Entre o recurso e o território, o que fica?

Por Rosana Ferraiuolo, gerente do Programa Transformando Territórios

A passagem por Manaus, durante agendas da Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje sobre Filantropía y Fundaciones Comunitarias (CIAF), visitas de campo e o Impact Minds, reforçou que, mais do que mobilizar recursos, é preciso fortalecer as relações, capacidades e mecanismos que permitem que eles cheguem aos territórios de forma conectada às suas realidades.

A pergunta que acompanhou a semana foi simples, mas exige respostas construídas coletivamente: se há recursos, conhecimento e organizações comprometidas com transformação social, como ampliar as condições para que tudo isso se conecte aos territórios de maneira consistente e permaneça para além dos projetos?

A semana começou antes do Impact Minds. Pelo programa Transformando Territórios, do IDIS, fomos anfitriões do encontro da CIAF, que reúne organizações de apoio e fundações comunitárias e territoriais de diferentes países. Durante dois dias, discutimos sustentabilidade, confiança, desenvolvimento de capacidades, mobilização de recursos e caminhos coletivos para fortalecer a filantropia comunitária e territorial na região.

Conferência da Latimpacto – Impact Minds

Depois vieram as visitas de campo, outras agendas e o próprio Impact Minds. Ao longo da semana, muitas das questões discutidas entre as organizações da CIAF reapareceram em outros espaços, por diferentes vozes e perspectivas: nas conversas sobre o futuro da filantropia, do Investimento Social Privado (ISP), do investimento de impacto e dos diferentes capitais que buscam gerar transformação.

Não há uma resposta única. Mas muito do que o setor tem buscado construir está na essência da filantropia comunitária e territorial, nas relações de confiança cultivadas ao longo do tempo, no conhecimento profundo das dinâmicas locais, no desenvolvimento de capacidades e na articulação entre atores que dificilmente se conectariam de outra forma.

São organizações que ajudam o recurso a chegar e, principalmente, a se conectar ao que o território já sabe, realiza e prioriza. Nesse processo, comunidades participam das decisões e se fortalecem condições para que as transformações permaneçam para além de um projeto ou financiamento.

 

O território já produz respostas

Em uma das visitas às mulheres apoiadas pela Manauara Associação Comunitária, fundação comunitária local, conhecemos uma liderança da comunidade Redenção, em Manaus, que atua no Projeto Reusa. Ao contar sua trajetória, ela definiu liderança comunitária de uma maneira simples e profunda: liderar é saber escutar.

Sua atuação reúne mulheres, cria oportunidades de geração de renda e mobiliza respostas para questões da comunidade. Ao mesmo tempo, ela não deseja transformar esse trabalho em uma organização social formal. Essa escolha revela algo importante sobre a forma como reconhecemos as potências dos territórios.

Muitas vezes, estamos acostumados a enxergar aquilo que cabe nas estruturas que já conhecemos, como o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), projetos com prazo definido, indicadores e processos formais de prestação de contas. A vida comunitária, no entanto, também se sustenta em relações de confiança, soluções cotidianas e formas próprias de organização.

Também conhecemos uma liderança venezuelana que encontrou acolhimento no Brasil e passou a apoiar outras mulheres migrantes, muitas delas com filhos e sem oportunidades de geração de renda. Quando começou a imaginar uma iniciativa mais estruturada, ouviu de muitas pessoas que sua ideia não daria certo. Escolheu seguir com as poucas que acreditaram. Hoje, apoia outras pessoas e reconhece que encontrou escuta, esperança e uma fundação comunitária capaz de olhar para ela para além do projeto que lidera.

Essas histórias lembram algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre orienta a forma como os recursos são planejados: o território não começa quando chega um projeto ou um financiador. Já existem ali lideranças, relações, conhecimentos, soluções e formas próprias de organização.

Reconhecer esse ponto não diminui a importância dos recursos externos. Ao contrário, amplia sua potência. Quando o financiamento se conecta ao que já existe, pode fortalecer capacidades locais, apoiar lideranças, ampliar redes e contribuir para que soluções construídas no território ganhem escala, sustentabilidade e novas possibilidades de articulação.

Visita a territórios de Manaus

 

Aprender as linguagens do território

Em outra visita, a iniciativas lideradas por povos indígenas, uma reflexão sintetizou parte desse desafio. Há linguagens, tempos e formas de organização que nem sempre são plenamente compreendidos pelos mecanismos tradicionais da filantropia.

Falamos muito sobre preparar organizações para acessar recursos. Criamos capacitações, formulários, critérios e processos para que compreendam como a filantropia funciona. Esse esforço é importante. Mas há também uma oportunidade complementar de preparar financiadores, organizações de apoio e investidores sociais para compreender melhor como os territórios funcionam.

Os tempos indígenas, das comunidades tradicionais e das iniciativas sociais locais nem sempre são os tempos dos projetos. As formas de organização nem sempre correspondem às estruturas formais esperadas por financiadores. Por isso, a aproximação entre capital e território depende de tradução, escuta e construção de confiança entre pessoas e organizações que operam com linguagens, referências e responsabilidades diferentes.

Essa não é uma agenda de substituição de práticas, mas de aprimoramento. Critérios, governança, prestação de contas e monitoramento seguem sendo importantes, mas o ponto é combiná-los com mecanismos que reconheçam as dinâmicas locais, valorizem conhecimentos diversos e permitam que as comunidades participem das decisões que afetam suas vidas.

 

Inovar também é melhorar os caminhos do recurso

Nos últimos anos, o campo avançou na discussão sobre novos instrumentos financeiros, capital catalítico, investimento de impacto, filantropia baseada em confiança e formas mais estratégicas de mobilizar recursos. Tudo isso importa.

A experiência em Manaus, porém, reforçou que a inovação nos instrumentos de financiamento ganha mais força quando vem acompanhada de novas formas de escuta, articulação e tomada de decisão com os territórios.

Não se trata apenas de criar novos mecanismos, mas de aprimorar os caminhos pelos quais os recursos chegam. Como esse capital se conecta às lideranças locais? Quem participa das decisões? Quais relações são fortalecidas ao longo do processo? Que capacidades permanecem quando o financiamento termina?

Quando os mecanismos de financiamento consideram as relações já existentes, aumentam as chances de gerar efeitos mais consistentes e duradouros. Por outro lado, quando essas relações não são compreendidas, podem surgir efeitos não intencionais. Por isso, conhecer o território antes de investir é parte essencial da efetividade.

Essa discussão apareceu também no Impact Minds, quando chamou atenção o fato de que muitas comunidades ainda não estão nos mapas. E, quando não estão no mapa, muitas oportunidades simplesmente não chegam.

A produção de dados abertos pelas próprias comunidades também entrou na conversa. Elas não são apenas fontes de informação, mas podem produzir conhecimento, construir valor a partir desses dados e participar das decisões que serão tomadas com eles. Parece uma discussão sobre dados, mas é também sobre participação. Quem produz o conhecimento que orienta decisões? Quem aparece nos sistemas de financiamento? Como garantir que mais comunidades sejam reconhecidas como parceiras na construção das soluções?

Enxergar a comunidade como parceira, e não apenas como beneficiária, muda a lógica da conversa. Em vez de começar com “o que podemos levar para este território?”, a pergunta passa a ser “o que já existe aqui, o que este território sabe e o que podemos construir juntos?”

Paula Fabiani, CEO do IDIS, em palestra do Impact Minds

 

Confiança, capacidades e infraestrutura territorial

O desenvolvimento de capacidades atravessou várias conversas da semana. Uma ideia se destacou: não existe uma única capacidade capaz de transformar sistemas. É uma combinação.

Precisamos compreender melhor os problemas que queremos enfrentar. Produzimos muito conhecimento, mas ainda temos dificuldade de fazê-lo circular, interpretá-lo e utilizá-lo para tomar decisões. Precisamos cooperar, compartilhar decisões, produzir dados, criar ferramentas acessíveis, aprender uns com os outros e construir confiança. E tudo isso leva tempo.

Construir confiança, fortalecer uma organização, articular atores e mudar relações não cabe, necessariamente, no ciclo de um projeto. Por isso, a confiança apareceu tantas vezes nas conversas da semana como algo concreto. Sem ela, é difícil construir cooperação e sustentar relações de longo prazo.

Essas discussões dialogam diretamente com o que o IDIS tem aprendido e fortalecido por meio do Transformando Territórios, programa voltado ao desenvolvimento da filantropia comunitária e territorial no Brasil.

As organizações acompanhadas pelo programa atuam profundamente conectadas aos lugares onde estão inseridas. Conhecem lideranças, iniciativas sociais, empresas, poder público, desafios e oportunidades. Por essa proximidade, conseguem aproximar atores e recursos de realidades que dificilmente seriam compreendidas da mesma forma a partir de fora.

A partir dessa experiência, o IDIS tem fortalecido a compreensão de que essas organizações cumprem um papel essencial como parte de uma infraestrutura territorial para a filantropia comunitária no Brasil.

Infraestrutura, aqui, não significa centralizar decisões ou falar em nome do território. Significa criar condições para que recursos circulem, atores se encontrem, informações sejam produzidas e interpretadas, organizações locais sejam alcançadas, relações de confiança sejam construídas e soluções do próprio território encontrem novas conexões.

Falamos muito sobre quais projetos financiar. A experiência em Manaus reforçou que também precisamos discutir o que precisa existir no território para que esses investimentos façam sentido e funcionem melhor.

Visita a territórios de Manaus

 

Governança e confiança caminham juntas

Essa discussão também convida a rever a forma como equilibramos controle, confiança e colaboração. A busca por segurança, governança e prestação de contas é necessária. Ao mesmo tempo, ela ganha potência quando combinada com participação, escuta e decisões compartilhadas.

Essa colaboração também tem avançado entre organizações financiadoras, que vêm buscando formas de coordenar esforços, compartilhar aprendizados e construir agendas comuns. Esse movimento é importante para ampliar o alcance dos recursos e reduzir a fragmentação das iniciativas.

Colaborar exige reconhecer conhecimentos diferentes, construir acordos e aceitar que quem está mais próximo do problema precisa participar da construção da resposta.

Um coletivo não nasce apenas porque colocamos várias organizações na mesma mesa. Um território também não se fortalece simplesmente porque recebeu mais recursos. É preciso construir condições para que esses recursos encontrem e fortaleçam o que já existe.

Essa é uma agenda relevante para a filantropia, o ISP e o investimento de impacto. Precisamos continuar olhando para quanto capital conseguimos mobilizar, mas também para a qualidade das relações, capacidades e mecanismos que construímos para que esse capital gere transformações mais duradouras.

O que permanece quando o recurso sai?

Manaus tornou essa pergunta muito concreta.

Em uma grande cidade no coração da Amazônia, convivem riqueza, conhecimento, atividade econômica, desafios sociais e ambientais e comunidades que ainda encontram barreiras para acessar recursos. O território não foi cenário para as conversas. Foi parte delas.

Avançar não significa apenas mobilizar mais capital ou desenvolver novos instrumentos. Significa fortalecer relações, capacidades e mecanismos que ajudem esse capital a compreender onde está chegando, encontrar quem já produz soluções e contribuir para que essas soluções se ampliem sem perder vínculo com sua origem.

Projetos terminam. Editais fecham. Financiadores mudam prioridades. Recursos entram e saem.

O que construímos a partir deles pode durar muito mais: conhecimento, relações, organizações fortalecidas, redes e comunidades com maior capacidade de participar das decisões que afetam suas vidas.

Por trás dos instrumentos, estratégias, indicadores e recursos estão pessoas. Pessoas que conhecem seus territórios, constroem respostas, mobilizam outras pessoas e começam a transformar suas realidades muito antes da chegada de qualquer financiamento.

Também ficou evidente que há muitas organizações, empresas, investidores sociais e lideranças revendo práticas, fazendo perguntas e buscando outras formas de trabalhar juntos. O desafio agora é fazer com que essa disposição se traduza em relações mais consistentes e em formas de fazer que mantenham as pessoas no centro.

Quando o recurso sair, o que terá ficado no território e na vida das pessoas que o constroem todos os dias?

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

Impact Minds 2026: Nos conectando

Por Débora Isis Gama, gerente de prospecção e parcerias do IDIS

Como transformar conexões em uma agenda estratégica de impacto?

A participação do IDIS na Impact Minds 2026, conferência da Latimpacto realizada de 9 a 11 de setembro, em Manaus, trouxe perspectivas para responder a essa pergunta. Sob o tema “Connecting Us” (Nos conectando, em tradução literal), o encontro reuniu investidores sociais, filantropos e organizações para discutir como alinhar intenções, capital e ação.

Equipe IDIS na Impact Minds 2026

A programação, teve início no dia 9 de setembro, com uma agenda com diversas visitas de campo, com objetivo de aproximar os participantes da cultura local e de iniciativas conduzidas pelas comunidades. Diante da diversidade de atividades, nossa equipe se dividiu para vivenciar três experiências.

Eu escolhi conhecer o Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, uma iniciativa liderada por especialistas dos povos Tukano, Desana e Tuyuka, originários do Alto Rio Negro. A visita nos aproximou de saberes ancestrais e de uma visão que conecta saúde, território, espiritualidade e vida comunitária. Os participantes conheceram o trabalho realizado pelo centro e tiveram a oportunidade de passar por uma consulta e fazer uso de rapé com os especialistas. Também puderam adquirir produtos da medicina tradicional e peças de artesanato produzidos pelos próprios indígenas.

Marcos Alexandre Manoel, diretor de Projetos do IDIS, participou da visita ao Viva Paricatuba, experiência de turismo de base comunitária que articula patrimônio histórico, cultura e natureza. Ao valorizar os conhecimentos e a atuação dos moradores, a iniciativa conecta a preservação da memória ao desenvolvimento local.

Já Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios, acompanhou a visita sobre financiamento indígena, organizada pela TNC Brasil com o Fundo Podáali e o Ateliê Derequine. Realizada no ateliê — iniciativa de mulheres do povo Witoto no Parque das Tribos —, a atividade apresentou mecanismos de financiamento liderados pelos próprios povos indígenas. Governança local, confiança e fortalecimento institucional apareceram como caminhos para ampliar a autonomia e apoiar soluções concebidas nos territórios.

Nos dias 10 e 11 de setembro, o evento seguiu com painéis e oficinas que reforçaram uma mensagem: recursos financeiros são fundamentais, mas não bastam. Paula Fabiani e Guilherme Sylos trouxeram contribuições do IDIS para essa reflexão, em diálogo com outros integrantes do ecossistema latino-americano.

 

Confiança, capacidades e colaboração

Ao moderar o painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, Paula Fabiani, CEO do IDIS, destacou três elementos: confiança, capacidades e colaboração. Os “três Cs” evidenciam que reunir organizações em torno de uma causa não garante, por si só, resultados coletivos. É preciso reconhecer as capacidades que faltam e criar condições para uma atuação complementar.

Painel “Construindo capacidades para transformar sistemas”, com a participação de Paula Fabiani

O debate também destacou a importância de compartilhar evidências para orientar decisões conjuntas. Outro ponto central foi reconhecer as comunidades, inclusive aquelas que permanecem fora do alcance das redes de apoio, como coprodutoras das soluções. Transformações sistêmicas exigem a humildade de admitir que ninguém as realizará sozinho e a paciência de sustentar processos cujos resultados não são imediatos.

No painel “Construindo alianças de impacto”, Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS, abordou os desafios de colocar a colaboração em prática. Conhecer os parceiros e compreender suas expectativas é fundamental, assim como a disposição para ir além das agendas individuais. Como exemplos de iniciativas construídas segundo essa lógica, destacou o Juntos pela Saúde, programa do BNDES gerido pelo IDIS, e o Juntos Contra a Pobreza, iniciativa da Vale também gerida pelo IDIS.

Painel “Construindo alianças de impacto”, com participação de Guilherme Sylos

Essas experiências evidenciam que alianças não se sustentam apenas na soma de recursos ou na formalização de compromissos. A confiança precisa ser construída entre as organizações e com os territórios. Quando interesses particulares e disputas por protagonismo se sobrepõem ao propósito comum, o potencial de transformação se reduz. Colaborar implica colocar o resultado coletivo à frente do reconhecimento individual.

Paula também facilitou o workshop “Círculo de filantropia: fortalecendo as doações na América Latina”. Essa agenda se propunha conectar a mobilização de recursos à construção de vínculos, à confiança nas organizações e à aprendizagem entre pares, em favor de uma filantropia mais estratégica e colaborativa.

A equipe do Transformando Territórios (TT) também esteve no Latimpacto junto à comitiva da CIAF (Comunidad Iberoamericana de Aprendizaje de la Filantropía Comunitaria), uma rede de colaboração IberoAmericana composta de sete países. Foi importante perceber o quanto as discussões desse dias dialogam com o caminho que está sendo construído na filantropia comunitário territorial.

Equipe do Transformando Territórios e CIAF

Confiança, colaboração, fortalecimento de capacidades e, principalmente, a necessidade de fazer com que os recursos cheguem aos territórios respeitando suas realidades apareceram em diferentes conversas. Isso reforça a importância de organizações locais capazes de conectar atores, recursos e conhecimento, reconhecendo as comunidades como parte ativa das decisões e nos leva a percepção de que temos experiências concretas para compartilhar e contribuir com esse debate na região.

Em outra ocasião também foi realizado um jantar pelo IDIS e pelo UNICEF Brasil, reunindo pessoas e organizações que, de diferentes formas, contribuem para o enfrentamento das desigualdades do nosso país.

Jantar realizado pelo IDIS e pelo UNICEF

 

Aprender com os territórios

As reflexões encontraram continuidade em outros painéis. Em “Finanças inovadoras para um mundo em transformação”, destacou-se a necessidade de aproximar o capital disponível das necessidades locais. Já “Construindo futuros” reforçou uma distinção: garantir a participação dos territórios não equivale a incluí-los nas decisões. Cocriar soluções exige reconhecer a capacidade das comunidades de definir prioridades e construir autonomia.

No painel “Desenvolvimento local: conectando atores para multiplicar o impacto do capital”, o convite foi olhar para as vocações dos territórios, não apenas para suas carências. Pensar o desenvolvimento significa considerar o que já existe e qual futuro a própria comunidade deseja construir.

Da Impact Minds 2026, fico com a reflexão que ampliar o impacto da filantropia exige fortalecer as relações que o tornam possível. Para o IDIS, isso significa seguir aproximando atores, compartilhando conhecimentos e construindo alianças, sem perder de vista quem deve estar no centro das decisões. Mais do que levar respostas aos territórios, precisamos aprender com eles e criar condições para que suas soluções prosperem no longo prazo.

Filantropia em foco na Amazônia: evento paralelo à COP30 reúne mais de 140 pessoas em Belém

Em uma tarde dedicada a refletir sobre o papel da filantropia diante da emergência climática e das desigualdades sociais no Brasil, cerca de 140 pessoas se reuniram em Belém para um encontro paralelo à COP30, o Dia da Filantropia. Organizado pela CAF – Charities Aid Foundation, GIFE, IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Sitawi Finanças do Bem, Latimpacto e WINGS, com o apoio da RD Saúde, o evento reuniu representantes de organizações da sociedade civil, investidores sociais, empresas, redes e iniciativas da região amazônica e de outras partes do país.

A programação contou com três painéis, com participações de especialistas nacionais e internacionais como Ilana Minev, Presidente do Conselho de Administração da Bemol; Pedro Hartung, CEO da Fundação Alana; Mark Greer, Diretor-gerente na CAF; e Anthea McLaughlin, CEO da Aliança Filantrópica Caribenha.  Além disso, houve um momento de ‘Vozes do Território’ que contou com a participação de Rose Meire Apurinã, vice-diretora do Fundo Podáali, Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, e Francisca Gárdina Lima, coordenadora da agricultura familiar do Instituto Baixada.

Ao longo do evento, os debates giraram em torno de como a filantropia pode ser uma alavanca estratégica para enfrentar desafios estruturais, como pobreza, acesso à saúde, educação e proteção de direitos, sem perder de vista a urgência climática e a centralidade da Amazônia nesse contexto. Em diferentes falas, os participantes ressaltaram que não se trata apenas de ampliar recursos, mas de qualificar a forma como eles são investidos, com foco em impacto de longo prazo e fortalecimento de organizações locais.

Outro ponto recorrente nas discussões foi a necessidade de aproximar ainda mais os investidores sociais dos territórios. Foram compartilhadas experiências que mostram como fundos filantrópicos, parcerias intersetoriais e modelos de financiamento flexíveis podem impulsionar soluções construídas por quem vive e atua na região, respeitando saberes tradicionais e promovendo autonomia das comunidades.

Também houve destaque para a importância da transparência, da mensuração de resultados e da troca de aprendizados entre organizações. A ideia de colaboração apareceu como fio condutor: em vez de iniciativas isoladas, os participantes defenderam a construção de agendas comuns, com metas claras e espaço para experimentação, inovação social e incidência em políticas públicas.

“A experiência desse evento com tantos parceiros mostrou uma enorme potência de compartilhamento de saberes e redes. Foi uma tarde de lembrança constante de que ainda temos um enorme trabalho pela frente, mas também inúmeras possibilidades de evolução”, ressalta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Ao final da tarde, a sensação predominante era de que a presença da filantropia na COP30, e em eventos paralelos como este, em Belém, representa uma oportunidade concreta de consolidar compromissos, ampliar conexões e fortalecer o ecossistema de investimento social privado no Brasil e na Amazônia. Mais do que um encontro pontual, o evento foi um passo a mais na construção de uma atuação filantrópica mais estratégica, colaborativa e alinhada aos desafios do nosso tempo.

PÓS COP-30

A COP30 trouxe discussões importantes e também evidenciou lacunas no debate sobre financiamento e filantropia para o clima.

Agora, a Sitawi Finanças do Bem, IDIS, GIFE e Latimpacto se reúnem para compartilhar uma análise conjunta: o que foi debatido nos espaços oficiais e eventos paralelos, quais temas ganharam força, o que poderia ter avançado mais e os principais aprendizados do Dia da Filantropia, o evento que promovemos em Belém durante a COP30.

Não perca o nosso evento “Pós COP-30: tendências e próximos passos na filantropia pelo clima” que acontece no dia 9 de dezembro, gratuitamente, ao vivo pelo Zoom.

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Impact Minds 2025: conexões, cultura e impacto

Por Fabio Lupo, gerente de prospecção e parcerias no IDIS

Representando o IDIS, participei do ImpactMinds: Collective Makers, promovido pela Latimpacto, que reuniu em Medellín, Colômbia, mais de 700 pessoas de diversos países e organizações comprometidas com o fortalecimento do ecossistema de impacto na América Latina. O evento proporcionou um espaço de trocas e aprendizados, onde os desafios sociais da América Latina estiveram em evidência.

Delegação brasileira na Impact Minds 2025

Logo no primeiro dia, os participantes foram convidados a conhecer a cidade por meio de visitas a bens culturais, comunidades e organizações locais. Escolhi o roteiro que incluía o Museu de Antioquia, onde tive a oportunidade de conhecer os bastidores da instituição, seus programas educativos e visitar a exposição de Fernando Botero. As doações do artista foram fundamentais para o reconhecimento e relevância do museu, evidenciando o poder transformador da filantropia cultural.

Marcos Manoel, Diretor de Projetos do IDIS, que também participou do evento, escolheu a visita à Comuna 13 – uma das regiões mais emblemáticas de Medellín, marcada por um passado de violência, mas que hoje é símbolo de transformação social, arte urbana e resistência comunitária. A visita proporcionada pelo evento permitiu aos participantes conhecer iniciativas locais, murais de grafite que contam a história da comunidade e projetos que promovem inclusão e desenvolvimento.

Ao longo dos dias seguintes, participei de painéis e oficinas que abordaram temas centrais para o avanço do investimento social privado e dos negócios de impacto. Um dos destaques foi a discussão sobre o destravamento de finanças para iniciativas que geram impacto socioambiental positivo. A complexidade do tema foi abordada sob diferentes perspectivas – desde o papel das finanças híbridas e dos instrumentos inovadores, até os desafios regulatórios e culturais que ainda limitam o fluxo de capital para soluções transformadoras.

Outro ponto recorrente nas conversas foi a importância de investidores sociais confiarem nas organizações que apoiam, reconhecendo-as como especialistas nas causas e conhecedoras dos contextos em que atuam.

O evento também foi marcado por uma forte conexão com a cultura colombiana. A generosidade, o calor humano e a receptividade dos anfitriões criaram um ambiente acolhedor, que favoreceu o diálogo e a construção de pontes entre diferentes atores para o enfrentamento das desigualdades na América Latina.

O encerramento do ImpactMinds contou com a participação da líder indígena brasileira Vanda Witoto, que discursou sobre ancestralidade, território e resiliência. Foi também anunciado que a próxima edição do evento acontecerá em Manaus, Amazonas, em 2026 – uma escolha simbólica e estratégica, que coloca o bioma amazônico no centro das discussões sobre resiliência climática e justiça socioambiental.

A participação do IDIS no ImpactMinds reafirma nosso compromisso com o fortalecimento do ecossistema de impacto na América Latina e com a busca por soluções que promovam justiça social, equidade e sustentabilidade. Voltamos com ideias renovadas, parcerias em potencial e a certeza de que, juntos, podemos destravar caminhos para um futuro mais justo e inclusivo.

IDIS participa de encontro ‘Impact Minds: Beyond Frontiers’, promovido pela Latimpacto

O evento ‘Impact Minds: Beyond Frontiers‘, promovido anualmente pela Latimpacto, aconteceu neste ano entre os dias 09 e 12 de setembro e Guilherme Sylos, Diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS esteve lá para acompanhar o encontro junto a outros 70 brasileiros. Além deles, reuniram-se em Oaxaca, no México cerca de 650 investidores de impacto de 36 países.

Durante o evento foram abordados vários temas chave focados em refletir sobre as lacunas que a América Latina possui em relação ao atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis – ODS da ONU.

Ao longo dos três dias do encontro, foram discutidos temas como o papel das empresas e das famílias de alto patrimônio na obtenção de maior impacto socioambiental positivo; as mudanças sistêmicas do mundo atual e como enfrentar os desafios gerados pelo cenário; o valor da filantropia em assumir mais riscos e diversificar portfólios; além de tópicos transversais como a ação climática, educação, finanças inovadoras, financiamento misto (blended finance).

Além das palestras e rodas de conversa, foram realizadas onze visitas de aprendizagem em territórios e comunidades acompanhados de atores locais como a Fundação Comunitária de Oaxaca e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Também foram apresentadas iniciativas importantes lideradas pela Latimpacto, com maior destaque para o lançamento do Fundo STEM, fundo pioneiro criado em parceria com a Lenovo e Doug Miller – fundador pioneiro da Latimpacto. Baseado em um modelo de sucesso liderado AVPN em torno da filantropia colaborativa, com o objetivo de expandir o acesso à educação STEM para estudantes marginalizados no México e no Brasil.

Latimpacto promove sua primeira conferência internacional “Impact Minds: Standing together”

“Impact Minds: Standing Together” é a 1ª conferência promovida pela Latimpacto, que reunirá quem realizou projetos de transformação social na região da América Latina e em outros continentes. 

O evento será repleto de experiências que ajudarão você a se conectar com outros investidores sociais, formar parcerias e aprender novas práticas.

Acontecerá de 24 a 27 de abril, em Cartagena das Índias, Colômbia.

Paula Fabiani, CEO do IDIS, estará no evento contribuindo com sua experiência em avaliação de impacto de projetos socioambientais. 

“Colaboração é a chave para maximizar impacto social. É um prazer fazer parte dessa comunidade, compartilhar minha experiência liderando uma organização guarda-chuva para filantropia estratégica no Brasil, e aprender com os debates que vão ser abordados na conferência da Latimpacto.”

Saiba mais, inscreva-se e participe! Acesse: www.latimpacto.org/conferencia-anual

Em maio de 2021, o IDIS se tornou embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no Brasil.

Veja mais colaborações do IDIS com a Latimpacto:

IDIS e Latimpacto trazem para o Brasil discussão sobre inovação social e investimento para impacto

Latimpacto oferece master class sobre Venture Philanthropy para equipe IDIS

Iniciativa Social Corporativa é tema de evento promovido pela Latimpacto junto ao IDIS

Iniciativa Social Corporativa é tema de evento promovido pela Latimpacto junto ao IDIS

Em mais um Café Virtual promovido pela Latimpacto em parceria com o IDIS, a temática central foi sobre o tema de investimento social corporativo. Com a presença de especialistas no tema, o debate propôs explicar o alinhamento estratégico empresarial a partir de diferentes experiências e perspectivas, ressaltando a importância da destinação de recursos na transformação social a longo prazo.

Abrindo a discussão, Juan Ferreira, diretor de programas da Latimpacto, introduz o que é e quais organizações fazem parte da Latimpacto, assim como seus propósitos e objetivos. Ele ressalta a relevância da geração de uma rede de organizações que possam compartilhar a visão de competência e colaboração especialmente em impacto social e ambiental.

Para trazer a experiência prática do planejamento estratégico de uma Iniciativa Social Corporativa, participaram do evento Giuliana Ortega, diretora de sustentabilidade da RD – Raia Drograsil, João Machado, presidente do conselho administrativo da Fundação Ageas e Lina Maria Montoya, gerente de impacto e inovação social da Fundação Grupo Bancolombia. 

Inicialmente, João Machado apresenta criação e atuação da Fundação Ageas, uma organização que faz parte de uma  iniciativa pública do governo português criada em 2014, que tem dois objetivos, o de aumentar o empreendedorismo social no país como forma respostas para os problemas sociais e o segundo objetivo visa contribuir para o fomento do mercado para o investimento social e de impacto. Com a missão de contribuir para a criação de comunidades mais resilientes e inclusivas, a atuação da fundação se dá em três diferentes focos: saúde, envelhecimento e exclusão social. Explicando o plano de Filantropia Estratégica criado em 2021 na fundação, João enfatizou as prioridades para a Venture Philanthropy (teoria da mudança), que entre os focos de alinhamento estão voltadas para: ações para a redução de doenças crônicas (prevenção e gestão), democratização do acesso aos serviços de saúde, a redução da solidão extrema e do isolamento e a empregabilidade de pessoas com incapacidade física/mental. Segundo o representante, “a Venture Philanthropy pode ser um caminho viável para melhorar o impacto”, reforça.

Giuliana Ortega, responsável pela agenda de sustentabilidade e de investimento social da RD, trouxe os objetivos e a ação social da empresa. O objetivo da RD é cuidar da saúde e do bem estar das pessoas em todos os momentos da vida e a empresa tem perspectivas de expansão dessa atuação por meio de diferentes abordagens. A estratégia de negócios da empresa inspirou a estratégia de sustentabilidade construída com base na ambição de ser o grupo que mais contribui para uma sociedade mais saudável no Brasil até 2030. Pessoas mais saudáveis, negócios mais saudáveis e um planeta mais saudável são os três pilares que estruturam essa estratégia. O Investimento Social a RD possui três grandes metas de longo prazo, dentre elas, impactar positivamente a vida de 3 milhões de pessoas em vulnerabilidade social por meio dos projetos de saúde integral, desenvolver a força de trabalho com ações voluntárias e investir 1% do lucro líquido em projetos de saúde integral. Segundo Giuliana, “as estratégias de negócios e as estratégias de sustentabilidade se retroalimentam e o Investimento Social está totalmente integrado nesta agenda”.

“É totalmente possível o alinhamento temático e ele traz sinergias e ganhos, tanto para os negócios, quanto para o investimento social e para sustentabilidade, mas é muito importante entendermos que o foco do investimento social é sempre o público, o bem comum, a sociedade, a comunidade numa empresa”, completa.

Você pode conferir em detalhes os objetivos e metas para o desenvolvimento sustentável da empresa acessando caminharjuntos.com.br 

Por último, Lina destrincha o histórico e a estratégia de Investimento Social da Fundação Bancolombia. Com foco em promover o desenvolvimento econômico sustentável na ruralidade colombiana para garantir o bem estar de todos, a fundação nutre uma relação de longo prazo a ser desenvolvida em 3 frentes que alinham a fundação com os atores sociais a serem transformados. Visando oferecer o fortalecimento e estruturação estratégica de modelos de negócio, como a inversão estratégica, conexões, educação financeira entre outras competências.

Ao final do evento, Paula Fabiani, CEO do IDIS, ressalta a importância do Investimento Social Corporativo como um mecanismo de transformação dentro da agenda ESG.

“Nós acreditamos muito na força do Venture Philanthropy e acho que temos uma oportunidade muito importante com a agenda ESG que chega com muita força junto aos gestores de recursos e cobrando das empresas um posicionamento junto a esses três temas” ressalta.

Confira a live na íntegra:

 

A PARCERIA

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se torna um embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no país. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. “O IDIS, desde a sua fundação, tem como missão mapear e promover as novas formas de se pensar e fazer investimento social privado no país, articulando parcerias estratégicas com atores importantes do setor. A parceria com a Latimpacto reflete essa trajetória e abrirá portas para maior interlocução e acesso a novos atores e práticas do ecossistema global de impacto”, comenta Renato Rebelo, diretor de projetos do IDIS.

 

Investimento social corporativo é tema de evento do IDIS com a Latimpacto

Reunindo especialistas do investimento social corporativo, evento realizado pelo IDIS e Latimpacto trará reflexões e aprendizados sobre a importância dessa destinação de recursos na promoção de transformação social de longo prazo. Além de também compartilharem como, por meio de suas próprias operações ou veículos sociais corporativos, também estão alavancando recursos empresarias-financeiros e não-financeiros.

Quando

_ 21 de outubro
_11h da manhã (horário de Brasília)

 

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O evento será transmitido pelo Zoom e contará com tradução para o Português e Espanhol.

 

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se tornou, em maio de 2021, embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no Brasil. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. Buscando sedimentar o conceito junto a toda equipe do IDIS, em agosto, foi realizada uma Master Class e ao longo de duas horas a Latimpacto compartilhou os principais conceitos relacionado a Venture Philanthropy e por meio de cases, ajudou a esclarecer como acontece na prática.

Latimpacto oferece master class sobre Venture Philanthropy para equipe IDIS

O termo ainda é pouco conhecido no Brasil e tampouco há uma tradução adequada a ele. A Venture Philanthropy versa sobre mecanismos alternativos de financiamento de iniciativas que transformem a sociedade, alinhando retorno financeiro a desenvolvimento social e ambiental. A Latimpacto, comunidade que tem buscado fortalecer o conceito na América Latina, a posiciona entre a filantropia tradicional, considerada uma doação sem exigências de retorno, e o investimento de impacto, que já tem resultados comprovados.

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se tornou, em maio de 2021, embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no Brasil. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. Buscando sedimentar o conceito junto a toda equipe do IDIS, em agosto, foi realizada uma Master Class e ao longo de duas horas a Latimpacto compartilhou os principais conceitos relacionado a Venture Philanthropy e por meio de cases, ajudou a esclarecer como acontece na prática.

Em linhas gerais, o modelo que visa gerar mudanças sistêmicas, é estratégico na forma como utiliza os recursos financeiros e humanos e adota processos e práticas do setor financeiro para provocar essas mudanças. Baseia-se na aposta em soluções inovadoras que rapidamente possam ser escaladas e replicadas por outro tipo de investidor, como instituições do setor financeiro, fundos de investimento de impacto ou investidores tradicionais que visam retorno financeiro, como mostra o diagrama a seguir:

 

A oportunidade gerou conversas sobre sinergias entre a atuação do IDIS e da Latimpacto e reflexões sobre como pode ser estimulado o conceito no Brasil. “O treinamento foi bastante rico. Trata-se de um novo modelo, que exige uma mudança de mentalidade de nossos filantropos, mais dispostos a risco e comprometidos com impacto. O primeiro passo, é torna-lo mais conhecido e hoje nos sentimos um pouco mais preparados”, comenta Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS e também responsável pela coordenação da produção de conhecimento. No site da Latimpacto há diversos conteúdos disponíveis para quem deseja se aprofundar mais.

A ação integra o programa de treinamentos internos do IDIS. A agenda envolve aulas ministradas por especialistas da própria equipe do IDIS e também por convidados, entre eles conselheiros, parceiros e profissionais que contribuam para o entendimento de temas que fogem ao nosso domínio. Em 2021, já foram realizados treinamento sobre assuntos como Fundos Patrimoniais, Diversidade Geracional, Equidade Racial, Facilitação de Grupos Focais, entre outros, somando mais de 400 horas de capacitação para a equipe.

 

Leia também: IDIS e Latimpacto trazem para o Brasil discussão sobre inovação social e investimento para impacto

#FórumIDIS | Descolonizando a Filantropia: equilibrando forças e somando saberes

A filantropia olhada a partir da perspectiva global reflete a desigualdade econômica entre países. Quem tem mais, apoia quem tem menos, e por anos o apoio financeiro veio acompanhado de imposição técnica. O movimento #ShiftThePower é um, entre muitos, que destaca os saberes locais para alavancar mudanças locais. Neste painel, convidamos Francis Kiwanga, diretor executivo da Foundation for Civil Society (Tanzânia), Neil Heslop OBE, CEO da Charities Aid Foundation (Inglaterra) e Pablo Gabriel Obregón, Presidente da Fundação Mario Santo Domingo e presidente do Conselho da Latimpacto (Colômbia) para debater o tema a partir de diferentes lugares de fala e apresentarem novos modelos para colaboração. A moderação foi feita por Naila Farouky, CEO do Fórum Árabe de Fundações (Egito).

Confira a mesa na íntegra:

“Conhecimento local devem alavancar mudanças locais”, acredita Francis Kiwanga. Ele analisou o percurso dos recursos filantrópicos internacionais, destinados em sua maioria a ações para o desenvolvimento no continente africano. De acordo com ele, recursos internacionais são inicialmente destinados a multinacionais, que fazem a gestão do recurso. Uma parte é usado para a própria gestão, outra, para questões que envolvem o continente, depois vai para as regiões, e quando chega efetivamente aos beneficiários, já é uma parcela muito pequena. Destacou também que as exigências técnicas muitas vezes são tantas que dificultam o impacto e geram um paradoxo – ao tentar se alinhar às exigências dos financiadores, algumas organizações acabam perdendo sua identidade e, ao fazer isso, são excluídas das comunidades que tentam salvar. Para que haja maior equilíbrio, defende que as vozes locais sejam ouvidas e que o planejamento seja participativo, incluindo também os beneficiários.

Outro ponto de vista foi trazido por Pablo Obregón, que defendeu que antes de pensar em equilíbrio norte-sul, os países devem voltar-se para dentro e buscar recursos junto a empresários locais e governos. “Os tempos estão mudando e há interesse em investir no desenvolvimento das comunidades locais.”. Chamou atenção às possibilidades de colaboração entre a sociedade civil e poder público, e às políticas públicas implementadas a partir desta relação. Como presidente do conselho da rede Latimpacto, comentou sobre as motivações dos investidores, que sempre perseguem o maior retorno com o menor risco, e trouxe exemplos de mecanismos de diversificação para terem ganhos ao mesmo tempo que geram impacto social e ambiental positivos. É isso o que chama de investimento para impacto. Neste sentido, tem atuado para fortalecer o ecossistema e a integração Sul-Sul e chama atenção à necessidade de investimento em capital humano.

Neil Heslop OBE, representante da Charities Aid Foundation, organização britânica dedicada à filantropia, destacou o contexto macroeconômico no qual operamos. De acordo com ele, entre 2010 e 2030 presenciaremos a mudança de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado, alavancada por três grandes crises: a de crédito, a da Covid e a do clima. Ele coloca que valores humanos ressurgiram, iluminados pelas desigualdades fundamentais, e isso impacta empresas, comunidades e estados, que começam a reavaliar suas prioridades, alterando o fluxo do dinheiro. De acordo com Heslop, “esta é uma oportunidade para mudanças significativas em relação a um futuro justo e sustentável para todos, no mundo inteiro, com uma efetiva mudança de poder.” Também chamou atenção à importante agenda EDI – equidade, diversidade e inclusão, afirmando que as organizações filantrópicas no norte global têm o dever moral de fortalecer a representação em suas estruturas de tomada de decisão e tornar seus processos transparentes e claros o mais rápido possível. Explica que ao quebrar as estruturas de dentro para fora, aceleramos a mudança nos mecanismos de poder.

Descolonizando a Filantropia

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, oferece um espaço exclusivo para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em 2021, teve como tema ‘O Capital e a Humanidade’ e foi realizado em 22 e 23 de junho com o apoio prata da Fundação José Luiz Egydio Setúbal e apoio bronze de BNP Paribas Asset Management Brasil, Bradesco Private Bank, BTG Pactual, Mattos Filho, Movimento Bem Maior, Santander e Vale.

Forum IDIS Apoio

IDIS e Latimpacto trazem para o Brasil discussão sobre inovação social e investimento para impacto

Com o objetivo de disseminar o conceito de investimento para impacto no Brasil e ampliar sua aplicação, a primeira atividade da parceria entre entre o IDIS e a Latimpacto, foi o café da manhã virtual Brasil e Portugal: inovação social e investimento de impacto, com Luis Melo. Luis é membro do conselho da EVPA, rede europeia de Venture Philanthropy, e Diretor do Programa Coesão e Integração Social da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal. Ele lidera um portfólio de projetos de inovação social, investimento de impacto e social impact bonds na Fundação, com sólida experiência em investimento para impacto em Portugal e Europa.

O encontro que aconteceu no dia 1º junho e para dar as boas-vindas contou com a participação de Georgia Pessoa, CEO do Instituto Humanize e vice chair da Latimpacto, e Paula Fabiani, CEO do IDIS. Carolina Suárez, CEO da Latimpacto, participou fazendo uma breve apresentação sobre a rede e o evento foi mediado por Greta Salvi, diretora da Latimpacto no Brasil .

Paula destacou a relevância do encontro, especialmente no momento de retrocessos trazidos pela pandemia, sendo necessária a união de esforços para avançar as agendas do país. Para ela “trazer a perspectiva de Portugal é muito interessante porque é um país de muitas similaridades com o Brasil, não só da língua, mas parte da nossa cultura e da história estão junto com Portugual”, ressalta Paula.

Georgia chamou atenção ao fato de que, mesmo diante de realidades socioeconômicas e políticas distintas entre Brasil e Portugal, a promoção desta conexão para ilustrar, inspirar e adaptar a nossa realidade, é sempre um caminho interessante de se seguir.

Carolina Suarez, CEO da Latimpacto,  comentou que o objetivo da rede é fazer uma comunidade para maximizar o impacto e o desenvolvimento sustentável, fortalecendo o conhecimento e a comunidade na América Latina. “Queremos amplificar o que estamos fazendo, gerar maiores conexões, fortalecer a comunidade, fortalecer o conhecimento e profissionalizá-lo para gerar maior impacto” afirma Carolina.

Na conversa, foram abordados os caminhos e os desafios para a inovação social e investimento para impacto. O debate acerca do investimento para o desenvolvimento social é crescente e abre espaço para mecanismos alternativos de financiamento de iniciativas que transformem nossa sociedade. Uma dessas modalidades é o investimento para impacto, ou Venture Philanthropy, uma abordagem de investimento que prioriza o impacto social e ambiental sobre o retorno financeiro.

Luis de Melo Jeromino da Fundação Calouste Gulbenkian

Fundação Calouste Gulbenkian

Fundada em 1957, a Fundação Calouste Gulbenkian tem como propósito fundamental melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da arte, da assistência social, da ciência e da educação, sendo o fomento à inovação social e ao empreendedorismo eixos transversais de sua atuação. Luis trouxe um panorama dos percursos da Fundação.

A partir de 2013, a Fundação passa a também avaliar a inovação no financiamento de projetos, e é então que se aproxima da abordagem da Venture Philanthropy e começa a fomentar a criação de um ecossistema de impacto em Portugal.

Luis explicou que para acessar o investimento alternativos, além dos recursos públicos e aqueles provenientes da filantropia mais tradicional, empreendedores devem conjugar três elementos para maximizar o seu potencial de impacto: capital, competências e dados.

Capital: empreendedores precisam ter acesso a instrumentos de financiamento adequados e suficientes para as necessidades dos projetos e das organizações.

Nesta categoria, ele aponta: “há um duplo desafio que é de um lado, desenvolver um grupo de financiamento que consiga captar outros tipos de investidores (impacto e retorno financeiro) e por outro lado responder aquilo que são as necessidades dos empreendedores, das organizações e dos seus projetos”

Competências: formação e capacitação para assegurar oportunidades de desenvolvimento dos empreendedores nas áreas de gestão, estratégia, finanças e comunicação.

Dados: transparência nas informações dos investimentos de impacto (desde a modulação financeira até pequenos dados) para criar confiança no mercado.

A Fundação passou a trabalhar em dois níveis para a criação do ecossistema de investimento de impacto. O primeiro, o market building, que consiste no desenvolvimento de mercado em si, com o mapeamento dos atores nacionais, o apoio à criação de uma entidade especializada, o apoio à uma resposta de financiamento público, o engajamento de outros stakeholders nacionais e o lançamento de uma base de dados de custos públicos. Deste processo, surgiu o ‘Grupo de trabalho português para o investimento social’, firmando a proximidade com o setor público, dinâmica muito relevante nesta agenda. A segunda linha de atuação foi tornar-se um market player, ou seja, ser um agente ativo este mercado. A Fundação teve que rever sua estratégia e hoje investe em 5 social impact bonds e fez um investimento relevante no primeiro fundo de capital de risco de impacto português.

Entre as lições aprendidas com a construção de um ecossistema de investimento de impacto, Luis falou sobre a importância da construção de uma visão e agenda de trabalho compartilhadas e da identificação de “champions“, que serão referências para o mercado, sendo quanto mais diversificados, melhor. Lembrou também que a adaptação ao contexto local é essencial, sendo as políticas públicas de grande ajuda para este tipo de projetos.  Além disso, assegurar os quick wins é muito importante porque podem fazer transformações concretas de impacto para transmitir mais confiança no trabalho realizado.

Veja aqui o painel na íntegra:

 

Veja também: Iniciativa Social Corporativa é tema de evento promovido pela Latimpacto junto ao IDIS

IDIS e Latimpacto firmam parceria para o avanço do Investimento para Impacto no Brasil

O desejo de alinhar investimento a desenvolvimento social é crescente e abre espaço para mecanismos alternativos de financiamento de iniciativas que transformem nossa sociedade. Uma dessas modalidades é o investimento para impacto, ou venture philanthropy, uma abordagem de investimento que prioriza o impacto social e ambiental sobre o retorno financeiro. Ele está posicionado entre a filantropia tradicional e o investimento de impacto, já que visa gerar mudanças sistêmicas, é estratégico na forma como utiliza os recursos financeiros e humanos e adota processos e práticas do setor financeiro para provocar essas mudanças. Esta é mais uma forma de identificar e desenvolver soluções inovadoras que rapidamente possam ser escaladas e replicadas por outro tipo de investidor, como instituições do setor financeiro, fundos de investimento de impacto ou investidores tradicionais que visam retorno financeiro.

 

Sobre a Latimpacto

Criada em 2020, a Latimpacto é uma rede latino-americana que mobiliza os provedores de capital social para garantir uma implementação mais eficaz dos recursos financeiros e não financeiros e, assim, gerar impacto social e ambiental positivo, sustentável e de longo prazo. Com tem equipes no Brasil, Colômbia e México, se torna uma importante parceira do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. “Para nós é uma honra oficializar essa parceria com o IDIS, uma instituição com tanta credibilidade e relevância no campo do investimento social no Brasil. A Latimpacto é uma rede que está nascendo guiada por uma abordagem muito clara que é a Venture Philanthropy, e um dos nossos objetivos principais é mobilizar diferentes tipos de investidores, como filantropos, empresas e mercado financeiro. Promovemos atividades de conhecimento e facilitamos conexões e fazer isso junto com o IDIS certamente trará bons frutos para o Brasil e América Latina.” explica Greta Gogiel Salvi, Brazil Country Director da Latimpacto.

 

A parceria

Ao compreender o ecossistema brasileiro e os aspectos socioeconômicos e desafios do país, o IDIS se torna um embaixador ativo da Latimpacto, apoiando a promoção do investimento para impacto mais estratégico no país. A parceria inclui a realização de eventos, a produção de artigos e publicações, capacitações, além da participação no Conselho da Latimpacto. “O IDIS, desde a sua fundação, tem como missão mapear e promover as novas formas de se pensar e fazer investimento social privado no país, articulando parcerias estratégicas com atores importantes do setor. A parceria com a Latimpacto reflete essa trajetória e abrirá portas para maior interlocução e acesso a novos atores e práticas do ecossistema global de impacto”, comenta Renato Rebelo, diretor de projetos do IDIS.

 

Primeira ação conjunta

A primeira atividade em conjunto será o café da manhã virtual Brasil e Portugal: inovação social e investimento de impacto, com Luis Melo, membro do conselho da EVPA, rede europeia de venture philanthropy, e Diretor do Programa Coesão e Integração Social da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal. Luis lidera um portfólio de projetos de inovação social, investimento de impacto e social impact bonds na Fundação, além de sólida experiência em investimento para impacto em Portugal e Europa. O encontro será uma excelente oportunidade para aprender e se inspirar com a liderança de uma organização que está trabalhando por uma sociedade mais justa e solidária, preparando os cidadãos do futuro.

O evento conta também com o apoio do Instituto Humanize e acontecerá no dia 1º de junho, das 8:30h às 10h, em formato virtual. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas em http://bit.ly/brpt_inovsoc.

 

Veja também: IDIS e Latimpacto trazem para o Brasil discussão sobre inovação social e investimento para impacto

Ecossistema da filantropia na América Latina precisa melhorar como um todo

Essa é uma das conclusões do webinar ‘Future of Latin American Philanthropy’, realizado pela Alliance Magazine, em parceria com o IDIS, como parte das comemorações de 25 anos da revista, e que reuniu 333 participantes.

O webinar, que aconteceu no dia 20 de abril de 2020, contou com palestrantes do Brasil, do Chile e da Colômbia, sob a moderação de Elika Roohi, editora digital da Alliance Magazine.

Apesar das diferenças locais, as visões trazidas pelas palestrantes tinham muitos pontos em comum.

Todas destacaram a importância do fortalecimento do ecossistema da filantropia, sendo que Magdalena Aninat, do Centro de Filantropia e Inversiones Sociales, da Universidade Adolfo Ibañez, no Chile, acredita que um ambiente político favorável e um bom sistema de incentivos fiscais são duas ferramentas poderosas para o aumento das doações.

Falando sobre ambiente político, Inês Mindlin Lafer, representante do Instituto Betty e Jacob Lafer, com sede em São Paulo, fez questão de lembrar que, no Brasil, o espaço para a sociedade civil está encolhendo e as organizações do Terceiro Setor estão sob ataque. Inês afirmou que o País vive um retrocesso em termos de democracia e dos níveis de pobreza.

Carolina Suarez, CEO da Latimpacto, uma rede regional de Venture Philanthropy, com sede na Colômbia, apresentou, entre algumas reflexões sobre o panorama da filantropia latino-americana, o desejo de se tornar mais estratégica, o aumento do apetite a risco e um crescente nível de colaboração entre os atores do campo, mesmo quando adotam formas de financiamento diversas.

Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, também destacou a colaboração como um dos pontos que mais avançaram na prática filantrópica, especialmente a partir do evento da pandemia do Covid-19. Paula mencionou outros destaques que considera relevantes, tais como o crescimento do uso da tecnologia por organizações sociais, a valorização dos dados e da avaliação de impacto, e, sobretudo o interesse, cada vez maior, pela filantropia comunitária, que desenvolve um olhar abrangente sobre o território e busca soluções sistêmicas para as populações do local.

Por fim, todas louvaram as iniciativas coletivas, surgidas no combate aos efeitos da pandemia, reunindo filantropos, organizações sociais e coletivos, que deixaram para trás identidades e marcas, expondo suas bandeiras e causas como o mais forte elemento mobilizador.

Ao final do webinar, a imagem do futuro da filantropia latino-americana pareceu ser altamente positiva, pois há espaço para crescer em vários sentidos. Os atores já estão mais maduros, há uma infraestrutura que vem se fortalecendo e o nível de colaboração tende a aumentar. Além desses aspectos, existe a possibilidade de conservar viva a onda de solidariedade nascida no ano passado, devido à pandemia.

Uma curiosidade: no meio do webinar, foi feita uma enquete junto aos participantes, para saber em qual campo a filantropia latino-americana deve investir. Veja abaixo os resultados.

1º lugar: Justiça Social e Democracia

2º lugar: Educação

 

Caso tenha interesse, você pode assistir à íntegra do webinar em: