Muito prazer, IDIS!

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Toda organização é feita de pessoas. Não há resultados ou realizações sem elas e por isso celebrar quem faz parte e faz tudo acontecer é tão importante! Hoje, a equipe do IDIS é formada por 23 profissionais, atuando em diferentes frentes, mas com a mesma missão: inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto.

Para valorizar quem está aqui e mostrar um pouquinho da visão única de cada um, neste ano realizamos uma campanha em nossas mídias sociais. Aqui, reunimos todas as postagens e convidamos todos a conhecerem nosso time!

Para saber mais sobre cada um, visite a página ‘Equipe e Conselhos’.

A nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Fazemos tudo isso guiados pelos nossos valores: Excelência, Aprendizado, Colaboração, Respeito, Transparência e Sustentabilidade.

Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista. Em 22 anos de história, mais de 120 colaboradores passaram pelo IDIS.

Caso queira trabalhar conosco, cadastre seu currículo nossa página no site da 99 Jobs. Acompanhe também nossas mídias sociais e receba nossa newsletter: https://linktr.ee/idisocial

 

 

Construindo a Favela 3D: digna, digital e desenvolvida

O terceiro setor — representado por ONGs e empreendedores sociais — tem historicamente um papel fundamental na transformação sistêmica da vida da parcela mais pobre da população. Ele é ambicioso e inovador. Organizações como a Gerando Falcões têm eficiência, velocidade e capacidade de execução porque penetram onde o Estado não chega. No início da pandemia, por exemplo, o terceiro setor se fez presente na vida dos mais pobres semanas antes do governo. Enquanto o Estado tinha dificuldade para localizar os fantasmas brasileiros — quem não têm RG nem CPF — as ONGs sabiam onde eles estavam e os chamavam pelo nome.

Fundada em 2011 no Jardim Kemel, bairro periférico de Poá, na região metropolitana de São Paulo, a Falcões começou como uma iniciativa que oferecia atividades extracurriculares a crianças e adolescentes e cursos de qualificação profissional a jovens e adultos da região.

Dez anos depois, cresceu exponencialmente e se converteu numa aceleradora de desenvolvimento social, que apoia mais de cem líderes e organizações de favelas em 19 estados do Brasil.

O que ela quer, agora, é ainda maior, mas está longe de ser inviável: implementar a primeira Favela 3D — digna, digital e desenvolvida — do país. Trata-se de um projeto multissetorial, com participação do governo e da iniciativa privada, para dar autonomia social e financeira à Vila Itália, favela de São José do Rio Preto (SP). O Favela 3D vai atuar tanto no trabalho de base tradicional — construindo casas, regularizando o uso da área e melhorando a infraestrutura — quanto na criação de ferramentas sociais transformadoras, como programas de capacitação e empreendedorismo que deem soberania financeira aos moradores e tornem a comunidade autossustentável.

A ideia a médio e longo prazo é fazer da Vila Itália um projeto-piloto que possa ser replicado Brasil afora. Os 14 milhões de brasileiros que vivem em favelas estão habituados a ser ignorados pelo poder público, vistos como problema ou ter seu potencial desperdiçado por falta de oportunidades. Com o Favela 3D, eles passam a ser parte da solução, agentes ativos da própria emancipação.

O método para alcançar esse objetivo é o mesmo que consolidou a Gerando Falcões como uma das principais iniciativas sociais do país: localizar as lideranças capazes de gerar mudanças locais na quebrada, investir em treinamento e capacitação e acompanhar os resultados com afinco, usando sistemas como o SROI (sigla em inglês para Retorno Social do Investimento), que quantifica o impacto social em valores financeiros. Uma análise feita com apoio do IDIS mostrou que, a cada R$ 1 investido nas iniciativas avaliadas, R$ 3,50 são gerados na forma de benefício para a sociedade.

Foi identificado também que o investimento social da ONG “paga-se socialmente” (payback) já no segundo ano após o investimento, algo raro para a maioria de ativos financeiros disponíveis no mercado. É o melhor dos dois mundos: propósito e inovação, uma combinação de conhecimento da favela com o conhecimento das empresas que estão mudando o mercado.

São avaliações de impacto como essas que dão à Gerando Falcões a segurança de estar no caminho certo, justificando perante seus apoiadores e sociedade civil a relevância de seu Programa de Aceleração. É assim que essa expertise é levada aos quatro cantos do país, revolucionando a maneira como encaramos o urbanismo e o desenvolvimento social nas periferias brasileiras.

Olhar para trás, para o que foi realizado, identificar o que deu certo, o que poderia ter sido diferente e de fato avaliar exige tempo e dedicação. Mas é assim que conseguimos evoluir e dar escala ao que fazemos. E é reorganizando a forma como o dinheiro circula na favela e dando instrumentos aos seus moradores que o Brasil vai criar condições para quebrar o círculo vicioso da desigualdade, transformar os excluídos em cidadãos e fazer com que a miséria vire item de museu.

Edu Lyra e Nina Cheliga são, respectivamente, fundador e CEO e Diretora de Tecnologias Sociais da Gerando Falcões; Paula Fabiani e Felipe Insunza Groba são, respectivamente, CEO e Gerente de Projetos do IDIS. Este artigo foi publicado em uma versão reduzida no Exame.

Saiba mais sobre Avaliação de Impacto e SROI.

 

Cultura em chamas: o que aprendemos três anos após o incêndio do Museu Nacional

Cultura em chamas: o que aprendemos três anos após o incêndio do Museu Nacional

As chamas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, há 3 anos estampavam manchetes de jornais brasileiros e foram amplamente divulgadas pela mídia internacional. Desde então, presenciamos com tristeza outros focos de incêndio em aparelhos culturais, como no Museu de História Natural da UFMG, em 2020, ou no acervo da Cinemateca em julho deste ano, e as razões foram semelhantes: verba insuficiente para manutenção.

O que fazer para a história não se repetir? Em 2018, a resposta foi o fortalecimento de um movimento da sociedade civil pela regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil. Uma coalizão multissetorial, formada por mais de 70 organizações e liderada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, intercedeu em Brasília por este mecanismo que oferece maior possibilidade de sustentabilidade financeira a organizações e causas, incluindo a cultura, e conquistou, em janeiro do ano seguinte, a promulgação da Lei 13.800/19. Os fundos patrimoniais são uma resposta à falta de recursos para a manutenção de equipamentos culturais tão importantes para a preservação e divulgação da nossa história e cultura.

Um fundo patrimonial, ou endowment, permite que pessoas, empresas e filantropos doem recursos com a segurança de que serão bem geridos e bem aplicados. São investimentos de longo prazo, dos quais a organização beneficiada utiliza apenas os rendimentos, garantindo-lhe recursos perenes. Eles complementam verbas estatais ou aquelas advindas da atividade e captação da organização, e dão maior flexibilidade para investimento em manutenção, expansão ou resposta em casos emergenciais. Por exemplo, o Museu de História Nacional de Nova York, possui 28% da recursos de bilheteria, 25% de doações, 16% de fundos patrimoniais, 16% atividades auxiliares e 9% da prefeitura da cidade. As maiores universidades dos Estados Unidos, como Harvard, contam também com fundos patrimoniais bilionários. Lá, cerca de 35% dos ex-alunos contribuem com doações e os rendimentos representam mais de ⅓ do orçamento anual da Universidade. O Museu Nacional, por sua vez, tem 98% de seu orçamento dependente de verbas federais por meio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é diretamente afetado pela crise dos investimentos federais em cultura e educação.

A Lei 13.800 foi sem dúvida uma grande conquista, e desde então, vimos serem estruturados no Brasil o Fundo Patrimonial Rogerio Jonas Zylbersztajn, o Lumina, da Unicamp, o Fundo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre outros. Os exemplos na área cultural, entretanto, são poucos e ainda incipientes. Uma das razões é que os recursos advindos de Leis de Incentivo, como a Lei Rouanet, tão comuns nesta área, apesar de serem previstos na Lei para a doação a Fundos Patrimoniais, não estão ainda regulamentados pela Secretaria da Cultura, com o estabelecimento de orientações para a apresentação de projetos culturais. Dessa forma, as organizações da área da cultura não conseguem exercer o direito que lhes foi conferido pela Lei 13.800. Este é um dos pleitos da Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, afinal é um direito das organizações culturais, é preciso que as autoridades publiquem Instrução Normativa regulamentando este benefício.

A regulamentação é urgente para alavancar a criação ou a ampliação de Fundos Patrimoniais voltados à cultura, em especial neste momento de redução de gastos públicos e drástica diminuição de recursos a essa área. O fogo é histórico: em 1978 no MAM (RJ); 2013 no Memorial da América Latina; 2015 no Museu da Língua Portuguesa; 2016 na Cinemateca; 2018 no Museu Nacional; 2020 no Museu de História Natural da UFMG; e 2021 novamente na Cinemateca. Que das cinzas de tantas memórias e história possam surgir novas formas de cuidarmos de forma sustentável de nossa cultura enquanto sociedade, para que ela perdure e seja de todos e para todos.

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS e Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados.

Este artigo foi publicado originalmente no Estadão.

IDIS participa de edição 100ª da Alliance Magazine

Em comemoração aos 25 anos de aniversário da Alliance Magazine, a revista inglesa lança a 100ª edição com relatos de filantropos, executivos de organizações sociais e personalidades do campo. O IDIS contribuiu com dois depoimentos. Parabenizamos a Alliance pelos 25 anos sendo a principal revista de filantropia e investimento social em todo o mundo e é uma honra fazer parte desta trajetória.

Em uma sessão dedicada à reflexão de especialistas com experiência de 25 anos trabalhando no setor, a CEO do IDIS, Paula Fabiani, escreve um relato sobre o que gostaria de ter aprendido antes sobre o setor filantrópico. “Eu gostaria de ter sabido que a filantropia teria um grande papel na promoção da democracia. Eu gostaria de ter tido conhecimento da relevância de se trabalhar pela equidade racial, primeira infância e ciência. E também gostaria de ter previsto as dificuldades do avanço da agenda contra o aquecimento global”, comenta.

Já em outra parte da publicação, Alexandre Gonçalves Jr, analista de comunicação do IDIS, participa do capítulo dedicado a profissionais do setor filantrópico nascidos no mesmo em que a publicação foi lançada, 1996, intitulado “PHILLENIALS”, alusão aos termos millennials e philanthropy, em inglês. Com um olhar para os próximos 25 anos, ele destaca as mudanças estruturais para a transformação social. “A filantropia pode apoiar estas mudanças. Pode dar voz às pessoas, empoderar comunidades locais a manter atividades e promover um espaço seguro para a sociedade civil lutar contra desigualdades”, acredita.

Para acessar e conferir a publicação completa, acesse: alliancemagazine.org

Inscreva-se para o evento gratuito de lançamento da publicação, clicado aqui.

Na esteira da celebração histórica, além da tradicional edição imprensa e digital da revista, a Alliance também promoveu ao longo do ano debates internacionais sobre a filantropia ao redor do mundo. O encontro sobre as perspectivas para a América Latina foi realizado em parceria com o IDIS. Confira o vídeo:

 

 

Lester Salamon, Paladino da Sociedade Civil

Artigo escrito pelo fundador do IDIS, Marcos Kisil,
baseado em comunicado da Universidade John Hopkins
e acrescido de suas vivências diretas
com o professor Lester Salamon.

 

Com grande tristeza, escrevemos para compartilhar a notícia de que o Professor Lester M. Salamon faleceu na sexta-feira, 20 de agosto de 2021. Nossa perda coletiva repercutirá no campo da sociedade civil onde se tornou o mais importante pesquisador e arauto da relevância de suas organizações sem fins lucrativos para os Estados Unidos e para todas as sociedades do mundo civilizado. O Dr. Salamon foi o pioneiro no estudo empírico do setor sem fins lucrativos globalmente em parceria com uma ampla rede de colegas nos quais tive o privilégio de ser incluído.

 

Conhecia Lester por seu estudo seminal Comparative Nonprofit Sector Project, que conduziu desde o Johns Hopkins Institute for Policy Studies, e que publicou em 1993 o primeiro estudo realmente acadêmico produzido no Brasil sobre o setor sem fins lucrativos, conduzido por Leilah Landim, do ISER com o título “Defining the Nonprofit Sector: Brazil.”

 

Os esforços do Dr. Salamon foram possíveis em grande parte por sua capacidade de conceber projetos de escopo global e de galvanizar e gerenciar centenas de parcerias, alavancando uma enorme rede de acadêmicos, pesquisadores, profissionais, bem como funcionários de governos e das Nações Unidas. Foi em seu trabalho com uma equipe de pesquisadores, inicialmente no The Urban Institute, onde concebeu e gerenciou o Projeto do Setor Sem Fins Lucrativos do instituto, e mais tarde na Johns Hopkins University, onde fundou o Institute for Policy Studies e o Center for Civil Studies. Foi sob esses auspícios que ele e seus colegas desenvolveram a definição estrutural-operacional seminal do setor sem fins lucrativos. Esta definição continua sendo fundamental para a nossa compreensão coletiva do núcleo organizacional do setor e formou a base para todos os principais projetos de pesquisa internacionais do Centro.

 

Palestra_LesterSalamon

Palestra sobre Fundos Patrimoniais com Lester Salamon em evento realizado pelo IDIS

Assim, já familiarizado com as contribuições do Lester, tive então a oportunidade de conhece-lo pessoalmente quando atuava na Fundação Kellogg como Diretor para a América Latina e Caribe. Nosso primeiro encontro se deu como participantes da Conferência anual do Council on Foundations dos Estados Unidos. Sua personalidade perscrutadora em buscar informação e conhecimento já era pontuada pelo genuíno interesse nas organizações da sociedade civil. E assim nos aproximamos, já que era um tema prioritário para fortalecer as sociedades latino americanas que progressivamente se libertavam dos regimes militares na nossa região, e que adotaram uma política nefasta de perseguir as organizações da sociedade civil e seus líderes. Assim, naquele momento eu estava explorando estratégias para fortalecer o reaparecimento da sociedade civil na região, suas organizações e líderes, utilizando o termo terceiro setor, na época bastante disseminado.

 

Esse encontro propiciou um contato mais estreito com suas pesquisas e me levou a ter coparticipação em alguns estudos que se referiam a América Latina. E assim fui influenciado em várias decisões que tomei para apoiar um setor relativamente incipiente.

 

Nas inúmeras conversas que tivemos fiquei sabendo que Lester entrou nesse campo das organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, um tanto por acaso, no final dos anos 1970, quando, sendo um professor de ciências políticas, aceitou convite para se tornar funcionário do governo americano. Como Diretor Associado do Escritório de Gestão e Orçamento dos Estados Unidos, sob o presidente Carter, Lester se deu conta da ausência de informações sistemáticas disponíveis sobre os fluxos de financiamento do governo para organizações sem fins lucrativos e que prestavam serviços de interesse público – o que era então muito pouco conhecido seja dentro do governo, seja para a sociedade americana. Assim, partiu em busca de dados econômicos básicos sobre o escopo, estrutura, financiamento e papel do setor nos Estados Unidos. Posteriormente se deu conta que esses dados e informações também eram ausentes em muitos outros países.

 

Participei ativamente do projeto “Philanthropication through Privatization – PtP” sob a liderança do Lester, sendo pesquisador e membro do seu Comitê Estratégico. Esse esforço resultou no livro “Filantropização via Privatização”, traduzido ao português pelo IDIS, e que tive a honra de fazer a apresentação.

 

Esse projeto explorou as potencialidades para criação ou reforço de fundos patrimoniais de organizações da sociedade civil a partir dos processos de privatização, amparado pelo simples entendimento de que as empresas estatais não pertenciam só a governos, mas também pertenciam a sociedade. Neste sentido a pergunta central respondida pela pesquisa é: um bem público pode ser objeto de uma transação de privatização sem a participação da sociedade? A resposta da pesquisa é simples: os ativos envolvidos em operações de privatização não são, em última análise, ‘do governo’, mas ‘do povo’, construídos por meio do suor, trabalho árduo e recursos dos cidadãos de um país ou pertencentes ao povo como um direito inato em virtude de sua presença no território que coletivamente ocupam.

 

O professor Salamon e a equipe de pesquisadores, identificou um número significativo de casos que demonstravam que os recursos auferidos na privatização poderiam, e deveriam, ser utilizados para fortalecimento da sociedade civil. E que em um sem número de casos se privatizou sem levar em conta esse interesse social. No caso do Brasil ficou claro que foram perdidas oportunidades nas privatizações da Vale, Eletropaulo, Companhia Siderúrgica Nacional. E ainda mais relevante, poderia ser um elemento estratégico importante se passasse a ser um requisito nas novas concessões, tais como portos, aeroportos, rodovias e outros. Em síntese, as ideias e casos contidos nessa publicação passaram a ser conhecidos, analisados e propagados na sociedade brasileira, entre as autoridades do executivo, legislativo e judiciário, bem como junto às empresas de capital que buscam aproveitar as oportunidades de privatizações. Em sua última viagem ao Brasil que tive chance de acompanhá-lo, estivemos com o então Ministro da Justiça, Sérgio Moro, para explorar a constituição de um fundo patrimonial para o combate à corrupção, com os recursos da recuperação financeiras obtidos pela Lava Jato das inúmeras empresas e pessoas envolvidas em transações ilícitas.

 

A importância e transcendência das pesquisas de Lester são encontradas nos 40 anos que se dedicou à geração e institucionalização de dados econômicos básicos sobre organizações sem fins lucrativos, de economia social e da sociedade civil, bem como o trabalho voluntário nos sistemas administrativos existentes. Foi assim que influenciou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a introduzir e produzir dados sobre as organizações da sociedade civil (OSCs) no Brasil. Influenciando a tomada de decisão dos técnicos do IBGE, tornou possível alavancar a compreensão e a credibilidade dessas organizações como coparticipantes do desenvolvimento de políticas públicas e econômicas de interesse social.

 

O resultado das inúmeras parcerias que forjou impactou quase todos os segmentos do setor. Autor de mais de vinte livros, seu “America’s Nonprofit Sector: A Primer,” Third Edition, (Foundation Center, 2012) é o texto padrão usado em cursos de nível universitário sobre o setor sem fins lucrativos nos Estados Unidos. Outro livro impactante foi “Parceiros no Serviço Público: Governo e Setor Sem Fins Lucrativos no Estado de Bem-Estar Moderno” (Johns Hopkins University Press, 1995) que ganhou o Prêmio ARNOVA de 1996 como Distingue Book em Pesquisa de Ação Voluntária e Sem Fins Lucrativos. Em 2012 foi reconhecido com o Prêmio de Contribuição Duradoura Aaron Wildavsky da American Political Science Association.

 

Internacionalmente, as informações geradas pelo Projeto Comparativo do Setor Sem Fins Lucrativos – um estudo do escopo, estrutura, financiamento e papel desse setor em mais de 40 países em seis continentes – produziram algumas das primeiras informações comparativas internacionalmente sobre o setor sem fins lucrativos em vários países. Muitos novos programas de pesquisa foram formados globalmente com base nisso. Desse esforço também resultou o livro “Sociedade Civil Global: Dimensões do Setor Sem Fins Lucrativos” (1999), que ganhou o Prêmio Virginia Hodgkinson de melhor publicação no campo das organizações sem fins lucrativos em 2001.

 

O Dr. Salamon viveu para ver a definição operacional e estrutural adotada pela Comissão de Estatística das Nações Unidas e pela Organização Internacional do Trabalho (para o trabalho voluntário) que passou a ser adotada pelas instituições geradoras de dados e relatórios de governos nacionais em todo o mundo. No seu livro “Explicando o Desenvolvimento da Sociedade Civil: Uma Abordagem de Origens Sociais” (Johns Hopkins University Press, 2017), ele foi capaz de usar os dados resultantes de seu esforço para adoção de um critério global para a importante questão analítica que resulta do cruzamento de variações nacionais relativas ao tamanho e contornos do setor da sociedade civil.

 

O Dr. Salamon tinha a esperança duradoura de que estudiosos e pesquisadores reconheceriam o valor desses dados e a necessidade permanente de atualização para servir ao setor para o qual ele trabalhou tão diligente e inabalavelmente. Em seus últimos anos na Johns Hopkins, ele se concentrou em manter o terceiro setor nas agendas de trabalho da Divisão de Estatística das Nações Unidas e expandiu seu foco para atuar com parceiros com o intuito de identificar novas formas emergentes de filantropia que ora eram subvalorizadas, ora inexploradas e inexplicadas. Nesse sentido, ele publicou “Novas Fronteiras da Filantropia: Um Guia para as Novas Ferramentas e Atores Remodelando a Filantropia Global e Investimento Social” (Oxford University Press, 2014).

 

O Prof. Salamon ocupava posições de destaque no cenário acadêmico internacional também como Professor Pesquisador Sênior na Escola de Estudos Internacionais Avançados Johns Hopkins (SAIS), Centro de Bolonha e atuou como Diretor Científico fundador do Laboratório Internacional para Estudos do Setor Sem Fins Lucrativos na Escola Superior de Economia da National Research University, Moscou.

 

Dr. Salamon recebeu seu B.A. graduação em Economia e Estudos Políticos pela Princeton University e seu Ph.D. em Governo pela Harvard University. Ele foi presidente emérito e membro do conselho da Community Foundation de Chesapeake, um ex-membro do conselho da International Society for Third Sector Research e atuou no conselho editorial de várias revistas.

 

Lester trabalhou ativamente até falecer. Sua dedicação, energia e paixão serão difíceis de igualar.

 

Em nome dos inúmeros colegas que granjeou no Brasil em suas memoráveis visitas, muitas provocadas por convites feitos pelo IDIS, estendemos nossas mais profundas condolências à sua esposa Lynda, aos filhos e netos.

 

Lester foi uma presença viva e saudosa que muito contribuiu para orientar o crescimento e desenvolvimento do IDIS ao longo dos anos.

 

Perdi um amigo e companheiro de jornada. Que Deus o receba em sua Paz.

Podcast ‘Aqui se Faz, Aqui se Doa’ aborda Pesquisa Doação Brasil em edição especial

A Pesquisa Doação Brasil foi o tema central do episódio do podcast “Aqui se Faz, Aqui se Doa”, realizado pelo Instituto Mol e Movimento Bem Maior. Para comentar os dados do maior estudo sobre o doador individual do país, Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, foi convidada.

A Pesquisa Doação Brasil foi coordenada pelo IDIS e realizada pela Ipsos.

Confira o episódio completo em que Paula Fabiani conta um pouco dos bastidores da Pesquisa Doação Brasil 2020 e também revela os dados sobre o doador brasileiro que permitem comparação com dados da 1ª edição de 2015, além de um capítulo especial sobre o impacto da pandemia nas doações.

Ouça o podcast:

Jornal Nacional destaca Pesquisa Doação Brasil 2020

Em reportagem abordando a crise econômica agravada pela pandemia, o Jornal Nacional da TV Globo destacou os dados da Pesquisa Doação 2020 em comparação com os de 2015.

Apesar da crise ter afetado s doações, durante a entrevista, Paula Fabiani, CEO do IDIS, destacou a vontade do 80% dos brasileiros querem manter ou aumentar a doação.

JornalNacional_Paula

Além disso, também foi pontuado o aumento do engajamento solidário das classes mais altas de 51%, em 2015, para 58% em 2020, indicando o fortalecimento da cultura de doação.

Confira a reportagem completa clicando aqui.

 

Avaliar o Impacto Social é também uma estratégia de Comunicação e Captação de Recursos

Alguma vez você sentiu que a mensagem que queria transmitir não foi assimilada pelo público da maneira como você esperava? Estabelecer uma boa comunicação está entre os grandes desafios pessoais e organizacionais que todos nós enfrentamos. Transmitir uma mensagem é uma tarefa complexa, porque envolve inúmeras variáveis – a linguagem utilizada, o canal correto para transmiti-la, o repertório e as referências do público, a familiaridade e domínio do tema que ele possui previamente, a forma como você aborda o assunto, e tantas outras.

 

Quando falamos sobre o universo de Programas Sociais, existe uma necessidade constante de comunicar-se com o público-alvo, com a equipe e os parceiros envolvidos, com os investidores e com a sociedade em geral. Cada um desses públicos se relaciona com o Programa de uma forma diferente e, portanto, usar a mesma linguagem e os mesmo materiais de comunicação para todos eles, provavelmente será uma estratégia pouco eficaz.

 

A Avaliação de Impacto Social (estudo que faz uso de métodos de pesquisa para identificar e mensurar a transformação social gerada por um projeto ou programa) é, por vezes, encarada como um documento técnico: um estudo de alta complexidade, que gera um relatório extenso e detalhado, com muitas informações estatísticas e metodológicas, que fica restrito à gestão do Programa, para apoiá-la em processos de tomada de decisão. No entanto, os resultados de um estudo como esse também podem ser grandes aliados na construção de uma estratégica de comunicação da organização.

 

O detalhamento metodológico e estatístico do estudo é, de fato, muito relevante, porque demonstra que a pesquisa foi feita de forma responsável e consistente. Mas quais são as informações geradas pela Avaliação que devem ser transmitidas para a equipe que lida no dia a dia com a operação da Programa Social? Quais são as mensagens que devem ser compartilhadas com os investidores que já apoiam o Programa? E com aqueles que ainda não apoiam e que você encontrará em uma reunião de captação de recursos? Como compartilhar as conclusões de um estudo avaliativo com os beneficiários atendidos pelo Programa? Que informações da pesquisa devem constar no relatório de atividades da organização?

 

Entender a aplicação estratégica que cada tipo de informação obtida por meio de uma Avaliação de Impacto pode ter para o Plano de Comunicação da organização é importante para fazer o melhor uso do aprendizado e das conclusões obtidas ao longo do estudo. A seguir, apresentamos algumas reflexões relevantes para alguns públicos de interesse.

 

A estratégia de comunicação com investidores ou potenciais investidores é uma das mais utilizadas a partir dos estudos de Avaliação de Impacto. Uma mensuração objetiva a respeito da transformação social oriunda de um Programa ou índices de retorno sobre o investimento são supostamente maneiras de fazer um investidor se sentir mais confiante de que seu recurso está sendo bem utilizado e de que a organização tem uma boa gestão sobre a iniciativa. Um erro frequente, no entanto, é apresentar indicadores numéricos de forma isolada, sem contextualizá-los em uma narrativa que explique o que é o trabalho realizado, quem é o público-alvo, como ele participa do Programa e quais são as mudanças que ele vivencia a partir de seu envolvimento com a iniciativa. Tudo isso pode ser, em seguida, ilustrado com indicadores objetivos, porém, não deixe de dar uma perspectiva geral do aspecto humano envolvido do Programa. Os números estão lá para trazer evidências, materialidade e fortalecer a sua narrativa de impacto, mas, sozinhos e sem uma boa contextualização, até os melhores indicadores podem se tornar pouco impactantes para alguém que desconhece como o Programa funciona. Lembre-se de que, na sua maioria, investidores não são especialistas na causa que a sua organização apoia. Portanto, evite termos muito técnicos e acadêmicos, que podem não ser familiares para qualquer pessoa. Por fim, com frequência, uma conversa com um potencial investidor pode não durar mais do que 30 minutos, portanto, selecione as informações mais relevantes em um material de uma ou duas páginas, e tenha à mão links para arquivos complementares, que ele possa consultar mais tarde, caso queira se aprofundar no assunto.

 

A equipe executora do Programa e parceiros implementadores, por outro lado, possuem um conhecimento aprofundado sobre o funcionamento do Programa e seus aspectos metodológicos. Para esse público, vale a pena explorar em profundidade os depoimentos de beneficiários a respeito dos aspectos positivos e pontos de melhoria. As pesquisas qualitativas oferecem extenso material para isso e as pesquisas quantitativas proporcionam boas análises a respeito dos aspectos do programa que são mais ou menos percebidos pelo público-alvo. Esses elementos são muitos ricos para que a equipe reflita sobre as oportunidades de aprimorar sua forma de atuação. Adicionalmente, é muito inspirador para a equipe envolvida na iniciativa ouvir os depoimentos dos beneficiários. Embora estejam em constante contato com eles, nem sempre a equipe tem a oportunidade de ouvir e ler relatos sobre como as pessoas se sentem impactadas e as mudanças que ocorreram em suas vidas com a mesma profundidade em que são coletadas em estudos de Avaliação de Impacto. O momento de compartilhamento dessas informações costuma ser muito gratificante e emotivo para a equipe, e os encoraja a seguir sua jornada de dedicação ao Programa e às causas nas quais acreditam.

 

Por fim, é importante considerar a estratégia de comunicação com os próprios beneficiários, que costumam participar ativamente das Avaliações de Impacto em entrevistas, grupos focais e preenchimento de questionários. Compartilhar as conclusões do estudo com eles, além de ser uma importante etapa de validação, onde a organização se certifica de que eles se reconhecem nos resultados apresentados pelo estudo, mostra consideração e apreço pelo tempo que eles investiram na pesquisa e pela abertura que tiveram ao compartilhar suas opiniões, percepções e histórias de vida. É importante ter o cuidado de planejar a melhor forma de apresentar o conteúdo do estudo com os beneficiários, levando em consideração o perfil do público. Em Avaliações de Impacto realizados pelo IDIS, por exemplo, já preparamos devolutivas sobre os resultados do estudo para crianças de 8 a 12 anos, e foi muito interessante adaptar o conteúdo para um formato e linguagem que fosse interessante e estimulante para eles. Compartilhar as conclusões do estudo com o público-alvo também mostra que a organização está atenta às suas percepções, valoriza suas opiniões e está comprometida em perseguir a evolução contínua da iniciativa ao longo do tempo, criando assim uma maior relação de transparência e confiança.

 

A Avaliação de Impacto é uma ferramenta que se desdobra em muitas aplicações estratégicas. Ajuda as organizações a repensarem o modelo operacional de seus programas, tomarem decisões sobre a continuidade ou expansão de iniciativas, obterem evidências sobre a relevância de sua atuação e fortalecerem seus esforços de captação de recursos. Além de tudo isso, é também uma valiosa ferramenta para seu plano de Comunicação: fazendo as adaptações necessárias na linguagem, enfoque e nível de detalhamento, o conteúdo desse tipo de estudo pode e deve ser compartilhado com os mais diversos públicos, gerando interesse por parte de investidores, alinhamento e inspiração para a equipe do Programa e relações de transparência e confiança junto aos beneficiários.

 

Por Raquel Altemani, gerente de projetos no IDIS. Este artigo foi publicado em uma versão reduzida na Folha de S. Paulo

Conheça os cases do IDIS de avaliação do impacto.