R$ 1 milhão em matching para desenvolvimento de organizações comunitárias

Com 14 organizações participantes e R$ 1 milhão de reais captados com a Charles Stewart Mott Foundation para matching de recursos locais, o Transformando Territórios está encerrando 2021 com grandes avanços e planos ainda maiores para 2022. O projeto, realizado pelo IDIS, teve início em 2020 com apoio da fundação americana e tem como objetivo fomentar e apoiar o desenvolvimento de fundações e institutos comunitários no Brasil.

Apesar das grandes dificuldades e mudanças causadas pela pandemia da COVID-19 ao longo dos últimos quase dois anos, o Transformando Territórios continuou as atividades junto a um grupo de 20 lideranças interessadas no desenvolvimento de uma organização comunitária em seus territórios, acreditando que este modelo operacional poderá trazer as mudanças e avanços necessários para a filantropia local.

Entre as ações deste ano, estão workshops, palestras, consultorias individuais e em grupo, fortalecendo e apoiando estes líderes para o desenvolvimento destas organizações. Ao todo, 12 encontros foram realizados ao longo do ano e mais de 200 pessoas foram impactadas.

Para fortalecer as organizações participantes do programa, serão disponibilizados o R$ 1 milhão da Mott Foundation. A doação será em formato de matching, ou seja, para cada 1 real captado por estas organizações a Mott Foundation doa 1 real para elas. Entre os doadores locais, estão o Instituto ACP, que selecionou três organizações para receberem aportes financeiros com atividades de desenvolvimento institucional, e pessoas físicas como José Luiz Setúbal, Teresa Bracher e Flavio Bitelman.

TransformandoTerritorios_BeatrizJohannpeterPara disseminar o conceito da filantropia comunitária e engajar doadores, o Transformando Territórios conta com cinco embaixadores: Beatriz Johannpeter, Helena Monteiro, José Luiz Egydio Setúbal, Lúcia Dellagnelo e Maria Alice (Neca) Setúbal. Ao longo do ano, com apoio do IDIS e da Levisky Legado, dois embaixadores e a filantropa Betty Feffer promoveram eventos para um número restrito de convidados, que puderam debater o tema, conhecer exemplos práticos e planejar estratégias de apoio.

Com planos para 2022, além da continuidade das consultorias, palestras e workshops, o IDIS planeja um seminário com as organizações participantes, apoiadores e embaixadores, além da produção de uma publicação sobre a trajetória deste Programa.

Para conhecer mais sobre as organizações, embaixadores e novidades, acesse o site do Programa Transformando Territórios.

IDIS participa de primeiro Simpósio Global de Filantropia

O Simpósio Global de Filantropia, promovido pela Charities Aid Foundation (CAF), reuniu integrantes da sociedade civil que atuam e fortalecem a filantropia em diferentes partes do mundo. O evento aconteceu no dia 9 de novembro ao longo de 19 horas e reuniu representantes de 10 países, sendo eles: África do Sul, Austrália, Brasil, Bulgária, Canadá, Estados Unidos, índia, Inglaterra, Rússia e Turquia. Com o foco em doadores, o encontro abordou não só a tendência internacional como também a percepção local nos diferentes continentes. Dentre os temas debatidos estão a filantropia de impacto, empoderamento negro, confiança e mecanismos de doação internacional. 

Representante da CAF no Brasil, o IDIS marcou presença no Simpósio e conduziu dois debates relevantes para a filantropia brasileira. Aprofundando o tema da colaboração entre empresas e organizações da sociedade civil, a mesa ‘Empresas Grantmakers: impacto social por meio do apoio a OSCs’ contou com a participação de Daniela Grelin, diretora do Instituto Avon, e Paulo Eduardo Batista, diretor executivo do Instituto Mosaic. A conversa foi moderada por Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS. No segundo painel, Eliane Sousa Silva, fundadora e diretora da Redes da Maré e Erika Sanchez, diretora executiva do Instituto ACP foram convidadas para integrar a mesa ‘Transformando Territórios: investimento para o desenvolvimento local’, mediada por Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS.

 

Empresas Grantmakers: impacto social por meio do apoio a OSCs

A preocupação com impacto social tem crescido entre as empresas e as ações voltadas para a transformação social passam a ser pensadas como parte do plano estratégico de crescimento no meio corporativo. O apoio a projetos de organizações da sociedade civil é uma das maneiras pela qual esta dinâmica tem sido organizada. Empresas que apoiam OSCs e/ou financiam projetos sociais já existentes são denominadas grantmakers e para integrar a conversa, convidamos Daniela Grelin do Instituto Avon e Paulo Eduardo Batista do Instituto Mosaic, duas pessoas que estão à frente da atuação social de grandes empresas.

O Instituto Avon atua como uma grantmaker nas causas do câncer de mama buscando levar informação segura e confiável sobre a saúde das mamas a todas as mulheres, e também na violência contra mulheres e meninas por meio da promoção diálogo, estímulo à ação e melhora da qualidade dos serviços oferecidos às mulheres para a construção de relações saudáveis. São quatro os pilares de atuação do Instituto para o empoderamento da mulher: a promoção e divulgação de conhecimento, advocacy, grantmaking e conscientização e engajamento. Daniela enfatizou que um dos requisitos para a transformação social em grande escala é a colaboração. Segundo ela, os entes públicos têm uma atuação muito fragmentada no país e a atuação em rede contribui para suprir esta demanda, destacando para que isso funcione precisa haver confiança mútua entre os colaboradores, que pode ser fortalecida por meio de prestação de contas. 

O Instituto Mosaic é o braço social da Mosaic no Brasil. Ele como missão promover o desenvolvimento mútuo e sustentável nas comunidades, promovendo o bem-estar, a educação de qualidade, a formação de pessoas e o fortalecimento de valores como ética, colaboração e responsabilidade. Paulo contou como se dá essa atuação, começando pelo desenvolvimento local em educação, que promove projetos que envolvem a capacitação de escolas, principalmente professores na primeira infância, seguido dos projetos de reciclagem e alimentação que incentivam a colaboração e o desenvolvimento local. O Edital da Água, projeto que contou com o apoio técnico do IDIS, tem como objetivo promover ações de melhoria da gestão dos recursos hídricos nas comunidades em que a empresa atua. Assim como Daniela, ele também enfatizou a importância do fortalecimento da relação de confiança entre as empresas e as organizações e ressaltou que a prestação de contas não é apenas um relatório, mas também um aprendizado. 

Finalizando, Andra Hanai reforçou: “A relação de confiança construída dos dois lados tem um sucesso maior e potencializa o impacto desse processo”.

 

Transformando Territórios: investimento para o desenvolvimento local

Institutos e fundações comunitárias têm se consolidado cada vez mais internacionalmente como um importante arranjo institucional para o desenvolvimento social e endereçamento das variadas demandas dos territórios. Neste modelo de atuação, o investimento é voltado para uma localidade específica, seja um bairro, uma cidade ou região. Nesse sentido, muitas organizações apostam neste modelo como uma ferramenta de transformação de territórios. 

Eliane Silva, que integrou o painel, está à frente da Redes da Maré, uma instituição da sociedade civil que produz conhecimento, projetos e ações para garantir políticas públicas eficazes para melhorar a vida dos moradores das 16 favelas da Maré, no Rio de Janeiro. Crescida em uma das favelas do Complexo da Maré, Eliane enfatizou que o trabalho coletivo garante a permanência de um trabalho tão robusto quanto o que a organização realiza hoje, em especial o envolvimento da comunidade nos projetos. Falando sobre as ações da organização, ela destacou: “Temos entregas muito concretas, agora temos que pensar nesse estímulo e inspiração para que outros movimentos queiram se engajar, estimular que outras lideranças, outros grupos que querem partilhar de um processo de mudança juntos”.

De acordo com Erika Sanchez, diretora executiva do Instituto ACP, organização que apoia projetos de desenvolvimento organizacional de iniciativas comprometidas em gerar impacto positivo na sociedade, a pandemia trouxe a ação comunitária mais ainda para o centro, pois sua importância ficou evidente e muito clara nas áreas mais vulneráveis do país, comenta. Ela chama atenção para a relevância da construção de relações mais horizontais, da criação de autonomia e confiança na transformação de um território. Para ela, “a sociedade civil brasileira é enorme e tem um papel muito importante nessa construção, por isso a importância de ser fortalecida”. 

O Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS em parceria com a Mott Foundation, surgiu com o objetivo de fortalecer e fomentar institutos e fundações comunitárias no Brasil. Conheça o programa, acesse transformandoterritorios.org.br.

A Charities Aid Foundation (CAF) é uma organização britânica dedicada à filantropia e com mais de 90 anos de experiência. A CAF apoia doadores – indivíduos, grandes doadores e empresas – a obter o maior impacto possível a partir de sua doação. Sua rede global consolidando-se como a maior estrutura de apoio ao investidor social privado, no mundo. Além da sede no Reino Unido, a CAF também atua na África do Sul, Austrália (Good2Give), Brasil (IDIS), Bulgária (BCause), Canadá, Estados Unidos, Índia, Rússia e Turquia (Tusev).

Institutos e fundações comunitárias norteiam conversa no Podcast ‘Aqui se faz, aqui se doa’

O episódio do podcast ‘Aqui se faz, Aqui se doa’ com a participação do IDIS foi voltado para ações e atuação dos institutos e fundações comunitárias, isto é, associações que atuam em prol de um território geográfico limitado, seja este um bairro, uma cidade ou região. Para conhecer mais sobre esse tipo de organização, Eliana Sousa Silva, fundadora e diretora da ONG Redes da Maré, foi entrevistada por Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Roberta Faria, do Instituto Mol. O podcast é uma iniciativa do Instituto Mol e este episódio integra a série especial de participações do IDIS.

Convidada para falar do funcionamento desse modelo de ação na prática, Eliana Sousa Silva contou sobre ações e iniciativas da organização no Complexo da Maré no Rio de Janeiro. Com destaque para a atuação durante o auge da pandemia de COVID-19, foram promovidas ações para a alimentação e pela saúde da população no território.

Confira na íntegra:

“De acordo com o levantamento realizado pelo Community Foundation Atlas, existem mais de 1.800 institutos e fundações comunitárias no mundo e juntas, essas organizações movimentam mais de 5 bilhões de dólares todos os anos. Para fortalecer esse movimento no Brasil, em 2020 o IDIS criou o programa Transformando Territórios, em parceria com a Mott Foundation”, conta Paula sobre o programa Transformando Territórios, criado para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no país.

Saiba mais sobre o programa, acesse transformandoterritorios.org.br

 

 

Beatriz Johannpeter reúne investidores sociais para apresentar Transformando Territórios

Para estimular a filantropia comunitária no Brasil, arranjo institucional para o desenvolvimento social e endereçamento das demandas de territórios específicos, Beatriz Johannpeter reuniu, na Sociedade Hípica Paulista, um pequeno grupo de 12 filantropos e lideranças do ESG no Brasil. O programa é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e da Mott Foundation, destinada para fomentar a criação e o fortalecimento de institutos e fundações comunitárias no País em alinhamento com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e a agenda ESG (Environmental, Social & Governance).

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Modelo consolidado no exterior, que movimenta mais de US$ 5 bilhões ao ano, a filantropia comunitária possui amplo potencial de investimento de empresas nacionais e de filantropos brasileiros, segundo Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Ricardo Levisky, da Levisky Legado, responsáveis pela organização do encontro, que contou com rígido protocolo de segurança COVID 19. Hermes Sousa, líder do grupo de iniciativa de São Miguel Paulista, participante do Transformando Territórios, compartilhou sua experiência.

Institutos e Fundações comunitárias são associações que atuam em prol de um território geográfico delimitado, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto sistêmico para o desenvolvimento da região. São protagonistas da interlocução entre organizações e iniciativas sociais com os doadores, sociedade civil e poder público, promovendo transparência e engajamento. Estas organizações atuam como grantmakers, ou seja, financiam projetos e iniciativas sociais em múltiplas causas para endereçar as demandas e prioridades da região. Além disto, Institutos e Fundações Comunitárias fortalecem o terceiro setor da região com capacitações e apoio técnico, investem na produção de conhecimento e fomentam a cultura de doação no território onde atuam.

Beatriz é voluntaria, mentora, consultora de famílias empresárias na Cambridge Family Enterprise Group-Brasil e diretora do Instituto Helda Gerdau. Em 2021, tornou-se embaixadora do Programa Transformando Territórios, contribuindo para disseminar o conceito e engajar filantropos e investidores sociais nesta causa. Em agosto, o também embaixador Dr. José Luiz Egydio Setubal havia realizado um encontro similar em sua residência.

