Entre o recurso e o território, o que fica?

Por Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios

A passagem por Manaus, durante agendas da Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje sobre Filantropía y Fundaciones Comunitarias (CIAF), visitas de campo e o Impact Minds, reforçou que, mais do que mobilizar recursos, é preciso fortalecer as relações, capacidades e mecanismos que permitem que eles cheguem aos territórios de forma conectada às suas realidades.

A pergunta que acompanhou a semana foi simples, mas exige respostas construídas coletivamente: se há recursos, conhecimento e organizações comprometidas com transformação social, como ampliar as condições para que tudo isso se conecte aos territórios de maneira consistente e permaneça para além dos projetos?

A semana começou antes do Impact Minds. Pelo programa Transformando Territórios, do IDIS, fomos anfitriões do encontro da CIAF, que reúne organizações de apoio e fundações comunitárias e territoriais de diferentes países. Durante dois dias, discutimos sustentabilidade, confiança, desenvolvimento de capacidades, mobilização de recursos e caminhos coletivos para fortalecer a filantropia comunitária e territorial na região.

Conferência da Latimpacto – Impact Minds

Depois vieram as visitas de campo, outras agendas e o próprio Impact Minds. Ao longo da semana, muitas das questões discutidas entre as organizações da CIAF reapareceram em outros espaços, por diferentes vozes e perspectivas: nas conversas sobre o futuro da filantropia, do Investimento Social Privado (ISP), do investimento de impacto e dos diferentes capitais que buscam gerar transformação.

Não há uma resposta única. Mas muito do que o setor tem buscado construir está na essência da filantropia comunitária e territorial, nas relações de confiança cultivadas ao longo do tempo, no conhecimento profundo das dinâmicas locais, no desenvolvimento de capacidades e na articulação entre atores que dificilmente se conectariam de outra forma.

São organizações que ajudam o recurso a chegar e, principalmente, a se conectar ao que o território já sabe, realiza e prioriza. Nesse processo, comunidades participam das decisões e se fortalecem condições para que as transformações permaneçam para além de um projeto ou financiamento.

 

O território já produz respostas

Em uma das visitas às mulheres apoiadas pela Manauara Associação Comunitária, fundação comunitária local, conhecemos uma liderança da comunidade Redenção, em Manaus, que atua no Projeto Reusa. Ao contar sua trajetória, ela definiu liderança comunitária de uma maneira simples e profunda: liderar é saber escutar.

Sua atuação reúne mulheres, cria oportunidades de geração de renda e mobiliza respostas para questões da comunidade. Ao mesmo tempo, ela não deseja transformar esse trabalho em uma organização social formal. Essa escolha revela algo importante sobre a forma como reconhecemos as potências dos territórios.

Muitas vezes, estamos acostumados a enxergar aquilo que cabe nas estruturas que já conhecemos, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), projetos com prazo definido, indicadores e processos formais de prestação de contas. A vida comunitária, no entanto, também se sustenta em relações de confiança, soluções cotidianas e formas próprias de organização.

Também conhecemos uma liderança venezuelana que encontrou acolhimento no Brasil e passou a apoiar outras mulheres migrantes, muitas delas com filhos e sem oportunidades de geração de renda. Quando começou a imaginar uma iniciativa mais estruturada, ouviu de muitas pessoas que sua ideia não daria certo. Escolheu seguir com as poucas que acreditaram. Hoje, apoia outras pessoas e reconhece que encontrou escuta, esperança e uma fundação comunitária capaz de olhar para ela para além do projeto que lidera.

Essas histórias lembram algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre orienta a forma como os recursos são planejados: o território não começa quando chega um projeto ou um financiador. Já existem ali lideranças, relações, conhecimentos, soluções e formas próprias de organização.

Reconhecer esse ponto não diminui a importância dos recursos externos. Ao contrário, amplia sua potência. Quando o financiamento se conecta ao que já existe, pode fortalecer capacidades locais, apoiar lideranças, ampliar redes e contribuir para que soluções construídas no território ganhem escala, sustentabilidade e novas possibilidades de articulação.

