Webinar debate o papel das organizações sociais na prevenção e redução de riscos climáticos

Encontro promovido pelo IDIS abordará financiamento climático, gestão de riscos, governança local e estratégias para fortalecer a resiliência dos territórios

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A crise climática já afeta diretamente comunidades e Organizações da Sociedade Civil, inclusive aquelas que não atuam especificamente com questões ambientais. Eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos podem interromper atividades, ampliar a demanda por serviços, comprometer recursos e aprofundar desigualdades já existentes nos territórios.

Nesse contexto, fortalecer a capacidade de prevenção, adaptação e resposta das organizações tornou-se urgente. Embora existam recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas, um dos principais desafios é garantir que eles cheguem de forma efetiva às organizações e comunidades que estão na ponta.

Para debater caminhos práticos e estratégias territoriais, o IDIS promove, no dia 6 de agosto, a partir das 9h30, o webinar “Justiça climática, prevenção e resiliência: o papel das OSCs na redução de riscos climáticos”. O evento será online, gratuito e direcionado a profissionais do terceiro setor, investidores sociais e demais pessoas interessadas na agenda de adaptação climática.

Durante o encontro, serão discutidos temas como financiamento climático, gestão de riscos relacionados ao clima, fortalecimento da governança local e aplicação prática de fundos emergenciais preventivos nos territórios.

O conteúdo é um desdobramento da nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”, produzida pelo IDIS. A publicação apresenta diretrizes de atuação e um framework para apoiar organizações sociais e investidores na identificação, avaliação e gestão de riscos climáticos.

A programação contará com uma apresentação da nota técnica realizada por Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS, além de uma mesa moderada por Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS. Participam do debate Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança no Instituto Clima e Sociedade — iCS, e Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

Confira a programação

9h30 | Abertura
Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

9h40 | Apresentação da nota técnica
Yasmim Lopes, analista de projetos do IDIS

9h55 | Mesa-redonda
Moderação de Marcelo Modesto, com a participação de:

  • Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do Instituto Clima e Sociedade — iCS;
  • Mariana de Assis, coordenadora de projetos no Instituto Comunitário Grande Florianópolis — ICOM.

11h30 | Encerramento

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Saiba mais sobre adaptação climática

Para se aprofundar no tema, acesse a nota técnica “Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais”.

 

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Filantropia deve manter compromisso ambiental após COP30

Artigo originalmente publicado na Folha de S.Paulo, em 15/01/2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS, e Marcelo Modesto, gerente da área ESG do IDIS

Belém foi cenário e mensagem. Realizar a COP na Amazônia tornou tangível a urgência de proteger florestas, rios e territórios, promover a transição da matriz energética e impulsionar a bioeconomia com justiça social. Foram inúmeros os aprendizados, os exemplos, as conexões, as demandas que se fizeram ouvidas, os dados que orientam a ação.

Cada Conferência do Clima é certamente um marco com direcionamentos e resoluções, mas as mudanças apenas acontecem com ações concretas, realizadas entre cada ciclo. Em um ano que inicia com o petróleo no centro dos movimentos geopolíticos, é necessário reafirmar o compromisso com o clima, com o meio ambiente e com a nossa própria condição de existência. E é fundamental agir. Filantropos e Investidores Sociais, vocês que estiveram em Belém e escreveram longos posts no LinkedIn, incluíram ações que respondem aos nossos desafios climáticos em seus planejamentos? Pensaram em como vão responder à emergências, apoiar comunidades para que se tornem mais resilientes, e investir em adaptação?

O IDIS atua no fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil. Embora meio ambiente e clima não sejam nosso foco temático principal, são cada vez mais transversais, especialmente nas respostas a emergências, muitas delas decorrentes de eventos climáticos extremos.

Durante a COP30, formamos uma articulação plural e supranacional — IDIS, Charities Aid Foundation (CAF), GIFE, Latimpacto, RD Saúde, SITAWI Finanças do Bem e WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaking Support), com colaboração de Catalyst 2030, Comunitas e Rede Comuá  — e promovemos o Dia da Filantropia, trazendo as vozes das comunidades, exemplos práticos de ações em curso e reflexões sobre como podemos acelerar as transformações.

Quatro aprendizados para Filantropos e Investidores Sociais

Em primeiro lugar, a filantropia tem papel catalisador. As soluções climáticas exigem recursos na casa dos trilhões, com protagonismo de governos e setor privado. A filantropia, ainda que aporte menor volume, é decisiva pois pode testar modelos, assumir riscos, responder com agilidade e demonstrar caminhos que depois ganham escala por outros atores. O senso de urgência deve nos mover e é preciso ousar.

Além disso, a filantropia pode reforçar a centralidade de territórios e justiça climática. Soluções com comunidades, e não somente “para” elas, foram um consenso durante a COP. Isso implica distribuir poder, tratar “beneficiários” como parceiros e correalizadores, apoiar lideranças locais, fundações e institutos comunitários, além de fortalecer capacidades para prevenção e resposta a desastres.

Seguindo em frente, a filantropia brasileira tem um amplo histórico de atuação colaborativa e em rede. Essa atuação coletiva multiplica alcance e influência. Plataformas e alianças entre investidores sociais, organizações da sociedade civil, academia e setor privado podem acelerar o aprendizado, coordenar investimentos e viabilizar as mudanças sistêmicas que o mundo necessita.

Por fim, a filantropia pode ter um papel decisivo em advocacy. Organizações e investidores sociais podem usar seu poder de influência para qualificar o debate público, ressaltar evidências e incidir em políticas que destravem soluções em pautas como energia, adaptação e bioeconomia. Isso inclui monitorar agendas, propor marcos regulatórios e dar visibilidade a experiências bem-sucedidas.

Se a COP30 colocou um holofote sobre a Amazônia, cabe à filantropia manter a luz acesa entre uma conferência e outra. Nosso papel é criar condições para que soluções surjam, amadureçam e ganhem escala — com ousadia, parceria e compromisso público. É assim que poderemos responder aos grandes desafios climáticos do nosso tempo.

 

Nota técnica | Adaptação às mudanças climáticas: como promover a justiça climática através da gestão de riscos para investidores e organizações sociais

O enfrentamento às mudanças climáticas é um desafio que já pressiona territórios, serviços e orçamentos. Para as Organizações da Sociedade Civil e investidores sociais, mesmo aqueles que não atuam diretamente com a causa ambiental e clima, isso se traduz em interrupções, custos extras e maior demanda por serviços pelas populações atendidas.

A falta de visibilidade dos riscos relacionados ao clima podem pressionar a efetividade da atuação, o impacto socioambiental, a governança e o balanço financeiro dessas organizações.

Nesta Nota Técnica, elaborada por Marcelo Modesto, gerente de projetos no IDIS e especialista da área de Agenda ESG e o ISP; e Yasmim Araujo Lopes, analista de projetos no IDIS, propomos diretrizes de atuação com justiça climática e um framework de avaliação de riscos relacionados ao clima para Organizações da Sociedade Civil e Investidores Sociais.

 

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