 

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Para saber mais sobre a iniciativa, acesse: transformandoterritorios.org.br

Instituto Comunitário de Valinhos avança no diagnóstico da região com apoio do IDIS

Com objetivo de estruturar um plano estratégico de ações para o território de Valinhos, cidade da região metropolitana de Campinas, SP, a FEAV – Fórum de Entidades Assistencialistas de Valinhos promoveu um workshop com a participação de lideranças e das 11 entidades de sua rede. A programação acontece dentro do âmbito do Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

A FEAV é uma das 14 organizações participantes do programa e tem avançando rapidamente nas atividades para a formalização de um Instituto Comunitário. No evento, a organização o apresentou o diagnóstico detalhado do mapeamento de demandas e potencialidades do território e das instituições locais, feito com apoio do IDIS, incorporando as sugestões do público. Whilla Castelhano, coordenadora do IDIS no Transformando Territórios, participou também apresentando conceitos e objetivos do Programa.

Workshop FEAV e IDIS - Transformando Territórios

Whilla Castelhano durante Workshop com a FEAV

Entre os próximos passos previstos estão a definição do planejamento estratégico de curto prazo, a partir da priorização de ações, e a definição de um modelo de negócios para que as necessidades sejam endereçadas.

“É preciso conhecer o território de abrangência e verificar os serviços e as demandas apontadas. Agora precisamos avançar, com o envolvimento de todos para que esse projeto se transforme em processo”, destacou Eliane Macari, presidente da FEAV.

Para saber mais sobre o Transformando Territórios e sobre o conceito de Institutos e Fundações Comunitárias, acesse: https://www.idis.org.br/projetos-de-impacto/fundacoes-e-institutos-comunitarios/

Workshop FEAV e IDIS - Transformando Territórios

*As medidas de segurança para a Covid-19 (distanciamento e o uso de máscaras) foram respeitados durante o evento.

 

Veja também: Você já ouviu falar em Institutos e Fundações Comunitárias?

Atuação filantrópica territorial é destaque no Valor

A filantropia comunitária em territórios é um movimento que vem ganhando espaço no país e é destaque no jornal Valor Econômico. Estas iniciativas que visam ampliar a participação individual e fomentar estratégias de longo prazo para a mudança social em territórios estão sendo aprimoradas nos últimos anos. O trabalho coordenado entre ONGs, fundações, associações de ação social, empresas e universidades se mostra muito mais eficiente na transformação social e vem demostrando grande potencial de impacto.

Para Paula Fabiani, CEO do IDIS, os esforços que envolvem o conceito mais amplo de filantropia comunitária, representam uma tendência que veio para ficar. Segundo Paula, “a sociedade entendeu que precisa de soluções integradas e locais”. “Este olhar mais sistêmico e com atuações transversais estimula o surgimento das fundações comunitárias”, ressalta.

A atuação das associações leva em conta as realidades de áreas delimitadas, levantando informações socioeconômicas, promovendo saúde, inclusão produtiva e empreendedorismo. Paula cita como exemplos desse modelo de atuação do ICom – Instituto Comunitário da Grande Florianópolis; o Instituto Comunitário Baixada Maranhense e a Tabôa, associação comunitária criada no sul da Bahia pelo fundador da Natura Guilherme Leal. Todas estas organizações fazem parte do projeto Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

Confira o artigo na íntegra.

 

IDIS recebe especialista em Filantropia Comunitária e visita organizações em diferentes regiões do Brasil

Filantropia Comunitária é um dos temas caros ao IDIS desde sua fundação, e o ano de 2019 pode ser considerado um marco na nossa atuação nesta área, pois foi quando iniciamos o desenho do ‘Programa de Desenvolvimento da Filantropia Comunitária’, em parceria com a Mott Foundation. Sua intenção é fomentar o surgimento de Fundações Comunitárias no País, bem como fortalecer e consolidar as já existentes. Para apoiar este processo, recebemos, em outubro, Alina Porumb, consultora romena com extensa experiência no tema, e que desenvolveu um programa similar em seu país entre 2005 e 2015. Por muito anos, esteve também à frente da ‘ARC – Association for Community Relations’, uma organização que apoiou o surgimento de Fundações Comunitárias na Romênia.
Além de compartilhar com a equipe do IDIS suas vivências e realizar atividades de imersão no tema, Alina fez uma série de visitas a organizações brasileiras que atuam no campo da Filantropia Comunitária, sempre acompanhada por alguém da equipe do IDIS, abarcando parcialmente a diversidade de realidades que encontramos no Brasil.

 

Redes da Maré (RJ)

A visita à organização Redes da Maré, no Rio de Janeiro, realizada com Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, ampliou o conhecimento acerca da difícil e complexa realidade dos 140 mil moradores das 16 favelas do Complexo da Maré e dos corajosos e inspiradores projetos realizados pela organização, com foco na melhoria da qualidade de vida e garantia de direitos da população. Um dos pontos debatidos com Eliana Sousa Silva, Diretora da Redes da Maré, foi a possibilidade de se criar uma Fundação Comunitária neste território, como um meio de atrair recursos de longo prazo para financiamento destes e outros projetos de desenvolvimento local.

 

Tabôa (BA)

A Tabôa é uma organização social que fomenta iniciativas de base comunitária e empreendimentos socioeconômicos em Serra Grande, no sul da Bahia. Essa visita já estava cercada de expectativas pela já reconhecida atuação da organização na região, pelas belezas naturais locais, pelas saborosas diferenças gastronômicas, pela riqueza cultural e pelas mais recentes notícias da chegada do vazamento de óleo, que atingiu diversas localidades no nordeste e sudeste, às praias de Serra Grande. Na visita, realizada com André Lara, gerente de projetos do IDIS, as expectativas foram atingidas. Eles se impressionaram ao ver a mobilização da população local unindo forças em projetos de seu interesse, ao ver habilidades gastronômicas e culturais potencializadas e transformadas em oportunidade de negócio e geração de renda, ao ver de perto o poder de transformação que o engajamento e a organização coletivas podem ter. Ao mesmo tempo, sentiram na pele o impacto brutal de não poder entrar no mar, comer peixes ou mesmo caminhar pelas praias sem estar calçado devido à contaminação por óleo. As raízes da Filantropia Comunitária, que prevê este empoderamento coletivo para resolver problemas em comum estão também direcionadas para a questão ambiental. Voltaram tocados, mas confiantes de que esta mobilização pode despertar também um apoio estrutural e efetivo do poder público.

 

ICOM – Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (SC)

O ICOM é uma Fundação Comunitária com 14 anos de atuação. A organização incentiva o engajamento de empresas e indivíduos na prática do investimento social e apoia as organizações da sociedade civil da região. Mariane Nunes, Gerente Executiva, recebeu Alina a Raquel Altemani, gerente financeira no IDIS, e compartilhou a história, as conquistas e os desafios atuais do ICOM. Se aprofundou também na história de como o Instituto implementou a metodologia Vital Signs – uma forma participativa de reunir indicadores sobre o desenvolvimento social de territórios com o apoio e colaboração de representantes da sociedade civil e do setor público e gerar conhecimento sobre os avanços e prioridades locais. O ICOM integra a rede ‘Ibero American Network of Community Foundation’, focada no fortalecimento e troca de experiências entre Fundações Comunitárias da América Latina, Portugal e Espanha.

 

Fundação Tide Setubal (SP)

A dupla Alina e Raquel também visitou o Galpão ZL, um espaço voltado para a promoção do empreendedorismo periférico e de negócios de impacto social na Zona Leste da capital paulista mantido pela Fundação Tide Setubal. Os representantes da organização, Guiné e Andrelissa, as acompanharam em uma estimulante conversa sobre a busca de justiça social e desenvolvimento sustentável de periferias urbanas. A Fundação tem como missão contribuir para o enfrentamento das desigualdades socioespaciais das grandes cidades, e, para isso, promove a articulação de diversos atores, como representantes da sociedade civil, empresas, poder público, instituições de pesquisa. A atuação por mais de 10 anos da Fundação Tide Setubal no território de São Miguel Paulista, sempre pautada pela valorização dos ativos e talentos locais e por um processo atento de escuta e colaboração, permitiu que a organização desenvolvesse metodologias de engajamento comunitário e gerasse muito conhecimento sobre tema, tornando-se uma referência no País e contribuindo para levar os aprendizados para outros territórios, ampliando ainda mais seu potencial de impacto.

