Entre o recurso e o território, o que fica?

Por Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios

A passagem por Manaus, durante agendas da Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje sobre Filantropía y Fundaciones Comunitarias (CIAF), visitas de campo e o Impact Minds, reforçou que, mais do que mobilizar recursos, é preciso fortalecer as relações, capacidades e mecanismos que permitem que eles cheguem aos territórios de forma conectada às suas realidades.

A pergunta que acompanhou a semana foi simples, mas exige respostas construídas coletivamente: se há recursos, conhecimento e organizações comprometidas com transformação social, como ampliar as condições para que tudo isso se conecte aos territórios de maneira consistente e permaneça para além dos projetos?

A semana começou antes do Impact Minds. Pelo programa Transformando Territórios, do IDIS, fomos anfitriões do encontro da CIAF, que reúne organizações de apoio e fundações comunitárias e territoriais de diferentes países. Durante dois dias, discutimos sustentabilidade, confiança, desenvolvimento de capacidades, mobilização de recursos e caminhos coletivos para fortalecer a filantropia comunitária e territorial na região.

Conferência da Latimpacto – Impact Minds

Depois vieram as visitas de campo, outras agendas e o próprio Impact Minds. Ao longo da semana, muitas das questões discutidas entre as organizações da CIAF reapareceram em outros espaços, por diferentes vozes e perspectivas: nas conversas sobre o futuro da filantropia, do Investimento Social Privado (ISP), do investimento de impacto e dos diferentes capitais que buscam gerar transformação.

Não há uma resposta única. Mas muito do que o setor tem buscado construir está na essência da filantropia comunitária e territorial, nas relações de confiança cultivadas ao longo do tempo, no conhecimento profundo das dinâmicas locais, no desenvolvimento de capacidades e na articulação entre atores que dificilmente se conectariam de outra forma.

São organizações que ajudam o recurso a chegar e, principalmente, a se conectar ao que o território já sabe, realiza e prioriza. Nesse processo, comunidades participam das decisões e se fortalecem condições para que as transformações permaneçam para além de um projeto ou financiamento.

 

O território já produz respostas

Em uma das visitas às mulheres apoiadas pela Manauara Associação Comunitária, fundação comunitária local, conhecemos uma liderança da comunidade Redenção, em Manaus, que atua no Projeto Reusa. Ao contar sua trajetória, ela definiu liderança comunitária de uma maneira simples e profunda: liderar é saber escutar.

Sua atuação reúne mulheres, cria oportunidades de geração de renda e mobiliza respostas para questões da comunidade. Ao mesmo tempo, ela não deseja transformar esse trabalho em uma organização social formal. Essa escolha revela algo importante sobre a forma como reconhecemos as potências dos territórios.

Muitas vezes, estamos acostumados a enxergar aquilo que cabe nas estruturas que já conhecemos, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), projetos com prazo definido, indicadores e processos formais de prestação de contas. A vida comunitária, no entanto, também se sustenta em relações de confiança, soluções cotidianas e formas próprias de organização.

Também conhecemos uma liderança venezuelana que encontrou acolhimento no Brasil e passou a apoiar outras mulheres migrantes, muitas delas com filhos e sem oportunidades de geração de renda. Quando começou a imaginar uma iniciativa mais estruturada, ouviu de muitas pessoas que sua ideia não daria certo. Escolheu seguir com as poucas que acreditaram. Hoje, apoia outras pessoas e reconhece que encontrou escuta, esperança e uma fundação comunitária capaz de olhar para ela para além do projeto que lidera.

Essas histórias lembram algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre orienta a forma como os recursos são planejados: o território não começa quando chega um projeto ou um financiador. Já existem ali lideranças, relações, conhecimentos, soluções e formas próprias de organização.

Reconhecer esse ponto não diminui a importância dos recursos externos. Ao contrário, amplia sua potência. Quando o financiamento se conecta ao que já existe, pode fortalecer capacidades locais, apoiar lideranças, ampliar redes e contribuir para que soluções construídas no território ganhem escala, sustentabilidade e novas possibilidades de articulação.

