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Iniciativa do ICE para investimento em startups de impacto social é destaque na Folha de São Paulo

Investir em startups sociais em seus estágios iniciais pode ser um bom caminho para contribuir com a geração de impacto socioambiental. A iniciativa foi realizado pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, entre 2017 e 2018, alocou 2,8 milhões em 16 startups, responsáveis por atender a diferentes causas no setor. 

Segundo Beto Secretas, consultor sênior do ICE, em entrevista concedida à Folha de São Paulo, ao final do processo, pelo menos 12 das startups que receberam o dinheiro se manterão ativas e gerando impacto na ponta.

Uma avaliação de impacto realizada pelo IDIS sobre essa iniciativa (veja o case) constatou que “mesmo nos empreendimentos em que o valor aportado era suficiente para cobrir apenas poucos meses de despesas operacionais, o financiamento foi essencial para superar o conhecido ‘vale da morte’ das startups”.

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Não há metodologia de avaliação de impacto de négocios sociais que sirva para todos os casos, dizem especialistas

A avaliação de impacto tornou-se um dos assuntos mais importantes para quem está desenvolvendo negócios sociais. Como saber se uma iniciativa está apresentando os resultados esperados? Ou se as mudanças são de fato decorrentes de um projeto? Não importa qual a questão, a resposta parece ser a mesma: “Não há uma forma padronizada de pensar avaliação de impacto”, afirmou a professora Angélica Rotondaro, representante, no Brasil, da universidade suíça de St. Gallen, cujo escritório brasileiro lida com o tema.

“Há uma geração que se importa mais com os resultados socioambientais das empresas do que com os retornos financeiros, mas existem vários tipos de indicadores e métodos de análise e não há uma crença fixa sobre eles”, disse Angélica, que participou, com outros especialistas, do painel “Avaliando impacto: teoria de mudança e abordagens de avaliação e métricas”, durante o Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que aconteceu em São Paulo, entre 6 e 7 de maio. O evento foi promovido pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), pela Vox Capital e pela Artemisia.

“Não há bala de prata, uma solução definitiva”, concordou Karim Harji, fundador da canadense Purpose Capital, que assessora o investimento social privado de indivíduos, famílias e fundações. “Há muitas coisas sendo feitas, mas elas estão fragmentadas em diversas regiões e setores”, continuou.

O lado bom dessa dispersão, segundo ele, é a possibilidade de uma “abordagem descentralizada e customizada da análise de impacto, ainda mais porque são necessárias diferentes ferramentas para os diferentes momentos de um negócio social”.

A dificuldade de medir impacto ficou clara na intervenção de Gilberto Ribeiro, sócio da Vox Capital, que investe em negócios sociais. “Nós temos a dor de fazer investimentos sem saber como medir os resultados”, comentou. “Como se compara o benefício de uma criança com um ano a mais de escolaridade e uma família que agora tem uma casa?”, exemplificou. Angélica também ressaltou que “a comparabilidade entre projetos é difícil, ainda que se possam comparar iniciativas dentro de um mesmo segmento”.

Na prática, disse Ribeiro, “para cada projeto há coisas que são mais importantes que outras”. A Vox Capital, de qualquer modo, tem usado uma metodologia chamada Teoria da Mudança. “Pensamos em objetivos de longo prazo e de trás para frente. Pegamos o problema e criamos, ao contrário, um mapa de como atingir a meta de repará-lo.” Harji concordou com o sócio da Vox Capital ao dizer que “avaliar impacto é específico para resultados de longo prazo”.

Quando lançou seu plano de medir impacto, a Amata, que produz madeira certificada, chegou a levantar 75 indicadores. “Já partimos de base existente, pois havia muita gente com coisas feitas sobre o setor”, afirmou o fundador da empresa, Dario Guarita Neto. No entanto, pouco depois decidiu se restringir a 12. “É impossível avaliar e gerir mais indicadores do que isso”, disse Guarita, lembrando que avaliação de impacto demanda mais tempo do que investimento financeiro. Além disso, ele destacou a importância de, para cada indicador, estabelecer metas e pessoas responsáveis por elas, para uma melhor governança do projeto.

 

 

Evento Discute Negócios Sociais e Lança Força-tarefa para Potencializar Investimentos de Impacto Social

Ainda incipientes no Brasil, os negócios sociais – empreendimentos que tentam aliar lucratividade e benefícios sociais – começam a chamar a atenção de jovens empreendedores e de grandes veículos de comunicação. Neste contexto, faz todo sentido criar um grupo de trabalho que identifique os entraves para o crescimento desse mercado e sugira iniciativas que possam impulsioná-lo.

A Força-Tarefa Brasileira de Finanças Sociais foi lançada no encerramento do Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que ocorreu em São Paulo, em 6 e 7 de maio. O evento foi organizado pela Vox Capital, pela Artemisia e pelo instituto de Cidadania Empresarial (ICE).

“Se nós deixarmos o campo andando naturalmente, vai demorar muito”, afirmou Fabio Barbosa, presidente do Grupo Abril e um dos integrantes da força-tarefa. “É preciso comandar o processo para acelerá-lo. Seremos catalisadores do processo. O propósito do grupo é mobilizar mais recursos para as iniciativas de impacto social e acelerar a estruturação de um ecossistema propício”, disse ele, que falou em nome do grupo durante o lançamento.

“Há muitos problemas a serem resolvidos no Brasil e várias soluções; o empreendedorismo é uma delas”, continuou Barbosa. “Não é uma questão de impacto social ou retorno, e sim de impacto social e retorno”.

Ao lançar sua força-tarefa, o Brasil coloca-se na vanguarda das discussões sobre os investimentos de impacto social. O G-8 – que reúne as sete maiores economias do mundo e a Rússia – deflagrou iniciativa semelhante no ano passado. O Reino Unido, país em que o campo está mais desenvolvido, criou seu grupo em 2002.

O mentor do projeto, Ronald Cohen, também falou, por videoconferência, durante o evento. “Nós vimos que as áreas mais pobres eram também as que menos tinham ofertas de serviços básicos. Precisávamos criar investimentos para fundar empresários que trabalhassem nesses locais, que servissem de modelo e ajudassem pessoas”, contou.

Para o inglês, uma das principais mudanças no campo do investimento social privado foi o desenvolvimento de metodologias de medição de impacto. “A filantropia tradicional enfoca mais doação do que resultados. Ficava-se satisfeito em apresentar números, e não mudanças”, disse. No entanto, o foco, tanto em organizações com ou sem fins lucrativos, passou a ser avaliar as reais mudanças de fato decorrentes de seus projetos.

Cohen, que participou da criação dos hoje bilionários mercados de venture capital e private equity, não hesitou, sobre os investimentos de impacto, em cravar: “Estamos no limiar de uma revolução”.

Discussões

Até como uma espécie de preparação para o lançamento da força-tarefa, o fórum trouxe uma série de plenárias que discutiram os principais assuntos relacionados aos investimentos de impacto e aos negócios sociais.

Entre outros temas, palestrantes brasileiros e estrangeiros debateram assuntos como o desenvolvimento de um ecossistema para o setor, modelos de avaliação de impacto, inovações nos mecanismos financeiros para projetos, o equilíbrio entre lucro e impacto, o papel da academia nas discussões e a busca por escala nas iniciativas.

Foram apresentadas ainda “pílulas de inovação”, na qual empreendedores sociais puderam apresentar projetos que oferecem algum tipo de serviço básico para populações de classes mais baixas e, ao mesmo tempo, também conseguem obter retornos financeiros.