 

Se interessa pelo tema? Conheça a publicação ‘Filantropia Comunitária: terreno fértil para o desenvolvimento social’

Incentivo à Filantropia Comunitária – novos passos de uma jornada

Desde sua fundação, em 1999, a Filantropia Comunitária é um tema caro ao IDIS e considerado prioritário para a promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em parceria com outras organizações e investidores sociais, temos atuado no sentido de promover um movimento de incentivo à prática no Brasil.

Neste ano, somamos a esta trajetória um novo marco – o lançamento da publicação ‘FILANTROPIA COMUNITÁRIA: Terreno fértil para o Desenvolvimento Social’, fruto de um estudo realizado com o apoio da Mott Foundation e que traz detalhes sobre o processo de mapeamento de organizações comunitárias, os resultados da pesquisa e ideias de estratégias para fortalecer o movimento no Brasil. A publicação, já disponível no site do IDIS, foi lançada no dia 31 de maio em São Paulo, na presença de Nick Deychakiwsky e Carlos Rios-Santiago, Diretores de Programas na Mott Foundation, cuja visita teve por objetivo dar continuidade ao processo de fortalecimento do tema no Brasil e de aproximar os investidores sociais do conceito de Filantropia Comunitária.

Durante sua estadia no país, Nick e Carlos visitaram organizações voltadas ao fortalecimento de comunidades locais. Acompanhados por Raquel Altemani, gerente de projetos no IDIS, os representantes da Mott Foundation tiveram a oportunidade de conhecer de perto o trabalho desempenhado pela Fundação Urbe9 (em Campinas-SP), IBEAC – Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário e Fundação ABH (ambas no município de São Paulo), ICOM – Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (em Florianópolis) e Redes da Maré (no Rio de janeiro). Além disso, também foram realizados encontros com organizações que trabalham pelo desenvolvimento da Filantropia no país, como o GIFE, WINGS e a Rede de Filantropia para a Justiça Social.

A visita também inclui um encontro entre investidores sociais e a fundação americana. Nick descreveu o conceito de Fundações Comunitárias, apresentando o trabalho da Mott e seu interesse em implementar esse modelo de organização ao Brasil. Em seguida, Raquel Altemani comentou sobre os resultados e insights adquiridos ao longo da pesquisa de mapeamento de organizações comunitárias no Estado de São Paulo em 2018, estimulando o debate e o compartilhamento de percepções entre os investidores sociais.

Tivemos também o prazer de participar do evento Expandindo e Fortalecendo a Filantropia Comunitária no Brasil, organizado pela Rede de Filantropia para a Justiça Social. Foi um dia dedicado à troca de experiências entre fundações, institutos e organizações comunitárias, e mais um passo para a consolidação do tema no Brasil. Nessa ocasião, integramos o painel “Pesquisas e Tendências da Filantropia Comunitária no Brasil”, no qual apresentamos nossa experiência com a Mott Foundation. Além disso, pudemos aprender com a visão internacional de Jenny Hodgson, Diretora Executiva do Global Fund for Community Foundations, sobre experiências de Filantropia Comunitária ao redor do mundo, e com a perspectiva de representantes de organizações comunitárias no Brasil – como a Associação Indígena da Comunidade Kisêdjê, Caranguejo Uçá, Instituto Baixada, Rede de Bancos Comunitários da Bahia, Casa Fluminense, ICOM – e representantes de fundações e associações no Brasil comprometidas com o apoio a organizações comunitárias. Dessa forma, as iniciativas e a mobilização de atores engajados no campo da Filantropia Comunitária refletem a relevância do tema não só para a agenda do IDIS, mas para o desenvolvimento do país como um todo.

Aprendendo sobre Filantropia Comunitária em Berlim

Entre 26 de Fevereiro e 1 de Março, Raquel Altemani, nossa gerente de Projetos, esteve em Berlim, capital da Alemanha, acompanhando um workshop promovido pela Mott Foundation* com o objetivo de promover o conceito e a prática de Fundações Comunitárias no mundo.

Estavam no evento, além da equipe da Mott, 22 representantes de organizações da sociedade civil, consultores e pesquisadores de 20 diferentes nacionalidades, envolvendo América Latina, África e Europa, que foram contratados pela fundação para desenvolver uma investigação em seus países com o intuito de responder duas perguntas.

Com base no resultado dessa pesquisa, a Mott espera ser capaz de selecionar alguns dos países como alvo de uma iniciativa de fomento às Fundações Comunitárias. O workshop marcou a início desse trabalho e, para contribuir com os pesquisadores, a Mott convidou pessoas e organizações que já receberam grants no passado para desenvolver Fundações Comunitárias em seus países e tiveram sucesso.

A escolha dos participantes do workshop priorizou países onde a Mott ainda não possui nenhuma iniciativa em curso. O Brasil, representado pelo IDIS, não é um deles, uma vez que a Mott já atua aqui. Mesmo assim, o IDIS foi convidado a participar para se aprofundar no tema e para trocar experiências com os demais participantes.

Em 2018 o IDIS conduziu uma pesquisa, em parceria com Mott, para mapear organizações no estado de São Paulo que desenvolvessem projetos sociais baseados em engajamento comunitário. O objetivo desse projeto foi compreender melhor o perfil dessas organizações e explorar, junto a elas, possíveis estratégias para estimular o crescimento e fortalecimento de iniciativas de Filantropia Comunitária no Brasil. Os resultados dessa pesquisa serão compartilhados em uma publicação a ser lançada pelo IDIS ainda em 2019.

“Para mim, foi uma grande oportunidade participar desse workshop porque pude conhecer pessoas muito experientes no campo da filantropia comunitária, que compartilharam conosco não apenas os casos que deram certo, mas também os erros e as dificuldades” conta Raquel. “Além disso, tivemos a possibilidade de conhecer dirigentes de algumas das Fundações Comunitárias de Berlim e de visitar alguns dos projetos conduzidos por elas”, conclui.

(*)A Mott Foundation é uma fundação norte americana com sede em Flint-Michigan que vem trabalhando desde 1926 para fortalecer comunidades ao redor do mundo. A organização conta com um fundo patrimonial de mais de 3 bilhões de dólares e tem uma expressiva atuação como grantmaker – ao longo de sua história, já investiu mais de 3,2 bilhões em organizações de 62 países.

 

O que é Filantropia Comunitária
No conceito da Mott Foundation, Fundações Comunitárias são organizações filantrópicas com uma agenda ampla e múltipla de causas que contribuem para o desenvolvimento comunitário, comprometidas com resultados de longo prazo e focadas em uma área geográfica específica. Seu objetivo é melhorar a vida das pessoas da região onde atua por meio da mobilização e distribuição de ativos locais e da atração de investidores. São organizações que funcionam como um veículo para o exercício da cidadania dos moradores locais, já que criam espaço para debate sobre as prioridades locais e para a tomada de decisão sobre o uso dos recursos captados. De acordo com James Magowan, Diretor da European Community Foundation Initiative, que foi um dos palestrantes do workshop, as Fundações Comunitárias atuam dentro do modelo de “bounding, bridging & linking”, ou seja, possuem um papel articulador que estimula e promove laços, pontes e conexões entre os diversos atores de uma comunidade.

IDIS realiza oficina de filantropia comunitária

O que caracteriza a filantropia comunitária? A pergunta é complexa e não há apenas uma resposta certa. Para discutir o tema com quem está no campo, o IDIS Instituto do Desenvolvimento do Investimento Social realizou, nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, o Workshop de Filantropia Comunitária com as oito entidades selecionadas no edital de Mapeamento e Fortalecimento de organizações e iniciativas de atuação comunitária do Estado de São Paulo, iniciativa em parceria com a MOTT Foundation.

A oficina proporcionou a troca de conhecimento e experiências entre as organizações selecionadas e os palestrantes convidados. O IDIS foi responsável por organizar a oficina e abordar os aspectos teóricos e práticos da ‘filantropia comunitária e desenvolvimento comunitário com base nos talentos e recursos locais’.

