WGI coloca oito países da África e dois da Ásia entre os que a população doa percentuais mais altos do rendimento individual. Brasil é o 45ºcolocado no ranking.

Os países mais pobres são onde as doações para causas sociais, humanitárias e religiosas são maiores, de acordo com o Word Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social um dos principais relatórios globais sobre filantropia. Mesmo cultivando uma autoimagem de ser um povo solidário, os brasileiros não figuram entre os que mais doam.

 

 

O topo do ranking é dominado pela África. Neste ano, a lista é liderada pela Nigéria, com doações que representam 2,8% da renda individual. Dos dez países em que as pessoas mais doam, oito ficam no continente africano e dois estão na Ásia. Na classificação geral, o Brasil ocupa a 45ª posição, com doações que chegam a 0,9% da renda dos entrevistados, valor este que fica à frente da média da América Latina (0,7%).

Luisa Gerbase de Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS, aponta que a confiança nas instituições, a transparência e questões políticas e econômicas são fatores que influenciam diretamente nas decisões de doação da população brasileira.

 

“Quando a sociedade civil doa, demanda este comportamento também de empresas e famílias de alta renda”  – Luiza G. de Lima

 

O World Giving Report 2026 apontou que, dentre as causas apoiadas através das doações, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar (31%), seguidas de ações voltadas para crianças e jovens e de propostas voltadas para o enfrentamento da pobreza (ambas com 29%). O estudo verificou que o sentimento de pertencer e apoiar uma comunidade local também é um incentivo para doações, número que passou de 25% para 32% em 2025. A noção de entender a doação como um dever coletivo também aumentou, passando de 39% para 48%.

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Ranking global de solidariedade revela fatores que impulsionam doações em diferentes países

O World Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, apresenta um indicador que mede a generosidade dos países com base na proporção da renda destinada a doações. Segundo o relatório, o senso de pertencimento comunitário e a confiança nas organizações estão entre os fatores mais associados a maiores níveis de doação.

A pesquisa ouviu mais de 60 mil pessoas em 105 países para compreender como indivíduos apoiam causas de interesse público ao redor do mundo e quais fatores influenciam suas decisões de doar.

 

Baixe a publicação (disponível apenas em inglês):

 

No Brasil, os resultados indicam um cenário de estabilidade, acompanhado por mudanças importantes nas motivações para a doação. O percentual de pessoas que realizaram algum tipo de doação em 2025 caiu de 62% para 59%. Apesar disso, a doação para organizações da sociedade civil manteve-se estável no país, com 28% das pessoas fazendo alguma doação em dinheiro para ONGS e 19% doando tempo na forma de voluntariado.

Segundo o levantamento, 61% da população mundial realizou algum tipo de doação ao longo do último ano, seja para organizações da sociedade civil, diretamente para pessoas em situação de vulnerabilidade ou por motivos religiosos. Em média, os entrevistados destinaram 1% de sua renda a essas contribuições. No Brasil, a média foi de 0,9% da renda.

O estudo mostra diferenças relevantes entre regiões. Na África, a média de doações corresponde a 1,6% da renda, enquanto na Europa esse percentual é de 0,6%. A Nigéria lidera o ranking global, com cidadãos destinando, em média, 2,8% de sua renda para organizações beneficentes, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em necessidade.

A pesquisa também aponta que adultos entre 25 e 44 anos destinam proporcionalmente uma parcela maior de sua renda a doações do que pessoas com mais de 55 anos. Entre as causas apoiadas, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar, recebendo contribuições de 31% dos entrevistados. Em seguida estão ações voltadas para crianças e jovens e para o enfrentamento da pobreza, ambas apoiadas por 29% dos respondentes.

 

Comunidade e confiança fortalecem a cultura de doação

Um dos principais achados do relatório é a relação entre o sentimento de pertencimento comunitário e os níveis de doação. Nos países onde mais de 80% da população afirma sentir forte conexão com sua comunidade local, a média de doações chega a 1,7% da renda. Já nos países onde menos da metade da população compartilha esse sentimento, a média cai para 0,6%.

Os resultados brasileiros dialogam diretamente com essa conclusão. Entre os motivos para doar, cresceu a parcela de pessoas que afirmam contribuir para apoiar suas comunidades locais, passando de 25% para 32%. Também aumentou o percentual daqueles que entendem a doação como um dever coletivo, que passou de 39% para 48%, índice muito acima da média global (36%) e da média sul-americana (17%).

O estudo também identificou que as pessoas tendem a apoiar principalmente organizações que atuam em suas comunidades (56%) ou em âmbito nacional (55%), em comparação com organizações que desenvolvem atividades em vários países (22%).

Além disso, fatores como transparência e clareza sobre o impacto das doações aparecem entre os principais elementos que poderiam estimular uma maior participação da população. Globalmente, 63% dos entrevistados afirmam que mais transparência sobre a gestão das organizações aumentaria sua disposição para doar e 47% gostariam de compreender melhor os resultados alcançados pelas iniciativas apoiadas. No Brasil, foi interessante ver que 27% dos doadores foram influenciados a doar pela cobertura feita pela mídia, demonstrando a força desta instituição para impulsionar a generosidade.

“Esses movimentos apontam para um doador mais consciente, que entende seu papel na construção de soluções coletivas, e por isso também mais exigente. Transparência quanto ao uso dos recursos e clareza sobre o impacto gerado surgem como condições essenciais para o aumento das doações. O fortalecimento da confiança será decisivo para transformar a intenção em ação e consolidar uma cultura de doação mais robusta no Brasil.” afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.