Visita a territórios de Manaus

 

Aprender as linguagens do território

Em outra visita, a iniciativas lideradas por povos indígenas, uma reflexão sintetizou parte desse desafio. Há linguagens, tempos e formas de organização que nem sempre são plenamente compreendidos pelos mecanismos tradicionais da filantropia.

Falamos muito sobre preparar organizações para acessar recursos. Criamos capacitações, formulários, critérios e processos para que compreendam como a filantropia funciona. Esse esforço é importante. Mas há também uma oportunidade complementar de preparar financiadores, organizações de apoio e investidores sociais para compreender melhor como os territórios funcionam.

Os tempos indígenas, das comunidades tradicionais e das iniciativas sociais locais nem sempre são os tempos dos projetos. As formas de organização nem sempre correspondem às estruturas formais esperadas por financiadores. Por isso, a aproximação entre capital e território depende de tradução, escuta e construção de confiança entre pessoas e organizações que operam com linguagens, referências e responsabilidades diferentes.

Essa não é uma agenda de substituição de práticas, mas de aprimoramento. Critérios, governança, prestação de contas e monitoramento seguem sendo importantes, mas o ponto é combiná-los com mecanismos que reconheçam as dinâmicas locais, valorizem conhecimentos diversos e permitam que as comunidades participem das decisões que afetam suas vidas.

 

Inovar também é melhorar os caminhos do recurso

Nos últimos anos, o campo avançou na discussão sobre novos instrumentos financeiros, capital catalítico, investimento de impacto, filantropia baseada em confiança e formas mais estratégicas de mobilizar recursos. Tudo isso importa.

A experiência em Manaus, porém, reforçou que a inovação nos instrumentos de financiamento ganha mais força quando vem acompanhada de novas formas de escuta, articulação e tomada de decisão com os territórios.

Não se trata apenas de criar novos mecanismos, mas de aprimorar os caminhos pelos quais os recursos chegam. Como esse capital se conecta às lideranças locais? Quem participa das decisões? Quais relações são fortalecidas ao longo do processo? Que capacidades permanecem quando o financiamento termina?

Quando os mecanismos de financiamento consideram as relações já existentes, aumentam as chances de gerar efeitos mais consistentes e duradouros. Por outro lado, quando essas relações não são compreendidas, podem surgir efeitos não intencionais. Por isso, conhecer o território antes de investir é parte essencial da efetividade.

Essa discussão apareceu também no Impact Minds, quando chamou atenção o fato de que muitas comunidades ainda não estão nos mapas. E, quando não estão no mapa, muitas oportunidades simplesmente não chegam.

A produção de dados abertos pelas próprias comunidades também entrou na conversa. Elas não são apenas fontes de informação, mas podem produzir conhecimento, construir valor a partir desses dados e participar das decisões que serão tomadas com eles. Parece uma discussão sobre dados, mas é também sobre participação. Quem produz o conhecimento que orienta decisões? Quem aparece nos sistemas de financiamento? Como garantir que mais comunidades sejam reconhecidas como parceiras na construção das soluções?

Enxergar a comunidade como parceira, e não apenas como beneficiária, muda a lógica da conversa. Em vez de começar com “o que podemos levar para este território?”, a pergunta passa a ser “o que já existe aqui, o que este território sabe e o que podemos construir juntos?”

Paula Fabiani, CEO do IDIS, em palestra do Impact Minds

 

Confiança, capacidades e infraestrutura territorial

O desenvolvimento de capacidades atravessou várias conversas da semana. Uma ideia se destacou: não existe uma única capacidade capaz de transformar sistemas. É uma combinação.

Precisamos compreender melhor os problemas que queremos enfrentar. Produzimos muito conhecimento, mas ainda temos dificuldade de fazê-lo circular, interpretá-lo e utilizá-lo para tomar decisões. Precisamos cooperar, compartilhar decisões, produzir dados, criar ferramentas acessíveis, aprender uns com os outros e construir confiança. E tudo isso leva tempo.

Construir confiança, fortalecer uma organização, articular atores e mudar relações não cabe, necessariamente, no ciclo de um projeto. Por isso, a confiança apareceu tantas vezes nas conversas da semana como algo concreto. Sem ela, é difícil construir cooperação e sustentar relações de longo prazo.

Essas discussões dialogam diretamente com o que o IDIS tem aprendido e fortalecido por meio do Transformando Territórios, programa voltado ao desenvolvimento da filantropia comunitária e territorial no Brasil.

As organizações acompanhadas pelo programa atuam profundamente conectadas aos lugares onde estão inseridas. Conhecem lideranças, iniciativas sociais, empresas, poder público, desafios e oportunidades. Por essa proximidade, conseguem aproximar atores e recursos de realidades que dificilmente seriam compreendidas da mesma forma a partir de fora.

A partir dessa experiência, o IDIS tem fortalecido a compreensão de que essas organizações cumprem um papel essencial como parte de uma infraestrutura territorial para a filantropia comunitária no Brasil.

Infraestrutura, aqui, não significa centralizar decisões ou falar em nome do território. Significa criar condições para que recursos circulem, atores se encontrem, informações sejam produzidas e interpretadas, organizações locais sejam alcançadas, relações de confiança sejam construídas e soluções do próprio território encontrem novas conexões.

Falamos muito sobre quais projetos financiar. A experiência em Manaus reforçou que também precisamos discutir o que precisa existir no território para que esses investimentos façam sentido e funcionem melhor.

Visita a territórios de Manaus

 

Governança e confiança caminham juntas

Essa discussão também convida a rever a forma como equilibramos controle, confiança e colaboração. A busca por segurança, governança e prestação de contas é necessária. Ao mesmo tempo, ela ganha potência quando combinada com participação, escuta e decisões compartilhadas.

Essa colaboração também tem avançado entre organizações financiadoras, que vêm buscando formas de coordenar esforços, compartilhar aprendizados e construir agendas comuns. Esse movimento é importante para ampliar o alcance dos recursos e reduzir a fragmentação das iniciativas.

Colaborar exige reconhecer conhecimentos diferentes, construir acordos e aceitar que quem está mais próximo do problema precisa participar da construção da resposta.

Um coletivo não nasce apenas porque colocamos várias organizações na mesma mesa. Um território também não se fortalece simplesmente porque recebeu mais recursos. É preciso construir condições para que esses recursos encontrem e fortaleçam o que já existe.

Essa é uma agenda relevante para a filantropia, o ISP e o investimento de impacto. Precisamos continuar olhando para quanto capital conseguimos mobilizar, mas também para a qualidade das relações, capacidades e mecanismos que construímos para que esse capital gere transformações mais duradouras.

O que permanece quando o recurso sai?

Manaus tornou essa pergunta muito concreta.

Em uma grande cidade no coração da Amazônia, convivem riqueza, conhecimento, atividade econômica, desafios sociais e ambientais e comunidades que ainda encontram barreiras para acessar recursos. O território não foi cenário para as conversas. Foi parte delas.

Avançar não significa apenas mobilizar mais capital ou desenvolver novos instrumentos. Significa fortalecer relações, capacidades e mecanismos que ajudem esse capital a compreender onde está chegando, encontrar quem já produz soluções e contribuir para que essas soluções se ampliem sem perder vínculo com sua origem.

Projetos terminam. Editais fecham. Financiadores mudam prioridades. Recursos entram e saem.

O que construímos a partir deles pode durar muito mais: conhecimento, relações, organizações fortalecidas, redes e comunidades com maior capacidade de participar das decisões que afetam suas vidas.

Por trás dos instrumentos, estratégias, indicadores e recursos estão pessoas. Pessoas que conhecem seus territórios, constroem respostas, mobilizam outras pessoas e começam a transformar suas realidades muito antes da chegada de qualquer financiamento.

Também ficou evidente que há muitas organizações, empresas, investidores sociais e lideranças revendo práticas, fazendo perguntas e buscando outras formas de trabalhar juntos. O desafio agora é fazer com que essa disposição se traduza em relações mais consistentes e em formas de fazer que mantenham as pessoas no centro.

Quando o recurso sair, o que terá ficado no território e na vida das pessoas que o constroem todos os dias?

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

Organizações do Transformando Territórios participam de intercâmbio em Minas Gerais

No mês de julho, o Fundo Jequi recebeu três das 14 FICs – Fundações e Institutos Comunitários que compõe o Programa Transformando Territórios do IDIS que possibilitou o intercâmbio, uma experiência profundamente enriquecedora, marcada pela troca de conhecimentos e diferentes formas de construir transformação social a partir dos territórios. Ao longo dos dias de visitas, os desafios e os sonhos compartilhados aproximam as organizações, que apostam na potência e protagonismo das comunidades.

Entre os participantes, estiveram o Instituto Cacimba, representado por Willians, Diretor Presidente; o ICP – Instituto Comunitário Paraty, representada por Andreia Carvalho, Diretora Executiva, e Ana Carolina, Conselheira do Instituto; e Fundo Comunitário da Maré, representada por Kelly Marques, gestora de Captação de Recursos e Relacionamento Institucional, e Maurício Dutra, coordenador do Eixo Direitos Urbanos e Socioambientais.

Para representar o Fundo Jequi, instituto anfitrião, estiveram presentes Tião Rocha, Fundador do Fundo; Flávia e Marton, Presidente e Vice-Presidente do Fundo; Guilherme, Analista de Projetos; e Claudia, Articuladora Local. A viagem foi marcada por experiências que evidenciaram a potência da organização comunitária e a capacidade dos territórios de construírem soluções a partir de seus próprios saberes.

Projetos que transformam o território

Além dos momentos de diálogo entre as instituições, também ocorreu visitas e trocas. Começando pelo projeto Conexão Verde, na Serra do Elefante, mostrando como o turismo de base comunitária pode ser uma estratégia de desenvolvimento local, geração de renda e preservação ambiental. As FICs puderam conhecer diversos projetos, tornando a visita ainda mais imersiva, como o Projeto Ser Criança, Dedo de Gente, Projeto de Jiu-Jitsu, Projeto de Robótica Sustentável. Cada projeto com sua particularidade, mas com um objetivo em comum, fomentar espaços com liberdade, onde crianças e adolescentes, principalmente, experimentam a natureza, criam coletivamente e constroem relações permeadas pelo afeto e pela curiosidade.

A programação também proporcionou o contato com iniciativas que valorizam a cultura, os saberes tradicionais e a identidade do território. No Cinema de Araçuaí, na Turma da Mandioca, no Quintal da Neide e no Museu de Araçuaí, as FICs conheceram experiências que fortalecem memórias, conhecimentos locais e vínculos comunitários, além de promoverem o protagonismo de mulheres e diferentes gerações.

Entre tantos formatos, as experiências reforçaram uma ideia comum às FICs: os territórios são espaços de produção de conhecimento, onde saberes, histórias, relações e recursos locais podem ser mobilizados para construir caminhos próprios de desenvolvimento e transformação.

Sobre o Transformando Territórios

A iniciativa é do Programa Transformando Territórios, e conta com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, auxiliando no fortalecimento das Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes e as organizações que fazem a mudança social acontecer nos territórios.

Bibliografia sobre Filantropia Comunitária

A literatura sobre Fundações e Institutos Comunitários é muito vasta e rica, para facilitar a leitura inicial sobre o conceito e referências nacionais sobre o tema separamos estas doze bibliografias.

Para cada território, uma solução: práticas para fundações e institutos comunitários no Brasil

Filantropia Comunitária: Terreno Fértil para o Desenvolvimento Social. 

Fundações Comunitárias no Brasil: Presente e Futuro

What do we mean by community foundation

Community Philanthropy and a New Model of Development Hodgson

Expandindo e fortalecendo a filantropia comunitária no Brasil.

Community Foundation Atlas

Columbus Survey Results

The New Generation of Community Foundations.

Em Busca do Equilíbrio

Carta de Princípios da Rede Iberoamericana de Fundações Cívidas e Comunitárias.

The Growing Importance of Community Foundations

Keeping the “Community” in Community Foundations

Você já ouviu falar em Institutos e Fundações Comunitárias?

O conceito de Fundação Comunitária ou Community Foundations surgiu nos Estados Unidos, mais precisamente em Cleveland/Ohio, como uma solução para a dificuldade que os bancos encontravam em satisfazer o desejo de seus clientes de doar parte de próprios patrimônios em testamentos para endereçar demandas sociais da cidade. À época, não existiam estruturas jurídicas nem modelos consolidados que permitissem doações flexíveis voltadas a demandas locais de maneira organizada e permanente. A fundação comunitária foi uma inovação justamente por oferecer essa governança comunitária e flexibilidade.

Desde então, as Fundações Comunitárias se espalharam pelo país e se tornaram populares no resto da América do Norte, Europa e, nas últimas décadas, nos outros continentes. De acordo com o Community Foundation Atlas, em 2014, cem anos após o surgimento da primeira fundação comunitária, existiam mais de 1.800 dessas organizações no mundo, que movimentam anualmente mais de USD 5 bilhões (ou 25 bilhões de reais).

EXPLORANDO O CONCEITO

Mas o que são Fundações e Institutos Comunitários (FICs)? Certamente você conhece ou já ouviu falar de organizações da sociedade civil (OSCs) que atuam em prol de causas como saúde, combate à fome, educação, meio ambiente, entre outras. Diferente das OSCs tradicionais, as FICs atuam em um território geográfico definido — seja um bairro, distrito, cidade ou região — e trabalham para solucionar os problemas prioritários daquela localidade. A causa central das FICs é o próprio território em que atuam. Por isso, sua atuação é multitemática, abrangendo uma diversidade de temas e questões relevantes para a comunidade local.

Há um ditado na área da filantropia comunitária que diz “conheça uma fundação comunitária e você terá conhecido apenas uma”. Não há duas fundações comunitárias iguais em nenhum lugar do mundo, apesar das características, valores e princípios serem os mesmos ou muito similares.

As FICs se diferem das organizações tradicionais também em outros princípios como:

  • Organizações locais
  • Representadas por membros da comunidade
  • Organizações juridicamente estabelecidas e perenes
  • Multitemáticas
  • Financiadas por fontes de recursos diversas
  • Visão de longo prazo
  • Majoritariamente grantmakers
  • Assessoram a jornada filantrópica do doador
  • Provedoras de apoio institucional e técnico às organizações e iniciativas sociais locais.

 

As FICs são protagonistas da interlocução entre organizações sociais e doadores, sociedade civil e poder público, promovendo transparência e engajamento. Esse modelo de organização social fomenta o protagonismo local e empodera a comunidade reduzindo desigualdades, promovendo o desenvolvimento local sustentável e agindo como interlocutora dos diversos stakeholders (parte interessadas). Veja o funcionamento:

VALORES DAS FICS

As FICs contribuem para a defesa de interesses públicos e da melhoria na qualidade de vida da sociedade como um todo, não à toa possuem valores imprescindíveis para sua atuação:

  • Protagonismo Comunitário: valorização dos ativos locais e engajamento cívico local como as principais forças condutoras do processo de desenvolvimento de comunidades, no qual cidadãos são investidores e responsáveis pela transformação positiva da própria realidade, garantindo a legitimidade das ações promovidas, a defesa dos direitos e interesses comunitários, e a perpetuidade do movimento de melhoria da qualidade de vida local.
  • Defesa dos valores democráticos: como iniciativas coletivas, é imprescindível para o sucesso das FICs que elas defendam e promovam valores democráticos referentes ao direito à vida digna, à justiça social, à instituição de processos participativos, à garantia da liberdade de expressão e ao respeito à diversidade e defesa dos direitos humanos.
  • Transparência: a construção de relações de confiança a partir de comunicação transparente entre atores sociais, da abertura organizacional para o compartilhamento de informações e da divulgação de dados referentes às atividades, processos, tomadas de decisão e à gestão de recursos executadas pela FIC ao longo do tempo.
  • Práticas Sustentáveis: é fundamental o comprometimento das FICs com o uso consciente e sustentável dos recursos naturais do território.
  • Atuação em rede: crença na força das ações colaborativas como meio para se alcançar o desenvolvimento de longo prazo das comunidades sendo, desta forma, amplamente valorizada a articulação e o cultivo de parcerias com representantes dos setores público, privado e social.