Visita a territórios de Manaus

 

Aprender as linguagens do território

Em outra visita, a iniciativas lideradas por povos indígenas, uma reflexão sintetizou parte desse desafio. Há linguagens, tempos e formas de organização que nem sempre são plenamente compreendidos pelos mecanismos tradicionais da filantropia.

Falamos muito sobre preparar organizações para acessar recursos. Criamos capacitações, formulários, critérios e processos para que compreendam como a filantropia funciona. Esse esforço é importante. Mas há também uma oportunidade complementar de preparar financiadores, organizações de apoio e investidores sociais para compreender melhor como os territórios funcionam.

Os tempos indígenas, das comunidades tradicionais e das iniciativas sociais locais nem sempre são os tempos dos projetos. As formas de organização nem sempre correspondem às estruturas formais esperadas por financiadores. Por isso, a aproximação entre capital e território depende de tradução, escuta e construção de confiança entre pessoas e organizações que operam com linguagens, referências e responsabilidades diferentes.

Essa não é uma agenda de substituição de práticas, mas de aprimoramento. Critérios, governança, prestação de contas e monitoramento seguem sendo importantes, mas o ponto é combiná-los com mecanismos que reconheçam as dinâmicas locais, valorizem conhecimentos diversos e permitam que as comunidades participem das decisões que afetam suas vidas.

 

Inovar também é melhorar os caminhos do recurso

Nos últimos anos, o campo avançou na discussão sobre novos instrumentos financeiros, capital catalítico, investimento de impacto, filantropia baseada em confiança e formas mais estratégicas de mobilizar recursos. Tudo isso importa.

A experiência em Manaus, porém, reforçou que a inovação nos instrumentos de financiamento ganha mais força quando vem acompanhada de novas formas de escuta, articulação e tomada de decisão com os territórios.

Não se trata apenas de criar novos mecanismos, mas de aprimorar os caminhos pelos quais os recursos chegam. Como esse capital se conecta às lideranças locais? Quem participa das decisões? Quais relações são fortalecidas ao longo do processo? Que capacidades permanecem quando o financiamento termina?

Quando os mecanismos de financiamento consideram as relações já existentes, aumentam as chances de gerar efeitos mais consistentes e duradouros. Por outro lado, quando essas relações não são compreendidas, podem surgir efeitos não intencionais. Por isso, conhecer o território antes de investir é parte essencial da efetividade.

Essa discussão apareceu também no Impact Minds, quando chamou atenção o fato de que muitas comunidades ainda não estão nos mapas. E, quando não estão no mapa, muitas oportunidades simplesmente não chegam.

A produção de dados abertos pelas próprias comunidades também entrou na conversa. Elas não são apenas fontes de informação, mas podem produzir conhecimento, construir valor a partir desses dados e participar das decisões que serão tomadas com eles. Parece uma discussão sobre dados, mas é também sobre participação. Quem produz o conhecimento que orienta decisões? Quem aparece nos sistemas de financiamento? Como garantir que mais comunidades sejam reconhecidas como parceiras na construção das soluções?

Enxergar a comunidade como parceira, e não apenas como beneficiária, muda a lógica da conversa. Em vez de começar com “o que podemos levar para este território?”, a pergunta passa a ser “o que já existe aqui, o que este território sabe e o que podemos construir juntos?”

Paula Fabiani, CEO do IDIS, em palestra do Impact Minds

 

Confiança, capacidades e infraestrutura territorial

O desenvolvimento de capacidades atravessou várias conversas da semana. Uma ideia se destacou: não existe uma única capacidade capaz de transformar sistemas. É uma combinação.

Precisamos compreender melhor os problemas que queremos enfrentar. Produzimos muito conhecimento, mas ainda temos dificuldade de fazê-lo circular, interpretá-lo e utilizá-lo para tomar decisões. Precisamos cooperar, compartilhar decisões, produzir dados, criar ferramentas acessíveis, aprender uns com os outros e construir confiança. E tudo isso leva tempo.

Construir confiança, fortalecer uma organização, articular atores e mudar relações não cabe, necessariamente, no ciclo de um projeto. Por isso, a confiança apareceu tantas vezes nas conversas da semana como algo concreto. Sem ela, é difícil construir cooperação e sustentar relações de longo prazo.

Essas discussões dialogam diretamente com o que o IDIS tem aprendido e fortalecido por meio do Transformando Territórios, programa voltado ao desenvolvimento da filantropia comunitária e territorial no Brasil.

As organizações acompanhadas pelo programa atuam profundamente conectadas aos lugares onde estão inseridas. Conhecem lideranças, iniciativas sociais, empresas, poder público, desafios e oportunidades. Por essa proximidade, conseguem aproximar atores e recursos de realidades que dificilmente seriam compreendidas da mesma forma a partir de fora.

A partir dessa experiência, o IDIS tem fortalecido a compreensão de que essas organizações cumprem um papel essencial como parte de uma infraestrutura territorial para a filantropia comunitária no Brasil.

Infraestrutura, aqui, não significa centralizar decisões ou falar em nome do território. Significa criar condições para que recursos circulem, atores se encontrem, informações sejam produzidas e interpretadas, organizações locais sejam alcançadas, relações de confiança sejam construídas e soluções do próprio território encontrem novas conexões.

Falamos muito sobre quais projetos financiar. A experiência em Manaus reforçou que também precisamos discutir o que precisa existir no território para que esses investimentos façam sentido e funcionem melhor.

Visita a territórios de Manaus

 

Governança e confiança caminham juntas

Essa discussão também convida a rever a forma como equilibramos controle, confiança e colaboração. A busca por segurança, governança e prestação de contas é necessária. Ao mesmo tempo, ela ganha potência quando combinada com participação, escuta e decisões compartilhadas.

Essa colaboração também tem avançado entre organizações financiadoras, que vêm buscando formas de coordenar esforços, compartilhar aprendizados e construir agendas comuns. Esse movimento é importante para ampliar o alcance dos recursos e reduzir a fragmentação das iniciativas.

Colaborar exige reconhecer conhecimentos diferentes, construir acordos e aceitar que quem está mais próximo do problema precisa participar da construção da resposta.

Um coletivo não nasce apenas porque colocamos várias organizações na mesma mesa. Um território também não se fortalece simplesmente porque recebeu mais recursos. É preciso construir condições para que esses recursos encontrem e fortaleçam o que já existe.

Essa é uma agenda relevante para a filantropia, o ISP e o investimento de impacto. Precisamos continuar olhando para quanto capital conseguimos mobilizar, mas também para a qualidade das relações, capacidades e mecanismos que construímos para que esse capital gere transformações mais duradouras.

O que permanece quando o recurso sai?

Manaus tornou essa pergunta muito concreta.

Em uma grande cidade no coração da Amazônia, convivem riqueza, conhecimento, atividade econômica, desafios sociais e ambientais e comunidades que ainda encontram barreiras para acessar recursos. O território não foi cenário para as conversas. Foi parte delas.

Avançar não significa apenas mobilizar mais capital ou desenvolver novos instrumentos. Significa fortalecer relações, capacidades e mecanismos que ajudem esse capital a compreender onde está chegando, encontrar quem já produz soluções e contribuir para que essas soluções se ampliem sem perder vínculo com sua origem.

Projetos terminam. Editais fecham. Financiadores mudam prioridades. Recursos entram e saem.

O que construímos a partir deles pode durar muito mais: conhecimento, relações, organizações fortalecidas, redes e comunidades com maior capacidade de participar das decisões que afetam suas vidas.

Por trás dos instrumentos, estratégias, indicadores e recursos estão pessoas. Pessoas que conhecem seus territórios, constroem respostas, mobilizam outras pessoas e começam a transformar suas realidades muito antes da chegada de qualquer financiamento.

Também ficou evidente que há muitas organizações, empresas, investidores sociais e lideranças revendo práticas, fazendo perguntas e buscando outras formas de trabalhar juntos. O desafio agora é fazer com que essa disposição se traduza em relações mais consistentes e em formas de fazer que mantenham as pessoas no centro.

Quando o recurso sair, o que terá ficado no território e na vida das pessoas que o constroem todos os dias?

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

IDIS e parceiros levam tema do investimento social privado para a Amazônia

No final do mês de março, representantes do IDIS estiveram em Manaus (AM) para uma série de agendas voltadas à promoção do Investimento Social Privado (ISP) na região. A iniciativa teve como objetivo dialogar com diferentes públicos locais, além de conhecer de perto iniciativas desenvolvidas no território.

A programação teve início com a participação no 8º Encontro Regional promovido pela FBN Brasil – Family Business Network Brasil, nesta edição em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. O evento reuniu famílias empresárias da Região Norte para discutir tendências, cenários econômicos, perspectivas de sucessão e governança, bioeconomia, além do papel da filantropia e do investimento social privado no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Realizado na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o encontro contou com 73 participantes e 14 palestrantes, em uma manhã dedicada à troca de experiências, conexões estratégicas e reflexão sobre os desafios e oportunidades para as empresas familiares e para o desenvolvimento sustentável da região.

Durante a programação, a gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, Luisa Lima, conduziu um painel sobre o papel das famílias empresárias no desenvolvimento socioambiental da Amazônia.

Em sua fala, apresentou diferentes modelos de investimento social e destacou iniciativas já em andamento. “Ficou evidente a conexão dos empresários com o território. Há um enorme potencial da Amazônia para impulsionar soluções que conciliem desenvolvimento econômico, conservação ambiental e fortalecimento das comunidades locais”, afirmou.

Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, também integrou a programação.

No dia seguinte, Luisa Lima representou novamente o IDIS no evento Conexão de Impacto, promovido pelo Impact Hub Manaus, com uma apresentação sobre investimento social privado e cultura de doação para cerca de 30 representantes de organizações da sociedade civil da cidade.

A agenda incluiu ainda outras visitas institucionais, como ao escritório do UNICEF em Manaus e à Comunidade de Tumbira, onde a FAS implementa ações voltadas ao desenvolvimento local, beneficiando diretamente mais de 140 ribeirinhos.

Sustentabilidade e desenvolvimento econômico lado a lado: Sustainability Week 24

Por Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

O Sustainability Week 24 (SW24), importante encontro para o setor privado na América Latina e no Caribe, ocorreu em Manaus durante o mês de junho. Com foco em questões de sustentabilidade e desenvolvimento econômico, o evento reuniu líderes globais, empresários, investidores e especialistas para discutir soluções inovadoras e práticas sustentáveis, com um total de 1000 participantes de diversas partes do mundo. A iniciativa é do BID Invest.

Ao longo de três dias de evento, Manaus se tornou o centro das discussões sobre o futuro da sustentabilidade na região. Foram abordados temas como governança corporativa, financiamento da transição energética, economia verde e conservação da biodiversidade. Também foi enfatizado o compromisso de enfrentar os desafios socioambientais da Amazônia, promovendo inclusão financeira, educação e diversidade para os locais.

No discurso de abertura, o Governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima, usou palavras reflexivas para provocar a audiência, muitos dos quais nunca haviam visitado Manaus antes, a considerar a Amazônia “além de sua copa de árvores”. O Governador ressaltou que enquanto o mundo observa a Amazônia pelas árvores, muitas vezes não compreende o que realmente ocorre sob sua densa cobertura vegetal, sugerindo uma profundidade maior da região a ser conhecida.

Outro destaque foi o painel ‘O papel do conselho em um mundo dinâmico”, que contou com a participação de três mulheres presidentes de conselhos de administração de empresas familiares: Luiza Helena Trajano (Magalu), Gabriela Baumgart (Grupo Baumgart) e Ilana Minev (Bemol). Elas exploraram estratégias de governança a partir de suas perspectivas, discutindo como os conselhos podem impulsionar mudanças positivas e sucesso sustentável em meio ao cenário empresarial em constante evolução.

O Sustainability Week 24 proporcionou um espaço para diálogos estratégicos, inspirando colaborações concretas e ações futuras que visam transformar os desafios ambientais em oportunidades de crescimento sustentável.

O evento reafirma o papel do BID Invest e seus parceiros na promoção de uma agenda global de sustentabilidade, destacando Manaus como um cenário emblemático para essas discussões.

Manauara: a cidade de Manaus sob o olhar comunitário

Fomentar o protagonismo de mulheres é contribuir para melhorar a condição de vida não só delas, mas de todos que as cercam. Parte deste princípio o Fundo Icamiabas, que acaba de ser lançado pela Manauara Associação Comunitária, que atua para promover o desenvolvimento comunitário na cidade de Manaus, Amazonas. A proposta do fundo é fornecer apoio financeiro e humano, de forma descomplicada e contínua, para lideranças femininas que trabalham em prol de outras mulheres nas periferias da capital amazonense.

Os fundadores da Manauara Ricardo Anderáos, Giselle Mascarenhas e Célia Petit, visitando o Igarapé do Gigante, na comunidade da Redenção, Zona Oeste de Manaus

Foi às margens dos 7 km de extensão do Rio Igarapé do Gigante – que nasce cristalino em meio à floresta nativa e se depara com os problemas ambientais da urbanidade – que teve início o diálogo entre organizações sociais e lideranças comunitárias da Zona Oeste de Manaus. Assim começa, em 2020, uma aliança não apenas para despoluir a bacia hidrográfica, que corta vários bairros de Manaus, mas também para transformar a vida de quem vive às suas margens. São mais de 160 mil famílias manauaras vivendo em situação de extrema pobreza, correspondendo a cerca de 445 mil pessoas nesta situação (19,7% de sua população).

A partir de um mapeamento do campo social da cidade, que identificou os principais ativistas, organizações sociais e demandas do território, em 2021, alguns integrantes deste grupo começam a se estruturar no formato de um instituto comunitário e, em 2022, com apoio e capital semente do IDIS, a Manauara é fundada. Dois dos seis fundadores são os diretores da iniciativa: Ricardo Anderáos e Celia Petit, ambos sócios da Oré Inovação em Impacto Social e criadores da Aliança pelo Igarapé do Gigante.

Membros da Manauara e ativistas locais, junto com o Secretário do Meio Ambiente de Manaus Antonio Stroski e assessores, em plantio de árvores nativas às margens do Igarapé do Gigante, no Dia do Meio Ambiente

O primeiro edital de apoio a projetos foi lançado ainda em 2022, com o tema  “Água, Saúde e Biodiversidade na Microbacia do Igarapé do Gigante”. O edital teve como vencedores os projetos “Mulheres Gigantes” e “Viveiro de Árvores Nativas Parque Mosaico Amazônia“ que, juntos, receberam cerca de R$ 150 mil.

Ser um grantmaker local, isto é, ser uma financiadora do setor social do território em que atuam, é um dos princípios das fundações e institutos comunitários (FICs). Na Carta de Princípios para Fundações e Institutos Comunitários, a definição desta característica é:

Captam, gerenciam e realizam doações de recursos financeiros para organizações sem fins lucrativos e iniciativas sociais do território, que atuam na linha de frente do atendimento às demandas comunitárias, de modo a assegurar a vitalidade do setor social local.

 

SELEÇÃO A PARTIR DE BUSCA ATIVA

Com o primeiro edital, veio o entendimento da necessidade de estimular o protagonismo de mulheres líderes locais em um formato mais simples, sem a necessidade de inscrição em editais, conta Ricardo Anderáos. Assim, foi lançado o Fundo Icamiabas, que selecionará três mulheres em um processo permanente de busca ativa, baseado em entrevistas cruzadas (metodologia snowball mapping).

 

“Já selecionamos a primeira liderança e neste momento estamos buscando a segunda e terceira beneficiárias. O processo pode levar até 3 meses”, conta Ricardo.

 

“O foco da Manauara é o desenvolvimento comunitário de Manaus, atuando através da comunidade e para a comunidade, a partir de processos de escuta ativa que nos capacitam a apoiar as causas mais importantes para a cidade, como geração de renda, prevenção à gravidez na adolescência, combate à prostituição, atividades esportivas, culturais e de apoio escolar para adolescentes e cuidados com a saúde para toda a população”, explica.

 

No Fundo Icamiabas, estão previstos repasses mensais de pequenos valores via cartão de débito recarregável, com a destinação dos recursos definida num plano de ação acordado verbalmente com as lideranças femininas. Os recursos estão sendo captados junto a filantropos, empresas e grupos de mulheres da alta sociedade de Manaus, além de uma campanha de matchfunding que será lançada na Benfeitoria, com aporte do IDIS para impulsionar a arrecadação.

Célia Petit e Ricardo Anderáos, fundadores da Manauara, com Dona Alda (ao centro), líder comunitária da Zona Leste de Manaus e primeira beneficiária do Fundo Icamiabas.

Para garantir a transparência, extratos do fundo e do cartão de cada beneficiária serão publicados regularmente no site da Manauara, assim como as fotos das iniciativas, de forma a documentar as atividades. O número de beneficiárias e os valores que elas receberão serão variáveis, a depender da captação do fundo, com um teto de R$ 5 mil/mês por 12 meses.

 

Informações do Território 

  • Território de atuação: cidade de Manaus (AM)
  • Nome do instituto ou fundação comunitária: Manauara Associação Comunitária
  • Principais lideranças:  Celia Petit e Ricardo Anderáos
  • População estimada: Aproximadamente 2,4 milhões de pessoas
  • Número de OSCs no território: cerca de 200, segundo o Fundo de Promoção Social do Amazonas
  • Desafios regionais: Geração de renda, prevenção à gravidez na adolescência, combate à prostituição, atividades para manter as crianças fora das ruas, atividades esportivas, culturais e de apoio escolar para adolescentes e cuidados com a saúde
  • Causas prioritárias do território mapeadas pela organização: Multitemáticos, com olhar para redes femininas de apoio mútuo em periferias.

    A Associação Comunitária Manauara integra o Programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

 

Quer saber mais sobre a Associação Comunitária Manauara? Acesse o site.

Para conhecer mais sobre os Princípios e características das Fundações e Institutos Comunitários, acesse a Carta de Princípios através deste link.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

Saiba como ajudar no combate à pandemia em todo Brasil

Mesmo após um ano desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil, as doações ainda são necessárias. Ao testemunhar o colapso da saúde no Amazonas nos últimos dias, a mobilização rápida da sociedade civil evidencia como a solidariedade pode literalmente salvar vidas.

Em 2020, foram mais de R$6,5 bilhões doados por mais de 500 mil doadores para iniciativas de resposta aos impactos da pandemia em todo o país, segundo o Monitor de Doações da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). O levantamento mostra, entretanto, que o volume foi maior nos primeiros meses, com queda acentuada no final do ano.

A COVID-19, entretanto, segue fazendo vítimas por todo o país enquanto observamos o início de uma segunda onda da pandemia em algumas regiões. Mesmo com o início da vacinação, ainda haverá desafios na área da saúde, assistência social e retomada econômica. “Estamos presenciando um amadurecimento da cultura de doação no Brasil. A sociedade e a comunidade filantrópica começam a perceber como este ato solidário é poderoso. Hoje, fazemos um novo chamamento, para intensificar novamente a mobilização e mostrar caminhos seguros para que as doações cheguem a quem precisa”, comenta Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS. .

Conheça a seleção que fizemos de algumas das campanhas ainda ativas no combate à pandemia e faça sua doação:

 

SAÚDE

 

  • SO2S Manaus

Organizações promotoras: Movimento UniãoBR, UniãoBR-AM, Instituto Phi, Instituto Nova Amazônia e União Amazônia Viva

Site: www.instagram.com/uniaobrorg

Como doar – dados bancários:

Doação de R$ 1 até R$ 5.000:
Instituto Nova Amazônia
Banpará (banco 037)
Agência: 0050
Conta Corrente: 000566858-1
CNPJ: 12.491.439/0001-43

Doações acima de R$ 5.000:
Instituto Phi
Banco Itaú
Agência: 0726
Conta Corrente: 10601-6
CNPJ: 19.570.828/0001-03

Saiba como doar: https://www.movimentouniaobr.com.br/

  • SOS Enfermagem Amazonas

Organização promotora: Associação Nacional de Enfermagem
Site: www.abennacional.org.br/site/2021/01/16/sos-enfermagem-amazonas/

Como doar – dados bancários:

Banco Itaú – 34
Agência: 8271
Conta Corrente: 21008-3
CNPJ: 33.989.468/0004-52
PIX: 33.989.468/0004-52

 

  • Com Saúde e Alegria e Sem Corona

Organização promotora: Saúde e Alegria

Site: https://saudeealegria.org.br/saude-comunitaria/campanha-de-apoio-ao-baixo-amazonas-contra-a-covid-19/

Como doar – dados bancários:

Banco do Brasil
Agência 0130-9
Conta corrente 112.068-9
CEAPS Apoio Covid-19
CNPJ 55.233.555\0001-75
+55 93 9143 3944

 

 

EMPREENDEDORISMO

 

  • Fundo Emergencial Volta por Cima

Organização promotora: Banco Pérola e ANIP (Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia, composta pela A Banca, Artemisia e FGVcenn)

Site: http://impactosocial.artemisia.org.br/fundovoltaporcima

Como doar: http://impactosocial.artemisia.org.br/fundovoltaporcima#rd-form-joq3m2m5

 

EDUCAÇÃO:

  • #MaisConexão#MaisDireitos

Organização promotora: PLKC Advogados e Unicef
Site: https://brasil.unicef.org.br/plkc/

Como doar: https://brasil.unicef.org.br/plkc/

 

 

ASSISTÊNCIA SOCIAL:

 

  • UniãoBR Contra o Coronavírus

Organização promotora: Movimento UniãoBR

Site: www.movimentouniaobr.com.br/

Como doar: no site do Movimento, escolha um estado que gostaria de beneficiar e saiba como contribuir.

 

  • Fundo Luz Alliance

Organização promotora:  Brazil Foundation e Gisele Bündchen

Site: https://fundos.brazilfoundation.org/luz-alliance

 

  • Maré diz não ao Coronavírus

Organização promotora: Redes da Maré
Site: www.redesdamare.org.br/br/quemsomos/coronavirus

Como doar: www.redesdamare.org.br/br/quemsomos/coronavirus

Dados bancários:

Associação Redes de Desenvolvimento da Maré
CNPJ: 08.934.089/0001-75

Banco do Brasil – 001
Agência: 0576-2
Conta Corrente: 160.568-2

Banco Itaú S/A – 341
Agência: 0023
Conta Corrente: 543.38-2

 

  • Adote uma família em Paraisópolis

Organização promotora – G10 Favelas / Nova Paraisópolis

Site: www.novaparaisopolis.com.br/

Como doar: https://app.doare.org/br/doacao/231194/iep-g10-favelas/adote-uma-familia-em-paraisopolis

Dados bancários:

Bradesco
Agência 2764-2
CC 23233-5
CNPJ: 12.772.787/0001-99
PIX G10FAVELAS: 12.772.787/0001-99

 

POVOS INDÍGENAS

 

  • Plano de Ação Emergencial de Combate ao Avanço do Coronavírus e de Tratamento entre os Povos Indígenas da Amazônia Brasileira

Organização promotora: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB
Site: https://coiab.org.br/covid

Como doar: https://coiab.org.br/doe

Dados bancários:

Entidade Titular: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
CNPJ: 63.692.479/0001-94
Banco do Brasil
Agência: 1862-7
Conta: 15.774-0

  • Rede Voluntária Vale no Brasil Sem Fome

Organização promotora: Rede Voluntária Vale e Ação da Cidadania

Como doar: https://redevoluntariavale.com.br/brasil-sem-fome/

Em março de 2020, o IDIS, em parceria com o Movimento Bem Maior e a plataforma de doação BSocial, lançaram o Fundo Emergencial para a Saúde. Em 9 meses, captou R$ 40,4 milhões junto a mais de 10 mil doadores, entre indivíduos e empresas, beneficiando 58 hospitais, um centro de pesquisa e uma organização social em todo o Brasil. Com a meta atingida, foi encerrado em 10 de outubro. Conheça esta história aqui.