibilização da comunidade; e, por fim, como implementar o plano, prevendo os pontos críticos que podem comprometer o sucesso. Entre cada uma das oficinas, cada unidade recebe a visita de equipes do IDIS para um trabalho de coaching que verifica, in loco, como os participantes estão lidando com as ‘lições de casa’ que receberam. A ideia é que cada oficina sirva para retomar e consolidar o conteúdo a partir do que os profissionais encontram na prática.

A primeira rodada de treinamentos começou em janeiro e segue até o fim de março, envolvendo quatro grupos de santas-casas, que se reuniram em quatro municípios: Ourinhos, Votuporanga, São Carlos e Limeira. O segundo grupo receberá capacitação entre os meses de abril e junho, em outros quatro municípios: Araçatuba, Franca, Mogi Guaçu e São José dos Campos. E de julho a setembro, o terceiro grupo, reunindo as cidades de Catanduva, Marília e Marcelina.

Ainda como parte do projeto, será estabelecida uma rede virtual para uso dos hospitais participantes, e para sua interação com a Fehosp. Por meio de uma plataforma, os participantes terão acesso a um espaço virtual para compartilhamento de experiências, documentos de interesse, grupos específicos, realizar fóruns virtuais, postar fotos e vídeos, estabelecer uma sala de bate-papo.

AS SANTAS CASAS HOJE

As Santas Casas e Hospitais Beneficentes são responsáveis por 1/3 do sistema de saúde do País. No Estado de São Paulo, respondem por 33 mil dos 65 mil leitos existentes. Além disso, 70% das unidades estão localizadas em municípios com até 30 mil habitantes, onde, em grande parte, representa a única alternativa de atendimento hospitalar público.

Faz alguns anos que os repasses recebidos do sistema público de Saúde não cobrem as despesas e, diante desta realidade, está cada vez mais difícil para as Santas Casas cumprirem o papel social. Algumas fecharam as portas e muitas estão diminuindo o número de atendimentos para o SUS como forma de atenuar o déficit operacional. A ideia da parceria do IDIS com a Fehosp é criar mecanismos de sustentabilidade para esses hospitais.

Estima-se que as doações no Brasil somam aproximadamente 20 bilhões de reais por ano. A área que mais recebe esse tipo de recurso é a da Educação, e a Saúde aparece em nono lugar, segundo levantamento do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. Por isso, existe uma oportunidade real de que o setor da Saúde possa ser redescoberto como área de interesse para uma crescente filantropia no Brasil.

Uma das principais fontes de financiamento desses hospitais no passado, e que caracterizaram as Santas Casas como verdadeiros hospitais comunitários, foi o apoio da sociedade local para a sua construção, instalação e operação. “Antes de serem integradas ao SUS, as Santas Casas eram sustentadas pelas comunidades locais, que cobravam sua boa gestão”, diz Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS.

A realidade atual é que o apoio comunitário foi diminuindo na medida em que o SUS avançou como principal fonte compradora de serviços. Se a saúde passou a ser um dever constitucional e universal do governo, já não haveria necessidade da participação da comunidade local em seu financiamento. Porém, a conta não fecha.

Terceiro setor precisa unificar voz na relação com a imprensa

As organizações não governamentais podem, vez ou outra, aparecer com destaque positivo no noticiário – mas não como conjunto. Embora já encarado como um segmento específico da sociedade, a ponto de frequentemente vir agrupado sob a designação de “terceiro setor”, esse universo quase sempre é retratado de maneira fragmentado pela mídia. Quando o enfoque é setorial, a tendência é que seja negativo. Foi o que ocorreu, por exemplo, no escândalo de 2011 envolvendo convênios com o governo: o problema era restrito a poucas organizações da sociedade civil (OSC), mas todo o campo acabou sob suspeita frente à opinião pública.

Para especialistas, esse é um sinal de que passou da hora de as organizações da sociedade civil terem atuação mais coordenada para falar com a imprensa. “O modo fragmentado do noticiário sobre as OSCs tem relação direta com o modo de operação desse setor, e isso precisa ser repensado”, avalia a jornalista Suzana Varjão, gerente de qualificação de mídia da Andi Comunicação e Direitos, instituição que promove um diálogo mais qualificado entre organizações da sociedade civil e imprensa.

Um estudo da própria Andi respalda a fala de Suzana. Em 2014, a entidade publicou a pesquisa A imprensa brasileira e as organizações da sociedade civil, análise da relação entre os dois atores. Uma das conclusões é que a mídia nacional tem uma visão muito compartimentada do setor social privado, pulverizado em uma miríade de instituições.

“Há uma característica determinante nesse tipo de noticiário, que tem implicações boas e ruins: seu modo individualizado de produção, centrado em organizações ou ações/projetos específicos (82,8% dos textos analisados), em detrimento de registros sobre o funcionamento geral do setor, seus desafios e potencialidades – 9,2%”, diz o relatório.

Cursos
Por ser um campo com conceitos próprios, por vezes falta aos jornalistas entendimento sobre como funciona o setor social privado. Por isso, cursos de formação também ajudam a aprimorar a cobertura jornalística. “Criar cursos seria uma coisa interessante, e nós temos a intenção de explorar mais isso, e promover encontros e discussões sobre o setor dentro das redações”, afirma Vera.

Em 2013, o IDIS ofereceu uma formação gratuita para profissionais de mídia. A capacitação, que durou uma semana, abordou alguns aspectos do investimento social privado, como os fundos patrimoniais e o marketing relacionado à causa. Além disso, lideranças do setor também participaram de conversas com os jornalistas.

“Claro que existem profissionais preparados para cobrir o assunto – e tão gabaritados que vêm participando, com as OSCs, desse processo de retomada do capital ético desse setor fundamental da democracia brasileira. Mas é preciso compreender que as notícias são construídas por atores das duas esferas, e que ambas são extensas e complexas. Nessa perspectiva, são sempre necessárias iniciativas de qualificação de seus atores”, comenta Suzana.

Burocracia, falta de exemplos e de incentivos travam doações no Brasil, dizem investidores sociais

Quais são os principais desafios do investidor social? O site do IDIS fez essa pergunta a duas personalidades da área: Fernando Stickel, diretor da Fundação Stickel, e Denis Minev, um dos fundadores da Fundação Amazonas Sustentável. Entre os pontos mencionados estão burocracia, incentivos legais ainda limitados e falta de doadores que sirvam de exemplo para a sociedade.

Segundo Stickel, faltam incentivos e a questão burocrática é tão grave,  que ele chegou a pensar em desistir do trabalho social depois de dois anos à frente da organização, fundada por seus pais em 1954.  Ele assumiu a entidade em 2004, e avalia que nada mudou nesse sentido desde então.

Já Denis Minev, que faz investimentos sociais variados no Amazonas, estado em que vive, lembra que existem incentivos para temas como cultura, mas faltam ainda normas para estimular, por exemplo, o trabalho voluntário. “Incentivos fiscais são importantes e certamente ajudam um ambiente filantrópico”, comenta.

Stickel diz que é preciso uma legislação que efetivamente fortaleça o investimento social privado. “Tem que implementar várias coisas que são apenas faladas para, assim, mudar o padrão do comportamento”, diz, acrescentando que o projeto de lei para regulamentar os fundos patrimoniais foi um importante passo nessa direção.

Minev ressalta a necessidade de casos que sirvam de modelo para outras pessoas. “A liderança pelo exemplo é, em geral, mais eficiente do que pelo discurso. Precisamos de exemplos de porte como catalisadores. A inclinação geral para doar é baixa.”. Na mesma linha, Stickel diz que as “instituições sérias que recebem doações e conseguem mostrar seu trabalho acabam servindo de exemplo para incentivar a cultura de doação no Brasil”.

Mas ressalta que há problemas também no modo de pensar da elite. “Acredita-se que é suficiente pagar impostos, e o governo deve cuidar do resto”, afirma Minev. “Nossas elites não têm bom conhecimento de nossa própria sociedade. A classe A se isolou, a distância entre as classes é grande e impede a formação de empatia social.”

Stickel, porém, vê alguns avanços importantes. “O terceiro setor tem se movimentado mais, há várias iniciativas interessantes de entidades como o Gife e o IDIS, que estão realizando encontros e também têm pressionado o governo para que se façam mudanças que beneficiem o setor”.

Pesquisa Aponta que 1/4 de Brasileiros doa Dinheiro para Organizações Sociais

14/9/2010 – O World Giving Index, o estudo mais abrangente já realizado sobre doação no mundo, publicado hoje pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e Charities Aid Foundation (CAF), aponta que um quarto dos brasileiros doou dinheiro para as organizações sociais no último mês. (pesquisa disponível apenas em inglês)

Clique aqui para obter o arquivo

 

 

Mais de 90% das Organizações Avaliam Projetos, Aponta Levantamento

Pesquisa do Instituto Fonte com a Fundação Itaú Social indica que, nos últimos 5 anos, 91% das organizações brasileiras da sociedade civil que atuam com projetos sociais utilizaram a avaliação como ferramentas de análise de suas iniciativas.

O estudo A Avaliação de Programas e Projetos Sociais de ONGs no Brasil foi realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pelo Ibope Inteligência entre os meses de julho e setembro de 2009 junto a 363 instituições.

O objetivo foi de mapear quanto e como as organizações brasileiras avaliam seus projetos e conhecer motivações, desafios e tendências no setor. A amostra abrange todas as regiões do país e seu perfil foi selecionado com base nos critérios da pesquisa Fundações e Associações Privadas sem Fins Lucrativos no Brasil (Fasfil), de 2005, e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do governo federal.

As instituições responderam a um questionário estruturado de autopreenchimento pela Internet, dividido em dois blocos: o primeiro com perguntas gerais e o segundo com questões para as instituições que afirmaram ter feito ao menos avaliação de um projeto – formando uma base de 574 projetos analisados.

A maioria das organizações (53%) do universo pesquisado concentra-se na região Sudeste, possui até 9 colaboradores (63%) e 76% se formaram a partir de 1991. Mais da metade (58%) são apenas executores de projetos.

O estudo mostra que 80% das instituições consideram a avaliação uma ferramenta muito importante e que 96% pretendem utilizá-la para realizar análises futuras de seus projetos. No questionário, a maioria (79%) considerou que um dos atributos da avaliação é ser parte essencial do processo de planejamento estratégico, além de ajudar a melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo projeto (77%).

Contudo, a análise dos dados indica que 33% dos pesquisados ainda usufruem do modelo apenas como uma ferramenta de promoção dos projetos – para promovê-los positivamente ou empregar os resultados para atrair financiadores e recursos.

Porém, o número não é tão distante do total de instituições que a utilizam como ferramenta estratégica: 26% procuram usar os resultados da avaliação como meio para tomar decisões e melhorar a qualidade dos serviços.

A partir de todas as informações, os analistas concluem que mesmo não sendo mais necessário advogar sobre a importância de se avaliar projetos sociais, é significativo observar que sua finalidade vai além. Quando o foco é no processo, a avaliação potencializa o compartilhamento de saberes entre toda a equipe, que, posteriormente, poderá aplicar os aprendizados em potenciais mudanças. É uma mudança de postura.

A íntegra do relatório da pesquisa está disponível nos sites do Instituto Fonte e da Fundação Itaú Social.

O Que Consta em um Projeto Social?

Confira neste roteiro básico elaborado por Carla Cabrera, gerente de projetos do IDIS, que rubricas e informações devem estar presentes em um projeto desenvolvido por uma organização da sociedade civil. Um projeto é composto de diversos itens que, encadeados, dão sentido, corpo e forma à ideia da organização.

São eles:
1. Identificação e descrição da organização proponente

Apresenta os dados gerais da instituição, como CNPJ, endereço, telefones, site e também um breve histórico da organização, sua missão e principais iniciativas.

2. Identificação dos responsáveis pelo projeto 

Traz nomes, cargos e contatos das pessoas responsáveis pelo projeto.

3. Título

Inclui o nome curto do projeto, que expressa sua finalidade e forma de atuação.

4. Justificativa

Discute o contexto social em que se inserem a organização da sociedade civil e o projeto proposto. Serve para mostrar por que é necessário e prioritário fazer a intervenção proposta pelo projeto.

5. Público-alvo 

Descreve quantos e quem são os beneficiados diretos e indiretos do projeto.

6. Objetivo Geral 

É a razão de ser do projeto. Responde de forma clara e objetiva à questão: “para quem se destina esse projeto e o que ele pretende transformar?”. Este objetivo está diretamente relacionado à justificativa e é genérico. Ele não pode ser assegurado somente pelo sucesso do projeto; depende de outras ações e variáveis. Portanto, expressa o que se quer alcançar em longo prazo, ultrapassando inclusive o tempo de duração do projeto.

7. Objetivos Específicos 

Explica como estarão o público-alvo e o contexto social depois de suas necessidades serem atendidas. Cada objetivo específico retrata uma única mudança na vida do público-alvo. Um objetivo específico é mensurável, atingível num tempo limitado, relacionado às necessidades do público-alvo.

8. Plano de ações 

Mostra o que será feito para que os objetivos específicos se transformem em realidade.

9. Parcerias

Relata se o projeto conta com alianças com o setor público, com a iniciativa privada e/ou com organizações da sociedade civil organizada. Também apresenta o tipo de parceria estabelecida e o papel de cada ator.

10. Avaliação

Apresenta os procedimentos e métodos que serão usados para saber se as atividades estão sendo executadas, consumindo os recursos previstos, e se os objetivos propostos estão sendo atingidos.

11. Cronograma

É a representação gráfica do tempo das ações e das atividades planejadas. Responde quando ocorrerão as atividade previstas no plano de ação durante o período estabelecido para o projeto.

12. Orçamento

Detalha todos os recursos materiais, financeiros e humanos envolvidos no projeto. Pode ser feito mostrando as despesas por tipo ou rubricas tais como, recursos humanos, equipamentos etc. Também podem ser apresentadas por meio de um cronograma físico financeiro que mostra quando as despesas serão efetivadas ao longo do projeto.

13. Equipe

Descreve o grupo de pessoas envolvido no projeto e qual será o papel de cada um.

14. Sustentabilidade (continuidade do projeto)

Pontua as estratégias e os desdobramentos que viabilizarão a continuidade do projeto e de seus resultados.