IDIS 2022: vamos juntos!

Com energias renovadas, muitos planos e disposição, entramos em 2022 prontos para inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto!

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Hoje, compartilho alguns dos principais projetos para o ano que inicia. E por acreditar no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista, convido todos para a atuação em parceria. Vamos juntos sonhar mais, criar mais, transformar mais!

Combater os efeitos da pandemia ainda é urgente. Em 2020, respondemos criando o Fundo Emergencial para a Saúde e fortalecendo o SUS, em 2021, o foco foi o programa Redes para a Inclusão Produtiva, em parceria com o Sebrae SP, e neste ano, reunimos parceiros para lançar o Fundo de Conectividade para escolas da rede pública de ensino, visando dar aos alunos uma estrutura mais adequada para o momento que vivemos. Também nos dedicaremos ao Transformando Territórios, programa de desenvolvimento de institutos e fundações comunitárias por meio do qual, com o apoio da Mott Foundation, investiremos R$ 1 milhão no fomento de iniciativas, e seguiremos na liderança da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, atuando para melhorar o ambiente regulatório para este importante mecanismo de sustentabilidade para causas e organizações.

Entre os projetos de Conhecimento, destaco o mapeamento de tendências da filantropia que lançaremos ainda no início deste ano, além da realização do 11º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que pretendemos realizar em formato híbrido, com sessões presenciais e transmissão ao vivo. Teremos duas publicações sobre Fundos Patrimoniais no Brasil, que nos permitirão entender com mais exatidão o panorama no País, um estudo sobre modelos emergentes de doação, desenvolvido em parceria com a Lilly School of Philanthropy, e o apoio à realização da Pesquisa Voluntariado no Brasil 2001+20.

Por meio da consultoria, vamos manter a realização de projetos customizados para famílias, empresas e organizações da sociedade civil, os apoiando em sua trajetória de investimento social. O suporte para o planejamento estratégico deve se manter forte, e a tendência mostra que há crescente demanda por apoio técnico em áreas como criação de fundos patrimoniais, gestão da doação e avaliação de impacto.

A agenda ESG, por fim, deve seguir ganhando relevância. No ano passado, participamos ativamente da criação do Pacto de Promoção da Equidade Racial e nosso foco será no fortalecimento do pilar SOCIAL, contribuindo ao debate e à produção de conhecimento, por meio de artigos, notas técnicas e eventos, e oferecendo consultoria àqueles que pretendem evoluir nesta pauta.

Internamente, investiremos em processos e no desenvolvimento de nossa equipe, nosso maior ativo!

Os dozes meses parecem pouco, mas não estamos sós. É colaborando uns com os outros e criando pontes que chegaremos mais longe e mais rápido. Será um ano de grandes projetos, de muito impacto e de colaboração!

Um feliz 2022 para todos nós!

Paula Fabiani

R$ 1 milhão em matching para desenvolvimento de organizações comunitárias

Com 14 organizações participantes e R$ 1 milhão de reais captados com a Charles Stewart Mott Foundation para matching de recursos locais, o Transformando Territórios está encerrando 2021 com grandes avanços e planos ainda maiores para 2022. O projeto, realizado pelo IDIS, teve início em 2020 com apoio da fundação americana e tem como objetivo fomentar e apoiar o desenvolvimento de fundações e institutos comunitários no Brasil.

Apesar das grandes dificuldades e mudanças causadas pela pandemia da COVID-19 ao longo dos últimos quase dois anos, o Transformando Territórios continuou as atividades junto a um grupo de 20 lideranças interessadas no desenvolvimento de uma organização comunitária em seus territórios, acreditando que este modelo operacional poderá trazer as mudanças e avanços necessários para a filantropia local.

Entre as ações deste ano, estão workshops, palestras, consultorias individuais e em grupo, fortalecendo e apoiando estes líderes para o desenvolvimento destas organizações. Ao todo, 12 encontros foram realizados ao longo do ano e mais de 200 pessoas foram impactadas.

Para fortalecer as organizações participantes do programa, serão disponibilizados o R$ 1 milhão da Mott Foundation. A doação será em formato de matching, ou seja, para cada 1 real captado por estas organizações a Mott Foundation doa 1 real para elas. Entre os doadores locais, estão o Instituto ACP, que selecionou três organizações para receberem aportes financeiros com atividades de desenvolvimento institucional, e pessoas físicas como José Luiz Setúbal, Teresa Bracher e Flavio Bitelman.

TransformandoTerritorios_BeatrizJohannpeterPara disseminar o conceito da filantropia comunitária e engajar doadores, o Transformando Territórios conta com cinco embaixadores: Beatriz Johannpeter, Helena Monteiro, José Luiz Egydio Setúbal, Lúcia Dellagnelo e Maria Alice (Neca) Setúbal. Ao longo do ano, com apoio do IDIS e da Levisky Legado, dois embaixadores e a filantropa Betty Feffer promoveram eventos para um número restrito de convidados, que puderam debater o tema, conhecer exemplos práticos e planejar estratégias de apoio.

Com planos para 2022, além da continuidade das consultorias, palestras e workshops, o IDIS planeja um seminário com as organizações participantes, apoiadores e embaixadores, além da produção de uma publicação sobre a trajetória deste Programa.

Para conhecer mais sobre as organizações, embaixadores e novidades, acesse o site do Programa Transformando Territórios.

Estudo destaca as empresas líderes em investimento social corporativo no Brasil e no mundo em 2020

Pesquisa inédita realizada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social aponta as organizações que mais destinaram recursos a iniciativas sociais no ano passado

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social realizou, a pedido do Itaú Unibanco, um levantamento sobre o investimento social realizado por empresas do mundo todo durante o ano de 2020. O ranking revela quais são as 10 empresas brasileiras e as 10 internacionais que mais contribuíram para ações socioambientais, por meio de doações e patrocínios, durante o último ano, marcado pela crise sanitária.

No Brasil, a empresa mais bem colocada é o Itaú Unibanco, com valor total investido de R$ 1,8 bilhão. O banco também se destacou no ranking global, figurando em 8º lugar, atrás apenas de gigantes norte-americanas e uma grande organização chinesa. Ainda neste ranking internacional, o destaque foi a empresa Microsoft, com US$ 2,3 bilhões investidos. Confira os rankings a seguir:

 

Ranking Nacional de Doações Corporativas 2020

ORGANIZAÇÃO

VALOR DOADO (R$)

LUCRO LÍQUIDO (R$)

DOAÇÃO/LUCRO LÍQUIDO

# 1 Itaú R$ 1.816.190.000 R$ 15.064.000.000 12,1%
#2 Vale R$ 1.110.380.000 R$ 23.379.960.000 4,7%
#3 Bradesco R$ 947.540.000 R$ 19.458.000.000 4,9%
#4 Cogna Educação R$ 326.850.000 -R$ 5.805.798.000 n/a
#5 JBS R$ 316.100.000 R$ 4.598.300.000 6,9%
#6 Rede D’Or R$ 224.102.000 R$ 459.423.000 48,8%
#7 Banco do Brasil R$ 206.050.000 R$ 13.884.000.000 1,5%
#8 Claro R$ 153.570.000 R$ 3.475.863.000 4,4%
#9 Ambev R$ 150.008.280 R$ 12.104.300.000 1,2%
#10 Petrobras R$ 145.553.000 R$ 6.246.000.000 2,3%
TOTAL R$ 5.396.343.280

Fonte: IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

 

 

Ranking Internacional de Doações Corporativas 2020

ORGANIZAÇÃO

VALOR DOADO (USD)

LUCRO LÍQUIDO (USD)

DOAÇÃO/LUCRO LÍQUIDO

#1 Microsoft

 2.328.500.000

44.281.000.000

5,3%

#2 Salesforce

1.531.000.000

126.000.000

1.215%

#3 Walmart

1.443.000.000

15.201.000.000

9,5%

#4 Google

1.112.000.000

40.269.000.000

2,8%

#5 Wells Fargo

511.412.000

3.301.000.000

15,5%

#6 Cisco Systems

511.000.000

11.214.000.000

4,6%

#7 ByteDance

425.000.000

(45.000.000.000)

n/a

#8 Itaú

350.007.709

2.903.064.174

12,1%

#9 Tencent

330.061.350

23.176.645.161

1,4%

#10 Mastercard

257.168.000

6.411.000.000

4,0%

TOTAL

8.799.149.059

Fonte: IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

 

O critério para o posicionamento das empresas levou em conta o volume financeiro das doações e o percentual que esse valor representa no lucro líquido de cada corporação. Além das doações financeiras em dinheiro, o ranking considera doações de produtos e serviços, patrocínios realizados por meio de leis de incentivo (no caso nacional), doações reportadas em conjunto com outras empresas (desde que especifique o valor de cada uma), e a parcela referente aos aportes da empresa mantenedora via rendimentos dos fundos patrimoniais para os Institutos e Fundações Empresariais.
Além da avaliação quantitativa, o IDIS considerou no estudo o alinhamento estratégico das ações com o negócio da empresa e também se o montante disponibilizado para o combate à pandemia era apenas em caráter emergencial ou se havia histórico e previsão de manutenção dos aportes de recursos.

Todos os valores utilizados na pesquisa foram obtidos em fontes públicas de informação relacionadas à filantropia. São elas: Giving USA 2021, CANDID- Philantropy and Covid- 19 Measuring One Year of Giving, Foundation Maps- Philantropy’s response to coronavirus, Foundation Directory Online, Relação com Investidores (DRE, Reports Covid), Monitor de Ações ABCR, GIFE, Leis de Incentivo Fiscal e Relatórios Anuais Integrados, de Sustentabilidade, Responsabilidade Corporativa e ESG.

O RANKING DE DOAÇÕES CORPORATIVAS complementa os achados recentemente divulgados do Censo GIFE e Relatório BISC. Os estudos, que contemplam parte considerável das mais importantes empresas do País, estimam um volume de R$ 6,9 bilhões relativo ao investimento social privado em 2020. A considerar diferenças metodológicas e de amostra, o investimento total das 10 empresas que compõem o ranking nacional realizado pelo IDIS é de R$ 5,4 bilhões, mostrando uma concentração grande dos investimentos em poucas empresas.

“Dados são essenciais para orientar nossa ação. Fica claro que o investimento social corporativo ainda está muito concentrado e que é preciso engajar cada vez mais organizações. Esta é uma jornada que começa com o entendimento de que as empresas são parte da solução de nossos desafios socioambientais e segue até um comprometimento de longo prazo com a transformação. Outro ponto importante a se considerar será o comportamento dessas empresas nos próximos anos, o quanto o incremento visto em 2020 influenciará suas estratégicas e políticas de investimento social corporativo, assim como o efeito no setor em geral.”, comenta Renato Rebelo, diretor da unidade de Consultoria do IDIS.

Baixe a publicação completa aqui.

Panorama dos Fundos Patrimoniais no Brasil é tema de nova publicação do IDIS

Será que existem muitos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil? Qual será o patrimônio deles? Quantos estão dentro do modelo da lei 13.800 que os regulamenta? Em quais setores eles são mais comuns e quais causas apoiam?

 

Essas são algumas perguntas que pessoas que trabalham com investimento social privado e se preocupam com a sustentabilidade de causas e organizações se fazem de vez em quando, e não encontram respostas.

 

Para suprir essa lacuna de conhecimento sobre os Fundos Patrimoniais, o IDIS está preparando uma nova publicação: PANORAMA DOS FUNDOS PATRIMONIAIS NO BRASIL.

 

O ‘coração’ da publicação será uma lista com dados sobre os principais endowments brasileiros. Ao todo, foram mapeados cinquenta Fundos Patrimoniais em atividade, sendo que mais de trinta foram criados depois que o IDIS iniciou o advocacy. O patrimônio total alocado nos Fundos, atualmente, ultrapassa R$ 75 bilhões, e a faixa de valor na qual há maior concentração de endowments é entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões.

 

Além disso, o livro vai trazer uma breve história dos endowments no Brasil e no mundo, destaques para cases exemplares, e sessão especial para aqueles que estão em dúvida se devem ou não estruturar um Fundo Patrimonial.  O objetivo é criar um material de leitura rápida, porém carregado de dados importantes para quem lida ou quer lidar com o tema.

 

A publicação conta com o apoio de BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, Instituto Sabin, Luis Stuhlberger, Pragma Gestão de Patrimônio, Sitawi Finanças do Bem, Teresa Bracher e WINGS Worldwide Initiatives for Grantmaker Support. O lançamento está previsto para fevereiro de 2021.

 

Promotores desta causa deste 2012, para fortalecer este mecanismo de sustentabilidade para causas e organizações, oferecemos consultoria e lideramos a Coalizão Pelos Fundos Filantrópicos. Entre as conquistas, a aprovação da Lei 13.800, em janeiro de 2019.

Mais sobre Fundos Patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzidos pelo IDIS aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

IDIS atualiza valores institucionais 

Os valores são as diretrizes que guiam a equipe no caminho em direção à missão do IDIS. Eles representam a nossa identidade e como nos orientamos internamente na solução de problemas e tomada de decisão. Com a renovação da marca institucional do IDIS e com o crescimento da equipe IDIS nos últimos anos, voltamos os olhares para dentro, buscando identificar quais os valores que compartilhamos enquanto organização.

É a nossa cultura que nos une na missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Com este objetivo e em um intenso processo de conversas e reflexões juntos aos colaboradores, identificamos internamente aquilo que nos define enquanto organização, e de forma participativa com toda a equipe, alinhamos e colocamos em palavras nossa cultura e nossos valores:

Excelência

Nossos projetos e iniciativas são desenvolvidos com embasamento técnico. Estudo, pesquisa, leitura, estudos de caso, entrevistas com especialistas e análise de dados são insumos diários da nossa atuação. Somos inteiramente responsáveis pelas informações que transmitimos para nossos clientes, parceiros e para a sociedade em geral, e o rigor técnico com o qual elaboramos nossos conteúdos é o que constrói e mantém a credibilidade da organização.

Os desafios para a busca de um futuro mais justo e sustentável são inúmeros e enormes, mas nós sonhamos grande e enfrentamos a complexidade e os obstáculos de frente! Cada um dos projetos e iniciativas que realizamos nos ensina novos caminhos e nos traz ainda mais ferramentas a serem usadas para dar passos cada vez maiores em direção à nossa missão.

 

Aprendizado

A busca pelo conhecimento é uma caminhada que nunca chega ao fim. Somos curiosos! Há sempre um novo conceito para aprender, há sempre uma nova tendência que desponta no mundo, há sempre um novo autor, uma organização que propõe um modelo de atuação totalmente novo, uma nova pesquisa, um evento que nos abre novas portas e tantas outras oportunidades. Esse vasto mar aberto do conhecimento nos inspira, nos entusiasma e incentiva cada um de nós a buscar sempre mais.

A reflexão sobre estratégias e caminhos é fundamental para definirmos a direção a seguir, mas também somos implementadores! Botamos a “mão na massa” e tiramos os planos do papel para lidar com as árduas barreiras da realidade prática. Além disso, após cada execução realizada, analisamos cuidadosamente os aprendizados de cada etapa, para que possamos estar cada vez melhor preparados para os próximos desafios, já que sabemos que eles serão cada vez maiores.

 

Colaboração

Acreditamos que a pluralidade de opiniões, origens, histórias de vida e de repertório enriquecem o nosso trabalho e aumentam o nosso potencial de impacto. Por isso, agimos de forma colaborativa, celebramos a diversidade e acreditamos no poder das parcerias. Cada pessoa traz uma contribuição única e, juntos, podemos aprender uns com os outros, analisar com mais profundidade e ter melhores ideias e resultados.

 

Respeito

Vivemos na era das polarizações, e percebemos a dificuldade de encontrar bases de pensamento comum entre diferentes atores. Diante disso, torna-se ainda mais importante manter uma postura propositiva, que incentiva a abertura ao diálogo, o respeito e a escuta como estratégia para unir esforços, ao invés de acentuar os conflitos. Acreditamos que trabalhar para construir propostas e soluções é muito mais eficaz do que criticar e apontar erros. Mesmo em visões de mundo distintas, podem existir objetivos comuns e é aí que devemos explorar todo o potencial transformador das parcerias.

Transparência

Nenhum passo ou resultado deve ser celebrado se não estiver completamente pautado por atitudes éticas, que garantam o respeito, a transparência e a conformidade com leis, normas, princípios morais e o reconhecimento de que, acima de qualquer coisa, somos seres humanos buscando contribuir com o bem-estar de outros seres humanos.

Sustentabilidade

Sabemos que a nossa jornada e nossa missão exigem um esforço de longo-prazo. Portanto, garantir a perenidade da nossa atuação é fundamental para a continuidade da nossa operação. Precisamos realizar a melhor gestão possível dos nossos talentos, recursos financeiros e do nosso conhecimento, para que todos eles sejam aplicados em sua maior potência.

Prazer, somos o IDIS!

Equipe_IDIS

 

 

 

Retrospectiva 2021: um ano de mudanças e esperança

Em 2021, tivemos mudanças significativas no IDIS e também no mundo. Logo no início do ano, deu-se início à vacinação contra COVID-19 no Brasil, trazendo esperança em contraponto aos desafios e incertezas que enfrentamos em 2020. Aqui no IDIS, isso nos contagiou e continuamos nos adaptando às novas possibilidades e respondendo aos desafios criados por essa nova realidade. 

Entre as mudanças, estabelecemos, por definitivo, a nossa nova marca e lançamos um novo site institucional. Nossa tradicional newsletter mensal, o InVista Social, também ganhou nova cara e ampliamos a nossa presença nas mídias sociais. Renovamos nossos valores institucionais e também reinauguramos nosso escritório, reformado, acolhedor e mais adequado aos novos tempos! 

 

O nosso tripé de atuação consultoria, projetos de impacto e conhecimento se consolidou. Foram mais de 50 projetos executados com focos diversos como planejamento estratégico, estruturação de fundos patrimoniais, gestão da doação e avaliação de impacto.

 

Já na área de conhecimento, continuamos com nossa vocação de refletir sobre tendências, ler cenários e sistematizar conceitos e metodologias. Foram mais de 10 publicações, artigos e notas técnicas lançadas, 10 eventos. Neste ano, lançamos a segunda edição da Pesquisa Doação Brasil e realizamos duas edições do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, uma online e outra presencial ao final do ano, quando a pandemia permitiu um encontro reduzido e ao ar livre. Ao todo, impactamos diretamente quase 100 mil pessoas!

 

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado em 17 de novembro de 2021. (Foto: André Porto)

 

Os projetos de impacto, que o IDIS implementa e lidera, continuaram avançando e retomando atividades presenciais conforme a pandemia permitia. O Transformando Territórios, em parceria com a Charles Mott Foundation, que fomenta a criação e consolidação de institutos e fundações comunitárias, arrecadou mais de R$ 1 milhão para realizar doações em formato de matching  para as 14 organizações participantes. E o Pacto de Promoção da Equidade Racial foi lançado, em que auxiliamos na criação do IEER – Índice ESG de Equidade Racial, que guiará empresas e investidores interessados e comprometidos com a causa racial. Já o programa Redes para Inclusão Produtiva, em parceria com o Sebrae-SP, iniciou a última das cinco etapas de fortalecimento de organizações sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social, fomentando o empreendedorismo e a geração de renda em quatro macrorregiões do Estado de São Paulo.

 

Conforme as taxas de vacinação aumentavam e o número de casos de COVID-19 se estabilizaram, voltamos a nos encontrar presencialmente no escritório com limitação de pessoas e com cuidados sanitários. Após a vacinação completa de toda a equipe, nos reunimos pela primeira vez em uma confraternização de final de ano para celebrar as conquistas do ano que passou. 

 

 

Foram muitas histórias ao longo do ano. Os detalhes, contaremos em nosso relatório de atividade, que será lançado em 2022. Mas não poderíamos encerrar o ano sem agradecer a todas e todos que estiveram conosco – equipe, conselho, clientes e parceiros. 

 

Esperamos que tenham um ótimo período de festas e que as energias se renovem, pois há muito ainda para construirmos!

 

 

IDIS busca Coordenador(a) de Prospecção e Parcerias

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de captação.

A pessoa será coresponsável pela execução das atividades da área de relacionamento e parcerias do IDIS, realizando atividades relacionadas ao planejamento e implantação da mobilização de recursos por meio de projetos e parcerias que estejam alinhados a missão do IDIS.

 

Para cadastrar-se para essa oportunidade, acesse nossa página da 99 Jobs até 12 de dezembro.

RESPONSABILIDADES

 

_Prospectar oportunidades e elaborar estratégias de mobilização de recursos e prospecção de novos projetos e parceiros.

_Co responsabilizar-se pelas negociações em andamento de prospecções de novos projetos, clientes e parceiros.

_Apoiar no cumprimento das metas acordadas a cada ano.

_Atualizar junto da área de Comunicação os materiais de vendas de serviços do IDIS (apresentação institucional, folder, lâminas de venda ou qualquer outro material que seja criado para venda de serviços).

_Apoiar na elaboração do planejamento estratégico, metas e orçamento anual juntamente com as outras áreas da organização.

_Participar de seminários, encontros, fóruns e outros eventos do setor para promover o relacionamento institucional do IDIS com diferentes públicos e atores do investimento social.

_Representar o IDIS em mídias sociais e entrevistas, sempre que necessário.

_Representar o IDIS em eventos e reuniões, sempre que necessário.

_Zelar pela ética e valores institucionais do IDIS.

_Promover a cultura organizacional do IDIS e os valores da organização.

_Prospectar clientes para parcerias nacionais e internacionais.

_Elaborar propostas de escopo de iniciativas e propostas comerciais para clientes e parceiros em português e inglês.

_Organizar, ler e analisar documentos e outras fontes de informações.

_Elaborar apresentações e relatórios em português e inglês.

_Manter os dados atualizados e organizados no sistema de CRM.

_Apoiar a Gerência de Prospecção de Projetos e Parcerias em seus desafios.

_Apoiar a condução e desenvolvimento das atividades da área de relacionamento e parcerias do IDIS, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.

_Participar de reuniões periódicas junto ao time IDIS para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.

_Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS.

_Apoiar a Gerência de Comunicação em temas estratégicos para base de desenvolvimento de conteúdo de comunicação.

 

Instrução e Experiência

 
Formação superior completa e experiência mínima de 3 anos em relacionamento e captação de recursos com foco em Investimento Social Privado.

 
Conhecimentos específicos:
 

_Conhecimentos avançados sobre estratégias, políticas e práticas de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto.

_Conceitos e técnicas de mobilização de recursos.

_Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas.

_Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.

_Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões.

_Habilidade de networking e relacionamento institucional.

_Conhecimentos avançados de inglês na linguagem oral e escrita.

Competências:

Iniciativa, desenvoltura, planejamento, organização, gosto pelo estudo, capacidade para solucionar problemas, capacidade analítica, foco em resultados, bom relacionamento interpessoal.

 

benefícios

Contratação PJ
Início em Janeiro de 2022
Tipo de trabalho – Híbrido (remoto e presencial)
Combinação de presencial e remoto, com disponibilidade para viajar quando a pandemia permitir.

LOCALIZAÇÃO

Localização: São Paulo – SP (próximo à estação Pinheiros do metrô e trem)

 

INSCRIÇÕES

Essa oportunidade está disponível em nossa página da 99 Jobs, inscreva-se até 12 de de dezembro.

sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do investimento social

 

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Saiba como doar para fundos patrimoniais

Fundos Patrimoniais Filantrópicos são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade de organizações e causas. Saiba como doar para fundos que aceitam doações de pessoas físicas para aumentar o patrimônio e, consequentemente, os rendimentos para diversas causas.

 

LUMINA – Fundo Patrimonial da UNICAMP

O LUMINA é o Fundo Patrimonial da Universidade Estadual de Campinas. Tem como missão atrair e ser uma fonte de recursos perene, dedicada a apoiar e financiar projetos e iniciativas da universidade nos campos de ensino, pesquisa, extensão, inovação, empreendedorismo, cultura e assistência.

Para doar, acesse: funcamp.unicamp.br/fundolumina

 

Fundo Areguá

O Fundo Areguá oferece bolsas de estudos para alunos da faculdade de medicina da Santa Casa de São Paulo, além de apoiar projetos de pesquisa da instituição.

Para doar, acesse: fundoaregua.org.br/doacoes

 

Fundo Baobá para Equidade Racial

O Fundo Baobá para Equidade Racial é o primeiro e único fundo dedicado, exclusivamente, para a promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. Criado em 2011, é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo mobilizar pessoas e recursos, no Brasil e no exterior, para o apoio a projetos e ações pró-equidade racial.

Para doar, acesse: baoba.colabore.org/doe

 

Fundo Patrimonial FEAUSP

O Fundo Patrimonial FEAUSP proporciona maior diversificação nas fontes de receita para a instituição. O investimento perene tem como foco fortalecer e ampliar as iniciativas relacionadas a FEA, focando em ensino, pesquisa e extensão. 

Para doar, acesse: fpfeausp.org.br/pessoa-fisica

SEMPRE FEA

O Sempre FEA é um fundo patrimonial criado por ex-alunos da FEAUSP para apoiar projetos e alunos, professores, funcionários e entidades da FEA USP. Em dois anos de existência, já apoiaram cerca de 40 projetos e impactando mais de 300 pessoas diretamente.

Para doar, acesse: semprefea.org.br/doe

 

Fundo Patrimonial da USP

A Fundação tem o objeto social contribuir para o desenvolvimento educacional e intelectual de alunos e ex-alunos da USP, bem como da sociedade em geral, por meio de programas, projetos e outras ações relacionados à promoção da educação em sentido amplo, promoção da cultura e do desporto, promoção da preservação e da manutenção do patrimônio histórico e seus acervos; outras finalidades de interesse público a serem determinadas pelo Conselho de Administração.

Para doar, acesse: uspfundopatrimonial.org.br

 

AMIGOS DA POLI

O fundo patrimonial Amigos da Poli apoia projetos da Escola Politécnica da USP e sua comunidade, convictos de que a educação é o futuro do país. Entre as iniciativas, está um Edital de Projetos anualmente, aberto a toda comunidade politécnica, onde buscam projetos para financiamento e o Centro de Carreira da Poli, conexão entre os alunos e alunas com o mercado de trabalho.

Para doar, acesse: amigosdapoli.com.br

 

Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio

A Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio apresenta o fundo Endowment, destinado a arrecadar recursos financeiros para diversas frentes da universidade. Essas doações ajudam a manter, por exemplo, bolsas de estudos na PUC-Rio para alunos de baixa renda e a aperfeiçoar serviços da AAA. 

Para doar, acesse: endowment.aaa.puc-rio.br

 

Mais sobre fundos patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, clique aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

IDIS participa de evento sobre tendências 2022 da Ipsos

O evento Como será o Brasil pós-pandemia? | Tendências Ipsos Flair Brasil 2022, aconteceu na última semana de novembro, em formato online, com audiência de quase 1.000 participantes. Paula Fabiani, CEO do IDIS, participou do painel ‘Eleições 2022 e o impacto da pandemia no cenário político-social’. Também houve participação de Silvio Cascione, Diretor no Brasil da Eurasia Group e Luciana Obniski, Gerente Sênior de Ipsos UU, com a moderação de Helio Gastaldi, Head de Public Affairs da Ipsos no Brasil. 2022

 

Assista ao evento na íntegra:

 

CAF America lança 8º relatório sobre impacto da COVID-19 nas organizações da sociedade civil

Para mapear o impacto da COVID-19 nas OSCs ao redor do mundo, a Charities Aid Foundation (CAF) America lança o 8º relatório da série que vem acompanhando esse tema. Ao total nesta última pesquisa, foram coletadas 436 respostas de cinco países, incluindo África do Sul, Argentina, Brasil, Rússia e índia .

 

A área de abrangência dessa pesquisa levou em consideração os países atingidos pela pandemia e que constam com participação da CAF America na gestão da doação. Entre as 436 organizações respondentes, 162 são do Brasil.

FRAGILIDADE DAS PEQUENAS ORGANIZAÇÕES

Organizações de menor porte foram as que mais tiveram dificuldades desde o início da pandemia devido ao adoecimento de funcionários pela COVID-19 e ao distanciamento social, ocasionando a dificuldade de arrecadação de recursos.

MUDANÇA NA captação

A diminuição de doações de pessoas físicas e empresas foi observada por organizações de todos os tamanhos. Dessa forma, houve a necessidade de rápida adaptação à nova realidade da captação de recursos online por conta da impossibilidade de realização de eventos e pedidos presenciais.

Segundo a pesquisa, a maioria das organizações acredita que as prioridades do doador mudaram devido à pandemia, causando o redirecionamento de recursos de longo prazo para situações de emergência. Assim, organizações que não respondem diretamente a necessidades básicas nestes tipos de situação acabam tendo dificuldade em captar recursos em momentos de crise.

A SOCIEDADE CIVIL ESTÁ SE ADAPTANDO

Em todos os países foi destacada a necessidade de preparação para situações emergenciais, criação de planos de contingência em caso de interrupção de doações, além de organizar como continuar prestando serviços aos beneficiários quando uma crise surge.

Mais de 50% dos respondentes acreditam estar mais preparados agora para responder a crises ou desastres em comparação ao primeiro ano da pandemia (março de 2020 até março de 2021).

Baixe aqui o relatório completo em inglês.

Confira o lançamento, em inglês, deste material:

Jovens brasileiros: confiança nas ONGs e no poder da doação

Pesquisa Doação Brasil, promovida pelo IDIS, traz destaques sobre os jovens

Quando o assunto é doações, os jovens brasileiros são os que mais confiam nas organizações da sociedade civil e acreditam no poder transformador da doação. Quase a metade (45%) dos jovens com idade entre 18 e 29 anos acha que as ONGs são muito responsáveis pela solução dos problemas sociais e ambientais do País, enquanto na população em geral, apena 34% têm a mesma opinião. Os jovens também têm mais confiança no Terceiro Setor, com 32% deles concordando totalmente que as ONGs deixam claro o que fazem com os recursos que aplicam. Na média brasileira, esse grau de concordância é de 24%. E ¾ dos jovens têm certeza de que o fato de doar faz diferença, uma proporção bem maior do que a da sociedade em geral, que fica em 67%.

 

Abaixo o cruzamento dos dados sobre a opinião sobre ONGs e faixa etária do público entrevistado.

Esses e outros dados sobre doação você encontra no site da Pesquisa Doação Brasil, que acaba de lançar novas funcionalidades, tais como filtros por idade, região, escolaridade e renda, entre outros.

A Pesquisa Doação Brasil, único levantamento no país dedicado a traçar o perfil do doador individual brasileiro, é uma iniciativa coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e realizada pela Ipsos Brasil Pesquisas de Mercado.

 

Faça download da pesquisa completa gratuitamente clicando aqui.

Como medir impacto social?

Você sabia que é possível medir o impacto de uma organização de forma pragmática? Existem ferramentas que transformam percepções e sorrisos com dados, informações gráficos e indicadores.

Confira a participação de Raquel Altemani, gerente de projetos do IDIS, no podcast Aqui se Faz, Aqui se Doa, do Instituto Mol, contando sobre a experiência na coordenação de projetos de avaliação de impacto. Também teve a participação de Paulo Zuben, diretor pedagógico da Santa Marcelina Cultura, que compartilhou o processo de avaliação do Programa Guri.

Confira o episódio na íntegra:

 

Veja também: Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

#FórumIDIS – Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia

Conheça os destaques da edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Dias após a 26ª Conferência do Clima da ONU, a mesa “Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia” reuniu Renata Piazzon, gerente do progama Mudanças Climáticas do Instituto Arapyaú, e Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, com moderação de Paula Fabiani, CEO do IDIS, na edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais.

Após identificar uma fragmentação nas iniciativas da Amazônia e sem resultados aparentes mesmo com investimento filantrópico na região, surgiu a Concertação pela Amazônia. “A gente viu que precisamos nos unir e fazer filantropia diferente. E também percebemos que não faríamos nada sem o setor privado, que deveria ser protagonista dessa agenda”, explica Renata Piazzon sobre a rede, criada há um ano e meio e que hoje conta com mais de 400 lideranças de diferentes setores. Destacou também que temos um desafio em termos de escala: “Vimos uma mudança no investimento filantrópico dos milhões para os bilhões, mas a mudança virá quando mobilizarmos trilhões”.

Renata Piazzon, gerente do progama Mudanças Climáticas do Instituto Arapyaú | Foto: André Porto

Sobre a Conferência do Clima, realizada em Glasgow, Reino Unido, que reuniu países para discussão de acordos climáticos, Piazzon compartilhou impressões do que observou nas discussões. “Na COP-26, vimos três ‘Brasis’: um era o do governo federal isolado; o Brasil da diplomacia buscando achar consensos e que fechou o acordo do artigo 6 sobre mercado de carbono; e o Brasil da sociedade, da sociedade civil, que chegou vibrante e diversa”, relata. Além disso, na temática sobre ESG, Renata conta que, ao longo das discussões da COP-26, ficou clara como estão caminhando juntas as agendas “E (Ambiental)” e “S (Social)”, da sigla em inglês ESG.

Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio | Foto: André Porto

Marcello Brito, da Associação Brasileira do Agronegócio, iniciou a fala mencionando a importância do “G (Governança)” da sigla ESG. “Sem o G, não chegamos no E ou no S”. Além do cargo de liderança na ABAG, integra a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, rede que reúne mais de 300 participantes, desde pequenos agricultores até grandes empresas de alimentos. Segundo ele, o grupo possui visões divergentes sobre o desenvolvimento do Brasil, e que para avançar, ao invés de buscar consenso em todas as pautas, operam a partir da perspectiva do consentimento, ganhando agilidade para conter retrocessos em curso no País.

“Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia” no 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais | Foto: André Porto

“Em 2022, qual é o projeto cidadão do Brasil?”, questiona Brito para a audiência após mencionar uma reportagem sobre a fome entre a população brasileira. Ele aponta que um Brasil novo surgirá a partir das coalizões de ideias. Se a gente não tiver um monte de gente embarcada, continuaremos perdendo”, conclui. Ainda com olhares para 2022, Renata Piazzon comenta que o Insituto Arapyaú e estas redes vão levar as agendas socioambientais para os futuros candidatos à presidência do Brasil para serem pauta eleitoral. “Acredito que esse será um papel fundamental para a filantropia no ano que vem”, ela diz.

Para saber mais sobre cada uma das sessões, leia as matérias sobre cada uma delas. A gravação de todas também está disponível no perfil IDIS_Noticias no YouTube.

O 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais aconteceu em 17 de novembro de 2021, no Jockey Club de São Paulo. Esta é uma realização do IDIS, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e esta edição teve apoio prata do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, e apoio bronze da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior. Esta foi uma edição especial, que aprofundou as conversas iniciadas no evento online realizado em junho do mesmo ano (saiba mais aqui).

#FórumIDIS: O papel das empresas na Equidade Racial

IDIS reúne comunidade filantrópica e aprofunda debate sobre o ‘Capital e a Humanidade’ na edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

“A desigualdade tem cor e gênero e ela dificulta o desenvolvimento”, afirmou o professor Hélio Santos, presidente do Conselho do Pacto de Promoção da Equidade Racial e Presidente do Conselho da Oxfam Brasil, em sua fala de abertura na mesa ‘O papel das empresas na Equidade Racial’, na edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Hélio contextualizou a questão para a audiência, resgatando a história do negro no Brasil e destacando que não podemos mais desperdiçar talentos de jovens moradores de periferias. Apresentou também o Pacto de Promoção da Equidade Racial, iniciativa lançada em 2021 da qual o IDIS fez parte da realização – “O Pacto é extremamente original e uma iniciativa inédita, que materializa de forma muito clara o papel das empresas”.

Hélio Santos,  presidente do Conselho do Pacto de Promoção da Equidade Racial e Presidente do Conselho da Oxfam Brasil | Foto: André Porto

Confira a gravação do painel na íntegra em nosso YouTube:

 

Integrou também o painel Edvaldo Vieira, CEO da Amil, trazendo a perspectiva empresarial. Bastante engajado com a causa, destacou que não se trata de uma luta entre brancos e negros, e sim de racistas contra anti-racistas. De acordo com seu ponto de vista, é preciso haver ações intencionais nas empresas para desenvolver a diversidade e a inclusão – espontaneamente nada mudará. Trouxe ao público exemplos bastante concretos de como a questão tem sido trabalhada na Amil, que começa com o tema integrando o planejamento estratégico da empresa. O debate também é essencial, e ações como letramento de lideranças, treinamentos de viés do inconsciente foram realizadas e foram criados grupos de diálogo interno. Do ponto de vista de processos, houve revisão na seleção, definição de novos indicadores e definição de metas de desempenho de gestores atrelada à diversidade de suas equipes.

Edvaldo Vieira, CEO da Amil | Foto: André Porto

Sob moderação de Flavia Regina de Souza, sócia de Mattos Filho Advogados, os dois destacaram o papel essencial do envolvimento das empresas para acelerarmos mudanças na equidade racial, e elas devem olhar não só para dentro, mas também agir para fora, por meio de investimento social. Se não o fizerem espontaneamente, serão cobradas por isso. Consumidores exigem um protagonismo cada vez maior das marcas que consomem, as punindo ou recompensando. Investidores também estão atentos, sendo esta questão central no ‘S’ da agenda ESG.

Palestrantes da mesa “O papel das empresas na equidade racial” no 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais | Foto: André Porto

Seguindo os protocolos de segurança para prevenção da COVID-19, a edição especial 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais aconteceu em formato presencial. Ao longo de uma manhã, os convidados voltaram a se encontrar depois de um longo período de contato exclusivamente online, e conversar sobre os desafios que se apresentam e como enfrentá-los a partir da perspectiva da filantropia estratégica. “Com a população cada vez mais vacinada, ousamos reunir nossa comunidade. Para a segurança de todos, optamos por um local aberto e público limitado a 50 pessoas. A sociedade e o meio ambiente exigem ação e saímos com as energias renovadas e com esperança para seguirmos em frente”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS. O tema transversal de todas as sessões foi ‘Capital e a Humanidade’.

Para saber mais sobre cada uma das sessões, leia as matérias sobre cada uma delas. A gravação de todas também está disponível no perfil IDIS_Noticias no YouTube.

O evento aconteceu em 17 de novembro de 2021, no Jockey Club de São Paulo. Ele é uma realização do IDIS, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e esta edição teve apoio prata do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, e apoio bronze da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior. Esta foi uma edição especial, que aprofundou as conversas iniciadas no evento online realizado em junho do mesmo ano (saiba mais aqui).

‘Perspectivas e desafios dos Fundos Patrimoniais no Brasil’ é tema de evento do IDIS 

Quase dois anos após a sanção da Lei 13.800, em janeiro de 2019, que regulamenta os Fundos Patrimoniais no Brasil, o IDIS, com apoio da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, promoveu evento jogando luz a aspectos tributários e à relação do mercado de capitais com a pauta. Os avanços conquistados pela ação de advocacy e casos práticos também foram apresentados.

 

Confira a sessão na íntegra:

Agenda tributária dos Fundos Patrimoniais

Na primeira sessão, Agenda tributária dos Fundos Patrimoniais participaram  Flavia Regina de Souza, sócia do Mattos Filho Advogados,  Hermann Braga, coordenador do Senador Rodrigo Cunha, Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados e conselheira do IDIS, e Paula Fabiani, CEO do IDIS, responsável pela moderação. 

Priscila Pasqualin comentou os esforços da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, composta por mais de 80 membros, entre organizações, empresas e pessoas, de diversas áreas. O grupo está mobilizado para apoiar e promover a articulação necessária para que o Brasil tenha uma legislação que regulamente a existência, governança e operação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e também acelerar a adoção do mecanismo. Entre as principais conquistas está a sanção da Lei 13.800/19,  mas a ação de incidência continua para aprimoramento do ambiente legal.

Hoje, um dos pontos centrais desta pauta é mudar um posicionamento da Receita Federal que prevê tributação dos rendimentos da Organização Gestora de Fundos Patrimoniais (OGFP), ao entender que elas não teriam direito à imunidade de impostos. Esta disposição desestimula a criação de Fundos e está em disputa.

(Para saber mais: Em artigo publicado no Conjur, foi comentado o parecer da Receita Federal, e a Coalizão emitiu uma Carta Aberta.)

Em sua intervenção, Flavia Regina de Souza destacou o contexto sociopolítico da aprovação da lei. “Era melhor ter uma lei que disciplinasse os fundos patrimoniais e não disciplinasse os aspectos tributários do que não ter nada”, ela avalia. “Tem um papel muito importante na legislação de incentivar novos modelos”, concluiu comparando a legislação das OSCIPs iniciada na década de 90. 

Hermann Braga, coordenador do gabinete do Senador Rodrigo Cunha (PSDB/AL) que é relator do PL 158/2017 que visa fomentar a criação de fundos patrimoniais, esteve presente no evento. Braga apresentou a mobilização que o gabinete do senador tem feito na tramitação deste projeto de lei. O objetivo do PL é de autorizar instituições públicas de ensino superior, institutos federais de educação, instituições comunitárias de ensino superior e instituições científicas, tecnológicas e de inovação a constituir fundos patrimoniais vinculados com recursos oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas a fim de criar uma poupança de longo prazo que se torne fonte regular e estável de recursos.

 

Endowment e o Mercado de Capitais

Para falar sobre Endowment e o Mercado de Capitais, o moderador Diego Martins, sócio da Pragma, abriu o painel com um alerta a gestores de fundos patrimoniais: “A diversificação dos investimentos é o que consegue conciliar objetivos de longo e curto prazo”. Reforçou também a questão tributária, que pode interferir no investimento dos recursos alocados de fundos patrimoniais. “Essa é a maior dificuldade hoje de um gestor de investimento: cavar todas as possibilidades possíveis de diversificação respeitando uma série de barreiras legais”.

Eduardo Loverro, head da área comercial da BNP Paribas Asset Management , compartilhou a experiência na gestão de endowments criados por empresas e famílias. Também comentou sobre as especificidades desse tipo de investimento que precisa de rentabilidade a longo e médio prazo. “Eu tenho certeza que os Mercado de Capitais ajudarão o máximo que puder para defender essa questão [tributária dos endowments]. Eu vejo que a geração da rentabilidade contribui diretamente para o desenvolvimento das ações sociais dos endowments, pois você precisa manter um recurso principal e este precisa gerar receita para promover a ação”, acredita. 

Comparando o cenário nacional e internacional investimentos, Clayton Calixto, especialista de produtos da Santander Asset Management ressalta a importância da diversificação dos investimentos na blindagem contra variações no cenário econômico. “Houve um aumento de percepção de risco muito grande e uma desvalorização do patrimônio, inclusive em renda fixa. Se o investidor tivesse feito essa diversificação, sobretudo no exterior combinado com investimentos locais até de mais risco como como a Bolsa e câmbio, teria se protegido muito bem”, explica.  

FUNDOS PATRIMONIAIS E IDIS

A Coalizão pelos Fundos Filantrópicos é um movimento grupo multisetorial composto por mais de 80 membros, entre organizações, empresas e pessoas que apoiam a regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no país e liderado pelo IDIS com apoio jurídico do PLKC Advogados para um ambiente favorável aos endowments no Brasil.

Por meio de consultoria, o IDIS também vem apoiando diversas organizações na constituição de seus Fundos Patrimoniais, como ASA – Associação Santo Agostinho, Unicamp, Unesp, MAR – Museu de Arte do Rio, entre outros. 

No evento, Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS, compartilhou a experiência na liderança de dentro do IDIS em projetos relacionados a este tema. Ela conta que as maiores dificuldades das organizações estão no campo institucional, em  especial no que tange a definição de propósito e aspectos de governança. 

Para saber mais, entre em contato em comunicacao@idis.org.br.

#FórumIDIS: O capital e a equidade de gênero

IDIS reúne comunidade filantrópica e aprofunda debate sobre o ‘Capital e a Humanidade’ na edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

A crise global ocasionada pela pandemia de COVID-19 acentuou as desigualdades de gênero, evidenciando as dificuldades presentes no cotidiano da vida das mulheres. Para falar sobre essa temática na mesa “O capital e equidade de gênero” no 10º Edição do Fórum de Filantropos e Investidores Sociais, convidamos Amalia Fischer, CEO do Elas + Doar para Transformar, Sônia Hess, Vice-Presidente do grupo Mulheres do Brasil e fundadora do Fundo Dona de Mim, com moderação de Marcia Woods, assessora da Fundação José Luiz Egydio Setúbal. Todas destacaram a necessidade e força da colaboração entre os setores no combate à desigualdade no país.

Sônia Hess integrou a mesa e partindo de sua larga experiência à frente de ações voltadas para equidade de gênero destaca que o trabalho em rede, isto é, a ação coletiva e integrada é essencial na luta pelos direitos das mulheres. O Grupo Mulheres do Brasil é um exemplo desta ação, a iniciativa surgiu em 2013 com 40 mulheres com objetivo de engajar a sociedade na conquista de melhorias para o país. Hoje o grupo conta com quase 100 mil integrantes dentro e fora do país atuando em parceria com diferentes esferas do poder para fomentar a adoção de políticas afirmativas e eliminar as desigualdades de gênero, raça e condição social. “Ainda bem que tem um Fórum falando sobre o capital e a humanidade”, exclama Sônia sobre a importância de debater esse tema transversal entre marcadores sociais e o capital.

Palestrantes na sessão “O capital e equidade de gênero” no 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais | Foto: André Porto

Há uma demanda para que todos se engajem em mentes, coração e políticas públicas na luta por um país mais justo e igualitário, ressalta Amalia Fischer, CEO do Elas + Doar para Transformar. Amalia idealizou um fundo de investimento social voltado exclusivamente para a promoção do protagonismo das mulheres. Ela acredita que investir nas mulheres é um dos caminhos mais rápidos para o desenvolvimento de um país. “A proximidade entre a sociedade civil e as empresas é sempre um ganha-ganha”, aponta reforçando que a promoção da equidade de gênero é fortalecida a partir do momento em que os setores se integram.

Amalia Fischer | Foto: André Porto

Segundo ela, “não podemos enquadrar as OSCs na lógica empresarial, pois são diferentes, mas podemos aprender uns com os outros”. Além disso, reforça que todas as causas sociais devem estar conectadas e o debate de gênero não pode ser desvinculado do debate de raça, uma vez que caminham juntas para a transformação da sociedade.

Marcia Woods, assessora da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, moderou a sessão | Foto: André Porto

Seguindo os protocolos de segurança para prevenção da COVID-19, a edição especial 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais aconteceu em formato presencial. Ao longo de uma manhã, os convidados voltaram a se encontrar depois de um longo período de contato exclusivamente online, e conversar sobre os desafios que se apresentam e como enfrentá-los a partir da perspectiva da filantropia estratégica. “Com a população cada vez mais vacinada, ousamos reunir nossa comunidade. Para a segurança de todos, optamos por um local aberto e público limitado a 50 pessoas. A sociedade e o meio ambiente exigem ação e saímos com as energias renovadas e com esperança para seguirmos em frente” comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS. O tema transversal de todas as sessões foi “Capital e a Humanidade”.

Para saber mais sobre cada uma das sessões, leia as matérias sobre cada uma delas. A gravação de todas também está disponível no perfil IDIS_Noticias no YouTube.

O evento aconteceu em 17 de novembro de 2021, no Jockey Club de São Paulo. Ele é uma realização do IDIS, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e esta edição teve apoio prata do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, e apoio bronze da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior. Esta foi uma edição especial, que aprofundou as conversas iniciadas no evento online realizado em junho do mesmo ano (saiba mais aqui).

 

#FórumIDIS: Contexto Brasil: desenvolvimento e filantropia

Conheça os destaques da edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

A filantropia deve atender às demandas da sociedade e por isso, conhecer bem o contexto, saber ler os cenários político e econômico e identificar os atores envolvidos, em especial suas prioridades e limitações, é tão importante para uma ação verdadeiramente transformadora.

Apresentar esta leitura da atualidade foi a missão dada ao economista e ex-Ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, e a Marcia Groszmann, líder de Investimentos para Instituições Financeiras Brasileiras no BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, que participaram do painel de abertura da edição especial do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2021, que teve como tema transversal ‘Capital e a Humanidade’ (leia a notícia completa aqui).

Maílson da Nóbrega no 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais | Foto: André Porto

O Estado deve equilibrar seu papel no desenvolvimento econômico e social, especialmente em momentos como esse em que ele tem que amparar os segmentos menos favorecidos da sociedade e assegurar o melhor ambiente possível de geração de emprego e renda, dotando o país das condições para aumentar seu potencial de crescimento há sinais animadores de que estamos mudando.

Confira a sessão na íntegra em nosso YouTube:

 

Recursos advindos de privatizações e concessões deveriam ser destinados a iniciativas de impacto social e à criação de Fundos Patrimoniais, geridos pela sociedade civil com amarras que permitem vigilância e favorecem a transparência, contribuindo para a sustentabilidade de causas. Em sua visão, essa é uma agenda importante para ser trabalhada junto ao Poder Executivo e ao Congresso, que acredita, não tem isso como prioridade e tampouco recursos, mas sugere que o assunto seja cada vez mais debatido –  “Hábitos se mudam pelo convencimento, pelo exemplo, pela informação confiável, e este deve ser um trabalho sistemático”.

Marcia Groszmann, líder de Investimentos para Instituições Financeiras Brasileiras no BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento | Foto: André Porto

Além da leitura como especialista, falou também a partir de sua experiência como voluntário no GRAAC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, que, segundo ele, é um exemplo do poder transformador das organizações da sociedade civil. Destacou também a importância do avanço da Cultura de Doação no Brasil, citando dados da Pesquisa Doação Brasil, que mostrou que em 2020, 66% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação. Lembrou que no GRAAC, pelo menos um terço dos recursos vem de doações individuais inferiores a R$ 30/mês. E se as pequenas doações fazem diferença, é preciso também estimular os detentores de grandes fortunas. Para isso, Maílson lembrou a importância de aprimoramos a legislação sobre heranças.

Audiência  no 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais | Foto: André Porto

Em relação ao mercado, Maílson e Marcia concordam que empresas podem fazer mais pela sociedade. Maílson lembrou como este setor vem sistematicamente contribuindo para avanços na educação, saúde, e até política, citando iniciativas de formação de jovens lideranças. Marcia enfatizou a agenda ESG como um dos guias para que isso aconteça, e como o tema tem amadurecido no Brasil. Citou em apenas um ano, os fundos de investimento social passaram de 40 para cerca de 100, e que cada vez mais tem sido estabelecidas regras claras para eles – “Os investidores querem ter certeza dos impactos causados por seu dinheiro. Essa sopa de letrinhas veio para ficar”. Sobre a possível resistência para sua consolidação, Maílson destacou que não há volta, lembrando que estamos na era dos stakeholders e que empresas que mirarem apenas o lucro, sem se atentarem a todos seus impactos, não sobreviverão.

Para saber mais sobre cada uma das sessões, leia as matérias sobre cada uma delas. A gravação de todas também está disponível no perfil IDIS_Noticias no YouTube.

O 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais aconteceu em 17 de novembro de 2021, no Jockey Club de São Paulo. Esta é uma realização do IDIS, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e esta edição teve apoio prata do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, e apoio bronze da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior. Esta foi uma edição especial, que aprofundou as conversas iniciadas no evento online realizado em junho do mesmo ano (saiba mais aqui).

IDIS reúne comunidade filantrópica e aprofunda debate sobre o ‘Capital e a Humanidade’

Conheça os destaques da edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Com céu azul e clima de celebração, aconteceu a edição presencial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Ao longo de uma manhã, os convidados voltaram a se encontrar depois de um longo período de contato exclusivamente online, e conversar sobre os desafios que se apresentam e como enfrentá-los a partir da perspectiva da filantropia estratégica. “Com a população cada vez mais vacinada, ousamos reunir nossa comunidade. Para a segurança de todos, optamos por um local aberto e público limitado a 50 pessoas*. A sociedade e o meio ambiente exigem ação e saímos com as energias renovadas e com esperança para seguirmos em frente”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

*A comprovação da vacinação contra COVID-19 era exigida para entrada no evento e o uso de máscaras durante as sessões era obrigatório para a plateia.

Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social na abertura da edição especial do 10º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais – Foto: André  Porto

Tema transversal de todas as sessões, “Capital e a Humanidade” é um assunto que tem ocupado o centro dos debates em diversos setores e continentes. Manifestações ao redor do mundo exigem mudanças no modelo atual, que produz inequidades e destrói os recursos naturais. Surgem movimentos como Imperative 21, campanha que pretende redefinir o capitalismo para maximizar o bem-estar compartilhado em um planeta saudável. O Fórum Econômico de Davos apontou a necessidade de um compromisso novo do capital, e a pandemia de Covid-19 explicitou o poder da colaboração entre os diversos setores e a filantropia.

 

Contexto Brasil: desenvolvimento e filantropia

Maílson da Nóbrega (Foto: André Porto)

O evento abriu com a sessão Contexto Brasil: desenvolvimento e filantropia, com a participação do economista e ex-Ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega e a moderação de Marcia Groszmann, líder de Investimentos para Instituições Financeiras Brasileiras no BID Invest. A importância crescente do investimento social corporativo, o fortalecimento da cultura de doação no Brasil e a necessidade de mudanças na legislação para a destinação de recursos de privatizações e conceções para Fundos Patrimoniais foram os destaques da fala de Maílson. Além da leitura como especialista, falou também a partir de sua experiência como voluntário no GRAAC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, que, segundo ele, é um exemplo do poder transformador das organizações da sociedade civil. Márcia destacou também a importância da mensuração de impacto, demanda cada vez maior dos investidores.

A programação seguiu com três mesas temáticas, que abordaram assuntos bastante contemporâneos, sempre pautados por pesquisas e dados. Confira a matéria completa aqui.

 

 O capital e equidade de gênero

 

Palestrantes da mesa ‘O capital e equidade de gênero’ – Foto: André Porto

Na sessão ‘O capital e equidade de gênero, Sônia Hess, vice-presidente do grupo Mulheres do Brasil e fundadora e idealizadora do Fundo Dona de Mim, e Amalia Fischer, CEO do ELAS + Doar para Transformar, compartilharam seus pontos de vista como articuladoras da sociedade civil e destacaram como tem acontecido o engajamento de empresas. A moderação foi de Marcia Kalvon Woods, assessora da Fundação José Luiz Egydio Setúbal.

Confira o resumo da mesa e a gravação na íntegra aqui.

 

O papel das empresas na Equidade Racial

 

Hélio Santos, presidente do Conselho do Pacto de Promoção da Equidade Racial – Foto: André Porto

Para debater ‘O papel das empresas na Equidade Racial, sob moderação de Flavia Regina de Souza, sócia de Mattos Filho Advogados, foram convidados o professor Hélio Santos, presidente do Conselho do Pacto de Promoção da Equidade Racial e Presidente do Conselho da Oxfam Brasil, que contextualizou bem a questão e destacou o papel inovador do Pacto, e Edvaldo Vieira, CEO da Amil, que trouxe sua experiência como empresário e o caminho que tem trilhado para a construção de um ambiente mais diverso e inclusivo.

Confira o resumo da mesa e o vídeo na íntegra aqui.

 

Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia

Palestrantes da mesa Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia Foto: André Porto

O encerramento foi marcado pelo painel ‘Redes pelo clima: novos modelos de desenvolvimento para o Brasil e a Amazônia, que trouxe os destaques da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, realizada na semana anterior. Renata Piazzon, gerente do programa de mudanças climáticas do Instituto Arapyaú, e Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, deixaram claro que a solução de problemas complexos como a questão da Amazônia passa pela articulação de atores de toda sociedade – empresas, governos, academia, sociedade civil devem atuar juntos.

Confira o resumo e a sessão na íntegra aqui.

confira as discussões

Para saber mais sobre cada uma das sessões, leia as matérias sobre cada uma delas. A gravação de todas também está disponível no perfil IDIS_Noticias no YouTube.

Ao final do evento, dois pontos ficaram bastante evidentes. O primeiro é que a agenda ESG (do inglês, Ambiental, Social e Governança) não é apenas uma moda. Ela veio para ficar e aos poucos, traduzimos para o Brasil não só a sigla, mas também seus significados a partir da realidade e desafios locais. O outro, é a importância crescente do papel da sociedade civil neste momento turbulento do país, e tem se fortalecido e agregado atores. As conquistas podem não acontecer na velocidade que almejamos, mas são contínuas e perceptíveis em todos temas discutidos.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais aconteceu em 17 de novembro de 2021, no Jockey Club de São Paulo. Esta é uma realização do IDIS, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e esta edição teve apoio prata do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, e apoio bronze da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Sicoob, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior. Esta foi uma edição especial, que aprofundou as conversas iniciadas no evento online realizado em junho do mesmo ano (saiba mais aqui).

Vaga para Consultor(a) em Monitoramento e Avaliação de Impacto Socioambiental no IDIS

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Monitoramento e Avaliação.

A pessoa será responsável pela implementação de estudos de monitoramento e avaliação de impacto socioambiental de projetos e programas.

Para cadastrar-se para essa oportunidade, acesse nossa página da 99 Jobs até 2 de dezembro.

Responsabilidades da Oportunidade

 

• Condução de entrevistas individuais e grupos focais.
• Condução de workshops participativos.
• Elaboração da Teoria de Mudança e Marco Lógico.
• Definição de indicadores de monitoramento e avaliação processos, resultados e impacto.
• Planejamento e execuções de coletas quantitativas de dados.
• Pesquisa em dados secundários.
• Análise estatística de dados.
• Análise das informações e elaboração de conclusões e recomendações.
• Elaboração de relatórios e apresentações.
• Zelar pela ética e valores institucionais do IDIS.

 

Instrução e Experiência

Formação superior completa e, preferencialmente, experiência mínima de 3 anos em Avaliação e Monitoramento de projetos e programas socioambientais.


Conhecimentos específicos

• Conhecimento teórico e experiência prévia em Monitoramento e Avaliação de Impacto de projetos e programas socioambientais.
• Experiência em condução de pesquisas qualitativas e quantitativas.
• Experiência em análise estatística de dados.
• Habilidade para sistematizar informações.
• Excel e Power Point avançado.
• Habilidades comportamentais para manter bom relacionamento com equipe e clientes, bem como com outros parceiros estratégicos do IDIS.


Competências

Iniciativa, planejamento, organização, capacidade para solucionar problemas, capacidade analítica, foco em resultados, bom relacionamento interpessoal.

 

Contratação

Contratação PJ
Início em Janeiro de 2022
Remuneração mensal – A combinar
Tipo de trabalho – Híbrido (remoto e presencial)
Combinação de presencial e remoto, com disponibilidade para viajar quando a pandemia permitir.

Localização

São Paulo – SP (próximo à estação Pinheiros do metrô e trem)

inscrições

Essa oportunidade está disponível em nossa página da 99 Jobs, inscreva-se até 02 de de dezembro.

BUSCAMOS A DIVERSIDADE

No IDIS, prezamos pela igualdade nas oportunidades de emprego. Nossas decisões sobre as contratações de funcionários são feitas independentemente de idade, raça, credo, cor, religião, sexo, nacionalidade, orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, informações genéticas, estado civil ou qualquer outra base protegida pela lei.

IDIS busca Coordenador(a) de Comunicação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência em comunicação. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, atuamos junto a empresas, famílias, institutos, fundações e organizações da sociedade civil. Desenvolvemos projetos de impacto, geramos conhecimento ao setor e oferecemos consultoria ao investidor social e às organizações que executam projetos e programas sociais para que tomem decisões estratégicas e ampliem o impacto de suas iniciativas.

A pessoa que buscamos atuará como coordenador(a) de comunicação, e se envolverá com atividades institucionais e de conhecimento, com foco especial na produção de conteúdo relacionado a investimento social privado e cultura de doação.

 

Para cadastrar-se para essa oportunidade, acesse nossa página da 99 Jobs até 14 de novembro.

Requisitos

Formação superior completa e experiência mínima de 4 anos na área de comunicação, preferencialmente com conhecimentos específicos sobre Investimento Social Privado e temas relacionados ao Terceiro Setor.

_Domínio de conceitos e práticas de comunicação institucional e de canais de comunicação

_Habilidades em planejamento e implementação de processos com atenção para cronogramas, capacidade de decisão, argumentação, criatividade, relacionamento e cooperação

_Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões

_Conhecimento em WordPress, Google Analytics, Google Ads (não é necessário executar) e técnicas de SEO

_Domínio do pacote Office (Word, PowerPoint, Excel)

_Conhecimentos avançados de inglês na linguagem oral e escrita

_Conhecimentos avançados sobre conceitos de Investimento Social Privado, Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Investimento de Impacto

COMPETÊNCIAS:

Iniciativa, desenvoltura, planejamento, organização, gosto pelo estudo, capacidade analítica e bom relacionamento interpessoal.

 

Responsabilidades

_Apoiar na elaboração do planejamento de comunicação anual e executar as ações de comunicação, conforme cronograma determinado

_Desenvolver conteúdos de conhecimento, como artigos, notas técnicas e publicações, envolvendo especialistas do IDIS e externos, quando necessário

_Organizar de eventos de pequeno, médio e grande porte e as as ações de comunicação a eles relacionadas

_Apoiar ações de relacionamento com a imprensa e com o fornecedor de assessoria de imprensa

_Apoiar a gestão de parcerias com outras organizações

_Planejar e conduzir reuniões, workshops e entrevistas individuais presenciais e virtuais

_Contribuir para o fortalecimento do posicionamento institucional perante diferentes stakeholders, bem como dos programas e projetos desenvolvidos pelo IDIS

_Interagir com as áreas programáticas buscando apoiá-las na geração e disseminação de conteúdos e garantindo o alinhamento institucional

_Elaborar relatórios e apresentações em português e inglês

_Acompanhar indicadores de desempenho

_Zelar pelo cumprimento do cronograma do projeto e pela qualidade dos produtos entregues

_Promover a cultura organizacional do IDIS e os valores da organização

 

Contratação

Contratação PJ
Remuneração mensal – A combinar
Tipo de trabalho – Hibrido (remoto e presencial)
Combinação de presencial, quando a pandemia permitir e remoto. Localização: São Paulo – SP (próximo à estação Pinheiros do metrô e trem)

Inscrições

Essa oportunidade está disponível em nossa página da 99 Jobs, inscreva-se até 14 de novembro.

Buscamos a diversidade

No IDIS, prezamos pela igualdade nas oportunidades de emprego. Nossas decisões sobre as contratações de funcionários são feitas independentemente de idade, raça, credo, cor, religião, sexo, nacionalidade, orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, informações genéticas, estado civil ou qualquer outra base protegida pela lei.

Cruzamento de dados: Pesquisa Doação Brasil 2020

Com novas funcionalidades, o site da Pesquisa Doação Brasil 2020 agora possibilita o cruzamento de informações sobre o comportamento do doador brasileiro com dados demográficos. Além disso, também é possível baixar dados.

Escolhendo as variáveis desejadas, você cruza informações para obter gráficos com resultados personalizados. Para realizar esses cruzamentos, acesse o site, clique na sessão Filtros (em roxo ao final da página inicial) e crie seus próprios gráficos a partir dos cruzamentos de dados.

Veja o vídeo sobre como fazer esses cruzamentos:

 

Com base nesses novos gráficos, foi possível identificar o perfil de cada doador dependendo da região. Confira:

 

Assista ao lançamento da Pesquisa Doação Brasil:

REALIZADORES E APOIADORES

A Pesquisa Doação Brasil é uma iniciativa coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, realizada pela Ipsos e com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento BID, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Fundação Tide Setúbal, Instituto ACP, Instituto Galo da Manhã, Instituto Mol, Instituto Unibanco, Itaú Social, Mercado Pago e Santander.

Posicionamento da Receita Federal traz desestímulo para fundos patrimoniais

Um dos esforços do advocacy liderado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), com o apoio da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, era obter um posicionamento da Receita Federal do Brasil com relação a alguns pontos de dúvida sobre a legislação tributária aplicável aos fundos patrimoniais constituídos com base na Lei 13.800, de 4 de janeiro de 2019, dado que ela não definiu essas questões. E, para tanto, o IDIS apoiou a Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (Enimpacto) na apresentação de uma consulta formal à Receita Federal do Brasil sobre oito questões.

Sabemos que na filantropia a insegurança jurídica desestimula as doações. Portanto, melhor conhecermos o posicionamento da Receita Federal do que sermos surpreendidos, no futuro, com eventuais autos de infração cobrando tributos do passado.

FundosPatrimoniais_Tributos

O posicionamento da Receita Federal, expressada na Solução de Consulta nº 178, de 29 de setembro deste ano, infelizmente, trouxe um posicionamento que vai na contramão do que há no exterior, em termos de tributação dos endowments, contrariando a Constituição Federal do Brasil e diversas decisões de nossas cortes, administrativas e judiciais, sobre temas similares.

Imunidade 

Nossa Constituição Federal garante o regime da imunidade de impostos a instituições sem fins lucrativos de educação, saúde e assistência social. A função dessa imunidade é a desoneração das instituições privadas que, sem intuito de lucro para seus associados, cumprem algumas das obrigações do Estado, garantindo o compromisso maior de nossa Constituição com o dever do Estado em prover os meios de acesso à educação, à saúde e à assistência social a toda a população. Esse é o valor essencial por trás da imunidade.

No entanto, a Receita Federal entendeu que a imunidade não se aplica às organizações gestoras de fundo patrimonial. Na prática, isso significa que os fundos patrimoniais constituídos com base na Lei 13.800/19 deverão tributar pelo Imposto de Renda seus rendimentos de aplicações, ainda que se dediquem exclusivamente a uma escola, a uma universidade ou a um hospital, sejam eles públicos ou filantrópicos.

Ora, a Lei 13.800/19 veio trazer um mecanismo eficiente e profissional de geração de recursos de longo prazo para as instituições de educação, saúde e de assistência social, com proteção ao patrimônio do fundo patrimonial, para que ele seja perenizado de forma segregada as instituições públicas ou sem fins lucrativos que apoia. Mas, o posicionamento da Receita Federal fez com que a estruturação de um fundo patrimonial na própria instituição seja mais econômico, tributariamente. Por que então montar em uma outra instituição, se ela pagará mais impostos?

Investimento no exterior e em empresas 

Com relação à aplicação do montante principal do fundo patrimonial, no Brasil ou no exterior, com utilização apenas de seus rendimentos em favor das instituições apoiadas, a Receita Federal entendeu que isso não afasta a isenção dos tributos federais, mas não se manifestou quanto à imunidade, pois já havia afastado sua aplicação de antemão. Entendeu, porém, que mesmo a isenção deve ser afastada se parte do principal do fundo patrimonial for composto por quotas ou ações de sociedades empresárias. Isso vai totalmente contra os investimentos de qualquer endowment no mundo e à própria Lei 13.800/19, que determina que a instituição deve fazer o patrimônio render e deve contar com um comitê de investimentos, especializado e profissional. Ora, para que o fundo patrimonial mantenha seu recurso apenas em aplicações financeiras conservadoras, não é necessária a composição de um órgão de governança especializado em mercado financeiro! No exterior, por sua vez, os endowments são grandes investidores institucionais e de risco. Foram endowments de porte, fundos de pensão e as grandes fundações que começaram o movimento dos investimentos de impacto e ESG, razão pela qual a Enimpacto articulou a apresentação da consulta, agora respondida pela Receita Federal.

Essa postura não está em linha com a recente Lei das Startups, que autoriza as empresas que possuem obrigações de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, decorrentes de outorgas ou de delegações firmadas por meio de agências reguladoras, a cumprir seus compromissos com aporte de recursos em startups por meio de fundos patrimoniais definidos pela Lei nº 13.800/19, destinados à inovação. Ou seja, a Lei das Startups reconhece e incentiva que os fundos patrimoniais atuem como investidores de startups, como acontece no exterior. Mas, com a posição da Receita, esse investimento trará riscos tributários ao fundo patrimonial, que poderia passar a ser taxado como uma empresa com finalidade de lucro.

PIS e Cofins

A Receita Federal deu a entender ainda que os rendimentos financeiros poderiam ser tributados pela Cofins, à alíquota de 4%, afastando apenas a incidência do PIS. O motivo é que nem todas as receitas expressamente previstas na Lei 13.800/19 poderiam ser consideradas receitas derivadas de atividades próprias das organizações gestoras de fundo patrimonial. Isso porque as receitas de atividades próprias de instituições sem fins lucrativos têm isenção da Cofins. Essa interpretação contraria a própria Lei dos Fundos Patrimoniais e o Código Tributário Nacional, que determina que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado.

Remuneração de conselho e comitês

A Receita Federal afastou também a isenção, na hipótese de remuneração de membros do Comitê de Investimentos e do Conselho Fiscal, ainda que a Lei 13.800/19 a tenha expressamente permitido. Essa postura afasta o profissionalismo almejado pela lei dos fundos patrimoniais.

Abatimento do Imposto de Renda 

Por fim, a Receita Federal entendeu que se aplicam aos fundos patrimoniais o incentivo fiscal de dedutibilidade de doações feitas por pessoas jurídicas que apuram Imposto de Renda pelo lucro real da base de cálculo de referido imposto e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respeitado o limite de dedução da legislação.

Apesar de ter havido o tão esperado posicionamento da Receita Federal, ele acabou por representar um desestímulo à criação de fundos patrimoniais, com a proteção e profissionalização trazida pela Lei 13.800/19. Primeiramente para aqueles voltados à educação, saúde e assistência social, áreas eleitas por nossa Constituição Federal como de maior interesse público, razão da garantia da imunidade. Em segundo lugar, é um desestímulo à criação de fundos patrimoniais em geral, por entender que eles não podem investir diretamente em empresas e por entender que há incidência de Cofins sobre receitas financeiras.

Agora restam duas alternativas — levar a discussão ao Poder Judiciário ou ao Congresso Nacional, para que permitam explicitamente — e com todas as letras — aquilo que outros países, com legislação muito mais conceitual e minimalista, permitem há tantos anos. Não é à toa que no exterior existem endowments centenários e bilionários em sociedades que colhem frutos bem diferentes dos nossos, em especial nas áreas do ensino, da pesquisa e do desenvolvimento.

Artigo originalmente publicado no Conjur, em 20 de outubro de 2021.


Desde 2012 o IDIS vem defendendo sua regulamentação no Brasil. Apesar de muito populares em outros países, não havia legislação por aqui e por isso eram raros. Foi em junho de 2018, que a pauta se fortaleceu e ganhou muitos apoiadores, quando lideramos a criação da Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Com o objetivo de fortalecer a agenda dos Fundos Patrimoniais no Brasil, a coalizão é composta por mais de 80 membros, entre organizações, empresas e pessoas, de diversas áreas. O grupo está mobilizado para apoiar e promover a articulação necessária para que o Brasil tenha uma legislação que regulamente a existência, governança e operação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e também acelerar a adoção do mecanismo. Entre as principais conquistas está a sanção da Lei 13.800/19, que regulamenta os Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, em janeiro de 2019, mas a ação de incidência continua para aprimoramento do ambiente legal.

Receita limita isenção fiscal para fundos patrimoniais

A Receita Federal publicou posicionamento desfavorável aos fundos patrimoniais, também conhecidos como “endowments” em relação à isenção fiscal. Segundo o parecer, as organizações, gestoras de fundos patrimoniais com o objetivo de destinar os rendimentos para instituições filantrópicas não possuem imunidade tributária – ou seja, devem recolher tributos.

“É um posicionamento que pode desestimular as doações para fundos patrimoniais, além de ir contra a legislação da maioria dos países”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS, sobre o entendimento da Receita Federal a respeito da isenção fiscal para organizações gestoras de fundos patrimoniais.

Fundos_Patrimoniais_fiscal

Para Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados e conselheira do IDIS, “as organizações terão que rever suas carteiras de investimentos para ver se estão correndo riscos. E avaliar se saem da sociedade ou entram na Justiça para discutir essa questão”.

Segundo levantamento do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, há 35 fundos patrimoniais no Brasil, sendo 18 destes direcionados para área da educação.

Leia a matéria completa no Valor Econômico S/A. 

Desde 2012 o IDIS vem defendendo sua regulamentação no Brasil. Apesar de muito populares em outros países, não havia legislação por aqui e por isso eram raros. Foi em junho de 2018, que a pauta se fortaleceu e ganhou muitos apoiadores, quando lideramos a criação da Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Com o objetivo de fortalecer a agenda dos Fundos Patrimoniais no Brasil, a coalizão é composta por mais de 80 membros, entre organizações, empresas e pessoas, de diversas áreas. O grupo está mobilizado para apoiar e promover a articulação necessária para que o Brasil tenha uma legislação que regulamente a existência, governança e operação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e também acelerar a adoção do mecanismo. Entre as principais conquistas está a sanção da Lei 13.800/19, que regulamenta os Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, em janeiro de 2019, mas a ação de incidência continua para aprimoramento do ambiente legal.

IDIS e Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos realizam evento online em outubro

Perspectivas e desafios dos Fundos Patrimoniais no Brasil (7)

Fundos Patrimoniais Filantrópicos são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade de organizações e causas. Desde 2012 o IDIS vem defendendo sua regulamentação no Brasil. Apesar de muito populares em outros países, não havia legislação por aqui e por isso eram raros. Foi em junho de 2018, que a pauta se fortaleceu e ganhou muitos apoiadores, quando lideramos a criação da Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Com o objetivo de fortalecer a agenda dos Fundos Patrimoniais no Brasil, a coalizão é composta por mais de 80 membros, entre organizações, empresas e pessoas, de diversas áreas. O grupo está mobilizado para apoiar e promover a articulação necessária para que o Brasil tenha uma legislação que regulamente a existência, governança e operação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e também acelerar a adoção do mecanismo. Entre as principais conquistas está a sanção da Lei 13.800/19, que regulamenta os Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, em janeiro de 2019, mas a ação de incidência continua para aprimoramento do ambiente legal.

‘Perspectivas e desafios dos Fundos Patrimoniais no Brasil’ é o tema do evento organizado pelo IDIS, com apoio da Coalizão. Entre os temas debatidos estão os aspectos tributários da Lei no 13.800/19 e Mercado de Capitais e os Fundos Patrimoniais. Os avanços da coalizão e casos práticos também serão apresentados.

O evento acontece no dia 28 de outubro, das 17h às 19h, em formato online e gratuito.

AGENDA

Agenda tributária dos Fundos Patrimoniais

_Flavia Regina de Souza, sócia do Mattos Filho Advogados
_Hermann Braga, coordenador do Senador Rodrigo Cunha
_Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados e conselheira do IDIS
_moderação: Paula Fabiani, CEO do IDIS

 Endowment e o Mercado de Capitais

_Clayton Calixto, especialista de produtos da Santander Asset Management
_Eduardo Loverro, Head da área Comercial da BNP Paribas Asset Management
_moderação: Diego Martins, sócio do Pragma Gestão Patrimônio

 

O IDIS vem apoiando diversas organizações por meio da consultoria especializada no tema. Advogados de diversos escritório vem se atualizando sobre o assunto. E os bancos e gestores de recursos também estão criando produtos adequados ao perfil de longuíssimo prazo e capital paciente dos fundos patrimoniais. Desde a regulamentação, vários fundos foram ou estão em processo de constituição. Alguns exemplos são o Lumina (Fundo Patrimonial da Unicamp) e o Fundo Rogério Jonas Zylbersztajn.

Mais sobre fundos patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, clique aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Pacto da Promoção de Equidade Racial é formalizado como associação sem fins lucrativos

Em Assembleia Geral realizada ontem (08 de Outubro) com mais de 90 participantes, foi oficialmente criada a Associação Pacto da Promoção de Equidade Racial, organização da sociedade civil responsável pela promoção do Pacto de Promoção da Equidade Racial e que fará a gestão e monitoramento de um novo Protocolo ESG Racial.

 

No evento, foram aprovados Estatuto Social e os quadros da governança da organização (Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Diretoria Executiva), com ampla representatividade dos diferentes setores da sociedade civil envolvidos com o Pacto. O Conselho Deliberativo terá maioria de integrantes negros e pelo menos metade de mulheres, e será presidido pelo Prof. Hélio Santos, também presidente do Conselho da Oxfam Brasil. O Diretor Executivo do Pacto será Gilberto Costa, Executivo do Banco JP Morgan.

Desde setembro de 2020 o IDIS vem contribuindo para a construção do Pacto, participando ativamente da elaboração do IEER – Índice ESG de Equidade Racial e da política de Investimento Social Privado que compõem o Protocolo ESG Racial, bem como da construção da Governança e da produção de cartilhas e documentos internos. O IDIS esteve presente à Assembleia Geral de ontem para confirmar sua afiliação como Associado Fundador da nova organização.

Para mais informações, consulte o site do Pacto: pactopelaequidaderacial.org.br

CAF promove evento global sobre desafios e tendências da filantropia

Simpósio Global de Filantropia | 9 de novembro

A filantropia é um tema global. Ao redor do mundo, a sociedade civil é peça-chave para a solução de desafios socioambientais e em cada país, há pessoas dedicadas a pensar e encontrar os melhores meios para potencializar o impacto dos investimentos. Ao promover o primeiro Simpósio Global de Filantropia, a Charities Aid Foudation (CAF) convida todos a aprendermos uns com os outros e encontrar inspirações em experiências globais.

Focado em doadores, o encontro abordará tendências internacionais e percepções locais, ao longo de 19 horas e com a participação de representantes de 10 países – África do Sul, Austrália, Brasil, Bulgária, Canadá, Estados Unidos, Índia, Inglaterra, Rússia e Turquia. Entre os temas, filantropia de impacto, empoderamento negro, confiança e mecanismos de doação internacional. O evento acontece no dia 9 de novembro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui: bit.ly/simposiocaf

O IDIS, representante da CAF no Brasil, promoverá dois painéis virtuais.

9/nov – 14h às 15h

Empresas Grantmakers: impacto social por meio do apoio a OSCs

_Daniela Grelin, diretora do Instituto Avon

_Paulo Eduardo Batista, diretor executivo do Instituto Mosaic

_moderação: Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS

 

 

 

SimposioGloalFilantropia

9/nov – 15h às 16h

Transformando Territórios: investimento para o desenvolvimento local

_Eliana Sousa, fundadora e diretora da Redes da Maré

_Erika Sanchez, diretora executiva do Instituto ACP

_moderação: Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS

 

As sessões serão realizadas em português com opção de tradução simultânea para o inglês. Com isso, o evento reunirá uma audiência local e global. Todas serão gravadas e ficarão disponíveis aos participantes na plataforma do evento. Confira a agenda completa aqui:

 

Além das sessões em português, Raquel Altemani, gerente de projetos do IDIS, também participará da mesa Gestão de de dados de impacto para investidores sociais, no 9 de novembro às 7h. Esta mesa será em somente inglês.

A Charities Aid Foundation (CAF) é uma organização britânica dedicada à filantropia e com mais de 90 anos de experiência. A CAF apoia doadores – indivíduos, grandes doadores e empresas – a obter o maior impacto possível a partir de sua doação. Sua rede global consolidando-se como a maior estrutura de apoio ao investidor social privado, no mundo. Além da sede no Reino Unido, a CAF também atua na África do Sul, Austrália (Good2Give), Brasil (IDIS), Bulgária (BCause), Canadá, Estados Unidos, Índia, Rússia e Turquia (Tusev).

Investimento social corporativo é tema de evento do IDIS com a Latimpacto

Reunindo especialistas do investimento social corporativo, evento realizado pelo IDIS e Latimpacto trará reflexões e aprendizados sobre a importância dessa destinação de recursos na promoção de transformação social de longo prazo. Além de também compartilharem como, por meio de suas próprias operações ou veículos sociais corporativos, também estão alavancando recursos empresarias-financeiros e não-financeiros.

Quando

_ 21 de outubro
_11h da manhã (horário de Brasília)

 

Inscreva-se agora!

 

O evento será transmitido pelo Zoom e contará com tradução para o Português e Espanhol.

 

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se tornou, em maio de 2021, embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no Brasil. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. Buscando sedimentar o conceito junto a toda equipe do IDIS, em agosto, foi realizada uma Master Class e ao longo de duas horas a Latimpacto compartilhou os principais conceitos relacionado a Venture Philanthropy e por meio de cases, ajudou a esclarecer como acontece na prática.

Beatriz Johannpeter reúne investidores sociais para apresentar Transformando Territórios

Para estimular a filantropia comunitária no Brasil, arranjo institucional para o desenvolvimento social e endereçamento das demandas de territórios específicos, Beatriz Johannpeter reuniu, na Sociedade Hípica Paulista, um pequeno grupo de 12 filantropos e lideranças do ESG no Brasil. O programa é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e da Mott Foundation, destinada para fomentar a criação e o fortalecimento de institutos e fundações comunitárias no País em alinhamento com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e a agenda ESG (Environmental, Social & Governance).

TransformandoTerritorios_BeatrizJohannpeter

Modelo consolidado no exterior, que movimenta mais de US$ 5 bilhões ao ano, a filantropia comunitária possui amplo potencial de investimento de empresas nacionais e de filantropos brasileiros, segundo Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Ricardo Levisky, da Levisky Legado, responsáveis pela organização do encontro, que contou com rígido protocolo de segurança COVID 19. Hermes Sousa, líder do grupo de iniciativa de São Miguel Paulista, participante do Transformando Territórios, compartilhou sua experiência.

Institutos e Fundações comunitárias são associações que atuam em prol de um território geográfico delimitado, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto sistêmico para o desenvolvimento da região. São protagonistas da interlocução entre organizações e iniciativas sociais com os doadores, sociedade civil e poder público, promovendo transparência e engajamento. Estas organizações atuam como grantmakers, ou seja, financiam projetos e iniciativas sociais em múltiplas causas para endereçar as demandas e prioridades da região. Além disto, Institutos e Fundações Comunitárias fortalecem o terceiro setor da região com capacitações e apoio técnico, investem na produção de conhecimento e fomentam a cultura de doação no território onde atuam.

Beatriz é voluntaria, mentora, consultora de famílias empresárias na Cambridge Family Enterprise Group-Brasil e diretora do Instituto Helda Gerdau. Em 2021, tornou-se embaixadora do Programa Transformando Territórios, contribuindo para disseminar o conceito e engajar filantropos e investidores sociais nesta causa. Em agosto, o também embaixador Dr. José Luiz Egydio Setubal havia realizado um encontro similar em sua residência.

 

TransformandoTerritorios_cafédamanhã

Para saber mais sobre a iniciativa, acesse: transformandoterritorios.org.br

Brasil marca presença no Global Philanthropy Forum

Com o tema “Sistemas vitais, Comunidades saudáveis: encontrando o novo normal”, o Global Philanthropy Forum (GPF) reunirá filantropos, investidores sociais e executivos de organizações da sociedade civil entre os dias 19 e 21 outubro em evento virtual. O papel da filantropia em face das mudanças trazidas pela pandemia permeará toda a programação, trazendo aprendizados de ações ao longo deste período e boas práticas que podem ser replicadas ao redor do mundo.

O IDIS estará presente e também indicou outros representantes do Brasil para contribuir às conversas desta edição do GPF. A nossa CEO, Paula Fabiani, compartilhará a experiência do Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil. Em outra mesa, Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon, falará sobre a experiência do Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim das Violências contra Mulheres e Meninas. Além disso,  Rodrigo Pipponzi, filantropo e fundador da Editora Mol, participará de um grupo de trabalho sobre a nova geração de filantropos.

Confira a agenda:

19 de outubro – 14h30 (horário no Brasil)

Filantropia – Quando a crise atinge: Fundos de Emergência e Repostas rápidas

_Bernadette Moffat, diretora exectiva da ELMA Philanthropies

_Maya Winkelstein, CEO da Open Road Alliance

_Patricia McIlreavy, Presidente e fundadora do Center for Disaster Philanthropy

_Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

 

Em meio a apelos à filantropia para enfrentar as crises da COVID-19 e a injustiça racial, mais filantropos consideraram a criação de fundos de emergência ou a alteração dos procedimentos de doações para movimentar o dinheiro mais rapidamente. Essas mudanças, incluindo concessões menos restritas e fundos de emergência alocados, se tornarão padrão? E em face de crises em que os financiadores devem ser ágeis em suas doações, como podemos garantir que o financiamento seja baseado em equidade e justiça para apoiar a todos?

 

19 de outubro – 14h30 (horário no Brasil)

A garantia da saúde das mulheres e o combate à violência de gênero

_Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon

_Joia Creer-Perry, fundadora e diretora da National Birth Equity Collaborative

_Esta Soler, presidente e fundadora Futures Without Violence

_Majandra Rodriguez-Acha, Frida Young Feminist Fund

_Purity Kagwiria, diretor da With and For Girls Fund and Collective, Purposeful

 

Da proteção e defesa dos direitos reprodutivos das mulheres ao fim da violência contra as mulheres – este grupo de trabalho abordará a importância dos direitos das mulheres no contexto da saúde global. Como podemos mobilizar a influência e a participação das mulheres por meio de ativismo político, legal e cívico para abordar o avanço das mulheres e proteger a autonomia corporal? Ouça as pessoas que trabalham para acabar com a violência contra mulheres e crianças em todo o mundo – como financiadores, ativistas, formuladores de políticas e líderes de saúde pública.

 

21 de outubro – 14h30 (horário no Brasil)

Aprendendo com a próxima geração de filantropos

_Danielle Oristian York, 21/64

_Rodrigo Pipponzi, Fundador da Editora Mol

 

Uma transferência de riqueza sem precedentes está criando toda uma nova geração de doadores que herdarão cerca de US $ 59 trilhões de dólares até 2061. Eles também devem alocar quase metade dessa quantia para causas beneficentes. À medida que os jovens com acesso à riqueza começam a ter mais poder de decisão sobre os recursos, eles podem revolucionar as doações e efetuar mudanças sociais de maneiras extraordinárias. Aproveite esta oportunidade para aprender diretamente com os doadores da próxima geração sobre o que orienta suas doações.

 

Confira a agenda completa e como se inscrever clicando aqui.

 

 

O GPF é um projeto do World Affairs Council, criado para construir uma comunidade de doadores e investidores sociais comprometidos com causas internacionais. Por meio de uma conferência anual, um seminário de verão, eventos especiais e teleconferências, o GPF conecta doadores a causas, a estratégias eficazes, a potenciais parceiros de cofinanciamento e a emblemáticos agentes de mudança de todo o mundo.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social é parceiro do Global Philanthropy Forum. Anualmente, também o GPF apoia a realização do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, promovido pelo IDIS desde 2012.

Veja aqui o vídeo comemorativo de 10 anos da edição brasileira:

 

 

 

 

Documentário “Por um Brasil Melhor” aborda cultura da doação

Para quem se interessa por cultura de doação, esta é uma dica de ouro! No vídeo documentário “Por um Brasil Melhor” há história, conceitos e práticas narradas por diversos atores e ativistas do setor filantrópico. A iniciativa é da Escola Aberta do Terceiro Setor/FJPN, com apoio do Starling Collective

Sobre a iniciativa, Debora Verdan, coordenadora da Escola Aberta do Terceiro Setor, comenta “Sendo o conhecimento também um recurso estratégico de desenvolvimento e transformação social, a produção do documentário visa impulsionar mudanças necessárias em processos e atitudes dos indivíduos e organizações, ampliando assim, por meio da educação, a generosidade, a empatia e a cultura de doação.”

Entre os especialistas e representantes de organizações da sociedade civil que compartilharam seus saberes e experiências sobre o campo, destacamos a participação do IDIS. Contribuíram o fundador Marcos Kisil, comentando o fortalecimento do ecossistema filantrópico no Brasil no final da década de 90, e a atual CEO, Paula Fabiani, que destacou a produção de conhecimento e estudos sobre a cultura doação no Brasil. Também foi entrevistado Ted Hart, CEO da CAF America, organização que como o IDIS integra a rede da Charities Aid Foundation, buscando definir o que é doar e a importância desse ato para individuo, empresas e para toda a sociedade.

Assista ao documentário por meio da plataforma da Escola Aberta do Terceiro Setor, clicando aqui

IDIS participa de edição 100ª da Alliance Magazine

Em comemoração aos 25 anos de aniversário da Alliance Magazine, a revista inglesa lança a 100ª edição com relatos de filantropos, executivos de organizações sociais e personalidades do campo. O IDIS contribuiu com dois depoimentos. Parabenizamos a Alliance pelos 25 anos sendo a principal revista de filantropia e investimento social em todo o mundo e é uma honra fazer parte desta trajetória.

Em uma sessão dedicada à reflexão de especialistas com experiência de 25 anos trabalhando no setor, a CEO do IDIS, Paula Fabiani, escreve um relato sobre o que gostaria de ter aprendido antes sobre o setor filantrópico. “Eu gostaria de ter sabido que a filantropia teria um grande papel na promoção da democracia. Eu gostaria de ter tido conhecimento da relevância de se trabalhar pela equidade racial, primeira infância e ciência. E também gostaria de ter previsto as dificuldades do avanço da agenda contra o aquecimento global”, comenta.

Já em outra parte da publicação, Alexandre Gonçalves Jr, analista de comunicação do IDIS, participa do capítulo dedicado a profissionais do setor filantrópico nascidos no mesmo em que a publicação foi lançada, 1996, intitulado “PHILLENIALS”, alusão aos termos millennials e philanthropy, em inglês. Com um olhar para os próximos 25 anos, ele destaca as mudanças estruturais para a transformação social. “A filantropia pode apoiar estas mudanças. Pode dar voz às pessoas, empoderar comunidades locais a manter atividades e promover um espaço seguro para a sociedade civil lutar contra desigualdades”, acredita.

Para acessar e conferir a publicação completa, acesse: alliancemagazine.org

Inscreva-se para o evento gratuito de lançamento da publicação, clicado aqui.

Na esteira da celebração histórica, além da tradicional edição imprensa e digital da revista, a Alliance também promoveu ao longo do ano debates internacionais sobre a filantropia ao redor do mundo. O encontro sobre as perspectivas para a América Latina foi realizado em parceria com o IDIS. Confira o vídeo:

 

 

Redes para Inclusão Produtiva iniciam implementação de projetos

O programa Redes para Inclusão Produtiva iniciou a última das cinco etapas de fortalecimento de organizações sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social, fomentando o empreendedorismo e a geração de renda. ainda em caráter piloto, a iniciativa do IDIS com o Sebrae-SP, contempla quatro macrorregiões do Estado de São Paulo: Bauru, Vale do Ribeira, Pontal do Paranapanema e Alta Paulista.

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Após mapear e selecionar as organizações em 2020, as organizações passaram por um processo de compartilhamento de desafios e conhecimento entre si em encontros presenciais, realizados dentro dos protocolos exigidos pela pandemia. O objetivo foi de encontrar pontos de convergência e estimular a colaboração. Apesar de trabalharem com públicos diversos, como catadores, artesãos, agricultores, jovens, egressos do sistema prisional, entre outros, havia interesses compartilhados todos e foram planejadas soluções coletivas, ativando conhecimentos já existentes dentro da rede. Foram mapeados e envolvidos também parceiros externos, que ofereceram  capacitações e recursos.

Nesta etapa final do projeto, estão sendo realizadas capacitações junto às organizações das quatro macrorregiões abordando temáticas transversais observadas em todas as redes, e também desafios particulares de cada uma. Recentemente, a consultora em voluntariado Silvia Naccache esteve presente no Vale do Ribeira para falar com as organizações. Também estão programadas oficinas sobre comunicação em mídias digitais e captação de recursos, com foco em crowdfunding.

“A pandemia agravou a desigualdade no país e a inclusão produtiva será uma agenda prioritária no próximo ano. Esta experiência piloto já tem gerado grandes aprendizados e acreditamos que o modelo fortalecerá diretamente inúmeras organizações e tem o potencial de ganhar uma grande escala.”, comenta Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, que pretende expandir o programa a partir dos aprendizados desta experiência.

Empresas e organizações podem se envolver desenvolvendo um programa próprio e implementando uma rede de até 25 organizações em um território de interesse. É possível também tornar-se parceiro do programa do Sebrae-SP, contribuindo para o fortalecimento das redes já estabelecidas ou para a ampliação a outras macrorregiões, ou apoiar por meio de ações como parcerias não financeiras, acesso a mercado e emprego ou programas de voluntariado.

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Programa Redes para Inclusão Produtiva

O Programa Redes para Inclusão Produtiva tem como objetivo fortalecer organizações da sociedade civil que desenvolvem projetos que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social, fomentando o empreendedorismo e a geração de renda. Por meio da formação de redes de compartilhamento e desenvolvimento de boas práticas e inovações relacionadas à inclusão produtiva, ampliamos o acesso a conhecimento, recursos e parceiros. Cada uma das redes é apoiada por 10 meses. Esta é uma iniciativa do IDIS com o Sebrae-SP.

 

Leia também: #Fórum2021 – Inclusão produtiva: caminho para a redução da pobreza e da desigualdade

 

 

Engajamento Coletivo retoma atividades à distância

O projeto de Engajamento Coletivo foi concebido com o propósito de desenvolver jovens e educadores em competências e habilidades para se envolverem em mudanças positivas na vida social e política em prol de melhorias no território de forma solidária, corresponsável e cidadã, contribuindo para o avanço da cultura de doação no país.

Workshop de cocriação na Escola Estadual Marina Cintra. São Paulo, SP, outubro de 2019.

Implementado em 2019 em duas escolas da cidade de São Paulo, ainda em caráter piloto, precisou ser interrompido quando a pandemia impossibilitou atividades presenciais. Remodelado, retoma agora as atividades com 36 professores de forma virtual e com novos parceiros.

A partir de agora, o IDIS, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da Cidade de São Paulo e a consultoria Eu Ensino, promoverá formação à distância para auxiliar docentes de escolas municipais da cidade de São Paulo a enfrentar os desafios impostos pela pandemia na educação. As escolas participantes são Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Fernando de Azevedo e Escola Municipal de Ensino Fundamental Arquiteto Luis Saia.

Considerando o ensino híbrido, professores terão acesso à conteúdos abordando ferramentas digitais e habilidades socioemocionais. Os docentes que estão participando das capacitações já avaliaram o curso como uma ótima forma de aprender sobre estes temas ao conhecer novas ferramentas e novas práticas para se trabalhar. O projeto também contemplará o desenvolvimento de um projeto junto aos alunos seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Latimpacto oferece master class sobre Venture Philanthropy para equipe IDIS

O termo ainda é pouco conhecido no Brasil e tampouco há uma tradução adequada a ele. A Venture Philanthropy versa sobre mecanismos alternativos de financiamento de iniciativas que transformem a sociedade, alinhando retorno financeiro a desenvolvimento social e ambiental. A Latimpacto, comunidade que tem buscado fortalecer o conceito na América Latina, a posiciona entre a filantropia tradicional, considerada uma doação sem exigências de retorno, e o investimento de impacto, que já tem resultados comprovados.

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se tornou, em maio de 2021, embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no Brasil. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. Buscando sedimentar o conceito junto a toda equipe do IDIS, em agosto, foi realizada uma Master Class e ao longo de duas horas a Latimpacto compartilhou os principais conceitos relacionado a Venture Philanthropy e por meio de cases, ajudou a esclarecer como acontece na prática.

Em linhas gerais, o modelo que visa gerar mudanças sistêmicas, é estratégico na forma como utiliza os recursos financeiros e humanos e adota processos e práticas do setor financeiro para provocar essas mudanças. Baseia-se na aposta em soluções inovadoras que rapidamente possam ser escaladas e replicadas por outro tipo de investidor, como instituições do setor financeiro, fundos de investimento de impacto ou investidores tradicionais que visam retorno financeiro, como mostra o diagrama a seguir:

 

A oportunidade gerou conversas sobre sinergias entre a atuação do IDIS e da Latimpacto e reflexões sobre como pode ser estimulado o conceito no Brasil. “O treinamento foi bastante rico. Trata-se de um novo modelo, que exige uma mudança de mentalidade de nossos filantropos, mais dispostos a risco e comprometidos com impacto. O primeiro passo, é torna-lo mais conhecido e hoje nos sentimos um pouco mais preparados”, comenta Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS e também responsável pela coordenação da produção de conhecimento. No site da Latimpacto há diversos conteúdos disponíveis para quem deseja se aprofundar mais.

A ação integra o programa de treinamentos internos do IDIS. A agenda envolve aulas ministradas por especialistas da própria equipe do IDIS e também por convidados, entre eles conselheiros, parceiros e profissionais que contribuam para o entendimento de temas que fogem ao nosso domínio. Em 2021, já foram realizados treinamento sobre assuntos como Fundos Patrimoniais, Diversidade Geracional, Equidade Racial, Facilitação de Grupos Focais, entre outros, somando mais de 400 horas de capacitação para a equipe.

 

Leia também: IDIS e Latimpacto trazem para o Brasil discussão sobre inovação social e investimento para impacto

Lester Salamon, Paladino da Sociedade Civil

Artigo escrito pelo fundador do IDIS, Marcos Kisil,
baseado em comunicado da Universidade John Hopkins
e acrescido de suas vivências diretas
com o professor Lester Salamon.

 

Com grande tristeza, escrevemos para compartilhar a notícia de que o Professor Lester M. Salamon faleceu na sexta-feira, 20 de agosto de 2021. Nossa perda coletiva repercutirá no campo da sociedade civil onde se tornou o mais importante pesquisador e arauto da relevância de suas organizações sem fins lucrativos para os Estados Unidos e para todas as sociedades do mundo civilizado. O Dr. Salamon foi o pioneiro no estudo empírico do setor sem fins lucrativos globalmente em parceria com uma ampla rede de colegas nos quais tive o privilégio de ser incluído.

 

Conhecia Lester por seu estudo seminal Comparative Nonprofit Sector Project, que conduziu desde o Johns Hopkins Institute for Policy Studies, e que publicou em 1993 o primeiro estudo realmente acadêmico produzido no Brasil sobre o setor sem fins lucrativos, conduzido por Leilah Landim, do ISER com o título “Defining the Nonprofit Sector: Brazil.”

 

Os esforços do Dr. Salamon foram possíveis em grande parte por sua capacidade de conceber projetos de escopo global e de galvanizar e gerenciar centenas de parcerias, alavancando uma enorme rede de acadêmicos, pesquisadores, profissionais, bem como funcionários de governos e das Nações Unidas. Foi em seu trabalho com uma equipe de pesquisadores, inicialmente no The Urban Institute, onde concebeu e gerenciou o Projeto do Setor Sem Fins Lucrativos do instituto, e mais tarde na Johns Hopkins University, onde fundou o Institute for Policy Studies e o Center for Civil Studies. Foi sob esses auspícios que ele e seus colegas desenvolveram a definição estrutural-operacional seminal do setor sem fins lucrativos. Esta definição continua sendo fundamental para a nossa compreensão coletiva do núcleo organizacional do setor e formou a base para todos os principais projetos de pesquisa internacionais do Centro.

 

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Palestra sobre Fundos Patrimoniais com Lester Salamon em evento realizado pelo IDIS

Assim, já familiarizado com as contribuições do Lester, tive então a oportunidade de conhece-lo pessoalmente quando atuava na Fundação Kellogg como Diretor para a América Latina e Caribe. Nosso primeiro encontro se deu como participantes da Conferência anual do Council on Foundations dos Estados Unidos. Sua personalidade perscrutadora em buscar informação e conhecimento já era pontuada pelo genuíno interesse nas organizações da sociedade civil. E assim nos aproximamos, já que era um tema prioritário para fortalecer as sociedades latino americanas que progressivamente se libertavam dos regimes militares na nossa região, e que adotaram uma política nefasta de perseguir as organizações da sociedade civil e seus líderes. Assim, naquele momento eu estava explorando estratégias para fortalecer o reaparecimento da sociedade civil na região, suas organizações e líderes, utilizando o termo terceiro setor, na época bastante disseminado.

 

Esse encontro propiciou um contato mais estreito com suas pesquisas e me levou a ter coparticipação em alguns estudos que se referiam a América Latina. E assim fui influenciado em várias decisões que tomei para apoiar um setor relativamente incipiente.

 

Nas inúmeras conversas que tivemos fiquei sabendo que Lester entrou nesse campo das organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, um tanto por acaso, no final dos anos 1970, quando, sendo um professor de ciências políticas, aceitou convite para se tornar funcionário do governo americano. Como Diretor Associado do Escritório de Gestão e Orçamento dos Estados Unidos, sob o presidente Carter, Lester se deu conta da ausência de informações sistemáticas disponíveis sobre os fluxos de financiamento do governo para organizações sem fins lucrativos e que prestavam serviços de interesse público – o que era então muito pouco conhecido seja dentro do governo, seja para a sociedade americana. Assim, partiu em busca de dados econômicos básicos sobre o escopo, estrutura, financiamento e papel do setor nos Estados Unidos. Posteriormente se deu conta que esses dados e informações também eram ausentes em muitos outros países.

 

Participei ativamente do projeto “Philanthropication through Privatization – PtP” sob a liderança do Lester, sendo pesquisador e membro do seu Comitê Estratégico. Esse esforço resultou no livro “Filantropização via Privatização”, traduzido ao português pelo IDIS, e que tive a honra de fazer a apresentação.

 

Esse projeto explorou as potencialidades para criação ou reforço de fundos patrimoniais de organizações da sociedade civil a partir dos processos de privatização, amparado pelo simples entendimento de que as empresas estatais não pertenciam só a governos, mas também pertenciam a sociedade. Neste sentido a pergunta central respondida pela pesquisa é: um bem público pode ser objeto de uma transação de privatização sem a participação da sociedade? A resposta da pesquisa é simples: os ativos envolvidos em operações de privatização não são, em última análise, ‘do governo’, mas ‘do povo’, construídos por meio do suor, trabalho árduo e recursos dos cidadãos de um país ou pertencentes ao povo como um direito inato em virtude de sua presença no território que coletivamente ocupam.

 

O professor Salamon e a equipe de pesquisadores, identificou um número significativo de casos que demonstravam que os recursos auferidos na privatização poderiam, e deveriam, ser utilizados para fortalecimento da sociedade civil. E que em um sem número de casos se privatizou sem levar em conta esse interesse social. No caso do Brasil ficou claro que foram perdidas oportunidades nas privatizações da Vale, Eletropaulo, Companhia Siderúrgica Nacional. E ainda mais relevante, poderia ser um elemento estratégico importante se passasse a ser um requisito nas novas concessões, tais como portos, aeroportos, rodovias e outros. Em síntese, as ideias e casos contidos nessa publicação passaram a ser conhecidos, analisados e propagados na sociedade brasileira, entre as autoridades do executivo, legislativo e judiciário, bem como junto às empresas de capital que buscam aproveitar as oportunidades de privatizações. Em sua última viagem ao Brasil que tive chance de acompanhá-lo, estivemos com o então Ministro da Justiça, Sérgio Moro, para explorar a constituição de um fundo patrimonial para o combate à corrupção, com os recursos da recuperação financeiras obtidos pela Lava Jato das inúmeras empresas e pessoas envolvidas em transações ilícitas.

 

A importância e transcendência das pesquisas de Lester são encontradas nos 40 anos que se dedicou à geração e institucionalização de dados econômicos básicos sobre organizações sem fins lucrativos, de economia social e da sociedade civil, bem como o trabalho voluntário nos sistemas administrativos existentes. Foi assim que influenciou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a introduzir e produzir dados sobre as organizações da sociedade civil (OSCs) no Brasil. Influenciando a tomada de decisão dos técnicos do IBGE, tornou possível alavancar a compreensão e a credibilidade dessas organizações como coparticipantes do desenvolvimento de políticas públicas e econômicas de interesse social.

 

O resultado das inúmeras parcerias que forjou impactou quase todos os segmentos do setor. Autor de mais de vinte livros, seu “America’s Nonprofit Sector: A Primer,” Third Edition, (Foundation Center, 2012) é o texto padrão usado em cursos de nível universitário sobre o setor sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Outro livro impactante foi “Parceiros no Serviço Público: Governo e Setor Sem Fins Lucrativos no Estado de Bem-Estar Moderno” (Johns Hopkins University Press, 1995) que ganhou o Prêmio ARNOVA de 1996 como Distingue Book em Pesquisa de Ação Voluntária e Sem Fins Lucrativos. Em 2012 foi reconhecido com o Prêmio de Contribuição Duradoura Aaron Wildavsky da American Political Science Association.

 

Internacionalmente, as informações geradas pelo Projeto Comparativo do Setor Sem Fins Lucrativos – um estudo do escopo, estrutura, financiamento e papel desse setor em mais de 40 países em seis continentes – produziram algumas das primeiras informações comparativas internacionalmente sobre o setor sem fins lucrativos em vários países. Muitos novos programas de pesquisa foram formados globalmente com base nisso. Desse esforço também resultou o livro “Sociedade Civil Global: Dimensões do Setor Sem Fins Lucrativos” (1999), que ganhou o Prêmio Virginia Hodgkinson de melhor publicação no campo das organizações sem fins lucrativos em 2001.

 

O Dr. Salamon viveu para ver a definição operacional e estrutural adotada pela Comissão de Estatística das Nações Unidas e pela Organização Internacional do Trabalho (para o trabalho voluntário) que passou a ser adotada pelas instituições geradoras de dados e relatórios de governos nacionais em todo o mundo. No seu livro “Explicando o Desenvolvimento da Sociedade Civil: Uma Abordagem de Origens Sociais” (Johns Hopkins University Press, 2017), ele foi capaz de usar os dados resultantes de seu esforço para adoção de um critério global para a importante questão analítica que resulta do cruzamento de variações nacionais relativas ao tamanho e contornos do setor da sociedade civil.

 

O Dr. Salamon tinha a esperança duradoura de que estudiosos e pesquisadores reconheceriam o valor desses dados e a necessidade permanente de atualização para servir ao setor para o qual ele trabalhou tão diligente e inabalavelmente. Em seus últimos anos na Johns Hopkins, ele se concentrou em manter o terceiro setor nas agendas de trabalho da Divisão de Estatística das Nações Unidas e expandiu seu foco para atuar com parceiros com o intuito de identificar novas formas emergentes de filantropia que ora eram subvalorizadas, ora inexploradas e inexplicadas. Nesse sentido, ele publicou “Novas Fronteiras da Filantropia: Um Guia para as Novas Ferramentas e Atores Remodelando a Filantropia Global e Investimento Social” (Oxford University Press, 2014).

 

O Prof. Salamon ocupava posições de destaque no cenário acadêmico internacional também como Professor Pesquisador Sênior na Escola de Estudos Internacionais Avançados Johns Hopkins (SAIS), Centro de Bolonha e atuou como Diretor Científico fundador do Laboratório Internacional para Estudos do Setor Sem Fins Lucrativos na Escola Superior de Economia da National Research University, Moscou.

 

Dr. Salamon recebeu seu B.A. graduação em Economia e Estudos Políticos pela Princeton University e seu Ph.D. em Governo pela Harvard University. Ele foi presidente emérito e membro do conselho da Community Foundation de Chesapeake, um ex-membro do conselho da International Society for Third Sector Research e atuou no conselho editorial de várias revistas.

 

Lester trabalhou ativamente até falecer. Sua dedicação, energia e paixão serão difíceis de igualar.

 

Em nome dos inúmeros colegas que granjeou no Brasil em suas memoráveis visitas, muitas provocadas por convites feitos pelo IDIS, estendemos nossas mais profundas condolências à sua esposa Lynda, aos filhos e netos.

 

Lester foi uma presença viva e saudosa que muito contribuiu para orientar o crescimento e desenvolvimento do IDIS ao longo dos anos.

 

Perdi um amigo e companheiro de jornada. Que Deus o receba em sua Paz.

Dados sobre abordagem de doadores é destacado em matéria do Núcleo Jornalismo

No Núcleo Jornalismo, os dados da Pesquisa Doação Brasil 2020 sobre as avaliações de doadores por meio de abordagem foram destacados. Segundo a pesquisa, a abordagem por meio das redes sociais são convenientes para 45% dos entrevistados, sendo a 2ª abordagem melhor avaliada. A 1ª colocação fica com as abordagens feitas via televisão ou rádio.

Layla Cruz/Núcleo Jornalismo

Créditos: Layla Cruz/Núcleo Jornalismo

 

Para os doadores, essas são consideradas formas menos invasivas de serem abordados para realizar doações.

Confira a matéria completa clicando aqui.

Confira o site e a publicação completa da Pesquisa Doação Brasil clicando aqui.

 

 

Impacto da crise nas doações é tema de reportagem do Valor

Valor_Site_PesquisaDoaçãoBrasil

Com base em dados da Pesquisa Doação Brasil 2020, o Valor Econômico destacou como a crise econômica agravada pela pandemia afetou as doações realizadas por pessoas físicas em 2020.

Outro dado apontado na reportagem é o percentual das doações em relação ao PIB, que era de R$ 13,7 bilhões, o equivalente a 0,23% do PIB, em 2015, para R$ 10,3 bilhões, ou 0,14% do PIB em 2020.

Confira a reportagem completa no site do Valor Econômico.

Pesquisa Doação Brasil na mídia

Confira os destaques da Pesquisa Doação Brasil 2020 nos veículos de imprensa:

 

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Confira o site e a publicação completa da Pesquisa Doação Brasil clicando aqui.

Podcast ‘Aqui se Faz, Aqui se Doa’ aborda Pesquisa Doação Brasil em edição especial

A Pesquisa Doação Brasil foi o tema central do episódio do podcast “Aqui se Faz, Aqui se Doa”, realizado pelo Instituto Mol e Movimento Bem Maior. Para comentar os dados do maior estudo sobre o doador individual do país, Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, foi convidada.

A Pesquisa Doação Brasil foi coordenada pelo IDIS e realizada pela Ipsos.

Confira o episódio completo em que Paula Fabiani conta um pouco dos bastidores da Pesquisa Doação Brasil 2020 e também revela os dados sobre o doador brasileiro que permitem comparação com dados da 1ª edição de 2015, além de um capítulo especial sobre o impacto da pandemia nas doações.

Ouça o podcast:

Jornal Nacional destaca Pesquisa Doação Brasil 2020

Em reportagem abordando a crise econômica agravada pela pandemia, o Jornal Nacional da TV Globo destacou os dados da Pesquisa Doação 2020 em comparação com os de 2015.

Apesar da crise ter afetado s doações, durante a entrevista, Paula Fabiani, CEO do IDIS, destacou a vontade do 80% dos brasileiros querem manter ou aumentar a doação.

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Além disso, também foi pontuado o aumento do engajamento solidário das classes mais altas de 51%, em 2015, para 58% em 2020, indicando o fortalecimento da cultura de doação.

Confira a reportagem completa clicando aqui.

 

Confira os resultados da Pesquisa Doação Brasil 2020

Promovida pelo IDIS, a Pesquisa Doação Brasil 2020 é o mais amplo estudo sobre a prática da doação individual no País. Os resultados da segunda edição, realizada pelo instituto de pesquisas Ipsos, revelam o impacto da longa crise econômica e da pandemia sobre a doação dos brasileiros. Ao comparar os dados de 2015 com os de 2020, vemos que a doação encolheu no Brasil, em todas as suas formas, desde a doação em dinheiro, até a doação de bens e de tempo (trabalho voluntário).

 

Baixe a publicação completa: bit.ly/doacaobr2020

Visite o site pesquisa: https://pesquisadoacaobrasil.org.br

 

Enquanto em 2015, 77% da população havia feito algum tipo de doação, em 2020, o percentual ficou em 66%. Quando se trata de doação em dinheiro, a proporção caiu de 52% para 41%. E no caso de doações para organizações/iniciativas socioambientais, a redução foi de 46% para 37%.

Sobre os achados da Pesquisa, Paula Fabiani, CEO do IDIS, comenta: “Apesar da queda das doações, a Cultura de Doação se fortaleceu nos últimos cinco anos. A sociedade está mais consciente da importância da doação e tem uma visão muito mais positiva das organizações da sociedade civil e seu trabalho. As classes mais privilegiadas demonstraram maior grau de solidariedade e responderam à crise de 2020 doando mais.

Cerca de 650 pessoas acompanharam o evento de lançamento pelo Zoom e ao vivo pelo YouTube do IDIS. Desde então, a pesquisa tem sido destaque na imprensa nacional.

Assista ao evento de lançamento na íntegra:

 

Pesquisa Doação Brasil 2020

 

INFLUÊNCIA DA RENDA

Ao analisar a composição dos dados, fica claro que as alterações se deram por conta da prolongada crise econômica dos últimos anos, agravada pela pandemia e pelo cenário de incerteza para o futuro. Observamos que a doação de dinheiro para organizações/iniciativas socioambientais encolheu muito entre as classes menos favorecidas (de 32% para 25% entre 2015 e 2020, na faixa com renda familiar até 2 salários mínimos) e cresceu significativamente entre as classes com mais alta renda (de 51% para 58%, nas classes com renda familiar entre 6 e 8 salários mínimos, e de 55% para 59% entre as classes com renda familiar acima de 8 salários mínimos). Essas classes doaram mais em 2020 do que haviam feito em 2015.

 

VALOR DA DOAÇÃO

Em 2020, menos brasileiros doaram a organizações da sociedade civil e o valor doado caiu. Em 2015, a mediana* do valor anual doado por pessoa era de R$ 240 e em 2020, caiu para R$ 200.

Essa redução teve forte impacto sobre o montante total das doações. Em 2015, o valor total doado pelos indivíduos foi de R$ 13,7 bilhões, o que correspondia a 0,23% do PIB. Em 2020, somou R$ 10,3 bilhões, equivalentes a 0,14% do PIB desse ano.

(*) A mediana é preferida para estimar o valor total doado porque ela considera os valores mais praticados pela sociedade e despreza os valores extremos, ou seja, as doações muito altas ou muito baixas, que deturpam a média.

 

CAUSAS MAIS SENSIBILIZADORAS

O efeito da pandemia mudou as prioridades dos brasileiros, quando se trata de causas. Enquanto em 2015 Saúde e Crianças ocupavam os primeiros lugares na preferência dos brasileiros, em 2020, o Combate à Fome e à Pobreza foi citado por 43% da população como sendo a causa mais sensibilizadora, seguida por Crianças, Saúde e Idosos.

Duas outras causas também ganharam muitos adeptos nos últimos cinco anos – o Combate ao Abandono e Maus-tratos de Animais, e os Moradores de Rua. Ambas haviam pontuado muito pouco em 2015, mas aparecem no ranking de 2020, em quinto e sexto lugar, respectivamente.

 

PERCEPÇÃO SOBRE A DOAÇÃO

Apesar do encolhimento na prática, a população brasileira vê de forma cada vez mais positiva a doação. Mais de 80% da sociedade acredita que o ato de doar faz diferença, e entre os não doadores, essa concordância atinge 75%.

O conceito de que a doação faz bem para o doador cresceu significativamente, de 81% para 91% da população, atingindo uma maioria quase absoluta.

Outro aspecto positivo é que a ideia de que o doador não deve falar que faz doações está perdendo força. Em 2015, ela contava com a concordância de 84% da população e, em 2020, o percentual caiu para 69%. Este é um ponto especialmente importante porque o falar sobre a doação estimula sua prática, traz inspiração, esclarece temores e desperta o interesse de outras pessoas.

 

PERCEPÇÃO SOBRE AS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL

A opinião dos brasileiros sobre as organizações da sociedade civil, mais conhecidas como ONGs, evoluiu muito nos últimos cinco anos.

A noção de que as ONGs são necessárias no combate aos problemas socioambientais recebe a adesão de 74% da população, enquanto em 2015, essa concordância estava em 57%.

A afirmação ‘Percebo que a ação das ONGs leva benefícios a quem realmente precisa’ conta com a concordância de 67% da população, e em 2015, esse índice era de 47%.

O reconhecimento de que as ONGs fazem um trabalho competente é indicado por 60% da população, e em 2015, só 44% pensavam desse modo.

O maior destaque, porém, fica com o crescimento da confiança nas ONGs. 45% da população concorda que as ONGs deixam claro o que fazem com os recursos que aplicam. Em 2015, apenas 28% se mostravam de acordo com a afirmação.

OUTROS DESTAQUES

A longa crise econômica que o País atravessa afetou muito as doações;

Parte da população mais pobre, que doava em 2015, deixou de doar e passou a precisar de doações;

Em compensação, as classes de maior renda doaram mais em 2020 do que em 2015;

A doação é vista de forma muito positiva pela população como um todo, e aumentou a percepção de que as pessoas devem falar que fazem doação;

A imagem das ONGs melhorou muito junto à sociedade brasileira.

 

Baixe a publicação completa: bit.ly/doacaobr2020

Visite o site pesquisa: https://pesquisadoacaobrasil.org.br

 

Escute também o podcast “Aqui se Faz, Aqui se Doa” sobre a pesquisa:

REALIZADORES E APOIADORES

A Pesquisa Doação Brasil é uma iniciativa coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, realizada pela Ipsos e com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento BID, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Fundação Tide Setúbal, Instituto ACP, Instituto Galo da Manhã, Instituto Mol, Instituto Unibanco, Itaú Social, Mercado Pago e Santander.

SROI: como avaliar e monetizar impactos socioambientais

Em evento, IDIS, Gerando Falcões e Fundação Sicredi apresentam o protocolo SROI e como é aplicado na prática

 

Há um interesse crescente sobre avaliação de impacto. Empresas e filantropos desejam saber se os investimentos feitos estão gerando transformações e organizações sociais querem entender como podem gerar ainda mais benefícios socioambientais.

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Trata-se de uma ferramenta poderosa de mensuração, que além de trazer a monetização do impacto social, integra dados qualitativos e quantitativos capturando a percepção dos beneficiários.

No dia 25 de agosto, das 17h às 18h30, para falar sobre o assunto, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social promove um evento sobre os conceitos da avaliação de impacto e as especificidades do SROI.

Também estarão presentes Júlia Machado, CFO da Gerando Falcões, e Suellen Lins Batista, do time de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi. Ambas organizações realizaram avaliações de impacto na abordagem SROI com consultoria do IDIS e compartilharão a experiência e os benefícios desse tipo de avaliação para organizações sociais.

 

Especialistas IDIS

Laís Faleiros

É Gerente de Projetos do IDIS. Anteriormente atuava como pesquisadora independente nas áreas de monitoramento e avaliação (M&A) e gestão de projetos socioambientais. Foi pesquisadora e gerente da área administrativo- financeira na Plan Avaliação. É mestra em Gestão de Organizações e Sistemas Públicos pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e bacharela em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Raquel Altemani

É Gerente de Projetos do IDIS. Além de autuar na área de projeto, já atuou no Administrativo e Financeiro do IDIS. Na Nielsen Brasil, esteve por três anos, trabalhando com gestão de projetos, otimização de processos e gestão da performance por meio de desenvolvimento e análise de indicadores e modelos de governança. Antes disso, atuou na área de Processos e Qualidade em instituições financeiras, incluindo o Banco ibi, Banco Votorantim e Banco CBSS, desenvolvendo mapeamento e otimização de processos, gestão de indicadores, gestão de risco e projetos de implementação de novos produtos. É formada em Administração pela FEA-USP desde 2003 e possui pós graduação em Gestão Estratégica da Sustentabilidade, pela FIA – Fundação Instituto de Administração, concluída em 2019.

Convidadas

Julia Machado

É CFO da Gerando Falcões, ONG que viabiliza projetos de impacto social em periferias e favelas do Brasil. É responsável pelas áreas Administrativo Financeira, Inovação e Planejamento Estratégico, e pelo desafio de gerir, junto ao time, a matriz de crescimento da Rede Gerando Falcões. Julia optou por cruzar a ponte do centro e agregar sua experiência executiva em grandes multinacionais a um time inovador que trabalha junto para entregar a missão de transformar a pobreza das favelas em peça de museu. Formada em Administração pela PUC-RJ e University of Maryland, e com MBA no IE Business School em Madri. Antes de ingressar na Gerando Falcões, trabalhava na Raízen, onde ocupou por 5 anos posições de liderança em áreas estratégicas.

Suellen Lins Batista

É Pedagoga, com especialização em neuropsicopedagogia, e faz parte do time de Responsabilidade Social na Fundação Sicredi, com os programas de educação para crianças e adolescentes.

O IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas e organizações sociais que desejam iniciar ou aprimorar seu investimento social. Por meio de consultoria, realiza monitoramento e avaliação de programas, projetos, organizações e negócios sociais. Conheça cases de avaliação de impacto da Petrobras, Doutores da Alegria, Fundação Sicredi, e mais.

IDIS apresenta resultados da principal pesquisa sobre doação no Brasil

Considerado o mais importante estudo sobre doações feitas por indivíduos no País, a Pesquisa Doação Brasil 2020, coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, foi realizada no início deste ano, refletindo as ações e o comportamento dos doadores ao longo de 2020. O lançamento acontecerá em uma transmissão ao vivo, no dia 23 de agosto, das 11h às 13h. Ative um alerta em: https://bit.ly/livedoacaobrasil2020


Quantos brasileiros doaram? Qual o volume total doado? Quais as principais causas contempladas? Quais as motivações dos doadores?

Essas são apenas algumas das respostas fornecidas pela Pesquisa Doação Brasil, que traz um capítulo especial dedicado à influência da pandemia sobre doadores.

Além de analisar as características dos doadores e das doações, a Pesquisa Doação Brasil também contempla os não doadores, buscando identificar as razões desse comportamento e as possibilidades de mudança.

Esta é a segunda edição da Pesquisa Doação Brasil. A anterior foi realizada cinco anos atrás e revelou que 46% da população brasileira doava para organizações/projetos sociais. Ela estimou, pela primeira vez, o volume total doado pelos indivíduos, que totalizou R$ 13,7 bilhões, correspondendo a 0,23% do PIB de 2015. “É por meio de dados que podemos agir e criar iniciativas e programas para influenciar positivamente o fortalecimento da Cultura de Doação no Brasil”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS, que a partir dos achados da primeira edição lançou a plataforma ‘Descubra Sua Causa’, um teste rápido e divertido para as pessoas encontrarem ONGs que defendem as causas nas quais elas acreditam.

A Pesquisa Doação Brasil 2020 foi conduzida pela Ipsos, empresa de estudos de mercado, e realizada em duas etapas, uma qualitativa e uma quantitativa.

A etapa qualitativa, composta por oito grupos focais, reuniu doadores e não doadores, das classes ABC com idades entre 25 e 60 anos. O objetivo desta etapa foi explorar em profundidade os aspectos mais subjetivos do pensamento e comportamento de doadores e não doadores. Seus achados contribuíram para a elaboração do questionário aplicado na fase posterior.

A etapa quantitativa entrevistou 2.103 pessoas, compondo uma amostra representativa da população urbana, a partir de 18 anos de idade, com renda familiar acima de 1 salário mínimo.

 

Lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2020

23 de agosto de 2021

11h às 13h

Apresentação dos resultados seguida de debate com a presença de Paula Fabiani, CEO do IDIS, das consultoras Andréa Wolffenbüttel e Renata Bourroul, e representante da Ipsos.

As inscrições para o evento do Zoom esgotaram e agora você pode acompanhar a transmissão ao vivo pelo YouTube. Ative a notificação e não perca: bit.ly/livedoacaobrasil2020 

A iniciativa é uma realização do IDIS com o apoio de BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, Fundação Itaú Social, Fundação José Luiz Egydio Setubal, Fundação Tide Setubal, Instituto ACP, Instituto Galo da Manhã, Instituto Unibanco e Santander.

 

O que são endowments?

Fundo patrimonial, em inglês endowment, consiste na reunião de um patrimônio que deve servir de fonte de recursos previsíveis e perenes no tempo para uma causa altruísta eleita. Um endowment existe para dar perenidade à causa, proteger um determinado patrimônio dos riscos usuais de uma atividade operacional e, em especial, da utilização ineficiente ou desorganizada dos recursos.

Em se tratando de uma causa altruísta, o endowment deve ser de titularidade ou vinculado a uma pessoa jurídica sem fins lucrativos – universidades, museus, teatros, orquestras, hospitais – como um dos meios para garantir sua sustentabilidade  econômica de longo prazo e sua perenização.

O capital que compõe esses fundos é proveniente de doações de pessoas físicas, pessoas jurídicas, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, heranças e legados com o objetivo de perpetuar uma causa, deixar um legado permanente, eternizar valores, por vezes familiares, perante a sociedade.

 

Como funcionam?

A maioria dos endowments nasce com a obrigação de preservar perpetuamente o valor doado, para que este gere rendimentos como forma de garantir a sustentabilidade financeira da organização no longo prazo ou por um período de tempo pré-definido.

Fundos_Patrimoniais_fiscal

O fundo patrimonial deve ser separado contabilmente do patrimônio operacional da instituição, para facilitar a visualização da manutenção de seu poder aquisitivo e a não utilização para outros fins, podendo inclusive constituir uma personalidade jurídica separada da organização beneficiária.

O valor dos rendimentos é utilizado no custeio de despesas operacionais, manutenção das atividades, projetos específicos ou outro fim específico da instituição, mantendo intacto o investimento inicial no longo prazo. Tais fundos devem possuir regras claras para o uso e aplicação dos recursos, visando a perpetuidade da ação filantrópica, exigindo um modelo de gestão de investimentos e uma governança adequada.

Em suma, os fundos patrimoniais garantem ao doador que

    • o dinheiro será
      aplicado na causa escolhida por ele,
    • o uso do dinheiro será regido por
      normas rígidas e transparentes e
    • o dinheiro irá durar o tempo que o investidor definir (IDIS, 2016a).

 

Segundo Sotto-Maior (2011), é importante ressaltar que os fundos patrimoniais não são fundos de investimento, já que esses últimos são instrumentos que investidores usam em busca de retorno financeiro, diferentemente dos endowments, que visam à perenidade de uma organização e sua viabilidade financeira, com interesse coletivo.

Entretanto, é importante mencionar que os recursos dos endowments podem ser investidos em fundos de investimento na busca de rentabilização.

Além disso, Fabiani, Kisil e Alvarez (2013, p. 18) explicam que fundos patrimoniais também não são fundos de reserva, “que são recursos que uma organização separa de suas contas operacionais para eventuais contingências, mas não geram rendimentos suficientes para serem considerados um fundo patrimonial”.

Os fundos patrimoniais funcionam como no diagrama a seguir:

 

Por que criá-los?

Os endowments são criados para gerar rendimentos destinados a organizações da sociedade civil, universidades e instituições culturais, com o objetivo de proporcionar uma menor dependência dessas organizações de recursos públicos e novas doações, gerando maior estabilidade e condições para planejamento de longo prazo, permitindo que ampliem suas atividades em proporções e qualidade antes fora de seu alcance.

São diversas as motivações que podem levar à criação de um fundo patrimonial:

        • Perpetuar uma causa;
        •  Interesse do doador em perpetuar valores em sua família e na sociedade;
        •  Determinar um fim específico para os recursos;
        •  Estabilidade operacional no longo prazo;
        •  Independência;
        •  Profissionalização da governança e da operação;
        •  Margem para a excelência;
        •  Reduzir a perda de foco com captação

Fonte: Fabiani, Kisil e Alvarez (2013)

 

Fundos patrimoniais provêm maior estabilidade e independência financeira, facilitando a busca da excelência em organizações sem fins lucrativos. Dessa forma, as principais razões que levam alguém a doar para um endowment são: sua vontade em perpetuar uma causa ou um legado social, assegurar que seu patrimônio não será gasto rapidamente, mas irá sustentar as atividades da organização por um longo período de tempo, determinar um fim específico para os recursos, evitar a perda de foco com o esforço da captação.

Por meio da criação de um fundo patrimonial, um doador pode perenizar o apoio a uma causa, eternizando a ligação de seu nome à mesma e ao apoio à filantropia de seu país. Dessa forma, o doador deixa um importante legado para a sociedade. Além disso, fundos patrimoniais e organizações sociais são estabelecidos, em grande parte, devido a um fator de ordem emocional, com a perda de um ente familiar ou uma doença na família. Isso leva o doador a disponibilizar recursos para uma organização ou causa específica.

 

O investimento social de uma família, com o falecimento do doador, pode ser descontinuado pelas novas gerações. Herdeiros podem ter interesses diferentes ou não ter interesse em realizar ações filantrópicas. A criação de um fundo patrimonial proporciona ao doador a possibilidade de especificar tipos de projetos e causas a serem apoiados, garantindo o destino dos recursos do fundo estabelecido mesmo após seu falecimento. Ao doar para um fundo patrimonial estabelecido, o doador tem mais segurança de que seus recursos terão um destino de sustentabilidade perene e de que o valor doado não será desperdiçado ou dispendido em necessidades momentânea.

 

Uma organização que depende de um doador ou de um grupo de doadores pode perder a independência operacional para garantir a continuidade do apoio financeiro. Um fundo patrimonial promove a independência de atuação a uma organização, evitando que mesmo interesses dos doadores se sobreponham à missão da mesma.

 

A excelência é considerada um valor por muitas organizações, assim como um objetivo a ser perseguido. Entretanto, buscar a excelência requer recursos financeiros e, para uma organização sem fins lucrativos, o mantra costuma ser gastar o mínimo possível para evitar problemas futuros. Possuir uma fonte permanente de recursos permite o investimento na criação de processos que podem elevar a eficácia e a eficiência da organização, conduzindo-a à excelência.

 

Captar para a gestão e administração de uma organização do terceiro setor é um grande desafio, em particular no Brasil, onde a cultura de doação e os incentivos fiscais são direcionados apenas para projetos.

 

Em geral, o diretor executivo de uma organização dedica grande parte de seu tempo à captação, o que significa tempo e capital humano não focados na causa e no objetivo da organização. Possuir um fundo patrimonial que garanta a totalidade ou parte dos recursos necessários para a organização é um suporte para a manutenção de seu foco em sua missão social.

 

A existência de um fundo patrimonial garante a sustentabilidade de longo prazo, especialmente para as instituições cujos propósitos requerem projetos de prazos extensos para apresentar resultados.

 

Além disso, a existência de um fundo patrimonial bem gerido denota compromisso com a causa, solidez e confiabilidade. São aspectos que transmitem tranquilidade e segurança e que são facilmente percebidos por parceiros, beneficiários e funcionários. Trazem, ainda, estabilidade à organização, e permitem à equipe dedicar sua capacidade criativa para o desenvolvimento dos seus programas

 

Material extraído do GUIA 1 | Conceitos e benefícios dos Endowments como mecanismo de financiamento à cultura. Baixe aqui.

 

Mais sobre fundos patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, clique aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Origem e histórico dos endowments

Não se sabe ao certo qual a origem dos endowments, também conhecidos como fundos patrimoniais, mas se sabe que o tipo de conceito existe há muito tempo.

Segundo IDIS (2016), Platão deixou sua fazenda e os rendimentos gerados por ela para a Academia por ele fundada no século IV a.C. Já para Sotto-Maior (2011, p. 67), o conceito remonta, provavelmente, à época medieval, “obviamente sem os aspectos jurídicos e financeiros organizados e regulamentados que existem atualmente”.

As doações de terras à Igreja, na Idade Média, seguem um padrão similar aos endowments. As terras eram doadas à Igreja e, por contrato, não poderiam ser vendidas, então a Igreja recebia as rendas geradas por meio dos aluguéis, da cobrança de impostos e taxas pela utilização das terras, além de participação na venda ou escambo das mercadorias lá produzidas (SOTTO-MAIOR, 2011). O fundo patrimonial para o University College of Oxford, na Inglaterra, também foi estabelecido durante a Idade Média, no século XIII. Avançando para a Idade Moderna, no século XVIII, sabe-se que Benjamin Franklin deixou US$ 4,4 mil por ano por 200 anos para young married artificers of good character (jovens casados de bom caráter) dos estados de Boston e Philadelphia, nos EUA (IDIS, 2016a).

Outros exemplos são as faculdades e universidades, sendo que algumas começaram com a Igreja ou foram estabelecidas com a dissolução de monastérios no século XVI, quando os dízimos saíram da alçada da Igreja. Ainda há outros que incluem organizações filantrópicas e culturais criadas com a revolução da indústria nos séculos XVIII e XIX (RUSSELL, 2006).

No início do século XX, os endowments passaram de doações de terras a estruturas financeiras complexas. Começaram a existir títulos financeiros com rendimentos de juros. Em tempos mais recentes, os casos mais frequentes são os das instituições de ensino, principalmente as de ensino superior americanas, europeias e algumas orientais, e o das entidades filantrópicas (SOTTO-MAIOR, 2011, p.67).

Material extraído do GUIA 2 | Orientações e informações ao poder público: aspectos de regulação e tributação. Baixe aqui.

 

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