“Entender os mecanismos mais eficazes para fomentar a filantropia comunitária no Brasil é crucial para promover o desenvolvimento e o fortalecimento da sociedade civil.” declarou a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, durante a abertura da oficina.

Nick Deychakiwsky, da Mott Foundation, enviou sua mensagem aos participantes diretamente dos Estados Unidos e destacou os pontos que caracterizam as organizações comunitárias tais como o forte comprometimento com a comunidade, a diversidade de causas e objetivos, o engajamento da comunidade local, a atuação permanente, a pluralidade de fontes de financiamento, a gestão independente, a necessidade de ativos mínimos para operar e a capacidade de apoiar outras iniciativas locais.

Pelo IDIS, a gerente de projetos Raquel Altemani explanou sobre o que é atuação comunitária e relatou que não há consenso sobre um conceito definitivo, por isso, o IDIS debateu com especialistas e com a MOTT Foundation em busca de uma definição. Já Andrea Hanai, gerente de projetos, abordou os aspectos financeiros e a necessidade de mobilização de recursos para as organizações. A diretora de comunicação, Andrea Wolffenbüttel, apresentou aspectos da cultura de doação no Brasil e no mundo.

Os participantes da oficina ainda ouviram o fundador do IDIS, Marcos Kisil, que tratou do desenvolvimento comunitário. Para falar dos desafios e oportunidades para a filantropia comunitária no Brasil, o IDIS convidou Erika Saez, do GIFE, e a Graciela Hopstein, da rede de Filantropia para a Justiça Social.

As organizações participantes realizaram uma visita de campo ao Galpão da Fundação Tide Setúbal no Jardim Lapenna, zona leste de São Paulo, e conheceram uma organização não governamental de origem familiar que atua com a missão de fomentar iniciativas que promovam a justiça social e o desenvolvimento sustentável de periferias urbanas.

Para tratar de modelos de atuação para organizações comunitárias, a oficina contou com a participação de Marina Fay, da Fundação ABH, e Tony Marlon, do Historiorama. Já Mariana Nunes contou a história de atuação do Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (ICOM).

No último dia, os participantes trabalharam por meio de dinâmicas para tratar dos desafios e das oportunidades de cada organização e avaliaram a experiência como muito valiosa para reverem e aprimorarem suas atuações locais.

Raquel Altemani, gerente de projetos do IDIS liderou a oficina e destacou que a troca de saberes entre as organizações enriqueceu a programação e fez com que a oficina fosse ainda mais importante para todos os participantes e também para o IDIS.

IDIS e MOTT Foundation iniciam projeto na área da Filantropia Comunitária

O protagonismo social é fundamental para processos de transformação da realidade; que por sua vez são necessários para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. E por isso faz parte dos temas de atuação do IDIS desde a sua fundação.
No Brasil, há inúmeras evidências e pesquisas recentes que indicam que o nível de confiança e credibilidade das instituições do país é extremamente baixo – um quadro que leva os cidadãos a buscarem novas formas de se engajar na solução dos problemas sociais que enfrentam.

Nesse contexto, a filantropia comunitária vem crescendo muito, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo e tem sido foco de estudos, pesquisas e trocas entre organizações que atuam com filantropia.

E o IDIS, junto com a MOTT Foundation, iniciou um projeto para mapear as iniciativas de Filantropia Comunitária no Estado de São Paulo. A primeira atividade, realizada no dia 12 de julho, foi uma oficina para explorar alguns conceitos inerentes ao tema, pois há distintos entendimentos sobre o que é uma comunidade e o que caracteriza uma organização de filantropia comunitária.

“ O que faz o avanço global da Filantropia Comunitária tão entusiasmante é a variedade de formatos que ela assume, adaptações para diferentes contextos, desafios, recursos e lideranças”
Barry Knight e Andrew Milner CENTRIS, Global Alliance for Community Philantropy

Tivemos a participação de algumas importantes organizações que atuam no setor: Fundo Elas, Gife, Wings, Fundo Brasil de Direitos Humanos, CIEDs, Fundação Tide Setubal, Rede de Filantropia para a Justiça Social, ICOM, Fundo Casa, Fundação Affonso Brandão Hennel e Fundação Salvador Arena.

Saiba mais sobre Filantropia Comunitária nesse vídeo desenvolvido pelo Global Fund for Community Foundations: