Exame destaca avaliação de impacto realizada pelo IDIS na Orquestra Maré do Amanhã

A Exame destacou os resultados da avaliação de impacto da Orquestra Maré do Amanhã (OMA), realizada pelo IDIS por meio da metodologia SROI (Social Return on Investment). O estudo identificou que, para cada R$ 1 investido no projeto, são gerados R$ 4,03 em benefícios sociais, totalizando aproximadamente R$ 29 milhões em valor social líquido.

A avaliação mostrou que os impactos da iniciativa vão além do aprendizado musical, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e cognitivas e para a ampliação das perspectivas de futuro de crianças e jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O estudo também identificou que participantes que permanecem por mais tempo vinculados à Orquestra apresentam impactos ainda mais expressivos.

Orquestra Maré do Amanhã em apresentação durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

À Exame, Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, destacou que o resultado é reflexo de um trabalho que combina rigor metodológico e paixão. A reportagem também mostra como os achados da avaliação passaram a apoiar o planejamento da própria Orquestra, orientando oportunidades de aprimoramento e novas frentes de atuação.

Leia a reportagem completa na Exame.

Você não precisa de bilhões para financiar mudanças sistêmicas

Por Felipe Insunza Groba e Beatriz Waclawek, Líder de Investimento Social e Parcerias Estratégicas no Movimento Bem Maior

A filantropia nos países desenvolvidos vive um paradoxo. Enquanto o volume total de doações se aproxima de níveis recordes, impulsionado por indivíduos de patrimônio muito elevado (Ultra-High-Net-Worth Individuals) e grandes fundações, o número de doadores individuais vem diminuindo. Nos Estados Unidos, dados recentes sobre captação de recursos mostram que, embora o total doado esteja crescendo, a participação e a retenção de doadores estão em queda, especialmente entre aqueles de menor porte. Tendência semelhante é observada na Europa: segundo o World Giving Report, a parcela da população que faz doações para organizações sociais caiu 3 pontos percentuais em um ano, passando de 41% em 2024 para 38% em 2025.

À medida que as doações se concentram, cresce também a pressão por “comprovar impacto”. Nesse contexto, os doadores tendem a privilegiar aquilo que parece mais fácil de justificar: teorias da mudança bem estruturadas, métricas objetivas, listas do “que funciona” e a promessa de um único programa capaz de ganhar escala rapidamente.

Na última década, o Altruísmo Eficaz (Effective Altruism) apresentou uma resposta influente a essa pressão: identificar a intervenção com maior retorno esperado e concentrar recursos nela. Essa lógica trata a filantropia como um problema de otimização e, em determinados contextos, pode funcionar, especialmente quando se trata de problemas mais delimitados, nos quais as relações de causa e efeito são relativamente diretas.

A mudança social, porém, raramente segue uma lógica tão linear. Um programa pode apresentar bons resultados e, ainda assim, não avançar se políticas públicas, capacidade de implementação e confiança da sociedade não evoluírem junto com ele. Mudanças sistêmicas acontecem quando evidências, narrativa pública, viabilidade política e capacidade de execução convergem — e quando há recursos para sustentar o trabalho necessário para que essa convergência aconteça.

E se, portanto, a filantropia eficaz não estiver apenas em encontrar a melhor intervenção, mas também em financiar as condições para que ela seja adotada?

É nesse ponto que os doadores de médio porte — famílias e indivíduos que doam menos de US$ 10 milhões por ano — têm uma vantagem ainda pouco reconhecida. Eles não dispõem de recursos comparáveis aos dos governos nem conseguem construir ecossistemas inteiros ao redor de suas iniciativas, como alguns bilionários podem fazer. Por outro lado, podem agir com mais agilidade, compartilhar riscos por meio de coinvestimentos e combinar recursos financeiros com ativos que não aparecem em balanços: credibilidade, acesso, capacidade de articulação e disposição para apoiar processos de longo prazo.

Em nosso trabalho de orientação a doadores no Brasil, por meio do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e do Movimento Bem Maior, observamos esse mesmo padrão. A efetividade está menos em escolher uma única solução vencedora e mais em construir um portfólio de ações em torno de um problema, combinando implementação, produção de evidências, advocacy e parcerias capazes de criar as condições necessárias para que soluções sejam adotadas.

Para mostrar como isso funciona na prática, partimos de contextos em que os recursos são escassos, a dinâmica política é complexa e há pouco espaço para fracassos. Brasil e Colômbia oferecem exemplos claros de uma filantropia mais integrada, na qual os doadores não concentram todos os recursos em uma única iniciativa, mas financiam diferentes elementos necessários para transformar uma ideia promissora em uma solução que possa ser incorporada pelo sistema.

Em seguida, levamos essa perspectiva aos Estados Unidos, onde uma lógica semelhante de portfólio contribuiu para transformar uma questão durante muito tempo negligenciada em políticas públicas, recursos orçamentários, padrões de atuação e mecanismos permanentes de responsabilização.

Os três casos mostram como uma abordagem diversificada pode permitir que filantropos que não são bilionários contribuam para mudanças estruturais que dificilmente seriam alcançadas por uma estratégia baseada em uma única frente de financiamento.

 

Brasil: reduzindo a reincidência criminal por meio da transformação do sistema

O Instituto Ação Pela Paz, no Brasil, criado e mantido pelo filantropo Jayme Garfinkel, teve um orçamento anual de quase US$ 1 milhão em 2024. O Instituto atua para reduzir a reincidência criminal por meio do apoio e da expansão de programas estruturados de reinserção e reabilitação. Desde sua fundação, o Ação Pela Paz apoiou mais de 775 iniciativas e alcançou quase 36 mil pessoas, entre pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, em diversos estados brasileiros.

De acordo com avaliações divulgadas publicamente, 82% dos participantes apoiados pelo Ação Pela Paz não reincidiram, em comparação com estimativas nacionais de reincidência que variam de 57% a 64%. Não se trata, portanto, de uma melhora marginal, mas de resultados significativamente superiores ao padrão predominante no sistema.

Mais importante: esses resultados foram tratados como ponto de partida, e não como ponto de chegada. O Instituto investiu de maneira deliberada em diferentes frentes, combinando doações e financiamento de projetos-piloto, produção de dados, avaliação, advocacy em políticas públicas e assistência técnica. Para isso, trabalhou diretamente com secretarias estaduais de Justiça, administrações penitenciárias e órgãos do Judiciário.

Como resultado, práticas inicialmente viabilizadas por recursos filantrópicos passaram, gradualmente, a ser incorporadas a programas financiados pelo poder público em diferentes estados. Essa estratégia diversificada gerou impacto em duas dimensões: contribuiu para melhorar os resultados individuais e ajudou a transformar a maneira como instituições públicas formulam e financiam políticas de justiça criminal em um sistema historicamente mais orientado por convicções do que por evidências.

 

Colômbia: quando a visibilidade de uma celebridade se transforma em capital estratégico

Fundada pela artista colombiana Shakira em 1997, a Fundación Pies Descalzos trabalha para ampliar o acesso à educação de qualidade em contextos de alta vulnerabilidade. Sua atuação combina construção de escolas, oferta integrada de serviços e formação de alianças estratégicas, em vez de depender exclusivamente de doações.

A Fundação construiu e apoiou diversas escolas públicas em regiões vulneráveis da Colômbia, combinando educação com alimentação e apoio psicossocial e alcançando milhares de crianças. Para ampliar sua atuação para além da prestação direta de serviços, também estabeleceu parcerias com grandes atores institucionais, principalmente a Education Above All, com o objetivo de expandir o acesso à educação primária de qualidade para 34 mil crianças e reduzir o risco de evasão escolar de outras 20 mil.

À medida que a projeção internacional de Shakira cresceu — inclusive com a visibilidade alcançada durante a Copa do Mundo da FIFA de 2010 —, a Fundação soube transformar esse alcance em novas parcerias institucionais na África do Sul e no Haiti, inclusive com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Mais recentemente, a Fundação aprofundou sua colaboração com o poder público colombiano ao estabelecer uma parceria direta com o Ministério da Educação Nacional para construir e reformar escolas públicas, incluindo um investimento conjunto de quase US$ 800 mil. Também apoiou campanhas nacionais de matrícula, como a Todos al Cole, voltadas à ampliação do acesso e à permanência de estudantes no sistema público de ensino.

Ao combinar capital social com uma estratégia diversificada de atuação, Shakira permitiu que a Fundação alcançasse resultados muito superiores ao que o volume de seus recursos financeiros poderia sugerir, mesmo com um orçamento anual inferior a US$ 400 mil em 2024.

 

Estados Unidos: transformando uma questão negligenciada em política pública

Essa estratégia não se restringe a contextos de escassez na América Latina. Nos Estados Unidos, a Joyful Heart Foundation, fundada e liderada publicamente pela atriz e ativista Mariska Hargitay, mostra como uma organização de médio porte pode contribuir para mudanças sistêmicas ao articular diferentes formas de atuação em torno de um mesmo problema.

A Joyful Heart é uma organização beneficente pública 501(c)(3) que registrou despesas totais próximas a US$ 2 milhões em 2024. Um de seus principais focos tem sido uma questão historicamente negligenciada pelo sistema de justiça criminal: o grande número de kits de coleta de evidências de violência sexual que permanecem sem análise. O tema é enfrentado principalmente por meio da iniciativa End The Backlog, criada para transformar a maneira como os estados administram evidências forenses, combinando advocacy, incidência em políticas públicas e infraestrutura técnica.

Desde seu lançamento, a iniciativa contribuiu para a aprovação de leis em 30 estados e para a destinação de aproximadamente US$ 231 milhões à eliminação do passivo de kits não analisados e ao financiamento de sua análise. Em 2015, a Fundação também desempenhou um papel fundamental na criação da iniciativa federal Sexual Assault Kit Initiative (SAKI), em parceria com o então vice-presidente Joe Biden.

Desde então, a iniciativa possibilitou que comunidades catalogassem mais de 183 mil kits que anteriormente não haviam sido analisados e encaminhassem mais de 90 mil para análise, gerando quase 15.700 correspondências no CODIS. Muitas delas estavam relacionadas a autores reincidentes de crimes violentos e sexuais, contribuindo para fortalecer a capacidade de resposta forense em âmbito nacional.

A estratégia da Joyful Heart, porém, não se limita ao advocacy. A Fundação também apoia a implementação na ponta por meio de programas de doação direta. Seu Heal the Healers Fund oferece microdoações anuais de até US$ 5 mil a profissionais e organizações que atuam diretamente com sobreviventes, financiando capacitações e pequenas melhorias organizacionais. Investimentos complementares em grupos de aprendizagem e centros de recursos ajudam a aproximar os serviços prestados na ponta das políticas e dos padrões que estão em constante evolução.

Essa combinação de estratégias ajudou a transformar uma questão negligenciada em uma responsabilidade permanente do poder público, mobilizando recursos públicos e contribuindo para a criação de sistemas duradouros.

 

Da otimização de intervenções à articulação da mudança

O que é preciso, afinal, para maximizar o impacto gerado por cada dólar investido? Os casos apresentados sugerem que o impacto duradouro depende da capacidade de uma solução ser adotada e incorporada pelos sistemas.

Isso acontece quando os doadores financiam não apenas aquilo que funciona, mas também as condições necessárias para que uma solução se sustente: que seja politicamente viável, institucionalmente incorporável e socialmente legitimada. É nessa articulação de abordagens complementares em torno de um mesmo problema que o potencial de impacto se amplia.

No mundo dos investimentos, diversificar é uma prática elementar. Na filantropia, diversificar estratégias também pode ser uma forma de fazer com que recursos limitados produzam mudanças muito maiores.

Para doadores que destinam menos de US$ 10 milhões por ano, o volume de recursos não precisa ser visto como uma limitação. Pode, ao contrário, orientar uma estratégia mais inteligente de atuação.

Uma regra simples é deixar de perguntar apenas “Qual é a melhor intervenção?” e passar a perguntar: “O que precisa acontecer para que o sistema adote essa solução — e quem financiará cada parte desse processo?”

Diversificar as formas de atuação pode ser justamente o que falta para compreendermos — e ampliarmos — os caminhos pelos quais mudanças sistêmicas acontecem.

Fortalecer capacidades, construir confiança

Artigo publicado originalmente no Estudo Panorama Conjunta 2025-2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS

O desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) não é um elemento periférico de sua atuação. É o que sustenta sua capacidade de agir com consistência, transparência, legitimidade e continuidade institucional. Quando uma organização investe em governança, gestão, comunicação, tecnologia ou no cuidado com suas equipes, ela fortalece as bases que tornam sua missão viável no longo prazo.

Essa agenda está diretamente relacionada à confiança. A confiança nas OSCs não se constrói apenas pela relevância das causas que defendem, mas também pela forma como atuam, prestam contas, se comunicam, tomam decisões e sustentam sua presença pública. A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, reforça esse ponto ao mostrar que a confiança nas instituições é um motivador extremamente relevante para doar, enquanto a desconfiança segue como uma barreira estrutural importante: apenas 30% dos brasileiros afirmam que a maior parte das ONGs é confiável, e, entre quem não doa há mais de cinco anos, a falta de confiança e transparência aparece como a razão mais citada para não doar, mencionada por 38% dos respondentes.

À luz desses achados, os dados do Panorama Conjunta 2025–2026 ganham ainda mais relevância. O estudo mapeou 793 oportunidades de formação e captação de recursos em 2025, ante 346 no ano anterior. Ainda que essa variação deva ser lida com cautela em razão de mudanças metodológicas e ampliação das fontes analisadas, os resultados mostram que o desenvolvimento institucional está mais presente no campo e vem ganhando maior visibilidade. Ao mesmo tempo, o Panorama revela limites importantes no desenho do apoio disponível. Entre as oportunidades de captação, 62,66% previam financiamento de até um ano. O dado sugere que, mesmo observando um número maior de oportunidades, ainda predominam mecanismos pouco compatíveis com processos contínuos de fortalecimento institucional.

Essa leitura se torna ainda mais relevante quando se observam dimensões que seguem menos reconhecidas nos temas abordados por formações. Tecnologia é hoje infraestrutura essencial para gestão, comunicação e mobilização. Saúde mental e autocuidado, por sua vez, são condições para equipes mais sustentáveis e organizações mais resilientes. Monitoramento e avaliação, por exemplo, são fundamentais para que as OSCs aprendam com a prática, demonstrem resultados, qualifiquem sua gestão e prestem contas com mais consistência. Quando essas dimensões não são reconhecidas como parte legítima do desenvolvimento institucional, o apoio oferecido tende a ser insuficiente para sustentar organizações fortes e confiáveis.

Nesse contexto, a Conjunta e seu Panorama prestam uma contribuição valiosa ao campo ao dar visibilidade a oportunidades, lacunas e tendências que ajudam a qualificar o debate. Para além de ampliar o volume de apoios, o desafio agora é avançar na qualidade desse apoio: com mais flexibilidade, maior duração e melhor reconhecimento das capacidades que sustentam a atuação das OSCs. Afinal, se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista. Organizações mais fortes e mais confiáveis contribuem para o ambiente democrático mais robusto que é, em última instância, o horizonte comum para o qual lutamos.

 

Baixe o estudo completo:

O próximo El Niño exige menos reação e mais planejamento

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Yasmim Araújo Lopes, analista de projetos do IDIS, e Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

O Brasil ainda costuma tratar eventos climáticos extremos como exceções, respondendo a eles apenas quando seus impactos já se instalaram. Este ano, porém, a previsão de um novo episódio de El Niño tem oferecido a oportunidade de substituir a lógica padrão da reação pela da prevenção.

Instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo já apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo de 2026 e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. Com essa previsão, é imprescindível que governos, investidores sociais e organizações da sociedade civil incorporem o risco climático ao planejamento de suas ações.

seca

Os riscos elevados apresentados pelo El Niño, que se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas, não se restringem ao meio ambiente, mas atravessam praticamente todas as agendas sociais. Saúde, educação, segurança alimentar, geração de renda, assistência social, moradia e mobilidade podem ser diretamente afetadas por ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. Mesmo as organizações que não atuam diretamente com a pauta climática podem enfrentar aumento da demanda por atendimento, custos adicionais e dificuldades para manter suas atividades.

Nesse cenário, a adaptação climática deixa de ser uma agenda exclusivamente ambiental e passa a ser uma condição para garantir a continuidade de políticas, programas e investimentos sociais. Afinal, proteger comunidades também significa proteger a capacidade das organizações de seguir entregando resultados justamente nos momentos de maior necessidade.

O desafio é ainda maior quando se observa a capacidade de resposta dos territórios brasileiros. Dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que 3.679 municípios apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado indica que prever esses eventos extremos não é suficiente, mas que são necessárias ações práticas de prevenção, como o fortalecimento da gestão local, ampliação da articulação junto ao poder público e mais investimentos nas capacidades de resposta das comunidades.

Assim, a justiça climática ganha dimensão prática, não se resumindo a responder aos desastres uma vez que eles já aconteceram, mas criando condições para que populações mais vulneráveis estejam mais protegidas antes que os impactos ocorram.

A preparação começa muito antes da chegada de uma frente fria, de uma enchente ou de uma onda de calor. Ela começa quando organizações transformam previsões climáticas em perguntas norteadoras para a gestão e planejamento. O que pode mudar no território? Quais públicos serão mais afetados? Quais atividades precisarão ser adaptadas? Que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos críticos? Essas questões ajudam a incorporar o risco climático ao planejamento cotidiano, tornando programas e investimentos mais robustos diante das incertezas.

Também é importante reconhecer que o El Niño não produzirá os mesmos efeitos em todo o país. A tendência é de redução das chuvas na Amazônia e Nordeste, aumento das temperaturas em grande parte do Brasil, possibilidade de condições mais secas no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera e aumento das chuvas no Sul, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essa diversidade exige respostas igualmente diversas, adaptadas às características de cada território. Isso implica na necessidade de se promover a centralidade dos territórios e suas organizações na discussão da adaptação climática.

Para o campo social, isso significa revisar programas e portfólios sob uma lente climática, elaborar planos de continuidade para serviços essenciais, investir preventivamente na adaptação de equipamentos e espaços comunitários, fortalecer redes locais de cooperação e prever mecanismos de financiamento mais flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças impostas pelos eventos extremos.

Nenhuma dessas medidas elimina a possibilidade de desastres. Mas todas contribuem para reduzir danos, preservar serviços essenciais e aumentar a capacidade de resposta das comunidades. Quanto mais cedo investidores sociais e organizações incorporarem os riscos climáticos às suas decisões, maior será a possibilidade de evitar perdas humanas, sociais e institucionais.

O El Niño previsto para 2026 representa não apenas um desafio climático. Ele representa um teste sobre nossa capacidade de aprender com as crises recentes e agir antes que elas se repitam. A previsão já existe. O conhecimento também. O que ainda precisa mudar é a forma como transformamos essas informações em planejamento e ação, com embasamento científico, centralidade dos territórios, foco nas pessoas, principalmente as mais vulnerabilizadas.

GIFE e INCT Participa lançam Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, com apoio do IDIS

Plataforma colaborativa reúne dados, pesquisas e evidências para fortalecer o conhecimento sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil

Foi lançado o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado, plataforma colaborativa liderada pelo GIFE e pelo INCT Participa, com o apoio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial do IDIS.

A iniciativa foi criada para reunir, sistematizar e disseminar informações, dados, pesquisas e evidências sobre a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Ao ampliar o acesso a conhecimento qualificado sobre o setor, o Observatório pretende contribuir para o aprimoramento das práticas das organizações, apoiar processos de tomada de decisão e estimular a produção de novas pesquisas.

Membros do setor reunidos durante lançamento do Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado

Para o IDIS, a criação da plataforma representa um marco importante para o fortalecimento do campo filantrópico brasileiro. A geração e a disseminação de conhecimento constituem um dos pilares de atuação da organização, ao lado da consultoria e da execução de projetos de impacto.

“Dados e evidências são ferramentas fundamentais para gerar impacto social positivo. Quando compartilhados e explorados de maneira estratégica, podem orientar decisões, aprimorar práticas, fortalecer políticas públicas e contribuir para uma filantropia cada vez mais transformadora”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O apoio à iniciativa é realizado por meio do Fundo de Fomento à Filantropia, fundo patrimonial criado pelo IDIS com o objetivo de fortalecer a filantropia estratégica no país e apoiar iniciativas capazes de ampliar a infraestrutura, o conhecimento e a capacidade de atuação do setor.

O Observatório também se propõe a ser um espaço vivo e colaborativo, incentivando pesquisadores, organizações e demais atores do ecossistema filantrópico a utilizarem os materiais disponíveis e contribuírem para a expansão da base de conhecimento sobre o tema.

Conheça o Observatório da Filantropia e do Investimento Social Privado.

Programa Transformando Territórios lança fundos emergenciais preventivos para enfrentar emergências territoriais

Iniciativa ainda pouco explorada no Brasil fortalece a capacidade de territórios brasileiros de prevenir, se preparar e responder a emergências climáticas por meio da filantropia comunitária. Quatro fundos já foram estruturados e dois estão em fase de implementação

Seis fundações e institutos comunitários de diferentes regiões do Brasil estão recebendo apoio técnico e financeiro para criar mecanismos territoriais permanentes de prevenção a emergências climáticas. A iniciativa, inédita no contexto brasileiro, integra o Programa Transformando Territórios, do IDIS, e conta com a metodologia e assessoria técnica do ICOM — Instituto Comunitário Grande Florianópolis, além de parceria com a Mott Foundation, o Movimento Bem Maior e a Fundação FEAC.

Na primeira etapa, quatro Fundações e Institutos Comunitários (FICs) concluíram a estruturação de seus fundos e receberam aportes de R$ 50 mil cada para desenvolver estratégias voltadas à gestão de riscos, à prevenção e ao fortalecimento da resiliência em seus territórios: Instituto Cacimba, no distrito de São Miguel Paulista na capital paulista (SP), Associação Nossa Cidade, na Grande Belo Horizonte (MG), Instituto Comunitário Paraty, em Paraty (RJ) e Mundaú Mundo, em Maceió (AL). A Fundação Gerações, na Grande Porto Alegre (RS) e o Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, no distrito de M’Boi Mirim na cidade de São Paulo (SP) estão em fase de assessoria e devem concluir a estruturação em breve. A captação dos fundos segue aberta a indivíduos e organizações.

 “Quem vive e atua nos territórios conhece de perto seus riscos, vulnerabilidades e potencialidades. Por isso, fortalecer organizações locais é fundamental para construir estratégias de prevenção e preparação junto às próprias comunidades, antes que as emergências aconteçam. As Fundações e Institutos Comunitários desempenham um papel estratégico nesse processo ao identificar riscos, mobilizar recursos, articular diferentes atores e fortalecer a capacidade dos territórios de prevenir, se preparar e responder a crises de forma coordenada e sustentável”, afirma Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios no IDIS

Os recursos apoiam iniciativas de caráter preventivo — fortalecendo a capacidade local de enfrentar eventos extremos antes que se transformem em crises de difícil gestão. A seleção dos territórios partiu de uma característica comum: todos já desenvolviam ações ou reflexões sobre situações de emergência e vulnerabilidade socioambiental, e demandavam instrumentos mais estruturados para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre os eventos que os fundos visam preparar os territórios para enfrentar e evitar enchentes, rompimento de barragens, descarte irregular de resíduos, chuvas extremas, ondas de calor e outros eventos climáticos monitorados por redes territoriais de correspondentes climáticos.

Para doar, basta entrar em contato com as FICS pelo site, as doações podem ser feitas por pessoas físicas e jurídicas.

 

Um modelo inovador inspirado em experiências internacionais

O modelo de Fundo Emergencial Preventivo (FEP) é considerado inovador no Brasil por utilizar a filantropia comunitária de base territorial como ponto de partida para a construção de fundos voltados à comunidades resilientes. A proposta foi inspirada em experiências desenvolvidas em países como Romênia e Chile, e em referências de organizações como Center for Disaster Philanthropy. No Brasil, a adaptação desse modelo parte também da experiência acumulada pelo ICOM na criação, gestão e governança de fundos comunitários e emergenciais, conectando mobilização de recursos, conhecimento territorial e fortalecimento de organizações locais.

Mais do que viabilizar respostas a emergências, a iniciativa busca fortalecer capacidades permanentes nos territórios para prevenir riscos, mobilizar recursos e agir de forma coordenada diante de crises cada vez mais frequentes e complexas.

“À primeira vista, um Fundo Emergencial Preventivo pode parecer apenas mais um mecanismo de repasse financeiro. Mas sua inovação está na forma como organiza capacidades antes da crise acontecer. O FEP fortalece os territórios em períodos de normalidade, investindo em governança, articulação, inteligência territorial e mobilização local. Para nós, é motivo de orgulho compartilhar a experiência acumulada pelo ICOM em fundos comunitários, fundos emergenciais e desenvolvimento territorial, contribuindo para que outras Fundações e Institutos Comunitários adaptem esse modelo às realidades de seus territórios”, afirma Mariana de Assis, Coordenadora de Projetos do ICOM

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

Fundo de Fomento à Filantropia amplia patrimônio e fortalece iniciativas estratégicas em 2025

O Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), iniciativa do IDIS voltada ao fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil, encerrou 2025 com resultados expressivos. Em seu segundo ano de operação, o patrimônio do Fundo atingiu R$ 9,9 milhões, um crescimento de 39,7% em relação ao ano anterior, impulsionado pelas contribuições de 146 doadores e pelo mecanismo de matching da doação realizada pela filantropa Mackenzie Scott ao IDIS.

Em 2025, o FFF destinou R$ 265 mil para iniciativas estruturantes organizadas em três frentes de atuação: advocacy, produção de conhecimento e articulação. Os recursos apoiaram ações voltadas ao fortalecimento do ambiente institucional da filantropia brasileira, à produção de evidências e à mobilização de atores do setor.

Entre as iniciativas apoiadas estiveram:

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

 

Um fundo perene para fortalecer a filantropia

O FFF foi concebido como um fundo patrimonial (endowment), garantindo sustentabilidade de longo prazo para investimentos em iniciativas que fortalecem o ecossistema da filantropia no Brasil. Por esse modelo, apenas os rendimentos reais – aqueles obtidos acima da inflação – podem ser utilizados, preservando permanentemente o patrimônio principal.

Em 2025, o Fundo registrou R$ 1,15 milhão em rendimento real, recursos que estarão disponíveis para investimentos ao longo de 2026, assegurando a continuidade das ações apoiadas e a expansão de seu impacto.

Outra novidade do ano foi a ampliação das formas de contribuição ao Fundo. O IDIS passou a oferecer a possibilidade de realizar doações vinculadas às inscrições em eventos institucionais, iniciativa que resultou em 121 novas doações ao longo de 2025.

 

Próximos passos

A campanha de captação do Fundo permanece ativa. A meta é alcançar R$ 15 milhões em patrimônio até o final de 2026 e chegar a R$ 25 milhões até 2029, ampliando a capacidade do FFF de apoiar iniciativas estruturantes para o desenvolvimento da filantropia e da cultura de doação no país.

Cada contribuição ajuda a consolidar um patrimônio duradouro, capaz de gerar recursos para iniciativas que impulsionam transformações sociais e contribuem para a redução das desigualdades no Brasil.

Saiba mais e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia!

 

Mais sobre fundos patrimoniais

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Prestação de contas: confiança que sustenta a missão das OSCs

Por Marcelo Destito, gerente administrativo-financeiro do IDIS; Agatha Pires e Vitória Vivian, analistas do administrativo-financeiro do IDIS; 

A prestação de contas não é apenas uma exigência administrativa. Para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ela integra a estratégia de sustentabilidade institucional, pois fortalece a confiança, qualifica a gestão financeira e amplia as condições de captação de recursos. Quando bem estruturada, permite demonstrar, com clareza, como os recursos foram aplicados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados.

No terceiro setor, eventualmente a prestação de contas costuma ser tratada como uma etapa final do projeto, associada ao envio de relatórios e comprovantes a financiadores. Essa visão, embora comum, é limitada. Na prática, prestar contas bem é uma demonstração concreta de capacidade de gestão, compromisso com a transparência e alinhamento com a missão institucional.

Para OSCs de pequeno e médio porte, esse processo é ainda mais decisivo. Com estruturas enxutas, menor margem para erros e maior sensibilidade reputacional, a qualidade da prestação de contas pode influenciar diretamente a continuidade de parcerias, o acesso a novos apoios e a credibilidade institucional. O desafio, portanto, não é apenas cumprir uma obrigação, mas transformar esse processo em um ativo de gestão e sustentabilidade.

Essa integração entre gestão financeira e execução técnica é essencial para uma prestação de contas consistente. Quando orçamento, despesas e entregas caminham juntos, a organização consegue demonstrar com clareza como os recursos foram aplicados, quais resultados foram alcançados e quais critérios orientaram decisões sobre rubricas, elegibilidade de despesas e rateios entre projetos ou financiadores.

Tal coerência fortalece a confiança, além de contribuir para a captação de recursos. Sendo assim, relatórios consistentes, documentação organizada e evidências de boa governança comunicam capacidade de gestão, aumentam as chances de renovação de apoios e abrem espaço para novas parcerias.

Gestão Financeira no Terceiro Setor: um guia para garantir sustentabilidade e transparência nas organizações sociais

 

Planejamento financeiro orienta uma prestação de contas segura

A prestação de contas começa na elaboração do orçamento, seja ele institucional ou vinculado a projetos. É nesse momento que a organização define categorias de despesas, critérios de uso das rubricas, formas de comprovação, indicadores financeiros e físicos, além da separação de receitas e despesas por projeto ou fonte de recurso. Quando essa estrutura está clara desde o início, a execução se torna mais organizada e a consolidação das informações ocorre com menos retrabalho.

Também é fundamental observar as regras de cada financiador para realocações, remanejamentos ou ajustes orçamentários. Alguns permitem mudanças dentro de determinados limites; outros exigem autorização prévia, justificativas formais ou oferecem pouca margem de flexibilidade. Por isso, manter as despesas aderentes ao orçamento aprovado e registrar eventuais alterações com transparência fortalece tanto a prestação de contas contratual quanto a confiança de conselhos, parceiros e apoiadores.

É importante destacar que a qualidade da prestação de contas depende da capacidade da organização de demonstrar o caminho percorrido por cada recurso: de onde veio, como foi autorizado, em que foi aplicado e qual entrega gerou. Para isso, manter registros contínuos, processos de compra bem documentados e despesas classificadas de forma coerente com o orçamento aprovado são processos importantes para garantir a entrega.

Vale destacar que algumas práticas são especialmente relevantes:

  • Registro contínuo das movimentações
    Lançar despesas apenas no encerramento do projeto aumenta o risco de erro, perda de documentos e inconsistências. O controle deve acompanhar a execução.
  • Fluxo de caixa por projeto ou fonte de recurso
    Separar entradas e saídas por iniciativa, financiador ou centro de custo melhora a rastreabilidade e facilita análises internas e externas.
  • Conciliação bancária periódica
    Fechamentos regulares ajudam a identificar inconsistências antes que se tornem problemas maiores na prestação de contas.
  • Documentação comprobatória organizada
    Notas fiscais, recibos, contratos, comprovantes de pagamento, relatórios de execução e evidências de entrega devem estar acessíveis e classificados de forma padronizada.
  • Processo de compra documentado
    Cotações, justificativas de escolha de fornecedores e critérios de contratação fortalecem a transparência. Em compras recorrentes, contratos guarda-chuva e revisões periódicas de fornecedores podem ampliar a segurança do processo.
  • Rateio de custos compartilhados
    Despesas institucionais, como contabilidade, jurídico, comunicação, equipe e custos fixos, devem seguir critérios claros de rateio, preferencialmente pactuados previamente com o financiador.
  • Preparação para diligências e glosas
    Antes do envio ao financiador, é importante revisar se as despesas estão aderentes às regras pactuadas, se a documentação está completa e se há justificativa suficiente para eventuais questionamentos.

 

Transparência, auditoria e reputação institucional

Em um ambiente cada vez mais orientado por confiança, rastreabilidade e integridade, a transparência deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a representar um ativo estratégico para as OSCs. A forma como a organização registra, valida e divulga suas informações financeiras impacta diretamente sua credibilidade perante financiadores, parceiros, conselhos e sociedade.

Nesse contexto, mecanismos de controle e verificação independente ganham relevância. Auditorias externas, revisões contábeis independentes e processos estruturados de governança contribuem para aumentar a segurança das informações, fortalecer a conformidade e reduzir riscos operacionais e reputacionais. Mais do que identificar inconsistências, esses instrumentos ajudam a consolidar uma cultura de responsabilidade, transparência e melhoria contínua.

Para organizações que dependem da confiança pública e da mobilização de recursos, a reputação institucional é um patrimônio estratégico. Fragilidades em processos financeiros, inconsistências documentais ou falhas na prestação de contas podem comprometer a capacidade de captação, a manutenção de parcerias e a legitimidade institucional. No terceiro setor, esses impactos raramente permanecem restritos a uma única organização: em um contexto em que a cultura de doação e o Investimento Social Privado (ISP) ainda enfrenta desafios de consolidação no Brasil, episódios de baixa transparência ou fragilidade de governança podem afetar a confiança no setor como um todo, ampliando a cautela de financiadores, investidores sociais e doadores, inclusive em relação a organizações sérias e estruturadas.

A gestão de projetos e a prestação de contas devem ser encaradas como processos integrados e estratégicos. Mais do que cumprir exigências, trata-se de demonstrar, com clareza e consistência, como os recursos confiados à organização foram utilizados, quais decisões foram tomadas e que resultados foram alcançados. Quando bem estruturada, essa prática reduz riscos, fortalece a credibilidade institucional e amplia as possibilidades de renovação de apoios e captação de novos recursos.

Evoluir nesse processo não exige, necessariamente, grandes investimentos. O mais importante é construir rotinas simples, replicáveis e sustentáveis: estruturar o orçamento com foco em acompanhamento, organizar documentos desde o início dos projetos, criar fechamentos mensais, alinhar áreas técnica e financeira, padronizar relatórios e capacitar a equipe. Em um ambiente mais exigente, prestar contas bem deixa de ser apenas uma obrigação administrativa e se torna um investimento na sustentabilidade, na legitimidade e na capacidade da OSC de cumprir sua missão.

Organizações que investem em boas práticas de governança e transparência fortalecem não apenas sua própria sustentabilidade, mas também contribuem para a credibilidade e o amadurecimento do ecossistema filantrópico e social como um todo.