INSTITUTOS E FUNDAÇÕES COMUNITÁRIAS NO BRASIL

No Brasil, juridicamente, as FICs podem ser formalizadas como associações — muitas vezes denominadas institutos — ou como fundações. Por isso, utilizamos localmente ambos os termos como sinônimos e nos referimos a elas como Fundações ou Institutos Comunitários, ou, simplesmente, FICs.

Reconhecendo a relevância dessas organizações para o desenvolvimento social inclusivo — com protagonismo da própria comunidade local — o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation, criou o programa Transformando Territórios. A iniciativa fomenta a criação, o fortalecimento e o desenvolvimento de Fundações e Institutos Comunitários no Brasil. Lançado em 2020, o programa atua em conjunto com diversos parceiros e apoiadores, oferecendo suporte técnico, institucional e financeiro às FICs, tanto de forma individual quanto ao coletivo, além de incentivar o engajamento de doadores e da sociedade civil.

Em 2025, 15 organizações de 10 estados brasileiros fazem parte do Programa. Desde o início do projeto, 18 organizações já foram apoiadas, das quais três previamente já se identificavam com o conceito de Fundação Comunitária. Ao participar do Programa, cada organização define sua trilha de desenvolvimento, com metas, objetivos e esforços alinhados com seus territórios, conhecimento e história. Com amplos diálogos, é definida uma estratégia de apoio para cada uma delas, respeitando os saberes, demandas e potenciais locais.


A partir da experiência de quatro anos na condução do programa Transformando Territórios, o IDIS lançou em 2024 um guia a partir de exemplos de quem já transforma territórios. Os conteúdos abordam desde os aspectos legais e estruturais de uma fundação ou instituto comunitário até as melhores práticas para envolver a comunidade local. Baixe agora!


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

#Conhecimento: Cases Transformando Territórios

Conheça a história dos institutos e fundações comunitárias que integram Programa Transformando Territórios! 

 

CASES

 

Sobre o Transformando Territórios

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation que tem como missão fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico. São parceiros institucionais BrazilFoundation e GIFE.

Institutos e Fundações comunitárias tem se consolidado como um importante arranjo institucional para o desenvolvimento social e endereçamento das variadas demandas dos territórios, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto sistêmico para o desenvolvimento da região. São protagonistas da interlocução entre organizações e iniciativas sociais com os doadores, sociedade civil e poder público, promovendo transparência e engajamento. Estas organizações atuam como grantmakers, ou seja, financiam projetos e iniciativas sociais em múltiplas causas para endereçar as demandas e prioridades da região e fortalecem o terceiro setor da região com capacitações e apoio técnico, investem na produção de conhecimento e fomentam a cultura de doação no território onde atuam.

Atualmente o Programa Transformando Territórios é composto por 15 fundações e institutos comunitários oriundas de várias regiões do Brasil, localizadas em 10 estados.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo!

Saiba como doar para Institutos e Fundações Comunitárias

Institutos e Fundações comunitárias são associações que atuam em um território geográfico delimitado, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto sistêmico para o desenvolvimento dessa região. 

O objetivo é promover a interlocução entre as organizações e iniciativas sociais com os doadores, sociedade civil e poder público.

No Brasil, o IDIS, em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation, realiza o programa Transformando Territórios que apoia o fortalecimento e a criação de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil. 

Sabia que você pode ajudar algumas das organizações participantes com doações?

Saiba mais sobre o Transformando Territórios.

Conheça algumas das organizações participantes do Transformando Territórios e doe!

 

BAHIA

Tabôa Fortalecimento Comunitário - Civic & Social Organization - Overview, Competitors, and Employees | Apollo.ioTabôa – Atua na região de Serra Grande, município de Uruçuca, Sul da Bahia, fortalecendo a comunidade pelo acesso a conhecimentos, recursos financeiros e estímulo à cooperação, para que pessoas, negócios e organizações sejam sustentáveis. A atividade é realizada a partir do fomento de iniciativas de base comunitária e empreendimentos socioeconômicos.

 

MARANHÃO

Fundação Baixada – Fundação Comunitária da Baixada MaranhenseInstituto Baixada – Atua na criação de condições materiais para realização de transformações em comunidades vulneráveis da Baixada Maranhense, via captação de recursos, fortalecimento de organizações comunitárias e doações.

ESPÍRITO SANTO

Home | Fundaes - Federação das Fundações e Associações do ...

FUNDAES (Federação do Terceiro Setor do Estado do Espírito Santo) – Congrega as entidades do Terceiro Setor Capixaba, e representa as suas filiadas, buscando uma profissionalização do setor no estado

 

 

RIO DE JANEIRO

Rede de Organizações do BemRede de Organizações do Bem – A Rede de Organizações do Bem iniciou suas atividades em 2012, atuando no financiamento de projetos, investindo na formação e apoio das organizações na região metropolitana do Rio de Janeiro e realizando um levantamento das OSCs do território. Desde então, a Rede tem se especializado na realização de editais para micro apoios financeiros e formações.

SÃO PAULO

Fundação ABHFundação ABH – Tem o papel de potencializar a atuação de iniciativas sociais, como coletivos, movimentos, organizações e lideranças comunitárias na periferia sul da cidade de São Paulo por meio de investimentos financeiros, geração de conhecimento e formação de redes. 

 

FEAV: Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos – Formado por um grupo de entidades assistenciais da cidade de Valinhos no interior de São Paulo, visa o engajamento, consenso e a troca de experiência com a sociedade. A partir do conhecimento gerado nesta troca, a FEAV busca fortalecer a representatividade dos desejos populares junto ao poder público.

 

 

Fundação FEAC » Empoderamos pessoas - Impulsionamos organizações - Potencializamos territórios

Fundação FEAC – Tem como missão a promoção humana, a assistência e o bem-estar social, com prioridade à criança e ao adolescente, em Campinas. Para alcançar esses objetivos, concentra sua ação socioeducativa em três dimensões: empoderamento de populações vulneráveis, potencialização de territórios e impulsionamento de empresas, causas e pessoas.

 

SANTA CATARINA

Home - ICOM - Instituto Comunitário da Grande FlorianópolisICOM: Instituto Comunitário Grande Florianópolis – Apoia empresas e indivíduos para que possam fazer investimentos sociais e doações com alto impacto social. Ao mesmo tempo, auxilia organizações da sociedade civil a terem uma gestão mais eficiente e a servirem como canais de participação dos cidadãos para melhorarem a qualidade de vida na Grande Florianópolis e em Santa Catarina.

Vídeos sobre Filantropia Comunitária

Para aprender mais sobre Fundações e Institutos Comunitários, separamos alguns vídeos que apresentam o conceito de forma ilustrativa e simples!

 

What is a Community Foundation? – KernFoundationLive

 

 

 

Sample Video: What is a Community Foundation?

 

What is a Community Foundation? – Community Foundation of Madison & Jefferson Co.

 

Community Foundation Atlas – Intro Video

 

UK Community Foundations – The power of Community Foundations

 

Global Fund for Community Foundations (GFCF) – A resposta é local: Como a filantropia comunitária transfere poder e muda o mundo

https://www.youtube.com/watch?v=QA88jnFF5hY&t

 

 

Tot Raval Foundation

 

Carta de Princípios para Institutos e Fundações Comunitárias

Saiba os princípios e valores de Institutos e Fundações Comunitárias.

Fundações e Institutos Comunitários (FICs) são organizações que atuam em prol do desenvolvimento comunitário de um determinado território geográfico, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto social positivo para o desenvolvimento do território.

Diferente dos modelos tradicionais de assistência externa ao desenvolvimento comunitário, na qual cidadãos são vistos como beneficiários, as FICs diferenciam-se pela abordagem filantrópica horizontal na qual os cidadãos são coinvestidores e responsáveis pela transformação da própria realidade, estabelecendo uma relação de confiança, transparência e de responsabilidade mútua sobre o bem-estar da comunidade, garantindo a legitimidade das ações promovidas e a defesa dos direitos e interesses comunitários.

Devido ao caráter local de sua atuação e ao protagonismo concedido à comunidade, Institutos e Fundações Comunitárias garantem não apenas a captação e investimento junto à mais diversos territórios, mas também, como profundos conhecedores da realidade local por terem um diálogo estabelecido com a comunidade local, são geralmente as primeiras instituições a responderem às necessidades emergentes do território, direcionando o investimento dos recursos as causas (saúde, sustentabilidade, educação, etc) de maior necessidade do território.

