GIFE e INCT Participa lançam Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, com apoio do IDIS

Plataforma colaborativa reúne dados, pesquisas e evidências para fortalecer o conhecimento sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil

Foi lançado o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, plataforma colaborativa liderada pelo GIFE e pelo INCT Participa, com o apoio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial do IDIS.

A iniciativa foi criada para reunir, sistematizar e disseminar informações, dados, pesquisas e evidências sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Ao ampliar o acesso a conhecimento qualificado sobre o setor, o Observatório pretende contribuir para o aprimoramento das práticas das organizações, apoiar processos de tomada de decisão e estimular a produção de novas pesquisas.

Membros do setor reunidos durante lançamento do Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado

Para o IDIS, a criação da plataforma representa um marco importante para o fortalecimento do campo filantrópico brasileiro. A geração e a disseminação de conhecimento constituem um dos pilares de atuação da organização, ao lado da consultoria e da execução de projetos de impacto.

“Dados e evidências são ferramentas fundamentais para gerar impacto social positivo. Quando compartilhados e explorados de maneira estratégica, podem orientar decisões, aprimorar práticas, fortalecer políticas públicas e contribuir para uma filantropia cada vez mais transformadora”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O apoio à iniciativa é realizado por meio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial criado pelo IDIS com o objetivo de fortalecer a filantropia estratégica no país e apoiar iniciativas capazes de ampliar a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade de atuação do setor.

O Observatório também se propõe a ser um espaço vivo e colaborativo, incentivando pesquisadores, organizações e demais atores do ecossistema filantrópico a utilizarem os materiais disponíveis e contribuírem para a expansão da base de conhecimento sobre o tema.

Conheça o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado.

Programa Transformando Territórios lança fundos emergenciais preventivos para enfrentar emergências territoriais

Iniciativa ainda pouco explorada no Brasil fortalece a capacidade de territórios brasileiros de prevenir, se preparar e responder a emergências climáticas por meio da filantropia comunitária. Quatro fundos já foram estruturados e dois estão em fase de implementação

Seis fundações e institutos comunitários de diferentes regiões do Brasil estão recebendo apoio técnico e financeiro para criar mecanismos territoriais permanentes de prevenção a emergências climáticas. A iniciativa, inédita no contexto brasileiro, integra o Programa Transformando Territórios, do IDIS, e conta com a metodologia e assessoria técnica do ICOM — Instituto Comunitário Grande Florianópolis, além de parceria com a Mott Foundation, o Movimento Bem Maior e a Fundação FEAC.

Na primeira etapa, quatro Fundações e Institutos Comunitários (FICs) concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes de R$ 50 mil cada para desenvolver estratégias voltadas à gestão de riscos, à prevenção e ao fortalecimento da resiliência em seus territórios: Instituto Cacimba, no distrito de São Miguel Paulista na capital paulista (SP), Associação Nossa Cidade, na Grande Belo Horizonte (MG), Instituto Comunitário Paraty, em Paraty (RJ) e Mundaú Mundo, em Maceió (AL). A Fundação Gerações, na Grande Porto Alegre (RS) e o Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, no distrito de M’Boi Mirim na cidade de São Paulo (SP) estão em fase de assessoria e devem concluir a estruturação em breve. A captação dos fundos segue aberta a indivíduos e organizações.

 “Quem vive e atua nos territórios conhece de perto seus riscos, vulnerabilidades e potencialidades. Por isso, fortalecer organizações locais é fundamental para construir estratégias de prevenção e preparação junto às próprias comunidades, antes que as emergências aconteçam. As Fundações e Institutos Comunitários desempenham um papel estratégico nesse processo ao identificar riscos, mobilizar recursos, articular diferentes atores e fortalecer a capacidade dos territórios de prevenir, se preparar e responder a crises de forma coordenada e sustentável”, afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Os recursos apoiam iniciativas de caráter preventivo — fortalecendo a capacidade local de enfrentar eventos extremos antes que se transformem em crises de difícil gestão. A seleção dos territórios partiu de uma característica comum: todos já desenvolviam ações ou reflexões sobre situações de emergência e vulnerabilidade socioambiental, e demandavam instrumentos mais estruturados para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre os eventos que os fundos visam preparar os territórios para enfrentar e evitar enchentes, rompimento de barragens, descarte irregular de resíduos, chuvas extremas, ondas de calor e outros eventos climáticos monitorados por redes territoriais de correspondentes climáticos.

Para doar, basta entrar em contato com as FICS pelo site, as doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas.

 

Um modelo inovador inspirado em experiências internacionais

O modelo de Fundo Emergencial Preventivo (FEP) é considerado inovador no Brasil por utilizar a filantropia comunitária de base territorial como ponto de partida para a construção de fundos voltados à comunidades resilientes. A proposta foi inspirada em experiências desenvolvidas em países como Romênia e Chile, e em referências de organizações como Center for Disaster Philanthropy. No Brasil, a adaptação desse modelo parte também da experiência acumulada pelo ICOM na criação, gestão e governança de fundos comunitários e emergenciais, conectando mobilização de recursos, conhecimento territorial e fortalecimento de organizações locais.

Mais do que viabilizar respostas a emergências, a iniciativa busca fortalecer capacidades permanentes nos territórios para prevenir riscos, mobilizar recursos e agir de forma coordenada diante de crises cada vez mais frequentes e complexas.

“À primeira vista, um Fundo Emergencial Preventivo pode parecer apenas mais um mecanismo de repasse financeiro. Mas sua inovação está na forma como organiza capacidades antes da crise acontecer. O FEP fortalece os territórios em períodos de normalidade, investindo em governança, articulação, inteligência territorial e mobilização local. Para nós, é motivo de orgulho compartilhar a experiência acumulada pelo ICOM em fundos comunitários, fundos emergenciais e desenvolvimento territorial, contribuindo para que outras Fundações e Institutos Comunitários adaptem esse modelo às realidades de seus territórios”, afirma Mariana de Assis, Coordenadora de Projetos do ICOM

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

Fundo de Fomento à Filantropia amplia patrimônio e fortalece iniciativas estratégicas em 2025

O Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), iniciativa do IDIS voltada ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, encerrou 2025 com resultados expressivos. Em seu segundo ano de operação, o patrimônio do Fundo atingiu R$ 9,9 milhões, um crescimento de 39,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pelas contribuições de 146 doadores e pelo mecanismo de matching da doação realizada pela filantropa Mackenzie Scott ao IDIS.

Em 2025, o FFF destinou R$ 265 mil para iniciativas estruturantes organizadas em três frentes de atuação: advocacy, produção de conhecimento e articulação. Os recursos apoiaram ações voltadas ao fortalecimento do ambiente institucional da filantropia brasileira, à produção de evidências e à mobilização de atores do setor.

Entre as iniciativas apoiadas estiveram:

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

 

Um fundo perene para fortalecer a filantropia

O FFF foi concebido como um fundo patrimonial (endowment), garantindo sustentabilidade de longo prazo para investimentos em iniciativas que fortalecem o ecossistema da filantropia no Brasil. Por esse modelo, apenas os rendimentos reais – aqueles obtidos acima da inflação – podem ser utilizados, preservando permanentemente o patrimônio principal.

Em 2025, o Fundo registrou R$ 1,15 milhão em rendimento real, recursos que estarão disponíveis para investimentos ao longo de 2026, assegurando a continuidade das ações apoiadas e a expansão de seu impacto.

Outra novidade do ano foi a ampliação das formas de contribuição ao Fundo. O IDIS passou a oferecer a possibilidade de realizar doações vinculadas às inscrições em eventos institucionais, iniciativa que resultou em 121 novas doações ao longo de 2025.

 

Próximos passos

A campanha de captação do Fundo permanece ativa. A meta é alcançar R$ 15 milhões em patrimônio até o final de 2026 e chegar a R$ 25 milhões até 2029, ampliando a capacidade do FFF de apoiar iniciativas estruturantes para o desenvolvimento da filantropia e da cultura de doação no país.

Cada contribuição ajuda a consolidar um patrimônio duradouro, capaz de gerar recursos para iniciativas que impulsionam transformações sociais e contribuem para a redução das desigualdades no Brasil.

Saiba mais e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia!

 

Mais sobre fundos patrimoniais

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Prestação de contas: confiança que sustenta a missão das OSCs

Por Marcelo Destito, gerente administrativo-financeiro do IDIS; Agatha Pires e Vitória Vivian, analistas do administrativo-financeiro do IDIS; 

A prestação de contas não é apenas uma exigência administrativa. Para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ela integra a estratégia de sustentabilidade institucional, pois fortalece a confiança, qualifica a gestão financeira e amplia as condições de captação de recursos. Quando bem estruturada, permite demonstrar, com clareza, como os recursos foram aplicados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados.

No terceiro setor, eventualmente a prestação de contas costuma ser tratada como uma etapa final do projeto, associada ao envio de relatórios e comprovantes a financiadores. Essa visão, embora comum, é limitada. Na prática, prestar contas bem é uma demonstração concreta de capacidade de gestão, compromisso com a transparência e alinhamento com a missão institucional.

Para OSCs de pequeno e médio porte, esse processo é ainda mais decisivo. Com estruturas enxutas, menor margem para erros e maior sensibilidade reputacional, a qualidade da prestação de contas pode influenciar diretamente a continuidade de parcerias, o acesso a novos apoios e a credibilidade institucional. O desafio, portanto, não é apenas cumprir uma obrigação, mas transformar esse processo em um ativo de gestão e sustentabilidade.

Essa integração entre gestão financeira e execução técnica é essencial para uma prestação de contas consistente. Quando orçamento, despesas e entregas caminham juntos, a organização consegue demonstrar com clareza como os recursos foram aplicados, quais resultados foram alcançados e quais critérios orientaram decisões sobre rubricas, elegibilidade de despesas e rateios entre projetos ou financiadores.

Tal coerência fortalece a confiança, além de contribuir para a captação de recursos. Sendo assim, relatórios consistentes, documentação organizada e evidências de boa governança comunicam capacidade de gestão, aumentam as chances de renovação de apoios e abrem espaço para novas parcerias.

Gestão Financeira no Terceiro Setor: um guia para garantir sustentabilidade e transparência nas organizações sociais

 

Planejamento financeiro orienta uma prestação de contas segura

A prestação de contas começa na elaboração do orçamento, seja ele institucional ou vinculado a projetos. É nesse momento que a organização define categorias de despesas, critérios de uso das rubricas, formas de comprovação, indicadores financeiros e físicos, além da separação de receitas e despesas por projeto ou fonte de recurso. Quando essa estrutura está clara desde o início, a execução se torna mais organizada e a consolidação das informações ocorre com menos retrabalho.

Também é fundamental observar as regras de cada financiador para realocações, remanejamentos ou ajustes orçamentários. Alguns permitem mudanças dentro de determinados limites; outros exigem autorização prévia, justificativas formais ou oferecem pouca margem de flexibilidade. Por isso, manter as despesas aderentes ao orçamento aprovado e registrar eventuais alterações com transparência fortalece tanto a prestação de contas contratual quanto a confiança de conselhos, parceiros e apoiadores.

É importante destacar que a qualidade da prestação de contas depende da capacidade da organização de demonstrar o caminho percorrido por cada recurso: de onde veio, como foi autorizado, em que foi aplicado e qual entrega gerou. Para isso, manter registros contínuos, processos de compra bem documentados e despesas classificadas de forma coerente com o orçamento aprovado são processos importantes para garantir a entrega.

Vale destacar que algumas práticas são especialmente relevantes:

  • Registro contínuo das movimentações
    Lançar despesas apenas no encerramento do projeto aumenta o risco de erro, perda de documentos e inconsistências. O controle deve acompanhar a execução.
  • Fluxo de caixa por projeto ou fonte de recurso
    Separar entradas e saídas por iniciativa, financiador ou centro de custo melhora a rastreabilidade e facilita análises internas e externas.
  • Conciliação bancária periódica
    Fechamentos regulares ajudam a identificar inconsistências antes que se tornem problemas maiores na prestação de contas.
  • Documentação comprobatória organizada
    Notas fiscais, recibos, contratos, comprovantes de pagamento, relatórios de execução e evidências de entrega devem estar acessíveis e classificados de forma padronizada.
  • Processo de compra documentado
    Cotações, justificativas de escolha de fornecedores e critérios de contratação fortalecem a transparência. Em compras recorrentes, contratos guarda-chuva e revisões periódicas de fornecedores podem ampliar a segurança do processo.
  • Rateio de custos compartilhados
    Despesas institucionais, como contabilidade, jurídico, comunicação, equipe e custos fixos, devem seguir critérios claros de rateio, preferencialmente pactuados previamente com o financiador.
  • Preparação para diligências e glosas
    Antes do envio ao financiador, é importante revisar se as despesas estão aderentes às regras pactuadas, se a documentação está completa e se há justificativa suficiente para eventuais questionamentos.

 

Transparência, auditoria e reputação institucional

Em um ambiente cada vez mais orientado por confiança, rastreabilidade e integridade, a transparência deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a representar um ativo estratégico para as OSCs. A forma como a organização registra, valida e divulga suas informações financeiras impacta diretamente sua credibilidade perante financiadores, parceiros, conselhos e sociedade.

Nesse contexto, mecanismos de controle e verificação independente ganham relevância. Auditorias externas, revisões contábeis independentes e processos estruturados de governança contribuem para aumentar a segurança das informações, fortalecer a conformidade e reduzir riscos operacionais e reputacionais. Mais do que identificar inconsistências, esses instrumentos ajudam a consolidar uma cultura de responsabilidade, transparência e melhoria contínua.

Para organizações que dependem da confiança pública e da mobilização de recursos, a reputação institucional é um patrimônio estratégico. Fragilidades em processos financeiros, inconsistências documentais ou falhas na prestação de contas podem comprometer a capacidade de captação, a manutenção de parcerias e a legitimidade institucional. No terceiro setor, esses impactos raramente permanecem restritos a uma única organização: em um contexto em que a cultura de doação e o Investimento Social Privado (ISP) ainda enfrenta desafios de consolidação no Brasil, episódios de baixa transparência ou fragilidade de governança podem afetar a confiança no setor como um todo, ampliando a cautela de financiadores, investidores sociais e doadores, inclusive em relação a organizações sérias e estruturadas.

A gestão de projetos e a prestação de contas devem ser encaradas como processos integrados e estratégicos. Mais do que cumprir exigências, trata-se de demonstrar, com clareza e consistência, como os recursos confiados à organização foram utilizados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados. Quando bem estruturada, essa prática reduz riscos, fortalece a credibilidade institucional e amplia as possibilidades de renovação de apoios e captação de novos recursos.

Evoluir nesse processo não exige, necessariamente, grandes investimentos. O mais importante é construir rotinas simples, replicáveis e sustentáveis: estruturar o orçamento com foco em acompanhamento, organizar documentos desde o início dos projetos, criar fechamentos mensais, alinhar áreas técnica e financeira, padronizar relatórios e capacitar a equipe. Em um ambiente mais exigente, prestar contas bem deixa de ser apenas uma obrigação administrativa e se torna um investimento na sustentabilidade, na legitimidade e na capacidade da OSC de cumprir sua missão.

Organizações que investem em boas práticas de governança e transparência fortalecem não apenas sua própria sustentabilidade, mas também contribuem para a credibilidade e o amadurecimento do ecossistema filantrópico e social como um todo.

Dr. Marcos Kisil: trajetória visionária para a filantropia brasileira

São Paulo, junho de 2026

Em 1999, Dr. Marcos Kisil idealizou e fundou o IDIS, guiado pela convicção central de que a filantropia, quando orientada por propósito, conhecimento, estratégia e compromisso público, pode ser uma força poderosa para reduzir desigualdades, fortalecer a sociedade civil e ampliar as possibilidades de transformação social no Brasil. Naquela época, também participou da criação de organizações como o GIFE e com isso teve papel determinante para o desenvolvimento deste ecossistema que vemos hoje, inspirando pessoas, instituições e lideranças a compreenderem a filantropia como parte essencial do desenvolvimento do país.

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, doutor em Administração pela George Washington University e ex-Diretor Regional para América Latina e Caribe da Fundação W.K. Kellogg, Marcos construiu sua trajetória na intersecção entre desenvolvimento social, gestão, filantropia e cidadania. Sua passagem pela Fundação W.K. Kellogg foi decisiva para consolidar sua compreensão da filantropia como agente de transformação das desigualdades sociais e econômicas. Foi nesse contexto que pôde conhecer e atuar de forma profunda nesse campo, experiência que mais tarde contribuiria para a criação do IDIS.

Ao longo dessa caminhada, Marcos formulou aprendizados que ajudaram a orientar a maturidade da organização que fundou: a busca pela excelência, o amor e a dedicação ao próximo e a fidelidade ao propósito. Essas ideias também expressam a própria marca de sua atuação.

Em 2014, ao deixar a liderança executiva do IDIS, Marcos abriu caminho para que Paula Fabiani assumisse a direção da organização, inaugurando um novo ciclo de continuidade e fortalecimento institucional. Mesmo após essa transição, permaneceu próximo, contribuindo de forma ativa como membro do conselho deliberativo e mantendo vivo o compromisso que inspirou a criação do Instituto.

1º edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Agora, ao encerrar sua atuação como membro do Conselho Deliberativo, Marcos inicia uma nova etapa em sua relação com o IDIS. Seguirá próximo à organização, na governança da instituição, em sua condição de fundador.

Seu legado, no entanto, vai muito além dos cargos que ocupou ou dos ciclos formais de contribuição institucional. Está na visão de futuro que ajudou a semear. Está na defesa de uma filantropia mais estratégica, colaborativa e comprometida com o bem público. Está na aposta em redes, no fortalecimento da cultura de doação, na valorização das parcerias e na crença de que o investimento social privado pode, e deve, contribuir para um Brasil mais justo, solidário e sustentável.

A presença de Marcos permanece também nas pessoas que inspirou, nas lideranças que formou, nos debates que ajudou a qualificar e nas instituições que apoiou ao longo de sua jornada. O IDIS foi uma escola para centenas de pessoas, que hoje atuam em diferentes áreas, mas que levam consigo os aprendizados e influenciam os locais onde estão.

Marcos escreveu que seu mestre, Dr. Mario Chaves, lhe ensinou que “o passado é o prólogo do futuro”. Em sua trajetória, essa frase ganha sentido concreto: o passado que Marcos ajudou a construir segue servindo de base para os futuros que o campo da filantropia brasileira ainda pode desenhar – mais criativos, mais inovadores, mais influentes e mais comprometidos com a transformação social.

E essa contribuição continua. Marcos segue ativo no setor, dedicando-se de forma significativa ao debate sobre o papel da filantropia no fortalecimento da ciência e ampliando, mais uma vez, as fronteiras de sua atuação.

Dr. Marcos durante I Seminário Internacional ‘Ciência encontra Filantropia’

Ao Dr. Marcos Kisil, nosso reconhecimento e nossa gratidão.

Seguimos em frente, carregando em nossa essência, a visão de quem acreditou em tudo o que a filantropia pode ser.

Equipe IDIS

Encontro promovido pelo IDIS reúne filantropos em diálogos sobre propósito e transformação social

O IDIS realizou a primeira edição do ‘Em conversa com…’, iniciativa criada para promover diálogos mais próximos, profundos e inspiradores entre filantropos e filantropas brasileiros. O encontro reuniu lideranças do campo da filantropia em um ambiente de troca, escuta e aprendizado mútuo.

Nesta primeira edição, o evento contou com a participação de Claudio Haddad, fundador do Insper, e Ticiana Rolim Queiroz, fundadora da Somos Um, que compartilharam reflexões sobre suas trajetórias, propósitos e experiências na promoção de transformações sociais no Brasil.

Ao longo de seus 27 anos de atuação, o IDIS tem trabalhado pelo fortalecimento da filantropia e do investimento social privado no país. Nesse contexto, a filantropia familiar ocupa papel estratégico, especialmente por seu potencial de promover transformações estruturantes e de longo prazo.

Nos últimos anos, o IDIS aprofundou a atuação nesse campo por meio de pesquisas, workshops e da publicação ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar brasileira’. Durante esse processo, surgiu de forma recorrente a percepção da importância de ampliar espaços seguros de troca entre pares, ambientes pautados pela confiança, escuta qualificada e compartilhamento de experiências.

 

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Foi a partir dessa escuta que nasceu o “Em conversa com…”, com o propósito de fortalecer conexões humanas, ampliar repertórios e criar oportunidades para conversas que dificilmente acontecem nos fóruns tradicionais.

“O fortalecimento da filantropia também passa pela construção de vínculos e pela criação de espaços que estimulem trocas genuínas entre pessoas que compartilham o desejo de gerar impacto positivo na sociedade”, afima Paula Fabiani, CEO do IDIS.

A iniciativa contou ainda com o apoio da Fundação Bradesco, Movimento Bem Maior, Levisky Legado e UNICEF.

Paula Fabiani participa do quadro especial ‘Extraordinários’ da GloboNews

Em entrevista a GloboNews, Paula Fabiani, CEO do IDIS, compartilha reflexões sobre cultura de doação. Paula é a única brasileira presente na seleção das 100 pessoas mais influentes da filantropia no mundo pela revista TIME

Outro ponto abordado na conversa foi a importância das novas gerações no fortalecimento da filantropia no Brasil. Para Paula Fabiani, jovens lideranças e herdeiros já demonstram maior consciência sobre responsabilidade social e impacto coletivo.

“A grande notícia positiva é que as novas gerações já têm mais consciência, já vêm com essa questão mais endereçada”, destacou Paula.

Segundo ela, o cenário global de transferência de riqueza nas próximas décadas pode representar uma oportunidade para ampliar o engajamento filantrópico e fortalecer uma cultura de doação mais estruturada no país.

 

Assista a entrevista completa clicando aqui.

 

 

A filantropia como infraestrutura diante da crise climática

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Marcelo Modesto, gerente da área ESG do IDIS.

As cenas se repetem e, a cada ano, com mais intensidade. Ruas transformadas em rios, famílias desalojadas, serviços públicos colapsados. De Juiz de Fora, com seus episódios recentes de enchentes e desafios nos planos de contingência, a diversas regiões metropolitanas e cidades, o país está cada vez mais vulnerável a eventos extremos. O que se vê não é mais um momento excepcional, mas um padrão consolidado.

Segundo dados recentes lançados pela Ipsos, cerca de um quarto da população já precisou se deslocar por conta de eventos extremos, evidenciando, cada vez mais, que a crise não é apenas ambiental, mas social, econômica e humanitária. O deslocamento forçado rompe vínculos territoriais, além de agravar desigualdades históricas, afetando de forma mais intensa populações já vulnerabilizadas.

O relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026, lançado pelo IDIS, apresenta também um diagnóstico central de que o clima não é mais uma agenda entre outras, mas um fator estruturante que atravessa todas as dimensões: saúde, educação, segurança alimentar, habitação e renda.

È justamente nesse ponto que um debate ainda pouco amadurecido no Brasil precisa avançar: o papel da filantropia como parte da infraestrutura de resposta a crises. Em situações de desastre, o tempo é o recurso mais escasso. O Estado, por mais preparado que possa estar para enfrentar situações como essas, opera com algumas limitações que podem dificultar respostas imediatas na celeridade necessária.

A filantropia, nesse sentido, tem atributos que a tornam particularmente relevante nesses contextos, como maior flexibilidade, rapidez na alocação e direcionamento de recursos, além de uma maior capacidade para assumir riscos.

Fundos emergenciais, por exemplo, permitem mobilizar recursos direcionando apoio a territórios críticos antes mesmo que estruturas públicas consigam se reorganizar. Organizações da sociedade civil, por sua vez, atuam como braços operacionais essenciais, já que estão inseridas nos territórios e conhecem, com precisão, quem precisa de ajuda e como chegar até essas pessoas no momento em que elas mais precisam.

O campo do investimento social privado já demonstra mobilização significativa em desastres. Mas ainda há um desequilíbrio, uma vez que a maior parte das ações se concentra na resposta imediata após eventos climáticos extremos, com pouca incidência em prevenção e adaptação.

Considerando as evidências científicas de que eventos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes e intensos, as respostas não podem continuar baseadas apenas em resoluções momentâneas. Nesse sentido, a filantropia deve ser tratada como parceira estratégica capaz de ampliar velocidade, alcance e efetividade, atuando colaborativamente com o estado e iniciativas privadas.

Isso implica, na prática, fortalecer fundos de emergência permanentes, com governança e capacidade de rápida ativação; investir na preparação dos territórios, financiando prevenção, adaptação e resiliência; apoiar organizações locais, que são as primeiras a responder e as últimas a sair; e, sobretudo, atuar de forma articulada, reduzindo lacunas entre planejamento e execução. Especialmente em agendas sensíveis, como é o caso dos desastres climáticos, essa integração é indispensável para solucionarmos os desafios que temos à frente.