A capacidade em oferecer respostas ágeis e assertivas aos desafios locais, reflete o importante papel desta estrutura institucional para a garantia de direitos e bem-estar social, principalmente diante da eclosão de crises econômicas, sanitárias, ambientais e humanitárias, que evidenciam cada vez mais as desigualdades sociais e a ineficácia do governo em atender a demandas comunitárias urgentes.

Neste sentido, o papel como grantmaker – ou seja, organização distribuidora de recursos – assegura a vitalidade e fortalecimento do setor social  da região, oferecendo às organizações da sociedade civil e coletivos locais tanto o suporte financeiro como também suporte técnico, permitindo a construção de capacidades dessas iniciativas sociais para que sejam capazes de atuar na linha de frente do endereçamento dos mais diversos  desafios sociais.

O sucesso do modelo dos Institutos e Fundações Comunitárias se deve à capacidade em assumir múltiplos papéis exercendo, além do papel de grantmakers e de lideranças comunitárias, a função de articuladoras, capazes de dialogar com o poder público, setor privado, e setor social, de modo a captar e potencializar investimentos na comunidade no longo prazo.

 

VALORES E PRINCÍPIOS

As FICs possuem princípios e valores que norteiam suas ações e atividades. São 9 princípios que guiam as atividades:

  • Instituições locais;

  • Provedoras de apoio institucional e técnico às organizações e iniciativas sociais locais;

  • Multitemáticas

  • Instituições juridicamente estabelecidas, perenes e com visão de longo-prazo

  • Financiadas por fontes de recursos diversas

  • Majoritariamente grantmakers

  • Representadas por membros da comunidade

  • Provedoras de serviços para doadores

 

Além disso, é importante lembrar que as fundações comunitárias  por atuarem na melhoria na qualidade de vida da sociedade e em defesa dos interesses públicos precisam ter alguns valores bem definidos para afirmar sua legitimidade, como a defesa dos valores democráticos e a transparência na comunicação e de dados para criar uma relação de confiança com a comunidade ao seu redor.

Para conhecer mais sobre esses princípios e valores das FICs, confira a Carta de Princípios – Institutos e Fundações Comunitárias.

IDIS e MOTT Foundation iniciam projeto na área da Filantropia Comunitária

O protagonismo social é fundamental para processos de transformação da realidade; que por sua vez são necessários para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. E por isso faz parte dos temas de atuação do IDIS desde a sua fundação.
No Brasil, há inúmeras evidências e pesquisas recentes que indicam que o nível de confiança e credibilidade das instituições do país é extremamente baixo – um quadro que leva os cidadãos a buscarem novas formas de se engajar na solução dos problemas sociais que enfrentam.

Nesse contexto, a filantropia comunitária vem crescendo muito, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo e tem sido foco de estudos, pesquisas e trocas entre organizações que atuam com filantropia.

E o IDIS, junto com a MOTT Foundation, iniciou um projeto para mapear as iniciativas de Filantropia Comunitária no Estado de São Paulo. A primeira atividade, realizada no dia 12 de julho, foi uma oficina para explorar alguns conceitos inerentes ao tema, pois há distintos entendimentos sobre o que é uma comunidade e o que caracteriza uma organização de filantropia comunitária.

“ O que faz o avanço global da Filantropia Comunitária tão entusiasmante é a variedade de formatos que ela assume, adaptações para diferentes contextos, desafios, recursos e lideranças”
Barry Knight e Andrew Milner CENTRIS, Global Alliance for Community Philantropy

Tivemos a participação de algumas importantes organizações que atuam no setor: Fundo Elas, Gife, Wings, Fundo Brasil de Direitos Humanos, CIEDs, Fundação Tide Setubal, Rede de Filantropia para a Justiça Social, ICOM, Fundo Casa, Fundação Affonso Brandão Hennel e Fundação Salvador Arena.

Saiba mais sobre Filantropia Comunitária nesse vídeo desenvolvido pelo Global Fund for Community Foundations: